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Luciano Pires -
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Bem-vindo ao LíderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação Luciano Pires.

Luciano: Bom-dia, boa-tarde, boa-noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje eu converso com Roberto Motta, empreendedor, professor, engenheiro, mestre em gestão, escritor e pai. Ativista político e defensor da liberdade do indivíduo contra todas as tiranias. Um papo muito interessante sobre liberdade individual e a capacidade de fazer acontecer. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido, é um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu e nem o meu convidado imaginamos. Por isso eu não me limito a fazer perguntas, mas eu dou os meus pitacos também. Você entendeu aí? Isto aqui não é uma entrevista, é um bate-papo. O LíderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium têm acesso imediato à temporada completa assim que ela é lançada, os não-assinantes receberão os programas gratuitamente, mas um por semana. Para assinar, acesse o cafebrasilpremium.com.br.

Muito bem, mais um LíderCast. Vamos aquele meu padrão de sempre de tentar contar como é que essa pessoa chegou aqui, indicação de ouvintes. E essa indicação é antiga, cara, eu acho que faz uns dois anos que a turma me diz, leva ele aí. E a gente foi trocando ideias, trocando e-mails e acabou que uma hora deu certo e da maneira que eu mais gosto, que é o seguinte, hoje é um domingo, são cinco e pouco da tarde, ele chega aqui de mala e cuia “estou em São Paulo, vamos gravar”, vamos gravar, cara, vamos embora e pronto, estamos juntos aqui. Três perguntas fundamentais, que são as únicas que você não pode errar no programa, a primeira é seu nome, a segunda é sua idade e a terceira o que é que você faz.

Roberto: Bom, a primeira é fácil, meu nome é Roberto Motta, a segunda também é fácil, eu tenho 56 anos, completei em março agora. A terceira é mais complicada de responder, acho que eu vou precisar do programa inteiro para explicar para você o que eu faço, mas a pista que eu posso te dar, eu sou formado em engenharia civil, tenho mestrado em administração de empresas e trabalhei a maior parte da minha vida como executivo na área de tecnologia da informação.

Luciano: Uhum, legal, nasceu onde?

Roberto: Nasci em Belém do Pará. Morei lá até os 2 anos, depois fui morar em Salvador e em 73 eu fui para o Rio de Janeiro.

Luciano: Ali você pegou o sotaque.

Roberto: Aí peguei um pouco do sotaque, não peguei tudo, mas eu peguei um pouco. É minha pátria, Rio de Janeiro é minha pátria.

Luciano: O que o seu pai e a sua mãe faziam, fazem?

Roberto: Meu pai era funcionário da Petrobras e por isso a gente morou em vários locais e a minha mãe é dona de casa. Meu pai já morreu tem seis anos e a minha mãe está viva ainda, firme e forte com 87.

Luciano: Você tem irmãos?

Roberto: Eu tenho dois irmãos e uma irmã, eu sou o mais velho.

Luciano: Legal. Então hoje está no Rio de Janeiro, está baseado no Rio de Janeiro?

Roberto: Eu moro no Arpoador, na República Livre do Arpoador, que fica na esquina de Ipanema com Copacabana.

Luciano: Você está no Rio há 50 anos, é isso?

Roberto: Não, eu estou no Rio desde 73. É tem 40 anos.

Luciano: 45 anos, cara.

Roberto: Parece que foi ontem. Depois eu te conto a minha primeira experiência no Rio de Janeiro.

Luciano: Tá legal. Eu te faço essas perguntas aqui para a gente sacar a origem, ver como é que vem. Então você tinha um pai que era executivo, a mãe dona de casa. Legal. O que o Robertinho queria ser quando crescesse?

Roberto: Eu não tinha a mínima ideia. Eu fui fazer engenharia porque não sabia o que eu queria fazer. Acho uma injustiça você forçar um garoto de 18 anos a escolher ali o que ele vai fazer para o resto da vida. Tem gente com 30, 40 anos que não sabe ainda. Então eu fui fazer engenharia porque não tinha nenhuma ideia do que eu queria fazer. E no primeiro ano de engenharia eu descobri o computador, e aí falei, pô, é isso que eu quero fazer, mas aí eu não ia parar o curso de engenharia, terminei o curso de engenharia, mas desde o primeiro ano de faculdade que eu já trabalho com informática. Naquela época, chamava informática.

Luciano: É, nossa época. Eu não me meti nessa aí, até hoje eu não me meto nela, são aqueles que eu chamo os Klingons. São os Klingons que lidam com essas coisas malucas, mas eu sou cliente há bastante tempo. Fala uma coisa, quando você se formou em engenharia, você já tinha sacado que era essa a tua área e você foi trabalhar, arrumou um emprego em informática, o que era?

Roberto: É, eu comecei a fazer estágio na faculdade ainda, estágio na própria faculdade, depois eu fui fazer estágio no saudoso Banco Bamerindus. E aí, quando me formei, eu naquela época passei num concurso para a Vale do Rio Doce, mas a mesmo tempo fui trabalhar numa empresa que naquela época chamava Arthur Andersen, depois virou Andersen Consulting, depois virou Accenture. E três meses depois, eu passei num outro concurso para a Petrobras e aí acabei indo trabalhar na área de informática da Petrobras. Comecei lá em 85, fiquei até 89, quando eu resolvi sair do Brasil. E nessa época eu estava tentando conseguir uma bolsa de estudos para o exterior, consegui uma bolsa para fazer MB na Universidade de Louvain, na Bélgica e ao mesmo tempo eu fui convidado para trabalhar no Banco Mundial, passei num processo de seleção para a área de informática do Banco Mundial, então em 89 eu fui embora, fui morar nos Estados Unidos e fiquei lá até 94.

Luciano: A Universidade da Bélgica não rolou?

Roberto: Não rolou, eu tinha que escolher entre uma e outra e aí optei por ir para os Estados Unidos.

Luciano: Ficou lá até quando, nos Estados Unidos?

Roberto: Fiquei até 94.

Luciano: Até 94, legal. O Collor não te pegou aqui no Brasil.

Roberto: Não. Eu fui embora, poucos dias depois daquele fatídico debate dele com o Lula, que eu me lembro até hoje. E o Brasil naquela época passava por uma fase que eu acho que talvez ele nunca mais volte a passar, não sei se a sua percepção é a mesma que a minha, mas eram dias negros de desesperança total. No Rio de Janeiro, assim a percepção em relação ao crime era uma coisa, acho que até pior do que está hoje. Embora os fatos não sustentem isso, a percepção era e a minha percepção é que o Brasil não tinha mais futuro. Eu tinha que ir embora daqui e eu vendi tudo o que tinha. Eu tinha um Chevette comprado de terceira mão, vendi o Chevette, vendi as minhas poucas coisas e saí daqui com 3 mil dólares. Só não cancelei o meu CPF, o resto tudo eu dei adeus e falei “nunca mais volto para cá”.

Luciano: Você estava casado? Solteiro?

Roberto: Não. Eu estava solteiro.

Luciano: Então você foi embora de mala e cuia, que era para ficar lá? E aí, por que não ficou, cara?

Roberto: Ah, eu não fiquei lá por causa do clima, por causa…

Luciano: Aonde você estava lá?

Roberto: Eu estava em Washington.

Luciano: Washington, sim, lá é dureza.

Roberto: Cara, assim, eu dizia que eu não fiquei por causa do clima, da comida e das pessoas, mas descobri que isso é mentira. Eu não fiquei porque acho que o Brasil para mim é uma coisa insubstituível. Eu lá me descobri brasileiro e me descobri carioca. Não tem substituto para o Rio de Janeiro. Eu simplesmente comecei a me sentir sozinho, comecei a me sentir desenraizado. Hoje eu moro no Arpoador, a República do Arpoador, eu ando na minha rua, conheço todo mundo na rua, as pessoas me conhecem. Estou montando lá uma Associação de Moradores, conheço todo mundo na praia, o cara que vende picolé e lá não tinha isso, eu passava por locais e a história da minha vida não estava ali. Eu moro no Rio de Janeiro, tem lá o hospital onde o meu filho ficou internado, o cemitério onde o meu pai, onde foi o velório dele, minha história está aqui.

Luciano: Tuas raízes estão todas lá. Você sabe que ontem eu assisti um trechinho de uma entrevista do Ayrton Senna para o Amaury Junior. Super antiga a entrevista, ele estava lá, e aí “eu estou no auge”, não é cara? Pô, era o rei do mundo, Ayrton Senna. “Ayrton, se você pudesse viver fora do Brasil, que país você escolheria?” Ele falou “cara, não há essa possibilidade, é Brasil. É Brasil, é Brasil, é Brasil”. Cara, e quem estava dizendo isso era o cara que podia morar aonde quisesse, é o Brasil, é o Brasil, é o Brasil. “Se tivesse que ser fora, seria Itália, mas o meu negócio é Brasil, é aqui que eu vou ficar.” E eu já ouvi isso de muita gente, a pessoa fala, eu tive que sair daqui para poder olhar de fora e sacar que é aqui que eu me sinto bem. E isso é legal, cara, e você falando isso neste momento, quando o Rio de Janeiro é o patinho feio do patinho feio, do patinho feio.

Roberto: Luciano, não tem bala de prata e a vida para a maioria das pessoas é difícil mesmo. Acabou. Muita gente, meus melhores amigos foram um pouco antes de mim ou depois para os Estados Unidos, estão lá até hoje. E materialmente, eles estão muito melhor do que eu. Do ponto de vista de segurança física, estão muito melhor do que eu. Do ponto de vista de perspectivas para o futuro deles e dos seus filhos, eles estão muito melhor do que eu. O que mata é o dia a dia. Porque a sua vida são essas coisas todas que eu acabei de falar, mas também e principalmente, o seu dia a dia. Então eu moro a 20 minutos de metrô da minha mãe, eu posso passar na minha mãe duas, três vezes por semana. Qual o valor que tem isso? Eu tenho um círculo de amizades aqui, de relacionamentos, ainda mais agora, com esses últimos eventos na minha vida. Isso é uma coisa insubstituível, quer dizer, para mim, para algumas pessoas isso é substituível, o cara troca isso por ele poder ter…

Luciano: Qualidade de vida. Eu estou fazendo aquele gesto horroroso das duas aspas, tá? Qualidade de vida, não é? Ele define aquela qualidade de vida e abre mão disso tudo aqui. É de se pensar, realmente.

Roberto: Eu moro num bairro legal no Rio de Janeiro, eu acho o lugar mais bonito do Rio de Janeiro, mas o final de semana na frente da minha casa tem vários assaltos todo dia. A trilha sonora lá do meu bairro é “pega ladrão, pega ladrão”. É um local que tem muito turista, tem um morro perto, tem gente de fuzil, tem cracudo e tem o diabo a quatro, mas é um dos lugares mais lindos do mundo. Eu posso estar num fosso espiritual ou financeiro, eu saio de casa, eu vou ali para perto do Arpoador, aquilo ali liberta a minha alma. O que adianta você morar numa casa maravilhosa lá nos confins do mundo de Nova Jersey, onde você não conhece ninguém, a pessoa mais próxima de você está a duas horas de carro e você para encontrar com ela precisa marcar com duas semanas de antecedência. Então assim, para algumas pessoas essa troca vale a pena, para mim não valeu.

Luciano: Você resolve voltar para o Brasil então com alguma coisa em mente? Você veio com currículo de que lá? Você chegou aqui com?…

Roberto: Eu enchi o saco. O que me fez resolver voltar foi o inverno de 92 para 93, em que teve uma tempestade de neve, eu fiquei preso em casa três dias, sem poder sair. Aí eu falei, está na hora de ir embora. Acho que isso é um sinal de Deus.

Luciano: Você sabe que eu estou imaginando as pessoas ouvindo a gente aqui e eu acho que o brasileiro não consegue imaginar o que é ficar preso dentro de casa por causa de uma condição meteorológica.

Roberto: Isso é uma diferença grande de cultura do Brasil para os Estados Unidos. Depois eu, muito depois, eu me interessei, quando fiz mestrado, por essa coisa da diferença de cultura, que é explorado muito bem por um sociólogo holandês chamado Geert Hofstede, depois a gente fala disso, mas uma das coisas que me surpreendeu era o interesse do americano pelo tempo e eu só fui entender por que no primeiro inverno, porque é assim, é a diferença entre a vida e a morte. Você sair de casa e não saber que tem uma tempestade de neve vindo, fica preso no carro.

Luciano: Tornado warning. Tornado warning. Você liga a televisão nos Estados Unidos, eles estão comentando como é que está o pólen, há uma nuvem de pólen encobrindo. Você deve falar, que é isso, cara, está falando do quê? Eles realmente têm uma relação com a meteorologia que a gente aqui desconhece no Brasil, mas é isso que eu acho engraçado lá. Ficou preso três dias em casa sem poder sair por causa da tempestade de neve, cara, isso é um absurdo, mas aí você resolve que volta para cá, e aí?

Roberto: Aí eu resolvi voltar para o Brasil, tirei umas férias, vim para cá, procurei emprego, consegui um emprego e voltei para trabalhar na Shell. Eu fui gerente de infraestrutura de tecnologia, cara que cuidava de servidor, de redes locais, foi na época que a internet estava começando aqui no Brasil, então participei da internet na Shell e fiquei um tempo na Shell.

Luciano: Cuidou do bug do ano 2000 na Shell?

Roberto: Não, nessa época eu estava na Oi, que na época era Telemar. Eu saí da Shell e fui trabalhar na Telemar, na época da consolidação tinha 16 operadores e fiquei lá um tempo também. Foi na época do bug do ano 2000, aquela insanidade. Muita gente ganhou muito dinheiro em cima do medo.

Luciano: Empresas se constituíram naquela época, formaram-se por causa daquilo, por causa do medo do bug, cara, que é uma história impressionante. Eu estava na empresa, eu estava na indústria de autopeças na época, no meio, cara, e vieram coisas que você não faz ideia. Aliás, você faz, você estava lá. Mas quem está ouvindo a gente aqui, que é novo, não vai saber. A coisa catastrófica era o seguinte, ia haver a virada de 1999 para 2000, nessa virada iam mudar os calendários dos computadores, isso podia dar um nó sem tamanho que podia derrubar avião, fechar usina termonuclear. Ia ser um horror o mundo por causa dessa virada, então ninguém sabia direito o que era e começaram a ser criados protocolos gigantescos que a empresa tinha que obedecer para evitar que parasse o faturamento e tudo o mais. E a gente teve que implementar isso aí e foi um negócio, foi um escândalo, eu me lembro que era um negócio que o mundo ia acabar. E no dia da virada estava todo mundo lá, meu Deus, virou e o que aconteceu? Nada. Aí quando você fala isso, os caras “não aconteceu porque nós avisamos”.

Roberto: Profecia autorrealizada.

Luciano: Exatamente. Mas e conta mais e aí você continuou sempre trabalhando em grandes empresas?

Roberto: Sempre trabalhando em grande empresa e quando eu saí da Telemar, na época, que depois virou a Oi, eu fui trabalhar para uma empresa americana na área de defesa e segurança. Essa empresa tinha ganho um contrato grande na Venezuela, essa história é interessante, com a Petróleo da Venezuela PDVSA. Ela tinha feito uma terceirização de toda a área de informática. Tinha criado uma empresa, na época era o maior contrato de terceirização de informática da América Latina, um contrato de 500 milhões. Então essa empresa americana que ganhou esse contrato resolveu, no entusiasmo, isso foi pouco antes do estouro da bolha da internet, na primeira bolha. Então ela abriu subsidiárias na América Latina toda e abriu uma no Brasil e me contratou, me tirou da Telemar e eu fui trabalhar para eles. Foi o meu primeiro contato com a área de segurança, eu comecei a entender um pouquinho da área de segurança aí.

Luciano: Você trabalhou lá ou aqui?

Roberto: Eu trabalhei no Rio de Janeiro. A gente estava abrindo as operações da empresa e eu trabalhei nessa empresa durante uns três anos, mas aí aconteceram dois fenômenos: a explosão da bolha da internet e a subida de Hugo Chávez ao poder na Venezuela. Hugo Chávez acabou nacionalizando essa empresa que tinha contrato de terceirização, então o negócio foi fechado. E aí eu passei para outras oportunidades de trabalho e acabei abrindo uma empresa, com um sócio americano, para trazer tecnologias de segurança pública para o Brasil. A gente fez isso motivado por uma reunião. Eu e ele estávamos nos Estados Unidos, em Nova Jersey, numa reunião e a gente escutou falar de uma tecnologia, o cara botou um slide de uma tecnologia que detectava disparo de arma de fogo. Aí eu olhei para aquilo ali, falei, pô, vou resolver o problema do Brasil e vou ficar milionário. Vou resolver o problema do Brasil e o meu. Então nós criamos uma empresa para trazer essa tecnologia para o Brasil, eu e esse amigo americano.

Luciano: É por som, como é que é isso?

Roberto: É por som, ela usa a mesma base de tecnologia que é usada para detectar o epicentro de terremoto. Então você recebe o som de três ou quatro pontos diferentes e faz uma triangulação e diz olha, o som está vindo daqui. E esse foi um projeto que nós levamos uns três anos para conseguir executar, porque na época essa tecnologia não era permitida a exportação dela dos Estados Unidos, que era considerada de segurança nacional. A gente conseguiu essa liberação, abrimos uma empresa aqui no Brasil, gastei muita sola de sapato, rodei o Brasil inteiro e consegui vender e implantar dois projetos aqui. Um foi no município de Canoas, no Rio Grande do Sul e o outro foi no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Foram os dois primeiros projetos dessa tecnologia implantados fora dos Estados Unidos. E foi uma experiência que mudou a minha vida em mais de uma forma, porque foi a minha entrada na área de segurança pública.

Luciano: Vocês montaram uma empresa?

Roberto: Nós montamos uma empresa.

Luciano: Então nesse momento você virou empreendedor, então deixa eu pegar… esse programa aqui é sobre liderança e empreendedorismo e quando isso acontece, eu quero dar uma cutucada. Você já não era um mais um garotão, já tinha os seus 30 e alguma coisa ali.

Roberto: Mais de 40.

Luciano: Mais de 40, casado?

Roberto: Eu tinha 45.

Luciano: Casado, com filho?

Roberto: Já tinha um filho.

Luciano: Em que empresa você estava antes?

Roberto: Eu estava na empresa americana.

Luciano: Na empresa americana. Você lá devia ser o bambambã, estava tudo bem, salário etc. e tal e decide que agora eu vou tocar o meu próprio negócio. Ou seja, perdi meu sobrenome corporativo, perdi plano de saúde, perdi carro, perdi aquilo tudo e virei eu e eu, empreendedor no Brasil, que é um pandemônio. Você fazia ideia do tamanho da encrenca que você ia abraçar?

Roberto: Não. Eu era triplamente ingênuo. Eu não fazia ideia do tamanho da encrenca, eu não sabia o que significava fazer negócios com o governo, porque eu estava trazendo um produto cujo único cliente era o governo. E terceiro, eu não tinha me dado conta de que a gente estava em plena era Lula, Luís Inácio Lula da Silva. Essas três coisas eu não percebi. Eu só vi o seguinte, esse troço é ótimo, funciona, tem aplicação no Brasil, então vamos fazer. E aí nós fizemos esses dois projetos e no decorrer desses dois projetos eu descobri essas três coisas. Descobri o inferno que é você ser um empreendedor aqui, você tem que ser praticamente louco mesmo para ser. Segundo, eu descobri a realidade de fazer negócios com o governo brasileiro e terceiro, eu descobri o que significava a era Lula. Essas três coisas foram um choque de realidade que, inclusive, influenciaram os rumos da minha vida na sequência.

Luciano: Quanto tempo levou esse teu projeto?

Roberto: Os dois projetos foram feitos num espaço de três anos. Nós implantamos os dois projetos. Do ponto de vista técnico, eles foram um sucesso inquestionável, os dois tinham caráter de projetos-piloto, de vamos testar para ver se funciona. O projeto de Canoas foi feito numa região de favela, o projeto da Tijuca foi feito num bairro de classe média, de prédios, igual a esse bairro que a gente está aqui. Nos dois, a tecnologia se mostrou um sucesso absoluto. No caso de Canoas houve interesse e cooperação ativa das forças policiais, então no primeiro trimestre de operação de sistema, a gente conseguiu uma redução de quarenta e um por cento no número de homicídios naquele bairro. No caso da Tijuca, não houve isso, houve um descaso do sistema, as forças policiais, a entidade governamental, por razões que eu não sei explicar direito, não se interessou muito pelo sistema, por explorar ou usar o sistema, então a gente não conseguiu nem medir resultados, mas o sistema permitia também gravar, ele captura o áudio toda vez que há um disparo de arma de fogo. E se eu tocar para você o áudio que a gente capturou, porque a Tijuca é como se fosse um vale e cercado de morros por quase todos os lados, em todos esses morros há uma favela muito perigosa, dominada por traficantes, então tinha áudios ali que você escuta que acha que aquilo ali era… acha, não, tem certeza que é uma guerra. É uma realidade de uma brutalidade tremenda. E uma característica deste sistema é que ele permite que você geolocalize disparo a disparo, então isso te dá uma riqueza de informações, quer dizer, aquilo tudo que você precisa para saber o que você tem que fazer e quando você tem que fazer.

Luciano: O que aconteceu com esse projeto?

Roberto: Os dois projetos não tiveram continuação, porque tanto a prefeitura de Canoas quanto o governo do Estado do Rio de Janeiro não conseguiram renovar os contratos de manutenção, então os projetos pararam, os sistemas pararam de funcionar.

Luciano: E não apareceram outros projetos? O sucesso desses dois não gerou? Cara, é inacreditável, esse negócio continua nos Estados Unidos, esse projeto está lá?

Roberto: Continua, já tem em mais de cem cidades nos Estados Unidos.

Luciano: E aqui morre e morre.

Roberto: Aqui, e isso foi uma das razões que me levou a me interessar pela área de segurança pública, que eu andei do Rio Grande do Sul ao Ceará, conversando com Secretário de Segurança, comandantes da Polícia Militar, delegados de Polícia Civil, Polícia Federal e eu tenho uma mente de engenheiro que trabalhava com informática, pensando em processo, em fluxo de informações e comecei a descobrir a realidade da segurança pública brasileira. Pô, não é possível que isso seja do jeito que eu estou entendendo, aí eu checava, era mesmo e em outro lugar… O descaso do estado brasileiro com o assunto segurança pública, com o assunto combate ao crime é uma coisa monstruosa, não tem outra expressão para usar. Vou resumir isso numa frase, que é dita por um grande amigo meu, que é procurador de justiça no Rio de Janeiro, Marcelo Rocha Monteiro. Ele foi, durante muito tempo, mais de 20 anos, promotor de júri, e júri no Brasil julga homicídio.

Luciano: Já está convidado para vir, viu? Eu já mandei para ele um e-mail.

Roberto: Ele é sensacional. E o Marcelo diz o seguinte, eu já vou estragar aqui uma frase dele, ele diz que durante os 20 e tantos anos que ele foi promotor de júri, ele nunca, nem uma vez pegou um inquérito de homicídio onde tivessem sido levantadas impressões digitais. Você acredita num negócio desse?

Luciano: Não.

Roberto: Aí você, os últimos, esses números agora são bem recentes, uma estatística recente, no Brasil são notificados à polícia, portanto, o número real é muito maior, são notificados à polícia mais ou menos 2 milhões de assaltos por ano, que é mais ou menos 3 assaltos por minuto, quer dizer, desde que a gente começou este programa aqui, muita gente já foi assaltada. Sabe quantos desses assaltos são… sabe para quantos desses assaltos se abrem inquérito? Dois por cento. Quer dizer, dois por cento, vamos combinar, é zero. É nada. Então o Marcelo sempre fala isso, se você abrir um restaurante, já que a gente está falando de empreendedorismo, você abrir um restaurante no Brasil, qual é a sua chance de sucesso? Dez por cento, quinze por cento, não é? Você tem oitenta por cento de chance de quebrar antes dos dois anos. Se você assaltar alguém no Brasil, a sua chance de sucesso é quase cem por cento. Então este é um país que teve um descaso e uma negligência imperdoável com a sua segurança pública. Eu descobri isso do ponto de vista do empresário, porque eu ia lá vender o meu sistema e o cara não se interessava e dizia que não tinha dinheiro e daqui a uma semana anunciava um projeto de compra… para você ter uma ideia, o meu projeto, que cobriu quase todo o bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, custou mais ou menos a mesma coisa que custou a reforma do canil da PM no Rio de Janeiro.

Luciano: Está se explicando tudo.

Roberto: Esta é a nossa realidade. Esta foi a realidade que eu encontrei como empreendedor.

Luciano: Você, por muito menos que isso, você saiu do Brasil da outra vez.

Roberto: Por muito menos.

Luciano: Por muito menos, você saiu do Brasil. Dessa vez você tomou uma dessa aí na tua cara, na tua frente. Se você viu isso no Brasil inteirinho, significa que é uma metástase, não é aquela coisa de ter uma ilha aqui, outra ali, não.

Roberto: Não.

Luciano: É uma metástase, quer dizer, isso aí é ruim para todo lado. Eu fiz há um tempo atrás, cara, há muito tempo atrás, eu estou falando coisa de 10, 15, 20 anos. Eu me lembro que eu estava trabalhando numa apresentação que eu ia fazer e, de repente, assisto um telejornal, eu fiquei tão impressionado com aquilo que eu guardei aquele vídeo e tenho ele comigo até hoje. Os caras prenderam um assassino de crianças, um assassino serial que matou uma criança, eu não me lembro se foi em Santa Catarina ou no Rio Grande do Sul, acho que era Santa Catarina, ele mata a criança lá e conseguem pegar o cara. E quando pegaram o cara, descobriram que esse cara aí já estava fichado em outro estado, não sei se era São Paulo ou Rio Grande do Sul, mas tinha toda a ficha lá. E aí os caras foram entrevistar o responsável lá, não me lembro se era o delegado de polícia e o cara, na maior cara dura, a expressão dele é que me deixou enlouquecido, ele falou “é, os nossos sistemas não se falam, então é assim a realidade brasileira e nós não podemos fazer nada e como os sistemas não se falam, a gente não sabia que o cara era bandido, que era ele. Ele passou por aqui e foi liberado e matou uma criança, depois que ele foi liberado”, simplesmente porque a ficha dele não conversava com a ficha do outro estado e essa desconexão total, acredite ou não, nós estamos falando dessa história 20 anos depois, ela continua igual. Ontem eu ouvi no rádio, eu não sei quem estava dizendo lá que o RG que é registrado no Ceará não é conectado com São Paulo, você não tem o documento do cara aqui e lá, não existe uma… não tem comunicação, cara, não tem conversa.

Roberto: Nenhuma, às vezes, esse problema de comunicação existe entre as próprias polícias do mesmo estado, a polícia civil não se comunica direito com a polícia militar. Essa é a nossa realidade.

Luciano: Aí você começa a se coçar com alguma coisa além do que a tua própria empresa, não é, cara. Eu preciso me mexer para… eu não sei o que é, estou só chutando aqui. Você começa com uma coceirinha.

Roberto: Não, é isso mesmo. Eu acho que você já sabe.

Luciano: Eu tenho que fazer alguma coisa, me fala o que é essa coceirinha aí.

Roberto: É, isso foi uma coceira que já vinha desde que eu voltei dos Estados Unidos, porque muito me impressionou lá a vida cívica das pessoas. Então, o tempo que o cidadão gasta colaborando com a sociedade era uma coisa que eu não tinha visto no Brasil. Depois eu fui ler aquele livro do Alexis de Tocqueville, Democracy in America, que ele fala isso, ele diz que os Estados Unidos tem clube para tudo. Imagina um hobby, uma doença, um problema, tem um clube para isso nos Estados Unidos. Para te ajudar, para te apoiar, para te ensinar. Então aquilo me impressionou, eu voltei para o Brasil com aquilo ali na cabeça. Comecei a participar de uns movimentos lá no Rio de Janeiro, conversar com algumas pessoas, comecei a participar da Associação de Moradores do bairro onde eu morava, Ipanema. E comecei a conversar com alguns amigos sobre isso, essa inquietação, poxa, a gente precisa fazer alguma coisa, especialmente as pessoas que têm um padrão melhor de vida, têm um esclarecimento maior. E algumas dessas pessoas participaram da primeira campanha do Fernando Gabeira e a gente teve uma experienciazinha assim muito rápida. E o Gabeira é um cara, um ponto fora da curva, não sei se já entrevistou ele, mas se não entrevistou, tem que entrevistar.

Luciano: Eu gostaria demais, cara, eu admiro ele.

Roberto: Ele é mitológico. Ele é um cara de convicções profundas, que arrisca a vida dele por suas convicções e ele estava num lado do espectro ideológico, agora está do outro lado.

Luciano: E olha para trás e fala errei, fiz uma cagada, eu estava errado e mudei de ideia.

Roberto: É isso aí. Ele falou, isso que vocês estão dourando a pílula é mentira, não era nada disso, a nossa intenção era outra, enfim, um cara fantástico. E depois dessa experiência nossa com o Gabeira nos surgiu essa ideia, por que a gente não cria um partido? Uma ideia também carregada de muita ingenuidade, na época.

Luciano: Que ano era isso?

Roberto: Isso foi 2007, 2008, nós começamos a conversar sobre isso, por que a gente não cria um partido, mas criar um partido é difícil, vamos ver o que precisa. Precisa de um milhão de assinaturas, ou 500 mil assinaturas, não me lembro agora o número exato, acho que era 500 mil assinaturas. A gente não tinha a mínima noção do que eram 500 mil assinaturas, mas algumas pessoas daquele grupo tinham uma situação boa de vida e se dispuseram, vamos tentar, vamos ver como é que a gente faz. E começamos a fazer duas coisas, a coletar assinaturas e a fazer reuniões com pessoas e convidar e conversar, por que a gente não cria um partido, não é? E esse partido acabou sendo chamado de Partido Novo. Nós começamos no Rio de Janeiro, lugar onde a gente tinha o maior núcleo. Aqui em São Paulo também tinha uma boa quantidade de pessoas e em alguns outros lugares do Brasil. E isso foi, foi até que a gente acabou conseguindo as tais 500 mil assinaturas, depois de muitos trancos e barrancos, de bastante investimento de esforço nisso e de recursos de algumas pessoas e o Novo virou um partido que foi aprovado, eu acho que foi em 2011, não me lembro agora o número exato. Mas entre a gente ter a ideia e o partido ser aprovado, nós andamos aí pelo Brasil inteiro. Eu fazia muito essa evangelização de uma nova forma de fazer política. E o interessante, Luciano, é que quando a gente começou isso, eu era analfabeto de teoria política liberal. Eu não sabia o que era liberalismo. Eu nunca tinha ouvido falar de escola austríaca, mas as ideias que nortearam a criação do Novo eram ideias baseadas, em grande parte, no que eu tinha visto nos Estados Unidos. Então era prática, ninguém precisava me explicar como é que a coisa funcionava. No meu primeiro livro, que acabei de te dar um exemplar, espero que você goste.

Luciano: Obrigado.

Roberto: Eu conto, por exemplo, uma história, quando eu voltei dos Estados Unidos, naquela época quem morava fora por mais de dois anos tinha direito a trazer a mobília sem pagar imposto de importação, mas para isso você tinha que pegar um formulário no consulado brasileiro lá em Washington, era um formulário num papel assim gigantesco, era um formato que não cabia, não era A4, era um troço doido, você tinha que preencher aquilo detalhadamente em três vias, era uma burocracia. Aí eu fiz tudo aquilo ali, despachei a minha mobília, quando cheguei no Brasil, depois de algum tempo a minha mobília chegou, eu fui liberar a minha mobília, eu passei dois dias inteiros no depósito do aeroporto Galeão. Eu vou abreviar a história, porque é coisa de chorar. Você vai num guichê, depois vai no outro, pega um carimbo aqui, fica esperando. E aí, em determinado momento lá o fiscal abriu, foi lá um fiscal comigo, fiscalizar o que eu estava trazendo. Ele lá com o formulário que eu tinha preenchido nos Estados Unidos, aí ele vai abre, mexe aqui, aí ele abre lá e fala assim “esse forno de micro-ondas aqui é novo, vai ter que pagar imposto”. Eu falei assim “mas olha só, eu morei cinco anos nos Estados Unidos, eu tenho direito de trazer isso aí, eu preenchi toda a papelada, está aqui o formulário, isso me custou um mês de trabalho”, “não, não, esse forno aí é novo, vai pagar imposto”, “mas isso não está certo, a lei diz que eu tenho direito de trazer isso sem pagar imposto”, ele olha para mim e fala assim “a lei aqui sou eu”. Aí eu parei, pensei, sabe pensei assim várias alternativas de coisas que eu podia dizer para ele e eu resolvi dizer o seguinte “então faz aí, preenche a guia que eu vou lá pagar”. Então “a lei aqui sou eu” é o resumo, pra mim, do Brasil. Do Brasil naquele momento e do Brasil hoje. Hoje, talvez um pouco menos. E então a gente criou o Novo, criamos esse partido político baseado no que eu vi lá fora que funcionava: liberdade, confiança no cidadão, respeito. E depois, um dia, eu descubro, eu nem me lembro exatamente como, mas a gente trombou com essa história de liberalismo. Eu acho que deve ter sido através do Mises, eu acho que foi através do Mises.

Luciano: Sempre. É impressionante.

Roberto: E aí um dia eu conheci o Hélio Beltrão, no outro dia o Hélio estava indo fazer palestra para a gente sobre as seis lições de Mises e aí, um tempo depois, a Fundação… daqui a pouco eu lembro o nome, me levou para a Alemanha para fazer um curso, um workshop de uma semana lá sobre o Liberalismo. Enfim, a gente descobriu o Liberalismo depois de ter criado uma organização baseada nas ideias liberais. Então isso foi uma coisa muito engraçada.

Luciano: Eu entendo perfeitamente o que você está dizendo, porque comigo aconteceu exatamente a mesma coisa. Quando eu me aproximei dessas ideias também foi assim, foi um acidente, eu te contei rapidamente ali, foi uma experiência, eu fui fazer uma palestra num fornecedor meu, ali acontece o negócio da palestra que me leva a pensar nessa coisa do valor, eu falei pô, vou estudar um pouquinho essa coisa do valor e isso me leva até Mises, Seis Lições. Aliás, a dica aqui para você, o livrinho chama-se As Seis Lições de Mises, as Seis Lições, na verdade de Ludwig von Mises, que é uma bíblia, é o bê-á-bá para quem quiser começar a pensar na questão do Liberalismo. E quando eu comecei a ler ali, eu descobri um mundo gigantesco de gente que estava teorizando aquilo que eu fazia na prática. Cara, mas é assim que eu faço e esse cara explicava porquê e como fazer. E aí, para mim abriu uma janela gigantesca que me trouxe também para trabalhar as ideias do Liberalismo e tudo o mais. Não entrei de cabeça para me envolver com partidos, fundações etc. e tal, mas o meu trabalho tem um viés bastante grande nesse sentido. Então eu entendo o que aconteceu com você, esse ficar maravilhado e falar, cara, está tudo escrito, aquilo que eu pensava tem alguém descrevendo aqui. Isso é genial, cara.

Roberto: É, foi isso. Lembrei, é a Fundação Friedrich Naumann. E foi uma experiência fantástica, porque eu tive oportunidade de conhecer pessoas com as mesmas ideias dos países mais diversos do mundo, tinha gente da Rússia, tinha no Paraguai e a própria experiência da Alemanha. Quando você mergulha na história dos países e nos sistemas políticos e vai um pouquinho mais além verniz e procura entender, tanta coisa começa a fazer sentido e a própria história da sua vida, as dificuldades, você começa a entender. E, para mim, se consolidou na minha cabeça a imagem do Brasil como sendo um país que é explorado por um grupo pequeno de pessoas. Esse grupo pequeno de pessoas mantém um sistema que as beneficia há muito tempo, impede qualquer tipo de mudança e a maior parte do país vive e trabalha para servir a esse pequeno grupo de pessoas. Então era a nossa ideia mudar isso, então a gente criou esse partido.

Luciano: Essa tua consciência, era a pergunta que eu ia te fazer que acho que você meio que respondeu aqui agora, que é o porquê dessa trabalheira toda de criar um partido do zero, em vez de entrar num partido que já existe, fazer um takeover e transformá-lo?

Roberto: Então, eu acho que aí ia em doses iguais ingenuidade e esperança. Como eu vi nos Estados Unidos, de forma concreta, que a nossa realidade pode ser muito diferente, eu tinha esperança, realmente, de que a gente conseguisse, que a chance de sucesso ia ser muito grande, porque tinha muita gente querendo a mesma coisa, então se a gente criasse, muita gente ia apoiar, a gente estava levando água para o deserto, a demanda ia ser muito grande. Ao mesmo tempo, a gente tinha uma ingenuidade muito grande também, uma ingenuidade de menosprezar o poder e a extensão do mecanismo, para usar agora, tem até um termo para a gente descrever, o mecanismo é muito mais complicado do que a gente imaginava. Além disso, eu acho que a gente estava equivocado em relação a alguns pontos e isso tem a ver com falta de experiência na política, muita gente que participou comigo da fundação desse partido tinha uma experiência de vida no mercado financeiro. Então eram pessoas que viveram uma realidade onde…

Luciano: Um mais um dá sempre dois.

Roberto: E é meritocracia imediata, porque se você tem esse ano uma meta de fechar 50 milhões em negócios e você fechou, você ano que vem vai ser promovido e vai ganhar um bônus, se você não fechou, tem mais uma mais chance e é perder a segunda, você vai embora. O mundo não funciona assim, meritocracia é uma coisa linda, mas o universo não é meritocrático, então é preciso reconhecer que em determinadas esferas da nossa vida pessoal e da vida pública, a meritocracia, no seu estado puro, não tem aplicação, porque você tem que considerar outras coisas que estão envolvidas no jogo social, na busca de um ponto em comum. Então eu acho que essa ingenuidade em relação a vários pontos afetou o projeto. Então talvez se a gente tivesse mais experiência e mais estrada, a gente tivesse optado por entrar numa organização.

Luciano: O que o PSL tentou, que quase aconteceu no PSL com o Livres.

Roberto: Pois é, o Livres, eu também participei dessa experiência. Depois que eu saí do Partido Novo, eu fiquei um tempo sem estar ligado a nenhum grupo e depois eu me aproximei do Livres, passei a fazer parte do Livres, na época que o Livres entrou no PSL e aí eu acho que as questões foram outras. Eu acho que também houve uma certa dose de ingenuidade, por razões diferentes, mas nada é fácil. Assim, quando você sai da arena empresarial, do seu universo pessoal, e entra no jogo político. O jogo politico é um jogo diferente em qualquer lugar do mundo, isso não é um privilégio do Brasil. Nos Estados Unidos é assim, na França é assim, talvez aqui o nosso grau de cinismo seja desproporcional em relação aos outros países, talvez o jogo aqui tenha virado uma finalidade em si mesmo.

Luciano: E tem uma outra coisa, não é, Roberto, aliás, duas coisas que eu vou falar. Só primeiro uma paradinha aqui. Você que está me ouvindo aí e está babando, eu não vou fofocar com o Roberto, não vou pedir para ele contar bastidores do rompimento do Livres, não é aqui, não. Eu estou preocupado com outras coisas aqui. E o que eu estou pensando é o seguinte, o brasileiro tem uma característica que ele leva tudo no pessoal. Tudo é pessoal, qualquer crítica que você fizer para mim, neste momento aqui, é pessoal. Se você disser para mim o seguinte, “a sua voz está muito alta no microfone”, aí você vai ficar puto porque pô ele está reclamando de mim, é pessoal. E eu vejo uma mistura muito grande, quer dizer, eu vou questionar você de alguma postura profissional, para que nós dois possamos fazer alguma coisa melhor, o brasileiro já internaliza isso, já vira pessoal, eu sou teu inimigo, eu vou puxar seu tapete e não tem mais nenhuma boa vontade com você. E eu estou cansado de ver negócios e ideias desmilinguindo porque a gente é incapaz de ter esse distanciamento, não sei como é que eu vou dizer, assim emocional. Sabe, eu tenho um problema, vamos resolver, o que você está fazendo não está certo, eu acho que se for por esse caminho aqui, não, eu acho que não é e a gente vai para um caminho melhor. O brasileiro, ôpa, reclamou, esse cara vai puxar meu tapete e a gente desmonta o processo inteiro. Eu não sei se não é isso que tem acontecido toda vez que se junta um grupo de brasileiros com boa vontade para fazer algo acontecer e puf, implode.

Roberto: Olha, uma característica do brasileiro que eu percebi imediatamente quando fui morar nos Estados Unidos, é que a gente aqui não tem coragem de ser franco e sincero. No mundos dos negócios, a diferença é gritante.

Luciano: Talvez por isso, “eu não quero te magoar”.

Roberto: É, mas ele não sabe dizer não. Ele não sabe dizer, “olha só, Luciano, esquece, essa sua ideia é uma porcaria, eu não tenho nenhum interesse nisso e olha só, não me procura mais”. Aqui você fala “olha só, não, hoje não, mas a gente se fala daqui a algum tempo”. Então essa dificuldade com a sinceridade, com botar as cartas na mesa. O americano fala na sua cara, não tenho nenhum interesse nisso que você está falando, sou radicalmente contra.

Luciano: E guarda as coisas e vamos partir para outra, não é? Eu escrevi um texto há um tempo atrás que eu falava, cara, eu não me conformo, eu mando o projeto para a empresa do cara, um projeto meu aqui, entra lá e eu não tenho mais resposta. E aí eu começo a cutucar o cara e ele “estamos vendo, vamos ver, vamos analisar”. Bicho, fala não de uma vez, por favor, me fala não na primeira vez, porque eu não perco mais meu tempo, cara, eu vou cuidar de outro lado. E, não, espera um pouquinho, vamos ver, estamos pensando.

Roberto: Eu explicava isso, gastei muito inglês explicando isso para os americanos. Olha só, aquele cara com quem você já foi jantar dez vezes não quer comprar o seu produto, você está gastando o seu tempo. Se você levar ele para jantar mais uma vez, ele vai, ele vai mais vinte, porque ele adora jantar, bater papo, ele gosta de você, mas ele não gosta do seu produto, ele não vai comprar. Eu acho que é isso, mas a outra coisa também que eu acho que é um fator que tem que ser considerado, Luciano, é que a gente não tem prática política, a gente não sabe o que é isso. A atividade política no Brasil é monopolizada por um grupo pequeno de pessoas que se tornou altamente proficiente nessa arte, são pessoas que… A legislação, estou tendo agora contato com legislação eleitoral, então é uma coisa doida, é impossível você cumprir. O domínio de uma máquina partidária, uma vez que você consolida aquilo ali, é impenetrável, para o bem ou para o mal. E você vê que essa é uma questão recorrente, que surge, inclusive, nos novos, nos partidos criados recentemente, você tem sempre um questionamento. No Brasil, hoje você tem uma barreira de entrar numa atividade política que se chama partido. Você só entra num partido se o porteiro ali deixar você entrar. Então como é que uma pessoa normal, como você, como eu, como o nosso ouvinte aqui vai conseguir vencer essa barreira?

Luciano: E a hora que ele entra, ele vai entrar dentro de um jogo que já está todo formatado, já está tudo escolhido. O TSE não acabou de interferir agora no processo em que o Novo colocou para escolher os seus?…

Roberto: É.

Luciano: Você pode até nem concordar com o processo.

Roberto: Você está querendo que eu faça fofoca, hein.

Luciano: Não, não, isso foi anteontem, foi ontem.

Roberto: Eu vi.

Luciano: Que os caras entram lá e o TSE, não pode fazer assim para escolher. Como assim, cara? Nós somos um grupo de pessoas que tem liberdade para decidir como é que vai ser. Não, aí não pode. Vocês não podem fazer assim, não podem usar isso aí. Cara, eu fiz uma entrevista aqui com o Alexandre Ostrowiecki, que é um dos criadores do ranking dos políticos, um baita site que entrou aí. A gente discutiu bastante essa coisa do Brasil aí e em determinado momento nós estávamos conversando aqui, cara, são tantos problemas, em tantas áreas diferentes, que você olha para aquilo e fala, cara, é impossível consertar isso. Porque se eu falar assim, vamos criar um processo para renovar a câmara de deputados. Vamos lá. A gente tem agora, dos 513, 447 vão para eleição aqui agora. Então, há um potencial desses 513 trocar 447, o que é uma baita renovação, mas esses caras novos que vão entrar, vão entrar num sistema que é totalmente viciado e já é viciado. Então para funcionar alguma coisa, tem que mudar uma lei. Agora, para essa lei ser mudada, você vai trombar com o STF, que também está enrolado. Onde você bota a mão, tem um rolo. E você olha para aquilo e fala, dá para arrumar isso, cara ou tem que jogar uma bomba aí, implodir e começar do zero?

Roberto: É, eu acho que dá para arrumar, sim, porque você tem que lembrar de uma coisa, eu, na minha formação de engenheiro aprendi uma coisa chamada regra de Pareto, que se aplica a vários setores da vida. Por exemplo, você tem lá um negócio qualquer, uma farmácia, geralmente 20% do seu estoque responde por 80% do seu faturamento. Tem vários estudiosos de segurança pública que dizem, 20% dos bandidos respondem por 80% dos crimes, então você não precisa prender todos os bandidos, se você prender aqueles 20%, você já vai poder andar tranquilo na rua. Então, tem muita coisa errada no Brasil, mas eu acho que se tem ali 20% de questões, se a gente conseguir resolvê-las, o nível vai baixar daqui do nariz lá para o joelho. E aí eu dou para você só um exemplo, grande parte da mudança que a gente está vendo no Brasil nos últimos anos e você pode dizer, pô, Roberto, mas não é uma mudança definitiva, mas é inegável que você vê um ex-governador do Rio de Janeiro algemado nas mãos e nos pés e condenado a nunca mais sair da cadeia, é mudança. Você vê a quantidade de deputados, senadores, bilionários na cadeia, isso nunca aconteceu antes no Brasil. Luciano, isso foi causado, isso foi consequência de uma única lei, a lei da delação premiada, uma única lei, passada eu acho que acidentalmente, porque foi passada no governo da Dilma.

Luciano: E o Gilmar está desesperado para derrubar agora.

Roberto: Pois é, então, as coisas acontecem acidentalmente, não é só para pior, é para melhor também. Então existe, tem até uma expressão em inglês chamada serendipity. Então o potencial de melhoria é grande, só que como a gente está imerso nesse caos de coisa negativa e você tem que lembrar que as nossas informações, e você está ajudando a quebrar isso, mas para boa parte dos brasileiros, as informações que vêm são pautadas por uma mídia monocórdia, controlada. A gente estava conversando isso hoje numa reunião, de manhã, se você pegar manchetes de jornal, por exemplo, 80%, 90%, 95% das notícias de segurança pública são negativas para a polícia. Pô, será que a polícia brasileira nunca faz nada certo? Ela nunca salva ninguém? Ela nunca impede?… A gente sabe que sim, a gente sabe que a realidade não é só negativa, mas se você lê o jornal, você só vê notícias negativas. Então eu acho que tem muita coisa acontecendo no Brasil que a gente não sabe. E eu tenho, por exemplo, na segurança pública, eu acredito nisso, é uma coisa que eu constatei em tudo o que eu já estudei, com as experiências que eu tive, tem algumas coisas que se você mexer, a melhoria na nossa qualidade de vida vai ser tão grande que vai ser igual ao que aconteceu com o Plano Real. A maior parte dos nossos ouvintes aqui provavelmente não se lembra de uma época que o Brasil tinha 70% de inflação ao mês. Aquilo ali, não sei se você lembra, naquela época, as pessoas diziam, isso nunca vai mudar, porque a inflação interessa aos banqueiros e ao capital internacional, então o Brasil jamais vai acabar com a inflação. Quantos planos econômicos a gente teve, até acabar a inflação? Um dia acabou a inflação, hoje a gente está com inflação de 3%, 4% ao ano. A mesma coisa se aplica a vários outros setores, mas a gente tem que lembrar isso, 20% de coisa que a gente mexer vai melhorar 80%. A gente vai corrigir o país inteiro. Todos os países têm problema. Você vê os Estados Unidos, quem mora nos Estados Unidos, por exemplo, tem dificuldade terrível, quer dizer, eles não têm o problema de segurança pública que a gente tem, mas eles têm o mass shootings lá, essas matanças sem sentido, que é uma afronta tão grave ao espírito da nação americana e é inexplicável, aparentemente intratável, não é? Então todo país tem seus problemas.

Luciano: Você está colocando uma coisa importante aí, que é um tema que, para mim, ele é muito, como é que eu vou dizer para você, ele é muito premente. Eu não abordo diretamente, mas indiretamente eu falo dele o tempo todo, que é aquela questão de você, cara, essa história de vamos acabar com tudo o que está aí é uma tremenda de uma bobagem. Nenhum político presta, tudo é uma merda, liquida isso tudo, vamos trocar tudo e botar tudo novo. Isso é uma tragédia, se você fizer isso aí, até em termos de engenharia, não é, cara? Derruba o prédio inteirinho, terra arrasada e constrói um prédio novo. Pô, quando você lida com tijolo e cimento é fácil fazer, agora, quando você pega um organismo vivo, como é o Brasil e fala que destrói tudo, tirem todos os políticos de lá, fecha aquela merda e começa do zero outra vez, com pessoas que nunca fizeram isso, com pessoas que não sabem como é que funciona, com pessoas que desconhecem o andamento. Cara, isso é pedir uma tragédia maior ainda do que essa que está rolando aqui. E tem um discurso muito grande, hoje em dia, por aí, de que é esqueça, não vá, não vote, anule, á contra, porque nada do que está aí serve, nós precisamos de começar tudo do zero. Isso é uma revolução. A gente sabe o que aconteceu nas revoluções, sempre que tem uma revolução vai sobrar para alguns aí que… Então me parece que essa ideia que você colocou aqui agora de vamos encontrar os problemas fundamentais e atacá-los e conviver com as outras porcarias e não parar, ah, não vou fazer, porque aquele também tem. Cara, o também tem depois a gente resolve, primeiro demole, primeiro resolve esse aqui e depois a gente ataca o segundo lá, mas vamos falar dos fundamentais primeiro. Ou, em outras palavras, e agora eu vou ser bem sacana, meu, para de discutir terceiro banheiro e vamos discutir gente morrendo com bala perdida na rua, entendeu? Por quê? Por que o terceiro banheiro não é importante? Não, porque ele é muito menos importante do que 65 mil pessoas assassinadas todo ano no Brasil. É aqui que está a encrenca, não é do outro lado, então vamos discutir depois, sabe, bota em segundo plano e em primeiro… mas a gente entrou numa loucura de diversionismo dos problemas para atender minorias e tudo o mais que o Brasil virou essa bagunça. E, cara, olha o tempo de mídia que se gasta para discutir coisas que não são absolutamente importantes e nem fundamentais.

Roberto: Cara, você está falando aí, está levantando um fato que as grandes discussões que a gente está tendo hoje no Brasil são pautadas pela esquerda. São assuntos que interessam, do ponto de vista político, eleitoral, à esquerda, a esquerda faz a pauta através do praticamente o monopólio que ela tem na mídia e a gente é forçado a entrar nessa discussão. Mas eu acho que esse ponto que você levantou vai além também. Eu acho que muita gente do lado que não é de esquerda, então todos essas forças políticas que não são de esquerda também às vezes se perdem por pautas que no grande contexto são irrelevantes. Eu vou te dar uma aqui que é polêmica mesmo. É a história do fundo partidário. O tempo que se gasta, e essa é uma posição que eu tinha quando eu participei da criação do Novo. Somos contra o fundo partidário, somos contra. Quanto é que gasta com o fundo partidário? Dois bilhões, três bilhões. Quanto é que custa o estado brasileiro? Um trilhão. Cara, o problema é o estado brasileiro, não é o fundo partidário. Eu me lembro de um artigo do Thomas Sowell, que ele estava falando sobre custos de governos e estava perguntando no artigo dele, sabe, quanto é que custa o congresso americano? Eu não me lembro dos números exatos, mas era alguma coisa assim do tipo o congresso americano custava dois bilhões de dólares por ano. É dinheiro para burro dois bilhões, para qualquer lugar do mundo. Sabe quanto é que o americano gasta com goma de mascar? Quatro bilhões por ano em goma de mascar. Pô, cara, vamos botar as coisas em perspectiva. Eu trabalhei durante um tempo na Petrobras, ainda tenho muitos amigos lá e tem um amigo meu que sempre diz isso, olha, cara, vocês estão preocupados com as propinas da Petrobras que deu quase um bi, o problema não é a propina da Petrobras de um bi, o problema é o plano de investimento da Petrobras, que é de 120 bi e que está todo errado. Isso na época, no auge do escândalo. Então a gente está olhando, a gente está sendo precioso para olhar a pulguinha que está em cima do cachorro e não está vendo o cachorro.

Luciano: E você sabe que pulguinha é essa, cara? É aquela pulguinha que é criada porque eu tenho a impressão que alguém está levando uma vantagem, entendeu? Essa é a pulga que eu quero pegar, é a pulga de que alguém está levando uma vantagem. Então eu sou contra a reforma previdenciária, porque tem alguém levando vantagem, o dono da empresa vai levar vantagem em cima do pobre do operário. Eu sou contra a propina na Petrobras, porque tem alguém levando vantagem. Tudo vai canalizar se tem alguém levando vantagem, tem alguém explorando alguém e parece que no final termina tudo em luta de classes, não é, cara? Tudo tem alguém oprimindo o oprimido. Espera um pouquinho, tem coisas mais importantes que estão ferrando tanto o opressor quanto o oprimido. E que antes de focar nesses pequenos assuntos, vamos focar no grandão. Esse exemplo que você deu agora é fundamental, cara. Tem um plano de investimentos errado. Quem é que cuidou desse plano? Quem é que vai dizer que está errado? A quem eu vou recorrer? Você viu o lance que teve ontem do Presidente do Chile, que esteve aqui no Brasil?

Roberto: Vi.

Luciano: Foi conversar com o ministro, aí falou, vem cá, e quando o STF erra recorre a quem? Não sei, cara, não sei. Quando o Gilmar fala o seguinte “vai logo aí, porque eu tenho que pegar meu avião para ir embora”, o outro diz, eu não posso continuar, porque… Espera um pouquinho, cara, isso é teu emprego, bicho. Você é pago para fazer isso aqui, como vai levantar vai embora? Vai reclamar para quem? Você reclama para quem? Então eu acho que tem, de novo, outro dia eu botei um post aqui dizendo que o problema do Brasil é escala. É tão grande, a encrenca é tão grande que fica tudo em escala. Eu vou ter que resolver o problema grande demais e eu acabo não conseguindo, vai se perder na discussão, no blábláblá.

Roberto: E isso é tática clássica da esquerda também. o Thomas Sowell também fala isso, que é tática clássica, você pega um problema pequeno e amplia ele. “Não, isso aí não vai resolver o problema da segurança pública”, mas nada vai resolver o problema da segurança pública. Nada vai resolver o problema da saúde, nada vai resolver o problema da educação. Deixa eu resolver o problema dessa escola aqui, desse posto de saúde, desse bairro.

Luciano: Isso é fundamental. Você está tocando na discussão que nós tivemos agora da redução da maioridade penal. É esse argumento, quem disse que isso vai resolver o problema? Mas quem foi que disse que vai resolver o problema? Isso vai resolver um pedacinho dele, e aí nós vamos atacar outro pedacinho e outro pedacinho, um de cada vez.

Roberto: Você bota um casaco não é para resolver o problema do inverno, é para você não sentir frio. E como a esquerda domina a pauta e eles adotam essa tática de ampliar o problema até que ele fique insolúvel, isso tem a ver com o que a gente estava falando até pouco tempo atrás. Pessoas como eu e você, que passamos boa parte da nossa vida na iniciativa privada, trabalhando fazendo a sua poupança, criando a família nós estamos despreparados para isso. Quando a gente se junta para criar um partido, a gente vem cheio de ingenuidade, de bom mocismo, a gente cria barreiras que impedem que a gente entre na competição no mesmo nível que os outros. Agora você imagina isso, você cria um partido, você resolve não usar o fundo partidário, mas olha só, os seus inimigos usam, então como é que você vai conseguir chegar ao poder para acabar com o fundo partidário sem usar um recurso que os seus inimigos estão usando? Então é uma mistura de ingenuidade com outra coisa, Luciano, que é muito perigosa, que a gente talvez tenha sido contaminado pela esquerda aí, que é o monopólio da virtude. Você começa a achar que você, “só eu sei fazer essa coisa, quem não faz do jeito que eu faço é ruim, é impuro, eu não vou me associar, eu não vou me coligar, eu não vou me juntar”. Não tem como, num sistema político representativo do Brasil, você chegar ao poder e chegando nele conseguir fazer alguma coisa, sem você sentar na mesa para conversar com pessoas com as quais você, na sua vida normal…

Luciano: Jamais faria. Você não tem como atravessar o chiqueiro sem sujar o pé de barro, cara. É impossível fazer isso, agora, sujar o pé de barro não quer dizer que eu sou sujo como o barro, quer dizer que eu estou utilizando esse recurso. Cara, essa discussão aqui é capaz de ir muito longe. Você não acha que isso tudo tem a ver com a incapacidade absoluta que o brasileiro tem de planejar qualquer coisa na vida, cara? Estou pegando teu lado engenheiro agora e lembrando daquela história sabe, de você ter ido para os Estados Unidos, viver um período num ambiente onde tem uma estabilidade, onde você consegue, bom, vou fazer um plano de dois anos e eu sei o que vai acontecer e aqui no Brasil eu não sei o que vai acontecer em dois meses. Isso talvez tenha ensinado a gente a bicho, esquece, cuida do teu agora, cuida do almoço de amanhã e mês que vem a gente vê o que dá, Deus ajuda.

Roberto: É, eu… não. Eu acho que, como eu te falei, eu descobri o trabalho do Hofstede, que é esse sociólogo holandês, quando eu fiz mestrado. E ele estudou, ele fez um estudo comparativo das culturas no mundo inteiro. Ele criou um sistema que tem seis indicadores, que ele chama de dimensões culturais. E quando eu li o livro dele, é um desses livros que você lê e te ilumina, você fala, caramba, esse cara aqui, se ele não está cem por cento certo, ele está explicando muita coisa que eu vejo.

Luciano: Qual é o nome do livro?

Roberto: A Cultura como Software da Mente.

Luciano: Já tem em português isso?

Roberto: Acho que não.

Luciano: A Cultura como Software da Mente.

Roberto: Isso, mas isso tem um capítulo do meu próximo livro Levanta e Anda, que vai sair em breve por uma grande editora que eu não posso dizer o nome ainda, porque me pediram para segurar, mas vai ter um capítulo só sobre esse livro, sobre Hofstede, chama dimensões culturais. Hofstede diz que a cultura é como se fosse um aplicativo que você instala na sua cabeça nos primeiros dez anos de vida e a partir daí já era, você não consegue mais mudar o que o cara pensa. E o Hostede analisou e criou esses indicadores e tem dois indicadores que eu acho que explicam muito a situação do brasileiro. O primeiro é o que ele chama de distância de poder, a distância de poder é a distância que existe, numa determinada sociedade, entre o cara que pode menos e o cara que pode mais. Então quem é que pode mais no Brasil? Não sei, o ministro do supremo, o presidente da república, um bilionário. E o cara que pode menos, um cracudo que está morando aqui na rua. E o Hofstede usa um sistema de perguntas e computa um índice matemático e dá uma nota para isso e aí ele compara uns países com os outros. Então, segundo esse sistema do Hofstede, o Brasil tem o dobro da distância de poder, por exemplo, dos Estados Unidos. E aí quando você lê o que está por trás disso, começa a fazer sentido muita coisa para você. Um país com grande distância de poder, o Hofstede caracteriza isso como resultante do fato de que as pessoas, algumas pessoas se acham existencialmente melhores dos que as outras. Então o sujeito tem determinados benefícios ou privilégios porque ele se acha melhor do que você, tem convicção de que ele é melhor que você. Então, por exemplo, como é que você chama o presidente da maior, uma das maiores empresas de software do mundo? Bill, é o Bill Gates. Como é que você chama o presidente de uma empresa brasileira? É doutor fulano de tal. Então essa distância de poder é uma coisa que se traduz na lei, se traduz nos procedimentos.

Luciano: Nos privilégios.

Roberto: Nos privilégios, tudo isso. E a outra dimensão que o Hofstede identificou é uma dimensão que ele diz que é do individualismo e coletivismo. No Brasil, a tendência é para uma sociedade coletivista. Coletivista, no sentido do Hofstede, é uma sociedade que é melhor nós todos juntos andarmos um pouquinho para a frente, do que você andar sozinho muito para a frente e eu ficar para trás. Então é uma sociedade que vê com maus olhos o sucesso individual. Acho que foi o Chico Buarque que falou.

Luciano: Tom Jobim, que no Brasil sucesso é ofensa pessoal.

Roberto: É ofensa pessoal, não é? Então por que empreendedorismo é mau visto no Brasil? Se você é um funcionário, você é chefe de uma seção no funcionalismo público e tem cem pessoas trabalhando para você, você é um servidor da nação. Se você é um empresário que tem cem funcionários, você é um explorador.

Luciano: Explorador, opressor, é isso aí.

Roberto: Então eu acho que é mais por causa dessas características da nossa cultura, o que me dá esperança que a gente consiga mudar e eu estou vendo essa mudança acontecendo nos últimos anos para cá. Quando é que isso vai desaguar em mudanças estruturais, é difícil prever, mas eu não acho que seja, não é uma causa sem esperança. Eu não me sinto assim. Eu vejo muita gente se sentindo assim e eu não me sinto assim.

Luciano: Legal. Estamos chegando aqui no nosso finalmente. Eu só quero dar uma provocada em você agora. Nós estamos falando aqui, no mês de abril de 2018, aliás, terminando o mês de abril de 2018, vamos entrar em maio e estamos na reta final para uma eleição importante que vem aí, que é uma eleição que eu diria para você que trará grandes emoções, como poucas que eu vi.

Roberto: Também acho.

Luciano: Porque ela tem componentes aí que a gente não viu em nenhuma outra eleição. Tem candidatos novos, tem candidatos velhos, tem candidatos de direita pela primeira vez, claramente de direita, tem partidos novos, o seu Partido Novo aparecendo aí, tem uma série de ações acontecendo aí, tem uma mudança na legislação, 45 dias só de campanha, tem mídias sociais com um peso como nunca houve na história do Brasil, o que eu acho que até tromba um pouco com a importância da televisão e tudo o mais, a gente que vai ter um trabalho de bastidor aí importantíssimo. O que você está vendo aí, cara, vamos brincar aqui um pouquinho aí, o que você está vendo? Não vou perguntar para você quem vai ganhar, nem em quem você vai votar. Eu vou perguntar para você o que você está vendo aí, nesse ambiente de ebulição, não apareceu ainda alguém que você fala uau, esse é o cara, esse é o cara que vai levar. Não, tem vários “não seis”, não é? Aliás, esta semana também teve mais uma dica aí que parece que o Ciro está se juntando com o Haddad e vai receber a bênção do Lula e esse vai ser o cara, o representante da esquerda com toda chance de ir para o segundo turno. O que você está enxergando aí?

Roberto: Eu acho que eu concordo com você, essa eleição não vai ser igual a nenhuma eleição que a gente viu antes nas nossas vidas, as regras são completamente diferentes. O papel da mídia social acho que vai ser devastador para um lado e para o outro. Pela primeira vez, o brasileiro está tendo acesso nu e cru a coisas que jamais antes da história deste país você teve acesso.

Luciano: O brasileiro está interessado, não é?

Roberto: É aquela história do voto lá do STF sobre o habeas corpus do Lula, aquilo ali parecia final de Copa do Mundo, meu WhatsApp não parava, só girando.

Luciano: Eu passei aqui, eu fui fazer fisioterapia aqui do lado, eu botei até essa foto, eu saí 7 horas da noite, eu passo, o boteco da esquina, que é um botequinho de tomar cerveja e a TV ligada na Globo News e transmitindo o voto da Carmen Lúcia, cara, da Rosa Weber. Eu passei, que é isso, cara? Transmitindo o voto e o pessoal assistindo. Eu tenho a foto, eu publiquei no Facebook, cara, no boteco.

Roberto: Você tem essa foto, essa foto é histórica. Eu acho que essa eleição talvez seja um encontro longamente adiado do Brasil com ele mesmo, nós vamos ter que encarar algumas verdades, vamos ter que dar nome aos bois, vamos ter que tirar alguns esqueletos do armário e vamos ter que fazer escolhas difíceis. Eu acho que a gente vai ter uma surpresa grande com o que vai acontecer nessa eleição, não acho que a esquerda tenha nenhuma chance, eu acho que a esquerda vai passar uma vergonha histórica e acho que existe até a possibilidade da gente não ter candidato de esquerda no segundo turno. Porque o que a gente viu nos últimos 15, 20 anos no Brasil, isso eu acho que para a esmagadora maioria das pessoas significou a desmoralização definitiva de todo o cinismo, de toda a hipocrisia, de todo o interesse próprio mascarado de interesse público, que foi praticado não por cem por cento, mas pela grande maioria dos políticos de esquerda neste país.

Luciano: E que eram os que ditavam o discurso, a narrativa era feita por eles, foram os construtores da narrativa é que criaram essa situação. Deixa eu fazer uma piada aqui só, você imagina, você falou um negócio aí, você é um petista de carteirinha saindo de casa para votar no segundo turno e a opção é Alckmin e Bolsonaro.

Roberto: Bom, aí se eu fosse um cara sem vergonha, eu dizia, é melhor já ir se acostumando, mas é isso, eu acho que esse é o encontro do Brasil com ele mesmo. A gente vai ter que encarar algumas coisas que a gente sempre empurrou para debaixo do tapete, na nossa incapacidade de confrontar, de dizer não, por aqui você não vai passar, escolhe outro lado. Eu não sei qual vai ser o resultado desse encontro do Brasil consigo mesmo, mas isso vai acontecer, eu não tenho dúvida. E eu acho que a gente está presenciando o surgimento de algumas vozes diferentes. Então, por exemplo, candidato como Flávio Rocha, a mensagem que o Flávio Rocha está trazendo, acho que é o primeiro candidato que eu vi até hoje se posicionando de forma clara sobre questões morais e assumindo um discurso conservador nos costumes. Pô, quando é que você viu, qual foi o último candidato, assim, na minha vida eu não vi ninguém. O único que se parecia remotamente com isso era o Collor, mas que tinha um foco na questão da corrupção, na selva de marajás.

Luciano: O único que chegava lá e falava foi o Enéas, pô, que o Enéas soltava o verbo, falava tudo e foi tratado como um ET, ele era um extraterrestre, ele foi chutado.

Roberto: Porque ele tinha uma coisa meio, às vezes, caricatural. Mas acho que hoje você tem também nessa eleição um cara que é um símbolo e muita gente não entende isso, que é um símbolo tão forte que já se descolou da pessoa, que é o Bolsonaro. O Bolsonaro virou o símbolo de vários anseios das pessoas e o que a figura é ou não é não importa, mas é assim, mal comparado, como o Lula. Assim, não importa se o Lula roubou, se recebeu mala de dinheiro.

Luciano: Você não está mal comparando, porque para mim o Bolsonaro e o Lula é a mesma categoria, eu não vou falar de nada moral, estou falando o seguinte aqui, a categoria personagem, sabe, marca, branding, personagem, é a mesma coisa, cara.

Roberto: Exatamente.

Luciano: Embaixo deles tem seguidores que são, pode falar o que você quiser, não cola nada, o que você jogar nos dois não vai colar.

Roberto: E eu vou te dizer, graças a Deus, que a gente tem o Bolsonaro para se opor ao Lula, porque isso é uma coisa muita gente boa da política brasileira não entendeu ainda, se você não tiver um símbolo, não adianta você ser um cara preparado, você ser bem intencionado, você fazer processo de seleção, você fazer o que você for, você não vai se eleger, acabou, ainda mais numa eleição como a eleição presidencial. Então é importante você ter símbolos e eu acho que a gente vai ver também a demolição de outros personagens que estão, que ainda continuam respirando politicamente, mas estão respirando por aparelhos, depois de tudo o que está acontecendo aqui, eu acho que a gente vai ver esses caras saindo da vida pública. Mas eu volto aquele comentário que você fez há pouco tempo, eu não acredito, para mim não existe, não faz sentido nenhum esse negócio de vamos acabar com tudo isso que está aí e vamos botar tudo novo, porque não tem, de onde veio esse pessoal daí, é desse mesmo lugar que você vai trazer o entre aspas “novo”. E aí, só para encerrar esse comentário, eu vou citar uma frase que eu ouvi uma vez de um deputado estadual do Rio de Janeiro, que recentemente teve problemas sérios aí com a justiça. Eu estava numa ocasião social, conversando com ele e ele disse assim “Roberto, o que acontece sempre lá no meu gabinete é o seguinte, o cara entre lá e fala: pô, deputado, isso é um absurdo, corrupção, essa situação do pais, do estado e não sei o que… o senhor tem uma vaga aqui no gabinete para botar o meu filho?” Ele falou isso, entendeu? Então, a gente tem que sair dessa. A gente tem que resolver o que a gente quer.

Luciano: Cara, muito bom, essa coisa política no Brasil, nós estamos vivendo um momento maravilhoso, os jovens estão vivendo coisas que eu não vivi, você não viveu, cara, que é assistir tudo isso acontecer, esses caras sendo presos, ver o cara sendo preso. Quanto foi que roubou? Você sabe quanto roubou. Aonde roubou? Você sabe aonde roubou. Aonde está o dinheiro? Você sabe aonde está o dinheiro. Cadê o cara? Está na cadeia. Cara, nós nunca tivemos isso na vida, para a gente sempre era uma coisa obscura e essa molecada está vendo isso e mais que isso, ela está olhando e falando pô, acho que é possível, acho que se eu fizer advocacia e for ser um juiz, eu posso ser um juiz como A, ou B, ou C, ou D, eu não preciso ser um juiz como aquele outro. Então nós estamos tendo uma, como é que vou dizer assim, uma lição, um comportamento didático disso tudo que vai ter um Brasil muito melhor daqui a pouco, essa molecada toda, a hora que crescer com isso na cabeça, falar, não, espera um pouquinho, acho que dá para dar jeito, sim e vai ser surpreendente isso lá na frente. Bom, você continua envolvido, o que você está fazendo hoje? Hoje, o que você faz?

Roberto: Eu estou me preparando para, provavelmente, ser candidato nas próximas eleições a deputado federal. A maior parte da minha atividade hoje gira em torno de segurança pública, do assunto segurança pública, que é o assunto que eu abracei por absoluta urgência pessoal. Eu não aguento viver sempre com medo, então já desde a época do Novo eu faço apresentações, faço palestras pelo Brasil inteiro falando sobre segurança pública, estudo muito sobre esse assunto, participo de várias organizações ligadas à segurança pública e é o assunto que eu gosto mais de tratar e que eu acho mais urgente. Para mim, todos os outros assuntos ficam em segundo plano. Então eu escrevo muito sobre isso, eu tenho uma página no Facebook.

Luciano: Como é que é a página? Que eu vou perguntar para você como é que entra em contato contigo.

Roberto Motta: É facebook.com//RobertoMottaPagina. Eu tenho um canal no YouTube, que é RobertoMotta, também tenho Twitter e Instagram e tenho um site que é www.robertobmotta.com. Eu escrevo muito, tenho uma necessidade muito grande de escrever, sou colunista do Instituto Millenium, também do Instituto Liberal e publiquei um livro em setembro de 2016, chamado Ou Ficar a Pátria Livre, que é uma coleção de textos sobre política, sobre moral, contando parte da minha experiência de morar fora. E vou lançar agora, daqui a uns dois meses, o meu próximo livro, chamado Levanta e Anda. O Levanta e Anda é diferente do meu primeiro livro. O meu primeiro livro Ou Ficar a Pátria Livre é um livro combativo. É um livro que você dá para alguém para aquela pessoa entender a situação do Brasil, entender o buraco em que a gente está e a urgência de fazer alguma coisa, é um livro mesmo de combate, ele tem um tom bélico, não é à toa o título. O Levanta e Anda já é um livro mais sobre ideias, sobre teorias. Então tem um capítulo do livro em que eu falo sobre a guerra política, eu faço uma análise de dois livros, o livro do David Horowitz chamado A Arte da Guerra Política, que é uma bíblia para os conservadores e a turma da direita americana. E eu também faço uma análise do livro Regras para Radicais, do Saul Alinsky, o Saul Alinsky é um grande teórico da esquerda e é um livro fantástico, porque está ali a receita aguerrida de esquerda, da ocupação de espaço. E tanto o Horowitz quanto o Alinsky tem algumas regras que são as regras básicas do combate político e que são ainda desconhecidas de grande parte das forças de não esquerda do Brasil. Então, cara, vamos parar de fazer as coisas erradas, vamos seguir a receita do que está certo. Eu falo sobre esses dois livros, falo também sobre o livro do Geert Hofstede, de dimensões culturais, então eu trago mais ideias, falo sobre democracia. É um livro que traz armas e munições para as pessoas que estão na guerra política, principalmente para a turma como eu era, que não tinha experiência nenhuma, era um executivo de uma empresa privada e um dia resolvi entrar na política. Tem o básico que você precisa saber, principalmente relacionado com a forma de se comunicar, a forma de expressar as suas ideias, que acho que a frase é de Santo Agostinho “Não basta fazer as coisas boas, é preciso fazê-las bem” e você se comunicar errado na arena política é como se você tivesse feito todo o seu dever de casa e chega na hora da prova, você errou, não passa.

Luciano: Sim. Perfeito. Meu amigo, sucesso. Eu não vou perguntar para você da tua candidatura, porque vão dizer que esse programa foi feito para candidatura, eu não tinha a menor ideia que você estava nessa de ser candidato.

Roberto: É, não, isso é uma decisão que só vai acontecer em agosto, mas…

Luciano: Então eu já desejo a você boa sorte para o que quer que você escolha, o partido que você escolher, a posição que você tiver e está aí, um cara novo, gente nova para botar no pedaço aí. Mas olha, eu te parabenizo pessoalmente por essa decisão de se enfiar nesse desafio de cidadania, cara, sabe, o povo que está, os empresários, industriais, esse povo está tão preocupado em ganhar dinheiro que dane-se, eu não quero saber de direita, esquerda, meio, bobajada, eu quero ganhar dinheiro. Isso explica grande parte, quando você abandona isso tudo, cara, os espertos vão tomar conta.

Roberto: Não, é o que eu sempre digo assim, não interessa se você não acredita em esquerda e direita, os caras de esquerda acreditam, eles é que vão fazer as leis que vão regular a sua vida, que hoje tiram 50% da riqueza que qualquer trabalhador brasileiro produza vai para o estado. O pessoal de esquerda que fez isso e daqui a pouco vai ser 60%, 70%, não é? Não tem limite isso.

Luciano: Isso aí. Muito obrigado pela visita. Adorei, viu cara. Um abraço aí e vamos em frente.

Roberto: Eu quer agradeço. Obrigado, Luciano. Um abraço.

Luciano: Muito bem, aqui termina mais um Líder Cast. A transcrição do programa você encontra no lidercast.com.br. O LíderCast chega a você com o apoio da Albaugh Brasil, que está revolucionando o mercado com uma linha completa de agroquímicos genéricos. Sim, cara, genéricos de qualidade, combinando proteção, rentabilidade ao agricultor e respeito ao meio-ambiente. Conheça as soluções Albaugh em bit.ly/escolhainteligente. Para ter acesso a esta temporada completa, assine o Café Brasil Premium no cafebrasilpremium.com.br, um ambiente educacional sem ser chato nem superficial, que já conta com mais de mil assinantes recebendo todo mês conteúdos voltados ao crescimento pessoal e profissional. Conheça, que vale a pena, cafebrasilpremium.com.br.

Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portalcafebrasil.com.br.

Fim da gravação.

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