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Luciano Pires -
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Bem-vindo ao LíderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação Luciano Pires.

Luciano: Bom-dia, boa-tarde, boa-noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje eu converso com Glaucimar Peticov. “Eu não tenho muros, só tenho horizontes” é a frase de Mario Quintana que a Glaucimar gosta de usar quando fala de seu trabalho. A moça é nada menos que diretora de RH do Bradesco, cara, uma pequena empresa com 80 mil funcionários. É uma conversa fascinante. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido, é um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu e nem o meu convidado imaginamos. Por isso eu não me limito a fazer perguntas, mas eu dou os meus pitacos também. Você entendeu aí? Isto aqui não é uma entrevista, é um bate-papo. O LíderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium têm acesso imediato à temporada completa assim que ela é lançada, os não-assinantes receberão os programas gratuitamente, mas um por semana. Para assinar, acesse o cafebrasilpremium.com.br. Muito bem, mais um LíderCast, como de praxe eu vou explicar como é que essa pessoa que está aqui chegou aqui. Eu sou surpreendentemente convidado para fazer um grande evento para um grande banco brasileiro, onde eu vou como cartunista, que é uma atividade que eu, normalmente, não executo da forma como eu fui contratado para fazer. E chego lá no evento, os palestrantes tocando, eu lá no fundo fazendo todos os cartoons etc. e tal e vi um evento gigantesco, que na verdade deve ser um dos maiores do mundo, se não for o maior do mundo no segmento em que se trata lá, envolveu acho que mais de 10 mil pessoas, foram 4 ou 5 noites de evento, um negócio muito legal. E lá eu conheço uma figura que estava coordenando aquele evento todo e a gente conversou, batemos um papão lá, tivemos chance de trocar umas ideias, inventar muita coisa na hora lá, foi bem legal, quando bate o santo a coisa funciona muito bem. E eu falei para ela uma hora dessa eu vou te convidar para você bater um papo. Só que a agenda dela, olha, é mais fácil de falar com o Lula hoje do que com ela, mas no fim deu certo, está aqui comigo hoje. Então nós vamos começar com três perguntinhas que são fundamentais e são as únicas que você não pode errar, uma delas você pode até desconsiderar, mas eu vou fazer de qualquer forma. Quero saber seu nome, sua idade e o que você faz.

Glaucimar: Legal. Que prazer, Luciano. Prazer mesmo, porque a gente convive com tantas pessoas e algumas realmente a gente estabelece uma conexão muito diferente e foi isso o que aconteceu nesse trabalho que você falou. Meu nome é Glaucimar Peticov, estou hoje com 55 anos, atuo no Bradesco, hoje como diretora executiva adjunta, com várias áreas comigo, como RH, ouvidoria, conduta, ética, compliance, compras, PMO. Quer dizer, uma diversidade grande de atividades, mas a gente se encontrou mesmo foi num evento falando de gente.

Luciano: Foi.

Glaucimar: E que é o nosso carro-chefe, que é o meu carro-chefe, é no que eu acredito, no que eu aposto e, principalmente, onde eu dedico as mais importantes horas da minha vida, que é tratar e falar sobre gente.

Luciano: Você cuida do RH do Bradesco?

Glaucimar: Isso.

Luciano: É uma empresa pequena, que tem só 80 mil funcionários, me corrija se eu estiver errado.

Glaucimar: Na verdade, mais de 100 mil.

Luciano: Tem mais de 100 mil funcionários e você cuida 100 mil gentes numa empresa. Não dá para dimensionar uma coisa assim. Aliás, muito tempo atrás, quando você estava lá nos anos 80, 90, você encontrava várias empresas que tinham lá 70 mil, 50 mil, a Volkswagen, que era gigante, todo mundo era grande. Hoje em dia isso mudou, acabou, você não tem mais nenhuma indústria que tenha essas dimensões hoje no Brasil, mas a área de serviço, essa expandiu de tal forma e ficou essa coisa que olhando de fora você fala esse negócio é inadministrável, que é muita gente, mas a gente vai descer um pouquinho mais nos detalhes aqui. Você nasceu aonde?

Glaucimar: Eu nasci em São Paulo, maternidade São Paulo, inclusive.

Luciano: Paulista. Que bairro?

Glaucimar: A maternidade?

Luciano: Não, que você viveu.

Glaucimar: Na Mooca. Na Mooca foi o meu maior tempo, de tempo significativo, não é, Luciano, a nossa adolescência, que era ainda com brincadeiras na rua, sem esse medo terrível que nós temos hoje. Então uma infância num bairro extremamente gostoso, perto do Juventus, com o clube ali à disposição, brincadeira na rua, sempre com muita liberdade para estar curtindo.

Luciano: Final de anos 60, não é?

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: Começo de anos 60, tempo bom. Você tem irmãos?

Glaucimar: Eu tenho. Tenho um irmão.

Luciano: O que o seu pai e sua mãe faziam ou fazem?

Glaucimar: Olha, o meu pai é falecido. Meu pai ele trabalhava na parte, na época chamada administração de pessoal.

Luciano: Ah, já era?…

Glaucimar: Já, já curtia e eu nunca realmente tinha olhado de uma maneira muito especial para isso. E a minha mãe tinha uma atividade muito interessante, na época, que hoje seria como que uma superintendência na Rhodia, na empresa Rhodia, quando a Rhodia se instalou aqui no Brasil. Então os dois já trabalhavam, sempre trabalharam, desde que foi possível trabalhar, e isso, Luciano, tem muito a ver com a formação dos filhos. Você já pega uma mentalidade ali diferente, ali você já começava, hoje é muito fácil fazer um exercício e pensar em como eles, naquela época já trabalharam no estabelecimento ou no exercício para que eu e meu irmão tivéssemos o tal propósito, olhássemos os nossos objetivos. Então eu tive uma infância muito feliz.

Luciano: Sua mãe estava numa multinacional?

Glaucimar: Isso.

Luciano: Era a Rhodia. Seu pai era na?…

Glaucimar: Meu pai estava numa confecção que eu não sei nem se continua, chamada Confecções Camelo.

Luciano: Era empresa brasileira.

Glaucimar: Uma empresa brasileira.

Luciano: E os dois, de certa forma, eram executivos.

Glaucimar: E o meu pai estava numa empresa, é muito interessante porque era a que fornecia o terno para o Sílvio Santos. Então esse era o grande chamariz da empresa, muito interessante.

Luciano: Que coisa, você está falando de 40 e tantos anos atrás e Sílvio Santos continua aí, é um ícone, é uma coisa impressionante.

Glaucimar: É um ícone.

Luciano: O que que a Glauci queria ser quando crescesse? Era Glauci quando era criança, como é que era?

Glaucimar: Não, era Glau. Era Glau antes e continua agora.

Luciano: O que que a Glau queria ser quando crescesse?

Glaucimar: Isso é uma coisa interessante. O meu nome, Luciano, ele parte de um lado que é muito bacana da minha família, que é o afetivo. Ele praticamente é uma homenagem às minhas duas avós, uma chamada Gláucia e a outra Guiomar. Então eu sempre achei, quando pequena, falava assim, mas por que me colocaram esse nome? E depois você vai vendo a importância dos laços e dos vínculos, como eles realmente se eternizam, quando a gente permite. E esse é um dos laços importantes que eu tenho. Eu venho de uma família evangélica. Logo cedo meu avô, como pastor, eu tive oportunidade de, vou dizer lecionar, porque é mais ou menos isso, para a escola dominical, onde você tinha alguns versículos ou alguma passagem e você, obviamente, estudava e compartilhava com pessoas com a idade um pouco inferior à sua apenas. Então ali começou o meu exercício mais claramente com gente.

Luciano: Esse seu Peticov vem de onde?

Glaucimar: Da Bulgária, é do meu avô.

Luciano: Seu avô era búlgaro?

Glaucimar: Era búlgaro.

Luciano: Era pastor búlgaro?

Glaucimar: Isso. Ele na época da guerra veio para cá e já estava no ministério, então ele deu continuidade aqui. Então dentro desse contexto todo, ali eu já sabia que eu gostava era de lidar com gente, eu não gostava de uma coisa muito da rotina, muito centralizada em números, processos. Eu nunca fui uma pessoa muito pragmática.

Luciano: Você estava nas humanas, você não era de exatas.

Glaucimar: Ali já dava para sentir isso. E fiz patologia clínica no meu ensino médio, que na época era colegial e dessa forma, Luciano, eu fui conseguindo e tendo algumas oportunidades na vida e eu estagiei numa agência onde eu tinha uma facilidade, vamos dizer assim, manual, então eu fazia alguns desenhos que estavam muito ligados à parte de lençol, cama, edredons.

Luciano: Agência de quê?

Glaucimar: Era uma agência que vendia os desenhos para o mercado fazendo propostas artísticas para esse tipo de material. E aí, obviamente, o meu tio assumiu essa agência, que é Walter Peticov e criou a Lençol & Companhia. Então eu trabalhava, trabalhei, fiz um estágio grande ali com ele, que foi muito bacana e o meu caminho seria o jornalismo, eu achava que ou era publicidade e propaganda ou jornalismo. Só que aí teve uma coisa muito interessante, eu fui convidada, nós fizemos uma turnê pela Europa, passando por alguns locais referência mesmo na parte artística desse tipo de material e eu perdi alguns vestibulares. Então eu tinha feito para publicidade e propaganda, para jornalismo e para psicologia, que eu achava que eram os três cursos que poderiam me levar onde eu gostaria. E eu fiquei apenas com o vestibular para psicologia e, obviamente, entrei, me apaixonei, vi completamente o link com tudo o que eu acreditava, que eu queria e assim eu comecei a minha faculdade. Comecei a minha faculdade com base, obviamente, e uma liberdade fantástica por parte da minha família, um apoio muito grande ao que eu queria e, Luciano, isso é que são lições aprendidas, sempre tendo que direcionar o porquê que eu estava fazendo aquilo. Minha mãe e meu pai sempre me estimularam e de certa forma cobravam por que você está fazendo isso, onde que isso vai te levar? Então eu posso dizer que eu tive uma oportunidade muito grande na vida, com todo o amor da família de saber o que eu gostaria, por que eu gostaria ou o que eu não gostaria e por que.

Luciano: Já é uma vantagem.

Glaucimar: Nossa, se é uma vantagem. Então isso realmente eu posso dizer que foi um alicerce muito bacana para mim, liberdade de experimentar, fiz alguns estágios. E assim, tem uma coisa muito interessante, eu comecei a trabalhar cedo, eu comecei a fazer estágio aos 15 anos, era permitido na época. Só que é uma grande vantagem, que aí é algo que a vida me proporcionou, eu fazia pelo prazer e pelo aprendizado.

Luciano: Com 15 anos de idade, a gente é um buraco negro, não é?

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: O que vier de estímulo está entrando. E se o estímulo vier, essa é aquela… eu não consigo entender, todo mundo que senta aqui comigo e conversa comigo diz a mesma coisa, comecei a trabalhar com… teve gente com 10 anos, com 12, com 13. E eu pergunto, vem cá, você se arrepende? Cara, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi ter começado a assumir uma responsabilidade quando eu era criança, isso me deu um sentido totalmente diferente para a vida. E você falou uma palavra importante, que não era proibido, o estado não tinha se metido na vida das pessoas, com esse intuito de protegê-las faz o que acontece hoje, que as crianças não têm nem oportunidade de começar a se aproximar.

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: Mas deixa eu, você me deu um input aí que eu quero trocar uma ideia com você. Isso aqui é um bate-papo, então eu vou dar uns insights.

Glaucimar: Fique à vontade, ôpa.

Luciano: Eu saí de Bauru para ser cartunista e escritor brasileiro. Eu não sabia direito onde é que eu ia chegar, eu faço um paralelo que é o seguinte, quando eu era moleque, eu sabia que eu ia para a África. Se você perguntar assim em que cidade da África, eu falava não tenho a menor ideia, mas é para a África que eu vou. E eu acabei, a vida me trouxe, eu cheguei na África, mas só fui descobrir aonde da África depois que eu cheguei, ou seja, havia um plano meio que montado, eu falava bom, é para aquele caminho que eu queria ir. E aquilo me ajudou na hora da escolha a desistir de coisas que me tirassem daquela rota em direção aquele continente que eu enxergava lá na frente. Eu fui convidado na empresa que trabalhei como executivo em multinacional para assumir uma área de finança tudo mais, eu “não, a minha área é marketing, comunicações, lá que eu vou ficar”. Ter esse sentido de que eu estava indo na direção da África me ajudou a construir minha carreira e eu cheguei onde eu queria. Você falou num determinado momento aí pô, essas coisas acabaram me levando para onde eu queria. Você tinha 15, 16 anos de idade. O que era esse onde eu queria, era uma coisa difusa, vou trabalhar com gente, ou você já tinha uma ideia de que vou trabalhar com gente no sentido de coordená-las, formá-las, incentivá-las, motivá-las, você já sabia mais ou menos o que era?

Glaucimar: Não. A minha necessidade, e era uma necessidade, era a de ser produtiva. Eu achava maravilhoso olhar meu pai e a minha mãe com resultados, ganhando prêmios, com aquele prazer em estar fazendo algo pela empresa. E, por vezes, principalmente no caso mais referenciado pela minha mãe, pelo país e pela sociedade, porque minha mãe tinha um time de mais de duas mil mulheres para fazer todas as promoções que ela tinha.

Luciano: Ela que coordenava esse time?

Glaucimar: Coordenava.

Luciano: Então já estava no sangue.

Glaucimar: Então, eu achava assim maravilhoso. Uma coisa eu tenho certeza, eu sempre acreditei que o fato de você ter uma atividade, ela necessariamente tinha que trazer felicidade para a vida, pelo que eu via na minha família. Então eu via o meu avô extremamente feliz num púlpito, eu via o meu pai muito feliz nas realizações com relação a recursos humanos, vamos dizer assim, a minha mãe da forma dela. Então é isso que eu queria.

Luciano: O conceito de trabalho não grudou em você como aquela coisa pentelha, não, era algo legal?

Glaucimar: Não, nunca foi uma coisa de castigo, porque a própria palavra trabalho, que vem do tripálio, que é aquela coisa do castigo, ela nunca apareceu. E tem um detalhe também, Luciano, uma coisa muito boa que aconteceu é que na minha família eu tenho dois tios que são artistas plásticos, o André Peticov e o Antônio Peticov, que têm aí até uma ascensão no mercado diferenciada, então isso sempre promoveu e instigou muito a liberdade e a felicidade no que você faz. Então, para mim ter uma atividade não era, em momento algum, punitiva, tinha que ser algo prazeroso e eu sabia que qualquer dessas atividades tinha que extrair o melhor de mim. Então eu tive a oportunidade de participar de escolas muito boas, na ocasião, formações alternativas, como desenho, inglês, vários cursos e que isso foi auxiliando na formação, então foi isso que eu falo para você que foi me levando a algo maior. Obviamente, a gente não tinha tanta clareza, mas hoje eu vejo que foram escolhas, já naquela época foram escolhas, não é que aconteceu ao acaso. Foram escolhas e aí a gente vai tateando, vai vendo, isso vai fazendo uma composição muito grande e você vai percebendo a importância de ter um leque realmente amplo, aberto, para que você tenha várias possibilidades de formação diferentes, para que você utilize o seu potencial. Eu não acredito até hoje, principalmente hoje, trabalhando mais diretamente com capacitação, ninguém nasce para fazer uma coisa só. Não, você pode até se especializar, você pode até se fortalecer em algumas áreas, mas assim o ser humano tem muito mais competência e possibilidade para diversificar a sua atividade. Então nesse sentido eu tive vários instintos.

Luciano: E você falou um negócio interessante aí agora há pouco, que é aquela história do se você não sabe o que você quer, saiba o que você não quer.

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: E na hora das escolhas isso aí é determinante. Bom, já que eu sei aquilo que eu não quero, eu já vou descartar uma série de coisas e isso automaticamente te põe num caminho. Então é importante essa parte.

Glaucimar: E você sabe que não é fácil, viu. Às vezes a pessoa não sabe nem o que ela não quer. Aí é preocupante, porque as exigências hoje do próprio mercado são muito duras, a competição é muito forte, então se você não entra com uma cabeça legal, com alguns objetivos muito claros, com aspectos e competências como criatividade, o bom humor. Luciano, o bom humor hoje faz milagre, não dá para ser uma pessoa que sofra, isso não é feliz, isso não atrai boas coisas.

Luciano: E está duro, não é?

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: Está difícil, porque nós somos rodeados pelo, eu diria que não é só o mau humor, tem uma nuvem negra em volta da gente, com essas mídias sociais. Entra no Facebook eu já quero morrer, você fala deixa eu me desligar disso aqui, ou eu vou ser contaminado. Eu ligo de noite a televisão nos noticiários, aquilo, para mim, termina o telejornal, eu falo, bom, o que eu tenho que fazer agora, pegar minha passagem aérea, ir embora do Brasil porque é muito estímulo negativo o dia inteirinho. Então você tem que ter uma, eu chamo de brasiliência, não é resiliência, tem que ter uma brasiliência, aquele que toma porrada e levanta em seguida e dá risada e bota uma cerveja na minha frente, está tudo certo, nós vamos levar adiante. Então resistir a isso e conseguir manter essa positividade é um negócio cada vez mais complicado, mas você falou uma outra coisa também que me chama a atenção, essa coisa de você… tem um papo que gira no mercado aí, que os empreendedores de palco, os livros e autoajuda que falam que você tem que trabalhar com aquilo que você ama. É o garoto de 18 anos, arruma o primeiro emprego dele e o primeiro emprego tem que ser a coisa que ele ama. Isso é um problema, porque encontrar aquilo que você ama aos 18 anos de idade, quando você está começando do zero, cara, não vai ser assim. Você vai chegar num negócio que, pô, minha filha pegou o primeiro emprego dela, fazia estágio numa agência, ela ficava enlouquecida, porque o pessoal mandava ela tirar cópia e ela chegava em casa “pô, porque eu estou tirando cópia, eu quero criar, quero ser criativa”, eu falei, escuta, o começo é tirando cópia, entendeu? O começo é fazendo tarefas que são tarefas que você vai falar não são dignas de mim, mas cada pequena tarefa dessa é um tijolinho, vai estar construindo. Então ser obrigada a tirar as cópias vai já te dar uma ideia de que tem gente dependendo de você, que você tem que ter uma certa organização, você vai ter que aprender a priorizar as coisas, tem hora para entregar, se você não entregar a coisa não vai acontecer. Isso tudo está construindo em você algo que lá na frente vai te ser muito útil, embora não seja esse o momento “eu estou fazendo o que eu amo”. Cara, paciência, vai demorar um certo tempo para você conseguir chegar lá no ponto. E a moçada hoje tem muita pressa. Eu quero já.

Glaucimar: Você sabe que esse é um ponto. Eu acho superinteressante, porque a gente não consegue saber aos 18 anos, aos 15 anos e às vezes até com mais idade se aquele é o nosso lugar. Agora, tem algumas coisas que são extremamente significativas, Luciano, pelo menos na minha percepção. Ter essa leitura, como você acabou de fazer, do que é tirar uma cópia, muitas vezes o jovem não tem, a importância daquilo no entorno do trabalho. Ele reduz que é só um tirador de cópia e que qualquer um poderia, eu poxa, com o meu talento, estou aqui tirando cópia. Então hoje a gente trabalha muito no aspecto de liderança para que, principalmente, o líder que está próximo possa ser o cara que esclareça essas situações. Porque a partir do momento que eu entendo porque que eu estou carimbando algo do lado direito superior fica mais fácil saber, putz, eu estou facilitando a vida ou processos para algum tipo de atendimento. A gente perdeu, em algum momento da história, a capacidade de fazer com que o outro entenda a importância dele aonde ele está. Hoje, na minha leitura, todas as atividades são importantes. A única coisa é que muitas vezes quem está envolvido não sabe que aquilo é importante. Quando a gente lê hoje que é importante você estar em algo que te faça feliz, que você tenha paixão, a minha tradução disso é que a entrega é diferente quando você faz algo que está ligado com os seus interesses. Então se eu estou numa atividade, eu entendo o que ela traz para mim, o que eu posso fazer para ajudá-la, é claro que isso vai me fazer feliz, porque o que me faz feliz é o resultado que eu alcanço na atividade. Agora, o ponto é o quanto a gente tem repertório, o quanto a gente tem tempo, o quanto é permitido ou como a gente tem pessoas ou lideranças que nos deem essa clareza do que a gente está fazendo. Porque, é claro, o fato de você fazer alguma coisa que te gera paixão, te gera emoção, o teu resultado é muito melhor e muito mais rápido.

Luciano: Eu chamo isso da percepção do impacto influência, não é?

Glaucimar: É, é verdade.

Luciano: Eu estou num ambiente, eu estou dentro de um contexto onde existem outras pessoas que serão impactadas por mim, sentirão minha influência, não importa o que eu faça. Se eu for a Dona Maria do cafezinho, eu vou causar um impacto, eu vou influenciar o ambiente sendo a Dona Maria do cafezinho. E muita gente não tem percepção disso, acha, trata do seu mundinho, estou aqui em volta e o que acontece lá fora é muito maior que eu, então eu não tenho impacto. Claro que tem impacto. Eu estou vivendo uns dias um pouco intensos aí, que minha esposa está internada no hospital há trinta e tantos dias e ela tem percorrido as várias áreas do hospital, então estamos no andar sétimo, vamos para o quinto, vamos para o terceiro, vai para UTI, volta, sai, aquela confusão toda lá. E o que a gente mais tem é contato diário com todo tipo de enfermeiro e o técnico e eles são muito bem treinados lá. E aquilo é notável, eu sento lá e fico olhando a turma entrar e a forma como eles entram lá e a postura de cada um deles. E a diferença é brutal, quando você pega alguém que entrou com um sorriso e bom dia, como estão vocês, vai dar tudo certo, vai dar tudo bem, está tudo bem, nós queremos tirar a senhora daqui, é essa coisa que você vê que um tem e outro, de repente, não tem faz uma diferença brutal, porque os dois estão executando o mesmo trabalho.

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: É a mesma coisa sendo feita por dois, um deles faz de um jeito que ele sai de lá, você fala “cara, que legal” e o outro sai e fala “fez o dele direitinho e não aconteceu nada além”, cumpriu a tarefa dele, mas não deu esse a mais de incentivo que você fala, pô, esse adora, essa menina ama o que ela está fazendo, esse aqui está fazendo direitinho. Eu acho que isso, você, como uma gestora dessa área tem olhos para sacar essa diferença, quando você olha a turma e fala, aquele lá faz de um jeito, o resultado dos dois é igual, é o mesmo resultado, mas o jeito com que aquele faz, aquele é especial, não é?

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: E tem gente de olho nisso.

Glaucimar: Tem e tem a ver com tudo que você pode gerar, porque o fato desses dois exemplos que você acabou de dar, isso tem uma relevância inclusive patológica, você acaba atribuindo algumas reações no seu corpo que geram prazer realmente. Agora, é claro que isso precisa realmente de um cuidado, porque uma pessoa que tenha isso, para que ela continue, ela precisa ter um ambiente também que acerta. Eu gosto muito, Luciano, de tomar cuidado com os ambientes colaborativos, para que a pessoa tenha um ambiente agradável, para que ela também se sinta querida no ambiente em que ela está. Então a gente tem duas características que foram o que você colocou e no mundo corporativo isso é muito claro, você tem alguém que tem uma entrega, uma entrega legal ou uma entrega básica, mas está entregando, ele está executando bem o trabalho. Agora, o grande lance é quando você começa a perceber a diferença, quando você citou agora da pessoa que está superenvolvida, que passa e torna o clima mais agradável, essa pessoa não tem trabalho, ela tem uma missão. Então ela tem uma entrega diferente, ela sabe que aquilo o outro está recebendo de uma maneira positiva, que ela está ganhando com isso. Então é muito diferente, você ter uma entrega de um trabalho e você ter uma missão no que você está fazendo. E essa missão exige, realmente, uma entrega, uma valorização e aí vem muito de como você se percebe. Como é que você está se percebendo, como mais um, ou como uma pessoa que pode fazer a diferença num ambiente de trabalho? E isso não tem a ver com cargo, Luciano, isso tem a ver com posicionamento. Eu conheço hoje e vivo, obviamente, com mais de 100 mil funcionários, a gente frequenta vários grupos e reuniões onde, por vezes, o aprendiz toma a frente em mesas onde tem diretores. Então isso é uma pré-disposição, uma realmente crença e tem um lado muito importante, é quando você se sente inspirado, quando você tem seus valores e suas crenças bem estabelecidas e que geram o que a gente hoje chama no mercado, de uma maneira aí agora muito forte do propósito. O propósito é isso, é o que você está querendo daquilo. Não passar como que seja indiferente, “ah, isso aqui não tem nada a ver comigo, deixa para lá”. Quando você percebe que tudo pode ter a ver com você e você pode dar até algumas opiniões que não são agregadoras, mas porque você quer participar, você vai se tornando uma pessoa mais apaixonada pelo que você faz.

Luciano: Você não precisa estar certo, não é?

Glaucimar: Não, exato, não tem certo e errado, não é?

Luciano: Você não precisa estar certo, a questão toda é essa atitude, eu estou num grupo e quero contribuir com o grupo e vou participar do grupo. A pior coisa que pode ter é omissão, eu sento ali e sou um omisso. Se eu não aparecer na festa, ninguém nem reparou que eu não fui. E a questão toda é essa, quem são as pessoas. E aí o insight que você está me dando aí, eu fui gestor também, diretor de empresa etc. e tal e eu costumava falar para a turma que ia trabalhar comigo, cara, eu nunca vou te mandar embora, você não vai perder teu emprego por uma deficiência técnica tua, porque isso a gente aprende, eu vou te ensinar, você vai ter curso, o diabo. Você vai perder teu emprego por tua atitude, pela forma como você se comporta aqui, que não tem nada a ver com o teu conhecimento técnico. Então são duas coisas, eu não posso fazer muito pela tua atitude. A parte técnica eu posso te ajudar de montão, posso te orientar e tudo o mais. A questão da atitude, se não vier de dentro de vocês, não vai acontecer. Eu posso te inspirar, eu não posso te motivar, entendeu?

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: E agora é uma escolha tua. E ali você vê a diferença brutal, os caras que brotaram e que seguiram adiante e o cara não era bom tecnicamente como o outro e voou muito mais alto, porque a postura dele fazia toda a diferença.

Glaucimar: Hoje, como forma de expressão, mas assim, a gente percebe claramente como as competências comportamentais tomaram a frente e a liderança dos grandes executivos. É o que você falou, a competência técnica, eu não saber matemática, eu não saber fazer uma proposta de crédito, eu vou para uma sala de aula e com algumas horas eu aprendo. Agora, para você mudar um comportamento, ou aprimorar qualquer tipo de comportamento, eu levo meses, às vezes até anos, porque realmente eu tenho que desaprender para aprender, eu estou tendo que deixar velhos hábitos de lado, para adquirir novos e eu só vou fazer isso, Luciano, se eu perceber que aquilo tem valor, porque senão eu não faço. Eu não posso fazer isso por você, posso até fazer de conta, para você achar que eu estou melhorando, mas a verdadeira mudança é realmente quando você abandona esses hábitos que vêm te acompanhando ao longo do tempo e você coloca outros. Eu estive, recentemente, fazendo aquele curso na Singularity e a primeira aula, no primeiro dia, a primeira aula ele abre com o Yoda falando que desaprender para aprender é preciso. Então a gente está falando ali com pessoas que estão pensando, estão com a cabeça no futuro e os pés também, não é que está com o pé no presente e a cabeça no futuro e que percebem, claramente, que a gente tem que deixar algumas coisas para que novas realmente entrem. E para isso você tem que valorizar, você tem que ver que elas funcionam, elas têm que ter algum valor para você, para serem colocadas em prática, não é? E ali, o que a gente vai percebendo hoje, no dia a dia, é que as coisas básicas precisam ser resgatadas. Coisas básicas como lembrar que o tempo é finito, a gente esquece e tudo é para depois, “não, no futuro”, o futuro a gente faz hoje. O futuro que a gente está formatando para a nossa vida é no dia a dia, ele é diário. Então muitas vezes eu acho que a gente esquece que o tempo é finito. A gente esquece que tudo o que a gente faz tem uma ação, uma reação, ou seja, tudo o que a gente faz é importante, que a gente deve realmente fazer o melhor, porque isso nos faz bem. Eu não sei, isso é tão simples, isso nos faz bem e esse conjunto de ações hoje, para mim, vem com um recado muito claro, a simplicidade é muito importante nas nossas ações. Às vezes a gente complica muito, a gente realmente quer teorizar, quer conceitualizar, tal. O simples, já dizia Leonardo da Vinci é o mais alto grau de sofisticação, a simplicidade é uma alavanca para a gente no que a gente está fazendo.

Luciano: Você sabe que soltei lá no meu esquema do Café Brasil Premium, eu tenho um dos sumários do livro, é um livro chamado Simplifique. E é fascinante o livro, porque o cara pega alguns exemplos de gente que montou empresas e cresceu, ficou aquela coisa gigantesca e um belo dia o cara olha e fala, cara, está tudo errado e ele parte para simplificar. E aí o cara dá algumas dicas lá, diz como é que você torna uma coisa que é complexa em uma coisa muito simples, e aquilo explode e a diferença de uma para outra é redução de custo brutal, aumento de ganho, eficiência e tudo o mais pela simplificação de processos. E hoje em dia é muito fácil, você piscou o olho você está, vou enfiando coisa no processo. Deixa eu achar o momento em que você chega no Bradesco. Então você trabalhou como desenhista naquela agência e tudo o mais. Dali você foi para onde?

Glaucimar: Aí o que aconteceu, eu fiz alguns estágios para que tivesse a complementação acadêmica, então eu fiz estágios em algumas clínicas. E depois eu não queria abrir mão de estudar de manhã. Não queria abrir mão porque na época falava-se que “de manhã são os melhores professores” e aí cismei que era isso mesmo e eu queria. Então eu precisava de um emprego, Luciano, das 13h às 19h e eu consegui isso num banco, que era o Banco Econômico. Eu fui, obviamente, porque eu não queria parar e comecei a trabalhar numa agência comercial.

Luciano: Isso era o que eu suspeitava, que você entra num banco, porque imagina, você está se burilando para trabalhar naquela área, porque você trabalha com arte e tudo o mais, eu imagino que a última coisa que passava na tua cabeça era “vou fazer carreira em banco”. Aconteceu que falou bom, eu vou arrumar um emprego num banco que me garante aqui um sustento enquanto eu me preparo para fazer alguma coisa mais legal lá na frente.

Glaucimar: É, eu na verdade fui para… o sustento nunca foi uma preocupação minha. Eu queria ter uma atividade, só que o que acontece, todas as atividades as quais eu já havia passado a gente tinha uma dinâmica de horário já muito incerta. Ou seja, às vezes trabalhava-se 12 horas, tinha que fechar, entregar alguma coisa, ficava todo mundo junto e eu não daria conta das minhas entregas na faculdade, que eu tinha muitos trabalhos, tal, mas eu também não queria perder aquela relação que eu já tinha com o mundo de trabalho. Então eu fui pelo o que eu consigo dentro dessa jornada? E aí tinha a opção de banco, eu falei, puxa, o banco pode ser uma boa, porque o banco é a relação com o cliente e tal. E aí começa a ter algumas características, Luciano, que eu vejo hoje que como foram auxiliadoras. Por mais que falasse assim, mas banco? Na minha casa falaram, “mas Glau, o banco? O banco tem toda uma linha já diretiva, você está querendo uma atividade de liberdade, de espaço”.

Luciano: Criação, criativa.

Glaucimar: Eu falei, mas, mãe, veja bem, ali é com o público. O público é diverso, o público vai fazer uma série de componentes para que a gente possa aprender, é um grande laboratório. Eu lembro que a gente discutia muito isso. E, obviamente, eu fui para o banco, me apaixonei pela rede, então naquele momento o meu direcionamento seria conduzir a carreira numa agência comercial, porque ali eu vi as relações completamente claras, a necessidade da troca muito grande, o exercício de muitas competências que eram necessárias e o potencial criativo que era mais do que exigido, porque, por vezes, vários clientes tinham a mesma necessidade colocada de forma completamente diferente. E ali, Luciano, eu aprendi algo muito importante, que era o valor da comunicação, como você se expressa, que você já acha que é um valor extremamente importante é quebrado pelo que a pessoa recebe da sua comunicação, porque às vezes eu falava a mesma coisa para cinco pessoas e as cinco entendiam de maneira diferente. Esse meu início ali foi marcado por esse exercício da comunicação de uma maneira muito brutal. E realmente eu comecei a gostar mesmo.

Luciano: Muito interessante, você está pintando um quadro que não é o quadro de quem está de fora de banco e olha. Então quem atua em outras atividades, olha para o banco, o que acontece no banco? É aquele lugar onde as pessoas ficam sentadas, batendo carimbo num papel, onde tem uma fila desgraçada para ser atendida, onde as coisas são tudo complicadas e onde, no fim, o que eles querem é o meu dinheiro. Eu não vou trabalhar nesse lugar aí, porque não é legal para mim. Então isso é estereótipo que existe para o lado de fora e você vem e desenha uma realidade que é distinta desse estereótipo, quer dizer, a minha ignorância não permite que eu compreenda que esse universo rico que você está me dizendo exista dentro de uma agência bancária.

Glaucimar: Eu realmente, Luciano, já sentia isso antes, porque na década de 80 alguns vizinhos comemoravam quando os seus filhos ou netos alcançavam uma gerência no banco. Se fosse no Banco do Brasil tinha champs, então, abria uma champanha, era uma comemoração. Então, naquela ocasião existia realmente um valor pela atividade bancária, nas décadas 80, comecinho de 90.

Luciano: Era quando eu levava minha garrafa de uísque para o gerente do banco.

Glaucimar: Olha só, então tinha e dentro do banco já existia isso, mas tinha toda uma parte de conceito que eu fui atrás, a minha família me auxiliou, eu já sabia, naquela época, que um país sem instituições financeiras fortes e sólidas não teria uma vida soberana, uma vida ampla. Então eu sabia da importância de um banco para uma sociedade. Então eu não escolhi um banco porque “ah, um banco ou uma agência de correio”, eu sabia que aquilo era algo significativo para um país. E, obviamente, a hora que eu entrei, eu quis aproveitar o que tinha de melhor ali.

Luciano: Que idade você tinha?

Glaucimar: Eu tinha 18. Então você veja bem, é claro que batia carimbo, é claro que tinha que fazer conta, é claro que tinha um monte, mas isso, para mim, nunca foi algo que me desanimasse a continuar. É claro que tinha dias que eu falava assim “nossa, o que eu estou fazendo aqui?” É óbvio, como até hoje a gente sente algumas vezes o que eu estou fazendo nesse contexto? Mas o fato de você ter a liberdade e ter a mente aberta faz com que você perceba o que isso tem de bom. Eu hoje lamento profundamente que a própria sociedade distorceu a importância de uma instituição financeira, onde parece que apenas os lucros e os resultados chamam a atenção. Nós temos no país hoje a maior solidez de instituições financeiras e bancárias e com muita importância para uma sociedade e para um país melhor.

Luciano: Mas você cobra juro muito alto, seus juros são altos demais. Essa simplificação, que é muito comum, eu vejo o pessoal discutindo e conversando, fala cara, o buraco é muito mais embaixo, entendeu? Não é um velho senhor sentado numa mesa decidindo lá que agora vai ser assim, vai ser assado, isso é tudo amarrado. Tem um exemplo que nós temos para dar aqui agora, a gente acabou de passar por uma greve, teoricamente, uma greve de caminhoneiros, que a gente viu que ampliou muito mais que isso aí. As consequências daquela parada de cinco ou seis dias são impensáveis. Ontem eu estava lá falando com o pessoal do hospital e eles me contando da dificuldade de não interromper o fornecimento dos insumos para o pessoal que fazia diálise. E você fala, cara, passou pela cabeça de alguém que por participar de um evento um dos palestrantes não foi, porque teve que desmarcar em função da greve, mas o que tem a ver a greve? Tem desdobramentos e a sociedade é um tecido todo amarrado, quando você mexe numa pontinha, você desfaz a outra, então não existe essa simplificação. E quando você fala então dessas entidades financeiras como um dos tripés para que uma sociedade funcione, não merece só o meu olhar crítico, merece um olhar de falar, cara, essa coisa é importante para que a gente funcione como sociedade.

Glaucimar: Com certeza.

Luciano: Eu ter uma conta no banco não é uma questão só de me obrigaram a ter, é parte de um processo que me coloca dentro da hierarquia social, eu passo a ter os instrumentos para mostrar que eu existo, eu estou vivo, eu faço parte, eu tenho um reconhecimento, como indivíduo, como cidadão, eu estou exercendo isso aqui, está tudo amarrado.

Glaucimar: É, você está falando num aspecto econômico, para o comércio. Tem um exemplo que aconteceu numa das comunidades que o banco abriu uma agência, Luciano, que é algo que para mim é marcante. No dia da inauguração da agência nessa comunidade, o presidente estava falando, agradecendo, fazendo a abertura da agência e uma senhora se manifestou, levantou a mão e começou a falar. E todas as palavras que ela utilizou, vou resumir para você qual era a grande mensagem, ela estava agradecida porque agora ela conseguiria pedir uma pizza por telefone, ou seja, em função da abertura da agência existia um endereço. Você não pode viver num país em que uma pessoa não tenha um endereço físico, como que você encontra essa pessoa, não é? Então tem muitos detalhes e fica muito fácil rotular pelo que é comum, que a mídia realmente inclusive promove, mas assim tudo, como você falou, essa greve, quanto que foi o prejuízo que gerou, financeiro e pessoal, em todas essas paralisações? É claro que a gente vive um momento onde o país está silenciado, ele tem muitos gritos, tem muitas incoerências, mas as nossas ações geram problemas, assim como uma pessoa que reclama que a casa dela sofre por enchente e ela mesma joga o lixo no bueiro, ela não está vendo a relação disso. E eu estou falando fatos reais, eu vejo isso, tento buscar alternativas, mas assim, o que eu faço gera uma reação. Então hoje a gente tem um quadro de aproximadamente 102 mil funcionários, onde a gente procura fazer com que exista uma cidadania implícita nas ações, a gente aposta nesse compromisso com as competências comportamentais para que, Luciano, eles tenham uma carreira, uma condução, um exercício de funções dentro ou fora do banco. Eu acho que isso é muito importante. E uma referência que é muito legal, as pessoas querem aprender, elas querem crescer. Nós temos no site do banco uma parte que são cursos online. Esses cursos só perdem para o que é mais visitado no site, que é a segunda via de boleto bancário. Então a gente tem aí mais de 4 milhões de visualizações e informações que vão desde fotografia, matemática financeira, nova ortografia, todos estão convidados a fazer, onde você não tem que…

Luciano: Isso é para que público?

Glaucimar: Qualquer. Qualquer público, correntista, não-correntista.

Luciano: Ah, não é, eu pensei que era interno, eu achei que era interno.

Glaucimar: Não, não, para o público aberto, porque a gente está num momento que a gente tem que compartilhar o que a gente tem de bom. E aí você não precisa se identificar sequer com apelido, ou seja, ninguém vai te pedir para abrir conta, ninguém vai te vender nenhum produto.

Luciano: E esse curso é gratuito. Está lá gratuito?

Glaucimar: São 25, gratuitos, feitos pela FGV pelo Insper, quer dizer, instituições realmente que dão uma qualidade muito grande.

Luciano: Se eu digitar bradesco.com.br eu vou achar uma área?

Glaucimar: Você vai cursos online e está lá disponível, pode até checar para ver que não tem nenhuma identificação, ninguém vai atrás, porque a gente tem hoje que trabalhar muito forte com a formação e com a troca do que a gente tem de bom para quem quer. Tem muita gente que não tem essa condição de estar patrocinando um curso. Porque assim, a gente vive um momento onde a corrupção é assunto a todo momento. Agora, eu obviamente tenho que concordar que um grande número de pessoas apareceu, umas foram surpresa, outras não, mas eu tenho a minha crença que a gente está falando de 10% da população no máximo, corruptos, e a gente tem 90%, onde nós nos encontramos, que não são corruptos. É esse povo que tem que ser valorizado e não esses 10. Esses 10 não são exemplo, esses 90 são, sabe. O cara que sai cedo para trabalhar, que está conseguindo trabalhar, estudar, tendo resultados. É essa população que nos interessa e é essa que eu gosto de olhar e que me dá prazer e credibilidade no país que eu vivo. Eu amo o nosso país, Luciano, com todos os problemas, eu acho que eu tenho cada vez mais buscado alternativas de poder fazer a minha parte, onde a educação é o carro-chefe, não tem jeito. Eu estive em férias agora e fui para o Japão e a gente vê, o Japão nos anos 80 era considerado o lixo do mundo, hoje você vai e é um exemplo, as pessoas têm orgulho, independente da atividade que elas fazem, elas têm orgulho daquilo. Um país que apostou, como historicamente vários outros apostam até hoje na educação, esse é um caminho certeiro de aposta. Então é onde nós estamos realmente, ao longo do tempo, e inclusive no evento que você participou, é uma maneira criativa e diferente de você ilustrar experiências com competências, para que as pessoas possam ser estimuladas a querer mais e a se doar mais. A gente tem uma vida onde esse patamar de conhecimento é exigido, mas o que a gente está sempre lembrando, hoje, no banco é que cada um tem o seu jeito de aprender. A gente pode fechar os olhos para isso e tocar de uma forma única, como a gente pode criar mídias alternativas, para que cada um possa se sentir acolhido e até mesmo ter um sistema personalizado de aprendizado. Então o meu aprendizado na agência do Econômico foi muito grande, onde eu achava que ali era o meu caminho. Eu me encontrei de uma maneira criativa nas soluções para os clientes e, num determinado momento, Luciano, que eu fui fazer um processo seletivo, a psicóloga falou assim “você não gostaria de trabalhar no RH?” E eu falei “olha, eu nunca pensei nisso, eu realmente estou muito feliz na relação com o banco”, tal e continuei.

Luciano: Você já tinha, nesse momento, porque se eu entendi, você quando entrou no banco, você adequou aquela atividade, aquilo que você podia fazer, cabia no teu horário, enquanto você se preparava para outro voo, não é?

Glaucimar: Isso. Uhum.

Luciano: Quando foi o momento em que você falou o seguinte, escuta, esse outro voo, acho que pode ser aqui dentro, eu acho que vai ser aqui?

Glaucimar: Quando eu não havia me formado ainda, eu tive esse convite para fazer o processo seletivo e isso exigiria que eu mudasse o meu último ano para a noite, que era para passar para gerente residente, na ocasião. E eu não tive dúvida, Luciano, falei assim “não, eu troco porque eu me encontrei aqui, eu quero mais disso”. E nesse primeiro convite eu declinei, eu continuei na agência, eu tive a minha experiência gerencial. Na minha segunda ida, aí eu já estava formada, para um outro processo seletivo, a mesma psicóloga me atendeu e novamente me convidou. E o meu gerente na época, por isso que eu te falo também que a liderança tem um papel tão fundamental, Celso Joaquim Jorgetti, um nome para que eu nunca mais esqueça, meu primeiro grande líder num ambiente organizacional, ele abriu as portas, ele falou “vai e experimenta, se você em um mês achar que não é a configuração para o teu futuro, você me fala, porque eu não vou preencher essa vaga, é como se você estivesse saindo de férias”. Então foi uma pessoa que durante todo o período apostou, mesmo sabendo que eu poderia ter uma passagem provisória, o que ele fez foi muito maior do que reter, porque ninguém retém ninguém, hoje é um termo, um verbo completamente, na minha opinião errado. Ele encantou, ele fez com que existisse da minha parte um engajamento e me encantou para com o banco. Você imagina quando um líder te fala isso, você fala o que mais você quer? Ele ofereceu o que a gente fala hoje que é vai e experiencie. Eu fui, gostei, liguei, agradeci e falei que eu continuaria por lá, ele preencheu a vaga e as coisas continuaram. Aí eu entrei em RH, conhecendo um outro mundo.

Luciano: Uma agência, uma agenciazinha ou?…

Glaucimar: Não, não, no RH do próprio Banco Econômico.

Luciano: Aí você já foi parar então no corporativo?

Glaucimar: Isso, porque o que acontece, Luciano, quando a gente tinha um processo para mudança de cargo, você ia ao recrutamento e seleção do banco e fazia esse processo de promoção. Então eu fui, comecei a conhecer esse outro ambiente, que até então para mim era desconhecido e percebi que ali a gente tinha um alcance muito amplo para com todos os funcionários da organização. Na ocasião, o Banco Econômico era um banco extremamente tradicional, com um número de funcionários também altíssimo e começou o meu trabalho na parte recrutamento e seleção, fazendo todos os processos. Então a gente percebia quais as características que realmente levavam uma pessoa a um possível sucesso ou não e foi descobrir um outro mundo. Um mundo que eu havia percebido ou conhecido apenas nos livros, eu comecei a conhecer como é que ele era na vida real. Aí o banco foi vendido, eu passei pelo Excel-Econômico, depois pelo BBV e agora Bradesco. Nessas mudanças de modelo de negócio, a gente também tinha uma mudança no que diz respeito a recursos humanos. Uma proposta maior onde, por vezes, o marketing estava muito envolvido, como hoje. Hoje a nossa parceria com o marketing, a nossa atuação é muito grande. Você percebeu isso lá no evento que a gente tem, realmente uma ligação muito grande, porque a gente está falando de gente o tempo todo, a gente está falando de comunicação e de como levar conhecimento para as pessoas. Então isso é algo que foi sendo conduzido e eu não posso, em momento algum falar para você que foi ao acaso. A gente foi construindo todo esse processo mediante as oportunidades que apareceram. Hoje eu tenho certeza que eu aproveitei as oportunidades que vieram, mesmo correndo alguns riscos de que poderia dar certo ou não, mas acreditando que aquilo iria ser importante, estaria trazendo maior valor para a minha carreira. E dentre essas mudanças eu passei pelos vários subsistemas de RH, como remuneração, recrutamento e seleção, gestão de pessoas, todas a parte de responsabilidade social. E aí você vai ampliando, você entra num processo de utilizar todo esse conhecimento para a sustentabilidade da tua carreira. E hoje a gente tem um resultado muito bacana, onde a gente tem uma participação grande com toda a parte de ouvidoria, que é o que o cliente está sentindo de problema, com uma parte grande de conduta, onde a ética e o compliance entram com uma responsabilidade muito grande para a organização, para a empresa e para aquilo que você está passando. Porque principalmente a ética é um exercício, Luciano, você tem que exercitar todo dia, porque senão você tem algum deslize ou que gera alguma ruptura ética.

Luciano: Aquele evento de que eu participei teve, no final foram 10 mil pessoas, foi isso?

Glaucimar: Foram 10 mil e 500 pessoas.

Luciano: Isso aí e todos eles eram gerentes de agências bancárias. Então você está falando em 10 mil e 500 lideranças. Cara, os números são brutais, são 10 mil e 500 gerentes de bancos que você tem que botar em sintonia, falando a mesma língua, o mesmo idioma, cada um deles num lugar diferente do Brasil, cada um deles com uma idade, com uma formação. Como é que você faz para trabalhar para que essas mensagens, a cultura do banco, outra coisa importante, quer dizer, tem vários núcleos que vieram de aquisições, não é?

Glaucimar: Sim, mais de 40.

Luciano: Então são culturas diferentes que estão ali e você está lidando com elas ao mesmo tempo. E, pela experiência que eu tive no meu tempo de empresa, a gente adquiriu outras empresas também e a maior dificuldade era integrar uma cultura. O cara vinha falando em ídiche e ia ter que começar a falar em espanhol e havia uma dificuldade muito grande ali, porque os idiomas são diferentes, você quebrar uma cultura é uma coisa muito complicada. Como é que você faz lá para montar o esquema?

Glaucimar: A gente teve agora ainda, não tem dois anos, a grande experiência da aquisição que foi com o HSBC, com mais de 20 mil funcionários. O banco já fez mais de quarenta aquisições menores, agora, se a gente quiser centralizar nessa última, que foi maior, a primeira coisa é o respeito às pessoas que estão chegando e o respeito às pessoas que já estão na organização, isso é algo que tem que ficar muito claro e tem que ser prática e não conceito. Então o processo de integração é muito importante, você está recebendo essas pessoas na sua casa, para que elas deem continuidade a um trabalho que já iniciou e possam usar o que elas têm de bom para alavancar negócios. Então elas têm que ser muito bem recebidas e as pessoas que as recebem têm que ter muito claro, Luciano, que ninguém está chegando para tirar o lugar de ninguém. Porque o que acontece, quando você faz essa conexão, as coisas se ajustam. Não imediatamente, mas hoje, passados praticamente dois anos, não existe mais essa situação. Gradativamente a gente vai ampliando a agência, então um gerente não tira o lugar do outro, a gente amplia, a gente duplica modelos, a gente transforma em segmentos distintos. É uma situação em que todo mundo tem que ter essa clareza, todo mundo tem que ter isso. Como não são aquisições que aconteceram só agora, o banco já tinha isso muito claro no seu organismo. Eu cheguei em 2003, quando o Bradesco comprou o BBV e quando eu cheguei também já tinha uma dinâmica muito clara para isso. Então hoje a gente tem um cuidado extremamente especial, onde se envolve toda a executiva do banco para conversar com essas pessoas. Para você ter uma ideia, nós fizemos roadshow e falamos com todos os funcionários do HSBC, presidente, conselho, RH. Nós fomos e fizemos vários grupos onde todos foram recebidos, então a pessoa já percebe e vem diferente. É claro que estar numa organização, assim como para mim, tem que ser uma opção e não uma falta de opção. A gente viveu aí alguns momentos em que o mercado realmente deu uma parada e nós sabíamos que algumas pessoas não desejavam o Bradesco. Isso é uma questão de tempo e isso faz parte da vida, de você poder sair, ver um outro, ah, eu quero uma carreira internacional. O Bradesco aposta no movimento nacional, ele vai apostar primeiro sempre no Brasil e essa é uma característica, inclusive, cultural. Quando a gente fala da espinha dorsal do banco, a gente vê a carreira como algo extremamente significativo, todo um lado de disciplina, de ética, de atendimento ao cliente muito fortalecido. Então, com isso, a gente acaba transferindo esses valores para o funcionário e aí é aquela situação, é de você ver que aquilo é uma oportunidade para você e você ampliar. Então todo tipo de integração, todo tipo de aquisição exige um envolvimento muito grande de todas as pessoas, sabe, a gente tem isso e o ponto principal, que eu diria para você é a palavrinha respeito, é executar o respeito. E mesmo por aprendizado, viu, Luciano. Quando nós tivemos essa nossa prática, nós contamos com um astronauta, com o Marcos, com a Luiza Helena Trajano, do Magazine, contamos com o Canal e com o Clóvis. Quatro linguagens diferentes, sendo interpretadas por você num cartoon. O que a gente fez com isso? Nós levamos a mensagem para todas as regiões do país com quatro comunicações, com quatro estilos completamente distintos, onde você fechou num quadro maior. Esse quadro maior, o que aconteceu, depois eu dirigi uma correspondência a cada um deles, agradecendo e repassando os conceitos maiores, para que eles pudessem compartilhar com os seus times, ou seja, eles absorveram de formas diferentes.

Luciano: Isso que eu queria perguntar para você, numa organização da dimensão que tem o Bradesco é muito fácil que esse sistema ganhe vida, ele ganhe uma vida própria. O sistema, a burocracia, o sistema todo parece que tem vida própria e passa a se comportar de formas que você acaba não entendendo, pô, mas eu queria o resultado tal e teve o resultado diferente, porque o sistema tomou conta e ele pode ser opressivo. Ele é opressivo, no processo definido burocrático pode oprimir as pessoas, oprimir criatividade e tudo o mais. Eu fico imaginando você tendo que passar uma comunicação desenhada em São Paulo para o gerente daquela pequena agência que fica no interior do Tocantins, que tem uma realidade totalmente distinta da realidade de São Paulo. Como é que vocês fazem para interpretar essas carências? A pergunta, na verdade, é a seguinte, eu assisti um evento onde o Bradesco passava para 10 mil e 500 pessoas uma série de informações, conteúdo e tudo mais, tem um caminho de volta dessas 10 mil e 500 alimentando?…

Glaucimar: Daquela noite que a gente tem essa troca, a gente tem à frente mais três dias. Então nesses três dias, o que aconteceu naquela noite acaba sendo permanente em todos os comentários, porque as pessoas que vão conduzir os outros dias estavam lá. Então o que ocorre, como a gente, os textos são colocados por necessidades que a gente prioritariamente já identificou. Então eu preciso falar de ética, eu preciso falar sobre liderança, eu preciso falar sobre conquista. Então quando a gente fala em conquista, nada melhor do que pensar em alguém que foi para o espaço, por isso a gente colocou o astronauta. Quando falar em liderança, a gente colocou a Luiza Helena porque é uma pessoa que fala com tamanha simplicidade e alcança várias pessoas. A gente trouxe a ética com o Canal e o Clóvis trazendo um pouco da vida e de felicidade. Então, nesse contexto, os outros três dias são alimentados e discutidos também com base no que foi traduzido ali.

Luciano: Esses três dias você tem um sistema desenhado para ouvir também?

Glaucimar: Sim.

Luciano: Você vai ouvir esses 10 mil e 500?

Glaucimar: Exatamente, porque é assim, o grande ponto, hoje, do sucesso de toda ação de capacitação, Luciano, é em você ouvir a pessoa. O respeito tem como base você ouvir, você entender o que o cara está falando, mesmo que seja crítica e transformar isso em algo que seja útil para ele. Então a gente tem não só a ouvidoria por questionário, como a gente coloca pessoas para ouvi-los durante todo o tempo. Se isso trouxe resultado ou não e quais são as necessidades dele. E aí tem um momento onde o RH vai, na verdade, eu fico à disposição de todos para responder processos que mais impactam no dia a dia, que geram problemas e até mesmo infelicidades. Então isso aproxima muito a rede do fato de recursos humanos. Então quando a gente faz isso, a gente está fazendo uma revolução humana mesmo, você está fazendo com que ele perceba que ele é o cara de recursos humanos, não sou eu, na matriz. Ele é o RH, ele é que pode fazer a diferença nessa agência lá no Tocantins, eu não tenho esse braço, é ele que faz. Se depois que uma pessoa faz uma capacitação, ele chega lá e fala assim oh, esquece tudo o que você aprendeu, vem aqui que a realidade é outra, ele está destruindo algo para ele mesmo. Então é esse convencimento que a gente passa e aí eu volto a te dizer, a gente precisa realmente ter um respeito muito grande e ter tempo para ouvir as pessoas. Hoje, o que mais faz falta, principalmente nas lideranças, é tempo para ouvir. Você quer só trabalhar com as prioridades e com as urgências quando o grande produto que a gente tem e o grande investimento que deve ser feito é nas pessoas. É nas pessoas, é na educação. Pega uma fábrica com todo o mecanismo que você possa ter de tecnologia implicado, se não tiver as pessoas para viabilizarem isso, não adianta. Hoje, a gente tem, principalmente no sistema bancário, a tecnologia como um grande acelerador. A gente tem que entender que a tecnologia é um acelerador, a gente tem um lado humano que sempre vai ser eficaz e importante. O que hoje nós temos é um trabalho muito grande para mostrar para a pessoa que, hoje, o que a máquina está fazendo que era o que você fazia, está na hora de você fazer outra coisa, então vamos te preparar para uma outra realidade. E para isso a gente criou várias trilhas, para que ele decida o que ele quer, como ele quer continuar, ou como ele quer alterar o curso que até então ele estava fazendo.

Luciano: Vocês têm um grupo lá dentro pensando o futuro do banco, o que será uma agência daqui a algum tempo, como é que a inteligência artificial vai… você tem um pessoal pensando esse futuro, não é?

Glaucimar: Nós temos. Nós temos uma equipe muito grande. Nós temos um sistema chamado e reconhecido no mercado, que é o inovaBra, que são todos os processos de inovação, como é que eles fazem na realidade hoje e na realidade amanhã. Nós temos o Habitat, que fica na Avenida Angélica, que também tem esse objetivo e todas as áreas, aonde eu incluo as que estão comigo têm essa preocupação, tem um grupo de pessoas que estão voltados big data, ao analytics que pensam como que vai ser isso no futuro. O fato de não existir mais agência, isso vai fazer com que os quadros sejam reduzidos? Não, porque outras demandas e necessidades acontecem. Hoje a gente já tem isso como comprovado, as pessoas, por mais tecnologia que nós tenhamos, elas têm outras necessidades e têm outros caminhos a serem seguidos.

Luciano: Se você for imaginar vinte anos atrás que você teria dentro da tua área um departamento preocupado em criar cursos online para os…

Glaucimar: Exato.

Luciano: Isso é impensável, imagina, isso não é função do banco, não é? E, de repente, essas coisas vão surgindo ali. Você é a mulher do RH, a Glauci é a mulher do RH, mulher com RH, isso parece que é uma coisa que não se dissocia. RH o que é? Bota mulher, porque isso é coisa de mulher, que vai cuidar dos caras e a coisa toda lá. Eu imagino que você vai subindo na hierarquia do banco, você vai chegando, um belo dia você chega num nível de diretoria. Eu estou tentando imaginar como será uma reunião de diretoria de um banco como o Bradesco, aqueles senhores todos vetustos, nos seus ternos e a mulher do RH sentadinha ali. Quando é que você chega nesse nível de diretoria e como é que acontece esse processo de você?…

Glaucimar: Esse é um processo gradativo e que assim, agora em março eu fui contemplada com essa possibilidade, então eu já estou na executiva hoje e hoje tem um homem de RH, hoje é o Vítor Queiroz que assumiu o meu lugar, dando continuidade a todo um processo que a gente já vem alimentando. E hoje, na executiva, Luciano, para mim é uma coisa muito tranquila.

Luciano: Quantos são que compõem a executiva?

Glaucimar: São vinte e dois profissionais.

Luciano: Quantas mulheres?

Glaucimar: Nós somos três mulheres, mais uma conselheira, então no total somos quatro. E é uma situação muito, muito positiva, porque você ali está com acesso a todo o banco, então você entende a máquina de uma forma geral, como funciona, como atua e o que você pode, realmente contribuir para isso. Então essa é uma troca muito grande, porque a gente está ali com os conselheiros, com os vice-presidentes, com os diretores executivos, como o cargo que eu acabo de assumir, onde a linguagem se torna ampla, você não fala mais de subsistemas ou de áreas específicas.

Luciano: Você está no nível estratégico, não é, o nível é estratégico?

Glaucimar: Completamente. Ele muda, só que ele muda de uma forma muito facilitadora e interessante para a gente, onde o aspecto humano é potencializado. Você percebe e toda a executiva percebe o quanto isso é importante. O fato de eu ter tido essa possibilidade mostra, Luciano, o quanto o banco está valorizando o capital humano, porque a minha base, independente de conhecer negócios e ter vindo de uma agência, ela é realmente pelo incremento do maior investimento que a gente pode fazer numa organização, que são as pessoas.

Luciano: E outra coisa, você não é um nó cego, se você fosse um nó cego, você não estava sentadinha lá por cota. Bota uma mulher aí que é cota, não é por nó cego, para chegar lá eu imagino que é uma batalha, que seja uma… você brigou, brigou bastante para chegar lá e foi valorizada a ponto de estar numa posição que eu vou contar, é uma coisa, parabéns.

Glaucimar: Obrigada.

Luciano: Me fala uma coisa, quero explorar um pouquinho, desses 100 mil do banco, quanto é mulher, quanto é homem lá dentro?

Glaucimar: Hoje nós temos o maior índice que o banco já alcançou, são 52% de mulheres.

Luciano: Que é o perfil da população brasileira.

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: É o Brasil.

Glaucimar: Então o banco veio se transformando, a gente alcançou o nosso maior índice agora de formação acadêmica, onde praticamente a gente alcança os 97% com superior completo, um número altíssimo de pós-graduação, chegando a 40%. Esse resíduo ainda de ensino médio é em função dos aprendizes, que estão dentro da sua faixa mesmo. Então a gente tem aí um crescimento no que diz respeito às mulheres muito grande. É claro que o fato de você ter um número maior de mulheres faz com que, naturalmente, qualquer conta resume isso, que o crescimento na escala hierárquica vai acontecer muito antes do que as pesquisas propõem no aspecto mundial.

Luciano: É questão de tempo só.

Glaucimar: É uma questão de tempo.

Luciano: Fala uma coisa, uma mulher e um homem no Bradesco que tenham a mesma formação, o mesmo tempo, eles ganham diferente?

Glaucimar: Não. Ganham exatamente o mesmo valor. Eu não posso dizer que eu tenho orgulho disso, até porque isso não faz mais do que a obrigação de uma organização séria. A gente tem os mesmos direitos, os mesmos benefícios, o mesmo salário e à mesma forma de metas e de alcance. É igual, é algo que faz com que eu me orgulhe dessa organização e, sinceramente, Luciano, é um dos pontos que faz com que eu tenha o banco como a minha opção profissional. Porque um banco que tem na sua história, na sua formação, aposta desde 1943 nos novos desafios serem proporcionados para as pessoas que já estão e ter essa diferença seria muito cruel. É claro que nós sabemos, no mercado, que a mulher tem várias outras atividades, tem várias outras preocupações, mas no banco existem situações onde a mulher fala “nesse momento eu não posso, mas eu quero continuar sendo vista para uma futura” e o banco tem esse respeito e tem caminhado dessa forma. Eu tenho muito orgulho disso, nós temos um presidente hoje, Octavio de Lazzari, que enxerga de uma excelente forma os avanços, enxerga que a competência fala acima de tudo. O nosso diretor presidente do conselho, que é o Senhor Trabuco, que você conheceu, ele tem também uma afinidade muito grande com esse lado de justiça, então dentro desse processo, o crescimento agora é sustentável. Nós não temos e eu particularmente não acredito na utilização de cotas para nenhum tipo de situação. Sei que tem sido utilizado no mundo acadêmico, em alguns com cadeiras de conselho, não acho que esse é o caminho. Sei que muitas vezes ele é percebido como uma alavanca, mas esse não é, se nós não respeitarmos as pessoas pelo que elas são, o que elas têm para dar, não é por cotas que isso vai acontecer. Eu acho que a gente tem que ter maturidade de perceber que nós temos um movimento diferente, nós temos necessidade de inclusão muito grande hoje na nossa sociedade, o banco tem feito um trabalho muito grande e muito justo. Hoje nós temos 21% do nosso quadro de afrodescendentes, ou seja, de negros, pessoas que já alcançaram as suas gerências, alcançaram as suas lideranças.

Luciano: E você não tem nenhum processo de estímulo dirigido ao afrodescendente?

Glaucimar: Não, nós temos uma linha, que é uma linha muito pequena ainda, mas que também eu acho que faz parte do nosso modelo de aposta no crescimento, que é uma parceria com a Zumbi dos Palmares, onde nós temos estágios de dois anos dirigidos e com uma formação complementar muito boa, mas esse é um programa, ele não é o total responsável por isso.

Luciano: Não é uma política.

Glaucimar: A gente tem o seguinte, o banco começou, Luciano, abrindo as portas para as classes menos favorecidas em 1943, que eram os agricultores, eram os trabalhadores, eram os camponeses. E isso é muito fiel, que hoje o banco e na história, ele sempre continuou aberto a várias etnias, a várias possibilidades. Então a gente tem hoje um grupo que acredita nas pessoas, que acredita no poder e na capacidade. Para você ter uma ideia, a média de trabalho no banco, as pessoas fazem a carreira lá, a gente tem pessoas que têm aí a sua média de tempo de serviço de 29 anos.

Luciano: Hoje em dia é uma doideira, não é? Você…

Glaucimar: Você fala assim, nossa isso não existe. É claro que existe e existe com muito prazer. Os dois últimos presidentes vieram dessa geração. O crescimento, e o que é muito legal, Luciano, eu tenho que dar esse testemunho porque eu venho de um banco de fora, sou mulher e alcancei a executiva do banco. Então tudo é possível, desde que a gente acredite e faça o nosso melhor. A gente tem que parar de rotular, porque também é fácil rotular “não, não dá, porque ali não tem”. A gente está tentando? A gente está dando o nosso melhor? A gente está fazendo o nosso papel? Porque cada um tem o seu papel de transformação numa sociedade. Eu entro o que, para ficar no banco de trás e onde o carrinho levar eu vou? Eu acho que a gente tem que chamar realmente todos os profissionais hoje a uma reflexão de qual é o meu papel aqui, o que eu estou fazendo, o que eu quero?

Luciano: E entender, não é, Glauci, que a coisa não é fácil, se fosse fácil, se fosse tudo fácil era tranquilo, os problemas estão aí para serem resolvidos e as pessoas capazes de resolver são as que vão subir, quer dizer, se eu sento aqui e fico reclamando que eu não consigo porque não me deixam, porque não pode, porque não dá… Cara, os problemas estão na tua frente e procurando alguém para resolver e a tua capacidade de resolver é que vai levar você adiante. Teu sobrenome é… teu nome é Glaucimar

Glaucimar: Peticov.

Luciano: Peticov, do Bradesco. Certo?

Glaucimar: Com muito orgulho.

Luciano: Então você tira o cartãozinho tem o Bradescão lá, que a hora vai… é do Bradesco, não é? Como é que é, você já parou para pensar o que vai acontecer com você quando você perder esse sobrenome do Bradesco? Um dia chegará a hora em que você, muito bem, atingiu o ápice, está na hora de eu sair, me aposentar, cuidar da minha vida, voltar a desenhar sei lá o que você vai resolver da sua vida. E esse sobrenome que é gigantesco vai sair do teu cartão, você vai perdê-lo e vai ser só Glaucimar Peticov. Como é que você trabalha essa perspectiva, ou você nem pensa nisso?

Glaucimar: Não, eu penso, eu acho que assim, a gente pensar no nosso futuro faz parte da nossa vida, eu acho que a gente tem que pensar e o que antes era tido como o plano B, a gente tem que pensar porque essa desassociação, ou esse final de ciclo tem que ser muito bem trabalhado para não te trazer dor. Eu acho que o que eu vivi no Econômico, o que eu vivi no Excel, o que eu vivi no BBV, o que eu estou vivendo no Bradesco, eles têm um momento e uma participação na minha vida, claramente marcante. Agora são ciclos, Luciano, eu acredito que a gente tem que aprender a lidar com isso, que são momentos que a gente vive, intensos obviamente e que fazem parte e outros virão. Então não é algo que me dê preocupação, ou que gere dor, até porque eu já vivi esses outros ciclos e sei que eles fazem parte hoje de uma recordação belíssima na minha vida, numa construção extremamente importante, assim como o Bradesco tem e terá marcas importantes. Assim, como eu lembro da minha infância, da minha adolescência, do meu tempo de escola dominical, que foram coisas, situações extremamente marcantes e que vão estar comigo para sempre. Como eu te disse, nós não nascemos para fazer uma coisa só. Eu não sei qual vai ser a minha aplicabilidade após a minha saída do Bradesco. Eu sei que certamente será ou no mundo voltado a um voluntariado, ou a, como você falou, voltar para o desenho. Eu não sei, esse plano eu ainda não tracei, mas eu tenho certeza, pela minha experiência, que o Bradesco vai fazer parte de uma belíssima e deliciosa recordação, que fez uma composição linda na minha vida e está fazendo uma contribuição excelente. Eu, hoje, as grandes descobertas eu devo ao Bradesco e isso para mim é muito feliz. Então eu não sinto como um prejuízo, todas elas têm me trazido muitos ganhos e o Bradesco vai continuar também. Então o fato de não ter a marca ou a bandeira, ela vai estar dentro de mim, ela vai trazer algumas compensações que a gente já vem e já… E sempre tem, as pessoas que saíram têm isso hoje em algumas confrarias, então não penso dessa forma como um prejuízo, eu penso como um ganho que é real hoje e que vai ser também na minha vida ao sair de lá. E o grande ponto é preparar pessoas para que continuem tudo isso que a gente está fazendo, deixando um legado importante, um legado que está sendo confirmado e valorizado por cada uma das pessoas que formam essa grande equipe de mais de 100 mil funcionários, para que outros continuem aí o trabalho também, com mais propriedade, com uma visão diferente, cada vez mais ampla. E o meu trabalho hoje, a minha dedicação é para que essas pessoas tenham isso muito claro como uma bandeira. Então está sendo muito feliz e vai ser muito feliz.

Luciano: Glau, com 55 anos de idade seu pai e sua mãe acho que já estavam aposentados, não é?

Glaucimar: É, o meu pai, na verdade, faleceu muito jovem, sabe, Luciano, ele faleceu aos 51 anos e a minha mãe hoje mora em Los Angeles, mora há mais de 29 anos em Los Angeles, construiu uma vida ali, então a gente acaba percebendo que a vida traz muitas surpresas.

Luciano: Mas o que eu quero tocar, essa geração deles aos 55 era hora de botar o pijama aí e se aposentar, não é?

Glaucimar: Exatamente.

Luciano: Você aos 55 aí está com a faca nos dentes.

Glaucimar: É verdade.

Luciano: Como é que você enxerga isso, quer dizer, você aos 55 está no auge da tua produtividade, acorda de manhã e vou. Ela está com 2 celulares aqui, mas eu já a vi com 3. Isso toca o dia inteiro. É uma doideira a vida dessa mulher aqui com 55 anos de idade. E acho que essa perspectiva de que vai chegar a hora de eu parar está longe.

Glaucimar: É, ela não é hoje, não faz parte de uma linha de plano, não. Até porque, como você falou, a nossa representatividade, a nossa energia, a nossa condição de produção hoje está muito mais ampla. Então eu não consigo te dizer hoje, Luciano, qual é o teto que eu coloquei para parar.

Luciano: Perguntaram para mim outro dia, eu fui fazer um trabalho com um consultor financeiro, sentei na frente dele e ele jogou na minha cara uma coisa que nunca tinha passado pela minha cabeça “quando é que você vai parar de trabalhar?” Como assim, cara? Não, quando você vai parar e aí ele me obrigou a fixar uma data e quando eu fixei aquela data eu percebi que só tinha mais 13 anos. Cara, aquilo foi um baque, que eu saí de lá, eu falei, meu Deus do céu, como assim, só mais 13 anos, não é? Não passa pela cabeça que eu vou parar, para mim, eu vou morrer trabalhando.

Glaucimar: Eu acho que a gente não para. A nossa geração, Luciano, depois de um determinado traçado aí na nossa tábua de idade, eu acho que a gente não para, a gente ressignifica e continua fazendo algumas outras coisas. Parar, parar, eu acho que é difícil.

Luciano: Não faz parte mais, não é?

Glaucimar: Não, não faz parte. Só se você tem algum limite físico, alguma situação que você é acometido por algo que seja impeditivo, a gente não para, a gente ressignifica a nossa forma de atuação e a gente continua.

Luciano: Como é que eu vou parar algo que eu amo fazer?

Glaucimar: Exato, não para, você só redistribui, reduz carga horária ou coloca de uma outra maneira, mas você continua. Até porque, isso alimenta a alma, não é? Isso alimenta o nosso dia a dia, isso nos dá vida, isso nos dá saúde.

Luciano: Prolonga a vida, isso prolonga a vida. É aquilo que você falou lá no começo, não é castigo, trabalho não é castigo, para mim, pessoalmente, não é, isso aqui é um baita prazer. A hora que você sair daqui, eu vou sentar e na maquininha vou mandar bala, com o maior prazer. Eu aquilo eu falo eu estou vivo, isso me dá prazer de fazer, portanto, está claro para mim que eu estou vivo. Sorte nossa.

Glaucimar: Isso nos dá energia, isso nos dá vontade de viver e é isso que faz com que a gente enxergue o amanhã, porque se você coloca uma data é como se ali você parasse e a gente não para, a gente não quer parar, a gente tem muito para dar, a gente tem muito para compartilhar. E aí tem um detalhe, tem um preço, Luciano, isso eu sempre penso. A gente tem o preço da atualização, a gente tem que se manter atualizado, tem que ler, tem que ir atrás, tem que buscar alternativas, tem que estar conversando com as pessoas, vendo o que elas estão fazendo.

Luciano: Tem que ouvir podcast.

Glaucimar: Tem, exatamente, a gente tem que estar, realmente, num movimento de atualização permanente, para que a gente continue ativo e fazendo parte do desejo de outras pessoas de troca, de interesse, para que a gente continue aí o nosso traçado de uma maneira muito interessante. A gente hoje fala muito em inovação e inovação faz parte disso, são os elos que a gente tem traduzindo as nossas informações, conhecimento, fazendo os links para que gere novas ideias. E a gente está aqui para isso, para crescer junto, para tornar realmente o nosso dia a dia mais ativo, interessante e eu percebo que a troca é fundamental para isso.

Luciano: Glau, adorei as ideias. Eu quero trabalhar no Bradesco.

Glaucimar: Ôpa, bora lá, Luciano.

Luciano: Eu tenho 22 anos de idade, entendeu e acho que o Bradesco pode ser uma alternativa, eu quero trabalhar no Bradesco, o que o Bradesco quer de mim para eu poder um dia ser presidente do Bradesco? Eu quero estar um dia na executiva do Bradesco e tenho 22 anos de idade, o que eu tenho que fazer?

Glaucimar: Bom, você tem que, na verdade, querer ter uma carreira. Esse é o grande ponto. O Bradesco tem como carro-chefe viabilizar a carreira.

Luciano: E quando você fala carreira não é de 3 anos, não é de 5 anos é carreira?…

Glaucimar: Eu estou falando de carreira, de vida. Você quer ser um advogado, você quer ser um cara de marketing, você quer ser uma pessoa da Contadoria, ou de uma rede de agências, você quer ser um gerente associate de um banco de investimentos, você quer ser um trader. O banco é muito mais do que uma agência comercial. O banco é uma composição de vários departamentos que vão de empresas, corporate, private, banco de investimento, corretora, fundação Bradesco, que é o braço da educação, um grupo segurador, financiamentos, consórcio, quer dizer, é muito mais do que a gente, como cliente, enxerga numa agência comercial. Então vai ser um grande prazer receber quem quer que seja para conhecer esse mundo chamado Bradesco, que promove, estimula e inspira a carreira das pessoas. Esse é o grande ponto do Bradesco.

Luciano: Já tem seu blog? Ou tem uma política lá de não exposição?

Glaucimar: Não, eu não tenho mesmo. Não tem política, não.

Luciano: Pensa em fazer, você tem tanta experiência aí que é muito legal.

Glaucimar: Pode ser uma boa.

Luciano: É. Esse teu diário que você tem aí, transforma ele num blog e daqui a pouco você vai ter a surpresa de descobrir que “eu fiz um livro da minha vida, ajudei um monte de gente com os insights”, que você tem de montão para passar.

Glaucimar: Bacana isso, boa dica.

Luciano: Glau, obrigado, a gente fez aqui o nosso time, legal, deu 1h20 aqui conversando. Eu espero que você tenha curtido aí, é muito legal. Eu adoro quando trago gente como você. Aqui vem muito empreendedor, que o cara brigando no dia a dia para tocar a sua própria empresa. E quando eu trago gente como você, que está tratando do outro empreendedorismo, que é aquele dentro da grande corporação, quer dizer, eu não sou empreendedor só porque eu sou o dono da minha própria empresa e estou batalhando para sobreviver aqui no Brasil, eu posso ser o intraempreendedor, que é o que você tem feito lá, eu estou fazendo acontecer, estou pintando e bordando dentro de uma corporação, não é? E eu diria até que o desafio talvez em alguns momentos seja até maior, porque você tem romper algumas… você não é o dono, que faz o que quiser.

Glaucimar: Sim, com certeza.

Luciano: Você tem que se adaptar a alguma política lá e fazer acontecer. Então, parabéns, adorei participar do evento de vocês e acompanhar.

Glaucimar: Novos virão.

Luciano: Não, e de ver essa máquina gigantesca que é o Bradesco aí e continuando a crescer e com essa importância toda que tem no país.

Glaucimar: Eu agradeço e assim, Luciano, deixo muito claro que o que a gente conversou aqui é a minha verdade, a gente tem aí um caminho longo pela frente, falamos de negócio, a gente não está falando aqui de comprometimentos secundários, a gente está falando do business mesmo. Só que hoje, para todos os nossos grandes executivos está muito claro algo que Jung disse lá atrás, que para a gente alcançar uma alma humana, a gente tem que ser uma alma humana e a gente está buscando isso, porque esse é o caminho quando você une o técnico com as competências, é aonde a gente tem isso de uma maneira muito satisfatória. Então é um superprazer estar participando, trocando algumas ideias e o que precisar, a gente está à disposição.

Luciano: Vamos lá, Glaucimar Peticov no LíderCast. Obrigado, querida.

Luciano: Muito bem, aqui termina mais um Líder Cast. A transcrição do programa você encontra no lidercast.com.br. O LíderCast chega a você com o apoio da Albaugh Brasil, que está revolucionando o mercado com uma linha completa de agroquímicos genéricos. Sim, cara, genéricos de qualidade, combinando proteção, rentabilidade ao agricultor e respeito ao meio-ambiente. Conheça soluções Albaugh em bit.ly/escolhainteligente. Para ter acesso a esta temporada completa, assine o Café Brasil Premium no cafebrasilpremium.com.br, um ambiente educacional sem ser chato nem superficial, que já conta com mais de mil assinantes recebendo todo mês conteúdos voltados ao crescimento pessoal e profissional. Conheça, que vale a pena, cafebrasilpremium.com.br.

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Fim da gravação

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