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Luciano Pires -
Download do Programa

Estamos em meio a uma das maiores mudanças da história da humanidade, com aquilo que chamamos de “mídia” sofrendo uma mutação expressiva, sem que saibamos para que lado vai. De onde vem a informação que você consome, hein? Quem é que decide o que você consome? O que é que você produz, hein? Ah, é você é? E quem distribui, hein? Opa! Deletaram seu post, sua página?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: o texto deste programa você pode baixar acessando portalcafebrasil.com.br/627.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Mauro Reis, que manda um recado lá dos Estados Unidos.

“Olá Luciano Pires. Meu nome é Mauro Reis, eu moro aqui em Massachusetts nos Estados Unidos e ouço seu programa já tem uns dois meses e não consigo trabalhar sem ele. 

Primeiro devo te dizer que eu não sou brasileiro e você já pode ter notado aí no meu sotaque. Mas cara: eu sou cabo-verdiano e vivo nos Estados Unidos, estou estudando aqui, fazendo meu mestrado e gosto de ouvir programas de rádio e comecei agora gostando de podcast e encontrei o seu e eu estou viciado cara, eu já ouvi quase tudo e acabei de ouvir o Visões clareando e devo te dizer que essa é a melhor forma de mudar qualquer coisa, é fazer pequenas mudanças onde é realmente necessário.

Eu não sou muito apologista de sair à rua e fazer  muito barulho pra nada, eu prefiro fazer a mudança aquela pequena que realmente vai mudar alguma coisa, né? Eu gosto de pensar que as coisas se mudam quando você se muda, né? Quando você tenta melhorar, quando você luta contra o mal. O mal eu estou falando de tudo que pode prejudicar a você e à sociedade em si, né? Então eu nisso e eu creio que eu quero ser água, não quero ser fogo e não quero ser controlado por quem controla o vento, né?  Isso foi genial, cara. 

Muito obrigado desse cabo-verdiano aqui que te ouve e que está mudando o pensamento,  mesmo não sendo brasileiro. Que está mudando meu pensamento e que talvez vá me ajudar a mudar a minha própria sociedade aí em Cabo Verde que eu amo muito e que eu espero que haja outros cabo-verdianos que ouçam seu programa e que realmente estão pensando e que estão mudando a maneira de ser e a maneira de atuar. 

Cara! Muito obrigado. Tive que ter muita coragem pra mandar esse recado, mas não queria deixar de fazer. Muito obrigado, cara! Você está mudando o Brasil pouco a pouco. E olha: está a mudar também outras nações. Parabéns, cara!”

Cara… um cabo-verdiano morando nos Estados Unidos, curtindo um podcast feito no Brasil e falando da responsabilidade individual e de como as ideias livres podem mudar a gente. Eu também quero ser água, viu? Meu caro Mauro, e fico fascinado com  o poder de alcance dos podcasts.

Esse recado do Mauro é de 2016, eu não sei se ele continua nos Estados Unidos ou se voltou pra Cabo Verde. Vamos ver se ele dá um sinal aí. Mas, de qualquer forma ele inspirou a trilha sonora deste programa.

Muito bem. Vamos ver se a gente dá um jeito do Mauro receber um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino.

Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros é destinada para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Na hora do amor…

Lalá – Use Prudence! Seja no Brasil, nos Estados Unidos ou na África, ora pois!

Luciano – Muito bem.

E o Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, continua na missão de ajudar as pessoas a ampliar seus repertórios e refinar sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Olha! A turma está curtindo. Já são 1500 assinantes recebendo um conteúdo de alta qualidade, numa espécie de MLA – Master Life Administration. Você duvida? Então acesse bit.ly/CafeDeGraca e você poderá experimentar o Premium por um mês, sem pagar.

De novo: bit.ly/CafeDeGraca.

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Conteúdo extra-forte.

Cape Verdean Blues
Horace Silver

Nta xinti nha Cabo Verde Blues
Ka tem grog na Sintanton gó
Gora mó k’gent ta passá temp?
Sem um groguinha pa levanta espirt

N bai Ponta de Sol, bai Paul
Nhô Divinha flam ka tinha
Es panhá es dal lixivia
Ê passa note na reservóde

N bai Paul, n bai das Patas
Oh k’ afronta ja kontesê nôs
Nha Jesus Crist ka dxá grog kaba
Nta xinti Cape Verdean blues

Olha só… começamos o programa com uma homenagem ao Mauro! Você ouve Cape Verdean Blues, com Carmen Souza e e o contrabaixista português Theo Pascal. Carmen nasceu em Lisboa, numa família Cabo-verdiana. Se você reconhece na voz dela toques de Ella Fitzgerald, Nina Simone ou Billie Holiday, não é por acaso não. São suas grandes inspirações. Olha só que delícia…

Muito bem. Olha, eu comecei a escrever este programa com uma intenção e acabei mudando no meio dele. De repente, decidi transformá-lo numa grande reflexão. É sobre estes nossos tempos e, especialmente, nossa liberdade. Comecei o texto incomodado com a notícia de que o Facebook, o Twitter e o Instagram, entre outras redes, estão derrubando páginas e perfis em todo o mundo, de pessoas e organizações que estariam violando suas regras de publicação. Há uma crescente discussão sobre o viés ideológico que está por trás desses bloqueios de páginas, o que é preocupante a profundamente perturbador. Numa sociedade até aqui inebriada com a liberdade que as redes sociais trouxeram nos vemos perplexos diante de demonstrações de que essa liberdade é relativa.

Você é livre enquanto o dono da rede concordar com seu ponto de vista.

Bem, neste programa eu não vou entrar na questão ideológica, eu quero tratar de outra coisa. Do poder dessas redes e de como isso impacta em qualquer pessoa que queria produzir, distribuir ou simplesmente consumir conteúdo.

Para começar, vamos à definição de “mídia”: “todo suporte de difusão de informação que constitui um meio intermediário de expressão capaz de transmitir mensagens. O conjunto dos meios de comunicação social de massas, abrangendo o rádio, o cinema, a televisão, a imprensa, os satélites de comunicações, os meios eletrônicos e telemáticos de comunicação etc.”

Por essa definição, é tentador jogar a internet no mesmo balaio. Mas a internet vai mais longe. Muito mais longe. O Google, o Facebook, o Twitter e a internet em si não são mídias. São algo novo que ainda não compreendemos totalmente.

As mídias são suportes, veículos que transmitem informações. É assim desde a antiguidade. Quando Gutemberg inventou a prensa, tornando a produção de livros e impressos possível em escala industrial, o conceito de mídia cresceu. A mídia é o meio que transporta a informação até você.

Mas a internet não é só isso.

A internet é uma ferramenta que conecta seres humanos. Ela é sobre conexões e relacionamentos. Por ela transitam as informações, mas  numa via com duas mãos. As informações vão e vem. Olhar uma tela de um celular ou um tablet e imaginar que aqueles textos, aquelas imagens e aquelas propagandas parecidas com tudo aquilo que sempre vimos nos jornais, revistas, rádio e TV, são uma “mídia”, é de um reducionismo que, no mínimo, leva a perder oportunidades valiosas.

E dentro da internet, as plataformas como Google, Facebook, Twitter e outras, também não são “editores”, produtores de conteúdo. São plataformas de conversação. E isso muda tudo.

As mídias sociais não são sobre levar conteúdo de um lugar para outro, mas sobre conectar pessoas.

Ué: mas não é isso que o telefone faz? Bom, se você pensar no processo que possibilita que você me ouça e retorne com algum feedback, é isso mesmo. Mas quando pensamos em escala, a coisa muda de figura.

Mídias sociais não são só um a um. Pense neste podcast aqui, por exemplo, como uma mídia social. Sou eu falando e você ouvindo. Mas você pode pegar seu celular e mandar uma mensagem para mim agora. Ou comentar na página do programa, no Facebook, no Twitter, sei lá. Pode compartilhar ou encaminhar. Com um monte de gente lendo e comentando em cima do seu comentário, fazendo um ruído imenso, tão maior quanto mais polêmico for o assunto e a troca de mensagens.

Esse ruído, esse barulhão é a sociedade conversando. E às vezes o barulho fica tão alto, que começa a incomodar. E alguém tem a ideia de controlá-lo. Começa então a discussão sobre a liberdade de expressão na internet. Até onde vai, hein? Quando é que essa liberdade se torna uma ameaça? E se for ameaça, é ameaça a quem, hein? E quem tem o poder de regular a ameaça? Quem tem a força para nos proteger? Ora, é um ente que nos represente como povo, como massa.

É o Estado.

E então descobrimos que nem tudo é cor-de-rosa.

Cor di rosa
Mendes Brothers

Na mare di tardi
E ku nha kim bem, (Cor di Rosa)
E ku nha kim kre bai
Cor di Rosa
E sabe ki trazenu
Ele e ki ta lembano
Ma e pa nos morada
Cor di Rosa
Si du ka ba sedo
Es ta labantano alebe
Es ta pono stera
Wai Cor de Rosa
Nos distino e Djarfogu
Du ka ta trocal
Ku nada des mundo
Fuska fuska
Xa note fitcha
Pa mundo ka odjano
Ku nha lima nobo
Kretcheu na peto
Ta djongo na madorna
Ai oh modrugado
Ka bu xan terral manche
Ai u ai u ai
Nos distino e Djarfogo
Du ka ta trocal
Ku nada des mundo
Wai o Dimingo
Dimingo nos distino e Djarfogu
Du ka ta trocal
Ku nada des mundu
Oi Mino
Mino de Mama
Fran pa to kim odjabo
Curagi ta dam
Ta parcem ma mundu bira
So di me ku bo, Mino
Ku nos lima nobu
Wai oh Mino
Mino nos distino e Djargofu
Du ka ta trocal
Ku nada des mundu
Wai oh mama
Mama nos distinu e Djarfogu, mama
Du ka ta trocal
Ku nada des mundu
Wai oh Djarfogu
Djarfogu bo e nos distinu
Du ka ta trocabu
Ku nada des mundu

Opa! Mais Cabo Verde ai, Lalá? Essa aí é COR DI ROSA, com os Mendes Brothers. Cabo Verde fica num arquipélago formado por dez ilhas vulcânicas na região central do Oceano Atlântico. A cerca de 570 quilômetros da costa da África Ocidental. Foi o primeiro assentamento europeu nos trópicos, descoberta e colonizada por portugueses no século XV, como uma base para o comércio de escravos.

Voltando então ao nosso tema…

Imagine o imperador todo poderoso, se ver sem poder para controlar a conversação entre seus milhões de súditos. Imagine um ambiente onde 3 bilhões de pessoas conectadas podem falar livremente. Podem produzir livremente conteúdo. Podem compartilhar livremente ideias, verdadeiras ou não.

Cara, a sociedade não está pronta para isso. É muito perigoso, é uma ameaça à ordem estabelecida.

E quando percebemos uma ameaça, temos de controlá-la. Pornografia. Pedofilia. Terrorismo. Racismo. Essas coisas nos incomodam e não podem trafegar livremente. Mas se tudo isso era fácil de ser encontrado, controlado e censurado nas mídias tradicionais, como é que fica com a internet, hein? Como é que você evita que o seu filho de seis anos entre numa página de pornografia? Ah, na sua casa ele não entra? Bom, quero ver na escola, cara…

Olha! É impossível controlar. A menos que você viva na China. Na Russia. No Irã. Na Turquia… aqueles paraísos onde o Estado tem poder para decidir o que, como, quando e onde você terá acesso a informações.

São paraísos onde não tem liberdade.

Uia… essa aí é ILHA AZUL, com o cabo verdiano Rufino Almeida, que se tronou mais conhecido como Bau. Aprendeu a tocar com seu pai e toca os violões e cavaquinhos que ele mesmo constrói. Musica de Cabo verde você ouve onde, hein?

É  no Café Brasil, oras…

É então que surge o conceito do “pânico moral”, definido nas palavras da cientista de dados da UIniversidade do Arizona Ashley Crossman:

“Pânico moral é um medo espalhado pela sociedade, geralmente um medo irracional, de que alguém ou alguma coisa é uma ameaça aos valores, à segurança e aos interesses de uma comunidade ou sociedade. Tipicamente, o pânico moral é perpetuado pela mídia, alimentado por políticos e geralmente resulta na aprovação de novas leis e políticas que têm como alvo a fonte do pânico. Dessa forma, o pânico moral pode ampliar o controle social.”

Ampliar o controle social, meu…

Controle social refere-se às muitas formas pelas quais nosso comportamento, pensamentos e aparência são regulados por normas, regras, leis e estruturas sociais da sociedade. Nenhuma sociedade poderia existir sem alguma forma de controle social. A questão é a partir de que ponto o controle social passa a ser instrumento de opressão ao indivíduo, hein? De privação da liberdade?

O controle social é exercido de duas formas. Existe o informal, aquele no qual seguimos normas e valores da sociedade, apoiados na cultura, na educação e naquilo que aprendemos com nossos pais e avós. Por exemplo, responder com educação e polidez às pessoas com as quais temos interações. É o que se espera de quem tem alguma educação, não é? A penalidade por não seguir essas normas é ser ignorado ou até mesmo expulso pelos grupos nos quais estamos inseridos.

A outra forma de controle social é a formal, aquela controlada pelo Estado. Quem aplica essas formas é a polícia, os militares, os agentes da lei. Em muitos casos, a simples presença de um policial já garante que as leis serão obedecidas. Em outros casos, é necessário intervenção.

É quando o controle social passa de informal para formal que o bicho pega pra valer.

Voltemos à internet. Estamos às voltas com algo novo, são apenas 25 anos desde que a internet começou a tomar conta de nossas vidas, estamos na infância dela. E até agora, nos viramos para colocar ordem usando basicamente o controle social informal. Você tem em mãos o instrumento de controle: pode banir, bloquear de suas páginas quem não se comporta conforme suas regras de convivência. Sempre foi assim e a gente foi levando.

Até Donald Trump vencer as eleições nos Estados Unidos.

Cara! Aquela eleição foi um processo traumático. Todos os donos do poder e da mídia eram contra Trump, lutaram com todas as forças, usaram todas as armas e, em determinado momento – exatamente como está acontecendo agora com Bolsonaro – entraram em choque direto com o candidato. Trump passou a atacar a imprensa em seus comícios e a chamar as grandes redes de “fake news”. E o que se viu foi uma eleição sem precedentes, com um resultado que quebrou ao meio as mídias e colocou todos em pânico.

Talvez as mídias não tivessem o poder que julgavam ter. E isso é inadmissível.

Vamos buscar esse poder de volta, meu? Como, hein? Controlando as narrativas.

E onde é que as narrativas não tinham nenhum controle? Na internet.

É hora de colocar ordem nessa zona.

E esse agora é Humberto Bettencourt Santos, o Humbertona, referência do violão de Cabo Verde, com Rapsódia de Mornas… meu,vai ouvindo aí!

Muito bem. Tem que exercer então a censura.

Mas, pra não dar na cara o que é que se faz, hein? Busca-se a justificativa para poder calar as vozes dissonantes. E usa-se a justificativa de sempre: vamos proteger você de quem está lhe enganando. Nós, a mídia que você sempre conheceu, não enganamos ninguém, viu? Somos empresas sérias, investigativas, focadas na verdade. É essa coisa aí na sua mão, esse tal de smartphone, esse computador, que está servindo de ferramenta para encher você de mentiras! Por isso vamos controlá-lo. Em nome da sua proteção.

E então começa a perseguição. Como se a culpa fosse da tecnologia. Mas cara: não é. A culpa é das pessoas que usam a tecnologia. É de minorias que estão manipulando as plataformas para que você aja como do jeitinho que é o interesse delas.

Então chegamos à encruzilhada: a mesma tecnologia que me trouxe a completa liberdade para me informar, me expressar, me conectar, é a tecnologia que quer me manipular, me desinformar e me oprimir.

É quando nos vemos diante de um imenso conflito. As mídias não são mais o lugar do debate de ideias, o lugar onde se busca a verdade, o lugar confiável onde podemos encontrar soluções. Não. São o território do conflito, onde minha tribo tem de vencer a sua, onde as ideias são julgadas por seus autores e não por seus méritos. Ganha quem grita mais. E os espertos sabem disso, então começam a gritar cada vez mais.

E aquele lagarto que mora no seu cérebro, atraído pelo torto, pelo escandaloso, pelo trágico – que são sempre mais fáceis de compreender – passa a dar audiência para quem é torto, escandaloso e trágico. Dane-se a lógica, dane-se o racional, a inteligência. Dane-se o bom gosto.

Mas aliás, que é que disse que o bom gosto existe, hein?

E aí é isso que a gente vê. Essa zona de informações, onde descobrir o que é confiável e o que é fake passa a ser uma tarefa diária. E onde surge em cada canto um justiceiro, pronto para aplicar suas armas de censura a quem ameaça o bem-estar da comunidade.  E alguns desses justiceiros, com autoridade garantida por seu status social, tornam-se juízes do comportamento alheio.  Especialmente dos indivíduos que estão incomodando a turma do “tá bom assim”.

E se esses juízes forem donos das plataformas sociais… aí, meu caro, aí você dançou.

Por isso, desde que comecei meu projeto do Café Brasil em 2004, investi em minhas redes. No meu site, no meu podcast, na minha hospedagem, na minha lista… Eu nunca coloquei as coisas nas mãos das plataformas de terceiros. Só uso Facebook, Youtube, Twitter como ferramentas, mas nenhuma delas é mandatória para minha sobrevivência. E não é por frescura ou por ser um visionário não. É por uma constatação simples: como é que eu posso querer ser livre na casa dos outros? E se os outros mudarem as regras no meio do jogo?

Por exemplo, o Whatsapp acaba de mudar uma regra, limitando a distribuição de mensagens para 20 pessoas. Com isso, tornou impraticável enviar o Cafezinho para os quase 4 mil assinantes que tínhamos até então. E de repente, o Whatsapp puxa o tapete e o que acontece? Nada. A gente que se vire…

Olha! Não mesmo, viu? O que fiz nos últimos anos foi investir em canais onde a independência e a liberdade não fossem ameaçados. Minha rede social é o Telegram da Confraria Café Brasil, onde dá gosto participar. Em breve eu lanço um novo site com forum de debates, onde ninguém será atacado, humilhado, menosprezado pela opinião que tiver.

É tudo pequenininho, mas quem experimenta não quer mais saber das grandes mídias sociais manipuladas.

Os sinais de mudança estão por toda parte. A Editora Abril está acabando, a Rede Globo está apavorada, os jornais impressos desesperados. São dinossauros em extinção, sendo atropelados por outros lagartos menores, mais ágeis e adaptáveis. Mas que já começaram a se achar… e serão exterminados por milhões de bactérias ainda mais espertas, ágeis e adaptáveis. E eu sou uma delas, cara!

Olha, tudo que está acontecendo nestes dias, com as plataformas cassando páginas e perfis, com as explicações cheias de hipocrisia, só reforça a ideia que há mais de 14 anos eu defendo: invista em seu site, no seu blog, na sua lista de e-mails, no seu aplicativo, nas suas formas de contatar o seu público.

Você vai perder visibilidade? Vai. Vai custar mais caro? Talvez. Vai perder  a eficiência? Ah! Vai sim.

Mas quanto é que vale a liberdade, hein?

Não sei pra você. Pra mim não tem preço.

Mi e Dode na Bo Cabo Verde
Fantcha

Inda um ka oiá lugar na mund
Paraís igual kma aguarela
Nos mar azul sima pasarela
Peskador ma marinher
Valent, fort i lutador

Si tchuva bem ma midju dá
Maravilha di senario
Li ness país, kê tropikal
D’operario i kampunes
Studant ma intelektual

Inda um ka oiá lugar na mund
Paraís igual kma aguarela
Nos mar azul sima pasarela
Peskador ma marinher
Valent, fort i lutador

Mi ê dod na bo Kab Verd
Mas tambem na bo nha amor
Tchá-m k’nha sol, nha rotcha nu
Nha kriola, nha mar azul

Mi ê dod na bo Kab Verd
Mas tambem na bo nha amor
Tchá-m k’nha sol, nha rotcha nu
Nha kriola, nha mar azul

Terra d’morna ma koladera
Batuk, San Jom i funana
Kriola fasera chei d’morabeza
K’um sorriso di sereia
Ta enkantá k’tud se beleza

Europa ê bnit i Merka ê um mund
Ma paraís ê ess d’nos kriol
Saniklau, Santiag
Sal, Boavista
Fog, Brava, Mai, Santantom
Sonsent um krê-b d’kurasom

Mi ê dod na bo Kab Verd
Mas tambem na bo nha amor
Tchá-m k’nha sol, nha rotcha nu
Nha kriola, nha mar azul

E é assim então, com Lucibela, lá de Cabo Verde, com MI E DODE NA BÔ CABO VERDE, que vamos saindo com a cabeça explodindo, meu. Em Cabo Verde eles falam português, mas parece que a gente entende a letra, quase que entende, olha que doidera?

Olha só, Marshall McLuhan, quase 60 anos atrás, disse que a tecnologia de impressão criou o público e a tecnologia elétrica criou as massas. Ora, se a impressão criou o público e a eletrônica criou as massas, o que é que a tecnologia da internet vai criar, hein?

Se alguém disser que sabe, está mentindo. Estamos em meio a uma das maiores mudanças que a humanidade já experimentou, onde o que deveria estar sendo defendido meu,  é a liberdade.

Por isso, dane-se o Facebook,dane-se o Twitter, dane-se o Youtube. Na verdade o texto não é dane-se, mas vamos lá, vai : danem-sese esses jornalistas e justiceiros sociais que acham que sabem como eu devo viver.

Olha aqui: quem manda na minha vida sou eu.

Com o indignado Lalá Moreira na técnica, a estupefata Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires, que sou muito mais eu, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Mauro, lá de Cabo Verde, que inspirou a trilha sonora com Carmen Souza e Theo Pascal, Mendes Brothers, Humbertona, Bau e Lucibela. Você gostou da trilha cabo-verdiana, hein? Uma delícia, não é? E tem uma surpresinha no final do programa, viu?

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Gostou do conteúdo do Café brasil? Já pensou ele ao vivo em sua empresa? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste não esquece!

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/627

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase do Barão de Montesquieu:

A liberdade é um bem tão apreciado, que todos nós queremos ser donos até da liberdade alheia.

Olha! Eu vou te deixar um presente aqui. Um som irresistível de Cabo Verde. É África na veia! E Zonban, com Elida Almeida e Djodge, composição de Manu Reis. Duvido que você não sai batendo o pezinho aí.

Zonban
Élida Almeida

É zonban, é zonban
É zonban, é zonba ié

Rapás di Praia é só malandru
Rapás di Praia tem uma manera na mundu
Ês tufudjan na nha lugar p’ês panham bongolon
Sapatinha ku fixón, djês subi ês latchi!

Rapás di Praia é só malandru
Rapás di Praia tem ma maskabu na mundu
Ês tufudjan na nha lugar p’ês panham bongolon
Sapatinha ku fixón, djês subi ês latchi!

N’ata ba ti San Domingo
N’ata ba na dolegadu oh
N’ata ba pam ba po kexa gô, aian aian

Su pidin, n ta dau
N ta dau, n ta dau
Di manera ku a ta fasi n ka ta seta dizaforu
Su pidin, n ta dau
N ta dau, nta dau
Di manera ku a ta fasi n ka ta seta dizaforu

Disgrasadu fidju naxa ki kre mufinam
Disgrasadu sem burgonha ki kre disgrasam
Disgrasadu fidju naxa ki kre mufinam
Disgrasadu sem bergonha ki kre disgrasam

É zonban, é zonban
É zonban, é zonba ié

Rapás di Praia é só malandru
Rapás di Praia tem uma manera na mundu
Ê tufudjan na nha lugar p’ê panha mbomgolom
Sapatinha ku fixón, djês subi ês latchi!

N a ta ba ti São Domingo
N a ta ba pam ba po kexa gô, aian aian

Su pidin, n ta dau
N ta dau, nta dau
Di manera ku a ta fasi n ka ta seta dizaforu
Su pidin, n ta dau
N ta dau, nta dau
Di manera ku a ta fasi n ka ta seta dizaforu

Disgrasadu finaxa (ki kre mufinam)
Disgrasadu sem bergonha (ki kre disgrasam)
Disgrasadu finaxa (ki kre mufinam)
Disgrasadu sem bergonha (ki kre disgrasam)

É zonban, é zonban
É zonban, é zonba ié…

Xê! Sa poi!

Nha ta bai (nu bai bai)

É zonban, é zonban
É zonban, é zonba ié…