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624 – Paulo Rabello de Castro

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Luciano Pires -
Download do Programa

Na medida do possível, estou conversando com candidatos a Presidente nos episódios do LíderCast. Vou republicar essas conversas aqui no feed do Café Brasil, acho que isso é uma prestação de serviços necessária. Hoje é o primeiro episódio com Paulo Rabello de Castro.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: a transcrição desta entrevista você pode baixar acessando portalcafebrasil.com.br/624.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o próprio Paulo Rabello de Castro, pela gentileza de dedicar alguns minutos de uma agenda super apertada para conversar conosco.

Muito bem. O Paulo também receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino.

Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros é destinada para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então!

Luciano – Lalá! Na hora do amor, você vota em quem?

Lalá – Prudence! No primeiro e nosegundo turno…

Luciano – Dois turnos, meu? Intão tá…

O Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, continua na missão de ajudar as pessoas a ampliar seus repertórios e refinar sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Como? Oferendo conteúdo de alta qualidade, numa espécie de MLA – Master Life Administration. Você duvida, hein? Então acesse bit.ly/CafeDeGraca e você poderá experimentar o Premium por um mês inteirinho, sem pagar.

Faça uma degustação do cafebrasilpremium.com.br e descubra o que é o verdadeiro conteúdo extra-forte.

Muito bem, desde alguns meses atrás eu ando procurando contato com as assessorias dos candidatos a Presidente, para tentar ouví-los no LíderCast, com uma abordagem diferente desse tatibitate da mídia tradicional. Eu quero saber das pessoas. Poucos responderam, a maioria está interessada apenas nos canais com grande repercussão de mídia. Mas dois vieram até o estúdio Café Brasil. Hoje eu publico a conversa com Paulo Rabello de Castro. Candidato pelo Partido Social Cristão, em breve eu publico a conversa com João Amoêdo do Partido Novo. Eu não sei se eu vou conseguir que outros venham até o estúdio, mas quem vier será bem tratado viu? Independe da cor do boné.

Vamos ao Paulo Rabello de Castro.

Para baixar a transcrição: portalcafebrasil.com.br/624.

Duração: 01 horas, 31 minutos e 33 segundos

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Antes de começar a transcrição, segue o link com os 20 pontos do programa de governo de Paulo Rabello de Castro. Até o final de julho ele será publicado em detalhes para ser discutido e receber sugestões dos interessados:

https://www.paulorabello.com.br/plano-20-metas

__________

Bem-vindo ao LíderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação Luciano Pires.

Luciano: Bom-dia, boa-tarde, boa-noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. No programa de hoje trago Paulo Rabello de Castro, professor, consultor com vasta experiência no setor privado, ex-presidente do IBGE e do BNDES e agora candidato a presidente da república. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas nem roteiro definido, é um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu e nem o meu convidado imaginamos. Por isso eu não me limito a fazer perguntas, mas eu dou os meus pitacos também. Você entendeu aí? Isto aqui não é uma entrevista, é um bate-papo. O LíderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium têm acesso imediato à temporada completa assim que ela é lançada, os não-assinantes receberão os programas gratuitamente, mas um por semana. Para assinar, acesse o cafebrasilpremium.com.br.

Muito bem, mais um LíderCast, aliás esta temporada 9 aqui está interessante, porque nela eu tenho duas entrevistas de gente que já passou pelo LíderCast. Eu fiz outro dia, eu não sei se vai sair antes ou depois deste aqui, com o Sidnei Oliveira, com o seu novo livro e essa figura que está aqui hoje, a gente se conheceu naquela época, fez um baita programa. Depois a vida levou a gente cada um para um lado, ele botou os artigos no Portal Café Brasil e eu acompanhei de longe e vi o bicho, ah, cara e ele volta aqui com uma ideia tão maluca, mas tão maluca que faz todo o sentido. Quando a gente conversou aquela vez, eu terminei o papo com ele, a primeira vez que nós gravamos, eu falei cara, esse cara, precisamos dar um jeito de botar tudo isso em prática. Ele está tentando, então eu vou fazer as três perguntas fundamentais, que são as únicas que você não pode desviar do assunto: seu nome, sua idade e o que você faz?

Paulo: Muito bem, quem está falando com vocês é o Paulo Rabello, 69 anos e atualmente desempregado, porque eu sou pré-candidato à presidência da república pelo PSC, Partido Social Cristão.

Luciano: Então eu vou começar com a mesma pergunta que eu fiz…

Paulo: Luciano, muito obrigado por nos receber aqui na sua casa.

Luciano: Imagina, você é uma figuraça.

Paulo: E com todos os teus muitos e muitos milhares de ouvintes…

Luciano: Que vão curtir esse programa.

Paulo: …maravilhados sempre pelos teus programas.

Luciano: Eu vou começar com a mesma pergunta que eu comecei com a Janaína Paschoal, aqui nessa cadeirinha onde você está. Paulo, você é louco, é?

Paulo: É, eu não sei o que ela respondeu, eu acho que sim.

Luciano: Ela falou assim, clinicamente, não.

Paulo: Clinicamente, não. Eu já resolvi aceitar a condição. Louco, louco pelo Brasil, louco pelo nosso país, com certeza. Louco por ver determinados impasses do nosso país superados e resolvido, tudo não, porque a vida ficaria um tédio lá de um país nórdico qualquer. O Brasil vai ter sempre desafios durante longos anos, aliás nós temos que deixar para as nossas próximas gerações algum serviço, mas é que está muito travado demais, Luciano e já falávamos disso quando aqui viemos, a coisa só fez piorar. Ultimamente deu uma estabilizada, mas o louco aqui acha que pode dar uma contribuição realmente maior do que já deu no IBGE e no BNDES, por onde eu passei justamente aí nesse interregno e acho que estamos, vamos dizer assim, com o nosso pensamento sobre o Brasil e o que o Brasil pode vir a ser amadurecido, tanto quanto o próprio país, hoje ele está pedindo, está quase suplicando que nos deem uma chance de melhorar, fazer melhor e voltarmos a ter a autoestima que nós perdemos em algum lugar aí na trilha.

Luciano: Você, a tua carreira não estava envolvida na política, você nunca foi político de voto, de eleição e tudo o mais, foi?

Paulo: Me lembraram outro dia que eu ganhei a primeira, a minha primeira, talvez única parada eleitoral no Grêmio Estudantil do Colégio Santo Inácio.

Luciano: Bom, é assim que começa, cara, é assim que começa.

Paulo: Mas depois houve um longo interregno, porque isso devia ser aos 16, 17 anos de idade, então faz pelo menos uns 50 anos e eu acho que estava na hora mesmo da gente se disponibilizar. Não é que faltasse, vamos dizer, convite, vários partidos me abordaram antes, eu já cisquei ali na grande área em relação ao estado do Rio de Janeiro que, como se vê é um estado que particularmente precisa de uma renovação de quadros, mas eu nunca vi uma situação tão grave de, vamos dizer assim, figurinha repetida como nós temos hoje no quadro nacional. E com isso também eu não quero absolutamente generalizar, porque há bons quadros, mas é preciso agora empolgar. E a gente precisa empolgar com aquilo que o público quer comprar, tem vezes que é época de minissaia, tem vezes que é de saia longa, um pouco do ponto de vista de moda, não é bem analogia, mas o que eu quero dizer é que agora o público pede uma renovação de quadros, eu não quero figurinha repetida, eu gostaria de ter uma figurinha nova, aquelas que dizem os garotos aí que é com brilho, não é isso?

Luciano: Que tem brilho?

Paulo: Figurinha brilhante, uma coisa assim.

Luciano: Há quem diga que a próxima eleição será definida pelos outsiders, não é? Que são as não velhas figuras, mas as figuras novas que vão pintar aí. Olha, eu não vou fazer o background que eu costumo fazer neste programa aqui, porque a gente já fez lá atrás, então se você estiver interessado em conhecer o Paulo, tem um LíderCast lá no começo, não vou me lembrar que número foi (http://www.portalcafebrasil.com.br/lidercast/lidercast-026-paulo-rabelo-de-castro/ ) , mas lá tem a história, ele conta várias coisas ali, dá para conhecer bem o Paulo lá. Aqui eu já vou direto no assunto.

Paulo: Foi isso mesmo, foi uma boa volta ao passado.

Luciano: Foi legal. Você estava no Brasil Eficiente, naquela época.

Paulo: Estava dirigindo o Movimento Brasil Eficiente, embora minha atividade seja a de professor, palestrante, como você, consultor, conselheiro de empresas e também de governo. Você, como fez a pergunta anterior, eu quero esclarecer para quem está nos acompanhando que eu sempre estive junto aos políticos e formulando planos de governo desde Tancredo. Já pensou? Eu era bem novo e já envolvido nessa loucura pelo Brasil, ou seja, dar uma contribuição no plano técnico, no plano técnico-econômico e, óbvio, social também. Nosso primeiro trabalho chamava-se a tríplice dívida brasileira: a dívida interna, a dívida externa e a dívida social. Já havia essa percepção na nossa cabeça, nós tínhamos que superar um passivo, um passivão. Agora, com mais razão, nós temos que superar talvez um outro tipo de dívida, uma dívida com a nossa decepção, nós estamos devendo a nós mesmos virar esse 7 a 1, essa decepção e fazer um grande campeonato.

Luciano: Passamos pela crise do petróleo, passamos pela… agora é a crise moral, nós temos que ultrapassar aqui.

Paulo: É moral.

Luciano: Deixe eu dar mais um pitaco aqui em você. Você, eu me lembro que naquela época, a gente agitou bastante e você inclusive fez um trabalho bastante interessante lá do Brasil Eficiente, lançou uma série de materiais pelas mídias sociais. Eu reproduzi muita coisa que vocês fizeram focado naquela questão de vamos reduzir impostos.

Paulo: Te agradeço muito, porque foi relevante.

Luciano: Vamos reduzir impostos, eu lembro que você tinha uma pegada forte naquilo lá e eu estava muito curioso, assistindo falei cara, esse negócio tem potencial para crescer bastante, por isso é que eu falei bastante a respeito também. E um dia eu recebo com surpresa a notícia de que você foi convidado para assumir nada mais, nada menos do que o BNDES, no momento em que o BNDES estava tomando tomatada, laranjada.

Paulo: É verdade. É verdade.

Luciano: Porque ele estava no centro daquela… ele era um dos polos de que… eu sou um mané, ok? Eu sou só um brasileiro que pago imposto, assisto de fora, não sei direito como as coisas acontecem, não sou muito profundo nisso e de repente eu recebo a notícia que estão usando o meu dinheiro para pagar coisas fora do Brasil, que estão jogando com o meu pobre dinheiro, cara, os caras passando fome aqui. E era o BNDES que era o culpado dessa história toda, não é? Uma ferramenta para uma instrumentalização de poder etc. e tal. E aí meu amigo Paulo cai sentado… o dia que eu recebi a notícia, eu falei meu Deus do céu.

Paulo: É verdade, o desafio não foi pequeno.

Luciano: Olha o tamanho da bomba que esse cara vai pegar. E você ficou, eu não sei quanto tempo ficou, quanto tempo foi?

Paulo: Foram 10 meses e bastante ricos, bastante eficientes em matéria de resultados e bastante também densos em matéria de experiência de setor público.

Luciano: Você sabe que este programa aqui é um programa sobre liderança e empreendedorismo, então eu vou te pegar, não vou te pegar pelo lado político, eu vou te pegar por outro lado aqui.

Paulo: Pega por onde precisar, onde quiser.

Luciano: Paulo, como é que você chega, cara, você chega numa casa que está totalmente bagunçada, cara. E a bagunça do BNDES, evidentemente, vamos poupar tempo aqui, eu sei que lá dentro tem uma baita equipe, tem gente de primeira linha, como em todas as organizações sempre tem, tem o pessoal que está lá há bastante tempo, que veste a camisa e que não tem culpa das confusões que estão acontecendo ali. Mas você chega num lugar, ele está desestabilizado porque tem um problema de uma liderança política que estava à frente lá, ele tem um problema de imagem do lado de fora, as pessoas que dizem, quer dizer, está uma bagunça. E você chega lá e fala bom, eu vim aqui botar ordem na casa. Então qual é a receita, cara? Você quando senta assim, bota um papel branco na tua frente, fala assim como é que eu começo a botar ordem numa casa?

Paulo: Acho que é uma pergunta muito bacana, porque vai para um lado diferente desse de querer julgar ou estigmatizar sem julgar, o que é um pouco pior, uma grande instituição brasileira que estava, por acaso, fazendo 65 anos. Eu daria para você a seguinte resposta essencial, que é válida quando você chega numa empresa e dizem olha, agora você é um cara que vai fazer, o termo é gestão interina, você é que vai fazer a virada, você tem essa responsabilidade de botar a empresa de pé de novo. O dono da empresa te contratou.

Luciano: Só vou botar uma, para você que está ouvindo aqui a gente, o Paulo: recebe o convite do governo Temer. O Temer assume do jeito que todo mundo viu, sabendo que era um mandato-tampão, que tinha dois anos para botar ordem. Quer dizer, não é que você entrou lá com quatro anos de mandato como presidente, não, você entrou no meio do jogo, com tudo virado para virar o… quer dizer, tinha um componente…

Paulo: É, e com um detalhe, o presidente tinha sido delatado, ou tinha sido divulgada aquela fita etc., uma semana antes, que em parte até teria motivado a saída da presidente anterior, Maria Silvia. Então eu fui meio pego de surpresa, porque estava fazendo um bom trabalho lá no IBGE e o que ele precisava naquela tarde era ter alguém de sua estrita confiança e tecnicamente capacitado para substituir Maria Silvia. Portanto, não tinha mais ou menos, nem vou pensar.

Luciano: Você foi surpreendido?

Paulo: Absolutamente.

Luciano: Totalmente surpreendido?

Paulo: Fui convidado numa sexta-feira e na segunda-feira eu já estava, não digo empossado, porque foi na quinta seguinte, mas já estava pensando o BNDES e pensando a outra realidade. Felizmente deu tudo certo, mas eu queria te dizer que a fórmula é a seguinte, não existe substituto para você vestir a camisa da empresa ou da instituição que você representa. Eu acho que uma empresa, uma organização é um conjunto de talentos, de pessoas, antes de ser máquinas ou até uma fórmula, como a da Coca-Cola. Coca-Cola são pessoas que lidam com uma fórmula dentro de uma bebida e assim por diante. Pessoas, pessoas e pessoas. Se você tem vocação para motivar pessoas, faça, vá, aceite o convite. Se aquilo é um assunto que você pensa que é só botar um balanço no lugar, acho que vai errar, porque são as pessoas é que vão fazer o resultado aparecer ou não aparecer. E eu tive a sorte de que já fui provocado pelo Marco Antônio Villa a botar para fora os podres do BNDES. E eu fui atrás porque pediu que se organizasse lá um rigoroso descritivo de tudo o que se faz no BNDES e a maneira como se faz e também inbox eu vou trazer aqui o tal Livro Verde e que trata problemas polêmicos com muita objetividade e franqueza, esses que são citados aí, Venezuela, isso, aquilo. E há muita coisa para ser aprendida, não é bem dentro do BNDES que o malfeito aconteceu.

Luciano: Só uma pausa aqui, você que está ouvindo a gente aqui e não sabe da história, rapidamente, o Paulo, quando foi convidado acho que ele fez uma entrevista telefônica com o Villa, na Jovem Pan.

Paulo: Sim.

Luciano: E se comprometeu, eu vou voltar aqui dentro de…

Paulo: De quarenta e cinco dias, ele me sugeriu dois a três meses e o maluco, já que você me perguntou se eu era louco, eu disse não, quarenta e cinco dias. Claro porque em quarenta e cinco dias…

Luciano: Eu volto aqui e o Villa “você vai vir aqui para entregar todo o podre que estava lá”. E quarenta e cinco dias depois.

Paulo: Eu o desapontei e no quadragésimo-quarto dia eu fui lá, crente que eu ia abafar, porque ele ia verificar que olha, que realmente, ponderando, ah, houve falhas, eventualmente, mas não houve uma fraude conspiratória, não houve ali um apodrecimento do tecido corporativo, porque em alguns casos pode ter havido, não é, pode ter havido em empresas outras, nessa pode ter havido e estão ainda sendo apuradas, diga-se de passagem, ainda estão sendo apuradas no TCU eventuais falhas do servidor A, do servidor B, pouco importa, mas isso pode acontecer. Não era um apodrecimento, porque o apodrecimento é que é a corrupção, aliás, a palavra corruptio, a corrupção, ela é originariamente o conceito de uma perda de substância, um apodrecimento. E aí, isso não houve, ele ficou decepcionado com a entrevista, mas o pessoal de dentro da casa ficou muito reconfortado com a ideia de que aqui temos alguém liderando o nosso processo. A partir daí a gente começa a ter um segundo elemento de uma boa administração, que é comunicação, você veste a camisa, passa a comunicar as metas. E terceiro, tem uma reestruturação, contratamos uma empresa alemã que já tinha feito a reestruturação do banco de desenvolvimento alemão, que hoje é benchmark é um exemplo de bom funcionamento de um banco de desenvolvimento. Eles vieram, deu um prazo apertado e eles já entregaram essa reestruturação, está feita a reestruturação. E motivação, começamos a fazer um BNDES Day com primeiro os chefes, superintendentes e os chefes de departamentos e depois viemos para todo o corpo técnico.

Luciano: Quantas pessoas são?

Paulo: Hoje são duas mil e setecentas pessoas. Eu diria apenas, porque é um banco que lida com muitos e muitos bilhões, mas ele é um banco de um prédio só. E agora, sim, anunciamos estar nos 27 estados, o banco precisa se interiorizar, é nesse sentido que há muita coisa para ser aperfeiçoada, se interiorizar, se democratizar mais em termos do acesso da micro, pequena e média empresa. E essa é a fronteira que nós deixamos já estabelecida e eu espero que este ano acabem de implementar. A terceira ou quarta boa notícia é essa, dá para fazer relativamente rápido e digo é um belo paradigma, uma bela comparação com o nosso país, com o Brasil. Eu espero que a gente possa fazer uma virada no Brasil, uma agenda de superação que em menos de dois anos já coloque todo mundo numa vibe, numa vibração completamente diferente sobre as possibilidades do país e do seu futuro.

Luciano: Então, Paulo, uma coisa, quando você fala dessa eu fiquei interessado nessa reestruturação que você falou lá, você tem, uma coisa é eu assumir uma organização qualquer, onde eu encontro pessoas que estão desmotivadas porque não têm recurso, porque não sabem fazer, porque não são treinadas etc. e tal, então é uma questão de eu arrumar, treinar, botar a pessoa certa no lugar certo, motivá-las e a coisa começa a andar. Teoricamente, e eu vou fazer aquele gesto horroroso das aspas, não tem ninguém jogando contra. Teoricamente está todo mundo, só falta você ajeitar e nós vamos ganhar o jogo. Outra coisa é você pegar um lugar onde tem gente jogando contra, onde tem gente a fim de puxar o tapete, gente a fim de levar o seu, gente a fim de tudo bem se me convém, eu topo qualquer parada, se for bom para mim e aí não tenho freio moral, não tenho nada disso.

Paulo: É verdade.

Luciano: Você encontrou esse tipo de problema no teu caminho lá dentro e que você teve que, deixa eu separar, deixa eu trocar pessoas, deixa eu limpar a área aqui?

Paulo: Teve gente que não tinha um nível de concordância com o nosso ponto de vista, por exemplo, a respeito da nova taxa de juros que o banco iria praticar. Depois até adotamos a TLP, porque ela virou lei, mas teve um grupo que resolveu ir embora, de diretores, um grupo de dois, na realidade, dois e meio, mas isso é uma exclusão que é deliberada, as pessoas se apresentam para pular fora do barco.

Luciano: Sim, o organismo expele.

Paulo: O organismo expele. Isso, para mim, denotava que nós estávamos com força para criar uma nova unidade e isso é muito importante, o líder não pode titubear, ele precisa ter uma agenda e eu aí posso dizer que tive razoável eficiência, porque como até o dia anterior eu não sabia que ia lá para o BNDES, quando a gente chega precisa de um mínimo tempo para fazer um diagnóstico. É diferente da minha proposição, que ainda é uma pré-candidatura, sobre a qual estou pensando há bastante tempo, não como candidatura, mas como Brasil. Eu não tenho essa desculpa que tem para o BNDES em relação ao Brasil. Os projetos estão prontos. Aliás, é o que diferencia a nossa proposição e a nossa disponibilidade em relação a talvez todos os demais candidatos, porque nenhum nem de longe, e aí eu posso fazer realmente um concurso de beleza, mas nem de longe têm o exercício de 40 anos de pensar o Brasil, depois conferidos com a presidência do IBGE, porque eu acho que quem vai para presidir o  IBGE pelo menos passa num teste de vergonha lá, porque se não souber tão bem quanto os estatísticos e os geógrafos a realidade brasileira, e realidade estatística mesmo e geográfica, passa vergonha, sai quase que expelido. E ali foi uma outra história de sucesso que, aliás, quero juntar com a do BNDES. Sob certos aspectos, lá eu tive o desafio de implementar o censo agropecuário, para o qual nunca tinha verba e nós fomos buscar essa verba no Congresso Nacional. Foi uma situação em que também o líder, às vezes, tem que buscar um apoio externo onde dizem que ele não estará. E dizem sempre que o Congresso Nacional não apoia nada que seja do seu interesse, por isso que fico aí coçando a língua para te dizer olha, no IBGE eu tenho um exemplo de um grupo que dizem “não, esse grupo não vai te apoiar, só pensa no seu interesse, é o político, é o deputado, senador”. Não, quando eles são bem levados ali a entender a importância de uma bandeira, se não houver um interesse muito, vamos dizer, malicioso em dar rasteira no líder, aquele grupo, mesmo difícil, ele se junta. Criamos uma frente parlamentar da geografia estatística e meio ambiente que ficou lá e da qual eu participo como membro, agora sim, honorário até hoje, muito carinhoso, com deputados, senadores de todas as colorações político-partidárias, o que também me honra muito. Quer dizer, é possível para determinadas causas criar uma frente ampla, eu vejo que a retomada do crescimento dos empregos e da segurança pública no Brasil constitui uma frente ampla. Não tem que discutir do PT ao partido do Bolsonaro.

Luciano: Sim.

Paulo: Não é? Se a gente vai ou não vai crescer, temos que crescer. A pauta para o crescimento tem que ter um número, 5%. O presidente da república, o governante tem que ser cobrado se atingiu ou não atingiu e por que não atingiu a meta, quais as correções que vai tomar, se atingiu, o que ele vai reforçar.

Luciano: Você está trazendo alguns conceitos interessantes, porque você vem do livre mercado, você vem da empresa privada, você vem da…

Paulo: E ainda quero dizer, ainda estou nele, a alma está ainda livre.

Luciano: Isso e você está num lugar onde tem uma relação profissional que é diferenciada. Eu assino um contrato com você, se eu não cumprir, você me bota para fora. É assim que funciona, eu não cumpro, até logo. Quando você muda de lado e vai para o universo privado, desculpe, público, a coisa muda de figura, já não é assim, você já não tem a flexibilidade que você tem para faça e desfaça etc. e tal. Você já tinha experimentado esse tipo de, quando você saiu da água doce para a água salgada, você já tinha feito esse salto alguma vez, ou foi no IBGE que aconteceu?

Paulo: É bem diferente, mas quero te dar uma boa notícia, pode ser que eu tenha, muita gente sempre me ressalva dizendo, mas você capitaneou duas grandes organizações. Aí o BNDES possa ser grande organização, que eu acho que é, ter uma grande história, IBGE sempre foi muito bem visto no Brasil etc. Diz ah, mas os médicos do SUS não são, o não sei o que não é. Eu tenho minhas desconfianças de que, essa é a boa notícia, somos todos brasileiros e brasileiras, somos todos muito emocionais, um povo capaz de coisas mesquinhas e um povo capaz, se adequadamente motivado, a coisas grandiosas. E quem não está muito a fim porque, vamos dizer assim é mais chato fica quieto, mas há um momento de tomar de assalto o coração das pessoas. Eu vi porque no senso agropecuário eu não tinha verba completa para fazer, convidei aquela grande organização para dar um salto na piscina sem água, ou um salto no escuro, quer dizer, vamos começar a fazer, forçar para completar com a verba que estará no ano que vem. Diz “ah, não, presidente, não dá, no máximo fazer um cadastro”. Eu disse, o que é isso, ou a gente faz ou não faz, aqui não tem cadastro, tem um senso, nós vamos visitar todos os cinco milhões de estabelecimentos. E aí foi preciso, de alguma forma, eu acho que esse, cá entre nós, é o papel de um líder numa empresa, um líder numa família dizer ah, não, gente, nós vamos fazer, sim e não é no chicote. Isso tem que mais uma vez se mostrar que há uma determinação muito forte desse líder, ou seja, que, vamos dizer assim, no mínimo, se a turma quiser embatucar, vai ter um impasse, um impasse grave, porque o líder está disposto a tudo, mas esse disposto a tudo tem que ter um elemento de carinho também, dizer “olha, gente, nós vamos conseguir”. Aí vem a motivação, vem o discurso.

Luciano: Você está falando de disciplina, de regras claras a serem seguidas, disciplina etc. e tal. Tem um componente que o Brasil está completamente enrolado hoje em dia, um componente, a tentação que eu tenho é de dizer para você que é um componente ideológico, mas no fundo, no fundo, não é, cara, porque ideologia aqui é uma bagunça.

Paulo: Concordo com você.

Luciano: Nós já bagunçamos tudo, cara, isso aqui já, direita, esquerda, meio, isso aqui virou uma zona, o Brasil esculhambou com tudo isso aí.

Paulo: Eu costumo dizer que eu não sou nem centro-direita, nem centro-esquerda, eu sou centro avante.

Luciano: É isso aí, é carnavalesco.

Paulo: Eu sou centro avante porque acho que a gente tem que ir é para a frente e com os elementos, vamos dizer assim, de valorização do indivíduo, que são às vezes associados à direita, quando o cara quer pegar uma arma e ele mesmo resolver se defender, é uma atitude mais de direita, porque é o indivíduo que se protege. Quando a gente apela para o coletivo, diz que é mais de esquerda, vamos desenvolver a titulação da propriedade nas favelas, nas comunidades, que é um grande trabalho que nós fizemos lá no Rio de Janeiro, estamos trazendo para São Paulo e vamos divulgar para o Brasil. Isso associam à esquerda, mas não é, esses elementos, todos os dois se cruzam. Eu não posso ficar dando tiro na rua, como essa PM, que aliás deu e, infelizmente muito bem dado, porque havia ali um risco para ela, inclusive.

Luciano: Havia dois riscos ali, e o risco dele descobrir que ela era policial e matá-la na frente de todo mundo e ela reagir, como reagiu e…

Paulo: Exatamente, mas o que caiu ali, o que eu quero saber é o elemento de esquerda que tem naquele episódio de direita, que foi a bela, a eficiente reação da PM à paisana, foi que ali tombou um garoto que compõe a estatística do jovem pardo que não estuda nem trabalha, que já foi aliciado pelo tráfico ou pelo banditismo em geral, que foi realizar um ganho e ali tombou. E se nós continuarmos fazendo-os tombar e até que a polícia fardada os mate, quantas centenas de milhares nós vamos matar mais? O presidente do IBGE, que está aqui na tua frente pode te dar a estatística alarmante, morrem entre quatro a cinco vezes mais jovens do sexo masculino nessa faixa de idade do que mulheres, do que jovens do sexo feminino. Ou seja, nós estamos hoje, e a gente quando bota isso quadriculado numa curva, a gente verifica que tem quase que uma quebra da estatística do jovem nessa faixa de idade, porque é quase um genocídio que já está sendo produzido. E aí, obviamente, o coletivo é dizer primeiro eu não posso só armar a população, pelo contrário, eu tenho que ter um grande projeto, como teremos na nossa agenda de vinte metas, que é um centro de educação para o trabalho, para tentar resgatar quantos jovens a gente puder para o mundo do trabalho.

Luciano: Que são as coisas funcionando ao mesmo tempo. Eu adoraria discutir com você essa estatística se você me trouxesse a estatística de quem mata esses moleques aí. Quando me traz a estatística da vítima, eu quero ver quem é que mata, quem os mata. E aí, quando a gente cruzar as duas estatísticas, talvez venha uma surpresa, sabe, é tudo muito parecido ali, mas não é esse o ponto aqui.

Paulo: Não, mas tem a guerra entre gangues…

Luciano: Mas você puxou um negócio interessante aí, que é o seguinte, nenhuma dessas pequenas soluções táticas funciona sozinha. Não é aumentando a maioridade penal, ou diminuindo a maioridade penal que eu resolvo. Não é armando todo mundo que eu resolvo. Nada disso aqui sozinho vai resolver o problema, o problema é uma sucessão de coisas.

Paulo: É um conjunto.

Luciano: Que é o que me preocupa e aí eu quero te dar uma cutucada aqui que é o seguinte, cara. Eu fiz aqui algumas entrevistas recentes com algumas pessoas a respeito dessa situação que o Brasil está vivendo e a conclusão que a gente chega é a seguinte, é tanto problema, é tanto problema e tantas frentes que a hora que você olha aquilo, você pô. Minha filha chegou essa semana em casa…

Paulo: É verdade, eu estou rindo porque essa é a sensação.

Luciano: Deixa eu contar, eu tenho um exemplo para você delicioso. Minha filha chegou essa semana em casa, minha mulher tinha feito lá num processador de alimentos, ela fez um suco, bateu um suco qualquer ali, botou e ela foi hospitalizada e deixou o suco, o suco ficou parado ali na cozinha e ninguém viu que o suco estava parado ali, ficou parado lá. Minha filha está em casa, chegou ontem de manhã, acorda de manhã com um barulho – bum – um estouro, o que é isso, cara? Entra na cozinha e aquele negócio explodiu.

Paulo: Fermentou?

Luciano: E tinha suco fermentado esparramado na cozinha inteirinha. Então ela falando para mim, pai, eu olhei aquilo, eu não sabia por onde, eu fiquei paralisada porque eu não tinha ideia de como começar a limpar aquela coisa. E a hora que ela me desenhou aquilo, eu falei cara, é exatamente isso.

Paulo: É o Brasil.

Luciano: É o Brasil.

Paulo: Pronto a explodir.

Luciano: Cara, é muito rolo e aí você, se você se dedica a um desses, olha, tem dez coisas para resolver, se eu não definir as duas ou três principais, eu vou dançar, porque não dá para resolver as dez. Só que quando eu atacar uma das duas ou três todos os outros sete ou oito vão estar no meu pé, dizendo que eu estou me dedicando aquilo não me dedico a isso. “Está vendo, o Paulo não fez, olha aí.” Ninguém olha para o que foi feito e olha para o que não foi feito, não é? Não é problema demais, cara? Como é que você vai se meter numa fria dessa?

Paulo: Bom, nós já fizemos a ressalva de ter combinado, o cara é louco, então estamos tranquilos.

Luciano: Sim, isso é o fundamental.

Paulo: Estamos tranquilos. Número dois, é preciso um pingo de criatividade. E para manter a analogia até onde ela pode ser conduzida, porque o Brasil não é um suco precisamente, mas mantendo a analogia, providência inicial destampar, tirar a tampa. O que eu quero dizer com isso, ao destampar você não fica ali prendendo os gases. Foi isso que provocou a explosão, os gases já vão sendo desprendidos com um pouco mais de naturalidade, pode começar a feder.

Luciano: Certamente.

Paulo: Mas pelo menos você controla melhor o ambiente daquela fermentação. E por aí fica a analogia, mas o destampar significa eu preciso diminuir as tensões graves que existem na sociedade hoje. Eu vou enumerar duas ou três que me parecem onde os problemas mais imediatos estão. O primeiro problema quase um competindo com o outro ali os dois principais problemas é o da própria segurança. Nós estamos a ponto de um ataque de nervos, porque não conseguimos nem ir numa pizzaria e voltar sem temer pela vida. Se nosso filho ou nossa filha se desloca de um ônibus, você fica rezando em casa, se você deixa o seu filho numa comunidade, em casa, não sabe se ele ou ela vão ser aliciados pelo tráfico. Não há pai nem mãe que não tenha uma preocupação tremenda. Aí eu acho que nós temos que ir no cerne do problema. Eu disse que um programa como esse de reeducação para o trabalho nessa faixa de idade, para o jovem que já se perdeu para a educação convencional. Não estou falando do garoto ou da moça que continua ali no primeiro grau, completando o curso ou no segundo, que aí melhor ainda, já está no segundo grau, fica lá e vamos dar reforço para essa educação convencional. Falo do que não estuda nem trabalha, está no perigoso ócio, que é um convite para o aliciamento. Nós temor que ir buscar essa turma, aos milhões. Com isso eu faço dois serviços, um, eu tiro alguém que ia puxar um gatilho para longe da arma e para mais perto do livro e do trabalho de cunho pedagógico e, ao mesmo tempo, dou uma remuneração para ele. Então a sociedade vai melhorar de uma forma, eu diria quase que exponencial. Já houve, em algumas cidades do Brasil, eu sei disso porque hoje o governador Márcio França fez isso enquanto prefeito de São Vicente com belos resultados para os meninos e as meninas e para os resultados contra a criminalidade, porque ela caiu de ponta-cabeça.

Luciano: E o que ele criou lá?

Paulo: Ele criou uma espécie assim de um batalhão de serviço para a cidade.

Luciano: Uma guarda-mirim, uma coisa parecida.

Paulo: Uma espécie de guarda-mirim para o trânsito etc., os meninos se tornaram de uma autoestima, de um orgulho, ganharam uma bicicleta em determinado momento, que era a que eles portavam etc., enfim, um grande trabalho. Era local a dimensão desse trabalho, hoje nós ambicionamos fazer isso numa dimensão nacional e que os governadores de estados e o próprio Márcio já parece que anunciou um programa para cem mil jovens aqui, não sei se vai fazer isso nesse mandato-tampão ou se está bolando isso para um novo mandato para o qual se candidata. O fato é que essa ideia não é uma ideia de um sujeito, ela é destampar a tampa do suco, para ele não explodir. Número dois e não é só esse programa, é um conjunto de programas relativos à segurança, o outro é emprego. Nós precisamos retomar metas de emprego que sejam realmente mais agressivas e isso exige apoiar os micro e pequenos empresários, que são os grandes produtores de postos de trabalho.

Luciano: Você vai lançar um programa chamado Brasil First?

Paulo: É, primeiro o Brasil, meu Brasil primeiro. Aliás, nós deixamos lá pronto no BNDES um banco digital que, sem querer dizer que são os bancos privados que gerenciam os recursos de pequena monta de crédito do BNDES, hoje eles não estejam fazendo um bom serviço, eles normalmente têm um processo de deixar para depois a alocação do recurso do BNDES. Nós queremos passar por cima desse problema e passar a introduzir um mecanismo mais direto de acesso a esse crédito, como aliás já existe, se vocês entrarem lá na página do BNDES, o canal do desenvolvedor. Só que agora, num futuro próximo, espero eu, sem intermediário financeiro. Isso é uma revolução para a qual vão ajudar as tais fintechs, que são, vamos dizer, mecanismos especializados de atuar com o crédito. Nós, ao deixar o BNDES, já deixei cerca de 26 instituições fintech previamente credenciadas, eu só não consegui tirar fotografia, dizer fui eu que fiz. E é bom que outro tire partido disso, não importa, a ideia já está lá. Então crédito para micro e pequeno empresário, ênfase em alguns segmentos, como turismo, que são altamente produtores de postos de trabalho e que não pode ser robotizado, que até agora não inventaram o robô que arruma cama num hotel.

Luciano: O Brasil é vergonhoso, ouvi alguém me falando essa semana que fizeram uma comparação entre Portugal e Brasil e o número de turistas de Portugal era vinte milhões, o Brasil é seis milhões.

Paulo: Essa área é importantíssima. Nós também fizemos muita ênfase, deixamos um programa BNDES Turismo lá e espero que ande muito forte. Terceiro lugar, olhar para os pequenos municípios. No Brasil são 5.570 municípios, dos quais mais de 5.000 municípios, vamos aí excluir 500, não, podemos excluir 5.500, deixando só 70 grandes municípios. A grandíssima maioria são cidades de médio e principalmente de pequeno porte, que precisam de determinados estímulos para áreas como, por exemplo, saneamento, recuperação de mananciais da bacia hidrográfica, que aí pega vários municípios, não é isso? Alguns projetos básicos de equipamentos urbanos e de iluminação pública, tudo isso é altamente gerador de postos de trabalho. Se você junta isso com a microempresa…

Luciano: Mas só acontece se o dinheiro estiver lá.

Paulo: Se o dinheiro estiver lá.

Luciano: Você está propondo uma federalização, de alguma forma?

Paulo: Nós somos profundamente municipalistas e, portanto, esperamos que o municipalismo se dê na federação e, portanto, somos federalistas no sentido de que temos que empoderar os estados e eu espero chamar os governadores de estados, futuros governadores de presidentes, meus presidentes, vai ser uma maneira, às vezes uma palavra empodera. Assim, olha você dirija o seu estado, não fique pensando que o governo federal é que vai salvar a sua pátria, a sua pátria é Sergipe, a sua pátria é Alagoas, a sua pátria é Goiás.

Luciano: Sim, mas o dinheiro tem que estar lá.

Paulo: O dinheiro tem que estar lá para isso…

Luciano: Só deixa eu dar uma pausa aqui, quando a gente fala aqui da federalização, só para quem está ouvindo a gente aqui, tem muita gente que não é da questão, eu vou ser muito simplório aqui, se eu tenho Bauru, com mil problemas para resolver, o dinheiro de Bauru tem que estar em Bauru e não tem que estar em Brasília, esperando uma migalhinha chegar em Bauru, então o dinheiro vai para Bauru, e quem dirige Bauru pega aquele dinheiro e resolve os problemas na hora lá. Então eu não posso depender de pedir para a matriz que me dê um recurso aqui para poder resolver um problema aqui, eu tenho que ter o recurso e resolver ele aqui agora. O que muda completamente o desenho de como é a tributação brasileira dirigida, o dinheiro todo hoje vai para Brasília e de lá ele desce em cascata e aí a gente sabe o que acontece, ele fica no caminho, não é?

Paulo: Exatamente. Ao fazer essa descrição, saiba que a nossa proposta é fazer esse recurso que hoje já é destinado, indiretamente, para o município e também para o estado irá às cinco e meia da tarde, através de um processo automático, pelos meios eletrônicos que hoje são disponíveis no país, e pode ser até uma matriz ali administrada por um IBGE, que também está estruturado para isso e que envia às secretarias de finanças dos estados e dos 5.570 municípios as suas respectivas cotas-parte nesse bolo de arrecadação. E simplifica tudo, porque é um tributo só.

Luciano: Você não está prevendo fazer uma revolução na forma como esses tributos são arrecadados, formatados e distribuídos. A tua revolução é uma revolução tecnológica, onde vai azeitar o caminho e vai fazer com que tudo hoje que leva um mês, dois meses, três meses seja feito num piscar de olhos.

Paulo: Automaticamente.

Luciano: Automaticamente, é isso?

Paulo: Automaticamente.

Luciano: Até porque se você quiser revolucionar…

Luciano: Só que é uma revolução também, Luciano, pelo seguinte porque não precisa ter todas essas categorias tributárias que hoje infernizam.

Luciano: Ah, então está certo, agora você chegou onde eu quero buscar.

Paulo: Não é? O IPI…

Luciano: Você tem um livro escrito a respeito.

Paulo: É, o Movimento Brasil Eficiente, que você mencionou no início da nossa conversa, o que era? Era isso.

Luciano: Você tem um livro, você escreveu um livro a respeito disso, não é?

Paulo: É, estudamos muito.

Luciano: E onde trata exatamente dessa questão, você falou, é um manicômio tributário brasileiro, não é?

Paulo: Isso, você lembrou bem.

Luciano: Nós temos um manicômio tributário que torna a nossa vida um inferno.

Paulo: Nós moramos dentro do hospício.

Luciano: Eu sou assim, pior do que ser atleta brasileiro é ser empreendedor brasileiro, porque o atleta agora está descobrindo que além de ter assédio sexual, ele ainda corre o risco de perder o patrocínio, então quer dizer, é um terror, cara. E empreendedor brasileiro é pancada para todo lado. Um dos problemas sérios para nós é esse manicômio tributário, quer dizer, eu não tenho a menor ideia de quanto vai me custar eu trabalhar esse mês e eu só vou saber quando terminar o mês e passar o risco lá, de tanto que vem tributo para todo lado lá.

Paulo: É, essa falta de previsibilidade…

Luciano: Esse é um ponto.

Paulo: …é um dos aspectos que tornam o Brasil economicamente inviável, mas de modo artificial, se tirar a tampa, vai começar a controlar o ambiente. Nós estamos fazendo aí numeração, portanto nos fomos lá da criação de empregos, nós acabamos chegando…

Luciano: Certo, você começou por segurança.

Paulo: …na redução de categorias de impostos e eventual redução também da carga tributária, então já estamos viabilizando aí alguns milhões de empregos, vai botando na contabilidade e reduzindo aquilo que parecia ser um problema intratável. E aí o que nós fizemos, nós estabelecemos prioridade-meta, que são emprego e tranquilidade, porque num ambiente de insegurança pública metade da sua inteligência, da sua capacidade de trabalhar, de se concentrar, de ter foco já se foi. Até a capacidade de uma criança estudar numa favela é reduzida, toda hora tem um tiroteio, tem uma coisa e é documentado que elas perdem essa capacidade de aprendizado e depois são estigmatizadas como sendo crianças que são burrinhas, não tem nada daquilo. Elas ficam marcadas.

Luciano: Tem uma explicação biológica para isso que é uma delícia, que tem a ver com o teu, com o lagarto que mora no teu cérebro aí, você tem um circuito de prazer e tem um circuito da ameaça. Se eu vivo minha vida com o circuito da ameaça ativo vinte e quatro horas por dia, não sobra espaço para nada, cara, não sobra mais nada. O circuito do prazer jamais vai ter espaço ali, que é aquele que me dá criatividade, que me impulsiona a fazer as coisas, é que eu estou o dia inteiro ligado e eu queria botar um pedacinho aqui, porque eu ia falar para você que eu estou botando o programa no ar, onde eu falo dessa questão da biologia política e explicou essas duas visões. Tem gente que, você volta para a pré-história, tem o homem das cavernas que está preocupado com tigre-de-dentes-de-sabre e depois ele vai pegar a maçã. E tem o homem das cavernas que está preocupado em pegar a maçã e depois vai ver o tigre-de-dentes-de-sabre. Esse que está preocupado com o tigre-de-dentes-de-sabre, ele quer se armar, ele quer dinheiro para o exército, ele não quer abrir fronteira. O outro, que quer a maçã, ele quer todo mundo abraçado, todo mundo ajudando. São as duas visões biológicas do mundo que, cada uma do seu lado está certa, mas que explica esses choques que nós temos aqui o tempo todo.

Paulo: É, mas a grande maioria tem que estar preocupada em produzir maçã mesmo, produzir e consumir maçã.

Luciano: Mas deixa eu te provocar uma coisa, eu quero te provocar uma coisa aqui. Você falou que vai abrir a panela, vai abrir a tampa.

Paulo: Abrir a tampa da panela.

Luciano: Está cheio de neguinho segurando a tampa, que não vai querer te deixar abrir, por questões biológicas, por questões de ciúme, está bom para mim, tem ciúme. Tem biologia, tem ciúme, tem o está bom para mim assim, eu estou ganhando aqui, por que vai mexer nesse negócio?

Paulo: É verdade, algumas minorias são hoje usufrutuárias da desgraça da maioria. E a maioria que será uma maioria no voto, porque essa nossa agenda do Programa de Vinte Metas, tal como o do Juscelino, que foi o Programa de Trinta Metas, esse Programa de Vinte Metas vai dar certo, se ele tiver o suporte de uma maioria de votos, eu espero que tenhamos. Agora, no dia seguinte, ela fica difusa, não tem, não posso encontrar essa maioria em nenhum lugar. Nesse momento, a questão das coalisões com partidos políticos e esse contato permanente do líder com a massa, a gente fala massa, mas com a população, conversando permanentemente, deixando transparente o dia a dia, o mês a mês da produção de resultados, tudo isso é extremamente importante, mas nada vai ser tão importante quanto um dinheirinho a mais pingando no bolso de cada cidadão e as pessoas tendo a percepção de que o dinheiro está rendendo um pouco mais para chegar até o fim do mês.

Luciano: Eu vejo duas imagens, quando você comigo aqui. A primeira imagem, quando a gente começou a conversar é Dom Quixote em cima do Rocinante, com Sancho Pança ao lado, os três vão enfrentar e eles precisam do exército enfrentar e de repente eu descubro que o exército é o exército de Brancaleone. Quer dizer, você que está ouvindo a gente aqui e não sabe do que eu estou falando, vai para o Google procurar. Então eu tenho Dom Quixote à frente do exército de Brancaleone, que vai combater aqueles monstros pavorosos que estão lá. Você conhece, você circulou ali dentro, você sabe que o bicho pega para valer, porque tem milhares de interesses que têm que ser resolvidos ali. E tem duas formas de resolver esses interesses que é ou na política, ou na porrada. Você não vai fazer na porrada, tem que ser na política.

Paulo: Não, nós temos uma vocação…

Luciano: Política.

Paulo: …e um destino que é a representação democrática do poder, não há um segundo tipo de vínculo.

Luciano: Então eu vou te dar a cena, você desceu do Rocinante, está com armas na mão e precisa atacar aquele monstro, que é o moinho que está do outro lado e no meio do caminho tem um campo de lama, todo enlameado, cara, aquilo é terrível, você vai ter que chegar lá do outro lado e vai sujar o pé, cara.

Paulo: É verdade.

Luciano: Vai sujar o pé, bicho. Como é que faz para chegar do outro lado sem sujar o pé? Por favor, não entenda sujar o pé como é ser…

Paulo: Primeiro eu vou tentar não desmontar do Rocinante e ali o Rocinante sapateia ali.

Luciano: Você entendeu, o sujar o pé que eu quero dizer não é eu vou me tornar bandido, como os bandidos. É o seguinte, não tem como atravessar.

Paulo: Tem que cruzar a lama, não é?

Luciano: Tem que cruzar a lama e você sabe que é assim, sabe que no jogo político você vai ter que se aliar a coisas que, eu vou ter que dar o meu cachorro para um cara que eu não confio muito levar para passear, cara, mas não tem alternativa, ele vai ter que levar o meu cachorro. Como é que é isso? Como é que você faz para engolir esse sapo, para dar um sorrisinho na frente?

Paulo: Uma coisa, Luciano, eu acho que o assunto não é tão radical assim porque nós temos um programa a cumprir e a gente não pode nem por um minuto se descolar do programa, nós somos o programa e temos que ter mais do que o Sancho Pança nos acompanhando. Nós temos que ter mais um dream team, como se diz, um grande grupo, estamos já montando um time de trinta especialistas, nem todos vão ter eventualmente cargos, mas representarão um novo pensamento dominante, a imprensa vai se pautar por ideias boas, ideias positivas.

Luciano: Você está montando isso ou você já tem um time?

Paulo: Já temos.

Luciano: Você já tem um time trabalhando?

Paulo: Estamos montando no sentido de que estão agora se reunindo e se enxergando como um time. E isso é muito importante, talvez seja o time mais bacana que tem aí entre os vários possíveis candidatos. Isso fruto de um conhecimento que nós temos dos especialistas setoriais na área de energia, de agricultura. Vou citar, por exemplo, alguém nada menos como o ex-ministro e é um ícone, o ministro Alysson Paulinelli na agricultura, um homem que está estudando os biomas, um homem com mais de 80 anos e que continua vivo, mas também um Roberto Rodrigues, ex-ministro também e mais na linha técnica um Ivan Vedequin, um José Luiz Tejon, que também é da área do marketing rural. Ou seja, só na área do agro a gente tem um conjunto sensacional de pessoas que pode dizer, imediatamente, que já estão acionadas, pensando como vamos atingir 300 milhões de toneladas de grãos, ou seja, para sair um pouco também do social e dar o molho desse fazer. Até 2022, nós devemos sair daí da faixa dos 230 para 300 milhões de toneladas de grãos. Vamos precisar de mais estradas, ferrovias. A ferrovia, tão abandonada, ela precisa de fato ser retomada, não é de um dia para outro, mas se ao final da administração as primeiras ferrovias estiverem sendo inauguradas isso já é um negócio espetacular, que hoje elas estão, como a Transnordestina, abandonadas, ou nem começadas a realizar.

Luciano: Como diria um bom paulista, oh, meu, isso dá trilhão, heim.

Paulo: Não, não dá trilhão, não.

Luciano: Isso dá trilhão.

Paulo: Dá trilhão, não.

Luciano: Como é que é?

Paulo: É tudo muito mais barato do que a quantidade de juros que hoje nós pagamos só para rolar a dívida interna. Aí voltamos para o campo financeiro, eu vou resumir com uma frase meio pretensiosa, eu sei onde o dinheiro está.

Luciano: Me conta, me conta, não esconde.

Paulo: Dinheiro está sendo meio que desperdiçado hoje numa voragem de pagamentos como se fosse assim uma propina que você paga, não para A ou para B, mas para o sistema do desperdício. Essa é a pior propina de todas, você paga ela legalmente, porque o mercado financeiro diz “olha, não confio em ti, quero um ágio”, não é? Hoje a taxa de juro básica até está meio baixa, mas a taxa para todo mundo que não seja o governo federal continua alta.

Luciano: Deixa eu te dar um exemplo pessoal, que é imbatível. Quando você começa a falar isso, para explicar para as pessoas eu dou um exemplo pessoal. Eu comprei apartamento e fiz o financiamento do apartamento fazendo uma jogada, eu financio o apartamento, vendo minha casa, pegou o dinheiro da casa, liquido o financiamento, então eu posso fazer o financiamento do jeito que eu quiser em 30 anos que não tem problema, eu não vou ficar com ele e liquido um pelo outro.

Paulo: Vai liquidar antecipadamente.

Luciano: Bom, fiz tudo certinho, não consigo vender a casa há 3 anos, está lá o financiamento e eu pago todo mês uma parcela. Então vamos lá, eu vou te dar números reais que exemplificam isso que você falou. Eu pago todo mês, grosseiramente, 10 mil reais a parcela.

Paulo: É salgado.

Luciano: Desses 10 mil reais, 3 mil, abate da dívida, 3 mil é o seguro, porque eu tenho 60 anos de idade, já deu aqui 6 e 4 mil é juro que fica no meio do caminho. Então, dos 10 mil que eu paguei, só 3 diminuiu minha dívida.

Paulo: 30% é abatimento.

Luciano: Os outros 7 morrem no sistema, primeiro porque eu posso morrer e o sistema tem que se garantir e ter um seguro, segundo porque tem um juro que vai lá.

Paulo: Deixa eu defender só aqui, juro é necessário porque ele te garante alguma coisa e juro é importante também porque dinheiro não é relógio, dinheiro gosta de ser remunerado. Agora o problema é o custo disso, é tudo muito elevado, muito alto, muito salgado.

Luciano: Mas o que eu quero colocar com você é o seguinte, sai do meu bolso 10 mil e apenas 3 são utilizados para liquidar minha dívida, o resto fica no caminho. Pega isso aqui agora, vamos extrapolar para o Brasil. Quando a gente começa a falar Brasil são bilhões, trilhões e se você olhar que tem uma coisa muito parecida, metade desse dinheiro todo que sai do nosso bolso é utilizado para pagar esses tais juros, para pagar esse seguro, para pagar essa coisa toda e não se transforma em dinheiro para executar, ou para comprar, ou para pagar, ou para construir, ou para infraestrutura e tudo o mais, não é?

Paulo: Com certeza. Essa é a desgraça brasileira vista pelo lado financeiro. Essa é a tampa do suco.

Luciano: Então, mas isso é um desenho antigo, já tem o que, 40, 50 anos, isso é um crescendo que já tem por aí.

Paulo: É um crescendo. Em alguns momentos você pensa que resolveu, não resolveu. E em outros momentos, como recentemente fica agudo e você pensa que vai morrer daquilo, mas também não é para morrer, aí a turma dá um jeito, dá um aperto, faz você sangrar como contribuinte um pouco mais e a vida não se modifica de forma radical. Só vai se modificar quando nós tivermos esse grande ogro, que é o novo nome de um monstro, o ogro estatal, aí falando a parte negativa do governo…

Luciano: Com a sua mão peluda.

Paulo: …com a sua mão peluda, tomando conta de tudo, dominado e posto de volta para uma jaula e acabou a analogia, porque o governo também não é só um monstro, ele produz, é que hoje ele está monstrificado, por assim dizer.

Luciano: Deixa eu usar minha ignorância agora de vítima desse sistema.

Paulo: Eu quero te dar uma estatística depois, para matar.

Luciano: A minha ignorância, de novo, como vítima desse sistema, você assume e estamos arrumando o Banco Central acerta aqui e o Banco Central joga os juros num patamar mais baixo dos últimos 30 anos, sei lá o que. E o meu juro, do meu cheque especial continua lá em cima, meu cartão de crédito é um absurdo e eu não consigo ver nada acontecer, porque na ponta que bate diretamente em mim nada acontece, ou seja, tem uma rede bancária gigantesca segurando a tampa que você tentou abrir. O estado tentou jogar para baixo e a tampa não abre, porque tem gente segurando lá e continua o juro lá em cima etc. e tal. Como é que você desfaz essa, porque isso aqui não é só simplesmente fulano baixa e sobe, não é isso, cara, tem política, tem…

Paulo: Mas tem principalmente o ogro. O ogro ficou muito grande e cabeludo demais. Vou dar o exemplo numérico que eu disse que ia te dar, justamente para ilustrar a tua pergunta. E faço uma contra pergunta didática, só para você pensar e quem está nos ouvindo também dar um chute lá assim, pensando para si mesmo. De um total de 100, considerando que 100 é o total de todo o crédito bancário disponível no sistema financeiro para emprestar para governos, setor público de modo geral versus no outro ponta setor privado, aí vai incluir empresas e as pessoas, as famílias, os indivíduos, crédito direto ao consumidor etc., bota em dois grupos, separa esse 100 na sua cabeça em dois montes. Quanto que fica dos 100 para setor público, para financiar governos e quanto que fica para a sociedade que produz, que paga conta, enfim para lubrificar a máquina privada e produtiva concreta?

Luciano: Você quer que eu chute?

Paulo: Chuta e cada um está pensando aí.

Luciano: 70%, 30%.

Paulo: Vai chutar bem, por isso que você é o Luciano. É muito bom. O professor Carlos Antônio Rocca, do Centro de Estudos de Mercado de Capitais CEMEC acaba de divulgar os dados que vêm piorando a cada ano e ele fechou 2017, 72%. Você errou por dois pontos percentuais, não é erro, está na margem de erro. Maravilhosa, a tua intuição realmente é boa, mas creio que você apertou bem o número, você já sabia que o setor público tinha que ser o negócio anormalmente grande, não é?

Luciano: Eu usei Pareto aí.

Paulo: Não é mesmo? Você chutou muito bem, porque normalmente alguém, eu já testei várias vezes, quando está mais desavisado diz ah, meio a meio, ou 40%, 60%. Por quê? Porque de fato 72% a 28%, isso não faz sentido nenhum. Se você parar para pensar, mas como é que é possível? Quem devia estar servindo ao setor privado é o setor governo, ele é o setor importante, essencial, ele é o que dirige a coletividade, mas ele é auxiliar da coletividade. A coletividade é a empresa e a família, é a micro, pequena, média empresa e até a grande empresa. Fica com 28% de um bolo que é de 100? Não faz sentido. Aí então nós temos que realmente, o ogro, que são esses 72%, ele tem de dar uma diminuída na sua influência no mercado de crédito. O governo muito endividado, ele está sempre indo buscar o próximo crédito. Praticamente, nos últimos anos não teve crédito na margem para o setor privado, principalmente para micro e pequena e média, até o ano passado eu alertei o Presidente Temer sobre isso, nós estávamos destruindo o crédito para pessoa jurídica, você sabia disso?

Luciano: Não.

Paulo: O crédito estava caindo na faixa de 6, 7 bilhões por mês. Vou repetir, porque não faz sentido. Se eu falo assim em agosto do ano passado era X, 1 trilhão e não sei o que, porque é muito dinheiro, no outro tem 7 bilhões a menos, na média, no outro 6 bilhões a menos, no outro 7 bilhões a menos, no outro mês.

Luciano: Para onde estava indo esse dinheiro que estava saindo daí?

Paulo: Fundamentalmente para a tesouraria dos bancos e para o financiamento do setor público. Quando a gente ouve que o setor público faz um déficit que eles chamam primário, é um nome bonito, ninguém entende nada, quer dizer é um déficit de caixa, é um déficit que você nem ainda começou a pagar os juro seu de setor governo e já está gastando mais do que arrecada e fica deixando para o ano seguinte esse ajuste, porque por mil motivos, e aí estou dando razão para você, ninguém tem coragem de fazer o enfrentamento e dizer não, vamos selecionar por ordem de prioridade o que nós vamos pagar primeiro. Óbvio que na lista vão estar as pequenas aposentadorias, a questão social, tem uma série de coisas que têm prioridade que vão sofrer obviamente uma revisão de eficiência no gasto. Só na parte de saúde tem aí, dizem os especialistas que estão trabalhando conosco, se trabalhar direito, uns 20% de economia no setor saúde.

Luciano: Só arrumando processos e…

Paulo: Entre desperdícios, desvios, desvios fortes, ausência ao serviço por quem devia estar lá. Então se somar tudo é 20%, mas ninguém vai gastar menos na saúde, nós vamos fazer 20% mais com aquele mesmo recurso, então tudo vai começar a trabalhar…

Luciano: Você está pregando o Brasil eficiente.

Paulo: Mas não tem uma fórmula, principalmente para os seus ouvintes chegar aqui dizer olha, eu sou o Paulinho milagreiro, que eu vou fazer um negócio que nunca ninguém fez, eu vou inventar a próxima jabuticaba. Pelo contrário, essa questão do ajuste fiscal foi estudada pelo nosso grupo profundamente, pelos exemplos do Barack Obama, que tinha uma situação que parecia que era também difícil de resolver quando houve a bolha e a grande recessão, ele finalmente, demorou uns 3 anos para ele encarar, ele chegou e foi eleito, entrou em 2009, no início daquela confusão geral, ele não conseguiu aprovar no primeiro ano, no segundo ano, no terceiro para quarto ano ele bateu na mesa, já foi 2012 e quando ele, aí ele dependeu da reeleição para dizer, não, agora nós vamos fazer o que ele chamou de sequestro. O nome não precisa ser esse aqui, porque é um negócio meio assim.

Luciano: Ainda mais aqui.

Paulo: Mas era o sequestro do gasto. Não, está sequestrado esse gasto, não vai gastar, trancou etc. e olha os Estados Unidos agora, bombando na mão do Trump, que está tirando onda. O ajuste foi feito no período Obama de forma corajosa. Nós não vamos esperar quatro anos, porque aliás acabou, quatro anos é o mandato. Nós temos o benefício de já termos tido o exemplo anterior, só que o Barack Obama copiou da Dona Ângela Merkel, conhece? Grande, poderosa, principalmente inteligente, preparada, Doutora Ângela Merkel, é uma doutora, é uma mulher de grande preparo e que fez isso em 2009. Os alemães são muito rápidos, eficientes, no início da crise a turma já apertou o cinto, 2009, 2010, aprovou cortes exatamente nessa linha de que quem mais precisa vai ter pequenos ajustes, vai dar uma contribuição menor e outros vão ter um ajuste maior. O Presidente da República vai receber o salário dele quando puder. Acho que ninguém vai ficar sem pagamento, sabe por quê? Um pequeno milagre acontece quando você se dispõe a tudo para ajustar. Economia justa antes, o emprego começa a voltar, as pessoas começam a se animar, elas se enchem de ânimo, até você que trabalha aqui quase que autonomamente, de repente diz ah, vou contratar uma secretária para me ajudar nos telefonemas, não sei o que, pronto, é mais um emprego. Isso multiplicado por milhões e milhões de decisões, são mais milhões e milhões de pessoas gastando, arrecadando tributos. De repente aquilo que era um grande aperto se torna uma grande perspectiva. Eu não acredito na tese do sacrifício dramático que alguns candidatos estão prevendo para o primeiro e segundo anos. Eu acho que é dizer com um pouco de estoicismo, que é a palavra que os antigos gregos usavam, a conformidade com a ideia de que vai acontecer e com isso vamos tratar com muitos desses caras que chegam lá para dar uma rasteira, quer dizer amigo…

Luciano: É um transatlântico, não é, Paulo, você não faz uma virada para a direita e para a esquerda num transatlântico, não é? Eu aponto, ele vai fazer uma curva gigantesca, até chegar lá.

Paulo: Isso, com uma visão de longo prazo, porque o nosso trabalho também não cessa em 2022. Nós passamos o bastão e o Brasil tem que aprender a ter planejamento de longo prazo, que há muitos anos não tem. A gente tem que, no fundo, instituir um Brasil que não dependa do Paulo Rabello, porque aí você vai encontrar uma nova dependência, não é esse o caso. Recuperar as instituições políticas, recuperar o valor dos partidos políticos, valorizar as coligações, quando elas são feitas em torno de um programa mínimo. Claro que os interesses paroquiais vão sempre acontecer, não tem problema nenhum, estamos lidando com gente, desde que a gente saiba para onde vai, nosso destino de uma grande nação. Nós perdemos hoje essa noção, vamos recuperá-la.

Luciano: Vamos partir aqui para o nosso, ir caminhando para a nossa reta final aqui. Deixa eu falar um pouquinho para você de campanha.

Paulo: Pré-campanha.

Luciano: Pré-campanha, que pré-campanha nada, é campanha, mas tudo bem, faz de conta que é pré-campanha.

Paulo: A legislação exige que seja apenas uma discussão de interesse nacional.

Luciano: Sim, sim. Você um belo dia fez uma avaliação, falou “acho que dá, acho que eu vou entrar nesse jogo aí, eu vou concorrer etc., eu tenho um partido, eu consigo me juntar no partido” e tudo o mais. Num momento que é único na história do Brasil, porque como essa eleição aqui, nunca teve e eu não sei se vai ter outra igual, porque é um momento de transição, não se tem mais dinheiro, o dinheiro branco do investimento privado não está mais aí na mão. Tem um componente chamado internet no jogo, que vai ter um… eu recebi um estudo hoje que mostrou aqui que se prevê uma influência de 48%, 49% na eleição advinda das mídias sociais. O que é um número gigantesco, isso aí até coloca em questão aquele negócio da televisão, porque tem televisão, isso pode até questionar. Então, esse é um ponto, outro ponto, há um desgaste com relação ao povo dos políticos antigos, do discurso antigo, o pessoal quer o novo, então tem componentes aí que fazem com que essa… eu morro de rir quando eu vejo rádio, televisão e ouço o pessoal não, porque vai acontecer isso, mas cara, ninguém sabe nada do que vai acontecer, é um nó, eu não tenho a menor ideia do que pode se dar para a frente, eu sou incapaz de cantar um segundo turno, eu sou incapaz, eu não sei o que vai acontecer. E você toma uma decisão de entrar nesse nevoeiro, nesse eu não sei o que vai acontecer, tem que ter dinheiro, tem que ter tempo, tem que ter disponibilidade para nego te encher o saco, para hater vir fuçar a tua vida, te encher o saco etc. e tal. Você entra nessa loucura, está começando agora o processo, só que daqui a pouco tempo, serão o que, 45 dias de campanha. Você pega uma pesquisa que aparece agora, você está ali, você, o Amoêdo, a turminha lá do 1%, enquanto tem o grandão com a porcentagem grande. Como é que se mantém? …

Paulo: É difícil até perguntar?

Luciano: É o Noroeste de Bauru entrando em campo para jogar contra o Barcelona. Vamos entrar em campo, quem é, o Barcelona está lá, eu sou o Noroeste de Bauru, nós vamos entrar para ganhar esse jogo. Como é que você mantém o moral dos jogadores, cara, quando você olha para o tamanho do desafio que tem pela frente, o tamanho dos brutamontes que você vai enfrentar, olha para esse teu 1% e fala “vamos”.

Paulo: Paixão, treino e mais paixão. Eu me lembro…

Luciano: Aquela turminha que eu nomeei está envolvida nisso aí?

Paulo: Todo mundo.

Luciano: Aquilo é tudo de paixão, treino e tudo o mais?

Paulo: É paixão é do candidato, do pré-candidato, treino é todo esse planejamento de chegar a ser ouvido, ser reconhecido e ir em programas como o seu, já te agradeço aqui publicamente, mas também a todos que vieram até aqui nos ouvindo, pacientemente, porque são meus queridos ouvintes, os seus ouvidos e eventualmente a sua voz transmitindo isso que vão realizar esse pequeno milagre que é o mais paixão. O mais paixão já não é a minha paixão, mas é a dos meus colaboradores que estão ali, todos trabalhando graciosamente, porque acreditam que é o momento de pegar junto para uma agenda de superação, que é esse Programa de Vinte Metas e paixão, mais paixão e mais, obviamente, vamos dizer assim, a preocupação que o país todo tem, como acho que nunca teve, de não errar de novo, buscar um misto de renovação com experiência. Então não é o novo pelo novo, é realmente um partido e principalmente um programa ancorado…

Luciano: Você não está fazendo uma ironia com esse novo pelo novo, não, não é?

Paulo: Não, porque o Novo por acaso é o partido onde, inclusive, eu estava, portanto eu tenho uma simpatia conceitual, mas ele ainda não representa o corte, vamos dizer assim, um corte transversal da população brasileira. Aí se trouxer aqui o candidato que está pelo Novo, quer dizer, ele vai ter que… que ele está mais para Ipanema, Leblon e Faria Lima do que para favela do Cantagalo, Pavão Pavãozinho e Paraisópolis. Eu estou para Paraisópolis, Pavão Pavãozinho e Cantagalo e falo isso com muita honra, porque eu tenho que representar o povo brasileiro, que a gente chama de povão. O meu partido representa também isso, uma cota de evangélicos que ele tem, assim como de católicos, como eu sou e que defende a questão da prevalência da família e eu acho que é a célula fundamental de como se organiza a sociedade e a vida, são elementos que estão na cabeça de todos do povão, o povão quer essa tranquilidade para ter a sua organização social bem estabelecida, tranquilidade e muito trabalho pela frente. Como a gente vai fazer essa transmissão é realmente no passo a passo e no gol nos últimos 45 segundos, não é nem dias, porque às vezes é assim que se ganha o jogo. E como você disse que essa corrida é especialíssima, eu vou, em um minuto já te dizer como é que ela surgiu. Ela surgiu não por mim, por isso deixei você falar, mas eu não tinha um partido, muito menos uma candidatura, eu estava lá no IBGE, fazendo o trabalho de preparar o senso agropecuário, quando fui procurado pelo pastor Everaldo, que concorreu presidencialmente em 2014, ou seja, você vê que é um partido peitudo, porque mesmo não sendo de grande porte, ele foi se apresentar lá ao William Bonner, ou seja, foi até o final na corrida eleitoral, não esteve lá apenas para negociar coligações, ele tinha uma bandeira para mostrar. Óbvio que eu venho agora com uma abordagem talvez mais encorpada, muito mais enriquecida.

Luciano: Espera aí.

Paulo: Diga.

Luciano: Se você foi procurado quando você estava no IBGE.

Paulo: IBGE.

Luciano: E quando você assumiu o BNDES você já tinha na cabeça uma ideia de que…

Paulo: Já estava lá a ideia, mas era uma mera ideia. Como eu fui para lá, como já contei aqui também, por uma coincidência da sorte ou do azar, eu acho que foi da sorte, porque foi uma bela segunda experiência e aí juntou a experiência estatística, geográfica com a financeira. Eu acho que, para quem duvidasse que o Paulo Rabello, sendo professor de pós-graduação, consultor de muitas empresas, 40 anos de trabalhos, até na Revista Conjuntura Econômica, da Fundação Getúlio Vargas, aluno de mestres de prêmios Nobel de economia, mas nunca foi para o governo. Aí teria sempre aquela dúvida, será que ele no governo não vai ser temperamental, não vai ser impaciente, não vai ficar nervoso porque aperta o botão e nada acontece? Não, a gente já teve um pouco agora de calo para lidar com toda essa maneira diferente de ser do setor público, como discutimos aqui, estamos muito otimistas de que haverá respostas sensacionais do setor público, até porque vão se colocar metas para serem cumpridas e a gente sabe que o povo tem, parece que eles têm um radar, a pessoa mais simples parece que tem um radar na hora certa de procurar entre aqueles que já ficam lá 3 ou 4, no máximo, qual ou quais os que têm capacidade de efetiva renovação do quadro nacional, sem jogar fora a representação política do país, aproveitando o que há melhor no quadro político, tem muita gente boa, espero que a gente vote em belos nomes para deputados e para senadores. Para governadores, como eu disse, vou precisar de 27 presidentes de estados, todos trabalhando juntos e vamos botar metas, leis de eficiência, que é um programa que eu tenho. Um governo de Goiás já fez uma lei de eficiência motivada por mim, que não era governo, ou melhor, que estava no BNDES e que apenas passei uma ideia. Imagina 27 estados com 27 leis de eficiência de gestão, tal como se faz nas empresas privadas, isso vai melhorar muito. E eu tenho certeza, Luciano, que o radar do público nessa hora vai funcionar, não preciso mais do que uns minutinhos, uns segundinhos de televisão, muita sola de sapato, programas como o seu, que abre uma perspectiva nova de conversa e aí, sim, há uma carência de tempo para um reconhecimento. É preciso e eu reconheço que o público vai casar talvez com uma moça que parece linda, maravilhosa, mas que namorou pouco.

Luciano: Pois é, com Copa do Mundo no meio do caminho.

Paulo: Isso aí é um assunto, se você quer namorar muito, não casa. Quem pensa, não casa, não diz o ditado? E felizmente não é um problema que eu tenho que resolver. Eu só tive que resolver a minha questão, que é conversar com a minha família, porque realmente tem essa questão de a gente ser um pouco, vamos dizer assim, demandado. Mas pode escarafunchar, essa é uma outra coisa boa, pode. Pode me jogar de cabeça para baixo, sacudir.

Luciano: Você sabe que você…

Paulo: Ninguém é perfeito, nem ninguém é santinho, mas dentro do…

Luciano: Eu não ponho a mão no fogo nem por mim, mas eu digo o seguinte, você faz parte daquele, de um núcleo muito pequeno do candidato que quando entrar num debate não vai poder ser chamado de ladrão. São pouquíssimos.

Paulo: É verdade. Eu, aliás, tenho umas características que eu nunca ressalto, porque eu quero pegar um pouco a turma de surpresa, “mas você está falando de previdência aí, mas quantas aposentadorias você tem?” Com 69 eu já podia ter aí de professor, de INSS, mas eu não tenho nenhuma, eu continuo contribuindo.

Luciano: Sim, mas espera aí, se tivesse seria no serviço particular.

Paulo: Particular, do INSS. Mas mesmo assim, de alguma forma, algo sempre me disse que para o sujeito ter moral para dizer, uma moral extra, no caso. Se eu fosse aposentado, atenção pessoal que está aposentado aos 65, é até já a data que se discute hoje para homens, não é isso?

Luciano: Sim.

Paulo: Aos 50, 55 tem gente aposentando legalmente, mas a gente precisa dizer não, as pessoas vão viver mais, elas têm que contribuir mais. Então eu tomei o cuidado, a precaução de continuar estando do lado dos que contribuem, por quê? Porque eu quero um produto previdenciário bom, que faça sentido, que os jovens queiram participar da previdência porque acham que essa ideia é muito boa, ao invés de ser só porque eles participam por ser obrigatório dar aquele dinheiro. Ou seja, é uma mudança radical na maneira da gente fazer as coisas, entendeu? Quisera em cada obra que eu iniciar no futuro eu poder pegar na enxada, como eu gosto, que hoje enxada nem se usa e ir lá fazer junto, entendeu? Mas não é para tirar uma onda do João Doria.

Luciano: Não, não é Doria, não. Do Magalhães Neto, porque ele tentou pegar uma enxada, apareceu em público é gozadíssimo, não sabe nem como segura no cabo daquilo lá.

Paulo: Pois é, não é o meu caso. Ou seja, a gente tem, as pessoas têm que saber, todas elas, que nós estamos juntos e que nós não vamos deixar ninguém para trás. Nós vamos como aquele cachorro lindo, normalmente malhado, que pastoreia a turma toda, que é capaz de juntar todos os carneiros, as ovelhas no campo e é uma cena bonita a preocupação do cão pastor em cuidar daquele rebanho. O povo é mais inteligente que um rebanho, porque o povo tem a autodeterminação, cada um sabe de si, isso já é muito melhor. Mas o papel da liderança é jogar uma luz para onde está o futuro e essa luz a gente joga pelo nosso exemplo. Eu termino se você quiser terminar.

Luciano: Não, tem uma no final.

Paulo: Eu então meio que chego perto dessa nossa bela conversa dizendo que uma coisa, Luciano, eu mais aprendi como pai, na vida familiar e também como filho etc., sempre que deu certo, deu certo pelo exemplo. E nós não chegamos a discutir isso no BNDES, IBGE nem nada, no final do dia eu acho que as pessoas iam comigo depois que percebiam que esse sujeito era o primeiro a chegar e o último a sair. Nem sempre porque eu chegava às 7 horas da manhã, antes de todo mundo, mas a ideia de que esse é o sujeito que, quando todo mundo cansar, ele continua funcionando. Lá no BNDES diziam que eu era impulsionado, tinha lá um nome, nem me lembro mais, me disseram que era o Rayovac. A partir de um determinado momento, eles começaram a achar que eu não parava nunca. Realmente, essa paixão por fazer as coisas acontecer, sem exageros, atenção para quem está nos ouvindo, tem que se divertir, tem que ir para o cinema.

Luciano: Como é que é, você é um work “alcoolic”?

Paulo: Não, não precisa.

Luciano: Olha a piada, era piada, pega a piada. Você também é um work “alcoolic” ou é workaholic?

Paulo: Exatamente. Exatamente.

Luciano: Deixa eu te jogar a última aqui, eu não podia terminar sem botar essa aqui no jogo. A Lava Jato é um destampamento, é um tirar a tampa, como é que você avalia isso que você está vendo, como é que é a tua previsão de que, digamos que você assumiu, o que acontece com, não digo a Lava Jato assim? …

Paulo: É analogia?

Luciano: É analogia.

Paulo: Então vou correr um risco aqui de dizer que não é bem a tampa, nem o destampar, porque ela, por si, não está distensionando, ela está até aumentando a tensão. Eu diria que ela é aquele fermento que a sua mulher deixou lá, um dos ingredientes mais fermentados, não sei se é cenoura ou repolho, alguma coisa que contém algum tipo de gás, mesmo sendo um bom alimento, e é, porque a Lava Jato é essencial, ela é fermentosa, para dizer assim. Ou seja, ela é denunciadora, ela revolve as entranhas da corrupção e, ao mesmo tempo, dela não se pode esperar que ela seja orientadora. Depois que ela denunciou, esgarçou o tecido social, arregaçou tudo, vai costurar, olha, “meu papel como juiz, não é mais esse, eu dei a sentença”, até a execução penal já é com outro juiz, que vai verificar se o preso vai cumprir a sentença até o final. Ela cumpriu o preceito de fermentar e botar para fora, ela botou para fora, está botando para fora, mas…

Luciano: E você está com ela?

Paulo: Com certeza. Aí com as 10 Medidas, obviamente, têm que ser temperadas, porque óbvio que o Ministério Público quando expediu a ideia das 10 Medidas radicalizou.

Luciano: Tinha uma gordura aí. Tinha, sim.

Paulo: É a visão deles. O Congresso Nacional haverá de fazer e digo mais, faço aqui um anúncio, já estamos trabalhando com o professor Ives Gandra e particularmente com o filho dele, que é também jurista e muito importante, o jurista Rogério Gandra, na próxima revisão constitucional, de forma que nós podemos ter uma bela surpresa. Várias das ideias que o público, o grande público gostaria de ter sobre maior rigor nas penas, principalmente de crimes dolosos, o Brasil não pode perder tempo com homicida. O sujeito sai com uma arma na mão e deliberadamente vai matar alguém, não importa quem seja, muito menos sendo uma criança, um idoso, que aí já passa para a maldade suprema. E esse indivíduo tem que passar o resto da vida dele cuidando do serviço financeiro da vítima. A vítima vai ter que receber uma pensão desse indivíduo, que obviamente vai ter que ter uma pena com trabalho. É uma visão ao mesmo tempo pedagógica, acho que inclusive vida na prisão com trabalho deve ser melhor do que a ultrajante situação do ócio, como hoje existe nos cárceres brasileiros, portanto não vejo até como ruim, ela é um direito humano talvez do prisioneiro ele ter uma atividade, essa atividade tem que ser remunerada e depois uma bela percentagem daquela remuneração tem que ir para a família da vítima. Exemplo, mais uma vez, e não só isso, eu estou falando da situação penal, o processo penal, a dissipação de qualquer dúvida sobre o início da pena já ao final da segunda instância, porque aí você pacifica essa questão, que ainda é objeto de controvérsia, não é? A rapidez do processo civil e do processo penal. Na área rural, por exemplo, tornar mais rápida a reintegração de posse de um proprietário rural que, visivelmente, foi invadido, mas que dia seguinte a uma invasão totalmente sem razão de ser, ele é obrigado a ir com a papelada para provar que aquele milho que ele plantou é dele e que a turma que agora se aboletou lá na área dele…

Luciano: Não, vamos eu e o invasor conversar com o juiz para que o juiz possa fazer…

Paulo: E olha vai demorar para sair, porque tem que fazer uma análise social. Isso não está correto. Isso devia ser matéria de decisão sumária e o juiz tinha que mandar alguém, muito rapidamente, verificar de que situação se trata. Há umas ou outras situações em que de fato essa decisão é dúbia. É uma situação rara.

Luciano: Mas isso é uma exceção, você não pode gerenciar pela exceção.

Paulo: Isso. E o juiz vai só dar uma olhada para confirmar, as testemunhas assim “não, o senhor Pedro é o dono aqui desse lugar, ele virou as costas entrou gente aqui”. Pronto, ôpa, saída gente, vamos encontrar o rumo, vamos para o loteamento do governo tal assim, assim. E é preciso não deixar ninguém para trás. É preciso também dar soluções práticas para aquelas pessoas que querem se assentar. Para isso tem que ter plano de governo, por isso vamos embora, vamos fazer, vamos juntos.

Luciano: Se depender do entusiasmo e tudo. É como eu te falei, eu te conheço há um bom tempo, eu sei que você é um… você veio com uma visão técnica, você não veio com uma visão política, a tua visão é técnica.

Paulo: Sem técnica, hoje você não faz nada no mundo moderno.

Luciano: Não e o Brasil abriu mão dessa visão técnica há muito tempo e o resultado disso é o que nós estamos vivendo hoje aqui. Então é um país onde as decisões são tomadas do ponto de vista político e o técnico está lá. Eu vou te dar uma… eu adoro contar essa historinha aqui, cara. Eu fiz um trabalho junto com o Orlando Vilas Boas, que trabalho, um livro que ficou maravilhoso.

Paulo: Grande indigenista brasileiro, heim. Que bacana isso.

Luciano: Convivi com ele assim, de ir na casa dele, a gente conversar junto lá. E ele me contando as histórias. Ele falou, cara…

Paulo: Lá no meu Mato Grosso, eu vou muito a Mato Grosso.

Luciano: …falando dos conflitos indígenas e tudo o mais. Ele falou, olha, eu estou aí, eu sou chamado e eu fui, eu sempre fui, sempre participei lá, até o dia que eu descobri que eu era um bibelô, eu era o técnico utilizado para legitimar as decisões políticas. Os caras me chamavam e me mostravam aqui está o Orlando e, nas minhas costas, assinavam as coisas e eu não tinha nem… aí eu parei, ele falou, eu descobri que eu já não tinha mais nenhuma ascendência.

Paulo: Era parte de um esquemão?

Luciano: Ou seja, o grande… eu ouvi isso dele, ouvi isso dá Paula do basquete, que foi para o Ministério dos Esportes. E a Paula falou, eu fui lá como atleta que tem interesse em fazer e um dia eu descobri que eu era um bibelô, eles me mostravam, o técnico, e tomavam as decisões políticas nas costas. Você vem com o embasamento técnico, então acho que isso já é uma vantagem.

Paulo: E uma esperteza política também, de anos de vida.

Luciano: Esse é o ponto. Eu espero, sinceramente, cara, que você consiga cruzar aquele lamaçal, suje o pé do Rocinante ali, tenta não descer do cavalo.

Paulo: Só não podemos perder o espírito de Dom Quixote.

Luciano: Eu acho que sem sonho não vai.

Paulo: Uma nação vive por causa do sonho dos seus líderes e do sonho do país, da própria nação. Quando nós vamos atrás de um Juscelino para abrir a fronteira oeste do país, fundar uma Brasília tão controversa, mas está lá, entendeu? Tudo isso é o sonho de quem surge para liderar, isso é até bíblico, Moisés. Eu não estou me comparando porque a gente é apenas alguém normal que se propôs, eu acho que você deixou isso muito claro. Eu estava lá, quieto e veio um convite do pastor Everaldo. O que eu posso dizer que é uma disposição que tem mérito é que eu não me furtei e eu espero neste momento todos que estão nos ouvindo façam o que vocês julgarem aí que é possível fazer para debater essas ideias que Luciano e eu aqui discutimos, para que divulguem. Não precisa se encantar no primeiro momento, acho que nem deve, porque nós não podemos, repito, errar de novo e nós precisamos de alguém que não vá apenas para dar um primeiro tiro no leão, lembra? Plano Cruzado, um monte de coisa. Nós temos que ter um plano completo, princípio, meio e fim e o depois, o fim é o começo da nova administração, o início da nossa recuperação e já deixei no BNDES uma visão 2035, aí os técnicos do BNDES já lançaram uma visão, que essa é uma grande missão, por exemplo, de um banco de desenvolvimento, pensar esse futuro. Há anos eles não faziam esse exercício, sabia?

Luciano: Imagino.

Paulo: Está lá feito. O IPEA fez também um outro, acabou de lançar, ou seja, o próprio governo já está pensando mais a longo prazo. É bom.

Luciano: Ora, é o que falta para nós aqui.

Paulo: Só falta praticar. Muito obrigado.

Luciano: Meu caro, vou te dar algumas recomendações agora.

Paulo: Por favor, conselho é bom.

Luciano: Então você está na minha casa, para que eu possa dar recomendação. Primeira recomendação, número um, não perca essa tua capacidade de falar o português que a gente entende. Uma laranja é uma laranja, duas laranjas são duas laranjas, ladrão é ladrão, polícia é polícia. Continue falando uma linguagem que a gente entende, porque de nego falando loucura, a gente está de saco na lua. Então a gente precisa de gente que fale…

Paulo: E depois vira filminho na internet para o povo rir, aí é chato.

Luciano: Exatamente. Não fale assim. Esse é um ponto. Segundo ponto, o calcanhar de Aquiles teu e de qualquer candidato que assumir é uma coisa chamada comunicação.

Paulo: Ela. Ela.

Luciano: Você pode fazer o que você quiser, o que vai puxar o teu tapete vai ser a tua capacidade de se comunicar.

Paulo: Está anotado.

Luciano: E a história do Brasil está repleta de gente que fez coisa maravilhosa e dançou, porque falhou na comunicação, tratou a comunicação como se fosse propaganda e comunicação não é propaganda, é muito mais que isso.

Paulo: Com certeza.

Luciano: Então, cara, bota foco nisso porque é aí que o bicho vai pegar. E quem ganhar esse ano aqui vai ganhar especialmente pela capacidade de se comunicar nesse novo meio aqui, isso que nós estamos fazendo aqui.

Paulo: Na internet.

Luciano: Na internet, sabe, na mídia social.

Paulo: Nas várias mídias, não é?

Luciano: De trazer os influenciadores digitais, quem souber utilizar isso e utilizar a tecnologia digital vai sair na frente, cara e vai te abrir caminho.

Paulo: Vou guardar com muito carinho.

Luciano: Por favor, faça isso.

Paulo: Guardar usando todos esses teus conselhos essenciais. Essencialmente o da comunicação. É preciso comunicar sempre. Obrigado, Luciano. Estamos juntos.

Luciano: Meu caro, obrigado. Bem-vindo. Espero que você volte aqui depois, com a faixa de presidente.

Paulo: Não, antes disso tem mais um debate. Quando a gente for confirmado, no dia 20 de julho já está estabelecida no PSC a convenção. 20 de julho, portanto, ainda provavelmente haverá tempo para a gente fazer uma nova conversa.

Luciano: Maravilha.

Paulo: Já sobre as Vinte Metas.

Luciano: Perfeito.

Paulo: ótimo.

Luciano: Grande abraço. Boa sorte.

Paulo: Obrigadíssimo.

Luciano: Muito bem, aqui termina mais um Líder Cast. A transcrição do programa você encontra no lidercast.com.br. O LíderCast chega a você com o apoio da Albaugh Brasil, que está revolucionando o mercado com uma linha completa de agroquímicos genéricos. Sim, cara, genéricos de qualidade, combinando proteção, rentabilidade ao agricultor e respeito ao meio-ambiente. Conheça soluções Albaugh em bit.ly/escolhainteligente. Para ter acesso a esta temporada completa, assine o Café Brasil Premium no cafebrasilpremium.com.br, um ambiente educacional sem ser chato nem superficial, que já conta com mais de mil assinantes recebendo todo mês conteúdos voltados ao crescimento pessoal e profissional. Conheça, que vale a pena, cafebrasilpremium.com.br.

Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portalcafebrasil.com.br.

Muito bem, deu pra conhecer um pouco do Paulo Rabello de Castro, que tem uma pegada liberal e bastante pragmática. Ele é um dos que teria meu voto, sem pestanejar. Vamos ver como as coisas seguem até as eleições. Logo mais eu lanço o episódio com o João Amoêdo.

É assim, ao som da Melô da Eleição, que eu publiquei lááááá em 2006, que vamos saindo sempre esperançosos.

Com o desconfiado Lalá Moreira na técnica, a horrorizada Ciça Camargo na produção e eu, feliz por ver ideias liberais sendo discutidas para além da caricatura, Luciano Pires na direção e apresentação.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assinou o cafebrasilpremium.com.br.

Você gostou do conteúdo do Café Brasil, hein? Já pensou ele ao vivo na sua empresa? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Olha, quem assiste não esquece!

Para o resumo deste programa e a transcrição desse bate papo, acesse portalcafebrasil.com.br/624.

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Pra terminar, uma frase de Paulo Rabello de Castro:

O BNDES não é babá de empresário.