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622 – O Esfíncter Intelectual

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Luciano Pires -
Download do Programa

Recentemente estouraram escândalos no meio digital com alguns Youtubers perdendo patrocínios por falarem absurdos de todos os níveis, de manifestações de ignorância total sobre história e sociedade a expressões de racismo e intolerância, à discriminação pura e simples. É porcaria pra todo lado, cara. Quando fiz um post no Facebook falando de um Youtuber que perdeu patrocinadores, alguns comentários me acusaram de ser contra a internet, contra jovens que têm liberdade de expressão, etc e tal. Olha! A minha crítica não foi ao Youtuber que fala merda. NÃO! Esse aí pode falar o que quiser cara, tem público pra isso. A internet é território livre. Quem conhece a maioria desses Youtubers diz que são sujeitos legais, educados e atenciosos, que aquilo é só um personagem, que eles têm ótimo caráter. Mas o trabalho deles, o que eles liberam pelo esfíncter mental, leva a crer que eles são outra coisa. Sua reputação é de intolerantes. E é por ela – a reputação – e não pelo caráter, que eles conquistaram milhões de seguidores.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas para complementar aquelas reflexões que o Café Brasil provoca. Baixe gratuitamente em portalcafebrasil.com.br/622.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Davi de Fortaleza.

“Olá Luciano. Aqui é o Davi, eu sou de Fortaleza, sou dentista e cara! Acabei de escutar aqui o Café Brasil 559, Vida de vampiro e tô chegando aqui no meu trabalho, tô chegando aqui no meu consultório e com o coração pesado, sabe? Da mesma forma que eu fiquei quando eu vi o depoimento do Emílio Odebrecht, no dia que ele saiu, naquela sexta feira,  na semana santa, eu não consegui dormir direito.

E eu lembrei que a pouco tempo atrás, coisa de um mês, eu tive a oportunidade, o privilégio de viajar com a minha esposa de férias, pra os Estados Unidos. E a gente passou dez dias lá. E eu comentava com ela, tendo aquela experiência e tal, conhecendo a cidade, vivendo um pouco naquela cidade, dirigindo, como eu estava me sentido indignado assim, como eu estava me sentindo mal. Não por estar lá, não por estar vivendo aquela experiência,  mal pelo Brasil, mas não também pelo sentido de mau porque aqui é ruim.

Mas eu me senti mal, me senti angustiado pelo fato da gente se acostumar com isso, sabe? Pelo fato da gente se acostumar com a sensação de insegurança, se acostumar com tanto roubo, se acostumar com em ser roubado todo dia com impostos e não ter nenhum tipo de retorno digno. E olha que estou falando… eu me sinto um privilegiado, me sinto privilegiado, pela minha profissão, pela educação que eu tive. Mas eu me sinto roubado, sabe? 

Imagine pessoas menos privilegiadas, o quanto que elas não são depenadas todo dia. Então eu me senti mal naquele país, pelo fato de ter me acostumado ao que é errado. Me acostumado a uma rua esburacada, me acostumado a uma educação de péssima qualidade, me acostumado a ter a minha empresa sendo roubada com impostos imorais, sabe?

E aí eu ouvi o Vida de vampiro e fiquei mais uma vez pensando assim… eu sou pai, tenho duas meninas, uma de três e uma de seis anos e fico pensando nas minhas filhas, sabe? No futuro que eu estou construindo pra elas. Não que eu estou construindo que eu pense assim: ah! Elas vão ficar com a minha empresa, vão herdar o que eu tenho, o que eu estou construindo de herança, não é isso. Eu pensei no futuro do Brasil, cara. No futuro do país, o  país que a gente está construindo, sabe? Pras nossas filhas. E a minha tristeza foi pensar que as minhas filhas não vão ver um Brasil melhor. Não vou deixar um Brasil melhor pra elas.

É difícil cara! Tá difícil! Estou emocionado aqui, estou… quando eu penso nas minhas filhas eu me emociono demais, sabe? E te agradeço, cara! Te agradeço por esse programa, te agradeço pela tua missão, te agradeço pela qualidade das reflexões e te agradeço pelo desafio que a gente tem quando escuta o teu programa.

Vamos seguir em frente, vamos continuar trabalhando, continuar batalhando e continuar construindo. Um abraço a todo mundo. Vamos avante!

Grande Davi. Olha! Não fique de coração pesado, meu caro. Nós precisamos ser expostos ao mal para aprender a reconhece-lo e combatê-lo. O . problema é quando esse mal entra em nossas mentes sem ser reconhecido. E você ainda teve a oportunidade de comparar nossa realidade com a de outra sociedade e levantou uma grande lebre, meu caro. Nos acostumamos com o mal e nem percebemos mais que outra realidade é possível. E assim, construir um futuro fica difícil, cara. Valeu a emoção, meu caro. O programa de hoje começa a tocar de leve nessa realidade. Bola pra frente.

Muito bem. O Davi receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino.

Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros é destinada para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Ô Lalá: não é pra fazer piadinha com o programa de hoje. Vai normalzinho, vai.

Na hora do amor

Lalá – Bom. Prudence, oras.

E o Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, continua na missão de ajudar as pessoas a ampliar seus repertórios e refinar sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Como? Oferecendo conteúdo de alta qualidade, numa espécie de MLA – Master Life Administration. Duvida, hein cara?Faz o seguinte então: acesse bit.ly/CafeDeGraca e você poderá experimentar o Premium por um mês inteirinho, sem pagar.

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Abro o programa com um daqueles textos de Rubens Alves, que faz tempo que eu não trago para nosso cafezinho, cara. É bom não ouvir em horário de almoço ou jantar, viu bicho? Porque é meio escatológico, cara. Vamo lá

Melanie Klein é uma famosa psicanalista que teve ideias insólitas. Dentre elas, a sugestão de que nossos processos mentais se parecem com os processos fecais e urinários. A cabeça de todo mundo se parece com os intestinos e os rins: produz fezes, urina e gases fétidos explosivos. Não há exceções. Todo mundo. Crianças, jovens, senhoras, juízes, freiras, cardeais. A educação, à semelhança do que acontece com as crianças, nos ensina a nos livrar desse lado malcheiroso e venenoso dos produtos mentais de maneira própria, nos lugares certos. A gente não deseja que os outros sintam o fedor dos nossos pensamentos.

Mas acontece que certas pessoas não aprenderam a fazer isso. Não conseguem controlar seus esfíncteres mentais. Isso, acrescido do fato de que seus processos mentais produzem excrementos em excesso. A fermentação decorrente eleva a pressão interna a níveis cada vez mais altos e, de repente, sem razão aparente, a coisa explode com grande barulho e fedor: bum! O corpo inteiro se transforma num mecanismo excretor. Saem fezes, urina e gases fétidos por todos os lados: pela fala, pelos olhos, pelo rosto, pelas mãos, pelas pernas. A pessoa se transforma, literalmente, naquilo que ela está expelindo. E não adianta argumentar.

De que me adiantaria dizer a uma pessoa com diarreia, as fezes escorrendo pelas pernas, que ela não deveria estar fazendo aquilo? A força das fezes é maior que a força da razão. Uma pessoa em tal estado ‘parece’ estar falando coisas. Na verdade ela diz coisas: ofensas, mentiras, grosserias, inverdades, obscenidades. Quem ignora os mistérios intestinais da mente pensa que suas palavras exprimem pensamentos. Mas ela não está pensando. Suas palavras não são palavras. São fragmentos de fezes explosivas e jatos de urina envenenada. Daí ser inútil argumentar. Só há uma coisa a fazer: esperar o fim da expulsão dos excrementos mentais.

Passado o vexame das fezes moles e fedorentas escorrendo pelas pernas a pessoa fica aliviada. Aí ela toma um banho, fica limpinha, põe perfume e desodorante e comporta-se como se nada tivesse acontecido. Está feliz. Livrou-se dos seus venenos. Mas o mesmo não acontece com aqueles que foram alvo da explosão. As fezes e urina mentais são diferentes: elas grudam, agarram, igual a Superbonder. Inúteis os processos físicos e químicos de limpeza. Não há banho, sabonete, detergente ou bucha que resolva. Só há um jeito: é preciso digerir tudo! (…)

Mas não há ninguém que goste de comer merda e beber urina, ainda que seja de uma pessoa querida. Faz-se isso por não haver outro jeito. E aí o ódio vai crescendo devagarzinho, devagarzinho… E chega um dia em que o volume e a pressão das fezes e urinas engolidas atingem um ponto tão alto que nenhuma cabeça é capaz de contê-los. Aí acontece a explosão.

E tudo começa de novo…

Eu não disse que o texto era uma porrada, hein cara? Rubem fala do esfíncter intelectual, e ele escreveu isso bem antes das mídias sociais, cara… Para quem não sabe, esfíncter é uma estrutura muscular contrátil formada por fibras circulares concêntricas e lisas, de controle involuntário, com o formato de anel. Ele abre ou fecha orifícios. Existem pelo menos 43 esfíncteres no corpo humano, mas quatro são os mais importantes: o esfíncter pilórico, que faz comunicação entre o estômago e o duodeno, o esfíncter cárdico, que impede que os conteúdos do estômago voltem para o esôfago – o famoso refluxo – o esfíncter urinário, que contém a urina na bexiga. E, por fim, o esfíncter anal, que retém as fezes.

É claro que eu aproveitei o texto do Rubem Alves para criar o termo “esfíncter intelectual”, ele fala em “esfincter mental” que não existe no corpo humano. É uma piada relacionada ao esfíncter anal, seria a incapacidade de controlar as fezes intelectuais…

Voltando ao tema das mídias sociais, elas se tornaram o paraíso dos esfíncteres intelectuais, cara. É lá que vivem os influenciadores digitais, que são efeito colateral da tecnologia que nos deu essa coisa maravilhosa que é a internet livre. Todo mundo tem acesso a plataformas que se transformam em palanques para suas ideias. Sejam elas ideias legais e nutritivas ou então merdas homéricas e destrutivas. Aliás, não só na internet. Olhe o WhatsApp, por exemplo… E nós, os privilegiados que sabemos ler e escrever, experimentamos algo novo. Se antes só tínhamos acesso a ideias através dos filtros dos livros e das mídias, que tinham donos e, portanto, alguma ordenação no que seria publicado, agora nos vemos diante de um mundo da liberdade infinita. Temos acesso a todas as ideias que quisermos. Ou melhor, um algoritmo escolhe nos apresentar as ideias que ele quer. E, de repente, eu me pego perdendo meu tempo lendo ou ouvindo alguém discutir o videoclipe do cantor que, para causar, se veste de mulher e beija outro homem na boca. Ou então o cabelinho fashion do jogador. Ou sobre o caso do homem trans que se diz lésbico e é acusado de estuprador de lésbicas… Cria-se assim um falatório e, se eu piscar meu, consome meu tempo de vida com uma bobagem da qual só tira vantagem quem a criou. Mas agora, cara é assim…

Me solta
Nego do Borel

Pode chegar, pode chegar
Que a festa vai começar
Sabe aonde você tá?
Naquele lugar que tu ouviu falar
Aonde tu senta, aonde tu sobe
Aonde tu desce, aonde tu rebola
Sabe aonde você tá?
É no Baile da Gaiola

Aaai, me solta, porra!

Deixa eu dançar, deixa eu dançar
Deixa eu dançar, deixa eu dançar
Deixa eu dançar, deixa eu dançar
Aaai, me solta, porra!

Deixa eu dançar, deixa eu dançar
Deixa eu dançar, deixa eu dançar
Deixa eu dançar, deixa eu dançar
Calma aí, sai! Me solta, porra!

Pode chegar, pode chegar
Que a festa vai começar
Sabe aonde você tá?
Naquele lugar que tu ouviu falar
Aonde tu senta, aonde tu desce
Aonde tu sobe, aonde tu rebola
Sabe aonde você tá?
É no Baile da Gaiola

Aaai, me solta, porra!
Vai de ladin, de ladin, de ladin, de ladin
De ladin, de ladin, de ladin (me solta, porra!)
Vai de ladin, de ladin, de ladin, de ladin
De ladin, de ladin, de ladin (me solta, porra!)
Vai de ladin, de ladin, de ladin, de ladin
De ladin, de ladin, de ladin
Vai de ladin, de ladin, de ladin, de ladin (me solta, me solta)
De ladin, de ladin, de ladin (me solta, porra!)

Você ouve Nego do Borel com ME SOLTA.

Lalá…. tá bom! Eu não aguento ver a Ciça dançando isso… tira, pelo amor de Deus, cara!

O interessante do esfíncter é que ele não deixa sair, mas também não deixa entrar. Existe gente que não controla seu esfíncter intelectual e despeja fezes, urina e gases fétidos por todos os lados: pela fala, pelos olhos, pelo rosto, pelas mãos, pelas pernas. E existe gente que não controla seu esfíncter intelectual e permite que todo tipo de lixo entre em sua mente. Se todos controlassem seus esfíncteres intelectuais para que a merda não entrasse na mente, os produtores dessas merdas não teriam para onde mandá-las. Não teriam público, sacou?

Mas o que tem de gente com o esfíncter intelectual arrombado, meu… São milhões e milhões, e os vendedores e marqueteiros sabem disso. E veem aí uma grande oportunidade de ganhar uma boa grana.

O texto de abertura deste programa faz parte de um Cafezinho, o meu podcast que envio por WhatsApp, em que eu falei daqueles Youtubers que falam merda e perdem seus patrocínios. Recebi comentários de gente dizendo que eu sou um velho contra a internet, que sou contra os jovens que querem se expressar… Putz… ai que preguiça, cara… Vamos então ao #TutorialParaEntenderOPost, recorrendo ao técnico de basquete norte-americano John Wooden:

“Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação, pois seu caráter é o que você realmente é, enquanto sua reputação é o que outros pensam que você é.”

Eu não critico o Youtuber que fala merda, por falar merda. NÃO! Esse aí pode falar o que quiser, tem quem goste. Como diria Rubem Alves, que liberem seus esfíncteres mentais. Como eu disse, a internet é território livre. É a reputação deles como intolerantes e faladores de merda que fez com que conquistassem milhões de seguidores.

Pronto caiu o disjuntor de que tem mente binária, que só consegue entender oito ou oitenta. Antes que você comece a gritar que eu estou generalizando, que existem caras que distribuem conteúdos legais, que quem sou eu pra dizer o que é merda, olha cara, proponho um exercício. Abra o Youtube aí, clique na aba EM ALTA e me diga o que que tem lá que justifique você gastar 5, 10, 15 minutos de sua vida consumindo. Vai, eu vou deixar um espacinho aqui pra você dar uma pausa e depois voltar, vai?

Entendeu, hein? De novo: é por falar merda, e somente por isso, que aquele influenciador digital conquistou milhões de seguidores, gente disposta a ouvir merda. Entendeu, hein?

Tantos seguidores que surgem as empresas interessadas em se promover por meio deles. Empresas que esqueceram que REPUTAÇÃO é muito mais que exposição nas mídias. Gastam milhões durante anos construindo uma imagem no mercado, adotando práticas sociais, abraçando regras de conduta, adotando políticas inclusivas e tudo aquilo que você conhece. E então o departamento de marketing fecha um patrocínio com um sujeito que ficou famoso pela flexibilidade de seu esfíncter intelectual, pela intolerância, pela capacidade de falar todo tipo de absurdo para uma plateia de seguidores interessados apenas em lacração. Um dia o sujeito passa dos limites. E dá a maior merda. Quando um marqueteiro liga a reputação de sua marca à de um influenciador digital famoso por falar merda, que não me venha depois reclamar que “eu não sabia”. Ou então que “nossa empresa não compactua com qualquer tipo de demonstração de intolerância” … Ah meu! Se não sabia ou é ignorante ou é burro ou irresponsável. Se não for os três.

Os influenciadores, gurus e celebridades que continuem com suas baixarias, eu não tenho nada a ver com isso, cara. Mas que seus patrocinadores não venham com discursinho moralista. Assumam sua responsabilidade por alimentar esses mecanismos excretores. Quem patrocina, alimenta, dá espaço, motiva esses influenciadores de esfíncter intelectual solto, é responsável por esse estado das coisas. Sempre foi assim na televisão, por exemplo, com aqueles programas populares execráveis onde as empresas investiam milhões de reais em propaganda.

Investem nos esfíncteres intelectuais e depois vêm com mimimi sobre “nossas regras de conduta”…

– Ah, vá pra p…

Enquanto tenta sobreviver em meio a essa chuva de merda, quem produz conteúdo que vale a pena tem de continuar na luta, arrebatando seus poucos seguidores e construindo com eles mini comunidades que dão valor a seu tempo de vida. Comunidades de gente que quer ir além da mediocridade, que sabe que existe algo além das ofensas, mentiras, grosserias, inverdades e obscenidades que atraem milhões.

Mas de novo, cada um com sua liberdade de escolha. Quem gosta dessa merda, merece mais merda. Azar de quem estiver por perto.

Que coisa… É. Mas é assim que a vida é.

Tape bem o nariz e siga em frente.

Eu separei WHAT YA WANNA DO, com Ice T, para fazer uma gracinha aqui, mas o Lalá na hora sacou que esse lance de Party Party não veio do Ice T cara, veio de muito antes…

E é assim, ao som de DO YOU WANNA GO PARTY com KC and The Sunshine Band, uma delícia cara, lá de 1979, que vamos caminhando para o final.

Mas por que essa música tá aqui no Café Brasil, hein? Olha! Porque ela foi sampleada, primeiro pelo IceT em 1989, e depois por William e Duda do Borel no final dos anos 90, se transformando num funk de raiz chamado Rap do Borel

Rap do Borel
William
Duda do Borel

Liberdade para todos nós djs (borel)
O demorô pra abalar (borel)
O demorô pra abalar (borel)
O demorô pra abalar (borel)

A-la-la-ôo a-la-la-uê
Chega de ser violento e deixa a paz nascer êê
A-la-la-ôo a-la-la-uê
Para os funkeiros sangue bom somos borel ate morrer

Se liga minha gente no que nos vamos falar
É de um morro tão querido
E as letras vão abalar
Lá no borel amigo é união paz e amor
Depois na comunidade vai dizer pra gente abalou

É o morro mais humilde do bairro tijucão
Por que meus amigos nos somos todos irmão
Lá é como uma familia é gente de montão
No morro e na favela só tem gente sangue bom

Por que meus amigos lá na comunidade
Nós fazemos a festa em troca de amizade
E uma das festa é para os morro sangue bom
Pra poder fazer amizade com os outros irmão

A-la-la-ôo a-la-la-uê
Chega de ser violento e deixa a paz nascer ê ê
A-la-la-ôo a-la-la-uê (hum)
Para os funkeiros sangue bom somos borel até morrer

Agora minha gente
William e duda vai fala
No morro mais humilde o endereço eu vou te dar
É numa rua linda é lá na rua são miguel, nós estamos é falando do morro do borel

Olha meus amigos muitos lá se foi
E isso entristeceu foi muita gente e também nós dois
Foram muitos amigos que foram para o céu
Por isso willian e duda pede a paz pro morro do borel

Viemos cantar pra poder lembrar
Um pouco dos amigos que se foi pra nunca mais voltar
A cor do nosso mundo é azul igual o céu
Em um lugar do mundo está o morro do borel
Não vamos esquecer dos amigos mc
Que no rio de janeiro estão cantando por aí
Garrincha e julinho, danda e tafarel
Ai que bonito gente willian e duda do borel
Olha meus amigos eu vou mandar tbm
Tem o mc mascote e o mc neném

A-la-la-ôo a-la-la-uê
Chega de ser violento e deixa a paz nascer ê ê
A-la-la-ôo a-la-la-uê (hum)
Para os funkeiros sangue bom somos borel até morrer

Massa tijucana escute o que vamos falar
No nome mais bonito que agora vamos citar
Morro do borel, o amor e a mineira,
Nova holanda e vigário, antares e a mangueira,
Engenho e a rainha, cruzada, abolição,
Andarai, rocinha, iriri, é o estadão,
Faz quem quer, faúna, vaz lobo, gardenia azul,
Turano, vila kennedy eu falei foi um por um

Jacaré manguinho, vargem, cidade de deus
Mas cantando esse rap no onibus ele quase desceu
Com a furacao e ninguém quiser parar
A gente escutava eles pedir pro baile nao parar

Lalalaou lalaue
Chega de ser violento e deixa a paz nascer êê
Lalalaooooo lalalaueeee (hum)
Para os funkeiros sangue bom somos borel ate morrer

É assim então, ao som de RAP DO BOREL, com Willian e Duda do Borel, lááááa nos anos 90, quando o funk não era feito só pra lacrar e ganhar like, que vamos saindo assim meio… pensado, sabe?

Olha, por favor, não perca seu tempo mandando mensagens dizendo que estou com inveja que é mimimi, que eu sou contra a juventude, que isso que aquilo. Cara, já deu! Estou batendo nessa tecla há pelo menos 15 anos, eu disse QUINZE ANOS, desde que apareceu a Eguinha Pocotó… Que idade você tinha 15 anos atrás, hein? E como eu era ingênuo… acreditava que quando a internet atingisse a maioridade, teríamos uma alternativa irresistível aos esfíncteres intelectuais.

Mas tudo bem, vai. Cada um sabe o esfíncter que tem.

Com o assustado Lalá Moreira na técnica, a ressabiada Ciça Camargo na produção e eu, que procuro respeitar o esfíncter intelectual alheio, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Davi, Rubem Alves, Nego do Borel, Willian e Duda do Borel, Ice T e KC and The Sunshine Band.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Você gostou do conteúdo do Café Brasil, hein? Já pensou ele ao vivo em sua empresa, hein? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste não esquece! E eu prometo que vou respeitar o intelecto, tá?

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/622,

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase de Warren Buffet:

Se você perde dinheiro, eu poderei ser muito compreensivo. Mas se você manchar a reputação da nossa empresa, eu serei implacável.