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598 – O bovárico

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Luciano Pires -
Download do Programa

Madame Bovary é um livro clássico que nos apresenta a Emma Bovary. Acho que dá para aprender com ela alguma coisa sobre o Brasil e sobre alguns personagens que povoam nossos dias.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas para complementar aquelas reflexões que o Café Brasil provoca. Baixe gratuitamente em portalcafebrasil.com.br/598.

E quem vai levar o e-book me engana que eu gosto é o Rogerio Gelonezi, sabe de onde? De Bauru

“Luciano, Ciça, Lalá, bom dia, boa tarde, boa noite. Ouvindo aqui o programa 506, sobre O espelho, acabou de me passar algo pela cabeça. 

Antigamente, a gente dizia: o brasileiro não tem consciência política. Hoje eu vejo que o brasileiro tem sim, consciência política, muito mais do que antes, talvez não seja tão madura assim mas, alguma coisa está ali, porém tá faltando líderes. 

Na eleição passada, a gente, pra não votar no PT, tinha que votar no Aécio. Isso não é uma alternativa muito boa. E daí eu me pergunto: pessoas como você, você já declarou várias vezes que não quer participar do cenário político como candidato e tudo mais mas, por que? Porque pessoas como você, que tem… que formam opinião, que tem toda pegada de conscientização, de honestidade, por que pessoas como você, não querem entrar pra política? Ser uma luz no fim do túnel?”

Rararara… é, quer me botar numa fria né? Ô Rogério, eu recebo essa pergunta de quando em quando. Os políticos fizeram questão de construir uma imagem que afasta qualquer pessoa honesta deles. A maioria não entra para não se sujar.  E no meu caso, eu não parto para a política porque acho que estou construindo um legado importante aqui no Café Brasil. Mais importante do que o que eu conseguiria construir como um político, lá em Brasília, sei lá onde, lá na linha de frente. Eu estou nos bastidores aqui ó, apoiando, ajudando a fazer cabeças, construindo algo que me parece mais sólido do que eu conseguiria numa carreira política. Mas, no fundo, no fundo, eu não descarto a possibilidade, viu? Se eu enxergar que será possível fazer alguma coisa importante, euposso até pensar em entrar no jogo. Mas, sabe qual é o problema, cara? Eu já vou estar com 90 anos, bicho…

Muito bem. O Rogério receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino.

Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros é destinada a ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, você está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Hoje está cheio de visita aqui. Vem cá, os visitantes

Na hora do amor, use

Visitantes – Prudence, Prudence, Prudence…

Chegou a hora de ouvir um depoimento de quem assina o Café Brasil Premium, a nossa “Netflix do Conhecimento”:

“Sou assinante há quase um ano, desde a estreia. Um dos melhores investimentos que fiz em 2017. O Café Brasil Premium oferece conteúdo em vários formatos, áudio, vídeo, e-books, etc. O que mais destaco é o podsumário de livros que ainda não foram lançados no Brasil. Mas não é um simples resumo, o Luciano adiciona seus pitacos baseados em 30 anos como executivo de multinacional americana e quase 20 anos como palestrante, tendo contato com empresas dos mais variados segmentos e tamanhos em todas as regiões do Brasil. Isso agrega um valor ao conteúdo difícil de encontrar por aí.” Paulo Oliveira

É isso, meu! Quem assina, sabe o valor que tem. cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo extra-forte.

Em 1857, o escritor francês Gustave Flaubert lançou um livro contando a história de uma bela jovem chamada Emma. Após a morte de sua mãe, Emma sai do colégio interno e voltou para o campo com seu pai. Emma é inteligente, sonha com seu príncipe, com viagens, com dinheiro com festas. Quer se destacar na sociedade, e termina por conhecer um jovem médico chamado Charles, que fica viúvo e então eles se casam.

Com a rotina do casamento, Emma perde o encanto pelo marido e mergulha na leitura de romances, como uma fuga para sua vida medíocre. Sem que o marido perceba, Emma começa a buscar em romances tórridos com outros homens a vida que lhe faltava em casa. Na sequência, Emma contrai dívidas e coloca o futuro da família em risco, caminhando para um final trágico. Lembre-se que tudo isso acontece no século XIX.

O nome do livro, que se transformou num clássico, é Madame Bovary que também foi parar no cinema, com pelo menos seis versões, foi pro teatro, novela e muito mais.

Aliás, a trilha que você ouve aqui é do filme de Sophie Barthes…

Inspirado pelo livro, pelo poder de Emma de se imaginar outra pessoa, o filósofo francês Jules de Gaultier criou o conceito do bovarismo: o poder atribuído ao homem de imaginar-se outro.

O bovarismo é a alteração da autoimagem, uma deformação do sentido da realidade, quando o indivíduo se vê dotado de atributos que, na realidade, ele não tem. O bovarismo surge quase sempre associado à mitomania, à falta de autocrítica, que faz com que o indivíduo minta compulsivamente sem qualquer conflito moral por isso, criando uma distorção na forma como vê a si mesmo. Ele acredita que é aquilo que imagina ser.

Quem sofre de bovarismo está permanentemente insatisfeito, buscando sempre além daquilo que pode obter. E se consegue então, quer mais. E o indivíduo passa a agir como se tivesse as condições da vida que deseja, criando assim uma personalidade imaginária. O bovarismo não é uma fuga da realidade, mas é a tentativa de moldar a realidade a seus anseios.

Você consegue imaginar como deve ser difícil sofrer de bovarismo, hein? Permanentemente negar a realidade e tentar fazer com que ela se encaixe naquilo que você imagina? Passa a imitar comportamentos, trejeitos e atitudes do modelo que idealiza. Se veste e fala como aquele ideal.

Quem sofre de bovarismo é um indivíduo bovárico.

Então… mas um dia a casa cai… Dependendo da distância que o indivíduo está de seu eu idealizado, cai mais cedo ou cai mais tarde. Mas, ele cai. E então, diante da evidência de sua incapacidade de atingir aquele ideal, vem a frustração e vem até a depressão.

O bovarismo é um problema sério, pois não raro se baseia em contradições e hipocrisia. O indivíduo bovárico tem certeza que é especial, que ninguém mais do que ele merece atingir aquele ideal, que é um ser especial ungido. Para isso, ele usa qualquer ferramenta, em especial a mentira. E quando não chega lá, agarra-se à sua insatisfação e intensifica seu papel, arrastando consigo quem estiver à sua volta.

Jovens têm o bovarismo de forma mais acentuada, pois são personalidades em formação, expostos a influências do meio e aos exemplos de sucesso com que as mídias os bombardeiam a cada segundo. No anonimato das mídias sociais então, encontram o ambiente perfeito para fingir ser o que não são. E a experiência virtual é tão intensa que, por vezes, transborda para o mundo real, reforçando a crença de que o indivíduo é sim aquele ser especial.

Superhomem, a canção
Gilberto Gil

Um dia
Vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter

Que nada
Minha porção mulher, que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É que me faz viver

Quem dera
Pudesse todo homem compreender, oh, mãe, quem dera
Ser o verão o apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe
O Superhomem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher

Ai, cara! Tem coisa que é iluminada, sabe? Por exemplo, Gilberto Gil tem que estar iluminado pra escrever Superhomem, a canção. O Edson Cordeiro tem que estar iluminado pra cantar desse jeito e alguém iluminado fazer um arranjo desses.

Deixa eu recuperar o fôlego.

Pô Lalá, vou recuperar o fôlego e você manda uma gafieira? Você ouve CHORANDO EM BOA COMPANHIA, com o trompetista, professor de cavaquinho e pandeiro, o paraibano Antônio de Pádua.

Todos nós, quando crianças, experimentamos uma dose de bovarismo. Quem é que não foi por algum tempo o Homem Aranha? O poderoso Thor? A Mulher Maravilha? Quem não se atribuiu as qualidade e poderes desses heróis míticos? É normal que seja assim. Crianças são bováricas. Mas isso acaba com a maturidade. Para quase todo mundo.

E o indivíduo, sabendo que não tem as habilidades e o conhecimento para ser aquele herói imaginado, tenta esconder suas fragilidades atrás de uma postura de superioridade e arrogância. Mas ele sabe, lá no fundo, de suas limitações, e permanece no terreno da pose e do discurso. Não entra no ringue para a luta, não se coloca em posições onde sua fraqueza seja exposta. Fala muito, mas na hora do vamos ver, cai fora. Se afasta. E assim preserva a aura de fodão que imagina ter. Seu escudo é a atitude.

Olha, no fundo, todo mundo tem um pouco disso, viu? O que não é ruim. Essa projeção daquilo que desejamos ser provoca evolução, movimento, descobertas, mudanças. É uma espécie de antropofagia, quando você se alimenta de algo que não é seu e transforma isso numa parte de si mesmo. Este podcast é totalmente bovárico, por exemplo. Para escrevê-lo, vou buscar ideias de outras pessoas, textos, livros, vídeos, eu absorvo tudo, reflito, seleciono, misturo, levo ao forno e depois sirvo como algo meu. Sim, cara! Eu me projeto num grande escritor, num pensador, num artista! E acho isso muito bom. Assim eu progrido e ajudo outras pessoas a progredir.

E uma vez tendo progredido cara,  subi um degrau. E começa tudo de novo, pois surgem novas carências, novas projeções, novos desafios.

Olha! Um pouco de bovarismo não faz mal não. O problema é exagerar na dose.

Algumas pessoas extrapolam esse bovarismo do bem e tornam-se doentias, incapazes de alternar entre o que são e o que pensam ser.

O bovarismo pode ser entendido como uma forma de escapar da melancolia e do tédio, mergulhando num mundo impossível de sonhos. Isso explica o impulso para se mostrar nas mídias sociais, para usar a roupa da moda, o cabelo da moda, a pose da moda. A questão é imaginar onde fica o limite entre o desejo irresponsável de fugir às suas responsabilidades e o impulso por transgredir as regras envelhecidas da sociedade.

Pense na Emma Bovary do romance. Quanto de seu comportamento não era pura rebeldia contra a sociedade opressora do século XIX?

Muito bem. Agora o bicho vai pegar, hein? Lalá, manda aí o instrumental de Malandragem Dá, do Bezerra da Silva.

Bom. Agora eu vou arrumar incomodação, cara. Onde é que eu quero chegar nessa coisa de bovarismo? Qual é a pegada, hein?

Olha, é Simples. Essa ideia deste programa aqui nasceu de uma pergunta que algum ouvinte meu me fez, o pessoal me questionando outro dia, pedindo pra eu tentar explicar, sabe quem? O Lula.

Este programa vai ao ar no princípio de 2018, na sequência do julgamento que confirmou a condenação e elevou a pena de Lula. O país está em convulsão, com gente comemorando e gente lamentando.

E no meio, ou melhor, na base de tudo, tem ele. Tem o Lula.

Como explicar essa figura que, há 30 anos, participa das eleições para presidente do Brasil? Que perdeu três vezes, ganhou duas, fez a sucessora e a reelegeu em seguida, hein? Você parou para pensar que provavelmente você nunca participou de uma eleição presencial que não tivesse a mão forte de Lula?

Lula é um fenômeno, cara. Como o jardineiro Chance, o personagem vivido por Peter Sellers no filme Muito Além do Jardim, Lula é um personagem que, pelas circunstâncias, é recebido por todos como alguém especial. As pessoas não o veem como um ser humano igual a outro qualquer, mas como o detentor de uma sabedoria natural, de raiz, meio assim que mágica, sabe? E, como o jardineiro do filme, não é a sabedoria acadêmica, dos livros e dos estudos, mas aquela do talento dado por uma entidade superior. Para muita gente, ele nasceu com uma luz, sabe das coisas intuitivamente, quando fala, suas palavras são recebidas como tendo um significado que transcende a aparente obviedade…

No filme de Hal Hasby, o pobre jardineiro Chance é um sujeito medíocre, educado pela televisão, sem qualquer interação social. Com a morte do patrão, o destino o coloca no caminho de um poderoso homem de negócios. Suas respostas simplórias, usando clichês e lugares-comuns, são interpretadas como genialidade e Chance se transforma no queridinho da sociedade, até ser desmascarado.

Lula é a mesma coisa. Surge como um símbolo num momento em que a sociedade brasileira estava num embate sério. De um lado extremistas que queriam derrubar o regime para instituir a ditadura do proletariado. De outro os militares, resistindo a ferro e fogo. E no meio, o povo.  Milhares de intelectuais, artistas, políticos e religiosos alinhados à esquerda, precisavam de um instrumento que pudesse ser apresentado como “o povo”.

Nasce o mito Lula. O homem do povo, a liderança nata, que vem pelas mãos de seus iguais para enfrentar os patrões opressores, comandando as assembleias dos metalúrgicos dos anos 70 e desempenhando um importante papel na devolução do poder para a sociedade civil. Lula nunca foi o teórico, sempre foi o instrumento. E com o tempo passou a acreditar que era aquilo que todos diziam que ele era.

Bovarismo na veia.

O líder que se projetava em Fidel Castro, em Nelson Mandela, em Gandhi… E o contexto o ajudava, cara. Lula foi adulado, incensado, levado para todo lado como um santo de procissão. Recebido por poderosos, reis, papas e rainhas. Não tinha muito a acrescentar, mas isso não importava. Importava aquilo que ele simbolizava.

E o auge vem quando Barak Obama diz em 2009 que Lula “era o cara”.

Pronto. O homem mais poderoso do mundo se rendia ao ex-retirante, ex-operário, homem do povo.

Quem é que consegue resistir a isso?

Lula passa a se considerar infalível, inquestionável, sábio e inimputável.

Pode haver alguém igual, mas mais honesto que eu, impossível, cara.

De novo, Bovarismo na veia.

Luiz Inácio passou a acreditar que realmente era Lula. Sua mitomania tornou-se mais grave, alimentada pelo séquito de puxa-sacos e daqueles que ainda o utilizavam como ferramenta para um plano de poder. Pessoas com transtorno de personalidade antissocial, que desconsideram o que é certo ou errado. Usam mentiras e fraudes para explorar os outros. Usam charme e sagacidade para manipular os outros. Demonstram egocentrismo, senso de superioridade, vaidade e exibicionismo. Têm dificuldades recorrentes de seguir regras e por isso constantemente têm problemas com a lei. Apresentam hostilidade, irritabilidade significativa, agitação, impulsividade, agressão ou violência. Não têm empatia com as outras pessoas e nem sentem remorso por prejudicar os outros. Apresentam comportamento irresponsável no trabalho. Têm imensa dificuldade de aprender com as consequências negativas do seu comportamento. Têm imensa dificuldade em se desculpar por seus erros.

Existe um termo coloquial para designar quem sofre desse Transtorno de Personalidade Antissocial: é o sociopata. Como toda doença mental, a sociopatia tem um espectro: existem níveis de sociopatia. Diferente de outras doenças que envolvem depressão ou ansiedade, a sociopatia é caracterizada muito mais pelo sofrimento que ela impõe a outras pessoas do que ao indivíduo que apresenta a doença. Crueldade, agressões verbais, manipulação e, em casos extremos, violência física. Embora sociopatas sejam diferente dos psicopatas, pois são capazes de se relacionar com outras pessoas e têm sentimentos, ambos estão perigosamente próximos. Todo psicopata é um sociopata, mas um sociopatas não é necessariamente um psicopata.

E o Lula, rodeado por sociopatas, foi colocado dentro de uma redoma, protegido pela maior parte da imprensa e por simpatizantes no executivo, no legislativo e no judiciário. Foi perdendo o medo, o cuidado, achando que podia tudo… até colocar na presidência uma bovárica mitômana em décimo grau: Dilma Rousseff. E então, todo o castelo de areia começou a ruir.

Quando a economia mundial tremeu e o super-herói teve que voar…  não voava. Precisou da visão de raio X… não tinha. Precisou do manto da invisibilidade… nada. Tudo que tinha era conversa. Blábláblá.

Deu no que deu.

Mas o bovárico, o sujeito que se achou muito mais do que sempre foi, não desiste facilmente. Continua falando para seu séquito de sociopatas e puxa-sacos cada vez menor, continua ganhando palanques cada vez mais acanhados, continua dizendo-se aquilo que não é. E tendo suas bravatas ouvidas por cada vez menos gente.

O melancólico fim de um bovárico.

Lula está sendo desconstruído pelos fatos. Pela realidade. Se será substituído por outro mitômano, ainda não se sabe.

O que eu torço, todo dia, é para que tenhamos aprendido a lição com Madame Bovary.

Sem essa de malandro agulha
Aldir Blanc
Jayme Vignoli

Se eu pudesse eu parava de fingir
Mas garanto que ia me dar mal
Quando abrisse meu lero meriti
Pra contar que sou lá de marechal

Eu detesto farofa e parati
O meu sonho é brilhar no futebol
Porque vivo durango o ano inteiro
Mas afim de bicar o caviar

Sou espada, sarado e pagodeiro
Mando bala se a mina vacilar
Nas quebradas do Rio de Janeiro
Pega onda quem sabe nadar

Malandragem
Olha aí eu não sou malandro agulha
Pareço tarado por louraça
Na muvuca com molho de mormaço

Mocidade
Ando atrás desse tal de meu espaço
Vou abrir nessa praia um sol pra mim
Tem pedaço que é meu no teu pudim

E é assim, ao som de SEM ESSA DE MALANDRO AGULHA, de Aldir Blanc – Jayme Vignoli com Zeca Pagodinho que vamos saindo assim ó, no sapatinho…

Meu caro, minha cara, estamos aos poucos nos livrando de todos os sociopatas que por mais de trinta anos serviam como obstáculos à construção do Brasil que queremos. Falta um monte ainda, mas estão sendo pegos. Um por um. Não defenda um bandido só porque ele está do seu lado, cara. Banditismo só tem um lado: o dele.

E eu anuncio a vocês aqui ó: é a última vez que falo de Lula no Café Brasil.

Aqui, a fila anda.

Com o assustado Lalá Moreira na técnica, a invocadíssima Ciça Camargo na produção e eu, que ando desopilando o fígado, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Rogério Gelonezi, a visita dos ouvintes Caio, Jéssica e Sandrival, Sandrival cara, um dia você me explica esse nome. É muito bom, cara! Edson Cordeiro, Zeca Pagodinho, Antônio de Pádua e… o Trem da Alegria.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais.

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/598.

Para o Premium: cafebrasilpremium.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase Gustave Flaubert no livro Madame Bovary

“A partir desse momento, a sua existência não foi mais do que um amontoado de mentiras, em que ela envolvia o seu amor como que em um véu para o esconder. Era uma necessidade, uma mania, um prazer, a tal ponto, que se ela dissesse ter passado ontem pelo lado direito da rua, devia-se acreditar que passara pelo esquerdo.”