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593 – Chororô

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Luciano Pires -
Download do Programa

Venho há algum tempo falando do mimimi, da geração mimada, das pessoas que assumiram a cultura da reclamação. Com isso, uma das reações mais lindas do ser humano tem sido tratada como algo menor, digno de vergonha: o choro. Tá na hora de recuperar a dignidade dele.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. É  um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br/593

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Adavilso Sartori, lá de Constantina, Rio Grande do Sul

“Luciano. Há algum tempo, há bastante tempo, eu vi o Olavo de Carvalho comentando sobre os falsos intelectuais de esquerda, exemplo da Marilena Chaui e a forma de discussão que eles adotavam. Quando você quiser inutilizar o interlocutor, você simplesmente acusa ele de alguma coisa. Diga que ele é de direita, que ele é de classe média. E o teu interlocutor, numa discussão, fica tão preocupado em se defender dessa suposta acusação, provar que ele não é de direita, provar que ele não é classe média, que ele vai esquecer da discussão. O foco da discussão muda e pronto! A discussão está acabada.

Hoje em dia é uma criação nova, hoje em dia, quando alguém não concorda com a tua opinião ou quando alguém te apresenta argumentos, você simplesmente olha pra essa pessoa e diz: hum, você está de mimimi. E pronto. Essa pessoa fica tão preocupada em se defender do fato de não estar de mimimi, que a discussão acaba. Você não precisa rebater argumentos, você não precisa discutir, você simplesmente diz: mimimi. E tudo se resolve.

Então hoje, a gente chegou num ponto que pra você terminar uma discussão, terminar qualquer discussão, sobre qualquer assunto, você só precisa conhecer uma sílaba. Mi.”

Muito bom ponto, Adavilso… Eu conheci uma pessoa que, quando confrontada com algo que a contrariava e sem argumentos, simplesmente fazia assim:

– tsc. E fazia uma careta.

Virava as costas e deixava o interlocutor falando sozinho. E isso era lá nos anos 80… O que você descreve sempre existiu: na falta de argumentos, ofenda o interlocutor… ou simplesmente o ignore. Se o interlocutor for fraco, ele compra a parada e se coloca na posição de ter de explicar suas posições, desviando a discussão. Olha! Isso aí dá um programa inteirinho, sabe?

Muito bem. O Adavilso receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Hoje tem visita aqui cara! O Paulo Oliveira direto da Confraria Café Brasil! Paulão, vemcá. Hoje é a tua vez. Vem cá, vem cá.

Na hora do amor, use Prudence.

Paulo – Prudence!

Chegou a hora do Café Brasil Premium. Nossa “Netflix do Conhecimento”. Tá pegando fogo, cara! E tem mais: tá vindo o site 2.0 aí, bicho! Vai ficar ainda mais legal. Mais fácil de navegar, com mais conteúdo ainda. Prepare-se aí, olha! São sumários, são vídeocasts,  é um monte de coisa. 2018 vai  ser de arrebentar, cara! É uma festa para quem quer crescer.

Acesse: cafebrasilpremium.com.br

Conteúdo extra-forte.

O programa de hoje vem lá das pesquisas que realizei quando montava o 590 – O que aprendi com o câncer e tem como ponto de partida um texto enviado por um ouvinte, o Mauricio Tonotto, após uma visita que ele fez ao nosso estúdio. O texto diz assim, ó:

E aí camarada, tudo bem? Te escrevo para compartilhar uma história forte. Quem escreveu o post foi o Rodrigo Albornoz. Ele é jornalista formado pela PUC no Rio Grande do Sul. Participou de um programa de estágio no SporTV e acabou contratado para ser repórter do canal. Cobriu Olimpíadas, Copa do Mundo e diversos jogos internacionais. Um talento precoce. Ele vinha duma longa batalha contra a doença, um câncer raro. Na primeira vez, acabou sobrevivendo, fez quimioterapia e estava praticamente curado. Meses depois, o câncer reapareceu. Há algumas semanas, ele fez uma cirurgia para retirar um pulmão. A chance de morrer era de 50%, mas ele sobreviveu. Logo depois, escreveu isso na página dele do Facebook:

Em minha vida, já tive que morrer e nascer de novo algumas vezes. E a cada oportunidade, uma experiência transformadora capaz de reformar até o que nem sabia sobre mim mesmo.

No entanto, mesmo diante do sopro renovador promovido pelas adversidades, uma coisa que jamais aprendi é a chorar.

Não, não estou dizendo que não chore. Seria patético negar o que muitos já viram algumas vezes, sobretudo em situações extremas, como a partida da minha mãe. O que quero dizer é que chorar é algo que nunca fiz bem feito.

Tenho a lembrança de, na infância, brigar contra o meu choro. Quando triste ou contrariado, sentia a vontade, mas algo dentro de mim bloqueava essa emoção e o que saía era uma coisa estranha, feia, um pranto meio engolido.

Precisei de 30 anos e uma recente provação que quase me tira a vida pra entender o que  realmente se passava. Era meu orgulho. Origem de todos os defeitos morais, ele nos leva a crer sermos mais do que realmente somos e procura mascarar certas verdades inconvenientes.

Eu queria chorar, mas não queria que vissem. Tinha medo terrível de demonstrar fraquezas. E assim fui levando. Ora, vejam só que besteira tremenda. Como se não estivéssemos todos aqui pra superar defeitos e pendências pessoais. E como se eu ainda precisasse demonstrar algum tipo de força, diante de tantas provas já superadas.

Me “desnudar” sobre esse tema, aqui e agora, diante de vocês, é de certa forma um alívio. Somos mesmo vítimas de nossos egos. Reféns da vaidade inconsequente. Artífices dos nossos próprios males.

Há 10 dias, fui internado pra encarar um dos maiores desafios aos quais já fui submetido. E por pouco não encerro ali a caminhada desta passagem. Cheguei muito perto de um colapso.

Mas o Universo teima em ser bom pra mim. Mais uma vez testado ao limite, eu venci. Saio disso com um pulmão único, ao estilo “Papa Francisco”. E com o coração cheio de alegria e gratidão.

Ontem, quando botei o pé pra fora do hospital, vi meu pai se aproximando pra me buscar. Acho que só nessa hora caiu a ficha: meu Deus, eu sobrevivi! Fui então tomado de assalto por uma onda de choro bom, alto e libertador, na frente de todo mundo. Entre abraços, lágrimas e soluços, despertei de um longo e profundo sono.

Eu estava livre. Renascido. E agora sabia chorar.

Que Deus abençoe a todos nós.

Obrigado pelo carinho.

Rodrigo Albornoz

High tide or low tide
Bob Marley

In high seas or in low seas
I’m gonna be your friend,
I’m gonna be your friend.
In high tide or in low tide,
I’ll be by your side,
I’ll be by your side.

(I heard her praying, praying, praying)
I said, I heard my mother,
She was praying (praying, praying, praying)
And the words that she said (the words that she said),
They still linger in my head (lingers in my head),
She said, “A child is born in this world,
He needs protection,
God, guide and protect us,
When we’re wrong, please correct us.
(when we’re wrong, correct us).
And stand by me.” yeah!

In high seas or in low seas,
I’m gonna be your friend,
He said, “I’m gonna be your friend.”
And, baby, in high tide or low tide,
I’ll be by your side,
I’ll be by your side.

I said I heard my mother,
She was crying’ (I heard her crying’), yeah! (crying’, crying’),
And the tears that she shed (the tears that she shed)
They still linger in my head (lingers in my head)

She said: “A child is born in this world,
He needs protection,
God, guide and protect us,
When we’re wrong, (when we’re wrong), correct us.

And in high seas or low seas,
I’m gonna be your friend,
I’m gonna be your friend.
Said, high tide or low tide,
I’ll be by your side,
I’ll be by your side.

Maré alta ou maré baixa

Em um grande lugar, ou num lugar pequeno,
Eu serei seu amigo
Eu serei seu amigo
Na maré alta, ou na maré baixa,
Eu estarei ao seu lado
Eu estarei ao seu lado

(Eu escutei ela rezando, rezando, rezando)
Eu disse, eu escutei minha mãe
Ela estava rezando (rezando rezando rezando)
E as palavras que ela disse(as palavras que ela disse)
Elas ainda hesitam na minha mente
Ela disse, “Uma criança é um nascimento neste mundo;
ela precisa de proteção.”
Deus, guia e nos protege
Quando estivermos errados, por favor nos corrija
(Quando estivermos errados, nos corrija)
E fique comigo!” yeah!

Em um grande lugar, ou num lugar pequeno,
Eu serei seu amigo
Eu serei seu amigo
Na maré alta, ou na maré baixa,
Eu estarei ao seu lado
Eu estarei ao seu lado

Eu disse, eu escutei minha mãe,
Ela estava chorando na noite (Eu a ouvi gritar), yeah! (gritar)
E as lágrimas que ela derramou
Elas ainda hesitam na minha mente

Ela disse: “Uma criança é um nascimento neste mundo,
ela precisa de proteção,
Deus, guia e nos protege
Quando estivermos errados,(quando estivermos errados) por favor nos corrija

Em um grande lugar, ou num lugar pequeno,
Eu serei seu amigo
Eu serei seu amigo
Na maré alta, ou na maré baixa,
Eu estarei ao seu lado
Eu estarei ao seu lado

Olha isso… O nome dela é Céu, e a música é High tide or low tide, Maré alta ou maré baixa, de Bob Marley. É o tipo da música que a gente tem de ouvir nos momentos de tristeza e angústia.

E então… o Rodrigo Albornoz traz uma perspectiva sobre o choro que está muito, mas muito longe do mimimi. O “chorão” do Rodrigo está noutro espectro do choro. Não tem nada a ver com mimimi. Resgata a importância do choro como expressão humana, como sentimento, como forma de extravasar de tudo, de angústia à felicidade. Mas o que será que é essa coisa chamada choro, hein?

Boys don’t cry
The Cure

I would say I’m sorry
If I thought that it would change your mind
But I know that this time
I have said too much, been too unkind

I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
‘Cause boys don’t cry
Boys don’t cry

I would break down at your feet
And beg forgiveness, plead with you
But I know that it’s too late
And now there’s nothing I can do

So I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
‘Cause boys don’t cry
Boys don’t cry

I would tell you that I loved you
If I thought that you would stay
But I know that it’s no use
That you’ve already gone away

Misjudged your limits
Pushed you too far
Took you for granted
I thought that you needed me more

Now I would do most anything
To get you back by my side
But I just keep on laughing
Hiding the tears in my eyes
‘Cause boys don’t cry
Boys don’t cry
Boys don’t cry

Garotos não choram

Eu pediria desculpas
Se eu achasse que isso faria você mudar de ideia
Mas eu sei que desta vez
Eu falei demais, fui indelicado demais

Eu tento rir disso tudo
Cobrindo com mentiras
Eu tento rir disso tudo
Escondendo as lágrimas em meus olhos
Pois garotos não choram
Garotos não choram

Eu me desmancharia aos seus pés
Mendigaria seu perdão, imploraria a você
Mas eu sei que é tarde demais
E agora não há nada que eu possa fazer

Por isso eu tento rir disso tudo
Cobrindo com mentiras
Eu tento rir disso tudo
Escondendo as lágrimas em meus olhos
Pois garotos não choram
Garotos não choram

Eu diria a você que eu te amava
Se achasse que você ficaria
Mas eu sei que é inútil
E que você já foi embora

Julguei mal o seu limite
Fiz você ir longe demais
Não te dei valor o suficiente
Pensei que você precisasse mais de mim

Agora eu faria qualquer coisa
Para ter você de volta ao meu lado
Mas eu só fico rindo
Escondendo as lágrimas em meus olhos
Pois garotos não choram garotos
Garotos não choram
Garotos não choram

Hummmm…. que tal essa, hein? Uma versão jazzy de Boys don´t cry, do The Cure? A interprete aqui é Jamie Lancaster.

Bem, vamos entender então, o choro. Começa com os lábios tremendo… ou com as piscadas acelerando para se impedir que a lágrima escape. É acompanhado de uma sensação interna, uma espécie de nó. E antes que você perceba, lá está: chorando outra vez, as lágrimas escorrendo pela face. Aquele nó na garganta, cara!

Nosso corpo tem três processos para produzir lágrimas: o basal, o reflexo e o psíquico. O processo basal tem a ver com a lubrificação das pálpebras. Sabe quando você está fazendo aquela maratona do NetFlix e lá pelas tantas, dezesseis horas depois, começa a lacrimejar que nem um louco, hein? Pois é… De tanto ficar com o olho fixado na tela começa a dar um cansaço, uma irritação e o sistema começa a lubrificar os olhos.

Já o sistema reflexo tem a ver com limpar o olho de alguma irritação. Por exemplo, quando você corta uma cebola. Ou quando você era garoto e uma lacerdinha entrava no seu olho… Putz… lacerdinha… quero ver quem vai pegar essa referência aí, viu?

O terceiro processo é o psíquico. São as lágrimas produzidas por emoções fortes. Essas lágrimas contém um analgésico natural chamado leucina encefalina, que talvez seja a razão de nos sentirmos melhor após chorar.

Tem gente que chora por qualquer coisa. Tem gente que não chora de jeito nenhum. Eu reparei que a maturidade trouxe para mim o choro… hoje choro vendo um filme, ouvido uma música, presenciando uma cena. Até ouvino uma história, cara! Na chuva, na rua ou na fazenda. E, pior, eu andei chorando até em palestras, cara…

Chorar na frente de um monte de gente é uma experiência complicada. Por um lado, mostra que você é humano, que não está lá desempenhando um papel, mas sendo você. Tá certo, conheço palestrantes que são atores e choram mesmo, com isso buscando o aplauso fácil da plateia emocionada. Mas é um choro de mentira, cara! Mas, de qualquer forma, o choro taí olha, e ele é contagioso. Bem, a pergunta por que choramos tem resposta fácil: porque estamos emocionados. Felizes ou tristes. Mas essa é uma explicação simplista.

A gente chora em outras ocasiões. Chora diante de algo incomparavelmente belo. Por exemplo, eu me lembro de me debulhar em lágrimas no Auditório Ibirapuera, diante de uma apresentação de Cauby Peixoto cantando Bastidores. Noutra ocasião cara, me debulhei em lágrimas no Teatro Municipal de São Paulo, no intermezzo da ópera Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni…

Não teve como segurar as lágrimas, cara! Primeiro pela beleza da melodia, depois pela lembrança da cena na escadaria lá no Poderoso Chefão 3, cara…

Olha! E nessas ocasiões aí, eu não tava triste, não. E também não estava necessariamente feliz. Eu estava deslumbrado diante de algo insuportavelmente belo… então eu chorei. Baixei minhas guardas, minhas defesas e mergulhei dentro de mim, de meus sentimentos. Cara!  Isso já aconteceu com você?

Quando, hein?

O choro é uma espécie de alívio, atende a um propósito emocional. E é também um mecanismo de sobrevivência. Quando você chora, fica claro que você se importa com algo, que precisa ser trabalhado por você. Talvez você esteja frustrado, deslumbrado ou, naquele choro menos romântico, tentando chamar a atenção de alguém.

Pesquisas indicam que o choro libera hormônios relacionados ao estressee toxinas, o que lhe dá um propósito bioquímico.

E por fim, tem o propósito social, né? O choro normalmente desperta a atenção e o suporte de quem vê você chorar. A menos que você seja um ogro ou ogra, ver alguém chorando imediatamente desperta a intenção de dar-lhe um abraço de conforto, não é? Tem gente que tira proveito disso, fazendo do próprio choro um instrumento de manipulação. Ou então, partindo pro mimimi.

Lauren M. Bylsma, que é professora assistente de Psiquiatria na Universidade de Pittsburgh, fez uma pesquisa relacionada ao choro e chegou a algumas conclusões interessantes.

Algumas pessoas têm mais propensão a chorar, mulheres mais facilmente que os homens, não se sabe exatamente a razão. Estima-se que enquanto mulheres choram em média ciquenta vezes por ano, os homens choram dez. Evidentemente o temperamento tem muito a ver com isso. Pessoas que têm um histórico de trauma são mais propensas a chorar, especialmente se permanecem com o trauma na lembrança e a ele retornam constantemente.

Num estudo feito com duzentas mulheres alemãs, Lauren Bylsma descobriu que a maioria delas disse se sentir melhor depois de chorar, enquanto os indivíduos com tendências a depressão e ansiedade, se sentiram mal após chorar. Sem concluir a razão, os pesquisadores acham que talvez os depressivos e ansiosos simplesmente não obtêm o mesmo benefício do choro.

De qualquer modo, para muita gente, chorar indica vulnerabilidade. E a gente não se sente confortável com isso.

Quem segura o choro, pode estar comprometendo sua saúde física. É como uma válvula de escape entupida, que aumenta a pressão interna…

O choro é parte de nosso pacote emocional, goste você dele ou não, e as lágrimas são uma representação positiva de quem somos. Demonstram não apenas nossas conexões emocionais com o mundo, no passado, no presente e no futuro, mas nos permitem celebrar visivelmente esse fato. E está cientificamente provado que o choro nos faz sentir melhores. Portanto, vá em frente. Mostre suas lágrimas com orgulho.

Muito bem… mas e o mimimi, hein? O mimimi é outra coisa, cara! “Mimimi” é uma expressão usada para “reclamação sem sentido”, “frescura”. O mimimi é aquele beicinho de criança mimada, aquela coisa do tipo: você não me deu o que eu quero, eu choro! É o choro que tem um propósito social, de se obter o que se quer simplesmente por se dizer vítima. Esse é o mimimi. Que não é um choro. É uma arma de chantagem, que pode vir da direita, da esquerda, de dentro, de fora, de cima de baixo. É arma usada por aqueles que sacaram que ela funciona, pois quando tinham de ser castigados, foram tratados como a filó fazia…

E então, no dia oito de junho de 2017 chegou a seguinte notícia:  Faleceu em Porto Alegre na noite desta quarta-feira o jornalista Rodrigo Albornoz, vítima de câncer, aos 30 anos. Ele faria aniversário na próxima sexta-feira. Jornalista de grande sensibilidade e de sorriso fácil, Albornoz deu mostras de grande otimismo e superação ao enfrentar a doença.

Eu fui na página dele e encontrei a homenagem dos amigos com uma música gauchesca, que diz assim:

Não podemo se entregá pros home
Humberto Gabbi Zanatta
Francisco Alves
Francisco Scherero

O gaúcho desde piá vai aprendendo
A ser valente, não ter medo, ter coragem.
Em manotaços do tempo e em bochinchos
Retempera e moldura sua imagem.

Não podemo se entrega pros home
De jeito nenhum, amigo e companheiro.
Não tá morto que luta, quem peleia.
Pois lutar é a marca do campeiro.

Com lança, cavalo e no peitaço.
Foi implantada a fronteira deste chão
Toscas cruzes solitárias nas coxilhas
A reelembrar a valentia de tanto irmão.

E apesar dos bons cavalos e dos arreios
De façanhas, garruchas, carreiradas
A lo largo o tempo foi passando
Plantando novo rumo em suas pousadas

Vieram cercas, porteiras, aramados
Veio o trator com seu ronco matraqueiro
E no tranco sem fim da revolução
Transformou a paisagem dos potreiros

E ao contemplar o agora de seus campo
O lugar onde seu porte ainda fulgura
O velho taura dá de rédeas no seu eu
E esporeia o futuro com bravura.

E é assim então, ao som de NÃO PODEMO SE ENTREGÁ PROS HOME, clássico de Humberto Gabbi Zanatta, Francisco Alves e Francisco Scherero, aqui na interpretação de Paquito, Jóia e William Hengem, que vamos saindo no embalo.

Olha! O texto e a luta do Rodrigo são um exemplo e um alerta. Não espere até o último momento para liberar suas emoções. Não tente fechar essa válvula de escape. Pode chorar, sim, viu? Você agora sabe dos vários tipos de choro, sabe que chorar faz bem, que é normal. Portanto, chore cara, chore bastante, mas chore o choro verdadeiro, aquele que vem de dentro da alma. E quando o choro passar, você já sabe, né?

Não podemos se entregar pros home
Mas de jeito nenhum amigo e companheiro
Não tá morto quem luta e quem peleia
Pois lutar é a marca do campeiro

Com o guerreiro Lalá Moreira na técnica, a chorosa Ciça Camargo na produção e eu, que Luciano Pires, que sigo aquela frase atribuída a Shakespeare: “Chorar sobre as desgraças passadas é a maneira mais segura de atrair outras”, estou na direção e apresentação, né?

Estiveram conosco os ouvintee Adavilso Sartori, Mauricio Tonotto e uma visita especial aqui, o Paulo Oliveira, Paquito, Jóia e William Hengem, Céu, Jamie Lancaster e o Rodrigo Albornoz

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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Mergulhe fundo no mundo do Café Brasil acessando:

Para o resumo deste programa, portalcafebrasil.com.br/593

Para o Premium: cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo provocativo, grupos de discussão, uma turma da pesada, reunida para trocar ideias de forma educada, compartilhando conhecimento pra no fim, crescer, cara! Crescer todo mundo junto.

E para terminar, uma frase que eu também encontrei na pagina do Rodrigo Albornoz. É da aviadora Amelia Earhart, que desapareceu ao tentar fazer um voo solitário ao redor do planeta em 1937.

Coragem é o preço que a vida exige em troca da paz.