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Café Brasil 584 – O muitos e o um

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Luciano Pires -
Download do Programa

Cara, que loucura é essa na qual embarcamos, hein? As pessoas estão enlouquecendo, defendem uma coisa e o seu contrário ao mesmo tempo, gastam horas discutindo assessórios e deixando de lado o que realmente importa… Tá difícil, viu?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, aquele recado de sempre: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. É aquele guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Sandro, de Ponta Grossa.

“Bom dia Luciano e amigos do Café Brasil, meu nome é Sandro, sou de Ponta Grossa, Paraná. Ao chegar aqui hoje, pela manhã, onde eu trabalho durante o dia, numa fábrica de carrocerias, vi um motorista fazendo um café da manhã na caixa de boia dele mesmo, mais ou menos fazia 6º e garoava e ele estava muito feliz. Dali a pouco entrei no Facebook e vi algumas pessoas reclamando da temperatura. Isso, estranhamente me fez refletir sobre algumas coisas.

caminhoneiro

 

Agora pouco estava ouvindo o Café Brasil 512, (Pinxado no muro II) estava ouvindo a música Cucurrucucu Paloma, me lembrei da minha avó, uma música bastante emocionante, lembrei dos meus avós. Meus avós ralavam muito sabe, não reclamavam da vida.

Durante a noite eu leciono a 50 km aqui da cidade onde eu moro, Ponta Grossa, numa cidadezinha chamada Ipiranga, uma pacata cidade que parou no tempo. Quatro mil habitantes na zona urbana e nove mil habitantes na zona rural, diz o IBGE. Nossos alunos são, em boa parte, de pequenas famílias de agricultores e uma das principais atividades em agricultura é a fumicultura. O pessoal trabalha duro. 

Minha esposa, ex aluna, é de uma família de fumicultores, trabalham duro. Como aquele motorista que sete horas da manhã estava lavando a louça do café já, faceiro, feliz da vida.

Na escola onde eu trabalho também, percebo que várias vezes já e isso me incomoda bastante, alguns professores, principalmente em noites chuvosas, chegam na escola: veio bastante aluno hoje? Ah! Por que que vieram? Tá chovendo… Então… de certa forma eu aprendo mais a ser resiliente com os meus alunos e tento não ser influenciado por alguns colegas, não todos os professores colegas. Eu vou ensinar de moto, então às vezes, eu chego lá, eu chego aqui… nossa, você é louco, você chega de moto. Eu faço cinquenta minutos andando de moto na rodovia, o trajeto que meu avô fazia em seis dias de carroça, vindo de lá pra vender sua produção de feijão, banha de porco, milho e outras coisas. Meu avô não reclamava da vida, nunca vi ele reclamar, ninguém falou que ele reclamava. E é o que me impulsiona aí, né? Já peguei bastante chuva, de chegar lá totalmente, 100% molhado e já peguei chuva congelada, neve em 2013, não sei bem o que era…

Mas, o que eu queria destacar aqui é que a nova geração e eu estou no meio dela talvez, né? Como gostamos de reclamar, né? O trabalhar duro que era o ensinamento dos nossos pais, dos nossos avós, isso está se perdendo, o estudar duro, o batalhar por um ideal, isso que eu tenho percebido. 

Eu tenho oportunidade e gostaria de destacar que eu tenho oportunidade de aprender a trabalhar duro com alguns alunos, porque eu chego lá cansado, mas eu sei o dia que os alunos tiveram e imagino a dificuldade que eles estão passando. Um abraço a todos eles do curso técnico e administração que agora nas férias estão tendo a nova tarefa de ouvir os podcasts né? Entre eles, o Café Brasil. 

Um forte abraço. Obrigado pela oportunidade de conversar com você e desabafar isso, né? Esses dois  mundos onde uns reclamam e outros trabalham duro. Um forte abraço. Obrigado por nos proporcionar o Café Brasil”. 

É, meu caro Sandro, parece que convivemos com pessoas em mundos paralelos, não é? Ou talvez em épocas paralelas, onde princípios e valores estão constantemente em choque. Tá ficando complicado, viu? Olha, parabéns pela sua reflexão e, em especial, pelo seu esforço. Você é uma daquelas formiguinhas fazendo sua parte, num cantinho do país. Não aparece na TV nem nas mídias sociais, não tem milhares de seguidores deslumbrados, não é histérico… apenas cumpre a sua missão. Como você, existem milhões. Mas não dá pra ouvi-los. O barulho dos gritos está alto demais…

Muito bem. O Sandro receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Lalá: faça a sua parte.

Na hora do amor,

Lalá – (gritando) …use Prudence.

Luciano – (sussurrando) … que exagero…

E o  Café Brasil Premium? A nossa “Netflix do Conhecimento” hein? O ambiente educacional sem ser chato nem superficial? Tá lá cara, com sumários de livros, vídeos, podcasts, áudios! É um monte de conteúdo, já temos 1070 assinantes… o que você está esperando, hein cara? Acesse cafebrasilpremium.com.br, conheça nossa proposta, junte-se ao pessoal que está lá fazendo a cabeça!

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Conteúdo extra-forte.

Prioridade. O termo vem do latim prior, que por sua vez vem da raiz proto-indo-europeia per, que neste contexto quer dizer “à frente”, “antes”.

Prioridade é aquilo que vem primeiro. Há muito tempo em meus escritos, palestras e podcasts eu venho tratando da imensa dificuldade que nós brasileiros – e hoje já sei que não somos só nós brasileiros – temos de separar o que é urgente do que é importante. De priorizar, de hierarquizar as ações necessárias para se construir uma sociedade justa e equilibrada. Parece que perdemos a capacidade de discernir entre o que é urgente e o que é importante… E a cada dia que passa a situação fica mais feira.

A consequência? Estamos aplicando tempo e recursos nas coisas não prioritárias, gastando uma energia imensa sem retorno, criando políticas públicas para assuntos que são secundários, atendendo a gritaria de grupos de pressão. E se isso deixa algumas minorias barulhentas satisfeitas, atrasa a resolução de problemas fundamentais da sociedade. É preciso enxergar essa deformação.

Eu já usei essa imagem num podcast, mas eu tenho de retornar à ela. Sabe aqueles filmes em que você vê a mocinha histérica diante de um perigo? Normalmente ela está nos braços do mocinho e começa a ficar agitada, gritar, espernear. Aí o mocinho dá um tapa na moça, ela toma um susto e normalmente desmaia, depois se acalma…

O Brasil está histérico. Ninguém mais ouve a voz da razão, é agitação, gritaria e esperneio. O Brasil precisa tomar um tapa.

Mas como é que se dá um tapa num país? Bem, a história está cheia de exemplos de tapas, que surgiram a partir de tragédias naturais, de acidentes, de decisões equivocadas, de escolhas trágicas, de atentados, que levaram povos, países e civilizações a um ponto de ruptura. Depois daquilo, tudo muda.

Um tapa pode ser uma guerra. Pode ser um terremoto de proporções trágicas. Pode ser, como a gente já viu tantas vezes, um grande atentado terrorista. Pode ser… tanta coisa.

Mas há um outro aspecto. Será que o povo brasileiro está realmente histérico? Ou os histéricos são grupos muito específicos, colocados em posições de alta visibilidade de onde podem definir as pautas das discussões? Hummmm… eu sou mais dessa tese, viu?

A maioria da população brasileira tem aquela placidez bovina. Fica na fila, debaixo do sol, sem dinheiro, deslumbrada diante de um “dotô”, vivendo a tragédia do dia e aceitando resignadamente a próxima, abraçada naquilo que lhe foi ensinado como sendo a única estratégia: a esperança.

Enquanto isso, os arautos da esperança, os que sabem todas as respostas, os reformadores, os revolucionários, estão gritando em todos os canais suas prioridades, que nunca são as prioridades daquele povo.

Sebastiana
Rosil Cavalcanti

Convidei a comadre Sebastiana
Pra dançar e xaxar na Paraíba
Ela veio com uma dança diferente
E pulava que só uma guariba
E gritava: A, E, I, O, U, Y

Já cansada no meio da brincadeira
E dançando fora do compasso
Segurei Sebastiana pelo braço
E gritei, não faça sujeira
O xaxado esquentou na gafieira
E Sebastiana não deu mais fracasso
E gritava: A, E, I, O, U, Y

Ai que delícia, cara…. SEBASTIANA, de Rosil Cavalcanti, aqui na versão do Nation Beat, grupo baseado em Nova Iorque que mistura os ritmos brasileiros – especialmente o maracatu – com ritmos de New Orleans, com Jazz, funk e rock-blues. Cara, procure o som desses caras… O que é que essa música tá fazendo aqui, hein? Bom, é esse o povo que precisa de prioridade, sabe? O povo da Sebastiana. Sem frescura, popular, direto ao ponto, sem altas intelectualidades, sacou?

Recebi um texto chamado “A justiça carcomida é o pior câncer de uma sociedade”, que trata de uma dessas prioridades colocadas em segundo plano. Está atribuído a John Kirshhofer, que em minha investigação apareceu como sendo um fotógrafo do Rio de Janeiro. Não sei se é dele mesmo, mas lá vai. O texto é muito bom para uma reflexão.

Em 1971, ganhei um bolsa para estudar nos USA. Foi um seminário sobre desenvolvimento econômico na Harvard University. Em um encontro com um professor, propus uma simples pergunta. Qual o principal fator (citando apenas um), para explicar a diferença do desenvolvimento americano e o brasileiro, ao longo dos 500 anos de descobrimento de ambos países?

O mestre sentenciou sem titubear: A justiça!

E explicou em poucas palavras: A sociedade só existe e se desenvolve fundamentada em suas leis e sua igualitária execução. A justiça é o solo onde se edifica uma nação e sua cidadania. Se a justiça for pétrea, firme, resistente, permitirá o surgimento de grandes nações. Se a justiça for pantanosa, nada de grande poderá ser construído.

Passados quase 50 anos daquele aprendizado, a explicação continua cristalina e sólida como um diamante. Sem lei e justiça, não haverá uma grande nação.

Do pântano florescerão os “direitos adquiridos”, as impunidades para os poderosos. Daí se multiplicarão as ervas daninhas da corrupção, que por sua vez, sugarão a seiva vital que deveria alimentar todas as folhas que compõem a sociedade. Como resultado se abrirá o abismo da desigualdade. Este abismo gerará a violência e a tensão social.

Neste ambiente de pura selvageria, os mais fortes esmagarão os mais fracos. O resultado final? O pântano se tornará praticamente inabitável.

As riquezas fugirão para outras nações sob as barbas gosmentas da justiça paquiderme. Os mais capazes renunciarão à cidadania em busca por terras onde a justiça garanta o mínimo desejado: Que a lei seja igual para todos.

Este é o fato presente e a verdade inegável do pântano chamado Brasil!

Minha geração foi se esgotando na idiota discussão entre esquerda e direita. E ainda continua imbecilizada na disputa entre “nós e eles”, criada pelo inculto Lula e o séquito lulista. Não enxergaram um palmo à frente do nariz da essência da democracia. Foram comprados com pixulecos, carros, sítios e apartamentos.

Não sei quantos jovens terão acesso a este texto, nem se terão capacidade de interpretar e aprofundar a discussão.  Em meus quase 70 anos, faço o que está ao meu pequeno alcance.

Chiclete com banana
Gordurinha
Almira Castilho

Eu só boto bebop no meu samba
Quando Tio Sam tocar um tamborim
Quando ele pegar
No pandeiro e no zabumba.
Quando ele aprender
Que o samba não é rumba.
Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana.
Chiclete eu misturo com banana,
E o meu samba vai ficar assim:

Tururururururi bop-bebop-bebop
Tururururururi bop-bebop-bebop
Tururururururi bop-bebop-bebop
Eu quero ver a confusão

Tururururururi bop-bebop-bebop
Tururururururi bop-bebop-bebop
Tururururururi bop-bebop-bebop
Olha aí,o samba-rock,meu irmão

É, mas em compensação,
Eu quero ver um boogie-woogie
De pandeiro e violão.
Eu quero ver o Tio Sam
De frigideira
Numa batucada brasileira.

Que delícia, cara… a gravação que Gilberto Gil fez de Chiclete com Banana, o clássico composto por Gordurinha e Almira Castilho, que estourou em 1959 com Jackson do Pandeiro. Esta versão do Gil é de 1972… Sempre que ouço ou faço essas comparações entre os Estados Unidos e o Brasil, essa música me vem à lembrança. Aquele lance de ver o Tio Sam de frigideira numa batucada brasileira é genial, cara…

Pois é… o texto do John Kirshhofer explicita a amargura de quem viveu intensamente os últimos 70 anos do Brasil. E que compreende onde a coisa pega: na desigualdade da justiça. E esse é um tema secundário nas pautas das discussões. Fala-se da Justiça como se fala de um deus, aquele ente poderoso, que tudo vê e tudo pode, mas que não se pode tocar, não se pode enxergar, não se pode mudar.

Então encontro outro texto, de autoria do  Rodrigo Silva, que é editor do site Spotniks. Olha, meu! Aqui vai uma dica importante: por favor, siga o Spotniks e o Rodrigo. Este texto dele me deu inveja branca, cara… eu gostaria muito de ter escrito. Mas, vamos lá.

Lalá, solta aí o OPENING THE WINDOW, com o Duofel…

Poucas coisas retratam tão bem a mediocridade da elite intelectual brasileira quanto o debate político travado por aqui.

De fato, nós somos uns fodidos. Metade do país não possui acesso nem à coleta de esgoto. Nós literalmente não damos conta sequer de ir ao banheiro com o mínimo de dignidade.

E não é como se os nossos problemas morressem na privada. Longe disso. 44% dos brasileiros sobrevivem com menos de um salário mínimo. Faz ideia do que é encarar a vida lá fora todos os dias com 460 reais por mês? Essa é a realidade de milhões de pessoas por aqui.

A gente mora num puxadinho da África subsaariana. Nós ainda sequer conseguimos resolver boa parte dos problemas que nos atormentavam no século dezenove. Mas a julgar o que realmente importa no nosso debate público, o que gera discussões acaloradas pelas mentes mais brilhantes deste país, nascemos todos em algum canto tropical perdido da Noruega.

73% dos brasileiros não são plenamente alfabetizados na língua portuguesa. Se você parar, no entanto, para ouvir o que se discute nas nossas universidades, vai jurar que está preso a uma convenção do partido Democrata.

Genderqueer, slut shaming, gaslighting, mansplaining, male tears…

Não é muito difícil perceber as consequências dessa baboseira toda. Gravem bem: a nossa elite intelectual realiza um esforço estupendo para conduzir Jair Bolsonaro ao posto mais alto da República. E o pior, vai demorar alguns bons meses ainda até se dar conta disso.

Quanto mais protagonismo nós damos aos problemas enlatados do primeiro mundo, quanto mais fingimos que o que realmente importa por aqui são discussões aleatórias sobre os limites de expressão da arte ou o que pensa um bando de narcisistas da zona sul do Rio de Janeiro – gente esquizofrênica o suficiente para acreditar que governa o país do apartamento da Paula Lavigne – maiores são as apostas no ticket do Bolsonaro.

Até a gente perceber que o Brasil não cabe numa manchete do Catraca Livre, não vai faltar saguão de aeroporto lotado pra abraçar o único candidato à presidência que está disposto a dialogar no mesmo idioma que o cidadão comum, faça você campanha contra ou a favor da sua plataforma política.

O Brasil não é a Avenida Paulista. Lá fora, quando acabar o dia, 160 pessoas terão sido assassinadas brutalmente. O Brasil é uma imensa Rocinha.

Mais de 13 milhões de brasileiros são oficialmente incapazes de sequer começar a ler um texto como este pela única razão de serem analfabetos. Você é um privilegiado só de ter chegado até esse parágrafo. Segundo a ONG Ação Educativa, apenas 8% das pessoas que moram nesse país têm condições de compreender e se expressar plenamente em seu próprio idioma.

Percebeu? Longe do MASP esse é o único debate em torno da liberdade de expressão que importa nesse momento.

Quem irá decidir a eleição do ano que vem não é a Fátima Bernardes. Nem a Andreia Horta. É gente como a Dona Regina. E fora do Jardim Botânico ninguém aguenta mais ter que discutir problema de gente rica.

Enquanto não estourarmos essa bolha e enxergarmos o Brasil real que existe além das afetações ideológicas da nossa classe média, enquanto não trouxermos para o centro do debate os problemas que afetam de verdade a vida de gente que não faz ideia do que significa “lacre”, “grito” ou “close errado”, enquanto continuarmos fingindo que moramos em Bruxelas, Bolsonaro nadará de braçadas nas pesquisas de opinião. E carregado no colo pelos seus principais detratores.

Definitivamente não terá sido por falta de aviso.

Pois é. Há de haver gente dizendo que o Rodrigo é um pessimista, que sempre foi assim, que só mete o pau que ele não dá soluções e blábláblá, mimimi… Vai ter gente me enchendo o saco aqui porque eu falei do Bolsonaro. Não importa se eu falo mal, se eu falo bem, quem é contra e a favor vai me encher o saco. Olha! O que o Rodrigo está fazendo e eu também quero fazer neste programa aqui é gritar bem alto: parem de gastar tempo e recursos discutindo o secundário! Vamos ao essencial!

O “Monitor do debate político do meio digital” é um projeto do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso a Informação da USP, e analisou o compartilhamento das notícias sobre o caso de um menino de 13 anos encontrado na cela de um estuprador em Teresina, no Piauí e também do caso da performance no Museu de Arte Moderna de São Paulo, quando uma mãe levou a filha para tocar no corpo de um homem nu. Ambos casos ocorreram em final de setembro, começo de outubro de 2017.

Lembrando: num caso era um menino de 13 anos é encontrado dentro da cela de um estuprador de 65 anos de idade.

Noutro, uma garota toca num homem nu, ao participar de uma performance artística nu museu.

O caso do menino encontrado na cela do estuprador teve 8% da repercussão do caso de nudez no MAM. Você ouviu bem: 8%.

Se isso não é um sinal definitivo da incapacidade da sociedade de priorizar os problemas, não sei mais o que é…

Vamos então aos problemas prioritários e essenciais, hein? Para mim, problema essencial são 70 mil assassinatos ano. Isso é prioridade. 60 mil mortos em acidentes de trânsito, isso é prioridade. Só 8% dos assassinatos são resolvidos. Isso é prioridade.

Sistema de saúde falido, hospitais à míngua. Isso é prioridade.

Burocracia insana, que dá espaço para a corrupção, para cabides de emprego e para a incompetência. Isso é prioridade.

Estado agigantado, poder excessivo centralizado em Brasília, políticos legislando em causa própria e a impunidade. Isso é prioridade.

Justiça falha, cara, lerda, ineficiente. Isso é prioridade.

Infraestrutura envelhecida, sem manutenção ou simplesmente inexistente, elevando o custo Brasil aos píncaros. Isso é prioridade.

Sistema educacional completamente dissociado da realidade, tomado de assalto por grupos ideológicos e completamente mal administrado. Isso é prioridade.

Cara, eu poderia ficar aqui até amanhã, viu? Mas eu vou parar aqui, viu? Eu adoraria acordar e ver nas novelas e programas televisivos, nas primeiras páginas dos jornais, nos programas de rádio, nos grupos de Whatsapp e nas mídias sociais, o foco das discussões em dois ou três desses assuntos. Sem desvio, mantendo a pressão, exigindo respostas e ações, já, agora.

Depois que esses problemas que, repito, são prioritários, estiverem consideravelmente reduzidos, talvez possamos fingir que estamos na Finlândia e consumir tempo e recursos discutindo modinhas importadas, o que é arte, se o nazismo é de direita ou esquerda, que banheiro usar, ideologia de gênero e outros temas que podem ser importantes para algumas minorias, mas não são prioritários para a nação.

Caiu o disjuntor aí, é? Qual é a parte da diferença entre importante e prioritário você não entendeu?

Bem, mas o que é que vocêzinho, vocêzinha aí, pode fazer a respeito, hein? Olha! Não tem segredo, viu? Terá de agir como aquele passarinho que levava uma gota do rio para apagar o incêndio na floresta. Ao menos fazer a sua parte.

Suas escolhas vão indicar suas prioridades.

Policie-se constantemente em suas interações com outras pessoas. Ao vivo, pelas mídias sociais, pelo telefone, pelo whatsapp. Assuma a missão de não dar ressonância a essas discussões secundárias. Não dê corda. Traga a discussão para o que interessa, se seu interlocutor insistir em discutir os assessórios, mude de interlocutor. Caia fora. Não compartilhe, não alimente. Ignore. Cancele a assinatura da revista, pare de assistir ou ouvir o programa, descurta as páginas, saia fora do canal do Youtube, pare de andar com as pessoas que consomem sua energia discutindo o secundário. Sim, você será considerado o alienado, o atrasado, o ultrapassado, será olhado com expressão de nojinho por não embarcar na onda dos moderninhos.

Pois é, cara. Tem de estar disposto a pagar a conta…

Foco no prioritário.

O mais difícil será resistir à tentação do “tudo bem, se me convém”, do foco exclusivamente no que é prioritário para você. Exclusivamente pra você. Não! É exatamente isso que está acontecendo hoje e que nos colocou nesta situação de merda: gente defendendo o seu, só o seu, o resto que se exploda.

Seja você o agente para colocar a sociedade, sacou? A SOCIEDADE, este grupo imenso de gente que chamamos de brasileiros, na direção das discussões que verdadeiramente importam. Quem sabe conseguimos convencer todos aqueles jornalistas, artistas e influenciadores digitais a dedicar seu talento, sua verve, seu humor e seus contatos para que a maioria dos brasileiros coma decentemente, leia decentemente, esteja segura decentemente, seja saudável decentemente.

Saúde, educação e segurança. Viu como é fácil definir o que é prioritário, hein?

Eu já tomei a decisão, reduzi drasticamente os posts relacionados a assuntos não prioritários em minhas mídias sociais. Não serei mais um a contribuir para o desvio de foco. Tô fora do grupo dos histéricos.

Mas eu sou só um, unzinho, igual você aí…  E então me lembro daquilo que Aristóteles disse, alguns milhares de anos atrás:

Não se pode conceber o muitos, sem o um.

Golden slumbers
John Lennon
Paul McCartney

Once there was a way, to get back homeward
Once there was a way, to get back home
Sleep pretty darling, do not cry
And I will sing a lullaby

Golden slumbers fill your eyes
Smiles awake you when you rise
Sleep pretty darling, do not cry
And I will sing a lullaby

Once there was a way, to get back homeward
Once there was a way, to get back home
Sleep pretty darling, do not cry
And I will sing a lullaby

Sonhos dourados

Algum tempo atrás, havia um caminho pra voltar pra casa
Algum tempo atrás, havia um caminho pra voltar pra casa
Durma, querida, não chore
E eu lhe cantarei uma canção de ninar

Sonhos dourados tomam conta dos seus olhos
Sorrisos te acordam quando você se levanta
Durma, querida, não chore
E eu lhe cantarei uma canção de ninar

Algum tempo atrás, havia um caminho pra voltar pra casa
Algum tempo atrás, havia um caminho pra voltar pra casa
Durma, querida, não chore
E eu lhe cantarei uma canção de ninar

E aí, cara? Ficou sem ar ai, é? Se não ficou é porque não tem a menor ideia do que está ouvindo, cara! Pois é… nós vamos caminhando para o final com Elis Regina e Milton Nascimento cantando Golden Slambers, de Paul McCartney, que apareceu no disco Abbey Road. Esta gravação é de 2009 e aproveitou o vocal da Elis, gravado em 1972.

A letra diz assim, ó: Algum tempo atrás, havia um caminho pra voltar pra casa… Tá na hora de voltar pra trilha, não é?

Com o focado Lalá Moreira na técnica, a desorientada Ciça Camargo na produção e eu que tenho mania de priorizar as coisas, mas nem sempre acerto, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Sandro, Gilberto Gil, Nation Beat, Elis Regina e Milton Nascimento e quase… mas quase eu eu toquei um Pablo Vittar…

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no portalcafebrasil.com.br.

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Mergulhe fundo no mundo do Café Brasil acessando:

Para o resumo deste programa, portalcafebrasil.com.br/584.

Para a Confraria, cafebrasil.top.

E para o Premium: cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo provocativo, grupos de discussão e uma turma da pesada, reunida para trocar ideias de forma educada, levando muito, mas muito além a experiência do podcast.

E para terminar, uma frase de Mahatma Gandhi:

A ação expressa as prioridades.