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Luciano Pires -
Download do Programa

Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios padrão de você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, aquele recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. É um guia para você complementar aquelas reflexões que o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br/583

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Marcos, lá de Anápolis.

“Olá. bom dia, boa tarde, boa noite, Café Brasil. 

Estou aqui pra te agradecer, Luciano, por essa nova visão que você tem trazido pra mim, numa fase muito crítica da minha vida. Numa fase em que eu estou numa transição de pensamento. Eu sempre fui daqueles caras que me acho melhor, por ser mais inteligente, por ser mais culto e por fim, acaba não escutando ninguém, né? Porque todo mundo é burro… e aí eu conheci o Café Brasil.

Essa sutileza com que você fala, esse viés paternal, derrubando todos os meus conceitos, derrubando todo meu preconceito, toda minha arrogância. 

Num dos episódios, eu não consigo me lembrar qual foi, você estava criticando esses… como eu posso dizer… ativistas de certos ideais e eu me via assim. Então, eu fiquei ofendido, falei: pô, o que esse cara tá falando? Ele não sabe de nada. Depois quando acabou, falei: ih cara! Pior que é mesmo. Cara! Eu sou um idiota! Eu tenho que pensar por mim mesmo e não por uma coisa que está escrita num papel. Ficar idolatrando uma ideologia que morreu já tem mais de setenta anos. Melhor viver. Melhor respeitar as pessoas.

Estou passando por uma experiência muito interessante, vivendo umas certas diferenças e parece que todo o chão que eu pisava foi tirado de mim. Eu fiquei sozinho à deriva. Olhei pra trás, porque já passou e fiz questão, digamos assim, de matar todos os meus inimigos, sendo que os meus inimigos talvez tinham muito mais pra me oferecer do que os meus amigos. E onde eu caí numa crise.

Olhando aqui eu conheci o Café Brasil, chamou muita atenção Stairway to heaven, Bohemian Rhapsody, acabei de ouvir Que país é esse? Pela atitude, me deixou em lágrimas. Artista de rua… cara! Cada vez que eu vejo alguém mandando um áudio chorando eu penso: esse sou eu. Eu tenho que fazer isso também. Compartilhar não só as ideias, mas o sentimento também é importante. 

Agradeço muito Luciano, por ter me feito chorar, porque… digamos que… as lágrimas são nada mais que um soro que lava a alma e o coração. E é isso. Agora eu estou aprendendo muita coisa contigo, meu amigo. Seus conselhos são de alguém que viveu a experiência. Eu sou um distribuidor de boa mensagem agora. Sempre que você manda um áudio no Whatsapp, na mesma hora eu saio recompartilhando pra todos os meus contatos. E é isso aí. 

Então, uma boa tarde, uma boa noite, um bom dia e… valeu! Obrigado por tudo, Luciano. Obrigado mesmo.

Grande Marcos… essa sonora com os passarinhos ao fundo é o máximo, viu? Então, meu caro, esse lance de contribuir para que as pessoas enxerguem por outras janelas é fascinante, viu? E é, no fundo, o que nos move. Fico feliz que você esteja aproveitando as ideias que a gente lança por aqui, e especialmente a disposição para mudar compartilhando não só ideias, mas sentimentos. Muito obrigado, viu? Você vai gostar do programa de hoje.

Muito bem. O Marcos receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Lalá: olha! O Marcos mudou de ideia, viu?

Na hora do amor…

Lalá – eu não mudo de ideia. Eu só uso Prudence.

E o Café Brasil Premium? Eu não vou falar nada. Só vou te mostrar aqui um depoimento que acaba de chegar aqui de um ouvinte. O Eduardo. Olha só:

Olá Luciano! Sou formando em engenharia e trabalho em um cargo bastante técnico em uma multinacional, desta forma, busquei uma pós graduação, para entender mais do mercado corporativo. O que acho mais fascinante é que o conteúdo do Café Brasil Prem e do LíderCast, tem se mostrado muito mais atual e relevante do que a teoria vista na escola de pós graduação…

É isso cara!

Acesse você aí: cafebrasilpremium.com.br, conheça nossa proposta. Junte-se aos mais de mil assinantes que já estão viajando por lá.

cafebrasilpremium.com.br

Conteúdo extra-forte.

Você já reparou que a minha voz está meio boba hoje, né? Eu estou gravando este programa aqui numa pausa, no meio de um projeto com quatorze palestras pelo interiorzão do mato Grosso e lá é o seguinte, cara! 40º na sombra, pó, poeira e a garganta vai embora. Então, não tem jeito. Vamos ver se eu consigo levar adiante aqui.

Terminando uma palestra, eu conversava com alguns ouvintes do Café Brasil, quando um deles perguntou:

– Luciano, como é que você lida com as críticas, hein? Você entra em discussão com as pessoas que escrevem ou comentam o programa discordando de você?

E eu comentei com eles que escolho muito bem com quem vou discutir. E não é por arrogância não, mas é por uma questão prática mesmo. O meu bem mais precioso é meu tempo, por isso tenho de ser muito seletivo na escolha de como gastá-lo. E para isso sigo algumas regras. Quem ouve o Café Brasil há algum tempo já conhece algumas delas…

A primeira e mais importante: se o interlocutor me ofender, é bloc direto cara, sem discussão. Ofendeu, não tem conversa. Alguém que pretende iniciar uma discussão ofendendo o interlocutor não merece mais que um bloc.

Depois, se eu reparo que o interlocutor interpretou mal meu argumento, seja por ignorância, preguiça ou simplesmente por não ter entendido o que leu, eu fico na minha. Talvez responda com alguma ironia, mas eu não entro na discussão. Tenho uma preguiça monumental de explicar piadas, sabe como é? E isso vale para argumentos sérios.

Se o interlocutor aparece com argumentos legais, aí eu procuro entrar na discussão. Tanto para mim como para meu interlocutor quanto para quem lê, uma discussão em alto nível é valiosíssima como aprendizado. Mas raramente passo da tréplica, por uma questão de investimento de tempo mesmo.

Quando o tema é realmente interessante, sabe o que eu faço, hein? Faço um podcast, cara! Você quer melhor solução que essa, hein?

Resumindo: eu me importo com as críticas sim, mas eu escolho aquelas com as quais vou me incomodar.

Frente é verso
Carlos Careqa

Ela é um Deus nos acuda
Me encara de frente
Mas quando vira de bunda
Ela é um deus nos acuda
Ela é um deus nos acuda

Quando ela está do meu lado
Meus inimigos se aproveitam de mim
Mas ela é mesmo assim
Quando ela está do meu lado
Arrisco um verso de frente
Igual há muitos anos atrás
Memórias do cabelo no pente
Arrisco um verso de frente

Com ela do meu lado eu me viro
Lado A e B do CD
Êta música boa pros ouvido

Rararara… você ouve FRENTE É VERSO, com o Carlos Careqa, que vem lá de Curitiba com um trabalho sempre instigante. Ele já está na estrada há 20 anos…

Recebi esta semana o link para um texto muito interessante de Leonardo Monasterio, chamado A REGRA DOS DOIS DESVIOS, que tem tudo a ver com o tema deste programa. Aliás, inspirou até o nome…

Leonardo escreveu o “Manual de Sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado”, que aguarda o lançamento de uma segunda edição. Ali ele enunciou sua Regra dos dois desvios.

Lalá, manda aí o DESENGANO DA VISTA, com o Bixiga 70, banda que nasceu no bairro do Bixiga em São Paulo, em 2010, pra misturar elementos da música africana, afrobeat, brasileira, latina e do jazz. Os caras são muito bons…

Vamos à Regra dos dois desvios do Leonardo:

“Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios-padrão de você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico.”

Desvio-padrão é um parâmetro usado no mundo da estatística, que indica o grau de variação de um conjunto de elementos. Por exemplo, viajei para palestrar pelo nordeste e pelo sul do Brasil. Em Recife, peguei temperaturas de 28, 29 e 30 graus nos dias em que lá fiquei. Na média, foi 29 graus. Em Porto Alegre, peguei temperaturas de 22, 29 e 35 graus. Na média deu também 29 graus.

Então posso dizer que a temperatura média de Recife e de Porto Alegre foi a mesma: 29 graus. Mas em Recife eu só peguei calor, com 28,29 e 30 graus. Em Porto Alegre, embora com a mesma temperatura média de Recife, peguei um dia de temperatura amena com 22 graus…

Outro exemplo popular é aquele da piscina que tem 10 centímetros na parte rasa e 50 centímetros na parte funda, com média de 40 centímetros de profundidade. Muito segura para deixar que as crianças pequenas brinquem.

A outra piscina tem 10 centímetros na parte rasa e 1 metro na parte funda. Na média, pode dar os mesmos 40 centímetros, mas já não é tão segura pra largar as crianças pequenas.

As duas com 40 centímetros na média, sacou? É aí que entra o desvio-padrão: ele diferencia uma média da outra, determinando quanto os valores usados para definir a média estão distantes da própria média. Os pais preocupados com a diferença de profundidade das piscinas, estão de olho no desvio-padrão.

O desvio-padrão é muito usado por operadores de bolsa de valores para definir compra e venda de ações, por exemplo.

E o Leonardo então escreve assim: Se você não sabe o que é desvio-padrão, nenhum problema. Traduzindo: nunca brigue se o adversário for muito melhor ou pior do que você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico.

Se o adversário é muito mais inteligente ou conhece muito melhor o assunto, ouça-o com atenção, faça as perguntas relevantes e aprenda. Não é vergonha. Agora, se o sujeito é burro ou ignorante no assunto, o melhor é desconsiderar. Afinal, qual é a graça de ganhar uma discussão com um cara desses? Não há jeito de se sair bem. Se você vencer a briga, você terá apenas vencido a briga com um idiota. O que, cá entre nós, não é lá grande mérito. Além disso, os observadores sensatos vão lhe julgar como covarde. Agora, se você tropeçar e perder a discussão, você terá perdido para um idiota. O que, também, não vai ficar bem para você. O melhor mesmo é ignorar as críticas cretinas. Ignorar é ignorar mesmo. Nada de ironias. Só um “É, pode ser”, já basta.

O Leonardo não detalha em seu texto a questão do desvio-padrão nos quesitos ideologia, inteligência e porte físico. Bem, então eu faço isso.

Quando seu interlocutor tem alto desvio-padrão na questão ideológica, não perca tempo. Se você já discutiu com um petista convicto, sabe do que estou falando. Ele está totalmente doutrinado ideologicamente, não há fato objetivo que mude suas ideias. Discutir com ele é perder tempo. A mesma regra vale se for você o ideologicamente doutrinado. Não perca tempo com seu interlocutor, ele não vai conseguir fazer sua cabeça.

Se seu interlocutor tem alto desvio-padrão no quesito inteligência, também é bom não brigar. Se ele é muito mais inteligente que você, fará você passar vergonha. Se for muito menos, fará você perder tempo e ficar nervoso.

E se seu interlocutor tiver alto desvio-padrão no quesito força física, é bom tomar cuidado… Se ele for muito maior que você, com massa muscular muito maior que a massa intelectual, talvez ele desista de bater nos argumentos para bater no argumentador… aí é ruim… E se ele for menorzinho, você será acusado de bruto, assediador e aquelas coisas todas… Sacou?

No popular: quer brigar no conhecimento, na ideologia, no conhecimento ou no tapa? Procure alguém do seu tamanho.

Olhaí… essa é GRITO DE PAZ, do mesmo Bixiga 70. Essa banda vai pro Toca Fitas do meu carro…

Retomando o texto do Leonardo: No geral, lembre-se que a vida é muito, muito curta mesmo para você perder tempo com besteiras. Ao invés de desperdiçar tempo em brigas bobas, leia um livro, passeie ou sei lá… corte as unhas do pé. Certamente é um gasto melhor do seu tempo do que ficar batendo boca ao vivo ou na internet.

Brigue a boa briga pelo motivo certo e com quem merece. Se você tem razão e o adversário merece a sua energia, não hesite em defender a sua posição com neurônios e saliva. No mais, deixe para lá.

As mães ensinam que é feio criticar os outros. Por simetria, achamos que receber críticas também é ruim. Críticas são boas. São boas para quem as recebe. O espírito do argumento do John Stuart Mill para a defesa da liberdade de expressão também é válido no meio acadêmico. Se quem critica estiver certo, tenho a oportunidade de corrigir os erros. Se quem critica estiver errado, sou obrigado a organizar o meu argumento para melhor rebatê-lo. De qualquer forma, só saio ganhando.

Trabalho bom é criticado. Trabalho ruim é ignorado. Nada mais triste do que apresentar algo e provocar apenas o tédio e o silêncio da plateia. Não ter críticas significa que tudo está tão errado que nem vale a pena sugerir ou questionar. Ser criticado é bom, porque significa que o seu trabalho chamou a atenção de alguém. Ouça, pense e incorpore se considerar necessário.

Vou aqui recomendar um livro interessante, chamado “O ponto de vista do outro”, escrito por Jurandir Freire Costa. Nele, aprendemos que, por muito tempo, a base para a moral foram os princípios. É neles que nos baseamos para fazer nossos julgamentos, separando o que, em nossa concepção é bom, do que é ruim. O que é o bem do que é o mal. Foi assim que fomos ensinados por nossos pais, não é? Uma pessoa que tem princípios tem uma bússola moral.

Mas o autor explica que nos tempos atuais, uma outra força passou a ser a base para a moral: o dilema. Vivemos uma sociedade cada vez mais complexa, onde as certezas pétreas despareceram, onde o que era certo não é mais e o que era errado agora é certo… Fica muito mais difícil usar a bússola moral dos princípios na sociedade do dilema.

Na sociedade do dilema, fica quase impossível se apegar de forma intransigente aos valores estabelecidos, aos princípios. Somos praticamente obrigados a nos valer de nossa capacidade de discutir, avaliar e respeitar outros valores que não sejam exatamente os nossos. E de repente, a coerência que era uma virtude, passa a ser um defeito.

A coerência se orienta por princípios e numa sociedade que se orienta por dilemas, ser coerente passa a ser uma espécie de fuga. Me agarro a meus princípios para não ter de sofrer com escolhas que vão contra aqueles princípios. Para suportar as pressões que me empurram pela goela abaixo ideias, comportamentos, modismos… Eu não sei se você reparou, mas é esse o momento que estamos vivendo.

– Pô, Luciano, você está dizendo que devemos abandonar nossos princípios?

Eu não! Eu sigo os meus sim e continuo considerando que eles são minha bússola. O que descobri que tenho de fazer é compreender que se minha bússola moral aponta um norte, preciso estar atento ao caminho, aos desvios, às encruzilhadas que preciso tomar. Em alguns momentos, para ir para o norte terei de virar para o leste. Ou oeste. Talvez até mesmo para o sul!  Talvez eu tenha de ser incoerente. Talvez eu tenha de mudar de ideia.

Mudar de ideia…

O mundo evolui assim.

Cabelos longos, idéias curtas
The Brazilian Bitles

Não seja quadradão, é melhor se mancar
E no meu cabelão, deixe de reparar
Essa história é velha…
Dos cabelos longos, ideias curtas
Isso já passou
Quem quiser reparar…
Careca há de ficar…
A turma que usou cabelos a rolar
Compridos a valer, ah! Viveu e dominou
O divino Beethovem, o sublime Chopin…
E a turma da alta, que era gente de bem
De qualquer maneira, juventudo é vigor
Com ou sem cabeleira, sente vida e amor
O barbeiro da esquina, se aposentou
Pois não pode viver, só de barbas a fazer
Meus cabelos longos eu gosto de pentear
Na hora de dormir, os bobs vou vsar,
Se alguém à traição, vier e os cortar,
Tomo uma decisão…peruca vou usar.

Quer dizer que quem quiser reparar no cabeludo, careca há de ficar? Eu e o Lalá estamos preocupados aqui, viu?Sabe o que está tocando ai, cara? Essa música chama-se CABELOS LONGOS, IDEIAS CURTAS. E a banda… cê tá sentado, hein? São Os Brazilian Bitles. É assim mesmo, cara, BITLES, banda carioca formada em 1965, que se tornou uma das mais inovadoras bandas brasileiras na divulgação do rock e da jovem guarda. Eles talvez tenham sido o primeiro grupo brasileiro a associar música e humor, como fariam depois o Ultraje a Rigor, Joelho de Porco, Mamonas Assassinas… Cê quer ouvir os que os caras aprontavam?

Lalá, bota quela outra aí.

Não tem jeito
Brazilian Bitles

Não tem jeito, sou direito!
Não tem jeito, sou perfeito!
Mas tentei, eu tentei
Eu tentei, eu tentei
Não tem jeito, mas, não tem jeito!

Pois, você quer que eu volte a fumar
Ate roupa justa você quer me obrigar a usar
Rodinha, pif-paf me ensinou
Chegar de madrugada todo dia, essa não!
Se faço o que me manda, posso ir para prisão!
Mas, não tem jeito, sou direito!

Oh, hey, hey, hey, não mais tentarei!

Rararara… Muito loucos, não é? Brazilian Bitles…

Ô Lalá. volta pro trilho, vai

(I Can’t Get No) Satisfaction
The Rolling Stones

I can’t get no satisfaction
I can’t get no satisfaction

‘Cause I try, and I try, and I try, and I try

I can’t get no
I can’t get no
When I’m drivin’ in my car
And that man comes on the radio
He’s tellin’ me more and more
About some useless information

Supposed to drive my imagination
I can’t get no
Oh, no, no, no
Hey, hey, hey
That’s what I say

I can’t get no satisfaction
I can’t get no satisfaction

‘Cause I try, and I try, and I try, and I try

I can’t get no
I can’t get no

When I’m watchin’ my TV
And that man comes on to tell me
How white my shirts can be
But he can’t be a man, ‘cause he doesn’t smoke
The same cigarettes as me

I can’t get no
Oh, no, no, no
Hey, hey, hey
That’s what I say

I can’t get no satisfaction
I can’t get no girl reaction
‘Cause I try, and I try, and I try, and I try

I can’t get no
I can’t get no

When I’m ridin’ round the world
And I’m doin’ this and I’m signing that
And I’m tryin’ to make some girl
Who tells me, baby, better come back later next week
‘Cause you see I’m on losing streak

I can’t get no
Oh, no, no, no
Hey, hey, hey
That’s what I say
I can’t get no
I can’t get no

I can’t get no satisfaction
No satisfaction
No satisfaction
No satisfaction
I can’t get no

Uia! Satisfaction agora com uma cantora Coreana eu não achei o nome dela… mas é gatíssima, viu? Assista o vídeo no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br

Muito bem… Talvez eu tenha de ser então incoerente. Mudar de ideia.

Mudar de ideia… Mas é preciso qualificar essa mudança de ideia, e o desvio-padrão ajuda.

Há quem mude de ideia para não apanhar do mais forte. Para tirar uma casquinha do mais rico. Para levar vantagem com os mais poderosos. Há quem mude de ideia para ficar bem na fita, para ser aceito na tribo.

Essa é a mudança de ideia covarde, mesquinha, que não traz crescimento, apenas ganhos pontuais, insustentáveis. Quando a fonte da força, do poder, da ideologia e do dinheiro desaparecer, aquela vantagem obtida desparece junto.

Mas há outro “mudar de ideia”. Aquele que acontece porque eu aprendi algo com alguém que está alguns desvios-padrão acima de mim na questão da inteligência, do conhecimento, por exemplo. Essa é a mudança virtuosa, aquela que, depois que a fonte da inteligência e do conhecimento desaparecer, aquilo que você ganhou, permanece com você. O ganho intelectual está ai ó, pode usar à vontade que ele não termina nunca…

Sacou?

É essa incoerência que eu abraço, é esse o tipo de crítica com a qual eu quero interagir, aquela que vai me fazer crescer, com a qual eu posso aprender, aquela que agrega, e não simplesmente procura humilhar, desfazer, destruir quem pensa diferente.

Se você é esse tipo de crítico, o virtuoso, seja bem-vindo, seja bem-vinda.

Meu tempo eu dou pra você.

E é assim então, ao som da versão Bossa Nova de Satisfaction, que você encontra no CD Bossa N’Stones com a voz de Michelle Simonal, que vamos saindo de mansinho… Aqui é o Café Brasil, né? ... a gente vai mudando umas coisinhas aqui…outras ali…

Olha, deixa eu dizer uma coisa aqui, ó: quem me escuta sabe que minha raiz é como cartunista e existe uma regra no cartum que é: cartum não se explica. A gente faz, publica e deixa a turma queimar os miolos para tentar entender o que ali está. Alguns são explícitos, outros enigmáticos. O podcast Café Brasil é exatamente assim. Alguns programas são explícitos, outros são enigmáticos, mas todos, todos, são uma obra aberta. Costumo dizer que o que faço aqui é só 60% do programa. Os outros 40% acontecem dentro da sua cabeça…

Sabe o nome disso, hein? Fitness intelectual.

Com este camaleão da edição Lalá Moreira na técnica, a camaleoa Ciça Camargo na produção e eu que quero andar com quem me faz crescer, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Marcos, Carlos Careqa, Banda Bixiga 70, The Brazilian Bitles, Bossa Nova N’Stone com a voz de Michelle Simonal e uma cantora coreana que eu ainda não sei quem é…

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. Quem estiver fora do país, é o: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Mergulhe fundo no mundo do Café Brasil acessando:

Para o resumo deste programa, portalcafebrasil.com.br/583.

Para a Confraria, cafebrasil.top.

E para o Premium: cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo provocativo, grupos de discussão e uma turma da pesada, reunida para trocar ideias de forma educada, levando muito mais longe a experiência do podcast.

E para terminar, uma frase de Alexandre Heculano

Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender.