Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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582 – Sobre transgressão

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Luciano Pires -
Download do Programa

VITRINE: imagem de um ensaio publicado em http://picssr.com/photos/55013078@N07/page27?nsid=55013078@N07

Alguns fatos recentes trouxeram à tona a discussão sobre transgressão. Afinal de contas, o que é uma transgressão? É coisa boa ou coisa ruim? E a sociedade precisa dela?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. É aquele guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br582.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Dr. William,de Atibaia.

“Oi Luciano. Bom dia. Aqui é o William de Atibaia. Eu sou médico ortopedista e por sinal, hoje é o dia do ortopedista. Parabéns a todos os colegas.

Eu quero agradecer a você, ao seu programa que, como todo mundo já mencionou, é um podcast sensacional. É impossível a gente parar de te seguir, parar de acompanhar. Aliás, tudo o que você faz Luciano, é de uma qualidade e de um aporte cultural assim… sem como… quantificar. Muito obrigado por tudo.

Eu queria mencionar essa questão do banco Santander, eu até mandei um vídeo pra você da igreja Batista induzindo seus fiéis a fecharem suas contas. Independente do que foi falado lá da exposição, se era LGBT, o que que era, eu estou achando muito interessante essa atitude da população. Também não concordo com as obras que foram postas lá. Isso é uma questão pessoal minha. Eu aceitaria isso, aceitaria assim se, a meu ver, isso tivesse sido muito bem explicado para quem entrasse para ver as fotos. Acho que a falha foi nesse ponto. Se é uma obra que vai ter um certo grau de, vamos dizer assim, uma pornografia, então primeiramente, essa obra deveria, eu sei que hoje em dia está muito aberto na internet, todo mundo vê tudo mas, às vezes tem um pai que ele leva o filho pra ver uma obra, ele não tem ideia do que vai encontrar lá. 

Aí você fala: pôxa, mas na internet as crianças… tá mas…eu tento segurar meus filhos, eu tento criar da melhor maneira que eu fui criado e o que eu acho possível. Então, eu não gostaria de levar meu filho lá. Se eu soubesse que era uma… esse tipo de obra, eu simplesmente não levaria. Não vou fazer protesto contra mas, é uma opção minha que eu acho que é um direito da população saber. É um tipo de arte que quem quiser vem e vê, quem não quiser não vem. Então eu acho que eles falharam nisso. 

Mas, eu tenho achado interessante como isso se tornou. É uma coisa assim: todos contra o Santander. Seria muito bom se isso fosse trazido pra política, né? Você vê a força da população, você vê como viralizou essa questão, né? Vamos fechar nossa conta, então vamos não votar em tal político, vamos excluir um partido, a gente deveria trazer isso pra política também, né? Vamos acabar com esse partido corrupto que está aí, que sempre está no poder e sempre está o lado dos corruptos. É uma pena que o povo brasileiro precisa de guia. E quando chega na política esses guias estão muito escassos. Nós não temos mais quem seguir, isso é o que falta.

Essa questão do Santander apareceu alguns guias, que vai induzindo a população, vai mostrando o caminho. Eu acho que, infelizmente, o brasileiro precisa disso. Mas, tudo bem, né? Vamos ver no que dá. Deixei aqui só um comentário que eu achei bem interessante a proporção que isso tudo tomou. 

Bom, Luciano. Muito obrigado por tudo, obrigado Ciça, obrigado Lalá, eu gosto muito do trabalho de vocês e curto muito o Café Brasil. Vida longa ao cafezinho! Um abraço”.

Perfeito caro Dr. William. Olha, sobre essa questão da exposição do Santander, as antigas locadoras de videocassetes tinham uma área dedicada a filmes pornográficos. Era separada e Estava escrito lá: vídeos adultos. A locadora era muito clara na sua proposta de valor e quem voluntariamente entrasse naquela área sabia o que iria encontrar. Pronto. Deveria ser assim em todas as áreas. Essa história de censura à arte à liberdade de expressão é uma imensa bobagem. Mas realmente seria ótimo se essa mobilização se desse também na política… Obrigado pelo comentário.

Muito bem. O William receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Lalá, o tema hoje é transgressão. Na hora do amor, use Prudence.

Lalá: mas eu posso usar em qualquer lugar?

Luciano: ……. no corpo, né?

… 1020… 1040… 1060… sabe o que é isso, hein? É a turma entrando pra assinar o Café Brasil Premium. A nossa “Netflix do Conhecimento”. Cara! Eu tô recebendo cada depoimento do pessoal sobre o conteúdo, sobre transformações efetivas que já estão acontecendo nas vidas das pessoas, cara! Não é auto ajuda boboca não, cara! Isso aqui é conhecimento pra valer.  Acesse cafebrasilpremium.com.br, conheça nossa proposta e junte-se aos assinantes que já estão viajando por lá.

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Conteúdo extra-forte.

Me deixe mudo
Walter Franco

Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda
Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo
Seja num canto
Seja num centro
Fique por fora
Fique por dentro
Seja o avesso
Seja a metade
Se for começo
Fique à vontade

Bom… Nada melhor que começar um programa sobre transgressão do que com um verdadeiro transgressor, não é? Você está ouvindo Walter Franco, essa doideira aí. Chama-se ME DEIXE MUDO. O ano é 1973… e ninguém entendeu nada.

Transgressão é outro daqueles termos que têm uma forte presença no universo das religiões, mas não é nessa praia que a gente vai no programa de hoje, tá? O termo “transgressão” vem do latim gradior, que significa andar, ir, marchar. Quando transformamos o verbo gradior no substantivo, aparece a palavra “gradus”, que significa escada, salto, nível. Daí derivam graus, graduar, degradar, regressar, ingressar, agredir e… transgredir. Todos esses termos contém a ideia de romper um limite, geralmente saltando um obstáculo. Aplique-se essa ideia às leis e normas sociais e …pronto. Temos o significado de transgredir: infringir, quebrar ou desobedecer uma ordem, uma lei, uma norma, um costume.

Mas rebelar-se contra uma lei injusta não é o mesmo que matar o seu vizinho numa briga. Roubar um bilhão de dinheiro público não é o mesmo que estacionar em fila dupla. Esses atos são sim transgressões à lei e à ordem, mas não dá para unificar todos com o termo transgressão, como se fosse tudo a mesma coisa. Não. Não são. Existem, transgressões e… transgressões.

Transgressão trata de ultrapassar limites e envolve questões éticas e políticas que têm a ver com o poder que estabelece o que é permitido e o que é proibido na sociedade.

Na Coreia do Norte, por exemplo,  é uma transgressão grave não fazer reverência diante da estátua do ditador, do pai do ditador e do avô do ditador. No Nepal é uma transgressão cumprimentar uma mulher com dois beijinhos. Na Arábia Saudita, até a semana passada, era transgressão mulher dirigir um automóvel.

Quando a transgressão serve para quebrar tabus e preconceitos, ela pode ser considerada positiva. Quando serve apenas para quebrar a lei e gerar indignação, é considerada negativa, destrutiva. A transgressão tem, portanto, um caráter ambíguo, que varia conforme o olho de quem julga o ato.

Você deplora um back bloc quebrando vidraças de bancos e a banca de jornal do seu Zé? Pois seu colega aí do lado julga isso legítimo e necessário.

A transgressão está, principalmente, no olho de quem vê. Julgar um ato uma transgressão, diz muito mais sobre quem você é do que sobre o indivíduo que pratica a transgressão. Pense nisso.

Toda sociedade tem seu conjunto de regras e normas que determina o que é normal, o que é natural. Quem transgride essas normas, realiza um ato antinatural, que merece ser castigado.

Thomas Hobbes no século 17 escreveu que o homem é o lobo do homem, e portanto, apenas o medo seria a garantia de paz e segurança para a sociedade. Caberia ao cidadão aceitar sem discutir as decisões do soberano, do poder maior, do governo, do presidente, do rei, do partido,  exceto quando estes não conseguissem manter a paz do coletivo social. Todos que atentarem contra essa ordem seriam, portanto, criminosos, terroristas, subversivos. Para Hobbes, qualquer tipo de repressão é preferível ao caos. E essa justificativa tem sido usada ao longo da história para todo tipo de matança. Tudo em nome da lei e da ordem…

E aí aparece Spinoza.

Para Spinoza, cabe ao estado não dominar os homens pelo medo, mas libertá-los dos medos para que vivam plenamente, desde que sem causar danos ao próximo. O fim do Estado é, portanto, a liberdade. E Spinoza escreve uma frase que é uma porrada: “Se a escravidão, a barbárie e a solidão forem chamadas de paz, nada mais deplorável para o homem que a paz.”

Junte à política das paixões de Spinoza uma pitada do nihilismo de Nietzche, um bocado das reflexões sobre a liberdade de Santo Agostinho, o ceticismo de David Hume, a ética de Kant, uma porção do dinheiro e o capital de Karl Marx, das análises sobre a linguagem de Wittgenstein, da sexualidade e a relação com a morte e a loucura de Freud e pronto!  Temos expostas as feridas do mundo atual, nos levando a questionar as diferenças entre Justiça e Lei, ou entre o Direito e o ordenamento jurídico.

A lei é o direito, mas nem tudo é Direito.

Primavera nos dentes
João Apolinário
João Ricardo

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera

Esse som delicioso aí é de uns transgressores chamados Secos e Molhados. Trata-se de Primavera nos Dentes.

Se a lei é Direito e nem tudo é Direito, desobedecer a lei então, não é necessariamente sinônimo de desobedecer o Direito. É possível desobedecer a uma norma para não cometer uma injustiça, por exemplo… E assim surgem os transgressores que questionam a lei em busca de outros fundamentos das normas sociais, em benefício da liberdade e justiça. Os transgressores do bem.

Nestes tempos interneéticos, então, a transgressão tem atingido graus impensáveis. Pirataria digital, áudio mashups, as misturas das músicas. Até mesmo a Wikipedia, todos são exemplos de transgressões no mundo da mídia digital. E assim como a transgressão se torna cada vez mais presente, fica mais difícil de definir exatamente, que é transgressão. A tecnologia tem impactado na sociedade de formas que muitas vezes nem percebemos, redefinindo nossas práticas culturais, nosso engajamento político e, em última instância, nossas regras e leis. Mídias sociais incendiando revoluções, softwares mudando resultados de eleições, a pornografia onipresente, o sucesso da Wikileaks, a transparência total para nossos atos e uma infinita produção cultural feita por amadores. Tudo isso está mudando o mundo no qual vivemos. E mudando aquilo que se julga transgressão.

Assisti recentemente um vídeo ao mesmo tempo maravilhoso e assustador, que trata da quarta revolução industrial. Aponta para um mundo novo que, provavelmente, eu não verei. Lá pelas tantas, uma das pesquisadoras levanta uma lebre que me deixou encafifado, cara. Ela fala assim ó: que a nossa sociedade que até hoje discutiu liberdade de expressão e que, diante da evolução tecnológica que está abrindo caminho para acessar nossas mentes, terá de começar a discutir a liberdade de pensamento. Ela diz que teremos de criar lugares onde as pessoas possam pensar livremente. Cara! O que me assustou é que ela disse isso com uma tranquilidade…

Olha! Tente colocar a discussão sobre transgressão num mundo onde as pessoas sabem o que os outros pensam…

Não sei você cara, eu não quero viver nesse mundo.

Uma das coisas fundamentais sobre a transgressão é que os limites da transgressão estão sempre em movimento. Depois que um ato transgressivo ocorre, acontecem algumas fases. Primeiro vem o choque! Ninguém compreende o ato. Depois vem a tentativa de racionalizar. O que que é aquilo, meu? Por que? O que é que o autor pretende? Quem é esse autor? Depois vem a formação de uma opinião a respeito. E em seguida a reação.

Esse é um processo de assimilação que, uma vez completo, faz com que a transgressão deixe de ser transgressão. Mulheres com o seio de fora na rua… Houve um tempo que dava cadeia, cara. Hoje dá foto no jornal com todo mundo rindo. Dois homens se beijando. Houve um tempo que isso era proibido, hoje acontece diante de uma plateia com centenas de milhares de pessoas aplaudindo no Rock In Rio. Sacou?

A transgressão é um processo, ela não é um fim. Ela vale muito enquanto é segredo, pouca gente conhece. Você lembra do punk rock? Da calça deixando aparecer a cueca? Das tatuagens? Dos piercings? Do hip hop? Quando essas transgressões se popularizaram, a sociedade se familiarizou com elas, foram aceitas e normalizadas. Ninguém liga mais. O que um dia foi transgressão, agora deixou de ser. E chegamos à ironia suprema: o transgredir, que antes era ferramenta para mudar o sistema, passa a ser ferramenta para ser aceito pelo sistema.

Você quer ser moderno, é? Progressista? Entao, transgrida. Não há outro caminho. Veja o que aconteceu com a moda! A obsessão pela transgressão fez com que os estilistas meio que perdessem de vista uma coisa fundamental: o desejo dos homens e mulheres de se vestir bem e se sentir confortáveis e bonitos. Beleza e conforto são periféricos cara, o que vale é a transgressão.  Quer falar das artes? Dane-se o belo, eu quero é chocar… Então cara, é isso que está aí…

E a coisa vai ficando mais complicada, já que a busca pela transgressão exige que a cada momento se atinja um novo patamar. Sempre mais alto.

Você é um jovem dinâmico, cheio de atitude e energia, contestador, quebrador de tabus. Pintar o cabelo de verde, mostrar a bunda na rua, vestir-se de noiva cadáver, pichar a parede, gritar uns trecos dizendo que é música, fazer a dancinha do Maduro não dá mais, não é? Não choca mais, cara. É ridículo. É hora de subir um degrau. Hummmm…. Que tal então defecar na calçada, hein?  Que tal zoofilia? Necrofilia, meu? Ou melhor ainda: quem disse que o antissemitismo não é apenas só mais um tabu a ser quebrado, hein?

É, meu caro! Mas se transgredir a ordem jurídica pode dar trabalho, pode ser perigoso, que tal então partir para a estética? Pra arte! E dá-lhe carinha com atitude, milhares de transgressores de butique, louquinhos para aparecer no programa da Fátima Bernardes … Pô meu, no âmbito da arte, não há muito a temer. Afinal, a representação da realidade não é a realidade, não é? Pintar um quadro mostrando pedofilia não é praticar a pedofilia, que dá cadeia.? E quem sabe vira modinha, o sistema acaba assimilando e … pronto! Entrevista pra Fátima Bernardes!

Transgredir virou moda. Olhe em volta, aí ó. Quantas vezes você verá, lerá ou ouvirá os termos “inovador”, “ousado”, “independente”, “rebelde”, aplicados às artes, a produtos, a valores sociais vigentes, hein? Transgredir não é apenas aceito, mas é incentivado e aplaudido.

A transgressão, que um dia foi arma para mudar a sociedade, agora virou moda.

Mas qual é o limite, hein?

Bem, entramos definitivamente no terreno da moral e da ética. O limite é aquele imposto pela consciência moral e ética do lugar e do momento em que a transgressão ocorre. Retomando o que eu disse antes, uma mulher de biquíni é uma transgressão séria em vários países islâmicos. E não é no Brasil. Um sujeito arrotando à mesa é uma transgressão no Brasil, mas é sinal de gratidão ao cozinheiro na China. Uma pessoa entrar nua numa sauna pública é transgressão no Brasil. Na Alemanha é costume.

Os limites, as regras, as normas, as leis funcionam para cada época e para cada sociedade de uma forma diferente por isso é preciso ter cuidado ao determinar o que é certo e o que é normal. Temos de pensar no que é natural e entender que o que se passa numa época, pode ser natural apenas para aquela época. Quando alguém tenta justificar uma transgressão nos dias de hoje mostrando uma pintura da idade média, está apenas colaborando para o samba do crioulo doido.

Aquilo que foi limite para mim quando criança, não foi para meus filhos e será menos ainda para meus netos. E coisas que eram naturais quando eu era criança, não serão mais para meus filhos e serão menos ainda para meus netos. Um exemplo que eu gosto de dar é: caçar passarinho, cara… Por outro lado, cada indivíduo tem uma criação, seus valores e forma de ver o mundo. Alguns são mais flexíveis que outros, o que é uma transgressão para um, pode ser natural para outro. O que era comum ontem, pode não ser hoje.

Não podemos também perder de vista que quando uma norma, uma lei, um costume começa a ficar ultrapassado, começa a ser transgredido por mais e mais gente. Mas os primeiros transgressores vão pagar a conta, viu? A história mostra: muitos viraram motivo de piada… e quantos não pagaram com a vida, hein?

É, meu caro, minha cara, para transgredir tem de ter… culhões.

Olha, a questão é complexa, viu? Cabe a você avaliar cada situação com base em seus valores e princípios e respeitar as pessoas que têm valores e princípios diferentes dos seus. Não as obrigue a gostar ou a apreciar as transgressões que você gosta e aprecia. E vice-versa.

Porra. Todo programa eu termino falando de equilíbrio…

Robocop gay
Tiago Santiago

Um tanto quanto másculo
Ai, com M maiúsculo
Vejam só os meus músculos
Que com amor cultivei

Minha pistola é de plástico (quero chupar-pa-pa)
Em formato cilíndrico (quero chupar-pa)
Sempre me chamam de cínico (quero chupar)
Mas o porquê eu não sei (quero chupar-pa)

O meu bumbum era flácido
Mas esse assunto é tão místico
Devido a um ato cirúrgico
Hoje eu me transformei

O meu andar é erótico (silicone, yeah, yeah, yeah)
Com movimentos atômicos (silicone, yeah, yeah)
Sou um amante robótico (silicone, yeah)
Com direito a replay (silicone, yeah)

Um ser humano fantástico
Com poderes titânicos
Foi um moreno simpático
Por quem me apaixonei

E hoje estou tão eufórico (doce, doce, amor)
Com mil pedaços biônicos (doce, doce, amor)
Ontem eu era católico (doce, doce, amor)
Ai, hoje eu sou um gay!

Abra sua mente
Gay também é gente
Baiano fala: Oxente
E come vatapá

Você pode ser gótico
Ser punk ou skinhead
Tem gay que é Mohamed
Tentando camuflar
Alá, meu bom Alá

Faça bem a barba
Arranque seu bigode
Gaúcho também pode
Não tem que disfarçar

Faça uma plástica
Ai, entre na ginástica
Boneca cibernética
Um Robocop Gay
Um Robocop Gay

Um Robocop Gay
Ai, eu sei, eu sei
Meu Robocop Gay

Ai, como dói!

E é assim então, ao som de ROBOCOP GAY, com uma banda transgressora chamada Mamonas Assassinas, que foi assimilada pela sociedade e pelo mercado em questão de dias, que vamos saindo no embalo.

Com o obediente Lalá Moreira na técnica, a transgressora Ciça Camargo na produção e eu, que transgrido muito menos do que devia, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Willian de Atibaia, Walter Franco, Secos e Molhados e Mamonas Assassinas.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito, muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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Conteúdo provocativo, grupos de discussão e uma turma da pesada reunida trocando ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo, sabe como? Juntos!

E para terminar, uma frase do filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham

Toda lei é uma transgressão da liberdade.