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571 – Fala sério

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Luciano Pires -
Download do Programa

Todo povo tem o governo que merece. Se nossos políticos roubam, a culpa é nossa, que os elegemos. Aliás, o Congresso é a representação do povo: se está cheio de bandidos é porque nós somos assim.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. Um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br/571

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Edson Schneider.

“Oi Luciano. bom dia, boa tarde, boa noite. Quem fala é Edson Schneider, sou um ouvinte seu já de longa data, nove anos, acompanho o Café Brasil e eu estava ouvindo uma mídia curta que você lanou esses dias aí, que você fala da formatura da sua filha, que o pessoal não respeitou o juramento e eu fico um pouco chocado com essas coisas, porque eu gosto desse cerimonialismo com significado e certamente o juramento tem um significado, tem a sua reverência que é peculiar, e o seu grau de responsabilidade. 

E o que eu vejo numa geração mais recente, é exatamente o que eu chamaria de uma irreverência irresponsável. Isso é muito ruim porque ser irreverente pode até ser bom, depende porque ponto de vista e a que se está confrontando ou criticando então, a irreverência por si só, ela não é ruim. Mas, quando ela é aliada à irresponsabilidade aí se torna ruim, se torna prejudicial pra sociedade como um todo. E eu vejo isso nessa sociedade atual, nos adolescentes, nos jovens que é uma irreverência irresponsável, não é só uma irreverência, mas é uma irresponsabilidade, uma falta de compromisso, uma falta de engajamento, responsabilidade. 

Eu fico imaginando, pergunta aí pra esses amigos que estavam com você lá na pizzaria se eles gostariam de ser tratados por um médico que agiu da mesma forma ou que age da mesma forma diariamente, de forma irreverente, irresponsável perante o seu juramento de médico e que não está nem um pouco preocupado com a saúde dos seus clientes, dos seus pacientes, daquelas pessoas com quem ele toma contato e trata, mas está só preocupado com o dinheiro que ganha, está preocupado só com o seu próprio nome, a sua reputação. E aí, que tal? Vamos ser irresponsável? Vamos ser irreverente? Irresponsável? Então tá bom.  Vamos merecer isso aí. E é o que vai acabar acontecendo.

É lamentável, é triste, mas a sociedade caminha em pêndulos, ora num extremo, ora no outro e a gente, com sabedoria e sobriedade tenta conviver entre os extremos e ter um pouco de parcimônia e bom senso pra conquistar um país melhor, um presente melhor, não é só um futuro melhor, mas um presente melhor, melhorar a nossa qualidade de vida e daqueles que nos rodeiam, então eu acho que é isso aí que esse pessoal precisa ouvir. Não é uma questão de ser um tiozão babaca que está querendo defender a formalidade, não é isso, mas é uma questão de responsabilidade e reverência quando tem que ser dada reverência. É isso aí. 

Parabéns pela sua posição e acho que essa molecada precisa ser confrontada mesmo e acordar pra vida porque se não acordarem por bem ele vão acabar acordando por mal. É assim que sempre acontece. Um abraço e um bom cafezinho pra você e pra todos nós. Abraço Luciano”.

Que ótima reflexão, caro Edson. Olha! Eu vou mergulhar um pouco mais fundo nesse tema hoje, viu?

O Edson receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Lalá! Você já sacou qual é a do programa, né?

Na hora do amor,

Lalá – …use Prudence, moleque!

Você agora tem um ambiente para mergulhar mais fundo em conteúdos para o crescimento pessoal e profissional: lançamos o Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, repleta de sumários de livros, vídeos, podcasts, áudios… cara! É um monte de conteúdo. É uma festa para quem quer crescer. Acesse cafebrasilpremium.com.br, conheça nossa proposta e junte-se aos assinantes que estão lá praticando seu fitness intelectual.

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Conteúdo extra-forte.

Esse sonzinho caipira aí é a História de um prego do João Pacífico. Eu já falei dessa música num programa lá atrás.

Muito bem, mas o Edson Schneider se referiu a um dos episódios do Café Brasil Curto, o novo Podcast que lancei recentemente, com pequenos comentários de até 3 minutos. No caso, foi este comentário aqui, ó:

Formatura da minha filha, num grande teatro em São Paulo, chega o momento mais importante da cerimônia: o juramento. Um aluno displicentemente lê o juramento inteirinho de uma vez só e olha para a turma, esperando que eles repitam. Todos caem na risada, gritos , bagunça. O coordenador pede que ele leia frase a frase, o que acontece num clima de risos e esculhambação. O sub-reitor então diz severamente: “Este juramento é um compromisso ético com a carreira e o futuro de cada um de vocês! Por favor, levem a sério este que é um dos momentos mais importantes em suas vidas.”

Deu para ouvir o silêncio de perplexidade, mas também um início de vaia, que acabou não se confirmando.

Depois fomos comemorar numa pizzaria. Eu era o mais velho à mesa e alguém lembrou a fala do sub-reitor: “Onde já se viu? Estávamos em festa e aquele cara não tinha nada que ir lá dar aquela dura! Absurdo!” Eu disse que ele estava certo, que aquele momento era importante e que a zona da molecada apenas indicava que não estavam nem aí com compromissos. Só queriam saber da festa.

Quase fui expulso da pizzaria. Como era minha família, não fui chamado de “conservador”, “coxinha”,”fascista” e “preconceituoso, sabe como é qe é né? 

E aí vem aquele progressista com seu relativismo: “O que é bom pra você pode ser ruim pra mim”. E assim o juramento tanto pode ser um valor moral que merece reverência e respeito, quanto uma babaquice de gente velha, que têm de ser ridicularizada. Escolha.

A facilidade com que descartamos valores morais, basicamente por ignorância, apenas reforça a crença de que eles podem ser substituídos por objetos. E isso destrói qualquer compreensão sobre o que é bom e o que é ruim.

Quem vive seus valores agoniza diante de escolhas morais. Os que deixam esses valores apenas pairarem sobre suas vidas, nem percebem que essas escolhas precisam ser feitas.  E isso explica o Brasil de hoje.

Pois é… isso explica o Brasil que está aí, viu? Mas vamos adiante, vai. Essa história da formatura traz à discussão algo que anda incomodando muita gente: essa crise moral que o Brasil vive, onde Joesleys, Malufs, Temers, Lulas, Renans e milhares de outros desorientados morais pintam e bordam, seria nada mais que o resultado do comportamento de cada um de nós, pessoas comuns que, tendo a oportunidade, também praticamos nossos pequenos deslizes morais.

É a tese que o Leandro Karnal, por exemplo, defende:

Somos uma nação de trabalhadores honestos governados por ladrões. Isso é bom de dizer porque o público adora esse tipo de coisa. Ou seja, nós estamos isentos. O mundo lá em cima é que é o problemático. 

Eu insisto e tenho dito sistematicamente: não existe governo corrupto numa nação ética. E não existe nação corrupta com um governo transparente e democrático. É sempre entre governo e nação há um jogo. Então, em nações onde o trânsito funciona como na Suécia, em nações onde se paga os impostos mais corretamente, em geral nessas nações o governo é mais transparente. Então eu acho que a corrupção é um mal social, é um mal coletivo e não apenas do governo. Como eu disse aquela primeira vez que você citou, eu seria muito feliz se todo problema estivesse concentrado num partido. 

Pois bem. Esse partido não está mais no poder neste momento. E as denúncias de corrupção continuam. Então vamos afastar o outro partido também. Você acha que isso nos conduziria ao paraíso? Ou que antes da existência desse partido e dessas pessoas aqui era a terra de gente experimentada na honestidade?

Eu vejo corrupção no trânsito, eu vejo corrupção no dia-a-dia e, como professor faz trinta e três anos, eu recebo atestado médico falso de aluno que perdeu prova. Então, é o governo que está em jogo ou é um comportamento social do qual o governo também faz parte? 

E esse som delicioso, tão brasileiro, é de 1980, CABARÉ DE BANDIDO, de e com Dominguinhos.

Bem, se o Karnal está certo, a raiz dos males estaria, portanto, na falta de firmeza de caráter do brasileiro, naquilo que chamamos de integridade. Olha! Mas isso não é um problema só dos brasileiros, quer ver?

Dan Ariely é professor de psicologia e Economia Comportamental na Duke University, nos Estados Unidos. Lançou um livro chamado A mais pura verdade sobre a desonestidade, no qual afirma que todos nós somos desonestos. A questão é que nosso comportamento tem duas grandes motivações: por um lado, queremos nos enxergar como pessoas honestas e honradas, por outro, tanto quanto possível, queremos atender aos nossos interesses.

Através dos resultados de suas pesquisas e de suas experiências pessoais, Ariely analisa atitudes antiéticas nas esferas pessoal, profissional e política, e mostra como esse comportamento afeta a todos, mesmo quando acreditamos ser possuidores de altos padrões morais.

No grupo do Telegram da Confraria Café Brasil, um dos confrades publicou um trecho do livro de Ariely, que vou usar a seguir. Chama-se Lições do chaveiro.

Aí ao fundo você ouve dois geniais brasileiros, Dominguinhos e Yamandú Costa com PERIGOSO, de Orlando Silveira e Esmeraldino Salles.

Vamos então ao livro de Dan Ariely:

Não muito tempo atrás, um de meus alunos de nome Pedro, me contou uma história que ilustra muito bem nossos esforços equivocados para diminuir a desonestidade.

Um dia, Pedro ficou trancado para fora de casa e então percorreu as redondezas para encontrar um chaveiro. Ele precisou de algum tempo para encontrar um que tivesse autorização municipal para destrancar portas. O chaveiro finalmente estacionou o caminhão e, em cerca de um minuto, destrancou a fechadura.

“Fiquei impressionado com a rapidez e facilidade com que essa pessoa conseguiu abrir a porta”, o Pedro me disse. Em seguida, passou adiante a pequena lição de moral que aprendeu com o chaveiro naquele dia.

Em resposta à surpresa de Pedro, o chaveiro disse a ele que as fechaduras estão nas portas apenas para manter honestas as pessoas honestas. “Um por cento das pessoas sempre será honesto e nunca roubará”, disse o chaveiro. “Outro 1% sempre será desonesto e tentará arrombar a fechadura e roubar a televisão. O resto será honesto desde que as condições sejam favoráveis, mas se as tentações forem suficientemente grandes, também serão desonestos. As fechaduras não o protegerão dos ladrões, que conseguem entrar em sua casa se realmente quiserem.

“Elas só vão protegê-lo da maioria honesta que poderia ficar tentada a entrar na sua casa se não houvesse a fechadura”.

Após refletir sobre essas observações, saí pensando que provavelmente o chaveiro estava certo. Não se trata de que 98% das pessoas sejam imorais ou vão trapacear toda vez que a oportunidade surgir, e sim de que muitos de nós precisamos de lembretes para nos manter no caminho certo.

Tudo que eu fiz
Nico Nicolaiewsky

Tudo o que eu fiz
foi pra tentar entender
como se faz pra viver
o que se diz
quando alguém vai partir

tudo o que eu quis
foi procurar esconder
tudo o que eu sou
tudo o que eu fiz
tudo o que eu quis
tudo o que eu sou

e agora você
que eu sempre quis conquistar
volta pra me procurar
aonde não estou
não sei mais quem sou
onde me achar

eu me perdi
vem me encontrar
sem teu amor
não sei mais quem sou

eu me escondi
vem me mostrar

Ai! Como o Nico Nicolayewiski era bom, cara! Esse som é TUDO QUE EU FIZ, que fala de alguém que se perdeu, que não sabe mais quem é, que perdeu o norte, as referências… olha, eu tenho a impressão de que é assim que muitos de nós estamos, viu?

Durante o período de hegemonia do império babilônico sobre a Mesopotâmia, entre 1800 e 1500 antes de Cristo, o rei Hamurabi foi responsável pela compilação de um conjunto de leis numa sociedade em que prevalecia a tradição oral de geração em geração. Hamurabi mandou esculpir o código numa pedra, que foi colocada em praça pública para que todos pudessem ver. Por estar esculpido em uma pedra não era possível alterar do código.

Não me lembro quanto tempo passei, maravilhado, diante dessa pedra, que está exposta no Museu do Louvre em Paris. Na parte de cima, um desenho que mostra Hamurabi perante o deus sumeriano Shamach e no restante os artigos do Código. São 282 cláusulas baseadas na concepção de que, havendo ocasião, surge o ladrão. As punições a furtos e roubos ocupam boa parte da rocha em que estão gravadas.

Por exemplo: “Se o comprador não apresenta o vendedor e as testemunhas perante as quais ele comprou, o comprador é o ladrão e morrerá. E o proprietário retoma o objeto”.

Sacou? Quase 2 mil anos antes de Cristo…

Ainda no mesmo livro de Dan Ariely, A mais pura verdade sobre a desonestidade, o autor conta uma historinha.

Aí ao fundo você está ouvindo JUÍZO FINAL, de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, com o violinista francês Nicolas Krassik, que a esta altura já virou brasileiro…

Vamos ao texto do Dan Ariely:

Jimmy tem 8 anos e volta para casa da escola com uma anotação do professor, que diz: “Jimmy roubou um lápis do aluno sentado ao lado. “ O pai de Jimmy fica furioso e faz de tudo para dar uma lição no garoto e fazê-lo entender como ficou chateado e decepcionado, deixando-o de castigo em casa por duas semanas. “Espere sua mãe voltar para casa”, diz, em tom de ameaça, para o menino. Finalmente, conclui: “Além do mais, Jimmy, se você precisava de um lápis, por que não me disse? Você sabe muito bem que posso trazer dezenas de lápis do trabalho”.

Bom, reconheceu algum comportamento até aqui, hein? Vamos em frente?

Jonathan David Haidt é professor de liderança ética na Sterns School of Business da Universidade de Nova York. Seus estudos tratam da psicologia da moralidade e foi ele o criador da “metáfora do ginete e do elefante”, que diz o seguinte: dois sistemas independentes funcionam em nosso cérebro, ao mesmo tempo, influenciando um ao outro. De um lado está a parte racional e reflexiva, de outro a emocional e instintiva. Consciente e subconsciente. A primeira pensa e analisa a realidade, a segunda é movida por emoções, dor e prazer.

Quando os dois sistemas seguem em harmonia pelo mesmo caminho, em busca da mesma coisa, sem  conflitos, é uma maravilha. Sabe aquele seu amigo que tem um trabalho que ama? Pois é… Mas quando cada sistema tem suas necessidades, a confusão começa. A metáfora de Haidt diz que o sistema racional é o ginete (o condutor do elefante), e o sistema emocional é o elefante. O elefante é monstruoso, forte, impulsivo. O ginete é pequeno e fraco, mas muito esperto. Por sua inteligência, o pequeno ginete consegue controlar o grande elefante, dirigindo-o  e comandando. Mas se o elefante decidir tomar alguma iniciativa por conta própria, não há ginete que segure…

Mas uma coisa muito legal que encontrei no trabalho de Haidt, foram os cinco fundamentos morais para o comportamento das pessoas, que ele aplicou à política, criando os cinco tipos de moralizadores políticos. Veja em qual você se encaixa:

Moralizador 1: Danos. Sobre se a pessoa prevê ou alivia danos. Favorece virtudes como bondade, gentileza e compaixão e desaprova vícios como crueldade e agressão.

Moralizador 2: Justiça. Sobre justiça e reciprocidade. Sobre agir com justiça em relação aos outros e a reciprocidade nas trocas econômicas e sociais. Prefere o altruísmo e a cooperação  e desaprova a ganância e a ingratidão.

Moralizador 3: Grupo. Sobre lealdade ao grupo. Sobre se sacrificar ou não por outros membros do grupo. Entende lealdade e patriotismo como virtudes e deslealdade e divergência como vícios.

Moralizador 4: Autoridade. Sobre autoridade e respeito. Sobre o respeito às estruturas organizacionais, às instituições e seus líderes. Vê o respeito, o direito e a obediência como virtudes e considera a insubordinação e a insolência como vícios.

Moralizador 5: Pureza. Sobre pureza e santidade. Sobre práticas do corpo que causem repugnância e doenças físicas e práticas espirituais como a religiosidade, que ajudam a proteger a alma. Vê a castidade, piedade e espiritualidade como virtudes e a gula, inveja e a ira como vícios.

Conforme os testes que Haidt fez com seus estudantes, a turma progressista, da esquerda, está mais ligada nos moralizadores Dano e Justiça que à Autoridade ou Pureza. Já os mais à direita, dão mais importância aos moralizadores Grupo e Autoridade do que a Dano e Justiça.

Tá bem, o teste foi feito com estudantes, a garotada cheia de hormônios e disposta a mudar o mundo nem que seja na porrada, e não foi feito com senhores como eu.

E descobri que se me basear nos moralizadores de Haidt, eu sou de esquerda, cara.

É. Vou ter de prender meu  elefante.

É fascinante pegar as histórias que contei neste programa, a da formatura, a do chaveiro, a do menino que roubou o lápis e mesmo as grandes corrupções que estamos vendo, e aplicar a elas os moralizadores de Haidt. Aliás, tente descobrir quais são os moralizadores que conduzem as escolhas que você faz.

Olha1 Eu sei que esse assunto é muito importante e interessante e trata-lo num Podcast de 30 minutos é complicado, precisa de um mergulho mais profundo e demorado. Então deixe-me incentivar você: acesse o portalcafebrasil.com.br/571 e baixe o resumo deste programa.  Tem links lá, por exemplo, para uma página da Texas Tech University na qual você pode fazer seu teste para saber a qual dos cinco tipos de moralizadores de Haidt você se submete.

Está em inglês: http://bit.ly/1UfgC5C

Depois, com tempo, leia-o resumo com cuidado, parando para refletir, estudando e aplicando os conceitos em seu dia a dia.

É isso que eu chamo de fitness intelectual.

Fala sério
Peteleco da Viola

Fala sério, que eu não sou valério,
Eu não sou delúbio,
E nem tenho distúrbio mental.

Fala sério, que eu não sou menino,
Não sou severino
E nem recebo propina mensal.

Fala sério, lá o tempo está feio,
E a bomba do correio explodiu no planalto central,
E o eleitor com cara de babaca
Votou no panaca que só fez promessa
Os deputados que enganaram a gente
Cace os delinquentes que roubaram a beça
Só caixa dois no bolso deles é o que interessa, fala sério.

Fala sério, dirceu é ladino,
Não sou genuíno,
Nem sou jéferson amigo da onça.

Fala sério, corrupção matreira,
Que tem silvio pereira,
Não precisa de duda mendonça.

Fala sério, até o índio reclama,
Que a culpa é do ibama,
Mas o incra acusa a funai. (aquele jogo de empurra).

Fala sério, qual é o critério pra tanto mistério,
E a terra do índio não sai.
A amazônia não é quintal do mundo,
Pra nem um vagabundo vir jogar seu lixo,
Não é lugar pra se fazer queimada,
Nem matar onça pintada ou qualquer outro bicho,
O mensalinho e o manauará é tanto lixo fala sério.

Fala sério, é tanto absurdo,
Maluf negou tudo
Com habeas-corpus na cara de pau.

Fala sério, cadê o traficante,
E a grana do flagrante,
Que sumiu das mãos da federal.
E o costa neto se deu bem de vez,
Trinta mil por mês ele recebia,
Renunciou para não ser caçado,
E deram pro safado aposentadoria,
Quem foi que disse que o lula não sabia? fala sério.

Fala sério, de olho no valério,
Acabou o mistério,
Com escândalos dos mensalões.

Fala sério, se não há critério,
Neste ministério de falcatruas e armações,
Pra mim é pt saudações.
Prendam todos os ladrões, fala sério.

E é assim então, ao som de FALA SÉRIO, composição de 2006 de Rossivaldo Patriarca dos Santos, um eletricista de Manaus, compositor e cantor nas horas vagas,  mais conhecido como Peteleco da Viola,  que vamos saindo pensativos…

Com o justo Lalá Moreira na técnica, a ínclita Ciça Camargo na produção e eu este velho conservador que gosta de respeitar aí umas coisas antigas , Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Edson Schneider, Dan Ariely , Leandro Karnal, Jonathan David Haidt, Nico Nicolayewiski, Dominguinhos, Yamandú Costa e Peteleco da Viola.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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Mergulhe fundo no mundo do Café Brasil acessando:

Para o resumo deste programa, portalcafebrasil.com.br/571

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Conteúdo provocativo, grupos de discussão e uma turma da pesada, reunida para trocar ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo junto!

E para terminar, Machado de Assis:

“Não é a ocasião que faz o ladrão, o provérbio está errado. A forma exata deve ser esta: a ocasião faz o furto; o ladrão já nasce feito”.