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564 – Fogo no circo

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Luciano Pires -
Download do Programa

ILUSTRAÇÃO DA VITRINE: VITO QUINTANS 

Cara, que momento político e social é este que estamos vivendo, hein? A imagem que surge é a daquele circo pegando fogo. E a pergunta é: o que que a gente pode fazer a respeito, além de tentar fugir do incêndio, hein?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. Um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br/564.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Vitor de Porto Velho… Aliás, deixa eu dar uma dica aqui: cara! Se você ganhou o e-book, se você ganhou algum brinde aqui no programa e não entrar em contato conosco, a gente não tem como adivinhar. O pessoal está ganhando, não dá bola e depois reclama, “ah, não recebi nada…” Eu tenho que receber um contato, tenho que receber um e-mail de vocês pelo [email protected], ou então pelo whatsapp que a gente diz no final do programa.

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano Pires, Lalá e Ciça. Neste final de semana eu estive com o meu padrasto e ele, na sua humildade e uma certa ignorância, por não ter tido estudos universitários mas tem seu patrimônio, tem seus méritos, trabalha muito, acorda muito cedo, dorme cedo… nós estávamos conversando sobre previdência e eu comentei com ele algumas coisas que eu havia escutado no podcast e ele disse: não pensa essas coisas não, falando sobre o que poderia se fazer para mudar um pouco o Brasil.

Vive a vida. Esquece essas coisas senão você vai ficar louco…

Eu, falando sobre as mudanças que deveriam acontecer no Brasil, em direito trabalhista, tributário, e ele falou: não é o seu pensamento que vai mudar não. E hoje, escutando aí o Vida de vampiro, acabei de terminar o episódio, o podcast, fiquei pensando… tantos vampiros a gente tem, incomodando a nossa vida. 

E quanto mais eu escuto o Café Brasil, mas eu penso na melhoria do Brasil. Acabei de sair de casa e estava passando o Jornal Nacional, mais coisas sobre o petrolão…. Cara… eu não sei até onde faz bem pra mim o Café Brasil. Eu fico indignado com tanta roubalheira na cara dos brasileiros,  na cara da justiça e nada acontece. 

Quem fornece pro governo, pras prefeituras via licitação, só recebe se der propina, se não eles não pagam, a empresa que eu trabalho a gente, infelizmente foi taxado com esse tipo de cobrança, nós pulamos fora, porque você acaba se comprometendo, se sujando por uma idiotice. Denunciamos já. Então, é complicado a justiça ficar tão cega, né? Realmente, como a estátua da justiça é cega com uma balança na mão e infelizmente não abre o olho pra ver que, com tantos depoimentos, ainda se quer provas. É lógico que o que é ilícito não vai ter provas.

Me admirou muito quando a Odebrecht disse que tinha um setor só pra isso. E com planilha, tudo anotado. Quer prova maior que isso? Eu me pego pensando durante o dia, durante alguns procedimento que acontecem no dia, sobre tributação, quanto a gente paga… mais de 50% dos produtos, do valor pago no produtos, são impostos, cara. E a gente tem uma vida pública horrível neste país, cara. Tanto dinheiro e a gente vai ver o governo falando que não tem dinheiro. Os caras quebraram o Rio de Janeiro. Meu! Que é isso cara? Onde a gente vai parar?

Desculpe aí, estar desabafando, mas eu sou um brasileiro, acredito no potencial deste país, acredito na raça brasileira de vencer o desafio. Com tudo isso que a gente faz, a gente ainda é um país tão maravilhoso… além de tudo, belezas naturais, sem desastres. O que peca é o povinho, né cara? E a gente tem que começar com a pedrinha no lago, mudando nosso jeito de ser, mudando a maneira como a gente reage e interage com as situações do dia a dia, tentando sempre ser uma pessoa melhor, sempre fazer o melhor.

E o Café Brasil tem me ajudado muito a ter um melhor discernimento das coisas, do que me passa no dia a dia, das dificuldades, dos problemas, das situações e eu gostaria de agradecer, tendo esse desabafo aqui, agradecer a você todo o conteúdo e dizer, que eu não assinava o Café Brasil, não contribuía e agora, escutando aí também o episódio do Café Brasil Premium, serei um novo sócio desse cafezinho tão maravilhoso e que toda semana essa cafeína me desperta prum mundo melhor. Muito obrigado, Luciano”

Rararara… Vitor, o véio vai ficar louco ouvindo o Café Brasil, é? Pois é… mas olha, se todo mundo fizer como seu padrasto recomenda, é isso que está aí ou pior. Vamos falar disso neste programa.

Muito bem. O Vitor receberá, eu ia dizer para dividir com o padrasto, mas é estanho isso aqui, cara… um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Você viu aí Lalá? O homem lá tá incrédulo. Não crê muito. Então, vamos fazer aqui com que ele acredite, tá bom?

Lalá – na dúvida, use PRUDENCE.

Você agora tem um ambiente para mergulhar mais fundo em conteúdos para o crescimento pessoal e profissional: lançamos o Café Brasil Premium, nossa “Netflix do conhecimento”, repleta de sumários de livros, vídeos, podcasts, áudios… cara! É um monte de conteúdo. É uma festa para quem quer crescer. Acesse cafebrasilpremium.com.br, conheça nossa proposta e junte-se aos assinantes que já estão viajando por lá.

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Conteúdo extra-forte.

Respeitável público, o ano é 1961, o dia é 17 de dezembro e a cidade é Niterói. O auto-proclamado maior e mais completo circo da América Latina, o Gran Circo Norte-Americano, que tinha cerca de 60 artistas, 20 empregados, e 150 animais havia se instalado na cidade. O dono do circo, Danilo Stevanovich, havia comprado uma lona nova, que pesava seis toneladas, e seria de náilon – detalhe que fazia parte da propaganda do circo.

circo 1

Cartaz do circo, repare na chamada para “cobertura de Nylon”.

O norte-americano chegou a Niterói uma semana antes da estreia e instalou-se na praça Expedicionário, no centro da cidade

cieco 2

O Gran Circo Norteamericano

A montagem do circo demandava tempo e muita mão de obra. Danilo contratou cerca de cinquenta trabalhadores avulsos para a montagem. Um deles, Adílson Marcelino Alves, o “Dequinha”, tinha antecedentes por furto e apresentava problemas mentais. Trabalhou dois dias e foi demitido por Danilo Stevanovich.

Na estreia, 15 de dezembro de 1961, o circo estava tão cheio, que Danilo mandou suspender a venda de ingressos, para frustração de muitos. Nessa noite, Dequinha tentou entrar no circo sem pagar, mas teria sido visto e impedido pelo tratador de elefantes, Edmílson Juvêncio.

No dia seguinte, 16 de dezembro, sábado, Dequinha continuava a perambular pelo circo e começou a provocar o arrumador Maciel Felizardo, a quem acusava de ser culpado por sua demissão. Seguiu-se uma discussão e Felizardo agrediu o ex-funcionário, que reagiu e jurou vingança.

Na tarde de 17 de dezembro de 1961, Dequinha se reuniu com José dos Santos, o Pardal e Walter Rosa dos Santos, o “Bigode”, com o plano de atear fogo ao circo. Eles se encontraram num local denominado Ponto de Cem Réis, na divisa do bairro Fonseca com o centro e decidiram pôr em prática o plano de vingança. Um dos comparsas de Dequinha, responsável pela compra de gasolina, advertiu sobre a lotação esgotada do circo e o risco de que pessoas poeriam morrer, mas Dequinha estava irredutível: queria vingança e dizia que Stevanovich tinha uma grande dívida com ele.

No jornal Tribuna da Imprensa de 22 de dezembro de 1961, foi publicado que “Enquanto Valter Rosas dos Santos jogava gasolina pelo lado de fora do circo, Dequinha assistia, lá dentro, ao espetáculo, se divertindo com o palhaço. Cinco minutos antes de terminar o show, ele saiu e, mesmo sabendo que amigos seus estavam dentro do circo, botou fogo em tudo.” Esse relato teria sido feito aos jornalistas pelo próprio Dequinha, na presença dos policiais.

Com três mil pessoas na plateia, faltava pouco tempo para o espetáculo acabar, quando uma trapezista notou o incêndio. Em pouco mais de cinco minutos, o circo foi completamente devorado pelas chamas. 372 pessoas morreram na hora e, aos poucos, vários feridos morriam, chegando a mais de 500 mortes, das quais 70 % eram crianças. Ironicamente, a fuga de um elefante da sua jaula, foi o que acabou por salvar muita gente. O animal com sua força, arrebentou parte da lona, abrindo uma rota de fuga. A lona, que chegou a ser anunciada como sendo de náilon, era, na verdade, feita de tecido de algodão revestido de parafina, um material altamente inflamável.

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Na multidão em pânico muitos morreram por pisoteamento.

Por coincidência, naquele dia, a classe médica do estado do Rio de Janeiro estava em greve. O Hospital Antônio Pedro, o maior de Niterói, estava fechado. A população arrombou a porta e os médicos em greve foram sendo convocados através da rádio, pelos soldados do exército, que compareceram ao hospital de imediato. Médicos de clínicas privadas também foram atender aos feridos. Inclusive, os cinemas e teatros de Niterói, Rio de Janeiro e outras cidades vizinhas interromperam seus espetáculos para averiguar se haveria médicos entre o público, tal foi a dimensão da catástrofe. Padres também foram convocados de emergência, para darem a extrema-unção às vítimas que não tinham esperança de sobreviver. Nos dias seguintes, várias personalidades da elite fluminense e brasileira no geral, deslocaram-se à Niterói para prestar o máximo de apoio e auxílio às vitimas. Dentre essas personalidades, destaca-se o então Presidente, João Goulart.

Foi a maior tragédia já vivida em Niterói e causou comoção no mundo inteiro, com votos de pesar inclusive do Papa João XXIII.

A cidade ficou traumatizada e só voltou a ver um circo 14 anos depois.

As agências funerárias não tinham capacidade para atender a tantas vítimas. O Estádio Caio Martins foi transformado numa oficina provisória para a construção rápida de caixões, com carpinteiros da região trabalhando dia e noite. Os cemitérios municipais de Niterói logo ficaram lotados; assim, uma roça no município de São Gonçalo, vizinho de Niterói, foi usada de urgência como cemitério para enterrar os corpos. Como não havia no Instituto Médico Legal de Niterói mais espaço, vários corpos foram recolhidos às câmaras de estocagem de carne bovina da Maveroy Indústrias Frigoríficas.

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A fábrica de caixões emergencial dentro do ginásio de esportes

Após uma semana com mais de duas centenas de corpos ainda guardados nos Frigoríficos de Niterói, a prefeitura de São Gonçalo recebeu os corpos das vítimas colocando-os em covas rasas num terreno que seria mais tarde o Cemitério de São Miguel.

Com base no depoimento de funcionários do circo que acompanharam as ameaças de Dequinha, ele foi preso em 22 de dezembro de 1961. Os cúmplices Bigode e Pardal também foram presos.

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Dequinha é o de camisa xadrez

Em 24 de outubro de 1962, Dequinha foi condenado a 16 anos de prisão e a mais 6 anos de internação em manicômio judiciário, como medida de segurança. Em 1973, menos de um mês depois de fugir da prisão, foi assassinado. Bigode recebeu 16 anos de condenação, e mais um ano em colônia agrícola. Finalmente, Pardal foi condenado a 14 anos de prisão, e mais dois anos em colônia agrícola.

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José Datrino

Pois então… seis dias após o incêndio, lá mesmo em Niterói, um motorista de caminhão chamado José Datrino, impactado pela tragédia, acordou ouvindo “vozes astrais”, segundo suas próprias palavras:

“No dia 23 de dezembro de 1961 eu recebi o chamado de três vozes astrais para deixar o mundo material e viver o mundo espiritual na terra. Eu deveria vir como São José para representar Jesus de Nazaré na terra, perdoar toda a humanidade e mostrar o caminho da verdade que é o nosso Pai. (…) Fui ao Circo ser o consolador de todos que chegavam desesperados porque perderam papai e mamãe… ”

O empresário pegou um de seus caminhões, foi para o local do incêndio e plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo. Aquela foi sua morada por quatro anos.

E daquele dia em diante, passou a se chamar José Agradecido ou simplesmente Profeta Gentileza.

circo 8

Gentileza
Marisa Monte

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de gentileza
Por isso eu pergunto
A você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
“Amor: palavra que liberta”
Já dizia o profeta

Pois então… a tragédia do Gran Circo Norte-americano nos deu o Profeta Gentileza, que por anos perambulou pelas ruas do Rio de Janeiro em sua pregação que tinha na raiz algo muito simples: gentileza gera gentileza.

Comecei o programa com o dramático relato da tragédia de Niterói para ilustrar o momento que vivemos no inesquecível primeiro semestre de 2017, quando parecia que a operação Lava Jato atingira seu ápice, chegando ao Presidente Michel Temer e às estarrecedoras delações de Joesley Batista, o dono da JBS, que abalou os alicerces da república.

Olha! Eu fui cobrado, viu? O pessoal queria saber. Vem aí um podcast a respeito. O problema é o seguinte, cara o momento era de perplexidade e o mais sensato, pelo menos pra mim, é aguardar os acontecimentos, que mudaram a cada segundo. Tinha muita gente interessada na confusão generalizada e naquele momento era muito fácil ser transformado em inocente útil. Por isso não quis fazer aqui análises políticas e sociais, neste momento. Tem bandido demais na praça e gente demais falando merda.

Eu quero propor a você uma reflexão para depois que terminar o incêndio do circo.

Quero saber se conseguimos nos transformar em gentilezas…

Será que não dói menos assumir de vez que este nosso sistema só funciona porque a gente paga propina, hein ? E que e temos a expectativa de que servidores públicos poderosos vão enriquecer? Olha, isso é o que todos fomos acostumados a esperar. Foi isso que a gente construiu. É a iniquidade de nossas vidas…

Aprendemos a apreciar os poderosos de longe, a ambicionar suas riquezas e, a menos que sejamos diretamente afetados pelo comportamento imoral e não ético de alguns desses poderosos, acabamos nos identificando com seu sucesso. Quantas vezes você vê esses campeões em capas de revistas, em entrevistas na televisão e em blogs, sendo exibidos como modelos de sucesso e prova de que, se estão lá, você também pode estar?

E assim acabamos entregando o controle da economia a esses campeões, afinal, são eles que sabem das coisas. São eles que, com dinheiro, fazem mais dinheiro. São eles os doutores, não é?

O mesmo vale para a classe política. São eles que sabem das regras, são eles que sabem o que é melhor para nós, são eles que decidem por nós…

E foi nisso que nos transformamos: um rebanho de bovinos resignados, assistindo os campeões pintando e bordando. Até que em 2013 algum movimento se inicia. Sim, em 2013 foi um movimento dirigido, com interesses claros, mas que abriu caminho para o que aconteceu em seguida: o povo indo às ruas, de forma desorganizada, sem pautas claras, sem lideranças válidas. Mas foi um começo, o suficiente para trazer os bastidores da política para primeiro plano, para dar o palco que a Lava jato precisava, para tirar as máscaras dos campeões e revelar suas caras feias. E lá se vão quatro anos, até chegar no Joesley da JBS e suas gravações deste circo de horrores.

Especialistas pra todo lado, mídias sociais em ebulição, gente dando palpite a torto e a direito… e… cara… como isso é bom! Que momento vivemos! Que privilégio assistir a este ponto de virada! Sim, cara! Essa zona que estamos vivendo pode ser um ponto de virada! É esse debate político, mesmo caótico, que precisa continuar, é ele que vai desnudar os excessos de nossos campeões, a sua ganância e corrupção. É esse debate que, aos poucos se organizando, vai nos apresentar alternativas, sem as quais temos mais é de aceitar as velhas práticas, inclusive os escândalos, como sendo o custo inevitável de tocar a sociedade da única forma que sabemos fazer.

Sem a busca pelas alternativas, só nos resta olhar esse congresso, esses tribunais, esses gestores e imaginar que é isso aí mesmo, cara.

Isso é o melhor que conseguimos fazer.

Como animais sociais, somos programados para liderar e sermos liderados. Exatamente como macacos ou lobos, respeitamos o que chamamos de hierarquia da dominância. Ao reconhecer alguém como líder, imediatamente nos submetemos a ele. Mesmo quando nos deparamos com líderes tóxicos, com seus comportamentos destrutivos e psicóticos.

É aquela porção animal, da hierarquia da dominância, que transforma a crença nos líderes e o desejo de sermos protegidos por eles, numa espécie de fé, que cega as pessoas para o mau comportamento dos campeões.

Colocamos os líderes em pedestais. Eles não são gente comum, devem saber de coisas que nós, simples mortais, não sabemos. E no processo, toleramos seus deslizes.

Afinal, nós é que devemos estar errados, não é?

E então esses líderes começam a acreditar que sim, são especiais, são infalíveis, têm as respostas. A ponto de se sentirem acima das leis…

É quando aqueles heróis, bajulados, perdoados, idolatrados, fazem isso que você está vendo aí: roubam, desviam, tratam a coisa pública como sendo sua, compram uns aos outros, humilham, desrespeitam. Pense nos personagens que você tem visto na televisão recentemente.

E então somos obrigados a ler uma declaração de Joesley dizendo assim:

“Erramos e pedimos desculpas. Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso.

Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos.

Ainda que nós possamos ter explicações para o que fizemos, não temos justificativas.

Em outros países fora do Brasil, fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos.”

Entendeu a nota do Joesley, hein? Em outro país, que não é de bananas e de bovinos resignados, a gente agiu com ética viu?

Em última instância, a culpa por eu ter roubado é sua, seu trouxa…

Os Joesleys, Eikes, Cunhas, Cabrais, Aécios, Lulas e tantos outros, não compreendem que o Brasil é de todos, acham que é deles. E para se manter no poder, mentem, manipulam e compram…

A única forma de combater essa situação é erguer-se contra esses líderes tóxicos. E temos vários exemplos pelo mundo, mostrando que foi preciso que algumas centenas, quem sabe milhares, de pessoas comuns, como eu e você, pratiquem ações heroicas. Como fez Janaína Paschoal, que ainda é tratada por muita gente como uma maluca, mas que a partir de sua iniciativa individual, de seu inconformismo, derrubou Dilma Rousseff. Ouça o LíderCast que eu gravei com ela.

É preciso mudar o discurso. Parar de gastar energia defendendo minorias e oprimidos, combatendo os ricos. Isso é muito pequeno e ineficiente, serve apenas para dividir a sociedade em classes, em pequenos grupos muito fáceis de serem neutralizados. É preciso parar de colocar nossos esforços nas ações táticas. Temos de botar energia nas ações estratégicas.

Temos de defender valores. Você ouviu? Va-lo-res.

Quando defendemos valores, não importa se você é homem, mulher, jovem, velho, preto, branco, gordo, magro, rico ou pobre, percebe?

Sabe aquele tiozinho do qual você tira sarro, porque ele fala de honra e sobre um tempo que não existe mais? Sabe aquela tiazinha que você considera uma coitada, pois ela fala de caráter, de educação e do respeito que não existem mais? Sabe aquele professor que você desdenha, pois fica filosofando e enchendo sua cabeça de blábláblá em vez de falar de vendas, de produtividade, de execução? Sabe aquele cara estranho que você considera um maluco, porque ele fala de gentileza?

Preste atenção neles. Defenda-os. Proteja-os. Valorize seus discursos. Eles representam a única arma capaz de nos proteger dos Joesleys: os valores. Exatamente como aqueles que seus pais passaram para você, e que estão esquecidos num baú, pois importante mesmo é o campeão, o vencedor, a autoridade.

Pois é.

Quem acha que no final das contas o que interessa é o campeão, merece que o circo pegue fogo.

Comentários a respeito de John
Belchior

Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decido a minha vida
Não preciso que me digam, de que lado nasce o sol
Porque bate lá o meu coração

Sonho e escrevo em letras grandes de novo
pelos muros do país
João, o tempo, andou mexendo com a gente sim
John, eu não esqueço, a felicidade é uma arma quente
Quente, quente

Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decido a minha vida
Não preciso que me digam, de que lado nasce o sol
Porque bate lá o meu coração

Sob a luz do teu cigarro na cama
Teu rosto rouge, teu batom me diz
João, o tempo andou mexendo com a gente sim
John, eu não esqueço (oh no, oh no),
a felicidade é uma arma quente
Quente, quente

E é assim então, ao som de COMENTÁRIOS A RESPEITO DE JOHN, de Belchior, a música que ele fez para um outro profeta e que diz: deixe que eu decida a minha vida, que vamos saindo de mansinho.

Este programa não é uma análise política. É só um grito de alerta, um chamado às nossas raízes, àquilo que falta aos Joesleys… Este programa é meu jeito de dizer que quando passar o incêndio, eu torço para surgir não um, mas milhares de Profetas Gentileza. Gente interessada em outras coisas, muito além de puxar o saco dos campeões de mentira que nos trouxeram até aqui.

Com o ansioso Lalá Moreira na técnica, a desorientada Ciça Camargo na produção e eu, que às vezes me considero um palhaço, mas não de circo, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Vitor, Belchior, um monte de música de Circo, o Joesley Batista e a Marisa Monte.

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E para terminar, tinha de ser, né? Profeta Gentileza

Gentileza pra mim é todos nós. Amor e liberdade. Cadê o amor? Ninguém tem amor a ninguém. Ninguém ama ninguém. Ninguém conhece ninguém. Isso é que cega.