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559 – Vida de vampiro

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Luciano Pires -
Download do Programa

ILUSTRAÇÃO DA VITRINE: VITO QUINTANS 

Ainda na praia da Justiça e a partir de uns vampiros aí, vamos hoje apresentar algumas ideias sobre um princípio muito interessante, o da equidade. Mais uma vez tratarei sobre a igualdade de direitos.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Criamos um resumo deste programa para você complementar as reflexões que o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse no portalcafebrasil.com.br/559.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Zé…

“Boa noite Luciano, Lalá e Ciça. Acabei de escutar o episódio 556 Certos abraços, dentro do ônibus vindo pra casa e reparei que mais uma vez me emocionei com um programa de vocês. E hoje, eu estou bem cansado, saí do trabalho, chegando em casa agora, só querendo tomar um banho, comer uma coisa e dormir. E no final do programa você perguntou em quem vou dar um abraço e certamente hoje, antes de dormir, vou dar um beijo e um abraço nos meus filhos e na minha linda esposa porque é bom deixar o baú de abraços não dados vazio, né? A gente não sabe o dia de amanhã.

Valeu! Obrigado por mais esse programa que faz pensar mas, às vezes, a gente precisa desse choque de realidade. Abraço. E boa noite. Meu filho me encontrou na rua agora. Fala Zé! Dá um oi, fala oi.

Zé – Oooooooiiiii.

Rararara… o ouvinte não deu o nome, mas deu o nome do filho, o Zé. Então o livro vai pro Zé! Aliás, eu dedico este programa inteirinho pro Zé. Não é fascinante, hein? O pai retornando para casa, o cachorro latindo ao fundo, o filho vindo ao encontro na rua… parece um filme, cara… E tem gente que ainda me escreve reclamando que eu coloco a voz do ouvinte no programa.

____________________

O ouvinte é o Bruno Tinelli, e aqui está ele com o Zé:

Bruno e Ze

_______________________________________

Muito bem. O pai do Zé receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Lalá! Hoje é de pai pra filho, hein?

Na hora do amor, use

Lalá – Use Prudence, meu filho.

Muito bem, meu pai! Você agora tem um ambiente para mergulhar mais fundo em conteúdos para o crescimento pessoal e profissional: lançamos o Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, repleta de sumários de livros, vídeos, podcasts, áudios… Olha cara! É uma festa para quem quer crescer. Acesse cafebrasilpremium.com.br, conheça nossa proposta e junte-se aos assinantes que já estão viajando por lá.

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Conteúdo extra-forte.

Palavra de Deus usa uma expressão que às vezes a gente lê e não entende muito o sentido dela. A palavra é iniquidade. O que que é iniquidade? 

Iniquidade é quando a gente está tão acostumado ao pecado, que o pecado, a gente não tem mais vergonha de comete-lo. E ele passa a ser algo tremendamente natural na nossa vida. 

E a bíblia diz que quando a iniquidade chega, ou seja, o coração do homem está tão endurecido que ele não se envergonha mais do pecado, ele não pode reconhecer nem que uma determinada ação é pecado. É tempo que Deus tem que julgar a sua terra, julgar o seu povo, julgar uma nação. 

El Justiceiro
Os Mutantes

Once upon a time when the hot sun faded behind the mountains
The shadow of a strong man. With a gun in his hand
Raised to protect the poor people of the haciendas
They called him: El Justiciero

He, El Justiciero buenos dias
Que tienes a decir
El Justiciero yo soy pobre
¿Que tienes a me dar?
Tiengo chocolate quiente
Tequilla, paga lo que deves

El Justiciero cha, cha, cha
Que otra cosa puedo dar
El Justiciero cha, cha, cha
Que otra cosa puedo dar

El Justiciero yo tengo 30 hijos com hambre
La guerra, la guerra me ay strupatto tanto bena
Socuerro, El Justiciero
¡Ajuda-me por favor!

He, El Justiciero buenos dias
Que tienes a decir
El Justiciero yo soy pobre
¿Que tienes a me dar?
Besa me mucho Juanita Banana
Cuando calienta el sol

El Justiciero cha, cha, cha
Que otra cosa puedo dar
El Justiciero cha, cha, cha
Que otra cosa puedo dar

Esses são os Mutantes com EL JUSTICIERO. Eu comecei o programa usando o áudio de um vídeo que ficou famoso ao viralizar pela internet em 2010. Nele, o pastor Paschoal Piragine Jr, presidente da Primeira Igreja Batista de Curitiba fez um pronunciamento político durante uma de suas pregações, usando o termo “iniquidade”.

– Porra, Luciano, vai usar pastor no Café Brasil é???

Vou usar sim senhor. Eu vou usar pastor, vou usar poeta, engenheiro, médico, político, cantor, ator, advogado… olha… se bobear vou usar até você cara! Qualquer pessoa que tiver algo a dizer que seja interessante, cabe aqui no Café Brasil.  Abri com esse trecho do Pastor Piragine, pois seu pronunciamento teve o mérito de pegar o conceito da iniquidade, que é muito comum dentro das comunidades religiosas, e aplicar diretamente em nossas vidas, num contexto eleitoral, político, referindo-se a certos vampiros aí.

Religue o disjuntor aí, vai, que no final do programa ele vai cair de novo. Vou usar as palavras de um outro pastor, que vai esclarecer essa questão dos vampiros.

O trecho que mais chama a atenção nas palavras do pastor Pachoal Piragine é este:

“Iniquidade é quando a gente está tão acostumado ao pecado, que não tem mais vergonha de cometê-lo. E o pecado passa a ser algo natural em nossa vida.”

Iniquidade é, portanto, na designação religiosa, o pecado.

Saindo dos domínios da fé e entrando nos da justiça, a iniquidade é a transgressão da lei, é a falta de justiça, o tratamento desigual dos indivíduos. Adaptando as palavras do pastor:

“A iniquidade é quando a gente está tão acostumado a transgredir a lei, que não temos mais vergonha de fazê-lo. E a transgressão passa a ser algo natural em nossas vidas.”

Trago agora um trecho do depoimento de Emílio Odebrecht aos promotores como parte de seu acordo de delação premiada na operação Lava Jato.

“O que me surpreende é quando eu vejo todos esses poderes, a imprensa, tudo realmente, como se isso fosse uma surpresa. Me incomoda isso. Não exime em nada a nossa responsabilidade. Não exime em nada a nossa benevolência. Não exime em nada que nós praticamente passamos a olhar isso como normalidade. Porque trinta anos é difícil as coisas não passarem a ser normais.
 
O que me entristece, inclusive aí eu digo, a própria imprensa, a própria imprensa, a imprensa toda sabia de que, efetivamente o que acontecia era isso. Por que agora estão fazendo tudo isso? Por que não fizeram isso há dez, quinze, ou vinte anos atrás? Porque tudo isso é feito há trinta anos.
 
Agora os mais velhos, os da minha geração me perdoem, eu não aceito essa omissão. Não aceito. De nenhuma área. É importante que haja compreensão disso, é a realidade. … e a própria imprensa… vamos botar claro, quer dizer, essa imprensa sabia disso tudo e fica agora com essa demagogia, me perdoe.
 
Eu realmente, eu acho que todos deveriam fazer uma lavagem de roupa sobre o que é que a gente pode fazer. Então nós, estamos dispostos a dar nomes, e é por isso que eu considero as mudanças estruturantes fundamentais neste país, para que todos também possam dar sua contribuição pela omissão que tiveram durante tanto tempo.”

O Malandro
Chico Buarque

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
‘Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assutador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom

O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação

E você ouve aí, na interpretação do MPB4, a canção O MALANDRO, que Chico Buarque compôs para a Ópera do Malandro. Nem todos sabem que essa música já existia, originalmente chamada di moritát fon méquie´n mecher “Die Moritat von Mackie Messer”, composta por Kurt Weill com letra de Bertold Brecht, para a Ópera dos Três Vinténs. Mostre aí, Lalá, na voz de Ute Lemper:

Die Moritat von Mackie Messer
Bertold Brecht
Kurt Weill

Und der Haifisch, der hat Zähne
und die trägt er im Gesicht
und Macheath, der hat ein Messer
doch das Messer sieht man nicht.

Ach, es sind des Haifischs Flossen
rot, wenn dieser Blut vergießt.
Mackie Messer trägt ‘nen Handschuh
drauf man keine Untat liest.

An ‘nem schönen blauen Sonntag
liegt ein toter Mann am Strand
und ein Mensch geht um die Ecke
den man Mackie Messer nennt.

Und Schmul Meier bleibt verschwunden
und so mancher reiche Mann
und sein Geld hat Mackie Messer
dem man nichts beweisen kann.

Jenny Towler ward gefunden
mit ‘nem Messer in der Brust
und am Kai geht Mackie Messer
der von allem nichts gewußt.

Und das große Feuer in Soho
sieben Kinder und ein Greis –
in der Menge Mackie Messer, den
man nicht fragt und der nichts weiß.

Und die minderjährige Witwe
deren Namen jeder weiß
wachte auf und war geschändet –
Mackie, welches war dein Preis?
Wachte auf und war geschändet –
Mackie, welches war dein Preis?

Pois é… mas depois essa música estourou nos Estados Unidos, independente da ópera, traduzida para Mack The Knife, primeiro na voz de Louis Armstrong

Mack The Knife
Bertold Brecht
Kurt Weill

Oh, the shark, babe, has such teeth, dear
And he shows them pearly white
Just a jackknife has old MacHeath, babe
And he keeps it, ah, out of sight
Ya know when that shark bites with his teeth, dear
Scarlet billows start to spread
Fancy gloves, oh, wears old MacHeath, babe
So there’s never, never a trace of red

On the sidewalk on Sunday mornin’, don’t you know
Lies a body just oozin’ life
And someone’s sneakin’ round the corner
Could that be our boy Mack the Knife?

From a tugboat, down by the river dontcha know
Where a cement bag’s just a’drooppin’ on down
That cement’s there, it’s there for the weight, dear
Five’ll get ya ten old Macky’s back in town
Now d’ja hear ‘bout Louie Miller? He disappeared, babe
After drawin’ out all his hard-earned cash
And now MacHeath spends, he spends just like a sailor
Could it be our boy’s done somethin’ rash?

Now Jenny Diver, ho, Sukey Tawdry
Ooh, Miss Lotte Lenya and old Lucy Brown
Oh, the line forms on the right, babe
Now that Macky’s back in town

I said Jenny Diver, whoa, Sukey Tawdry
Look out to Miss Lotte Lenya and old Lucy Brown
Yes, that line forms on the right, babe
Now that Macky’s back in town
Look out, old Macky’s back!!

Mas a música estourou mesmo foi na gravação de Bobby Darin…

Pois então. O Chico transformou a música num samba, adaptando-a para a realidade do Brasil nos anos 40, na verdade uma alegoria para o final dos anos 70 – e que vale até hoje… O disco duplo com a trilha da Ópera do Malandro é uma obra prima, inesquecível para quem viveu aquela época, e que mostra toda a genialidade de Chico Buarque. Goste você dele ou não.

Voltando então ao nosso tema, chamo atenção para este trecho do depoimento de Emilio Odebrecht:

“…porque em trinta anos, é difícil as coisas não passarem a ser normais…”

Pois é… O senhor Emílio, tranquilo e até dando umas risadinhas, está dizendo que  “… a gente está tão acostumado a transgredir a lei, que não temos mais vergonha de fazê-lo. E a transgressão passa a ser algo natural em nossas vidas.”

O nome disso é iniquidade…

Muito bem. Agora quero falar do oposto da iniquidade, que é a benevolência, a bondade, a justiça.

A equidade.

O substantivo feminino equidade vem do latin aequitas, que significa simetria, igualdade, conformidade, imparcialidade.

Exemplos práticos de equidade ocorrem nos hospitais que adotam a classificação de risco, por exemplo. Neles, a prioridade no atendimento é definida por critérios combinados de ordem de chegada, urgência e gravidade. Por esse princípio, uma vítima de acidente grave passará na frente de quem necessita de um atendimento menos urgente, mesmo que esta pessoa tenha chegado mais cedo ao hospital. É a forma de ser justo, de atender a cada um conforme sua condição e necessidade. Conforme o contexto.

Olha! Vem láááá de Aristóteles, na Grécia, 2300 anos atrás, a concepção da equidade como a justiça de um caso particular. A justiça definida para aquela causa que está em julgamento, evitando a aplicação mecânica da lei. É de Aristóteles o conceito de que a justiça vai além da letra fria da lei.

A sociedade evolui num ritmo superior ao das nossas leis, criando descompassos entre aquilo que está expresso na lei e a vida real. Nesses casos, a aplicação pura e simples da norma deixa de ser sinônimo de justiça. É quando nos vemos diante de decisões legais, mas injustas.

Ao interpretar as leis usando os princípios da equidade, evitamos que injustiças sejam feitas. Para isso precisamos levar em conta as leis escritas, o regime político, a moral social e a cultura na qual estamos inseridos.

É o princípio da equidade que trabalha a letra dura da lei para que a rigidez de sua aplicação não provoque injustiças, inclusive nos casos que a lei não alcança. E é aí que os conflitos começam.

O princípio da equidade, portanto, serve para que busquemos o equilíbrio entre a aplicação das leis e a realidade, a vida, o contexto que estamos julgando.

É aí que ganha importância a figura do juiz. É ele, o juiz, que ao aplicar a lei geral a cada caso particular, leva em conta as circunstâncias especiais de cada caso, que logicamente não puderam ser previstas pelos legisladores.

É ele, o juiz, quem tem em mãos o poder para suavizar ou endurecer a letra da lei. E no final das contas, cabe a ele assegurar que a justiça não cause injustiças.

E para isso ele usa o princípio da equidade. Ou deveria usar…

Nosso código civil, por exemplo, demonstra isso no Capítulo II, que trata das indenizações.

No Artigo 944 está escrito assim ó: a indenização mede-se pela extensão do dano.

Mas o parágrafo único diz assim: Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização.

No blog do promotor e hoje Procurador Geral da República, Wellington Saraiva (https://wsaraiva.com/2013/06/04/dosimetria-da-pena-como-o-juiz-determina-a-punicao-de-um-crime/ ), eu encontrei uma explicação interessante de como o juiz ou tribunal precisam cumprir, no momento de decidir a pena do réu, uma fase da decisão tecnicamente denominada de dosimetria da pena. Ela destina-se a medir, por meio de certos critérios previstos na lei, qual “dose” adequada de punição deve ser aplicada ao réu; daí o nome “dosimetria”.

No Direito Penal brasileiro, o juiz deve seguir três fases para fixar a pena. É o chamado método trifásico, obrigatório de acordo com o artigo 68 do Código Penal. As três etapas da fixação da pena são:

  1. Primeiro, o juiz estabelece a pena-base, de acordo com uma série de critérios mencionados no artigo 59 do Código Penal; a pena-base será o ponto de partida para definir a pena a ser cumprida pelo condenado;
  2. O juiz deve considerar se há circunstâncias atenuantes ou agravantes aplicáveis;
  3.  e último, deve examinar se há alguma causa de diminuição ou de aumento da pena, prevista na legislação; depois de passar por essas três fases, chegará à pena definitiva.

Os critérios do artigo 59 do Código Penal para o juiz chegar à pena-base são a culpabilidade, ou seja, a intensidade da reprovação à conduta do réu, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do réu, os motivos, as circunstâncias e as consequências do crime e por fim, o comportamento da vítima.

De acordo com o Código, a pena-base deve ter a intensidade necessária e suficiente para reprovar a conduta ilegal do réu e também para prevenir a prática de outros crimes.

Sacou, hein? Existe uma parte técnica, que segue a letra da lei e então entra a figura humana do juiz, com seu conhecimento, cultura, para dar a interpretação necessária. É quando o princípio da equidade deve entrar em cena.

Esse som delicioso é HOMENAGEM AO MALANDRO, de Chico Buarque, com o grupo instrumental AQUILO DEL NISSO, lá em 1995…

Olha, existe até mesmo um termo, a equidade contra legem – contra a lei, que indica aquele momento em que uma decisão do juiz vai contra uma lei, por uma série de razões. Por exemplo, pela lei estar desgastada pelo tempo. Ou então pela doideira de quem criou a lei.

Muito bem, agora que você sabe que vida de juiz ao julgar conforme as leis, não é fácil, deixe-me ir à reflexão que realmente me interessa, sobre a equidade.

Equidade é o princípio segundo o qual, indivíduos semelhantes deveriam ser tratados da mesma maneira. Nas questões econômicas, por exemplo, quando tratamos de impostos ou da renda, se fala da equidade horizontal, na qual indivíduos com renda ou necessidades similares deveriam receber os mesmos benefícios. O desafio aqui é definir claramente o que quer dizer “similares”. Quando se pensa em renda cara, é fácil… mas e se incluirmos saúde, por exemplo? Nível educacional? Classe social? Cor da pele? Sexualidade? Viu como começa a bagunçar?

Existe ainda outra equidade, a vertical, aquela que trata de indivíduos em circunstâncias diferentes. É dentro do conceito de equidade vertical que está a discussão sobre a distribuição de renda, por exemplo, cobrando mais impostos de quem ganha mais. É aqui que nos deparamos com um conceito moral, como abordei no programa 557 – Três princípios para se falar de Justiça.

Está em nossa constituição, no Artigo 5º: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Não deve haver discriminação por razões de nascimento, raça, sexo, religião ou qualquer outra condição ou circunstância pessoal ou social.

Que bom seria se a gente seguisse o que está escrito na Constituição, não é?

Aí ao fundo você está ouvindo a Aquarela do Brasil com o Grupo Vou Vivendo.

Muito bem. Voltemos ao início do programa, hein? Vou recorrer a um outro pastor. Olha! Deixe seus preconceitos de lado e preste atenção nas palavras dele. O pastor chama-se Caio Fábio, é polêmico e o que ele diz aqui está em outro contexto, respondendo a uma mulher, sobre infidelidade conjugal, mas eu acho que cai como uma luva neste programa:

Todo gostosinho na penumbra, vicia. O cara fica dizendo: mas porque que eu vou cortar isso da minha vida se não está cortando o dedo de ninguém, ninguém tá sabendo, ninguém viu, pra que que eu vou fazer, eu sou discreto…

Não querida. Não é por causa dos outros, é por causa da tua alma. Você não viu que você está em falência? Que você está morrendo? Como diz o profeta: ninguém se fortalece na sua própria iniquidade. A nossa iniquidade, o nosso engano, o nosso pecado, não fortalece o nosso ser. Ele fragiliza o nosso ser. Ninguém fica mais forte na prática do engano. Ele só debilita o caráter, a mente, a consciência, definha o espírito, amargura a alma, infelicita o ser, desemocionaliza a vida, tira toda a afetividade natural. Você vive no engano, na mentira, na justificativa, na invenção de álibis, na penumbra. É vida de vampiro. Não vai completar o significado de alguém que nasceu pra luz. 

Então, você quer a minha ajuda? Pare agora. Tome a decisão, é um movimento de cabeça, chega! Não quero mais. Mas fulano o que é que houve? É que eu não quero mais. Eu não quero definhar, não quero mentir contra a verdade, porque nós nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade. Como é que uma pessoa vivendo na mentira acha que vai conseguir prevalecer em relação à verdade esmagadora da vida?

É uma questão de tempo. Você vai ser atropelada se não for por circunstâncias será por mergulhar num estado depressivo do qual você não saberá sair. Porque o teu coração não está em paz, você foi tentando ficar cínica no processo. Mas o teu coração não vai ver esse sossego, graças a Deus. 

Dedico as palavras de Caio Fábio aos Emílios Odebrechts do Brasil.

Malandro não vacila
Bezerra da Silva

Já falei pra você, que malandro não vacila
Já falei pra você, que malandro não vacila

Malandro não cai, nem escorrega
Malandro não dorme nem cochila
Malandro não carrega embrulho
E tambem não entra em fila

É mas um bom malandro
Ele tem hora pra falar gíria
Só fala verdade, não fala mentira
Você pode acreditar

Eu conheço uma pá de otário
Metido a malandro que anda gingando
Crente que tá abafando, e só aprendeu a falar:
Como é que é? Como é que tá?

Grande Bezerra da Silva. É assim então, ao som de MALANDRO NÃO VACILA, de Bezerra da Silva, que vamos saindo… assim… na malandragem…

É, meu caro, minha cara, estamos rodeados de gente que vive vida de vampiro. Que se acostumou com o mal feito, com o torto… gente para quem “tudo bem se me convém”. Discutir equidade num ambiente onde grassa a iniquidade é muito difícil. O que é que a gente pode fazer então, hein? Bem, eu vou pensar no Zé… recomendo que você ensine a seus filhos o princípio da equidade. Quem sabe eles arrumam a casa.

Com o atarantado Lalá Moreira na técnica, a silenciosa Ciça Camargo na produção e eu, este Van Helsing da modernidade, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o pai do Zé e o Zé, MPB 4 , Ute Lemper, Louis Armstrong, Bobby Darin, Aquilo Del Nisso, Os Mutantes, Grupo Vou Vivendo, Bezerra da Silva, os pastores Paschoal Piragine Jr e Caio Fábio e… Emilio Odebrech Fala a verdade, onde mais tem um elenco desses?

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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Mergulhe fundo no mundo do Café Brasil acessando:

Para o resumo deste programa, portalcafebrasil.com.br/559

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Conteúdo provocativo, grupos de discussão e uma turma da pesada, reunida para trocar ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo junto!

E para terminar, uma frase do filósofo, político, advogado e constitucionalista romano Marcus Tullius Cícero, uns 2200 anos atrás:

Summum jus, summa injuria
A aplicação cega da lei leva à iniquidade.