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554 – Um jeito de ver o mundo

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Luciano Pires -
Download do Programa

ILUSTRAÇÃO DA VITRINE: VITO QUINTANS 

Direita, esquerda, libertário, conservador, comunista, socialista…cara, quanto rótulo, né? Afinal de contas, quem é do bem e quem é do mal? Será que dá para classificar assim, hein? Vamos ver.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. É um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br/554.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é a Marina lá da Suíça…

“Oi Luciano. Aqui é a Marina, da Suiça, eu te mandei uma mensagem na semana passada, não sei sei você vai estar lembrado de mim. 

Eu acabei de ouvir o programa chamado Um coxinha (http://www.portalcafebrasil.com.br/podcasts/502-eu-coxinha/) e, eu estava dirigindo, eu fiquei aqui pulando na cadeira do carro, de algumas coisas que me davam raiva de ouvir, algumas coisas que eu concordava mas, nossa, especialmente na hora que você chegou no texto do Artur Xexéo, sobre as sensações dele com o que a gente vive no momento. Bom… tudo isso aí que ele estava sustentando no texto dele. 

O que eu queria propor, na verdade, talvez seja um pouco redundante, não sei, mas é uma explicação sobre a diferença ou sobre qual é a linha que divide a esquerda da direita. Eu sei que depois tem o centro, mas… porque a linha é meio tênue, às vezes, eu sei  que são completamente opostos mas, fica tão vago pra mim o que define uma pessoa de direita, que já é um termo até que eu nem gosto de usar, vou dizer, eu sou contra o PT, eu não sou necessariamente de direita, com certeza, não sou de esquerda, sou contra o PT. 

Especialmente aqui na Suiça, quando eu observo a política aqui, justamente o partido que, nos meus olhos, representa o PT no Brasil, aqui na Suiça a gente chama esse partido de direita. Então, eu fico completamente confusa, eu não entendo, porque aqui na Suiça a gente chama de direita algo que no Brasil, pra nós, está definido como esquerda. E vice-versa. 

Bom. Não sei se eu adicionei alguma coisa mas bom, era isso que eu queria dizer. Ia clarear bastante coisa na minha cabeça, não sei se isso já foi abordado, porque eu estou um pouco atrasada com os programas.

Então, eu vou aproveitar pra dizer que eu adoro o Café Brasil, eu sou sua fã número um e eu estou super feliz de estar acompanhando assim, agora eu tenho podcasts diários, porque eu tenho tanto podcast ainda pra escutar, estou aqui no meu deleite de poscasts quase todos os dias. 

Muito obrigada e um abraço apertado em você, na Ciça e no Lalá. Um abração, Marina”.

Pois é Marina, a pior coisa que podemos fazer é tentar explicar direita e esquerda comparando o Brasil com outros países. OLha, não dá, viu? A gente aqui esculhambou de vez as definições. Vou tentar dar uma explicação diferente neste programa, ok?

Muito bem. A Marina, se enviar um endereço aqui no Brasil, receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Hoje está cheio de gente aqui. Então hoje eu quero “em festa”.

Na hora do amor, use

Todos – Prudencêêêê….

Muito bem. Este é o tipo de programa que dá pano pra manga… e vai precisar de mais episódios. Vou começar com um e-mail looongo de um ouvinte, o Alex Terra. Ele conta sua experiência pessoal e profissional relacionada à questão direita x esquerda. Vale ouvir, viu? Ah, Alex, você também ganhou o livro e o Kit DKT! Escreva pra gente no [email protected].

Oi Luciano! Sou médico psiquiatra, na ativa desde 1999. Durante toda a minha formação fui simpático às ideias que hoje se diz “de esquerda”, ou seja, entendia a sociedade como uma estrutura de funcionamento injusto, voltado para a centralização de poder dos detentores do capital e com um olhar para o social, no mínimo, pouco interessado.

Essa postura influenciou muitos aspectos da minha vida e isso inclui as minhas escolhas profissionais. Fez parte da minha identidade pessoal enveredar pelo caminho da justiça social, da construção de um sistema de saúde mais justo e de acesso universal. No meu contexto, significou ser um psiquiatra comunitário. Significou trabalhar para o sistema público, ser um servidor municipal, me envolver com o movimento da Reforma Psiquiátrica.

Durante vários anos isso foi muito gratificante(…), foi a época da implementação dos Centros de Atenção Psicossociais (CAPS) no Brasil todo, um centro de saúde público, especializado no tratamento das patologias psiquiátricas e que utiliza o ideário da reforma psiquiátrica como norteador. Com a implementação dos CAPS, houve uma descentralização dos locais de tratamento das doença psiquiátricas, passando dos manicômios em centros urbanos maiores para as pequenas localidades. (…) Trabalhei em vários, chegando a ser coordenador em 2 deles por alguns anos. Também pude participar da implementação de um novo modelo de atendimento hospitalar às patologias psiquiátricas. (…) O bom de ser um psiquiatra de uma cidade de interior, é poder protagonizar as diversas formas de prestar assistência, que quando se mantém em uma cidade maior, é mais difícil. Mas, como toda utopia está fadada e se estatelar com a realidade, o tempo foi passando e as dificuldades se impondo… . A começar pela minha fé nas ideias de esquerda.

Os fatos foram minando a minha confiança que tinha na gestão do PT… Vinham aparecendo as notícias de corrupção, mas sempre ficava aquela dúvida, de que seria uma distorção da mídia, uma construção de uma narrativa tendenciosa, uma tentativa das elites de desbancar as conquistas sociais… Até que veio a certeza, através da questão do “mais médicos”. Eu faço parte da realidade da medicina pública do Brasil. Eu sei como são as condições de trabalho na saúde pública e eu vi a grande sacanagem que foi feita com a classe médica naquela movimentação da Dilma com os “mais médicos”. Se antes eu tinha dúvidas, pois aquelas notícias eram de áreas que eu não conhecia, sobre saúde pública eu sabia e tive a certeza da má intenção por detrás de tudo aquilo. Ali foi sepultada a minha confiança na retórica da esquerda.

Em paralelo a isso tudo, pessoalmente, tive algumas experiências, em meados de 2006, com o mundo capitalista. Fiz umas incursões pessoais como aplicador na bolsa de valores, li muitos livros sobre investimentos e sobre o funcionamento do mundo do capital. Essa experiência me fez ver um outro lado do capitalismo e também ajudou a desmontar as minhas ideias esquerdistas sobre a malvadez inerente ao mundo capitalista. Junto com tudo isso, fui me deparando, como médico do sistema público, com a ineficiência da gestão pública dos recursos. Vi os recursos destinados à saúde mental entrarem em um fundo único e serem realocados para outras áreas, que não a destinada originalmente. Vi os serviços em saúde mental terem (obrigatoriamente) que utilizar da criatividade, o tempo todo, para poder suprir as demandas, pois a quantidade de técnicos era, no máximo, metade do que a diretriz orientava. Vi gestores tomarem decisões importantes, em relação a alocação de técnicos, por exemplo, sem tomar conhecimento da realidade do serviço e sem consultar quem estava no “front” sobre as adequações disso. Coisas típicas de uma gestão ineficaz. Fui me dando conta que essa é a marca registrada da gestão estatal… E a minha crença no estado foi se esfacelando…. . E a minha identidade pessoal e profissional se esfacelando junto…. . Por sorte, sempre mantive a minha atividade profissional privada, não dependendo totalmente do serviço público para exercer a minha profissão.

Confesso que nos últimos anos vinha bastante descontente e frustrado com a atividade na saúde pública. Sentia que ali não havia mais metas e projetos, apenas a manutenção de algo “meia boca”. Vi colegas se despedirem da atividade no serviço público, também com o mesmo gosto amargo que estou transparecendo aqui…. (…) Há 2 anos mudei minhas perspectivas. É interessante, pois não abandonei minha vontade de fazer justiça e de trabalhar em prol da desmistificação da doença psiquiátrica. Apenas mudei o local onde estou fazendo isso.

Hoje trabalho auxiliando magistrados a tomarem decisões, pautadas na razão e na ciência, sobre o destino de pessoas portadoras de doenças mentais.(…) Posso, dentro dessa área de atuação, ajudar as pessoas a terem suas doenças psiquiátricas reconhecidas como incapacitantes, seja de forma provisória ou de forma definitiva, tornando o sofrimento e dificuldades legítimos. Por outro lado, posso também alertar os juízes de que há pessoas que querem ficar se beneficiando dos recursos públicos (nossos recursos) sem necessidade, sem estarem doentes. Essa é uma função muito gratificante, pois me sinto também defensor dos brasileiros (…) Dentre as várias facetas dessa nova realidade, destaco o fato de não estar mais dependente das decisões do estado. Faço esse trabalho como um “prestador de serviços”, livre na minha atuação, dependendo apenas de mim e do reconhecimento da qualidade do meu trabalho pelos magistrados. Assim como mantenho a minha atividade de consultório, que depende apenas de mim e do reconhecimento dos meus clientes. Passei a atuar integralmente na lógica do livre mercado e isso é muito bom. E é isso que desejo para o meu país.

Não digo que sou de esquerda nem de direita, mas certamente alguém que valoriza a liberdade, de forma ampla, seja a liberdade interna, seja a liberdade externa, isso incluindo as trocas com as outras pessoas.

Um abraço,

Alex Terra

Motivo
Cecília Meireles
Fagner

Eu canto, porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta

Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias no vento
Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei se fico ou passo

Eu sei que eu canto e a canção é tudo
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia eu sei que estarei mudo, mais nada

Eita… O Raimundo Fagner lá dos anos setenta, que pra sofrimento do Lalá eu já toquei tantas vezes no Café Brasil, aqui você ouve MOTIVO, canção com letra de poema de Cecília Meireles… Existe melhor representante da liberdade criativa que um poeta?

Pois é… esquerda, direita… deixa eu dar o meu pitaco aqui.

Terminando minha palestra Comunicação Em tempos de cólera, na qual em determinado momento trato do Brasil que sonhávamos em 1979 e que virou de ponta cabeça 25 anos depois pelas mãos daquela moçada que tinha todas as respostas, várias perguntas surgiram na plateia. E uma delas, recorrente: o que eu achava da divisão entre esquerda e direita no Brasil.

Deve ser a pergunta que mais ouço viu?

Dá para responder a pergunta daquela plateia jovem de muitas formas, eu escolhi fazê-lo combatendo uma falsa dicotomia. Decidi bater na tecla de que ser de direita ou de esquerda não tem nada a ver com ser bom ou mau, mas com a forma como o indivíduo vê o mundo.

Essa falsa dicotomia, transformada em rótulo que reduz as discussões, foi pacientemente construída ao longo de 60 anos: a esquerda é boazinha, se preocupa com a natureza, com os índios e com os explorados. A direita é má, ditadora, capitalista, desmatadora e exploradora. Se você é de esquerda você é bom se é de direita é mau. É isso que foi ensinado a você durante sua infância e juventude, um estereótipo muito fácil de assimilar. Quem estuda um pouquinho, um pouquinho só, imediatamente percebe que isso é uma caricatura conveniente, a serviço de uma ideologia, da manutenção de uma certa elite no poder.

E eu prossegui na resposta: o esquerdista vê o mundo de fora para dentro, primeiro o planeta, depois a sociedade, então o país, a cidade, a tribo e o indivíduo. Ele pensa primeiro no coletivo, considera o indivíduo uma unidade desprezível, egocêntrica, egoísta, cobiçosa e que, quando largado livre, explora outro indivíduo. Por isso o pensamento de esquerda acredita que um governo forte é necessário para definir como o indivíduo deve viver. Para o esquerdista as mudanças só acontecem no coletivo, em grupos compostos por gente altruísta que sempre chegam magicamente às melhores soluções. Por isso quer assembleias intermináveis, onde todo mundo tem de opinar e é praticamente impossível sair do mínimo divisor comum.

Já quem é de direita pensa ao contrário: de dentro para fora. Primeiro o indivíduo, depois a tribo, o país, a sociedade e o planeta. Para o direitista, a mudança acontece a partir da liberdade de escolha e de ação individual, que é o que provoca mudanças. Por isso não quer um governo onipresente, não quer coletivismo, não quer assembleias infinitas. Quer resolver a partir da ação livre e individual.

Fala a verdade, não é muito mais bonita a posição generosa da esquerda, hein? Que se coloca como a “que pensa nos outros e não apenas em si próprio.” Como resistir a tanto altruísmo? Nesse pacote cabe tudo: da defesa de minorias ao aquecimento global.

Pois é.

Dentro dessas duas visões de mundo você distribui os anarquistas, os liberais, os conservadores, os socialistas, os comunistas, os corinthianos, etc.

Quando a gente entende como essa questão do de-dentro-pra-fora-de-fora-pra-dentro funciona, passa a compreender que aquele sujeito que defende o indefensável, que sai na rua gritando “#égolpe”, que quer a volta dos militares, que cospe na cara de quem usa a camisa do Bolsonaro, que agride uma pessoa por ela ser gay e que quer calar na porrada quem fala o que ele não quer ouvir, pode ser um cara legal. Sim, pode ser aquele vizinho que toma um chopinho com você, que ama os filhos, que leva o cachorro pra passear e que quer, sinceramente, um mundo melhor. Só que de um jeito diferente do seu.

Ser de direita ou de esquerda, a princípio, não deveria definir o caráter de ninguém, apenas indicar a forma como a pessoa vê o mundo. Mas é claro que essas escolhas apontam numa direção…

A forma que eu, Luciano Pires, escolhi para ver o mundo, considerando essas definições, é a da direita: o indivíduo como motor das mudanças. Se eu quero mudar algo, começo comigo, considerando meus defeitos e limitações, sem acreditar em mágicas, utopias ou gente que vende o céu no futuro desde que eu vá pro inferno no presente.

No fim das contas, eu – não “nós” ou “eles” – sou o motor das mudanças. Se eu encontrar outros “eus” com esse mesmo tipo de pensamento, aí sim talvez tenhamos um grande “nós” capaz de acelerar as mudanças, sem vitimismo, sem colocar culpa no sistema, sem reducionismos. Apenas exercitando aquilo que deve ser nosso maior valor: a liberdade individual.

Mas esse é só MEU jeito de ver o mundo.

Sete cantigas para voar
Vital Farias

Cantiga de campo
de concentração
a gente bem sente
com precisão
mas recordo a tua imagem
naquela viagem
que eu fiz pro sertão
eu que nasci na floresta
canto e faço festa
no seu coração
Voa, voa, azulão.
Voa, voa, azulão.

Cantiga de roça
de um cego apaixonado
cantiga de moça
lá do cercado
que canta a fauna e a flora
e ninguém ignora
se ela quer brotar
bota uma flor no cabelo
com alegria e zelo
para não secar
Voa, voa no ar
Voa, voa no ar

Cantiga de ninar
a criança na rede
mentira de água
é matar a sede:
diz pra mãe que eu fui pro açude
fui pescar um peixe
isso eu num fui não
tava era com um namorado
pra alegria e festa
do meu coração
Voa, voa azulão
Voa, voa azulão

Cantiga de índio
que perdeu sua taba
no peito esse incêndio
céu não se apaga
deixe o índio no seu canto
que eu canto um acalanto
faço outra canção
deixe o peixe, deixe o rio
que o rio é um fio de inspiração
Voa, voa azulão

Que gostoso… Primeiro você ouviu o violão de Denys Syned e agora a paulistana Amanda Acosta cantando Sete cantigas para voar, de Vital Farias…

Pois então… vale aqui uma reflexão. O Alex Terra, com seu relato, era um mau sujeito quando era de esquerda e se tornou um bom sujeito quando se abriu para outras ideias mais à direita? Ou sempre foi um bom sujeito?

Vale a pena manter essa falsa dicotomia, entendendo a situação com dois pontos de vista alternativos, como se fossem as únicas opções? Ou é melhor aceitar a realidade de que podem existir outras opções ou, como fez o Alex, uma síntese das duas posições pode representar o melhor caminho?

Meu ponto com este programa é o seguinte: pare de classificar as pessoas, as ideias, como boas ou más. Classifique-as como “certas” ou “erradas” de acordo com sua forma de ver o mundo. Mas jamais, jamais perca de vista que essa é a SUA forma de ver o mundo. Talvez não seja a minha, nem a do seu interlocutor. É a sua. Isso faz com que você esteja certo e quem pensa diferente de você esteja errado? Não necessariamente. Apenas faz com que você aja de acordo com seus valores e convicções.

Mas uma coisa é fundamental: jamais perca de vista que aquela outra pessoa que pensa diferente de você, pode ter estudado tanto quanto ou até mais que você. Pode ter mais experiência que você e pode pensar diferente de você exatamente por isso. Pode ser como o Alex Terra, que transforma a própria experiência vivida na bússola que indica para qual lado virar. E talvez o errado seja você…

Aproveite a cuca quente e ouça de novo o programa 544 – Persuadível. Ele é um excelente complemento para este aqui.

Pé direito pé esquerdo
João Pedro
Cristiano

Pé direito pé esquerdo
Pé direito pé esquerdo
Prum lado pro outro
Pra frente pra tras
Quem já aprendeu Hey
Faça como eu

Me chame nesta dança
Vamos todos brincar
Não existe idade pra quem gosta de dançar
Requebre no balanço
Pega fogo no breu
Agora o bicho pega, quero ver quem aprendeu

Pé direito pé esquerdo
Pé direito pé esquerdo
Prum lado pro outro
Pra frente pra tras
Quem já aprendeu Hey
Faça como eu

Gostoso de dançar
É fácil de aprender
Aonde tem rodeio eu vou lá eu vou dançar
No passo do cowboy, o rodeio ferveu
No baile do cowboy só vai dar voce e eu

E é assim então, ao som de João Pedro e Cristiano com Pé Direito, pé esquerdo que vamos saindo no embalo.

E aí? Não definiu ainda de que lado está? Não faz mal, vá se achando por aí, um pé de cada vez…

Com este ser eternamente em dúvida Lalá Moreira na técnica, este outro ser que só tem certezas Ciça Camargo na produção e eu, que viro aqui, viro ali viro acolá, mas to indo pela direita, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco a ouvinte Marina, os visitantes Geison e Welton, Raimundo Fagner, Denys Syned, Amanda Acosta e João Pedro e Cristiano.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Youtube repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá, vale a pena: youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Não esqueça, hein? Tem um resumo deste programa que você pode baixar em PDF, acessando o portalcfebrasil.com.br/554.

Venha se juntar a uma turma da pesada na Confraria Café Brasil, onde as pessoas se reúnem para trocar ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo juntas! Pra esquerda, pra direita, pro meio, pra cima, pra baixo… Acesse cafebrasil.top.

E para terminar, uma frase de Manuel Francisco dos Santos, o imortal Garrincha:

A bola veio para a esquerda e eu não chuto bem de esquerda, mas não dava pra trocar de pé. Então chutei com a esquerda fazendo de conta que era de direita.