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548 – O efeito borboleta

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Luciano Pires -
Download do Programa

ILUSTRAÇÃO DA VITRINE: VITO QUINTANS 

Você já ouviu aquela afirmação de que “O bater de asas de uma borboleta no Novo México pode desencadear um furacão na China”? Essa é uma das bases para a Teoria do Caos, que afeta diretamente sua vida. E é disso que vamos tratar hoje.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. Um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa clicando no botão laranja logo acima deste texto.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Diego Catão.

“Bom dia, boa tarde, boa noite, ouvinte do Café Brasil. Meu nome é Diego Catão, sou equatoriano, tenho 41 anos de idade. Até agora estou escutando há quase dois anos, fico sempre na espera de mais um Café Brasil ou LíderCast. Na verdade pra mim é como a gasolina que eu preciso quando o meu cérebro quer estar tanquinho.

E isso não é fácil, cara! Isso deve ter um processo de aceitação por parte de cada um de nós. Fazer uma análise da informação que você põe. Fazer que ela passe pelos filtros mentais para ficar seguro de que você está nos persuadindo mas não nos manipulando. Só assim a condição de nossa própria mente prepara o melhor caminho. E vocês fazem isso direitinho, desde o começo. Eu sou mais um que aprendi a língua portuguesa do Brasil com vocês. Por isso, muito obrigado, Café Brasil. 

Quero compartilhar uma experiência de vida que tive há pouco tempo. Eu tinha que fazer uma palestra para um auditório de um pouco mais de quinhentas pessoas, um monte de gente. O tema era: a moralidade. Eu fiquei espantadíssimo, mas aceitei e comecei meu plano de trabalho. 

Nesse momento, a primeira ideia foi encontrar em todo o material que vocês põem em nossas mãos, o melhor dito em nossas cabeças. Comecei a pesquisar pelos seus materiais e logo me encontrei com um problema. Como vou fazer para que as ideias em português não percam a objetividade ao fazer a tradução para o espanhol? Assim, fui fazendo meu próprio roteiro e fazendo minhas as suas ideias e tentando causar os mesmos sentimentos que você provocou em mim e agora, eu para outros. Eu tive que trabalhar pra caramba, cara! 

O dia mesmo da data, na hora fechada, já enfrentando o auditório, com todas as cadeiras cheias, mais de mil olhos me olhando, mais de mil ouvidos me escutando. E o tempo foi de 45 minutos, meu Deus! Uma eternidade, cara! 

Cheguei ao fim e foi na última projeção da apresentação, onde apresentei o agradecimento para vocês, reconhecendo que muitas das ideias não eram próprias, eram suas. Nesse momento senti de que o agradecimento foi feito de mim pra vocês. 

Mas, no retorno à minha casa, me dei conta que essa não era a forma e que deveriam vocês escutar o agradecimento. Por isso estou aqui fazendo. Muito obrigado, Ciça. Muito obrigado, Lalá. Muito obrigado, Luciano. Porque são os três, que no conjunto da obra fazem que muitos pensemos diferente do resto, pensemos com forma e a fundo.

E como saiu a palestra? Amigo, foi um  sucesso, graças a Deus. Nesse auditório, podia se sentir o cheiro do Café Brasil. E sua presença esteve sempre ali perto de mim. Um abraço do Equador para vocês lá no Brasil. Até uma próxima, caros amigos! Vida longa ao nosso cafezinho. Até!”

Rarara, que história deliciosa, Diego. Cheiro de café na sala! Genial! Imaginar que as coisas que falamos aqui estão impactando você no Equador, que por sua vez está impactando outras pessoas, e assim vai… Olha, obrigado, meu caro, por ser mais um conspirador e por continuar jogando as pedrinhas no lago.

Muito bem. O Diego receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Lalá. Eu quero hoje como se você estivesse no Equador

Na hora do amor use

Lalá – Me voy a usar Prudence.

Luciano – Você falou vou ou voy? Ah! Vai embora, vai…

Em 1963 o matemático americano Edward Lorenz apresentou uma teoria na Academia de Ciência de Nova Iorque, que dizia simplesmente assim: “Uma borboleta ao bater suas asas, coloca moléculas de ar em movimento, que movem outras moléculas, que por sua vez movem outras moléculas, eventualmente capazes de provocar um furação do outro lado do planeta.”

Lorenz e sua ideia se transformaram em motivo de piada na conferência. O que ele propunha era ridículo! Era absurdo! Mas era fascinante…

Trinta anos depois, a comunidade científica, chocada, viu a possibilidade do Efeito Borboleta ser levada a sério por professores. Ele foi considerado autêntico, preciso e viável!

E logo se transformou numa lei, que leva o nome de A Lei da Dependência Sensitiva às Condições Iniciais, um princípio que mostrou que o efeito borboleta tem a ver com o primeiro movimento de qualquer forma de matéria, inclusive…pessoas.

Por causa do charme intrigante da ideia, o que passou a ser chamado de “Efeito Borboleta” se tornou um marco da ficção científica, sendo enormemente disseminado através de histórias em quadrinhos e do cinema. Você já deve ter lido ouvido ou assistido referências ao Efeito Borboleta em publicações, podcasts e filmes, não é? Aliás, existem vários filmes tratando desse tema. Vou colocar no roteiro deste programa um link para uma página que lista 15 desses filmes.

http://www.cantodosclassicos.com/15-filmes-sobre-teoria-do-caos-e-o-efeito-borboleta-que-voce-precisa-assistir/

O conceito de “Efeito Borboleta” pode ser resumido na frase “O bater de asas de uma borboleta no Novo México pode desencadear um furacão na China”. Essa metáfora é uma das bases para a Teoria do Caos.

O Caos é a ciência das surpresas, dos acontecimentos imprevistos e não lineares. Enquanto as ciências tradicionais lidam com fenômenos previsíveis, como a gravidade,  a eletricidade ou reações químicas, a Teoria do Caos lida com coisas não lineares que são efetivamente impossíveis de predizer ou controlar, como a turbulência, o clima, o mercado de ações e outras coisas. Esses fenômenos são geralmente descritos como matemática fractal, que captura a infinita complexidade da natureza.

Mas que coisa é essa de fractais?

As borboletas
Vinícius de Moraes
Cid Campos

Brancas, azuis, amarelas e pretas
Brincam na luz
As belas borboletas

Brancas, azuis, amarelas e pretas
Brincam na luz
As belas borboletas

Borboletas
Borboletas
Borboletas
Borboletas

Brancas, azuis, amarelas e pretas
Brincam na luz
As belas borboletas

Brancas, azuis, amarelas e pretas
Brincam na luz
As belas borboletas

Borboletas
Borboletas
Borboletas
Borboletas

Borboletas brancas são alegres e francas
Borboletas azuis gostam muito de luz
As amarelinhas são tão bonitinhas
E as pretas, então, Ó, que escuridão
E as pretas, então, Ó, que escuridão

Essa é Adriana Calcanhoto com AS BORBOLETAS, de Cid Campos e Vinícius de Moraes. Essa está no álbum Adriana Partimpim, que era o apelido da Adriana quando criança. É um álbum para crianças, mas que faz a cabeça de adultos…

Infelizmente não existe uma definição de fractais que seja ao mesmo tempo simples e precisa. Como muitas coisas da ciência moderna e da matemática, a discussão sobre a “geometria fractal” pode facilmente fugir do alcance de quem não tem uma mente matemática. É uma pena que seja assim, pois existe uma profunda beleza e poder na ideia dos fractais.

A melhor maneira de se ter uma ideia do que sejam os fractais é considerar alguns exemplos. Nuvens, montanhas, couve-flor e samambaias, por exemplo, são fractais naturais, padrões infinitos, que se repetem em escalas diferentes. Pensa aí num ramo de uma samambaia. Ele é composto por um conjunto de sub ramos com folhas que, quanto mais perto da raiz, maiores são. E conforme o ramo se afasta da raiz ou do ramo principal, vai diminuindo o tamanho dos raminhos, das folhinhas, que se reproduzem em escala sempre menor. É o mesmo desenho, mas cada vez menor. Isso é um padrão fractal.

Essas formas têm algo em comum, algo intuitivo, acessível e estético. A gente intui como a forma se repetirá indefinidamente. E aí é que está a grande sacada… se é possível imaginar essa sequência, talvez então dê para prever o caos.

O caos e a irregularidade do mundo são, portanto, coisas a serem celebradas. Já pensou se as nuvens fossem esferas perfeitas? Ou se todas as montanhas tivessem o mesmo perfil de cones? Foi-se a beleza, instalou-se a rotina, o tédio…

Olhe um fractal de perto e você verá que sua complexidade se repete sempre em menor escala. Uma pequena nuvem é surpreendentemente similar ao conjunto das nuvens. Um pinheiro é composto de galhos que são compostos de galhos, que por sua vez são compostos de galhos… lembra da samambaia, hein?

No roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br , publico um link para exemplos de fractais encontrados na natureza.

http://webecoist.momtastic.com/2008/09/07/17-amazing-examples-of-fractals-in-nature/

Você está ouvindo As borboletas, de André Popp e Pierre Cour, com o Braziliam Octopus, grupo formado em 1968 em São Paulo por iniciativa da Rhodia, para tocar em alguns de seus desfiles. O grupo era formado por … tá sentado, hein? O bruxo dos mil instrumentos Hermeto Pascoal, o herói da guitarra pós-tropicalista Lanny Gordin, o bossanovista Cido Bianchi, o violonista Olmir Alemão Stocker e o jazzista Nilson da Matta. Só fera, meu. Eles gravaram um disco só, que hoje é disputado por colecionadores. Não receberam um tostão, só parabéns e convite para gravar um outro disco. E aí o grupo acabou. Típico, né?…..

A ciência do Caos procura reconhecer padrões. Por exemplo, quando se reconhece os padrões da atmosfera, um piloto consegue “dirigir” um balão de ar quente até um local desejado. Quando reconhecemos os padrões nos ecossistemas, nos sistemas sociais e econômicos, conseguimos fazer melhores escolhas. Esses padrões permitem interpretar – e até prever – o caos e suas consequências.

Entendeu? Prever o que seria imprevisível…

A repercussão da teoria de Lorenz, fez com que muitos cientistas acreditassem que ela poderia, de fato, ser verificada na natureza e a sua compreensão poderia ajudar a meteorologia a fazer previsões do tempo, por exemplo. Mas devido ao grande número de fatores a se considerar, na ciência da meteorologia, os cientistas explicam que as previsões jamais serão infalíveis.

Bom, mas olha o que eu estou tentando fazer aqui… explicar a Teoria do caos num podcast? E sem ser do ramo cara?

Sai, capeta!

Caos
Rhaissa Bittar
Daniel Galli

Manda avisar que tá lá
Manda avisar que tô
Manda avisar que tô lá
Manda avisar, tá?!

Diga pro tom que vou já
Diga pro tom voltar
Diga pro tom que vou voltar
Diga pro tom, já!

Tô olhando pra baixo
Tô trombando tudo junto
Tô pensando lá pro alto
Tô pro outro lado do mundo

Tô segurando no vento
Tá me faltando ar
Tô pisando no sol
Tô andando no transporte público
E tô parada

Opa! Minha amiga Rhaissa Bittar com CAOS, composição dela e de Daniel Galli. Essa está no CD Voilá, que é indispensável viu?  Mas só pra quem gosta de boa música…

Vamos ao que eu posso fazer aqui sem passar muita vergonha: o Efeito Borboleta diz que o poder para gerar um furação na China pode vir do bater de asas de uma borboleta no Novo México. Pode demorar muito, mas se a borboleta não tivesse batido suas asas na hora e no local certos, o furacão não aconteceria. Essa história de borboletas causarem tufões foi uma metáfora para ilustrar como pequenos eventos podem originar grandes consequências. O que realmente interessa aqui é observar o Efeito Borboleta nas pequenas mudanças em condições iniciais, especialmente no comportamento humano, que levam a gigantescas mudanças nos resultados. Nossas vidas são uma demonstração permanente desse princípio. Quem sabe que efeitos no longo prazo acontecerão, por exemplo, a partir de um conceito que milhares de ouvintes aprenderam neste podcast? Ó meu! Até no Equador funciona!

Você quer ver como a coisa pode ser, hein? Ouça esse texto  aqui: “O efeito borboleta que carregamos”, escrito por Lucimara de Almeida, que é Líder de Projetos no Instituto de Pesquisas Eldorado, em Campinas. Eu não conheço a Lucimara, mas este texto chegou até mim e deu neste programa… Aqui vai parte dele:

Estou saindo de casa e ao chegar à rua, noto que o tempo está mudando. Talvez chova ainda pela manhã, ou com certeza, no começo da tarde. Isso me faz retornar e pegar uma blusa e o guarda-chuva, que não levava comigo. Essa pequena mudança, que pode ter levado menos de dez minutos, me fará pegar um trânsito intenso, já que é próximo das oito da manhã. Provavelmente, eu cruzarei com pessoas diferentes das que cruzaria alguns minutos antes. Posso chegar atrasada para uma reunião e causar o julgamento de outras pessoas sobre minha suposta falta de comprometimento, ou até, perder a oportunidade de opinar diante de uma decisão importante, num momento que eu tanto esperava.

A decisão de me agasalhar e me proteger da chuva me levou a uma nova trajetória, uma rotina diferente da que eu havia imaginado para aquela manhã. Talvez, sem grandes efeitos. Talvez…

Eu trabalho capacitando pessoas, aproximando-as das tecnologias que o mercado de tecnologia da informação demanda. O processo para que as pessoas sejam selecionadas e iniciem o treinamento, já deixa os menos preparados para trás. Para aqueles que estão mais bem preparados, cabe a dedicação e comprometimento com a capacitação que lhes será oferecida. Durante o treinamento, é comum que um novo curso para uma linguagem de programação seja aberto, mas com vagas limitadas e concorridas. Assim, um novo processo de seleção se faz necessário. Sabe-se que na área da tecnologia, o inglês é a base para a comunicação, sendo tão importante dominá-lo, quanto dominar as habilidades técnicas.

Uma das alunas, uma das mais interessadas, não consegue se destacar no idioma e é eliminada na seleção. No dia seguinte, ela pede uma nova chance. Pretende se preparar novamente para a entrevista em inglês. Sua fala me faz debater com os demais responsáveis e convencê-los que ela, realmente está comprometida e disposta a refazer a entrevista em inglês. A data é reagendada. A aluna é aprovada e inicia o curso de Java, a linguagem que ela tanto queria. A partir desta oportunidade, outros sonhos foram desencadeados. Ela conclui seu mestrado na área de tecnologia e ingressa para um doutorado sanduíche em Londres, onde ela pode novamente, desenhar o seu destino.

O que teria acontecido, se a aluna, simplesmente, tivesse desistido, hein? Se o apelo da aluna não fizesse sentido e não nos levasse a dar a ela, uma segunda chance? Se determinássemos que só se pudesse tentar uma vez, esquecendo todos os medos e inseguranças que rondam uma pessoa num processo como este?

Borboletinha
Canção infantil

Borboletinha tá na cozinha
Fazendo chocolate para a madrinha

Poti-poti
Perna de pau
Olho de vidro e nariz de picapau
Paupau

Borboletinha tá na cozinha
Fazendo chocolate para a madrinha

Opa…mais uma infantil. Esta é BORBOLETINHA, desta vez com o Duo Rodapião, integrado por Eugênio Tadeu e Miguel Queiroz, no CD Murucututu, de 2001.

Retomando o texto da Lucimara

“O bater de asas de uma borboleta no Brasil pode desencadear um tornado no Texas. Frase que define o que os pesquisadores chamam de “efeito borboleta”, expressão utilizada na Teoria do Caos.

Esse é o efeito borboleta, que ocorre todos os dias em nossas vidas. Uma pequena mudança em nossas ações e um destino pode ser alterado. Podemos desencadear eventos imprevisíveis ou consequências desconhecidas para o futuro, tragédias incalculáveis para terceiros e para nós mesmos, o caos, e por que não, o bem?

Caos, do grego khaos: abismo, vazio, o que se abre largamente. No mito de Caos, a desordem uniu-se à noite para criar o destino, que dizem ser cego. O destino não sabe o que está em sua frente, mas sabe o que vem pela frente. Deus primordial, o Caos está na vida das pessoas que se esquecem de viver bem o presente para criar melhor o seu futuro.

Toda escolha é uma renúncia e toda escolha traz uma consequência. Desde o acordar, fazemos escolhas. Somos frutos das nossas escolhas, das escolhas alheias, do meio em que vivemos, da imprevisibilidade do minuto seguinte. Estamos a todo momento afetando a nossa vida e a de outros com nossos atos.

O artista gráfico holandês, cujas litografias, xilogravuras e meios-tons representam padrões geométricos e matemáticos impossíveis, Maurits Cornelis Escher disse:

– Adoramos o caos porque sentimos amor em produzir ordem. De novo, ó: Adoramos o caos porque sentimos amor em produzir ordem.

O dia a dia, a rotina, o cotidiano, nos roubam esta clareza diante da vida, tão incerta e tão passageira.

E se nos dermos conta das pequenas contribuições que podemos fazer, o que iremos escolher para desencadear os próximos acontecimentos, hein? As vontades de nosso ego? Uma indiferença? Um julgamento? Uma intuição? Um sorriso? Um olhar de agradecimento?

Diante de tamanha imprevisibilidade, da desordem que não podemos controlar, há um momento em que está em nossas mãos como podemos iniciar um ciclo, como podemos transformar um contexto.

Podemos atrair a energia daquilo que pensamos, sentimos e fazemos. Podemos nos transformar em um campo de vibrações, praticar a empatia, mudar a rota quando preciso, fazer parte da criação do nosso caminho. Podemos despertar a nossa percepção e não nos tornarmos indiferentes ao que ocorre ao nosso redor. Despertar a consciência coletiva, entender nossas conexões mais profundas e tornar-nos mais humanos.

Não precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo. Só precisamos tentar, da melhor forma possível, ser a mudança nas nossas próprias vidas e possivelmente, nas de quem nos cerca. E quem sabe, o efeito borboleta cuide do resto.”

Pois então… o que atraiu no texto da Lucimara foi o chamado para a consciência de que cada um pode ser um agente de mudança. Mesmo sem perceber. Eu tenho vivido intensamente isso, a partir dos comentários que recebemos aqui no Café Brasil, de gente que não conhecemos e que é impactada pelas ideias que aqui propagamos. Eu nunca sei quem será atingido, nem como, nem onde, mas a cada comentário, uma surpresa. Quem ouviu o programa 546 – Só Por Hoje, com o depoimento do anônimo que sofre com a drogadicção entenderá o que estou dizendo. Nunca fiz um programa para ele, pensando nele ou na condição que ele vivia. No entanto ele manda um depoimento dizendo “Luciano você salvou minha vida”. Bati minhas asas de borboleta e provoquei um furacão na mente de alguém. E esse alguém, se bobear, provocará na cabeça de outro… e assim vai. Quem é que lembra do programa 421 – A pedra no lago, hein?

http://www.portalcafebrasil.com.br/podcasts/421-a-pedra-no-lago/

Imagine então um ato de gentileza que gera outro, que gera mais um e mais outro…conectando a todos de uma forma como jamais imaginaríamos. Se fosse possível tabular as ramificações, imagine onde chegaríamos! Um minúsculo ato de gentileza, de consideração, pode reverberar muito além do que imaginamos. São esses pequenos atos de empatia, pequenos como o bater das asas de uma borboleta, que acionam uma rede imensa de consequências, um furacão que pode provocar mudanças impensáveis.

Pequenos atos, sacou? Daqueles que não exigem grandes investimentos, grandes mobilizações, que podemos fazer diariamente, sabe? E que acabam sendo, pela repetição, como o bater das asas de uma borboleta, mais importantes que os grandes atos que fazemos de quando em quando.

Então, recentemente ouvi um depoimento num programa de rádio que cabe aqui como uma luva, faço questão de reproduzir pela importância e emoção com que ele é dado. O programa é o Pingos nos Is da Rádio Jovem Pan, e o comentário é do jornalista Reinaldo Azevedo. Reinaldo é amado por uns, odiado por outros, mas gostando ou não dele, é ele que está hoje à frente do mais importante programa do rádio brasileiro. Ouça:

“Eu vou falar de uma coisa um pouco triste e ao mesmo tempo desperta em mim uma alegria, alegria de quem já viveu uma boa quadra da vida, de quem descobre que é possível mudar as coisas, é possível fazer as coisas direito, é possível ter uma existência digna e faze-lo com seriedade, com sobriedade, com rigor técnico. 

Morreu ontem, Laila Nicolau, ao s 74 anos, professora de português. Minha professora de português desde a quinta série. Eu vou, necessariamente, me emocionar e não vou ter vergonha disso. 

É sem favor, a pessoa mais importante, a mais importante da minha vida, fora evidentemente, as pessoas que são próximas, família, mãe, pai. Eu tive uma infância muito, muito, muito pobre. E a escola me salvou. A mim e a outros. E mais do que a escola, a Laila me salvou. 

Eu tinha 12 anos, 12 anos, quando ela me deu esse livro aqui, ó. Primeiro livro que ela me deu. Seleta em prosa e verso da Cecília Meireles. Eu gostava de poesia, eu gostava das aulas dela, eu gostava que ela prestasse atenção em mim. E de algum modo, eu me organizava pra isso. A Cecília Meireles veio porque ela trabalhava com textos de poesia em sala e a Cecília Meireles tem umas poesias de expressão do universo infantil, por exemplo, Coral de Carolina, que é conhecido e eu gostava muito e um dia me caiu às mãos um poema da Cecília Meireles fora desse universo, dessa poesia mais próxima das crianças, que é uma poesia até bastante dramática, chamada  Punhal de prata. E eu tinha uma memória boa já para texto, como tenho hoje, graças a Deus e evidentemente eu decorei a poesia e dei um jeito da Laila saber que eu tinha a poesia decorada. A poesia Punhal de prata.

Isso, para uma criança de 12 anos, ela deve ter achado que o gordinho de óculos queria fazer alguma coisa além de proselitismo sobre a pobreza e a Laila praticamente me adotou. A Laila me adotou com livros. 

A Laila acreditava na educação, a Laila acreditava que crianças pobres da periferia, se tiverem bons professores, mesmo em situações as mais adversas, esses professores vão descobrir aquele aluno lá. Eu não estou querendo dizer com isso que a gente não precise ter condições gerais de vida melhores. Que a gente não precise de uma escola melhor, que a gente não precise de salários melhores.

Tudo isso é verdade, mas nada disso vai adiantar se não houver o amor, a vocação, a dedicação, o sentido de missão, que se deve ter quando se é professor, quando se é qualquer coisa, na verdade. Em qualquer profissão. 

E a Laila foi de uma grandeza extraordinária, não só comigo, mas com todos os estudantes e especialmente aqueles que se mostravam mais interessados. Com ela eu… ela me abriu as portas da literatura… Pouco  mais de seis anos depois, eu estava dando aula de literatura em cursinho. Pelo meu esforço pessoal? Certamente. Mas ela, sempre presente. Com ela eu tive as minhas primeiras noções de teatro, noções técnicas mesmo. E é incrível como ela nunca se despediu de mim. E eu, evidentemente, nunca me despedi dela. 

Quando eu lancei o meu segundo livro, ela foi. Abre um buraco sem cura. Obrigado Laila. Que Deus te proteja.”

Então? Entendeu a jogada, hein? Viu no que deu a batida de asas da Dona Laila na vida do gordinho de óculos? Uma professora, um pequeno gesto, uma atitude, que, 40 anos depois, reverbera em todo o Brasil pelas ondas do rádio, fazendo a cabeça de milhões de ouvintes.

E é assim então, ao som de MARCHA DA BORBOLETA com a turma do Barbatuques, que faz música a partir de sons gerados pelo próprio corpo, que vamos saindo no embalo.

Vamos nessa então, hein? A gente vai jogando umas iscas aqui, contado umas histórias ali, provocando uns acolá, inspirando outros alhures… e a borboleta faz o resto. Bata as asas você também.

Com esta lagarta trabalhadeira Lalá Moreira na técnica, a borboletífera Ciça Camargo na produção e eu, este borboleto de mil asas, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Diego Catão, Reinaldo Azevedo, Adriana Calcanhoto, o Octopus Brazil, Rhaissa Bittar o Barbatuques e o Duo Rodapião.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Youtube repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá que vale a pena: youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Lembre-se que este programa tem um texto resumo que você pode baixar clicando no botão laranja logo acima deste texto.

Venha se juntar a uma turma da pesada na Confraria Café Brasil. Tem uns 800 malucos lá trocando ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo juntos! Quer saber como? www cafebrasil.top.

E para terminar, um quase poema de Benjamin Franklin:

Por falta do prego, perdeu a ferradura
Por falta da ferradura, perdeu um cavalo
Por falta do cavalo, perdeu um cavaleiro
Por falta do cavaleiro, perdeu a batalha
Por falta da batalha, perdeu um reino
Tudo por falta de um prego numa ferradura.