Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Uma reunião para ser objeto de estudo em qualquer aula ...

Ver mais

#TransgressaoEhIsso
#TransgressaoEhIsso
Transgredir é muito mais que pintar o rosto, urinar na ...

Ver mais

Vem aí o Cafezinho
Vem aí o Cafezinho
Nasce nesta segunda, 4/9 o CAFEZINHO, podcast ...

Ver mais

Educação adulta
Educação adulta
Preocupados demais com a educação de nossos filhos, ...

Ver mais

590 – O que aprendi com o câncer
590 – O que aprendi com o câncer
O programa de hoje é uma homenagem a uns amigos ...

Ver mais

589 – A cultura da reclamação
589 – A cultura da reclamação
Crianças mimadas, multiculturalismo, politicamente ...

Ver mais

588 – Escola Sem Partido
588 – Escola Sem Partido
Poucos temas têm despertado tantas paixões como a ...

Ver mais

587 – Podres de Mimados
587 – Podres de Mimados
Você já reparou como estão mudando os padrões morais, ...

Ver mais

LíderCast 90 – Marcelo Ortega
LíderCast 90 – Marcelo Ortega
Marcelo Ortega, palestrante na área de vendas, outro ...

Ver mais

LíderCast 89 – Bruno Teles
LíderCast 89 – Bruno Teles
Bruno Teles, um educador que sai de Sergipe para se ...

Ver mais

LíderCast 88 – Alfredo Rocha
LíderCast 88 – Alfredo Rocha
Alfredo Rocha, um dos pioneiros no segmento de ...

Ver mais

LíderCast 087 – Ricardo Camps
LíderCast 087 – Ricardo Camps
Ricardo Camps, empreendedor e fundador do Tocalivros, ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 08 Já falei ...

Ver mais

Tolerância? Jura?
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Engraçada essa tal “tolerância” que pregam por aí, por dois simples motivos: 1) é de mão única e 2) pretende tolher até o pensamento do indivíduo. Exagero? Não mesmo. Antes que algum ...

Ver mais

Ensaio sobre a amizade
Tom Coelho
Sete Vidas
“A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm ...

Ver mais

Um reino que sente orgulho de seus líderes
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Um reino que sente orgulho de seus líderes  Victoria e Abdul   Uma vez mais, num curto espaço de tempo, o cinema nos brinda com um filme baseado na história de uma destacada liderança britânica. ...

Ver mais

O que aprendi com o câncer
Mauro Segura
Transformação
Esse é o texto mais importante que escrevi na vida. Na ponta da caneta havia um coração batendo forte. Todo o resto perto a importância perto do que vivemos ao longo desse ano.

Ver mais

Cafezinho 27 – Planos ou esperanças
Cafezinho 27 – Planos ou esperanças
Tem gente que, em vez de planos, só tem esperança.

Ver mais

Cafezinho 26 – Brasil Futebol Clube
Cafezinho 26 – Brasil Futebol Clube
Não dá para ganhar um jogo sem acreditar no time.

Ver mais

Cafezinho 25 – Podres de mimados 2
Cafezinho 25 – Podres de mimados 2
O culto do sentimento destrói a capacidade de pensar e ...

Ver mais

Cafezinho 24 – Não brinco mais
Cafezinho 24 – Não brinco mais
Pensei em não assistir mais, até perceber que só quem ...

Ver mais

546 – Só por hoje

546 – Só por hoje

Luciano Pires -
Download do Programa

ILUSTRAÇÃO DA VITRINE: VITO QUINTANS 

Adicção é o vício geralmente relacionado ao consumo de drogas ilícitas. Mas a adicção  também pode significar qualquer dependência psicológica ou compulsão tipo jogo, comida, sexo, pornografia, computadores, internet, vídeo games, notícias, exercício, trabalho, TV, compras, podcasts… Ai cara! Como é que a gente sai dessa, hein?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. Um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente: clique no botão laranja logo acima deste texto.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o… bom, ele pediu pra não dizer o nome. Então será o Anônimo.

Oi Luciano. Posso entrar?

Cara! Primeiramente eu queria pedir que você mantivesse meu anonimato. O que importa mesmo é a mensagem. Não importa quem eu sou. Pode me chamar de amigo que é como eu te considero.

Rapaz! Como admiro a sua educação sutileza! Esse “Posso entrar?” foi o que definitivamente me ganhou quando ouvi o primeiro Café Brasil alguns anos atrás, logo depois fui presenteado com um conteúdo de qualidade, preparado com esmero e dedicação deixando evidente que é algo feito por quem AMA o que está fazendo.

Cara, não é brincadeira, você é um amigão que eu tenho e eu digo isso sabe assim com propriedade mesmo, porque é assim que eu me sinto depois de tanto te ouvir falar, até que finalmente agora resolvi quebrar o gelo e me pronunciar também, afinal, né?…  é falta de educação deixar um amigo falando sozinho. É ou não é?

Bom, deixa eu ir direto ao assunto senão fico aqui me enrolando todo e não falo o que quero dizer… Meu camarada é o seguinte…

Eu sou portador de uma doença progressiva, incurável e fatal. Pelo menos foi isso que eu descobri quando eu procurei ajuda depois de oito anos nas garras da adicção. Isso mesmo. Eu sou um adicto. Se preferir pode chamar de viciado, eu não ligo.  Eu nasci com essa doença que tem nome e tem até classificação de acordo com a OMS. Tem uma classificação internacional de doenças lá no CID 10 – F19.0, “Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas”, pois é !

Mas eu não estou te escrevendo para falar de CID nem da minha condição não, sabe. Eu estou escrevendo, na verdade eu escrevi esse texto. Eu estou lendo e gravando ele agora porque eu me expresso melhor escrevendo e não gosto muito de ouvir a minha voz. Mas, eu estou mandando essa mensagem para falar também que eu descobri que essa doença pode ser estacionada e que existe uma forma de viver uma vida produtiva na sociedade feliz e te dizer também como esse seu trabalho tem me ajudado na minha recuperação, acredite ou não.

O uso de drogas me levou ao isolamento social e a viver uma realidade paralela assim onde eu tinha esse segredo sombrio que me aplacava, e me fazia viver uma vida onde as drogas eram o motivo principal da minha existência. Até que um dia, sabe Luciano eu descobri que existe uma irmandade sem fins lucrativos, sem liderança governamental nem nenhum interesse no que eu tenho de posses e muito menos em quem eu sou, o que eu fiz ou o quanto eu usei. Uma irmandade que me puxou do fundo de poço, cara e me mostrou que eu não sou a única pessoa a sofrer desse mal e que SIM! Eu posso ter uma vida feliz e produtiva! Eu estou falando dos Narcóticos Anônimos!

O programa de 12 passos que eu aprendi lá, me ensinou que eu não devo me isolar sabe, e que eu posso ter uma vida feliz e sem usar nada que altere meu humor ou a minha consciência e que, principalmente, não preciso de nada além da minha boa vontade pra alcançar isso, de quebra eu também descobri que tem um bando de gente, Luciano, com o mesmo problema que o meu. Essa gente se reúne diariamente para compartilhar suas experiências mundo afora. São quase 200 países que o NA atua isso ajuda a salvar outras pessoas assim como eu fui salvo.

Mas por que que eu tô falando disso? Onde entra o café Brasil nessa história? Onde você Luciano, entra nessa história? Cara, isso eu te conto… O tempo que eu passo numa reunião de NA é de aproximadamente duas horas por dia.  E as outras 22 horas do resto do dia? Eu tô aí no mundo, cara! Então, nessas outras 22 horas eu descobri um conteúdo de qualidade que me fez pensar e que sempre me emociona. Isso mesmo cara, me emociona! Porque agora eu posso sentir minhas emoções, sabe! Eu não vivo mais anestesiado, nem amortecido. Não preciso mais de sensações ou ondas…

Esse café Brasil já me ajudou a não pensar em drogas por tantas vezes que eu já até perdi as contas cara! Tu é um amigo de verdade, aquele que sabe chegar sem ser intrusivo e que sempre deixa saudades na hora que vai embora.

Queria ter seu dom para poder me expressar com palavras da forma que eu me sinto, mas infelizmente não tenho. Serve minha gratidão? Muita gratidão meu amigo. Se algum dia você, por algum motivo, titubear e até pensar se deve ou não continuar com seu trabalho nesse podcast, que tal você se lembrar que você está salvando vidas? A minha você salvou um monte de vezes com certeza!

Aqui fala o seu amigo, limpo só por hoje, praticando meus passos.

Um forte abraço!”

Bem.. o que é que tem pra dizer agora? Caro Anônimo, não faço a menor ideia de como é o fundo do poço no qual você chegou sabe? Mas admiro enormemente a sua coragem de buscar a saída e também de mandar esse depoimento, viu? Na verdade é mais que coragem: é a sua generosidade. Acabou inspirando este programa que, eu tenho certeza, vai ajudar muita gente…

O Anônimo receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Hoje eu vou chamar um Anônimo aqui.

Na hora do amor, use

Anônimo – Prudence.

Luciano – ….. mas esse é o Lalá….

Então… existem uns temas tabus que eu mantenho na gaveta à espera da oportunidade certa para abordar. Como hoje, com esse comentário do ouvinte anônimo. Drogas.

Muito já foi escrito, falado, discutido. A questão drogas está na mesma prateleira do aborto, pena de morte, feminismo e outros assuntos que pegam fogo e parece que jamais chegarão a um ponto de acordo entre os vários pontos de vista. Uma das razões de eu não ter feito um programa sobre drogas até hoje é pelo risco de tratar de mais do mesmo. Mais um programa com aquele blablabla interminável que vai terminar onde todos sabemos: Ah, o Estado precisa melhorar a educação e bla bla bla…

Eu não quero mais do mesmo. Portanto não vou dizer aqui que drogas fazem mal, eu não vou discutir repressão ou descriminalização. Este programa nasce do chamado do ouvinte anônimo e de tantos outros que podem estar na mesma situação.

Ele reconhece o problema, reconhece os prejuízos em sua vida, quer sair dessa e encontra um apoio no Narcóticos Anônimos.

Sem julgamentos, sem cagação de regras, sem papo de justiceiro social, quero propor a você que viaje comigo para o mundo dele.

É uma viagem careta, é claro…

Até pouco tempo atrás, a gente dizia “fulano é um viciado”, ou  então “fulano é um drogado”. Esses termos, “viciado” e “drogado” tornaram-se tão malditos que a turma recorreu a um termo mais leve: o adicto. Se você ouviu o programa 543 – Desengajamento Moral, onde explico o uso dos eufemismos, vai entender. Adicto vem do latim ADICCERE, na verdade de seu particípio passado: ADDICTUS, declarado. Mas que pode ser também devotado, consagrado.

Se você é gringo e está aprendendo português com o Café Brasil, deve ter dado um curto circuito no cérebro aí… Em portugês temos ADIÇÃO, que significa soma. Temos DICÇÃO, que significa maneira de dizer, de se expressar. E temos ADICÇÃO, que é a razão deste programa. Entendeu?

Adicção, para efeito deste programa, é portanto a devoção ao consumo de substâncias, não necessariamente ilícitas. O álcool, por exemplo. Um adicto é um viciado, que não consegue controlar seu desejo por álcool ou drogas, inclusive remédios, mesmo que sinta efeitos negativos para saúde, problemas com a família, com amigos e com a polícia.

Para chegar à adicção, o cérebro precisa se acostumar com a droga, de tal forma que, quando ela falta, uma sensação semelhante à fome toma conta. E a pessoa PRECISA de doses cada vez maiores da substância. Até perder o controle.

O mal é o que sai da boca do homem
Pepeu Gomes
Baby Do Brasil
Galvão

Você pode fumar baseado
baseado em que você pode fazer quase tudo
Contanto que você possua
mas não seja possuído

Porque o mal nunca entrou pela boca
do homem…
Porque o mal é o que sai da boca
do homem…

Você pode beber baseado
baseado em que você pode beber quase tudo
Contanto que deixe um pouquinho
um pouquinho pro santo

Porque o mal nunca entrou pela boca
do homem…
Porque o mal é o que sai da boca
do homem…

Você pode comer baseado
baseado em que você pode comer quase tudo
Contanto que deixe um pouquinho
um pouquinho de fome

Porque o mal nunca entrou pela boca
pela boca do homem
Porque o mal nunca entrou pela boca
do homem…
Porque o mal é o que sai da boca
do homem…

Rerere… você está ouvindo O MAL É O QUE SAI DA BOCA DO HOMEM, com Pepeu Gomes. Lançada em 1980 no Festival MPB Shell da Rede Globo, a canção cheia de duplo sentido causou polêmica e alguma dor de cabeça para Pepeu e Baby Consuelo, na época um casal. A composição da dupla em parceria com o também ex-Novos Baianos Galvão cita uma frase bíblica no título e faz uma brincadeira com um dos nomes pelo qual é conhecido o cigarro da maconha: o baseado. Mas eles apresentaram a música para a censura com um truque: o verso é assim:

Você pode fumar
Baseado em que você pode fazer quase tudo

E na hora de cantar, eles cantaram assim…

Você pode fumar baseado
baseado em que você pode fazer quase tudo

Eles enganaram a censura, a música foi um sucesso e deu o maior rolo, com os dois presos, recolhimento de discos… vixe…

Muito bem. A adicção é considerada por muitos uma doença. Muita gente acredita que tratando-a como doença, fica mais fácil combate-la.

Mesmo depois de quase 40 anos de pesquisas, muitos mitos ainda permanecem entre nós quando se trata de adictos. Vamos a alguns deles?

Mito 1:  Os adictos são gente má, que merece ser punida.

Drogas são democráticas. Pegam qualquer um, jovem, velho, homem, mulher, pobre, rico, preto ou branco. E tem adicto bom e adicto ruim, como qualquer segmento da sociedade. Mas a adicção leva ao desespero, ao total desengajamento moral. E quem é viciado recebe rótulos, como sendo mau, sem força de vontade, imoral, vagabundo.

Entre as doenças crônicas, a adicção por drogas é a única que leva a punições legais e julgamentos tipo: eles pediram por isso, deixe que se matem…

As drogas levam sim, muitas pessoas, a mentir, roubar, praticar atos imorais para manter seus hábitos. Mas isso é a consequência. Gente doente precisa de tratamento para se curar.

Mito 2: A adicção é uma escolha

Ninguém escolhe ter câncer, por exemplo, assim como ninguém escolhe se tornar um viciado. Uma combinação que envolve genética, o ambiente, a família e os amigos é que leva à situação de adicção. Muito antes das drogas entrarem em cena, existem diferenças neurobiológicas que tornam certas pessoas mais expostas à adicção do que outras. E uma vez que essas pessoas comecem a usar drogas, o uso prolongado causa mudanças na estrutura e em funções do cérebro, fazendo com que seja quase impossível controlar impulsos, sentir prazeres naturais como sexo ou comida e até mesmo focar em qualquer outra coisa que não seja obter e usar mais drogas.

Mito 3: Pessoas se tornam adictas de um único tipo de substância

Muita gente acha que todo adicto tem só uma droga de preferência, mas hoje em dia, o abuso do que se chama polisubstâncias, o uso de três ou mais substâncias combinadas, se tornou a norma e não a exceção. Algumas pessoas usam substâncias combinadas, como cocaína e heroína, para obter efeitos mais intensos. Outras tomam uma droga para diminuir os efeitos colaterais de outra. Outras simplesmente consomem o que estiver à mão. Quem usa múltiplas substâncias está mais exposto às consequências das drogas no organismo, como doenças mentais.

Mito 4: Gente que se torna adicta de remédios é diferente dos adictos por drogas ilegais

Apesar do abuso de drogas legais, aquelas receitadas por médicos, ter atingido proporções epidêmicas, seus adictos são menos estigmatizados que aqueles que consomem drogas ilegais. Pois é. É que quando a gente fala de adicção a drogas ilegais, vem à mente as cenas da Cracolândia, com aquelas pessoas como zumbis vagando pelas ruas. E junto vem a sujeita, a promiscuidade, a violência, a loucura… Drogas com receita não geram essa imagem, não é?

É. Mas apesar das drogas receitadas por médicos serem de grande utilidade no combate a diversas doenças  e provavelmente você ter alguma em sua casa, existe a concepção errônea de que elas são mais seguras que as drogas ilegais. Não são. Por uma razão simples: o que faz a adicção é o exagero. E até água em exagero faz mal, meu! Quem toma um remédio receitado em doses ou frequência maior que a recomendada, ou então para uma condição que a pessoa não tem, corre o mesmo risco de adicção das drogas ilegais.

Mito 5: O tratamento deve colocar os adictos em seu lugar

Mesmo que os maiores especialistas concordem que a adicção é uma doença crônica similar às doenças do coração, diabetes e câncer, os adictos são tratados como cidadãos de segunda classe. E não é incomum encontrar métodos de tratamento baseados no confronto, na vergonha. Aliás, o que mais se vê e ouve é exatamente isso: o viciado fez uma escolha, agora ele que se dane…

Pense comigo: que estímulo pode ter alguém de ir se tratar num lugar onde sabe que será humilhado e passará vergonha?

Pois então… nosso ouvinte anônimo falou dos Narcóticos Anônimos. O Narcóticos Anônimos é uma organização internacional, sem fins lucrativos, fundada na Califórnia no final dos anos 1940. Ela tem como finalidade fazer com que seus participantes, ao adotar um programa de 12 passos, se mantenham limpos, sem usar qualquer tipo de droga, por 24 horas. E eles consideram que qualquer adicto é capaz disso.

O NA, como é conhecido o Narcóticos Anônimos, não tem afiliações com outras organizações, não tem terapeutas, centros de tratamento, nem assessores profissionais ou clínicas. Não oferece serviços de orientação, psicológica nem clínica. A única missão do NA é oferecer um ambiente onde os adictos possam ajudar um ao outro a deixar de consumir drogas e levar uma nova vida.  É um processo voluntário, livre e gratuito.

Vai quem quer, e a única coisa necessária é o desejo de deixar de consumir drogas.

A filosofia dos 12 passos foi desenvolvida pelo Alcóolicos Anônimos, entidade que certamente inspirou o surgimento dos Narcóticos Anônimos,  e é usada por muitos centros de tratamento pelo mundo. A premissa básica desse modelo é que pessoas podem ajudar umas às outras a manter abstinência com relação às substâncias adictivas, mas que a reabilitação não pode ser obtida sem que o indivíduo se submeta a um poder maior. A filosofia dos 12 passos é um dos muitos métodos que existem para combater a adicção, e tem seus críticos, especialmente pela presença de um forte componente religioso.

Lendo as informações sobre a Narcóticos Anônimos e tirando fora qualquer viés religioso, o segredo está na constituição de um grupo de pessoas que vivem o mesmo drama, onde o indivíduo possa parar de pensar só em si e perceber que outros vivem o mesmo, que ele pode ajudar outras pessoas, considerar os sentimentos de outros. Não se sentir sozinho… Cara! Isso é coisa de tribo, básico para o ser humano: sentir-se parte de um conjunto, sentir o conforto de outro ser humano se preocupando com você. Não se sentir sozinho. É isso. E cada tribo cria seus ritos e mitos, não é?

Vem então o viés religioso. É muito no forte no Narcóticos Anônimos a consciência de um Deus, uma força onipotente, que dará ao indivíduo condições para que ele deixe o vício. Bem, aqui podemos passar dias debatendo. E começamos a tratar de questões de Fé, e não consigo ver nenhuma outra força capaz de livrar alguém do vício, que a fé em algo. O NA considera que esse algo é um Deus e centenas, milhares de clínicas estão ligadas a instituições religiosas. Aliás, não tenho certeza, mas acredito que as instituições religiosas sejam as maiores responsáveis por tirar gente da adicção.

Por paradoxal que pareça. A questão da fé uma coisa lógica. Um indivíduo adicto, que tem consciência dos prejuízos que causa a si e às pessoas que ama, que não tem forças para escapar sozinho do vício, tem com certeza uma baixa autoestima. Não acredita mais em si. Precisa acreditar em algo. Precisa de fé. E é por isso que há tanto sucesso nos processos de cura que envolvem a fé.

Aí o mané vai aparecer e dizer: “Ah, Luciano, substitui um vício pelo outro”… olha, eu não sou religioso, mas também não sou burro a ponto de não reconhecer aquilo que ajuda as pessoas a se reerguer.

E a fé, meu caro, ajuda.

Andar com fé
Gilberto Gil

Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma “faiá”
Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma “faiá

Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra co-ral

Ô-ô
Num pedaço de pão

A fé tá na maré
Na lâmina de um punhal

Ô-ô
Na luz, na escuridão

Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma “faiá”
Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma “faiá”

A fé tá na manhã
A fé tá no anoite-cer

Ô-ô
No calor do verão
A fé tá viva e sã
A fé também tá pra mor-rer

Ô-ô
Triste na solidão

Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma “faiá”
Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma “faiá”

Certo ou errado até
A fé vai onde quer que eu vá

Ô-ô
A pé ou de avião
Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompa-nhar

Ô-ô
Pelo sim pelo não.

Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma “faiá”
Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma “faiá”

Ai que delícia… a baiana do axé Carla Visi com ANDAR COM FÉ, um clássico de Gilberto Gil… Ó meu! Tá tudo aí, meu caro. A fé não costuma faiá…

Reconhecer e admitir o problema.  Render-se à ideia de que precisa de auxílio externo. Auto observação, percepção e compreensão dos comportamentos que levam à adicção, assim como dos que a evitam. Oportunidade de praticar a contenção da adicção e construir uma auto estima. Adquirir habilidade de mudar o comportamento. Compaixão por outros que vivem o mesmo problema. Um guia para a continuidade do processo ao longo da vida do indivíduo. E fé. Fé numa força que vai lhe ajudar, que pode ser um Deus, o universo…ou então você.

Esses possíveis ganhos já mostram que o Narcóticos Anônimos e seu programa de 12 passos é sim uma alternativa, dentre várias que existem por aí, para ajudar quem quer deixar a adicção.

E muita gente famosa se beneficiou disso.

Só por hoje
Renato Russo

Só por hoje
eu não quero mais chorar
Só por hoje
eu espero conseguir
Aceitar
o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz.

Hoje já sei que sou, tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar, e nem te convencer
O mundo é radical,
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver, um dia de cada vez,
Só por hoje
eu não vou me machucar
Só por hoje
eu não quero me esquecer
Que há algumas pouco vinte quatro horas
Quase joguei, a minha vida inteira fora.

Não não não não
Viver é uma dádiva fatal
No fim das contas, ninguém sai vivo daqui mas
Vamos com calma!
Só por hoje
eu não quero mais chorar
Só por hoje
eu não vou me destruir
Posso até, ficar triste se eu quiser
É só por hoje, ao menos isso eu aprendi.

Só por hoje eu não vou me destruir, percebeu, hein? Você ouviu Renato Russo falando de sua questão com as drogas, citando os 12 passos. Depois ele escreveu essa música, SÓ POR HOJE, que dá bem uma ideia do processo do Narcóticos Anônimos: mantenha-se limpo só por hoje. E amanhã repita o processo. E depois de novo. E assim lá se vão 5, 10, 20 anos sem drogas…

É fácil? Claro que não… Mas nosso amigo anônimo mostrou que com ele tá funcionando. E ainda abriu uma nova perspectiva ao colocar este Podcast no processo: ocupe sua mente com coisas que façam você pensar, que lhe obriguem a raciocinar, e não apenas com coisas que o ajudem a fugir da realidade. Aliás, é isso, fugir da realidade, que leva as pessoas a se tornarem adictas.

Olha. Por muito, muito tempo, as drogas não foram consideradas um problema. Pelo contrário. Foram remédios, terapias que ganharam um espaço gigante na sociedade. Quando tentaram proibir a Lei Seca nos Estados Unidos com o álcool, por exemplo, era tarde demais. Algumas drogas ficaram legais e outras não. E como é que eu, que tomo minha cervejinha e olha que eu sou muito comedido, posso querer proibir que um sujeito fume seu baseadinho? E se ele fizer isso da mesma forma controlada e responsável com que eu consumo minha cerveja? É cara! Tá pensando que é fácil? Olha, essa discussão jamais terá fim.

E é assim então, ao som de ANDAR COM FÉ no barato do Skank… que vamos saindo no embalo.

O assunto adicção pode render aqui uns dez anos de programas…  A gente vai devagarzinho falando dele. Aos poucos. Com fé. De leve. Para você assimilar sem perceber… ou então percebendo. Olha. Eu quero agradecer o anônimo pela oportunidade, tenho certeza que sua mensagem ajudará muita gente.

Olha, fiz um resumo deste programa incluindo os 12 passos dos Narcóticos Anônimos. Você pode baixar gratuitamente acessando iscas.portalcafebrasil.com.br.

Com o sóbrio Lalá Moreira na técnica, a baratinada Ciça Camargo na produção e eu, que de adicção, por enquanto cara, só quero o podcast, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte anônimo, dois visitantes, o Gustavo e o Joaquim lá de Recife cara, Carla Visi, Legião Urbana e Renato Russo, Pepeu Gomes e o … Skank.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Youtube repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Tem inclusive, os videocasts que eu fiz pra eles. Dê uma olhada lá, vale a pena: youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país é: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Venha se juntar a uma turminha da pesada na Confraria Café Brasil meu, onde as pessoas se reunem para trocar ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo juntas! Ó! Já tem uns 850 lá, cara! Acesse cafebrasil.top

E para terminar, o Anônimo:

Num post do Facebook um amigo perguntou se tinha como saber mais sobre a minha história, experiências e tal. Eu quero dizer em relação a isso que pra me conhecer melhor é só você procurar uma sala de NA. Eles tem um site, na.org.br, lá você consegue descobrir onde estão acontecendo as reuniões mais próximas da sua localidade. Sabe o que é mais legal? Não precisa ter problemas com drogas para participar de uma reunião. Basta ir a uma reunião aberta, que é assim que chamam as reuniões que são abertas à comunidade em geral. 

Eu vou deixar aqui uma provocação: vá lá, conheça. Aposto que você não vai se arrepender. Eu digo você, não só você, Luciano. Quem estiver me ouvindo. Daí quando estiver lá e conhecer um pouco mais sobre essa irmandade, sobre o programa que salva vidas, quando ouvir alguma partilha de algum companheiro faça o seguinte: pense que aquele ali que está falando, sou eu. Aí aproveita lá no final, vai lá e dá um abração forte nele e transmita essa boa energia. Que, com certeza, eu vou receber também. 

A força que mantém essa irmandade unida é o anonimato. Isso deve ser respeitado, sabe. Ninguém pode falar em nome de NA. Apenas compartilho um pouco da minha história por achar, e agora ter certeza, que iria fazer bem pra quem lesse ou me ouvisse. O anonimato não é por medo de retaliação ou perseguição, pelo contrário. É pelo simples motivo de focar no que importa, que é a mensagem. 

Para alguém que talvez sofra com a adicçao, eu gostaria de aproveitar e dizer que há solução sim. Existe vida sem drogas. Funcionou pra mim e eu te garanto que isso foi um milagre. Pode ficar tranquilo que ninguém NA vai estar interessado em quanto você usou, o que você usou, quais eram seus contatos, suas fontes, porque somos um grupo de pessoas que reconheceu que tinha um problema com o uso de drogas. E mantém o firme propósito de ficar limpo. 

NA, em nenhum momento está sob vigilância do governo ou da polícia. E o seu anonimato é garantido. E você só fala dentro de uma sala de NA, o que tiver vontade de compartilhar. 

Se dê essa oportunidade. Participe de uma reunião. Descubra por você mesmo e quem sabe a sua vida também muda, como aconteceu comigo.