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Luciano Pires -

Hoje nossa cultura está possuída pela possessão e falar de posses é complicado. Pois no podcast da semana vamos tratar de posses, ou da nossa compulsão para possuir coisas, que faz com que sejamos possuídos por elas! Uma cultura que coloca e riqueza material e a tecnologia como seus valores fundamentais acaba promovendo a estagnação. E a morte. Vamos tratar inclusive da diferença entre ambição e ganância. Na trilha sonora – ambiciosa como sempre – Carlos Careqa com Chico Cesar, Marcelo Jeneci, Miltinho, Frank Solari com Yamadu Costa e o Jota Quest. Apresentação de Luciano Pires

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite! Outro dia fiz um programa falando sobre dinheiro e felicidade e acho que hoje é uma espécie de continuação. Vamos tratar de posses, ou dessa nossa compulsão para possuir coisas, que faz com que sejamos possuídos por elas!

Pra começar, uma frase do jornalista e novelista francês Alphonse Karr:

A propriedade é uma cilada: o que julgamos possuir, nos possui.

E o exemplar semanal de meu livro NÓIS QUI INVERTEMO AS COISA vai para…para… O Juvenal Santos, que comentou um de nossos programas e acabou inspirando este aqui. Olha só:

“Prezado Luciano, boa noite.

Leio sempre suas iscas e ouço com muita atenção todos os podcasts e, de forma muito singular, me identifico e me transporto para dentro das situações relatadas. Nem sempre emito comentários, mas isto não traduz a atenção dispensada e o sentimento que invariavelmente me despertam.

A história a que me referi retroage-me a meus tempos de estudante quando cursando o científico (hoje ensino médio). Naquela época gozava do privilégio de ter como amigo um rapaz chamado. Dion era filho de pecuarista, político que à época era deputado, gozando, portanto, de uma condição econômica, financeira e social bem diferente da minha, filho de família humilde, simplória, sem maiores recursos. Ia muito assiduamente à sua casa em razão de grande simpatia demonstrada por seus pais em relação a mim.

Lutava eu com grandes dificuldades para alcançar as coisas mínimas de que necessitava e, em determinado dia em que alcancei conseguir algo que para mim representava muito, embora para ele representasse menos que nada, chorava ele mais que eu com a minha vitória.

Meu Prezado Luciano.  É muito difícil, nos dias de hoje, alguém alegrar-se com as vitórias de quem quer que seja, principalmente as pessoas mais próximas, sem sentir inveja ou sem tentar tirar uma casquinha desse sucesso.  Por isso esse rapaz é o meu padrão de “amigo”.

Só para você ter uma idéia da nobreza do espírito desse indivíduo, relato-lhe que ele tinha alguns problemas de saúde que consumiam grande parte dos recursos da família, não só a nível de receita mensal, mas também das economias da família. Ele era portador de um tumor no cérebro e num dos seus exames ele forçou o médico a contar-lhe todos os detalhes, dentre os quais que sua sobrevida seria de 6 meses.  Escondeu esse detalhe de seus pais e se deixou morrer para que o patrimônio da família, e consequentemente o futuro dos irmãos menores (já que ele era o primogênito) não fosse comprometido. Até hoje essa história me arrepia e me emociona tal o desprendimento, inclusive da vida, em benefício de terceiros.

Eu não sei, sinceramente, que nome dar a esse comportamento.  Acho “generosidade” pouco para definir tamanho desapego.

Não sei te será útil, mas essa história, que poucos conhecem, eu necessitava contar. Um forte abraço, do Juvenal Santos.”

Menos de doer, mais de doar

Havia algo no ar
Um Zeppelim de paixão
Mais leve que o avião
Que acabou de passar

Havia algo no ar
Como uma pedra de gás
Gota, bolha e sinal
Havia algo e há

Havia algo no ar
Escureceu no meu quintal
Pra lá de Guiné Bissau
Não era rio e nem mar

Havia algo no ar
Que a solidão festejou
Pegar um barco em Manaus
Pegar um trem pra Moscou

Havia algo no ar
Feito o relógio do Sol
Caminho pro Pantanal
Havia e era total

Bom isso né. Esse som, é o Carlos Careqa com Chico César, com MENOS DE DOER MAIS DE DOAR, composição de ambos.

Olha só Juvenal, a história que você não sabia se valia a pena contar, acabou inspirando este programa! E você aí, que está ouvindo e não escreve pra gente? Desembucha, meu. Qualquer comentário de ouvinte, para nós IMPORTA.

Em minha palestra O Meu Everest eu conto como foi a aventura de seguir a trilha a caminho do Campo Base da maior montanha do mundo, uma desafiadora caminhada de 100 km e altitudes de até 5.500 metros. A estrutura que nos acompanhava era completa, com carregadores, guias e Iaques, os primos dos bois que servem como animais de carga na região.

Os seis guias regionais eram da etnia sherpas, que habita as regiões montanhosas do Nepal. Os Sherpas são originários do Tibete e na língua deles, shyar significa “leste” e Pa significa “povo”. Shyarpa: povo do leste. O “meu” guia era o Lhakpa, que cuidava para que o brasileiro maluco não se matasse na montanha. Lhakpa quer dizer “quarta-feira” no idioma deles…

Bem, aquele povo é sofrido, vive numa dureza atroz e muitos se dedicam a guiar os turistas nas duas temporadas de escalada (abril-maio e outubro-novembro), obtendo renda para garantir a subsistência durante o resto do ano.]

Para aliviar a caminhada, levei comigo um CD Player, trambolho que usávamos pra ouvir música antes de aparecer o Mp3.  E na mochila, CDs de Raul Seixas, Caetano, uns sambas e outras coisinhas.

Aquele precioso aparelho teve um papel importantíssimo na caminhada, pois me injetou ânimo, ritmo e entusiasmo quando eu mais precisava deles.

De quando em quando os sherpas pediam para ouvir um pouco e se divertiam com sons que para eles eram estranhos. Era evidente o fascínio que eles tinham pelo CD player.

Quando terminamos a viagem, eu estava no quarto da pousada na cidade de Lukla e o Lhakpa chegou carregando parte de minhas coisas. Começava ali um ritual de despedida. Mostrando a coleção de CDs, pedi que escolhesse um de presente. Ele ficou atônito, abriu um sorriso imenso e pegou a trilha sonora do filme The Commitments, agradecendo efusivamente.

Então peguei o CD player e entreguei a ele.

-Take it. It´s yours.

A expressão que ele fez foi de uma felicidade incontida, como se tivesse recebido um automóvel de presente!  Um CD Player! Para um sherpa na região do Vale do Khumbu no Nepal, em 2001, aquilo era o máximo!

Enquanto eu o observava flutuando escada abaixo, crescia em mim uma sensação de paz e felicidade. Eu estava mais feliz do que ele e isso me deixou surpreso!

Dar-te-ei

Não te darei flores, não te darei, elas murcham, elas morrem
Não te darei presentes, não te darei, pois envelhecem e se desbotam
Não te darei bombons, não te darei, eles acabam, eles derretem
Não te darei festas, não te darei, elas terminam, elas choram, elas se vão

Dar-te-ei finalmente os beijos meus
Deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus.
Esses embalam… esses secam… mas esses ficam.

Não te darei bichinhos, não te darei, pois eles querem, eles comem
Não te darei papéis, não te darei, esses rasgam, esses borram
Não te darei discos, não, eles repetem, eles arranham
Não te darei casacos, não te darei, nem essas coisas que te resguardam e que se vão

Dar-te-ei a mim mesmo agora
E serei mais que alguém que vai correndo pro fim
Esse morre… envelhece… acaba e chora… ama e quer… desespera… esse vai… mas esse volta

Olha só…você ouve DAR-TE-EI, de Marcelo Jeneci, Helder Lopes, Veronica Pessoa e José Miguel Wisnik. Jeneci é uma das novas vozes da música popular brasileira que eu preciso tocar mais aqui…

E esta semana, lendo sobre a cultura de algumas tribos indígenas dos Estados Unidos tive uma perspectiva diferente sobre a felicidade que senti naquele dia no Nepal.

Os velhos índios dizem que quando você dá para alguém algo que é importante para você, sua vida é renovada. Esse gesto significa que você possui as coisas, não são as coisas que possuem você.

Quem não consegue se desfazer de suas posses, será destruído por elas.

Descobri que o que me deu paz e felicidade não foi presentear o Lhakpa com meu precioso CD Player.

Foi a sensação de liberdade.

Prazer de dar

Se eu pudesse
Te daria o céu
O mar, esse mundo
Tudo enfim
Se eu pudesse
Te daria a rosa
Mais linda
Que houvesse no jardim
Se eu pudesse
Te daria amor
Amor
Que nunca tivesse fim
Eu e você
Sempre a sorrir
Eu e você
Sempre a sentir
Que a razão desta vida
É o amor

Olha só o Miltinho com PRAZER DE DAR de Osmar Carpentier e Newton Braz). Essa ai é de 1969…

E então um de nossos leitores e ouvintes, o Afonso manda um comentário interessantíssimo. Alô Afonso, você acaba de ganhar um livro…

Ao fundo ouviremos algo muito especial. São Frank Solari e Yamandu Costa com Lucky Girl, acompanhados da Orquestra de Câmara da Ulbra em 2004 em Porto Alegre. Essa você só escuta aqui…

“Quem não consegue se desfazer das suas coisas, será destruído por elas” – parece profecia, citação de fanático radical ou religioso moralista. O homem pós-moderno torce o nariz e faz troça, habitualmente atribuindo tal idéia à gente ignorante, àqueles que não tiveram acesso às “ciências acadêmicas”.

Ocorre, porém, que o apego exacerbado às coisas possuídas é a maior fonte dos sofrimentos humanos, a saber: o apego à forma, à juventude, à beleza, às pessoas, ao dinheiro, à casa, ao carro, etc. O primeiro argumento é tão óbvio que passa imperceptível: o fluxo do tempo é inexorável, e tudo é perecível, inclusive nós mesmos.

O apego é o pai dos medos, das angústias, da ansiedade, que, por sua vez, é a mãe das neuroses, das depressões, dos desequilíbrios emocionais geradores dos sofrimentos, muitas vezes “sem remédio”.

A libido, segundo Freud, ou o orgone, segundo Reich, é a energia primária, vinculada à sexualidade, que tudo move, tanto no universo abstrato quanto, indiretamente, no universo concreto. O apego produz o aprisionamento dessa energia, ou “catexia”, nos termos da psicanálise.

A energia aprisionada é a fonte primária do sofrimento psíquico, e que é transmitido ao corpo, produzindo o que Reich denominava “couraças”, e que são verdadeiras travas que impedem o corpo de funcionar saudável e livremente. Que provocam dores generalizadas ou localizadas pelo corpo, gastrites, úlceras, diabetes, taquicardias, diarréias, câncer, etc.

O mais estranho é concluir que tanta gente simples e iletrada percebe isso através da intuição e tantos outros, com seus mestrados e doutorados, não o percebem, e ainda troçam dos primeiros e os taxam de ignorantes.

Não foi em vão que Einstein afirmou: “A religião sem a ciência é cega a ciência, sem a religião é paralítica.” E a maior de todas as ignorâncias, de ambos os lados, é se aferrar aos dogmas que cegam e impedem a livre percepção.

E o oposto – o desapego irrestrito – também é verdadeiro.

Quer um maluco se recheie de bombas e se exploda em público quer um pobre coitado entregue seus bens a uma igreja “em nome do senhor” quer um cientista só acredite naquilo que possa medir – a cegueira é a mesma.

Para Aristóteles, “a virtude mora no meio”. O meio é o ponto de equilíbrio. O equilíbrio só poderá existir numa mente livre.

Jesus Cristo disse verdades que foram reeditadas, em outras palavras, por: Descartes, que era crente, Marx, que era ateu, Kant, que era crente, Schopenhauer, que era ateu, Jung, que era crente, Freud, que era ateu, Einstein, que era crente, Jean-Paul Sartre, que era ateu, e assim por diante… mas o homem pós-moderno teima em enxergar só um dos lados, a sua exclusiva e limitada perspectiva, que nasce e morre em nosso próprio umbigo.

E agora, José?

E agora, josé?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, josé?
E agora, você?
Você que é sem nome,
Que zomba dos outros,
Você que faz versos,
Que ama, protesta?
E agora, josé?

Está sem mulher,
Está sem carinho,
Está sem discurso,
Já não pode beber,
Já não pode fumar,
Cuspir já não pode,
A noite esfriou,
O dia não veio,
O bonde não veio,
O riso não veio
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou,
E agora, josé?

Sua doce palavra,
Seu instante de febre,
Sua gula e jejum,
Sua biblioteca,
Sua lavra de ouro,
Seu terno de vidro,
Sua incoerência,
Seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
Quer abrir a porta,
Não existe porta;
Quer morrer no mar,
Mas o mar secou;
Quer ir para minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense,
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse…
Mas você não morre,
Você é duro, josé!

Sozinho no escuro
Qual bicho-do-mato,
Sem teogonia,
Sem parede nua
Para se encostar,
Sem cavalo preto
Que fuja a galope,
Você marcha, josé!
José, para onde?

Você marcha José, José para onde?
Marcha José, José para onde?
José para onde?
Para onde?

E agora José?
José para onde?
E agora José?
Para onde?

Pois é… e agora José? Você ouviu o Paulo Diniz cantando E AGORA JOSÉ , aquele poema clássico de Carlos Drummond de Andrade. E agora, José? José, para onde?

Então. Essa discussão sobre possessão, leva a gente apensar em ambição e ganância, não é? E tem um texto interessante do prof. Marins que diz o seguinte:

Ganância e ambição andam de mãos dadas. Enquanto a ambição é a mola propulsora do sucesso, a ganância sai “atropelando” tudo e todos para alcançar seus objetivos.

Ter ambição é desejar ardentemente; é depositar a mente e a vontade focalizadas num objetivo e se esforçar para que ele se concretize. Entretanto, a ambição sem medida apresenta um caráter muito negativo, pois foge aos  limites da ética é do bom senso.

 Todos nós precisamos cultivar um pouco de ambição em nossas vidas. Sem ela não há como traçar metas que nos levem ao sucesso, pois não encontraremos motivos para lutar e vencer.

O ganancioso é uma pessoa muito negativa, porque não consegue colocar limites em seus desejos. Suas atitudes são antiéticas e seus caminhos não são motivados pelo respeito ao próximo. Quando ele conquista algo, esse algo logo perde o valor já que foi apenas um objeto a ser conquistado e não a realização de sua alma. Para este, a busca pelo sucesso é apenas um objeto a mais a ser colecionado: casas, lojas, fábricas, etc.

O homem ambicioso tem grandes planos, mas ao contrário do ganancioso, ele busca realizá-los de acordo com o chamado de sua alma.

Dentro essa ótica, o profissional e a empresa ambiciosos desejam ardentemente vencer, mas usam estratégias limpas, sem precisarem burlar as leis do país, roubar, e praticar atos ilícitos.

Todos os dias vêem-se nos jornais empresários, funcionários públicos, policiais que usam de sua função para obterem vantagens ilícitas. Será que também nós, na ânsia de lutar para vencer, não estamos ultrapassando os limites da necessária e positiva ambição e caindo nas terríveis emboscadas da ganância?

É, meu caro, falar de posses nesta nossa sociedade das possessões é complicado. Uma cultura que coloca e riqueza material e a tecnologia como seus valores fundamentais acaba promovendo a estagnação. E a  morte.

Uma cultura que permite que a violência, o materialismo e a tecnologia  determinem suas prioridades, desvaloriza a vida e o espírito e não deixa nenhum espaço para o mistério, os sonhos e o crescimento moral.

Veja só o que está acontecendo conosco: a facilidade com que perdoamos a imoralidade reforça o credo de que valores podem ser substituídos por objetos. E essa convicção destrói nas pessoas a capacidade de entender o que é certo e o que é errado. A moralidade fica subordinada à conveniência.

Hoje nossa cultura está possuída pela possessão. E vamos chegar a um ponto sem volta se continuarmos permitindo que a reverência à vida seja substituída pela ganância, pelo desejo de dinheiro, pelas possessões e pela tecnologia.  Nesse dia, a verdade valerá menos que a riqueza material e aquilo que é bom e correto, será menos respeitado que aquilo que é fácil.

Fácil

Tudo é tão bom e azul
E calmo como sempre
Os olhos piscaram de repente
Um sonho

As coisas são assim
Quando se está amando
As bocas não se deixam
E o segundo não tem fim

Um dia feliz
Às vezes é muito raro
Falar é complicado
Quero uma canção

Fácil, extremamente fácil
Pra você, e eu e todo mundo cantar junto
Fácil, extremamente fácil
Pra você, e eu, e todo mundo cantar junto

Tudo se torna claro
Pateticamente pálido
O coração dispara
Se eu vejo o teu carro

A vida é tão simples
Mas dá medo de tocar
As mãos se procuram sós
Como a gente mesmo quis

Um dia feliz
Às vezes é muito raro
Falar é complicado
Quero uma canção

Fácil, extremamente fácil
Pra você, e eu e todo mundo cantar junto
Fácil, extremamente fácil
Pra você, e eu, e todo mundo cantar junto

E é assim, ao som de FÁCIL, de Rogério Flausino e Wilson Sideral com o Jota Quest que o Café Brasil que falou sobre possuir e ser possuído, vai embora.

Ô meu, dá uma revisada na sua vida. Talvez você perceba como é perigosa aquela nova visão adotada pelas pessoas que tem poder, sabe qual é? Tudo bem, se me convém…

Com o Lalá Moreira possuído na técnica, a Ciça Camargo possessiva na produção e eu, Luciano Pires, com a boca aberta e cheia de dentes esperando a morte chegar, na direção e apresentação.

Estiveram conosco Carlos Careqa com Chico Cesar, Marcelo Jeneci, Miltinho, Frank Solari e Yamadu Costa, o professor Marins, Paulo Diniz com Carlos Drummond de Andrade e o Jota Quest e os ouvintes Juvenal Santos e Afonso.

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E para terminar, uma frase do poeta e filósofo judeu de origem espanhola Avicebron:

Quem é próspero? Quem troca o perecível pelo eterno.

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