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183 – O videokê

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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem vindo, bem vinda ao nosso cafezinho. Hoje vou pegar leve, quero mais é me divertir. Vamos prum karaokê? Ou melhor… um Videokê? Prepare-se…

Pra começar vamos com uma frase de Tom Jobim e Newton Mendonça.

Se você disser que eu desafino, amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor.

[tec] melo do pocoto [/tec]

Pra começar o programa, vou falar de um coisinha chamada MIDI (Musical Instrument Digital Interface), ou Interface Digital para Instrumentos Musicais. O MIDI é uma tecnologia padronizada de comunicação entre instrumentos musicais e equipamentos eletrônicos (teclados, guitarras, sintetizadores, sequenciadores, computadores, samplers etc), possibilitando que uma composição musical seja executada, transmitida ou manipulada por qualquer dispositivo que reconheça esse padrão.

Um arquivo MIDI não contém o áudio propriamente dito, e sim as instruções para produzi-lo, ou seja, é basicamente uma partitura digitalizada. Essas instruções definem os instrumentos, notas, timbres, ritmos, efeitos e outras características que serão utilizadas por um sintetizador para a geração dos eventos musicais. O MIDI é fácilmente reconhecível, quer ver?

[tec] midi 1 [/tec]

Bem, então vem outra coisinha interessante chamada Karaokê. O Karaokê surgiu após a Segunda Guerra no Japão. Como muitos perderam parentes, adquiriram o hábito de ligar o rádio e cantar para espantar a tristeza. Assim nasceu a música enka, que até hoje reúne milhares de pessoas em competições que seguem as tradições japonesas. O competidores são avaliados em quesitos como ritmo, afinação e sustentação.

Mas o karaokê como conhecemos hoje foi criado nos anos 70, por um músico chamado Daisuke Inoue. Baterista de um bar em Kobe, ele inventou a máquina que ajudou a popularizar o hábito japonês de cantar em público. Karaokê significa “orquestra vazia”, nome poético para um aparelho que toca a melodia da música, para que o aspirante a cantor possa acompanhar. O karaokê é fruto de uma aparente contradição. Conhecido por sua timidez, o povo japonês criou uma diversão cujo objetivo é ficar no centro das atenções, nem que seja pelo curto período de duração de uma música.

E com o MIDI, o Karaokê encontrou a tecnologia para difundir-se pelo mundo afora.

[tec] midi 2 [/tec]

Bem .é claro que você já lidou com o Karaokê ou com videokê. Mas será que sua experiência é como a do Chico Rodrigues, que escreve nas Iscas Intelectuais de meu site? O Chico escreveu um texto delicioso chamado O Desmancha Prazeres. Ao fundo, vamos com um autêntico MIDI

[tec] midi 3 [/tec]

Neste fim de ano o telefone tocou e era um primo meu me convidando pra passar um fim de semana no sítio do meu tio. Eu sempre fui um cara muito urbano. E uma das minhas maiores diversões no período de férias quando moleque, era ir para o sítio do meu tio Rayola em Santa Isabel (que fica mais ou menos na altura do km 45 da Via Dutra).

Voltar lá depois de vinte e cinco anos foi uma experiência muito interessante e comovente. Vi primos já casados, tios envelhecendo rápido, sobrinhos que não conhecia e muita gente nova me chamando de tio sem nem mesmo saber o grau de parentesco.

O lugar me pareceu bem menor do que aquele que eu tinha registrado em minha memória. Mas tudo estava igualzinho como antes, inclusive o Tião.

Desde moleque que eu lembro do Sebastião como caseiro daquele sítio. Paciente e prestativo com toda a criançada, foi ele quem me fez montar pela primeira vez em um cavalo, perder o medo de tomar banho de rio, catar fruta no pé e essas coisas todas de mato.

Ele me contou que nos últimos anos estava vivendo só. Os filhos cresceram, foram embora e sua esposa (Dona Dina) falecera há alguns anos.

[tec] midi 4 [/tec]

Até durante o jantar as coisas me pareceram como nos velhos tempos. A comida estava divina e de sobremesa havia rabanada feita com carinho pela minha tia. E quando dei a primeira mordida nesse doce, foi como dar o start para um filme dos melhores momentos daquele sítio.

Meu pai bêbado estragando a festa… meu irmão Vitche encoxando minha prima e dando o maior rolo… minha irmã puta da vida porque meu pai não tinha deixado ela trazer o namorado… o primo Rômulo vomitando no ponche… o tio sonâmbulo dando rolê de cueca pela casa durante a noite… minha mãe reclamando dos pernilongos… eu lambuzado de lama até os dentes… mas todo mundo muito feliz.

Bom… alguns já jantado, outros ainda jantando e então eu vi uma coisa que gelou meu coração!

Um sobrinho meu entrando na sala carregando uma coisa debaixo do braço que meus olhos se negaram a acreditar. Não era possível acontecer uma coisa dessas num dia assim tão especial onde todos estavam conversando, contando histórias, relembrando casos e fofocando da família toda. Pedi com os olhos uma silenciosa ajuda ao Tião, e ele balançando a cabeça num gesto de pesar me confirmou:

Era um Videokê!

[tec] midi 5 [/tec]

Sabe Lu, tenho saudade dos tempos onde o “desmancha prazeres” de uma festa em família era apenas um velho safado sendo pego em flagrante buraqueando a fechadura quando uma prima sua entrasse no banheiro. Ou então alguma desavença entre noras, uma palavra mais ardida de uma sogra, aquela tia bêbada fazendo strip-teaser na varanda e os moleques fazendo hola e aplaudindo. Ou então o gerador de energia que pifava e no escuro rolava o maior festival de beliscão na bunda das primas mais gostosas, coisas inocentes assim.

Hoje em dia o desmancha prazeres é digital… Midi.

O Tião me contou que não agüentava mais. Nos últimos anos a história era sempre a mesma:

As pessoas nem bem acabavam de jantar (algumas até levavam o prato para a frente da tv) e já estava todo mundo consultando aquelas horríveis pastas com listas de música e com os olhos pregados naqueles clips de mau gosto com letrinhas amarelando a letra das canções.

Conheço pessoas que de vez em quando têm um sonho recorrente. Isto é: tudo nesse sonho acontece igualzinho e da mesma maneira toda a vez em que ele é sonhado.

Videokê para mim é um pesadelo recorrente.

[tec] midi 5 [/tec]

Digo isso porque já tive cantora como esposa e participei de muitos.

Os tipos e as músicas são sempre os mesmos. (eu e o Tião pra passar o tempo, ficamos sentados tentando adivinhar alguns deles).

Tipos:

Aquela que folheia as pastas umas duzentas vezes procurando o que cantar (pode ser tanto uma tia ou prima sua) e você já sabe que ela vai escolher “Bem que se quis” da Mariza Monte.

Esse tipo é encontrado em Videokês, festinha de amigos, bares e no programa do Raul Gil.

Elas desafinam, se perdem logo no início da música, nunca conseguem entrar no ritmo depois daquela introdução maldita e ainda assim acham que cantam bem e agradam! (Em geral são deserdadas da família ou acabam requerendo cidadania boliviana)

Tanto é verdade Lu, que eu fiz uma comunidade no Orkut só para elas.

O Nome é “Eu canto bem que se quis em VideoKê”. Quem quiser participar é só digitar: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=7488840&refresh=1 e enjoy.

[tec] midi 6 bem que se quis [/tec]

Outro tipo:

Aquelas pessoas que insistem em cantar certas músicas no tom original, pagando assim um belo mico. Vale tanto para homens que escolhem canções do Queem, Michael McDonald, Elvis Presley, Ney Matogrosso ou a música Porto Solidão do Jessé…

Como para mulheres que tentam imitar Mariah, Celine Dion, Shakira e outras insuportáveis.

Esse tipo quando canta se esqüela até o sininho da garganta ficar roxo, até os olhos saírem da caixa, ou o tampo da cabeça explodir. (o que vier primeiro) Mas nunca abaixam o tom.

Para esses existe também uma comunidade no Orkut.

“Eu insisto em cantar no tom original” (já conheci muita gente que se cagou nas calças tentando fazer isso).

O endereço é: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=7485876&refresh=1

[tec] midi 7 [/tec]

Mais um tipo: “Faço segunda voz dos Beatles”

É aquele cara que fica quietinho num canto só esperando alguém escolher uma música dos Beatles.

Assim que ouve a introdução corre pro palco, se apodera do segundo microfone e sai fazendo a segunda voz de qualquer porra que você escolher da dupla Lennon-McCartney.

Em geral ele pensa que está agradando e acaba cantando mais alto que você. Erra a letra toda, e quando acerta, a pronúncia é lastimável. (A noite quase sempre termina com algum bombeiro tentando desentalar o microfone que você enfiou na garganta dele).

Não sou Beatlemaníaco. Mas gosto dos caras e procuro ouvi-los com parcimônia. Porém, agüentar neguinho desafinado fodendo a músicas deles, ninguém merece!

É claro que pra esses eu também fiz uma comunidade:

“Faço segunda voz nos Beatles”.

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=7484303

Pode participar quem for a favor ou até contra.

[tec] midi 8 beatles [/tec]

Agora vamos para os tipos que cantam em duplas e afins.

É fatal cara! Em todo videokê sempre tem aquele casal que vai te aporrinhar a paciência cantado:”Endles love” ou “Ainda Lembro” (do Ed Motta e da Mariza Monte).

Sem contar aquele carinha que esperou mais de uma hora e meia pra ser chamado ao palco e que resolveu então aproveitar o máximo de tempo lá em cima escolhendo músicas intermináveis como “Indios” ou “Eduardo e Mônica” do Legião Urbana.

Quando um desses tipos entra no palco você pode esquecer de ser chamado nas próximas três horas, pode ir pra casa trocar de roupa, escovar os dentes ou até soltar um barro que vai dar tempo de sobra.

[tec] midi 9 [/tec]

Tem também aquele povo que só sobe no palco para cantar em bandos. (no mínimo sete)

Escolhem sempre coisas dos Mamonas Assassinas, Credence Clearwater ou a execrável “Pintura íntima” do Kid Abelha, onde fazem gracinhas com aquelas repostinhas no meio da canção. (argh!) Vou te poupar não falando dos tipos que cantam Bruno e Marrone, Daniel, Leonardo, pagode e axé.

Bom… no sítio do meu tio não faltou nada disso naquela noite.

Minha tia arriscou um “Chão de Giz” da Elba Ramalho…

Meu tio cantou, se emocionou e já saiu chorando logo na introdução do “Saigon” do Emílio Sampleado…

[tec] midi 10 [/tec]

Minha prima também se entusiasmou e chegou a gemer o tal do melô do ginecologista “Nenhum Toque” da Rosana.

[tec] mmmmm [/tec]

Lá pelas tantas, o pessoal foi agitando para ir embora.

Alguns carregando, outros sendo carregados, muitos abraços, despedidas e todos partiram.

Dei um abraço sincero no velho Sebastião, entrei no carro e me lancei na escura trilha que levava até a velha porteira de entrada. Mas aí lembrei que tinha esquecido o meu celular em cima de uma cadeira na varanda e voltei.

Depois de pegar o celular, olhei pela janela da sala e estarrecido vi o Tião fechando uma daquelas pastas com a relação de músicas. Ele digitou um número de canção no Videokê, deu um assoprão no microfone pra testar o som, se posicionou em frente ao monitor de tv e uma introdução feita com aqueles horríveis instrumentos Midi começou a ser executada….

[tec] midi feelings [/tec]

Não pude agüentar Luciano. Saí correndo para não ouvir o que viria em seguida, mas foi inevitável.

O carro já estava quase cruzando a porteira quando rasgando a noite escura eu ouvi a voz chorosa e desafinada do Tião cantando:

Feelings…

Vomitei a rabanada.

[tec] intro canteirosmidimidi [/tec]

Ufa! Que coisa, hein? Pois então, tem gente que se diverte muito com os videokês da vida, não é? Eu mesmo morro de vontade de dar uma palhinha, mas reconheço minhas limitações… Sabe aquele remedinho chamado SIMANCOL? Pois é, eu tomo direto…

[tec] bohemian rapsodhy [/tec]

E é assim, ao som de BOEHMIAN PAPHSODY do Queen, em MIDI que nosso Café Brasil do videokê vai chegando ao fim.

Com Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco hoje sabe quem? Um monte de computadores tocando so MIDIs…

Gostou? Quer mais? Visite www.lucianopires.

Pra terminar uma frase de Tom Jobim e Newton Mendonça:

Se você disser que eu desafino amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor…