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Cafezinho 27 – Planos ou esperanças
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Cafezinho 26 – Brasil Futebol Clube
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168 – O Fim do Mundo

168 – O Fim do Mundo

Luciano Pires -

fim_do_mundo

Bom dia, boa tarde, boa noite. Apagão… Aquecimento Global… Tsunami… Calor no inverno e frio no verão… O mundo está acabando? Que medo! E o homem tem culpa disso? Hummm… discussão pra dar pano pra manga.

Pra começar, vamos com uma frase do escritor italiano Umberto Eco:

Não é que as pessoas incrédulas não acreditem em nada. É apenas que elas não acreditam em tudo.

Um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas divulgado em 2007 pintou um quadro sombrio para o futuro da humanidade, com fome e falta d´água. E a mídia fez a festa do apocalipse, com capas e mais capas, reportagens e mais reportagens. Mas a discussão sobre o aquecimento global deixou de ser, há muito tempo, uma discussão científica. Virou puramente ideológica.

É por aí que vai o programa de hoje. Vou levar cada pedrada… Mas sou chato, sabe?

Olha só. Wilson Simoninha com o clássico VEM QUENTE QUE EU ESTOU FERVENDO, de Roberto e Erasmo Carlos. Iguais a você eu já peguei mais de cem, viu?

Nos anos 1970, o grande problema mundial era o esfriamento global e a perspectiva de uma nova era glacial. Um relatório da Academia Nacional de Ciência levou a revista Science a concluir em 1975 que uma longa “era glacial é uma possibilidade real”. De acordo com a edição de abril de 1975 da revista Newsweek, “o clima da terra parece estar se resfriando”. E toma capa, reportagens e mais reportagens. Na edição de fevereiro de 1973 da Science Digest saiu escrito que “quando o congelamento começar, será muito tarde”.

Não sei não… Lembram-se de quando apareceu o vírus Ebola na África? Meu filho tinha uns dez anos e veio me perguntar apavorado sobre a epidemia que prometia arrasar a humanidade. Quase duas décadas depois, cadê o Ebola? E o Bug do Milênio? Agora é a vez da Gripe Aviária. Do  fim do mundo pela alta de preços dos alimentos. E no Brasil, é vez da Febre Amarela e a Dengue. Pois é… De catástrofe em catástrofe a indústria do pânico vai faturando com nossos sustos

Em 2008 fiz uma viagem para o Pólo Norte! Antes de sair do Brasil pesquisei a respeito e fiquei aterrorizado quando topei com esta notícia:

“Capa polar do Ártico pode desaparecer neste verão.”

O texto trazia as declarações do Dr. Olav Orheim, chefe do Secretariado do “International Polar Year” na Noruega. Ele dizia que “a camada de gelo atingiu a baixa histórica de três milhões de quilômetros quadrados durante as semanas mais quentes do verão passado, enquanto cobria 7,5 milhões de quilômetros quadrados antes do ano 2000. Se a temperatura média da Noruega este ano ficar igual à de 2007, a camada de gelo que cobre o Ártico derreterá completamente  e isso é altamente possível diante das condições atuais.” E o artigo continuava afirmando que conforme um relatório das Nações Unidas no ano passado, a temperatura média do planeta poderia subir até 6 graus celsius até o final do século, causando sérios prejuízos em todo o mundo. Em seguida o artigo falava da crescente exploração das rotas marítimas na região e suas conseqüências para a natureza.

Reparou no tom alarmista? Eu até fiquei meio assim, me achando o azarado que quando consegue ir pro Pólo Norte não encontra gelo…

Opa! Zeca Baleiro, com ATÉ O FIM de Chico Buarque. Às vezes penso que essa música foi feita pra mim, sabe? Principalmente quando ele canta que eu estava predestinado a ser errado assim…

Pois nada do que foi dito no artigo aconteceu. E uma análise superficial da notícia deixa evidente a tentativa de manipulação ideológica do assunto. Existe tema melhor do que a possibilidade de extinção da humanidade para defender este ou aquele sistema econômico ou político? Eu já disse e repito: aquecimento global virou arma de combate ao capitalismo, abraçado pelas esquerdas ideologicamente estressadas. E é arma econômica da mídia que precisa do terror.

O resultado é que acreditamos em tudo que é dito, principalmente se dito como catástrofe. E assim perdemos a noção de proporção, mergulhando na busca por soluções maiores que o problema. Pior: soluções para os problemas errados.

Mas para cada argumento existe um contra-argumento.

Os ursos polares estão morrendo? Pois existem dezenas de pesquisas demonstrando que a população de ursos está aumentando e que onde ela diminuiu foi justamente nas regiões mais frias. Outras pesquisas mostram que os caçadores matam três vezes mais ursos do que os que supostamente morrem por causa do aquecimento global. Então combater a caça aos ursos é três vezes mais eficiente do que combater o aquecimento global. E infinitamente mais barato, não é? Mas pouco ou nada se fala sobre isso.

Interessado? Leia um livro chamado “Cool It – Muita Calma Nessa hora!”, de Bjorn Lomborg. É uma vacina contra os exageros, o comportamento passional, a má intenção, a manipulação ideológica e os interesses comerciais que dominam a discussão do aquecimento global.

Estamos diante de um novo Bug do Ano 2000, aquele problema transformado em terrorismo que enriqueceu muita gente, lembra?

Coloque o tema “aquecimento global” na mesma prateleira onde estão o criacionismo X evolucionismo, armamento X desarmamento, ciência X religião. É mais uma discussão que, ao descambar para o embate ideológico, nunca terá fim.

Voltei do Pólo Norte encantado, assombrado e deslumbrado com o que vi. Mas com as mesmas convicções de que estamos falando do resfriado em vez de tratar da pneumonia. E que tem muita gente interessada nessa falta de foco da discussão.

Que tal? Você ouve E O MUNDO NÃO SE ACABOU, composição de Assis Valente, aqui na voz de MARLENE (1956)  

E botando lenha na fogueira do aquecimento global, vamos com um texto do jornalista J.R.Guzzo, chamado FIM DO MUNDO  e publicado na revista VEJA de novembro de 2009. Ao fundo você ouvirá EU, HEIN? De Ze’; da Velha, com o estilo gafieira delicioso de Zé da Velha e Silvério Pontes…

Estaria o mundo de hoje, e o Brasil junto com ele, se comprometendo com o que pode vir a ser a mais cara, obsessiva e mal informada ilusão científica da história? A humanidade já esteve convencida de que a Terra era plana, e que era possível prever matematicamente a extinção da vida humana por falta física de comida, já que a população cresceria sempre de forma geométrica e a produção de alimentos jamais poderia aumentar no mesmo ritmo; mais recentemente, grandes empresas, governos e ases da ciência digital acreditaram que o “bug do milênio” iria paralisar o mundo na passagem de 1999 para 2000. Não se pode dizer que a crescente convicção de que o planeta sofre hoje uma “ameaça sem precedentes” em toda a sua existência, como resultado direto da “mudança do clima”, e particularmente do “aquecimento global”, seja exatamente a mesma coisa. Mas às vésperas da abertura da grande conferência da ONU sobre o tema, que reunirá em Copenhague, agora em dezembro, 170 países e cerca de 8 000 cérebros, parece conveniente tentar estabelecer algum tipo de separação entre o que possam ser problemas reais e o que é uma espécie de culto psicótico ao fim do mundo. Previsivelmente, trata-se de tarefa com poucas chances de sucesso.

Há, em primeiro lugar, uma atitude cada vez mais ampla e cada vez mais agressiva estabelecendo que as pessoas têm, obrigatoriamente, de acreditar que o clima está mudando para pior e que a catástrofe é uma perspectiva não apenas indiscutível como iminente; dúvidas não são permitidas. Sair da reunião de Copenhague sem uma solução definitiva para o aquecimento global e as emissões mundiais de carbono “não é uma opção”, pregam os organizadores da reunião e um chefe de estado depois do outro; é indispensável achar uma saída, e já, embora não se saiba qual. A ideia geral, em suma, é que o cidadão, ao sair de casa um dia desses, pode sofrer um ataque do efeito estufa e cair morto no meio da rua. A essa insistência em criar uma unanimidade de pensamento se acrescenta uma extensa mistura de mistificação, desinformação, pseudociência, demagogia, charlatanismo, fatos sem confirmação e números cuja veracidade não pode ser certificada. De maneira sistemática, fotos de terra rachada pela seca, que o Nordeste do Brasil conhece desde o tempo de dom Pedro II, são apresentadas como prova do aquecimento do planeta. O culpado final por tudo é o “consumo”.

 

Oba! É com Carlos Malta transformando HELP, dos Beatles, em chorinho

que continuo o texto de JR Guzzo:

Políticos, governos e organizações internacionais, em vez de colocarem mais racionalidade no debate, contribuem ativamente para esse impulso crescente de autoflagelação. Um ano atrás, para ficar num exemplo só, a Inglaterra aprovou uma lei pela qual o país terá de cortar em 80% as suas emissões de carbono até o ano de 2050; ninguém faz a menor ideia de como isso vai se passar na prática. (De certo, nesse caso de combate extremado ao aquecimento global, houve o fato de que estava nevando no exato momento em que o Parlamento votava a lei – a primeira vez que nevou em Londres, num mês de outubro, nos últimos 74 anos.) Globalmente, verbas cada vez mais prodigiosas são anunciadas para salvar o planeta: 100 bilhões de dólares por ano em 2020, segundo cálculos de economistas que estarão presentes em Copenhague, ou até 1 trilhão – diferença muito reveladora da seriedade dessas contas todas. A maior parte desse dinheiro, segundo os discursos, deverá ser empregada para ajudar os países pobres a participar do combate ambiental e para que Brasil, Índia ou China sejam compensados das despesas que terão para deixar de ameaçar o mundo com o seu desenvolvimento.

A conferência de Copenhague tende a refletir, basicamente, um conjunto de neuroses, fantasias e necessidades políticas que se ligam muito mais aos países ricos do que à realidade brasileira; a agenda central é deles, com seus números, seus cientistas e até sua linguagem. O Brasil, em vez de reagir ao debate dos outros, faria melhor pensando primeiro em seus interesses. Para isso, precisaria saber o que quer. Parece bem claro que o país, antes de ter um problema ecológico, tem um problema sanitário; nossa verdadeira tragédia ambiental é o fato de que 50% da população não dispõe de rede de esgotos, ou de que dois terços dos esgotos são lançados nos rios sem tratamento nenhum. Na Amazônia, onde há o maior volume de água doce do mundo, a maioria da população não tem água decente para beber. Nas áreas pobres das cidades o lixo não é coletado – acaba em rios, represas ou na rua.

A questão ecológica real, no Brasil, chama-se pobreza.

Olha só. Isso é O ÚLTIMO PAU DE ARARA, de Venâncio, Corumbá e J.Guimarães, com o Fagner do começo dos anos setenta no inesquecível disco MANERA FRU FRU MANERA. Pobreza é uma coisa. Orgulho, é outra…

Que discussão, né? Ta bem, vou receber dezenas de emails, vários mal educados, dizendo que sou um alienado, um capitalista de merda, um direitista reacionários e aquelas coisas todas que já cansei de ouvir. Afinal, não concordo com a maioria, né? Acho que a culpa do aquecimento global não é do homem… Não questiono as ameaças que o homem representa ao meio ambiente. Esse problema é de estupidez. Somos estúpidos, por isso maltratamos o meio ambiente. O supereducado executivo da multinacional que joga toneladas de lixo na baía da Guanabara é estúpido. O pobre miserável que joga o sofá velho no rio Pinheiros é estúpido. E estupidez não se resolve apenas com dinheiro e educação. É preciso que leis sejam cumpridas.

Essa discussão vai longe e será tema de outros programas.

[tec] ATÉ O FIM [/tec]

Por enquanto, ao som de Renato e seus Blue Caps com ATÉ O FIM, a versão de Lilian Knapp para YOU WON’T SEE ME de Lennon e McCartney vamos tirando este Cafezinho quente de campo.

Com Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e direção e apresentação de eu: Luciano Pires. O reacionário.

Estiveram conosco hoje: Marlene ou Ney Matogrosso, Wilson Simoninha, Zeca Baleiro, Zé da Velha e Silvério Pontes, Carlos Malta, Itamar Assumpção e Naná Vasconcelos, Fagner e Renato e seus Blue Caps

Gostou? Então experimente ouvir a rádio web café brasil em portalcafebrasil.com.br

E pra terminar, uma frase de Abel Aganbegyan, economista russo:

Unanimidade total você só acha num cemitério.