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207 – O Complexo de Vira Latas

207 – O Complexo de Vira Latas

Luciano Pires -

Neste podcast trazemos o texto de Nelson Rodrigues que apresentou ao Brasil o que ele chamou de Complexo de Vira Latas. O texto é de 1958, e saboroso. E também discutimos como nos deixamos levar por um conformismo que aceita o bom no lugar do ótimo, o regular no lugar do bom e o péssimo no lugar do regular. Na trilha sonora vamos com Carmem Miranda, Ney Matogrosso, Yo Yo Ma, Edvaldo Santana, Renato Borghetti, Marcelo D2 e Luiz Gonzaga com Dominguinhos e Elba Ramalho. Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Uma vez eu fiz um programa dizendo que o gosto médio, não tem gosto.

Pois hoje vou retomar o assunto, tratando dessa coisa que é a “opinião média”. E de um tal de complexo de vira latas. Sabe o que é isso hein?

Pra começar , uma frase arrasadora do humorista estadunidense Arnold Glasow:

Quanto menos fatos, mais forte a opinião

Você já deve ter ouvido falar do “complexo de vira latas” que acompanha os brasileiros como um carma, não é?

Quem criou o termo foi o jornalista Nelson Rodrigues, que mantinha uma coluna chamada “Personagem da Semana” na revista Manchete Esportiva.

Em 31 de maio de 1958 ele escreveu sobre a Seleção Brasileira de Futebol que partia para a Copa do Mundo da Suécia após os fracassos de 1950 e 1954. Eu encontrei a coluna e vou ler para que vocês testemunharem o nascimento do termo “complexo de vira latas”.

Ao fundo vamos ouvir  UM A ZERO, outro daqueles clássicos de Pixinguinha com ninguém menos que o grande Yo Yo Ma

E o grande Nelson Rodrigues escreveu assim.

Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana.

Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: – “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto: – não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?  

Eis a verdade, amigos: – desde 1950 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo.

A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo em vão sobre a derrota.

Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: – “extraiu” de nós o título como se fosse um dente. E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvidas: – é ainda a frustração de 50 que funciona.  

Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: – o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: – se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.  

Mas vejamos: – o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade: – eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: – sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado Flamengo.

Pois bem: – não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala- se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.  

A pura, a santa verdade é a seguinte: – qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: – temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”.  

Estou a imaginar o espanto do leitor: – “O que vem a ser isso?”. Eu explico.  

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos?
Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo.  

Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: – e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: – porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira latas fôssemos.  

Eu vos digo: – o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática.  

Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota.

Insisto: para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

Vira latas
Liberado para o mundo, viralata do ocidente
Sem coleira, sem dinheiro, com um coração bem quente
Meu cabelo no outono toma sol pelo poente
Pra entrar sou clandestino, pra sair fico doente
Vou atrás atalho afora, do que tem a luz intensa
Que motiva meu desejo, que me faz pedir sua benção
Me dedico se possível sem pensar na recompensa
Sou daqueles que acreditam na paixão e na ciência
Vou beber mel pela fonte por onde meu faro alcança
Pra entender o que se passa entre a paz e a vingança
Minha arte não tem preço minha busca não se cansa
Eu sou bicho do mato com olhar de criança, aaaah…
Nessa vida eu agradeço os desenganos, aaaaah…
Meu violão tem a poeira dos ciganos, aaaah…
Nessa vida eu agradeço os desenganos, aaaaah…
A minha voz traz a franqueza dos hermanos
Atravesso a fronteira, meu amor, uma luz tá me chamando
Rosa, Dália, Alecrim, espalhados no jardim
Afro-tupi-guarani, esta história não tem fim…

Opa, que tal Edvaldo Santana daqui de São Paulo com seu VIRA LATAS? Edvaldo é um poeta urbano que infelizmente toca muito pouco nas rádios, novelas , rodeios…mas onde é que toca? É aqui, né? Edvaldo Santana e seu Vira latas no Café Brasil!

Bem , para quem não se lembra, o Brasil ganhou aquela Copa de 1958 e apresentou para o mundo um garotinho chamado Pelé. Dali para a frente foram outros cinco títulos. Parece que superamos o tal complexo de vira latas no futebol. E no vôlei também. Mas onde mais?

E fora do mundo esportivo, como estamos? Como é essa questão em nosso dia a dia?

Convivemos com o complexo de vira latas diariamente – e o pior – parece quem nós já nos habituamos com isso. Gostamos de cachorro vira lata…

Cachorro vira lata
Eu gosto muito de cachorro vagabundo
Que anda sozinho no mundo
Sem coleira e sem patrão
Gosto de cachorro de sarjeta
Que quando escuta a corneta
Sai atrás do batalhão
E por falar em cachorro
Sei que existe lá no morro
Um exemplar
Que muito embora não sambe
Os pés dos malandros lambe
Quando eles vão sambar
E quando o samba está findo
Vira-lata esta latindo a soluçar
Saudoso da batucada
Fica até de madrugada
Cheirando o pó do lugar
Eu gosto muito de cachorro vagabundo
Que anda sozinho no mundo
Sem coleira e sem patrão
Gosto de cachorro de sarjeta
Que quando escuta a corneta
Sai atrás do batalhão
E até mesmo entre os caninos
Diferentes os destinos
Costumam ser
Uns têm jantar e almoço
E outros nem sequer um osso
De lambuja pra roer
E quando passa a carrocinha
A gente logo adivinha a conclusão
O vira-lata, coitado
Que não foi matriculado
Desta vez “virou”… sabão

Opa, esse é o Ney Matogrosso com CACHORRO VIRA LATA, de Alberto Ribeiro. Uma delícia… Mas talvez você não saiba que quem gravou essa música originalmente foi Carmem Miranda acompanhada do Regional de Benedito Lacerda. O ano? 1937…

Meu amigo Augusto Diegues, que é publicitário, envia-me um texto de sua autoria chamado “Cumplicidade e complacência” que faz a gente pensar e tem tudo a ver com o complexo de vira latas.

Mas, vira latas por quê?

Ao fundo você vai ouvir CUMPLICIDADE, de Ronaldo Sagioratto, com Renato Borgetti.

Como dizem por aí, “o ótimo é inimigo do bom”. E este, acrescento, é cúmplice do péssimo.

Durante as últimas décadas – antes, portanto, da atual crise justificar todo tipo de abuso – tem prosperado entre nós um desses movimentos que nascem tímidos, crescem, avançam e quando nos damos conta, assumem o comando e ditam as regras dos nossos negócios e até das nossas vidas.

Um movimento que nasce de um ditado “popular” de origem aparentemente desconhecida (ao menos pra mim), e que vai conquistando espaço na cabeça das pessoas mais conservadoras ou complacentes, vira mantra no discurso de executivos, marqueteiros e publicitários práticos ou cínicos e alcança, por fim, toda a estrutura das nossas vidas e organizações, incluindo sua direção.

Com o tempo, o que era tático passou a ser estratégico, uma iniciativa esporádica e pontual tornou-se, então, uma forma esperta (ou, como preferem alguns, “criativa”) de viabilizar as ações e objetivos previstos nos planejamentos das empresas, passando, por fim, a constituir a própria estratégia e a condicionar, no nascedouro, toda a sua construção: “o ótimo é inimigo do bom” “o ótimo é inimigo do bom”, “o ótimo é inimigo do bom”, “o ótimo é inimigo do bom” …

Passou-se, em seguida, a esgarçar todas as fronteiras, a buscar formas sempre mais “criativas” de viabilizar estratégias e ações, a aceitar, sem constrangimento, benefícios discutíveis por custos indiscutíveis. Passou-se a trocar, enfim, o tal ótimo, aparentemente inútil e “inacessível”, pelo bom, inofensivo, manso e certamente possível.

O resultado, embora cantado em verso e prosa, passou a ser apenas um detalhe. Um detalhe.

A partir disso, estimulado pela competitividade crescente e pela busca insaciável de produtividade, o mercado em geral, e o nosso, o publicitário, de forma mais particular, condicionou-se a aceitar todo tipo de restrição e toda sorte de pressão no sentido de esquecer, abandonar, sepultar o ótimo. “Precisamos ser criativos!!!” – todos já devem terouvido esta frase um dia. Algumas vezes, com certeza, acompanhada do irresistível e prático “afinal, o ótimo é inimigo do bom!”

Sangue bom
(Como diz meu parceiro Bezerra da Silva
Eu não preciso fazer a cabeça
eu já nasci com ela
A questão é….
Até onde que ela pode me levar
Se é que ela pode me levar)
A vida é um eterno perde e ganha
Um dia a gente perde
No outro a gente apanha
Apanha e nem por isso a gente vai fugir da luta
Num vou baixar a cabeça prá nenhum filho da puta
As pedras no caminho a gente chuta
É super natural
Não deixo abaixar minha moral
Tenho que me manter em movimento
A vida não é mole
Mas qualquer parada enfrento, enfrento
Tão louco você pensa que está
E se é que está
Tão louco você pode ficar
Se a vida não é do jeito que cê quis
A idéia é procurar
O caminho que te deixa feliz
Ficar do lado do bem,
Eu fico também
Se o papo for atitude
Não tem prá ninguém
A questão aqui é o sangue bom é quem
Se a felicidade tá numa nota de cem
Will:
a lot of brothers, they tried
but they need to try harder
I shared my views a day other
find a way to some order
but they’d be lacking a map
stuck in the cage
living in chack and a trap
where no key to my laps
just take a look at you now
why you ask for looking
don’t be a fool and
given mistaken
for the good opportunity upon
take a look around
brothers forever be loosing their mind
and their soul
that goes by
but I’m keeping them strong
keep them a’head up
just look to for the lone
jeopardy!
I’m trying trying to overwrite the wrong
I’m here till I’m thick and thin
and again and again
bring it, I’m about to win
look back then
because i’m sick and
damn’ tried to sing
yeah, i got the good blood
a sangue bom blood
ake a sip, go, i guarantee
it’s good stuff, good stuff

Do lado de cá faço a conexão
Do lado de lá só pinta sangue bom
Chego no fim do caminho nem que vá à pé
Então me diga com quem andas
E te direi quem é
Do lado de cá faço a conexão
Do lado de lá só pinta sangue bom
Chego no caminho nem que vá à pé
Me diga com quem andas
E te direi quem é
Aí CB!
Sangue bom que é Sangue bom
É considerado quem qualquer lugar
Tem que saber chegar
Sem papo torto
Chega no sapatinho
Mantenha o respeito
A procura da batida perfeita
Eu represento o Hip Hop Rio
Já é
Já é
Parceiro
Laia laia laia oba oba oô

Opa! Marcelo D2, agora. Com o samba rap Sangue Bom! Ta pensando o quê? Isto aqui é o Café Brasil sô…

Bom… Assim fomos avançando, mercado e sociedade, primeiro aceitando o louvado “bom” em lugar do irritante “ótimo”. Depois, com um empurrão aqui e uma “flexibilizadinha” ali, passamos a aceitar o “regular” no lugar do “bom”, afinal ele também é inimigo do “ótimo” e, ao que parece, tem algum parentesco com o “bom”.

Por fim, afrouxados, “criativos” e algumas vezes ameaçados, acabamos por engolir o “péssimo”, que, cúmplice do “bom” e do “regular”, odeia e despreza o “ótimo” e topa qualquer parada.

Infelizmente, é bem fácil constatar a previsível vitória do tal “bom”, com sua frouxidão, sua complacência e sua inesgotável flexibilidade. Basta olhar à nossa volta, ler um jornal ou uma revista, assistir à televisão, navegar pela internet: aceitamos o péssimo jornalista e a péssima relação de seus veículos com a verdade, aceitamos também, é claro, os péssimos publicitários e sua péssima, ineficaz e dispendiosa propaganda, aceitamos inclusive, e em alguns casos até os cultivamos, os péssimos fregueses, com seu desrespeito cotidiano pelo nosso tempo, pelo nosso trabalho e, claro, pela integridade dos nossos negócios.

E a lista, aparentemente, não tem fim e pode incluir ainda os péssimos e incensados jogadores de futebol, os péssimos músicos e seus péssimos discos. Você, certamente, também tem sua lista de péssimos. Faça um pequeno esforço. Que tal as dez campanhas “mais” péssimas da história? Não vale propaganda de cerveja. Ou os dez políticos “mais” péssimos do país? As dez músicas, companhias aéreas, agências, restaurantes, filmes, etc.

Mas, é bom lembrar: nós é que construímos tudo isso. Nós é que contribuímos para esta degradação. Todos somos cúmplices. E o que nasceu de um ditado estúpido, repetido estupidamente pelas ruas, estádios, congressos e, claro, empresas, com seus corredores povoados de gente complacente e arrivista, tornou-se uma verdade esmagadora, um sinal dos nossos tempos mesquinhos e desinteressantes, em que desvalorizamos e atacamos uma ótima ideia ou um trabalho ótimo apenas porque eles são os maiores inimigos da nossa enorme preguiça ou pior, do nosso ilimitado medo.

Assim, creio, está mais do que na hora de começar a reverter este péssimo quadro.

Que tal inverter o tal ditado? Que tal repetir milhões de vezes, até acreditar: “o bom é inimigo do ótimo!”?

Será um ótimo começo. Aí, quando você vir alguma coisa “apenas” boa, pense em como seria se ela fosse ótima.

Exija um pouco mais. Aceite que ela possa, eventualmente, até custar também um pouco mais, mas exija, insista, que seu resultado também seja um “pouco melhor”, ou que, no mínimo, ele seja realmente BOM.

E ai? O que você achou da reflexão do Augusto? Interessante. Pois é… Bernardinho, técnico da nossa supercampeã seleção masculina de vôlei é um que jamais se contenta com o bom. Para ele, nada menos que o ótimo importa… E o  resultado a gente já está cansado de ver.

Danado de bom
Tá é danado de bom
Tá danado de bom meu compade
Tá é danado de bom
Forrozinho bonitinho,
Gostosinho, safadinho,
Danado de bom
Olha o natamira na zabumba
O zé cupira no triângulo
E mariano no gonguê
Olha meu compadre na viola
Meu sobrinho na manola
E cipriano no melê
Olha a meninada nas cuié
Tá sobrando capilé
E já tem bêbo pra daná,
Tem nego grudado que nem piolho
Tem nega piscando o olho
Me chamando pra dançar
Tá é danado de bom…
Tá, que forrozinho de primeira
Já num cabe forrozeiro
E cada vez chegando mais
Tá, da cozinha e do terreiro,
Sanfoneiro, zabumbeiro
Pra frente e pra trás
Olha meu compadre damião
Pode apagar o lampeão
Que tá querendo clarear
Agüenta o fole meu compadre bororó
Que esse é o tipo de forró
Que não tem hora pra parar.

E é assim, ao som de DANADO DE BOM, de Luiz Gonzaga e João Silva, com o velho Lua,que o Café Brasil que refletiu sobre nossa culpa no complexo de vira latas, vai embora.

Com Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Gostou hein? Vai lá no www.portalcafebrasil.com.br e cadastre-se em nossa comunidade.

Estiveram conosco Nelson Rodrigues, Augusto Diegues, Yo-Yo Ma, Edvaldo Santana, Ney Matogrosso, Carmem Miranda, Renato Borghetti, Marcelo D2 e Luiz Gonzaga com Dominguinhos e Elba Ramanho. Ta bom? Não…tá ótimo!

Pra terminar, que tal uma frase do historiador inglês Thomas Fuller?

O bom não é bom onde o ótimo é esperado.

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