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240 – No reino da implicidade

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Luciano Pires -

O Café Brasil tratará de um lugar onde vivemos, o reino da implicidade. É sim, implicidade. Nunca ouviu falar nessa palavrinha? Usamos o implícito até sem perceber, muitas vezes parecendo preconceituosos. Mas tem gente que sabe usar o implícito muito bem para dar seus recados. Gente que sabe manipular a linguagem para dizer não parecendo que disse sim. Pois é. Implicidade vem de “implícito”, daquilo que é subentendido. E é sobre isso que vamos reinar hoje. Na trilha sonora Socorro Lira, Rubem Alves, Leno e Lilian, Roberto Ribeiro com Marquinho Lira, The Monkees, Carson and Gaile e – olha só – Nancy e Frank Sinatra. Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite. O Café Brasil de hoje, tratará de um lugar onde vivemos, o reino da implicidade. É sim, implicidade. Nunca ouviu falar nessa palavrinha? Pois é. Implicidade vem de “implícito”, daquilo que é subentendido. E é sobre isso que vamos reinar hoje…

Pra começar, uma frase nada implícita de do historiador e educador norte americano Daniel Boorstin:

Referências humanas são mais vívidas e mais persuasivas do que comandos morais explícitos.

E o brinde de hoje, um exemplar de meu livro NÓIS QUI INVERTEMO AS COISA, vai para Moema Maia, que escreveu assim:

“Boa noite Luciano! Meu nome é Moema Maia, sou estudante de Administração e moro em Salvador. Conheci você no ano do lançamento de seu livro Brasileiros Pocotó. Como não poderia deixar de ser, amei, amei muito. É um verdadeiro banho de verdade que nos deixa extasiados de alegria por ver alguém escrever e criticar criativamente assuntos como os que são abordados em seu livro. Bom, continuando, amei seu livro e decidi que ele deveria ser lido pelo maior número de pessoas possível, então comecei a propagandear o livro e a emprestar o meu, em um tipo de corrente “Anti-mediocridade”. Infelizmente, a corrente foi abruptamente interrompida por um indivíduo que sumiu no mundo e não devolveu meu livro. O que não me impediu de continuar a propagandear seu livro e, em um dos papos do meu “cafezinho” (hora em que eu e meu irmão estamos juntos e paramos para conversar sobre os mais diversos assuntos) comentei com ele sobre seu trabalho. Meu irmão, que é professor de uma escola pública resolveu pesquisar alguns dos seus textos para apresentar a seus alunos em uma de suas aulas, eis que então, ele encontrou o Portal Café Brasil, com seus maravilhosos Podcasts e logo tratou de baixar tudo. Foi uma febre, trocamos a tão tradicional música das horas de faxina, preparo do almoço, banho etc.. pelos seus Podcasts. Agora, somos seus oficias Amadores Marketeiros aqui em Salvador. Nunca usei tanto o Bluetooth de meu celular e nunca o usaram tanto, ele vive de mão em  mão, é um “prostituto eletrônico”, para que meu colegas de trabalho e faculdade possam ouvir e se viciar. O mesmo ocorre com os vínculos sociais de meu irmão, que além de dar aulas, trabalha com manutenção de micros e instalação de software e todo computador que passa por suas mãos fica com o vírus do Café Brasil. Tá dando tão certo que já tem gente querendo saber quando que você vem dar uma de suas palestras por aqui.  Admiro-te muito! Continue com o seu maravilhoso trabalho e apareça na nossa “Terrinha”, será muito bem vindo! Inté!”

Valeu Moema! Sabe que um de meus sonhos é um dia fazer uma palestra no Teatro Castro Alves. Mas tá difícil, viu? E faz anos tento armar algo, mas parece que os baianos não me querem por ai…

Muito bem, a Moema ganhou o livro pois escreveu um comentário. E você, hein? Deixe de ser malemolente e mande uma mensagem pra gente nowww.portalcafebrasil.com.br

Lidamos diariamente com o implícito. Que também chamamos de tácito. Ou de subentendido. Vou dar um exemplo. Ouça esta frase:

Marina Silva, apesar de mulher, é uma pessoa inteligente.

Você sacou o preconceito implícito na frase? Se for mulher, sacou na hora… Dizer que Marina, apesar de mulher, é inteligente é dizer implicitamente que toda mulher é burra.

Outro exemplo: A Ciça é palmeirense, mas é boa gente.

Sacou o implícito? É que “palmeirense” normalmente não é boa gente…

Ela tá louca da vida lá. Não esperneia não, vamo lá…

Tá bom, tá bom, vou com outro exemplo:

O Luciano é Corinthiano, mas às vezes erra. Viu só? O significado implícito é que Corinthiano sempre acerta…

Usamos o implícito até sem perceber, muitas vezes parecendo preconceituosos. Mas tem gente que sabe usar o implícito muito bem para dar seus recados. Gente que sabe manipular a linguagem para dizer não parecendo que disse sim…

E no universo profissional então, somos os reis. Aliás, pela minha experiência de trabalho, ainda não encontrei nenhum povo tão “implicitador” como o Brasileiro.

No Brasil, parece que tudo é implícito…

 Do amor escondido 

É uma coisa que incendeia
Acendendo o coração
Quando em quando supreende
Inflama a fogosa chama
Ardendo o corpo a cama
Inunda meu cobertor
Imprime um ar de verdade
Cortanto todos os mundos
Comparado à eternidade
Transcedendo em segundos
Confunde o entendimento
A razão, o pensador

Isso pode ser chorado
Ser sorrido alegremente
Isso que mata quem sente
Por trás ressucitado
E quando o vivo é velado
Sob o cortejo da flor
É finalmente rimado
Versado de tão sublime
Com quatro letras se exprime
Rima o verso derradeiro
Morto o espinho de cardeiro
Vivo é o reverso da dor

Olha que interessante esse som… é o baião recitativo DO AMOR ESCONDIDO, com Socorro Lira, que vem lá da zona rural de Brejo da Cruz, na Paraíba. A história do caminho de Socorro, da zona rural para o cenário da Música popular brasileira é fascinante e você encontra nohttp://www.socorrolira.com.br. Socorro Lira, no Café Brasil;

Vivi uma experiência interessante numa de minhas reuniões nos Estados Unidos. Estávamos falando sobre propostas de trabalho, de processos, e a coordenadora nos ouvia atentamente, acho que para entender o sotaque. Mas ela era irritante numa coisa. A cada vez que terminávamos uma frase ou proposta, ela dizia: deixa ver se eu entendi. E repetia pausadamente tudo o que havíamos dito. Ou melhor, repetia o que havíamos dito do jeito que ela entendeu. E ao final ela perguntava: é isso?

Aquilo era muito irritante. Minha primeira reação foi imaginar que a gringa lá era burra. Pô, a mulher não entendia o que a gente dizia? Mas ao final eu compreendi que agindo como ela agia, não ficavam dúvidas. Ela nos obrigava a deixar tudo muito claro. Não havia a menor possibilidade de deixar algo implícito, ela nos obrigava a explicitar o subentendido. Jamais conseguíamos sair de uma reunião com ela do jeito que saímos no Brasil: quando todo mundo dá a impressão que entendeu tudo, só pra sair fazendo – ou não fazendo – as coisas erradas…

Aquela gringa sabia das coisas. Ela não queria se deixar trair pela linguagem e me ensinou uma lição importante: nunca deixe as coisas implícitas!

Olha só: implicidade, a propriedade daquilo que é implícito, que está subentendido.

Tome cuidado, muito cuidado com aquilo em que você acredita. A mensagem real pode estar implícita…

Não acredito 

Já não creio mais no que me dizem
Hoje eu sei que o amor é ilusão
Perdi quem eu quis, e fiquei assim
Tão infeliz sem ter ninguém

E ao recordar, eu não acredito
Que sofrendo assim, eu vou viver
Você se foi
Não acredito, não acredito, meu bem

Ao beijar chorando o seu retrato
Sinto o coração à palpitar
Pobre de mim, sempre a pensar
Que você um dia vai voltar

Ao recordar, eu não acredito
Que sofrendo assim, eu vá viver
Me apaixonei
Não acredito, não acredito, meu bem

Pobre de mim, sempre a pensar
Que você um dia vai voltar

Ao recordar, eu não acredito
Que sofrendo assim, eu vá viver
Você se foi
Não acredito, não acredito, meu bem
Eu não acredito
Eu não acredito
Eu não acredito

Rararara…que tal Leno e Lilian com NÃO ACREDITO? Lembra dessa? É de 1967, provavelmente antes de você nascer! Mas é uma versão de um sucesso estrondoso de uma banda que foi criada nos Estados Unidos pra combater os Beatles. O nome deles? The Monkees… O título da música em inglês é I’m a believer. No Brasil, ficou não acredito...

I’am a believer

I thought love was only true in fairy tales
Meant for someone else but not for me
Oh, love was out to get me
That’s the way it seems
Disappointment haunted all my dreams

Then I saw her face
Now I’m a believer
Not a trace
Of doubt in my mind
I’m in love
I’m a believer
I couldn’t leave her if I tried

I thought love was more or less a given thing
Seems the more I gave the less I got
Oh, what’s the use in trying
All you get is pain
When I needed sunshine I got rain

Then I saw her face
Now I’m a believer
Not a trace
Of doubt in my mind
I’m in love
I’m a believer
I couldn’t leave her if I tried

Oh, love was out to get me
That’s the way it seems
Disappointment haunted all my dreams

Then I saw her face
Now I’m a believer
Not a trace
Of doubt in my mind
I’m in love
I’m a believer
I couldn’t leave her if I tried

Yes, I saw her face
Now I’m a believer
No not a trace
Of doubt in my mind
Said I’m a believer

(6x)
Yeah

I’m a believer
Said I’m a believer, yeah
I’m a believer
Said I’m a believer, yeah
I’m a believer

Então… deixa aproveitar o embalo da discussão sobre as mensagens implícitas pra trazer de volta o mestre Rubem Alves, que algum tempo atrás escreveu um texto que tem como título uma pergunta: ‘A leitura dos jornais nos torna estúpidos?’

Ao fundo você ouvirá UM CHORINHO DIFERENTE, de Ivone Rabelo e El Gaúcho, que tirei do CD ENCONTRO DE SOLISTAS, com Mauricio Einhorn, Sebastião Tapajós, Gilson Peranzetta e Altamiro Carrilho. Uma delícia

O nome não me era estranho. Eu já o vira de relance em algum jornal ou revista. Mas não me interessei. Aquele nome, para mim, não passava de um bolso vazio. Eu não tinha a menor idéia do que havia dentro dele. Fui então até minha secretária e lhe perguntei envergonhado: ‘Natália, quem é Adriane Galisteu?’ Esse era o nome do bolso vazio. Ela deu uma risadinha e me explicou.

À medida em que ela explicava, as coisas que eu havia lido começavam a fazer sentido e eu me lembrei de uma história que minha mãe contava: uma princesinha linda que, quando falava, de sua boca saltavam rãs, sapos, minhocas, cobras e lagartos… Terminada a explicação, fiquei feliz por não ter lido. Lembrei-me de Schopenhauer: ‘No que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Essa arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público. Para ler o bom, uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos… Muitos eruditos leram até ficar estúpidos.’ Existirá possibilidade de que a leitura dos jornais nos torne estúpidos?

O que está em jogo não é a dita senhora Galisteu, que pode pensar o que lhe for possível pensar. O que está em jogo é o papel da imprensa. Qual a filosofia que a move ao selecionar comida como essa para ser servida ao povo?

A resposta é a tradicional: ‘A missão da imprensa é informar.’ Pensa-se que, ao informar, a imprensa educa. Falso. Há milhares de coisas acontecendo e seria impossível informar tudo. É preciso escolher. As escolhas que a imprensa faz revelam o que ela pensa do gosto gastronômico dos seus leitores. Jornais são refeições, bufês de notícias selecionadas segundo um gosto preciso. Se o filósofo alemão Ludwig Feuerbach estava certo ao afirmar que ‘somos o que comemos’, será forçoso concluir que, ao servir refeições de notícias ao povo, os jornais realizam uma magia perversa com seus leitores: depois de comer eles serão iguais àquilo que leram.

Parei de ler os jornais não por não gostar de ler, mas precisamente porque gosto de ler. As notícias dos jornais são incompatíveis com meus hábitos gastronômicos: leio bovinamente, vagarosamente, como quem pasta… ruminando. O prazer da leitura, para mim, está não naquilo que leio, mas naquilo que faço com aquilo que leio. Ler, só ler, é parar de pensar. É pensar os pensamentos de outros. E quem fica o tempo todo pensando o pensamento de outros acaba desaprendendo a pensar seus próprios pensamentos: outra lição de Schopenhauer.

Pensar não é ter as informações. Pensar é o que se faz com as informações. É dançar com o pensamento, apoiando os pés no texto lido: é isso que me dá prazer. Suspeito que a leitura meticulosa e detalhada das informações tenha, frequentemente, a função psicológica de tornar desnecessário o pensamento. Assim, ao se entupir de notícias como o comilão grosseiro que se entope de comida, o leitor se livra do trabalho de pensar.

A maioria das notícias dos jornais, eu não sei o que fazer com elas por não entendê-las. Penso: se eu não entendo a notícia que leio, o que acontecerá com o ‘povão’? Outras notícias só fazem explicitar o que já se sabe. Detalhes, cada vez mais minuciosos, das tramóias políticas e econômicas de um Sarney, de um Renan, nada acrescentam ao já sabido. Esse gosto pelo detalhe escabroso deriva da pornografia, que extrai os seus prazeres da contemplação dos detalhes sórdidos, que são sempre os mesmos.

A dita reportagem sobre a tal senhora Galisteu e as notícias sobre Renan e Sarney atendem às mesmas preferências gastronômicas. Será que as notícias são selecionadas para dar prazer aos gostos suínos da alma?

Os órgãos de imprensa têm de contribuir para a educação do povo. Mas educar não é informar. Educar é ensinar a pensar. Os jornais ensinam a pensar? Repito a pergunta: Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos?

Coisinha estúpida 

Existe um amor dentro de mim
Que eu não posso nem mais controlar
Se olho pra você e vejo o seu jeitinho
De sorrir e de falar
É algo tão estranho que eu mesmo
Não consigo mais compreender
Uma coisinha estúpida
Que eu gosto de sentir
Que é amar você
Espero amorzinho
Que o meu carinho por você
Não seja em vão
Entrego de presente
Minha vida meu destino e meu coração
Existe um amor dentro de mim
Que eu não posso nem mais controlar
Se olho pra você e vejo o seu jeitinho
De sorrir e de falar
É algo tão estranho que eu mesmo
Não consigo mais compreender
Uma coisinha estúpida
Que eu gosto de sentir
Que é amar você
É algo tão estranho que eu mesmo
Não consigo mais compreender
Uma coisinha estúpida
Que eu gosto de sentir
Que é amar você
Amar você
Amar você
Amar você

Rararaa… gostei de Leno e Lilian! Você ouve COISINHA ESTÚPIDA, que foi um baita hit quase meio século atrás, quando era moda fazer versões de músicas estrangeiras. Esta aqui chama-se SOMETING STUPID, foi escrita por Carson Parks em 1966 e gravada por ele sua esposa, como Carson and Gaile…olha só…

Something stupid 

I know I stand in line,
until you think you have the time
to spend an evening with me

And if we go some place to dance
I know that there’s a chance
you won’t be leaving with me

And afterwards we drop into a quiet little place
and have a drink or two
And then I go and spoil it all
by saying something stupid
like :”I love you”

I can see it in your eyes
that you still despise the same old lines
you heard the night before

And though it’s just a line to you
for me it’s true
it never seemed so right before

I practice everyday
to find some clever lines to say
to make the meaning come true

But then I think I’ll wait
until the evening gets late
and I’m alone with you

The time is right
your perfume fills my head
the stars get red
and oh, the night’s so blue

And then I go and spoil it all
by saying something stupid
like: “I love you”

The time is right
your perfume fills my head
the stars get red
and oh, the night’s so blue

And then I go and spoil it all
by saying something stupid
like: “I love you”

“I love you”
“I love you”
“I love you”

A ciça tá tirando sarro aqui, dizendo que eu falei CaRRson. Ô Ciça: quem nasce em Bauru fala inglês sem sotaque: CaRRson. Vem do interioR de São Paulo, entendeu? Que meRda!

Legal, né…mas a musica estourou mesmo quando Frank Sinatra gravou com a filha, Nancy Sinatra…

Muito bem… Olha só, eu não acho que a leitura dos jornais nos torna necessariamente estúpidos, mas que colabora, colabora…

Qual é a saída, hein?

Bem, desde 2003 eu lido com uma assunto que chamei de ALFABETIZAÇÃO PARA A MÍDIA. É um processo que eu já deveria ter transformado num produto, que prevê treinar as pessoas a entender o que é que a mídia está apresentando. Mas entender as mensagens subliminares,  as implícitas.

Só um detalhe. Quando eu digo aqui mídia, entende-se não só imprensa, mas cinema, televisão, propaganda, outdoors, tudo aquilo que traz mensagens às pessoas. Não é só imprensa.

Veja só: tudo que é possível codificar em letras, desenhos, imagens e números, é possível transmitir através da mídia de forma explícita. Mas quem estuda o assunto diz que de 100% do conhecimento que adquirimos ao longo da vida, 75% são implícitos, não estão escritos em nenhum lugar. A gente aprende é quebrando a cara, sendo enganado, tomando porrada, errando e acertando. E com o tempo vamos ficando craques em entender o significado implícito das coisas.

Por isso eu volto à velha moral da história: cara, se você não lê, não viaja, não arrisca, não pára para refletir sobre suas decisões, não dá papo pra quem não conhece, não dá opinião quando sabe de algo, você está perdendo oportunidades fantásticas de desenvolver a capacidade de compreender o implícito.

E quem só entende o explícito, dá margem a ser governado por populistas.

Sacou?

O grande problema do implícito é que ele exige uma ação que anda em falta: pensar… E como é difícil lidar com essa questão do implícito num mundo que só sabe lidar com o explícito.

Veja o caso deste podcast. É simples, com reflexões, humor, poesia e música popular brasileira diferente. E com um monte de significados e conteúdos implícitos que, para mim, é o que faz a diferença. E o Café Brasil vai ao ar pelo rádio em várias cidades.

Quando decidi colocar o programa no ar em outras cidades, maiores ainda,  fiz o que a lógica manda: fui procurar as grandes redes de rádio. Todas se interessaram pelo meu programa, desde que eu tivesse 40 mil reais por mês para pagar pela veiculação… Argumentei sobre o conteúdo. Senti que falava para as portas…

E depois vieram as fórmulas. Mude o tom daqui. Corte ali. Bote outro tipo de música. Não fale disto que é proibido. Nem daquilo que “nosso público não aceita”… Aplicando as recomendações, meu programa ficaria igual às centenas de lixos que vão ao ar diariamente. Música idiota, texto idiota, apresentador à altura, falando para um público idiota.

A maioria das emissoras de rádio e televisão não é parte da indústria da informação. É parte da indústria da propaganda. Conteúdo? Só como isca para  publicidade.

Para essas emissoras, jovens são idiotas que só se preocupam com festas, só ouvem gente gritando e música enlatada de péssima qualidade. Mulheres são donas de casa vazias, que precisam de receitas de bolo, fofoquinhas e um astrólogo fazendo adivinhações. Velhos só se interessam pelos “Bailes da Saudade”. E todo ouvinte e espectador é visto como alguém de quem tirar algum.

Conteúdo? Só se for explícito. Assim ninguém precisa ter o trabalho de pensar…

Me engana que eu gosto

Que eu gosto,  que eu gosto
Me engana,  me engana,  me engana
Que eu gosto,  que eu gosto
Me engana,  me engana,  me engana
Que eu gosto,  que eu gosto
Quem é carioca esta satisfeito
Pois esse é o jeito pra quem reclamar
Se é  bom o governo é bom o prefeito
Cidade tranqüila como essa não há
O meu capital esta sempre sobrando
Não sei até quando ele vai ser assim
Por mais que eu gaste
Esta sempre almentando
Por mais que eu gaste
Nunca chaga ao fim
Refrão
A turma do rock se diz brasileira
E é sempre a primeira na MPB
Não sofre nenhuma influência estrangeira
É até filiada ao PMDB
Se Chico Buarque nasceu em Caxias
Caetano Veloso em maria angú
Gal Costa passeando em Madureira
Maria Bethânia sambando em Bangú

E é assim, ao som de Roberto Ribeiro e Marquinho Santana com ME ENGANA QUE EU GOSTO que o Café Brasil de hoje, que tratou do implícito e do explícito, vai saindo de mansinho.

Com Lalá Moreira explicitamente na técnica, Ciça Camargo implicitamente na produção e eu, eeeee… sei lá… eu  Luciano Pires, na direção e apresentação.

Quer mais? Chega aí, meu. No www.portalcafebrasil.com.br. Lá tem um montão de coisa implícita, cuidado…

Estiveram conosco Socorro Lira, Rubem Alves, Leno e Lilian, The Monkees,Roberto Ribeiro com Marquinho Lira, a ouvinte baiana Moema Maia, Carson and Gaile e – olha só – Nancy e Frank Sinatra…

Pra terminar, uma frase de Gabriel Perissé, que escreve as Iscas Intelectuais do Portal Café Brasil:

O leitor morre pelos olhos.

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