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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite. E você? Também não gosta de política? Pois é, é uma coisa complicada e suja, né? Mas é necessária. No programa de hoje vou aproveitar uma série de textos de Rubem Alves para introduzir o assunto “política” em sua vida. Vamos ver se dá certo?

Começo com uma frase de Carlos Drummond de Andrade:

É fácil falar em nome do povo. Ele não tem voz.

[tec] melo do pocotó [/tec]

Os textos de Rubem Alves chamam-se EXPLICANDO POLÍTICA ÀS CRIANÇAS. Você os encontra integralmente nas Iscas Intelectuais de meu site. Ao fundo vamos ouvir João Donato e Paulo Moura interpretando ON A SLOW BOAT TO CHINA, um classico de Frank Loesser que os brasileiros melhoram ainda mais. Ouça só…

[tec] on a slow boat to china [/tec]

Há muitos milênios atrás, antes mesmo que a roda tivesse sido inventada, a vida era uma pancadaria generalizada, pauladas, pedradas, cada um por si, cada um contra todos. Um famoso pensador chamado Hobbes disse que era um estado de “guerra de todos contra todos”. Não havia leis. As leis servem para proibir aquilo que não pode ser feito. Assim, cada um fazia o que queria. Roubar não era crime porque não havia uma lei que dissesse “é proibido roubar”. Matar não era crime porque não havia uma lei que dissesse “ é proibido matar”. E não havia pessoas encarregadas de fazer cumprir a lei: juizes, polícia. Quem tivesse o porrete maior, mandava.

[tec] sobe [/tec]

É fácil entender. Imaginem uma coisa doida: um jogo de futebol em que não haja regras e nem haja um juiz que apite as faltas. Tudo é permitido. Tapas, murros, rasteiras, xingamentos, levar a bola com a mão, mudar de time no meio do jogo. Ao final de cada jogo o número de mortos e feridos é grande. Os amantes de futebol queriam continuar a jogar futebol, mas sem medo da violência. Eles se reuniram e disseram: “Não é possível continuar assim. Vamos fazer regras para o futebol. E vamos ter, no campo, um homem que faça com que as regras sejam cumpridas.” E assim fizeram. E o futebol se transformou num jogo civilizado ( às vezes…)

[tec] meio de campo [/tec]

Opa! Olha nossa diva aí… Elis Regina, com MEIO DE CAMPO, que Gilberto Gil lançou em 1973. Aquele versinho que diz ”a perfeição é uma meta, defendida pelo goleiro que joga na seleção” é impressionante…

[tec] vinheta [/tec]

[tec] tempos felizes [/tec]

Opa. Pra não perder o embala do Paulo Moura, vamos com TEMPOS FELIZES, com o Paulo Moura e o violão maravilhoso de Raphael Rabello.

Pois os homens daqueles tempos chegaram à mesma conclusão. Não valia a pena continuar a viver daquele jeito. Eles se reuniram numa grande assembléia e chegaram a um acordo: “Só há uma solução. É preciso que cada um deixe de fazer o que lhe dá na telha. Precisamos leis. Mas, para ter leis, precisamos de um homem que faça as leis. E não só isso: um homem que tenha o poder para punir todos aqueles que quebram a lei.”

Os homens, assim, abriram mão das suas pequenas vontades individuais para poder viver uns com os outros em paz. E para que houvesse um homem que fizesse as leis e punisse os criminosos eles escolheram um que seria o seu Rei, ele e os seus descendentes. O Rei teria que ser aquela pessoa que reinaria para a paz dos homens comuns, os seus súditos. O Rei teria de ser uma pessoa que, ao mesmo tempo, combinasse sabedoria e força. Sabedoria para fazer as coisas certas. E força para punir os malfeitores. No futebol os malfeitores são aqueles que quebram as regras, aqueles que, pensando que o juiz está distraído, dão rasteiras e tentam fazer gols  com a mão. Se o juiz ficar desatento e não apitar as faltas a partida de futebol vira pancadaria.

[tec] sobe [/tec]

Mas os homens que elegeram o Rei eram ruins em psicologia. É sempre assim: em período de eleição todos os candidatos se apresentam como honestos, puros, pessoas que só desejam o bem do povo. Mas o povo não conhece psicologia. Acredita naquilo que lhe é dito. Não sabe que essas falas dos candidatos são como a isca no anzol do pescador. O seu objetivo é apenas “fisgar” o voto do povo. E esses puros, uma vez no poder, passam por horríveis transformações. Belos, transformam-se em Feras. Aconteceu assim com os Reis, tão bonitos, tão honestos, antes de terem a coroa na cabeça e a espada na mão. Mas uma vez no poder transformaram-se em Tiranos.

[tec] nem o pobre nem o rei [/tec]

Olha só, esse é o Gonzaguinha com o samba enredo NEM O POBRE NEM O REI, de 1984. Gonzaguinha no Café Brasil!

Tiranos são aqueles que, esquecidos do povo, impõem a sua vontade sobre ele. Assim os Reis esqueceram-se do povo e passaram a pensar só neles mesmos.  Se eles eram aqueles que fazem as leis, e se eles eram aqueles que tinham a espada na mão, não havia ninguém que os punisse. Eles cometiam suas maldades protegidos pela impunidade. Tendo poder para fazer as leis, eles as fizeram só em seu benefício, leis que obrigavam o povo a pagar impostos pesados. Imposto é um dinheiro que o povo tem de pagar ao governo para administrar o país.Tudo estaria bem se o dinheiro dos impostos fosse usado para o bem do povo. Mas não foi isso que fizeram. Usaram o dinheiro do povo para si mesmos. Construíram palácios com jardins, gramados e piscinas,  deram banquetes, não só eles mas todos os membros da corte que assim se locupletaram. Todos ficaram ricos. O povo ficou mais pobre, mais sofrido. Aprendam isso: as pessoas mais cheias de boas intenções, quando têm o poder e o dinheiro na mão, esquecem-se delas. Ficam deslumbradas com o poder e passam a pensar só nelas mesmas. O poder e o dinheiro corrompem.

[tec] lugar comum [/tec]

Hmmm… que tal Arthur Moreira Lima com LUGAR COMUM de Gilberto Gil? Pois é…

Foi assim durante muitos séculos. Até que o povo perdeu as esperanças. Os reis, que haviam sido objetos da sua admiração, tornaram-se objetos do seu desprezo. Seu perfume se transformou em fedor. Não, os Reis jamais pensariam no bem do povo. Aí o povo pensou: “Não fomos nós que escolhemos o Rei? Se ele está no trono é só porque nós queremos! Ele não está no trono pela vontade dos deuses! Se fomos nós os que o colocamos no trono,  temos o direito de tirá-lo de lá”. O povo então se enfureceu, saiu às ruas, pegou em armas, fez revoluções e tirou o Rei do trono. Mas esse direito de tirar os reis dos tronos transformou-se em crueldade. Na Revolução Francesa o rei e a rainha foram guilhotinados. Na Rússia os revolucionários fuzilaram toda a família real, inclusive as crianças.

[tec] sobe [/tec]

Voltou-se então ao estado original: não havia quem ditasse leis e as fizesse cumprir, para a paz do povo. Mas o povo havia aprendido uma lição: poder por toda a vida, como o que era dado aos reis, só produz  tirania e corrupção. É muito perigoso dar poder absoluto a uma pessoa só.

Por que o jogo de futebol é possível? Jogadores, bola – tudo bem. Mas não basta. Há de haver regras. E como se estabelecem regras? As pessoas interessadas se ajuntam e fazem um “contrato”. “Contrato” é um documento que estabelece as regras, com o acordo de todos. Esse contrato contém as regras do jogo que todos devem obedecer. Todas as relações entre os seres humanos são reguladas por contratos. O casamento é um contrato, a compra de uma casa é um contrato, a matricula de um aluno numa escola se faz por meio de um contrato. Quando um povo inteiro quer estabelecer as regras de sua convivência, esse contrato tem o nome de “Constituição”.

[tec] Ulisses guimarães [/tec]

Olha só…você ouviu o deputado Ulisses Guimarães em seu discurso da entrega da Constituição de 1988. Aquela coisa que todo mundo queria e que se revelou um amontoado confuso de regras que deixou o Brasil praticamente ingovernável. Pois é… História, né? Onde?

[tec] vinheta [/tec]

“O poder pertence ao povo”: essa foi a regra fundamental do jogo. Com justiça absoluta. Se você não sabe, essa é a essência da democracia. A palavra democracia vem da junção de duas palavras gregas: “demos”, que quer dizer “povo” e “kratein” que quer dizer “governar”. Governo do povo e para o povo: haverá coisa mais bonita?

[tec] canto do povo de algum lugar [/tec]

Que delícia… Caetano Veloso lá em1975, o ano em que eu estava chegando em São Paulo, aos 19 anos de idade… Essa é CANTO DO POVO DE ALGUM LUGAR…

Acontece que  as coisas são mais fáceis na teoria que na prática. É fácil sonhar com o vôo. É difícil fazer um avião. É fácil sonhar com o ideal democrático. É muito difícil  transformá-lo numa máquina que funcione.

Como criar um sistema político em que seja o povo que exercita o poder?  Em Atenas, na Grécia, cidade considerada o berço da democracia, esse problema se resolvia de forma simples: os cidadãos livres se reuniam numa praça, debatiam as questões e votavam. A proposta que tivesse mais votos ganhava. Isso era fácil porque Atenas era uma cidade pequena. Mas como reunir os cidadãos de Paris, de Moscou, de Roma? A primeira dificuldade seria colocá-los juntos numa praça. A segunda dificuldade seria fazê-los ouvir as propostas (não havia alto-falantes). A terceira dificuldade seria fazê-los entender as propostas… Há muitos problemas sobre os quais o povo nada sabe.  Podem os ignorantes tomar decisões sobre assuntos que ignoram? A maioria é sempre mais sábia? Se o seu filho estiver doente, você vai acreditar no diagnostico de um único médico ou no diagnóstico da família inteira reunida? Em muitas situações a sabedoria se encontra no “um” e não nos “muitos”

[tec] sobe [/tec]

A solução encontrada se baseava num pressuposto filosófico: os cidadãos são seres racionais. Eles sabem o que é bom para eles. Assim, tratava-se de escolher um cidadão, dentre os muitos, que representasse os pensamentos e desejos gerais. Essa pessoa assim escolhida se tornaria, então, “representante” de  todos aqueles que haviam votado nela. Pois é isso que é o voto: abro mão do meu direito de exercer diretamente o meu poder e o transfiro para um outro, em quem confio. Esse outro será o meu “representante”. Não só meu, mas de todas as pessoas que tiverem votado nele. Assim, o voto seria o exercício racional da vontade do povo que, conhecedor das alternativas que se abrem, opta por aquela que lhe parece mais sábia. O voto seria, ao mesmo tempo, um exercício de poder e de sabedoria. Democracia só faz sentido com um povo sábio.  A partir disso formam-se os partidos.

[tec] Silvio santos [/tec]

Rarrra… Você ouviu a vinheta do Silvio Santos quando ele quase concorreu pra presidente em 1989. Cê já pensou, hein?

[tec] vinheta [/tec]

Um partido é o conjunto daqueles que , juntos, querem que o barco navegue numa determinada direção. Há partidos que querem que o barco continue em frente. Outros preferem a direita. E há aqueles que querem que o barco navegue para a esquerda. Há ainda uns outros que querem que o barco fique dando voltas…

E foi assim que se formou a democracia, governo do povo pelo povo, povo inteligente, que sabe o que quer, que, por meio do voto escolhe os seus representantes que, em seu nome, irão exercer o poder…

[tec] el presidente [/tec]

Tão bonita, a idéia da democracia! Melhor não há. Os cidadãos, educados, conscientes das suas necessidades, no exercício da sua liberdade, sem compulsões, sem enganos, escolhem por meio do voto aqueles que serão os seus representantes. Na cidade, os vereadores, no estado, os deputados estaduais, no país, os deputados federais e os senadores. Nada mais transparente. Nada mais honesto.

E os representantes do povo, dominados por um único ideal: trabalhar para o bem comum. No ato de se aceitarem como representantes do povo eles deixam de lado a sua vontade, os seus interesses privados, particulares. Tornaram-se depositários da vontade do povo. Quando pensam e agem não pensam e agem de acordo com os seus interesses. Apenas uma pergunta informa o seu pensar e o seu agir: “É do interesse do povo?”

É assim que eu quero. É assim que todo mundo quer. Como é linda a democracia quando escrita no papel! O problema é que o que está escrito não é aquilo que é vivido.

O poder corrompe os ideais.

[tec] el presidente [/tec]

Que tal, hein? Rubem Alves nos dá uma perspectiva interessante sobre os fundamentos da política. Comno eu já disse antes, política não é essa coisa feia que está aí. Política é a cola que mantém unida a sociedade. Mas infelizmente os homens tem defeitos: o poder corrompe os ideais. E então temos aquilo que todos vêem… Mas isso é assunto para um outro programa.  Por enquanto é ao som de Mauricio Pereira e a banda Turbilhão de Ritmos, com EL PRESIDENTE que este Café Brasil politizado vai embora.

Com Lalá Moreira na técnica, Cicá Camargo nas produção e direção e apresentação de eu: Luciano Pires.

Quer mais? Acesse as Iscas Intelectuais em meu site WWW.lucianopires.com.br .

Estiveram conosco Rubem Alves, João Donato e Paulo Moura, Elis Regina, Gonzaguinha, Raphael Rabello, Arthur Moreira Lima, Caetano Veloos, Mauricio Pereira e a banda Turbilhão de Ritmos e …o Deputado Ulysses Guimarães!

Pra terminar, uma frase de Will Durant, filósofo e historiador estadunidense:

A máquina política triunfa porque é uma minoria unida atuando contra uma maioria dividida.