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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite! E aí, você tem uma firma? Ou sonha em ter sua firma? Ah, nada como ser o próprio patrão, não é? Hummm….mas será que é tão fácil assim? O programa de hoje vai tentar definir um termo que toda hora você ouve: empreendedor. Pra começar, uma frase famosa de Albert Einstein:

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Então. Quem será que ganhou o prêmio da semana? Um exemplar do fantástico livro “Nóis que invertemo as coisa” de minha autoria.

Quem ganhou foi, atenção: Wanya Bezerra que comentou o programa UM DIA ÚTIL assim:

“De repente caiu um relâmpago sobre a situação que vivemos com nossa mãe nos últimos anos! Tudo clareou de forma surpreendente. O que não conseguíamos entender como a origem da depressão e do desinteresse pela vida ficou perfeitamente explicado pela inutilidade dos seus dias.
Conscientes disso, poderemos trabalhar para que oportunidades sejam criadas a fim de trazer utilidade para a vida de quem contribuiu tanto!
Muito obrigada,”

A Wanya tomou a iniciativa de escrever um comentário sobre um de nossos programas no www.portalcafebrasil.com.br e ganhou um livro. E você hein? Aliás, se você baixa o programa pelo ITunes, entra lá uma hora dessas e deixa um comentário e uma avaliação pra gente. Esses indicadores são importantes pra mostrar que temos audiência.

Quando garoto em Bauru eu ia com meus pais aos eventos sociais e sempre admirava os amigos deles. Um era médico. O outro advogado. Outro era Juiz.

Tinha o industrial e o engenheiro. Mas tinha uma categoria que me deixava curioso: o Empresário. O termo “empresário”, para mim, sempre teve uma conotação positiva. Nunca foi substantivo, sempre foi adjetivo. Dava a entender que a pessoa era séria, tinha responsabilidades, fazia acontecer. Eu nunca entendi o que seria exatamente um empresário, mas em minha cabeça de garoto a definição acabou sendo simples:

– Ele tem uma firma.

Uma firma! Empresário era o “dono da firma”. E assim cresci, sonhando em um dia ser um empresário, ter a minha firma. A vida acabou me levando para outros caminhos e construí minha carreira como executivo de uma multinacional. Só virei empresário muito tempo depois.

Em-pre-sário! A definição de empresário é: “Indivíduo que estabelece seu próprio negócio, assumindo os riscos e tendo como objetivo a obtenção de lucros”. No Código Civil encontramos a definição no artigo 966: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.”

Portanto, a princípio qualquer um pode ser empresário. O negócio pode ser uma lanchonete. Uma casa de tolerância. Um templo. Uma lavanderia. Um serviço de acompanhantes. Uma boca de fumo. Qualquer negócio dá ao dono o rótulo de “empresário”.

 

O patrão nosso de cada dia 

Eu quero o amor
Da flor de cactus
Ela não quis

Eu dei-lhe a flor
De minha vida
Vivo agitado

Eu já não sei se sei
De tudo ou quase tudo
Eu só sei de mim
De nós
De todo o mundo

Eu vivo preso
A sua senha
Sou enganado

Eu solto o ar
No fim do dia
Perdi a vida

Eu já não sei se sei
De nada ou quase nada

Eu só sei de mim
Só sei de mim
Só sei de mim

Patrão nosso
De cada dia
Dia após dia

Hummm….quem é que não lembra do O PATRÃO NOSSO DE CADA DIA, DE João Ricardo, gravada em 1973 pelo Secos e Molhados? Essa canção, em plena época da censura, fazia um paralelo da prece Pai Nosso com a relação entre o empregado e o patrão… Que delícia

Pois então… Com o tempo fui observando esses empresários e ali pelos anos oitenta reparei que outro termo ganhou força: o empreendedor.

O termo empreendedor nasceu na França, por volta dos séculos 17 e 18, como entrepreneur, designando pessoas ousadas que estimulavam o processo econômico ao criar novas formas de agir.

O termo empreendedor ficou conhecido nos anos 1950 quando foi utilizado pelo economista Joseph Schumpeter para definir uma pessoa criativa, capaz de fazer sucesso com inovações. Schumpeter acreditava que era impossível compreender a economia sem a visão da sociologia, e foi um dos primeiros a acreditar que eram as inovações as molas mestras para o crescimento econômico. Daí a definição do empreendedor como um sujeito inovador.

Essa delícia de choro que você ouve ao fundo no podcast, é HARMONIA SELVAGEM, de Dante Santoro com o grupo QUEBRANDO GALHO, lá de Tatuí.E que nem em Baurur, a turma é dona de firma.

No final da década de 1960 e início de 1970, Kenneth E. Knight e Peter Drucker introduziram o conceito de risco na definição: empreendedor é uma pessoa que arrisca em algum negócio. Robert Hirsch, em seu livro “Empreendedorismo”, define assim o empreendedorismo: processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal. Veja que interessante: a satisfação econômica é resultado de um objetivo alcançado (um novo produto ou empresa, por exemplo) e não um fim em si mesma.

“Empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões.”, definiu Louis Jacques Filion em 1991.  “O empreendedor é alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade.” define Fernando Dolabela em seu livro O Segredo de Luiza…

 

Até parece que foi sonho meu 

Menina, você não sabe
Do jeito que estou agora
Só vejo tristeza em tudo
Porque você foi embora
Até parece que foi sonho meu
Até parece que foi sonho meu
Sonho meu, sonho meu

Amigo, não leve a sério
Você não é o primeiro
Eu sei bem o que te digo
Pois aconteceu comigo
Até parece que foi sonho meu
Até parece que foi sonho meu

Tenho medo de acordar
E despertar
De um sonho que guardo
Até o fim pra mim
Menina
Eu quero te amar, te amar
Menina
Eu preciso te amar, te amar
Não posso viver
De sonhar, sonhar
Não, não, não
De sonhar, de sonhar

Até parece que foi sonho meu
Até parece que foi sonho meu

Hummm… você ouve, no podcast,  ATÉ PARECE QUE FOI SONHO MEU, de Fabio,Paulo Sergio Valle e Diogo. Essa música tem uma história legal: o Fabio – um paraguaio que fez sucesso no Brasil nos anos 70 – estava em baixa e seu amigo Tim Maia resolveu dar uma mãozinha. Tim decidiu acompanhar a gravação e não estava muito disposto a cantar, mas não agüentou…soltou o vozeirão. E só deu Tim Maia na música, que foi um estouro…  Aliás, Lalá, bota de novo o momento em que o Tim entra…Que saudades do Tim…. faz uma falta….

Pois então, o Fernando Dolabela praticamente mata o assunto EMPRENDEDOR no livro O SEGREDO DE LUIZA.  

Ao fundo você ouvirá SONHANDO, de Chiquinha Gonzaga

O termo empreendedorismo é uma livre tradução que se faz da palavra entrepreneurship, que contém as idéias de iniciativa e inovação. É um termo que implica numa forma de ser, uma concepção de mundo, uma forma de se relacionar. O empreendedor é um insatisfeito que transforma seu inconformismo em descobertas e propostas positivas para si mesmo e para os outros. É alguém que prefere seguir caminhos não percorridos, que define a partir do indefinido, acredita que seus atos podem gerar conseqüências.

Em suma, alguém que acredita que pode alterar o mundo. É protagonista e autor de si mesmo e, principalmente, da comunidade em que vive. Abrir empresas, ou o empreendedorismo empresarial é uma das infindáveis formas de empreender. Podem ser empreendedores também o pesquisador, o funcionário público, o empregado de empresas. Podem e devem ser empreendedores os políticos e governantes. As ONGs e o terceiro setor estão repletos de empreendedores. É empreendedor o artista, o escritor, o poeta que publica os seus versos, porque é necessário compartilhar o resultado de seu trabalho. Os empreendedores podem ser voluntários – que tem motivação para empreender – ou involuntários – que são forçados a empreender, como é o caso de desempregados, imigrantes e outros.

Pois então, revendo todos esses conceitos, conclui-se que o empreendedor é definido pela forma de ser, e não pela maneira de fazer. O empreendedor é alguém que está em aprendizado constante, que mantém as antenas ligadas, correndo atrás de um conhecimento que é volátil, mutante, emocional. O empreendedor sabe que não é difícil dominar conteúdos, mas que precisa aprender a olhar o mundo de forma diferente e agir em relação a ele com comportamentos diferentes da maioria das pessoas. Para um empreendedor, ser é mais importante que saber.

 

Pavão mysterioso 

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar…

Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar…

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar…

Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não…

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar…

Uia! PAVÃO MYSTERIOSO, do Ednardo. Lembra dessa? Essa música foi um grande sucesso quando serviu como tema de abertura para a novela Saramandaia da Globo em 1977. E por um bom tempo tentei entender do que se tratava o tal Pavão Mysterioso. Até que dei uma de empreendedor e fui atrás da explicação, que achei no site CORDEL ON LINE…

“O Pavão Misterioso”, é um folheto de cordel da autoria de José Camelo de Melo Rezende em 1923. Conta a história da Condessa Creuza, a moça mais bonita da Grécia, conservada pelo pai trancada desde a infância no mais alto quarto de um sobrado. Uma vez no ano, a moça aparece por uma hora ao povo, que vem de longe, só para contemplar-lhe a beleza. Um retrato dela chega até a Turquia, onde mora Evangelista, que se apaixona pela jovem. Dirigindo-se à Grécia, ele encomenda a um engenheiro um mecanismo alado – o Pavão Misterioso do título – a bordo do qual consegue chegar até o quarto da moça, raptando-a, depois de vários perigos e dificuldades. O pavão do título não é nada mais do que um helicóptero, que pousa e decola verticalmente.

Viu só? E você passou a vida inteira tentando entender que catzo o Ednardo quis dizer com o Pavão Mysterioso…

Vamos então ao resumo? O que faz uma pessoa empreendedora é o ambiente em que ela vive. O empreendedor é um inovador. Alguém que tem um sonho e que trabalha para transformá-lo em realidade. Você conhece alguém assim?

Muito bem. Se você está cansado de ser o trabalhador brasileiro que trabalha igual a burro e não ganha dinheiro, talvez seja uma boa idéia virar um empreendedor. Mas pra isso, tem que se preparar.

Comece lendo um livro. O Segredo de Luiza, por exemplo, de Fernando Dolabela, editado pela Editora de cultura. E procure ajuda de quem sabe. Faça um curso Empretec do SEBRAE, por exemplo. Acesse www.sebrae.com.br. Dê uma olhada no Portal do empreendedor, www.portaldoempreendedor.gov.br. Dê uma passeada pelo portal da Endeavor e assista os vídeos de sua videoteca no www.endeavor.org.br.

Lembre-se. Ser um empreendedor é uma questão de atitude, mas aprender, fica complicado…

E aí, seu louco? Resolveu que quer sem empresário? Quer ter sua própria firma? Então lembre-se: ser é mais importante que saber. Ser empreendedor é antes de tudo uma questão de atitude.

 

Trabalhador 

Está na luta, no corre-corre, no dia-a-dia
Marmita é fria mas se precisa ir trabalhar
Essa rotina em toda firma começa às sete da manhã
Patrão reclama e manda embora quem atrasar
Trabalhador
Trabalhador brasileiro
Dentista, frentista, polícia, bombeiro
Trabalhador brasileiro
Tem gari por aí que é formado engenheiro
Trabalhador brasileiro
E sem dinheiro vai dar um jeito
Vai pro serviço
É compromisso, vai ter problema se ele faltar
Salário é pouco não dá pra nada
Desempregado também não dá
E desse jeito a vida segue sem melhorar
Garçom, garçonete, jurista, pedreiro
Trabalha igual burro e não ganha dinheiro
Trabalhador brasileiro

E é assim, ao som de TRABALHADOR, com o balanço maravilhoso do Seu Jorge que nosso Café Brasil que tentou definir o que é um empreendedor vai saindo de mansinho.

Com o empreendedor Lalá Moreira na técnica, a empresária Ciça Camargo na produção e eu, o dono da firma Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco Secos E Molhados, Chiquinha Gonzaga, o Grupo Quebrando o Galho, Fábio com Tim Maia, Ednardo e o Seu Jorge. Que tal?

Gostou? Quer mais? Junte-se aos empreendedores culturais no www.portalcafébrasil.com.br.

E para terminar, uma frase deliciosa de John Calvin Coolidge Jr, 30º. Presidente dos Estados Unidos:

Quem só confia na sorte tem que se contentar com o resultado dela.

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