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Luciano Pires -
Gratuito!
24,1 MB

Bom dia, boa tarde, boa noite. Ai, ai meu Deus. O que foi que aconteceu? Com a Música Poupular Brasileira? Hoje o assunto é música. MPB. Mas o que será que é MPB hein? Vamos falar um pouquinho a respeito, tá bem? Pra começar uma frase de Tom Jobim que resume a história:

 

Eu vou morrer um dia. A música vai ficar…

 

[tec] melo do pocoto [/tec]

 

Assisti ao DVD do Chico Buarque, chamado AS CIDADES. Entrei naquela de “deixa ver só o comecinho” e não consegui parar…assisti duas vezes. Chico e Bethânia com “Olhos nos Olhos”… Chico na Mangueira, com a velha guarda…A cozinheira cantando o samba enredo do ano em que o Chico foi o destaque…e os créditos aparecendo com Chico cantando a Valsinha… Sabe quando a gente gruda um sorriso na cara e ele parece permanente? A gente desencosta da cadeira e projeta o corpo pra frente tentando entrar na tela? Pois é…

 

[tec] olhos nos olhos [/tec]

 

E então recebo um mail da Rose Max, cantora brasileira que vive em Miami, comentando o meu artigo da Egüinha Pocotó.“Conheci um cantor-compositor cubano-americano chamado Willie Chirino. Ele é super talentoso,popular e muito amado e respeitado pelo público hispano de toda a América Latina. Willie Chirino tem uma netinha de 5 anos. Adivinhe qual é o nome dela? ELIS REGINA… SENTIU? Um dos maiores representantes da contemporânea música cubana no exílio tem uma verdadeira paixão e merecido respeito pela nossa Elis.” É, cara amiga Rose, levamos meio século para construir essa imagem que ocupa a cabeça desses fãs da música brasileira. Fôssemos verdadeiramente profissionais, a teríamos transformado naquilo que o Jazz, o Reggae, o Rock se tornaram: músicas universais, gerando bilhões de dólares anuais e conquistando amantes em massa por todo o mundo. Amadores, nos contentamos em criar Pocotós. E nos achamos o máximo…

 

[tec] olhos nos olhos [/tec]

 

Hummm e agora é com a Nana Caymmi, que tal??

 

Vamos levar algum tempo para conseguir que o Brasil respeite os brasileiros ilustres que são admirados mundo afora. Somos mesquinhos, estamos conectados na picuinha, na fofoca. Chico Buarque voltou a brilhar quando foi fotografado com uma mulher casada na praia. Deu mais espaço na mídia que seu último show…

 

Pois prepare o seu coração. Os filhos do Pocotó logo logo vão aparecer em horário nobre.

 

[tec] sobe nana  [/tec]

 

E sobre essa questão da MPB, que tal a palavra de um especialista? Ruy Castro, que escreveu na Folha de São Paulo um artigo interessante sobre o termo MPB. Ao fundo você vai ouvir A NOVIDADE, de Gilberto Gil que está no cd A MÚSICA DE GILBERTO GIL no cd da série jazz Café Brasil. Essa versão é quase um reggae. E tem tudo a ver com o texto do Ruy Castro…

 

[tec] a novidade [/tec]

 

Outro dia, numa reunião do Museu da Imagem e do Som, aqui no Rio, alguém sugeriu que o MIS, já pioneiro dos museus do gênero no Brasil, banisse de seus documentos e discussões a sigla “MPB”. E, até pedagogicamente, voltasse a usar as palavras certas: música popular brasileira.

Ué, dirá você, não é a mesma coisa? “MPB” não é apenas uma abreviatura de “música popular brasileira”? Antes cêsse, mas não ésse. Quando foi criada, por volta de 1965 ou 1966, significava um tipo de música então emergente, que não se sabia bem o que era – mas já não era bossa nova, não queria mais ser o samba e, muito menos, iê-iê-iê.

 

[tec] sobe [/tec]

 

Seu primeiro produto, ainda sem o rótulo, pode ter sido “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Logo vieram “Lunik 9”, de Gilberto Gil, “Upa, neguinho”, de Edu e Guarnieri, “Roda Viva”, de Chico Buarque, e outras que, com um certo “conteúdo” em comum, também não se encaixavam em nenhum gênero familiar. Donde só podiam ser “MPB”.

Quando a “MPB” minguou, dois ou três anos depois, a sigla sobreviveu e começou a ser aplicada -até hoje- a toda música produzida no Brasil, do padre José Mauricio ao padre Marcelo e de Chiquinha Gonzaga ao É o Tchan. Com isso, deseducaram-se várias gerações quanto à memória da nossa diversidade rítmica, até então classificada por sambas (em suas mil variações), marchas, choros, baiões, frevos, valsas, foxes, baladas, cocos etc. Virou tudo “MPB”.

[tec] sobe [/tec]

 

Mas não para sempre, espero. Se o exemplo do MIS vingar, vamos passar a chamar “Garota de Ipanema” de samba, “Alegria, Alegria”, de marchinha, “Domingo no Parque”, de baião, “Travessia”, de toada, “Caminhando”, de guarânia, “Mania de Você”, de rumba, “Beatriz”, de valsa, ou “Como uma Onda”, de bolero. Que, muito mais que “MPB”, é o que eles são.

 

[tec] vinheta [/tec]

 

É… o Ruy Castro levanta uma bela lebre… Pois bem… em minha palestra Brasileiros Pocotó falo de MPB para tratar de como o brasileiro falava de amor ao longo das décadas… Quer ver só?

 

[tec] tão longe de mim distante [/tec]

 

Na década de 1910, ele de terno, colete e cravo na lapela, embaixo da janela dela, canta:

 

[tec] tão longe de mim distante de carlos gomes [/tec]

 

Olha só… Você ouve QUEM SABE, que nosso grande maestro Carlos Gomes compôs em 1861 para sua namorada Ambrosina, sobre uma poesia de Bittencourt Sampaio. Aqui na intepretação de Renato Motha e Patricia Lobato. Quanta poesia para falar de amor, não é mesmo? É.. era assim que nossos bisavós falavam de amor no começo do século passado: com poesia.

 

E na década de 1920, hein? Ele de terno branco e chapéu de palha, embaixo do sobrado em que ela mora, canta:

 

[tec] malandrinha – de freire junior [/tec]

 

Olha só… Você ouve MALANDRINHA, de Freire Júnio, na voz de Orlando Silva… ” és malandrinha, não precisas trabalhar.” Viu só? Linda imagem de mulher que me seduz… isso é pura poesia. Amor e poesia andando juntos…

 

Na década de 30, ele de terno cinza e chapéu panamá, em frente à vila onde ela mora, canta:

 

[tec] rosa – de Pixinguinha e otavio de souza [/tec]

 

Que tal? Essa é ROSA, de Pixinguinha, também com Orlando Silva, um sucesso brutal  dos anos trinta… “mais ativo olor…”! Ele podia ter dito “odor” mas aí ia parecer que era cheiro ruim, né? Amor e poesia, andando juntos….

 

Na década de quarenta ele ajeitava seu relógio Pateck Philip na algibeira, escrevia para a Rádio Nacional e mandava oferecer a ela uma linda canção:

 

[tec] a deusa da minha rua [/tec]

 

Viu só? Nelson Gonçalves cantando a Deusa da minha rua, de Newton Teixeira e Jorge Faraj … dizendo que ela tem os olhos onde a lua costuma se embriagar… Nos anos quarenta o brasileiro falava de amor com poesia…

 

Na década de 50, ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma bela bossa:

 

[tec] garota de ipanema [/tec]

 

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça? GAROTA DE IPANEMA,de Tom e Vinicius, um clássico mundial… Aqui é João Gilberto, claro… Amor… Poesia… andando juntos por Ipanema…

 

Na década de sessenta ele aparecia na casa dela com um compacto simples embaixo do braço, ajeitava a calça Lee e colocava na vitrola uma música papo firme:

 

[tec] como é grande o meu amor por você [/tec]

 

Olha só…. Como é grande o meu amor por você, de Roberto e Erasmo Carlos… Você lembra disso? Claro que lembra…e  se bobear, você pode ter sido concebido ao som dessa melodia, né? Mas era assim: amor e poesia andavam juntos…

 

Na década de setenta ele chegava em seu fusca, com tala larga, sacodia o cabelão, abria a porta pra mina entrar e botava uma melô jóia no toca-fitas:

 

[tec] canteiros [/tec]

 

Hummm.. Canteiros, com Raimundo Fagner. A letra é uma poesia de Cecília Meirelles.. Ta vendo só? Em plenos anos setenta, amor e poesia andando juntos!

 

Na década de oitenta, já é comecinho de noite…depois que ela voltava do trabalho…ele telefonava e entre um carinho e outro, deixava rolar um som:

 

[tec] todo azul do mar [/tec]

 

Que gostoso né? Você está ouvindo o 14 Bis com a inesquecível TODO AZUL DO MAR, de Ronaldo Bastos e Flávio Venturini. Muita poesia para falar de amor…

 

Na década de noventa ele ligava pra ela, num horário meio maluco, e deixava gravada uma música na secretária eletrônica, dizendo assim:

 

[tec] bem que se quis [/tec]

 

Olha só… BEM QUE SE QUIS, com Marisa Monte. A música é de Pino Daniele e a versão é de Nelson Motta. Foi assim que os brasileiros viraram o milênio. Falando de amor com poesia….

 

[tec] bonde do tigrão [/tec]

 

E então entramos no novo milênio. Em 2001 ele captura na internet um batidão legal e manda pra ela, por e-mail:

 

[tec] bonde do tigrão [/tec]

 

Olha só…. Vou aparar pela rabiola! Foi assim, com CEROL NA MÃO do Bonde do Tigrão que o brasileiro entrou no novo milênio. Falar de amor com porrada. E aí cachorra? E depois veio a Eguinha Pocotó, a Festa no Apê com o bundalelê, a Mulher Melancia, o Funk da Rodelinha e nunca mais endireitamos…

 

Pois é… Uns vendedores sem escrúpulos tomaram de assalto a música popular brasileira e decidiram que temos que ouvir merdas. Sem oportunidade de escolha… Foi aí que eu resolvi fazer este programinha, sabe?

 

[tec] vinheta Café Brasil [/tec]

[tec] sonhos [/tec]

 

Hummm… Musica Popular Brasileira…. Pra mim isso é como o ar., sabe? NE-ces-sário! Como esta que você está ouvindo. SONHOS, de Pixinguinha, com Altamiro Carrilho e Carlos Poyares. Três gênios fazendo MGB – Música Genial Brasileira…

 

Olha, não sei se o nome é mesmo MPB, mas sei de uma coisa: quero música boa. E tenha uma certeza: nunca se fez tanta música boa como se faz hoje no Brasil. Seja samba, marchinha, baião, toada, guarânia, rumba, valsa, rock, bolero, frevo,  moda de viola ou o ritmo que você quiser.O problema é que 90% do que é produzido no país não toca em rádio ou televisão. Se você não sabe, uma emissora comercial de rádio toca por ano pouco mais de 250 músicas. Duzentas e cinqüenta é o número. Um número ridículo! Mas que serve para viabilizar a ditadura do comércio diante da arte.

 

A fórmula todo mundo conhece: você liga na rádio e ouve a música., Troca de rádio e a música está lá outra vez. E mais uma vez… Até parece que é por acaso, né? Toca todo dia, toda hora… e vira sucesso. Sabe como é esse acaso? Com algo em torno de 70 mil dólares um empresário consegue fazer com que as quinze principais rádios do Brasil toquem uma música repetidamente durante um perído. E então outras três mil rádios copiam o que as grandes estão tocando. E pronto. Está feito o sucesso!

 

[tec] vinheta do irineu [/tec]

[tec ] intro [/tec]

 

Pois é… eu queria uma música especial pra encerrar este programa e não teve jeito… Vou repetir uma que toquei tempos atrás: Julinho Marassi e Gutemberg com AOS MEUS HERÓIS. Nem precisa comentar…

E é assim, que o Café Brasil musical de hoje vai saindo de mansinho….

 

Com Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo cantarolando ali do lado. E eu, Luciano Pires, na direção e apresentação…

 

Olha só o tamanho da festa de hoje!!!! Maria Bethania, Nana Caymmi, Gilberto Gil., Renato Motha e Patrícia Lobato, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Tom Jobim, Robnertto Carlos, Fagner, 14 Bis, Marisa Monte, Pixinguinha, Julinho Marasi e Gutemberg. Ah, e o Bonde do Tigrão!

 

Gostou? Quer mais? Acesse WWW.lucianopires.com.br e vem pro time de quem quer despocotizar…

 

Pra terminar uma frase de Miguel de Cervantes que é definitiva. Mas tem que lembrar que quando ele disse isso ainda não existia o jabá…

 

Onde há música não pode haver maldade.