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264 – Democracia e censura

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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite. De tempos em tempos, especialmente quando a imprensa começa a incomodar os detentores do poder, surgem tentativas de criar controles. E toda vez essas propostas aparecem embaladas como uma atitude nobre para tornar o mundo um lugar melhor. Mas no fundo, tratando sempre de censura.

É esse o tema do programa de hoje, que começa com uma frase que eu encontrei solta na internet e adaptei:

A única forma válida de censura de ideias é o direito que as pessoas têm de não dar a menor bola pra elas…

E o exemplar de meu livro Nóis…qui invertemo as coisa vai para… o Tiago Soares, que comentou o programa O CORRETO POLITICAMENTE INCORRETO assim:

Olá Luciano! Assim como você indicou, não creio haver qualquer resposta fácil para o que se classifica como humor ou como ofensa. Mas certamente essa é uma definição que nunca será clara enquanto os parâmetros do próprio comportamento e aceitação da sociedade também não o forem.

Como dito no programa, não há nenhuma mudança real quando se altera o que pode ou não ser dito, mas sim somente quando alteramos nossas atitudes. O humor não é meramente uma forma de diversão, mas também um veículo de crítica à sociedade. E se por um lado alguns entendem “crítica” como “ofender”, por outro, muitas pessoas simplesmente não querem ser lembradas de seus próprios defeitos. Um grande abraço!”

Bom, vamos começar com uma porrada? Ouça o que vem aqui…

[youtube]Od_4eaH3J7A[/youtube]

Caetano Veloso: “Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?

Vocês têm coragem de aplaudir este ano uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado; são a mesma juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem!

Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa! Eu hoje vim dizer aqui que quem teve coragem de assumir a estrutura do festival, não com o medo que sr. Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender.

Mas que juventude é essa, que juventude é essa?

Vocês jamais conterão ninguém! Vocês são iguais sabe a quem? São iguais sabe a quem? – tem som no microfone? – Àqueles que foram ao Roda Viva e espancaram os atores. Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada! E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido em dar esse “viva” aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira.

O Maranhão apresentou esse ano uma música com arranjo de charleston, sabem o que foi? Foi a “Gabriela” do ano passado que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar, por ser americana. Mas eu e Gil abrimos o caminho, o que é que vocês querem? Eu vim aqui pra acabar com isso. Eu quero dizer ao júri: me desclassifique! Eu não tenho nada a ver com isso! Nada a ver com isso! Gilberto Gil! Gilberto Gil está comigo pra acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com isso tudo de uma vez! Nós só entramos em festival pra isso, não é Gil? Não fingimos que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos a coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? E vocês?

Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com Gil! Junto com ele, tá entendendo?

O júri é muito simpático mas é incompetente.

Nada melhor para abrir este programa do que usar o desabafo de Caetano Veloso, ao som dos Mutantes, em 1968, durante a fase nacional do III Festival Internacional da Canção, exibido pela Rede Globo. Um momento histórico de resistência de uma minoria à maioria…

Deus está solto!

[Aqui, Caetano canta trecho de “É proibido Proibir”]

Fora do tom, sem melodia.

Como é juri? Não aceitaram?

Desqualificaram a melodia de Gilberto Gil e ficaram por fora! Juro que o Gil fundiu a cuca de vocês.

Chega!”

Pássaro

Um tocador de violão
Não pode cantar prosseguir
Qando lhe acusam de estar mentindo
Quer virar pássaro e voar no ar no ar
Quer virar pássaro e sumir ir
Quer virar pássaro e sumir!

Ah, que delícia… Esse é Gutemberg Guarabyra, com uma daquelas músicas que foi proibida naqueles anos… PÁSSARO, dele e Luiz Carlos Sá, uma das coisas mais lindas que já ouvi na MPB…

A maioria das pessoas que conheço sempre defendeu a democracia. Pelo menos em público. É certo que muitos, quando recolhidos à sua intimidade, clamam por mais uns cassetetes na praça para botar ordem no país, mas raramente tem coragem de defender isso abertamente.

Defender a democracia é de bom tom, é “do bem”, afinal esse é o regime que estabelece que todos os homens são iguais perante a lei, não é? Quem pode ser contra isso?

Mas muita gente acha que nem todos os homens são iguais perante a lei, especialmente se forem os fracos e oprimidos. E em nome da defesa desses fracos e oprimidos começamos a assistir a uns movimentos que buscam atacar certos valores fundamentais da democracia. A liberdade de expressão por exemplo.

Veja só, uma coisa que precisa ficar clara já, para que tenhamos uma percepção correta do que tratarei neste programa. O princípio democrático é o seguinte: todos os homens são iguais perante a lei. E para garantir esse princípio, criamos aquilo que chamamos de Justiça.

É a justiça que assegura que o fraco e oprimido não será punido apenas por ser fraco e oprimido. Mas ela também garantirá que o fraco e oprimido não será poupado de seus crimes porque fraco e oprimido, entendeu? E o conceito vale também na contrapartida: o forte e poderoso não será protegido e também não será punido por ser forte e poderoso, sacou? Fracos e oprimidos, fortes e poderosos são iguais perante a lei. Esse é um princípio inclusive constitucional, que deve ser indiscutível e inegociável.

Um pobre coitado que rouba deve ter o mesmo tratamento que um rico privilegiado que rouba. Por isso dizemos que a Justiça é cega. No entanto é verdade que quanto mais poderoso o sujeito, mais chance ele tem de driblar a justiça, pois terá dinheiro para contratar advogados habilidosos para encontrar brechas na lei, manipular os processos, pressionar ou corromper as autoridades se necessário.

Mas preste atenção agora: isso não tem a ver com o conceito de justiça ou de democracia. Tem a ver com processos.

Vou repetir de forma mais clara: os poderosos escapam das garras da justiça não porque o conceito de justiça da democracia está errado, mas porquê tem recursos para manipular os processos.

É no processo – e não no conceito – que está o problema. Enquanto estão no papel, as leis bem escritas são perfeitas. Mas para serem aplicadas precisam de pessoas, de seres humanos.
Albert Einstein disse uma vez que são três as forças que movem o mundo: o medo, a cobiça e a estupidez.

E é aí que a porta torce o rabo… Quem tem poder sabe como trabalhar o medo, a cobiça e a estupidez dos responsáveis pela aplicação das leis.

Podres poderes

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais…
Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais…
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos…
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval…
Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau…
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais…
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais…
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais…
Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos…
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais…
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais…
Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo…
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!

Hummm… Maria Gadú, que tal? Com o clássico PODRES PODERES de Caetano Veloso… Não precisa falar nada, né?

Algumas pessoas acham que a democracia tem seu valor por assegurar que a vontade da maioria prevaleça. É verdade. Mas existe um segundo aspecto que, ao menos para mim, é ainda mais importante: a democracia assegura que a minoria possa dar sua opinião livremente, inclusive contra a vontade da maioria, sem ter a cabeça decepada.

A liberdade para poder dizer “não” é o que verdadeiramente define uma democracia. Tente dizer “não” para Fidel Castro, Ahmadinejad, Mao, Stalin, Adolf Hitler e outros… Percebeu? Hitler subiu ao poder e sustentou-se por vontade da maioria, mas pode-se dizer que aquela Alemanha era uma democracia?

Então deixando claro: o que distingue uma democracia de uma ditadura é a liberdade dos que discordam dela poderem dizer “não”.

Agora note bem: a liberdade de poder dar sua opinião independe do conteúdo de sua opinião. Numa democracia você pode dizer o que quiser, mas se você decidir defender, por exemplo, uma tese comprovadamente racista, transformando sua opinião numa ofensa ou discriminação, terá que se ver com a lei. Sacou? Liberdade para dizer o que quiser, desde que assuma as conseqüências.

Alguém cantando

Alguém cantando longe daqui
Alguém cantando longe, longe
Alguém cantando muito
Alguém cantando bem
Alguém cantando é bom de se ouvir
Alguém cantando alguma canção
A voz de alguém nessa imensidão
A voz de alguém que canta
A voz de um certo alguém
Que canta como que pra ninguém
A voz de alguém quando vem do coração
De quem mantém toda a pureza
Da natureza
Onde não há pecado nem perdão

Você ouviu ALGUÉM CANTANDO, de Caetano Veloso, com o Boca Livre. Deixa eu tomar um ar aqui…

Resumo: o que define uma democracia é sua liberdade de dizer o que você quiser, quando quiser e como quiser. Mas essa liberdade não deve dar a ninguém a impunidade para agir contra e lei, contra a moral, contra aquilo que chamamos de “bons costumes”.

Pra continuar no raciocínio eu vou chamar agora SOPAPO, com João Donato e Paulo Moura, aliás, as música é dos dois. Dois grandes mestres…

Aceitar que alguém exponha uma opinião contrária à sua, por mais absurda que você julgue a opinião, é regra da democracia. Quando você não aceita que pessoa exponha a opinião, você não é um democrata. Entenda bem, não é que você deva CONCORDAR com a opinião e sim ACEITAR que ela possa ser exposta. Conviver com quem pensa diferente é o grande teste para um democrata, mas isso é difícil, sabe?

A gente se irrita e rapidamente começa a arquitetar formas de se livrar do pentelho que nos enche o saco. E esse conceito de “se livrar” é muito abrangente… Vai de um fingir que concorda só para ele parar de encher o saco até um “deletar”, que pode ser virtual ou real…

Só que partir para exterminar o adversário não pode ser feito assim, na cara dura. Isso é contra a democracia, contra a liberdade. E dizer-se contra elas é feio, não é? É então que começam a surgir os truques…

Um dos truques é usar conceitos da democracia para atacar a própria democracia. Conceitos que “desligam o disjuntor”, sabe? Por exemplo “direitos humanos”. Quem pode dizer que é contra os direitos humanos?

Por exemplo, os planos que estão sendo desenhados para aquilo que já foi chamado de “Controle Social da Mídia” e agora é “Democratização da Imprensa”, partem da intenção de “regulamentação”: vamos desconcentrar a propriedade da mídia, para evitar que grupos econômicos poderosos controlem a informação (e o poder), vamos impedir que concessões sejam dadas a políticos vamos disseminar uma rede pública de rádio e televisão e de veículos comunitários para fazer com que os veículos sejam responsáveis pelo que publicam e divulgam!

Quem pode ser contra isso? Além disso, vários países democráticos já tem um controle assim…

Pois é aí que vem o perigo… Quem será o juiz? Quem vai definir o que caracteriza esse desrespeito aos direitos humanos? O mesmo juiz ou autoridade que define que invadir propriedade privada não é crime? Que trata caixa dois como recursos não contabilizados? Que diz que “classe média” é quem ganha mais de mil e seiscentos reais por mês? Percebeu a armadilha? Você vai, na maior das boas intenções, entusiasticamente defender os direitos humanos, a biodiversidade, o direito dos carentes, dos desvalidos… E assim cai na armadilha da censura. Quando perceber, terá sido tarde demais…

Larry Flynt é um editor estadunidense, criador da revista Hustler, uma revista masculina que desde que nasceu, no início dos anos 70, tornou-se célebre pelos excessos na linguagem pornográfica, impertinente, mal educada, uma agressão à moral e aos bons costumes da sociedade nos Estados Unidos.

Essa revista rendeu a Larry Flynt muita dor de cabeça com perseguições pelos cidadãos que se julgaram ultrajados e até mesmopela justiça. Até um atentado ele sofreu em 1978, que o deixou paraplégico.

No filme O Povo Contra Larry Flynt) o ator Edward Norton faz o papel do advogado de defesa e reproduz em vários de seus discursos a íntegra das defesas apresentadas pelo advogado de Flynt, Alan L. Isaacman, em julgamentos ao longo dos anos. É certo que o tema aqui é comportamento, mas a argumentação desses trechos cai como uma luva neste programa.

[youtube]RRFy6Y9e6dE[/youtube]

Disse assim o advogado de Larry Flynt:

“Estamos discutindo uma questão de gosto, não de Lei. E é inútil discutir gosto – muito menos nos tribunais. (…) Na verdade, tudo o que esta discussão faz é permitir a punição de discursos impopulares (…) – e estes são vitais para a saúde da nação.

Não estou tentando convencê-los de que deveriam gostar do que Larry Flynt faz. Eu não gosto do que ele faz. Mas o que eu gosto é de viver num país onde você e eu podemos tomar esta decisão por nós mesmos.

Eu gosto de viver num país no qual eu possa pegar a revista Hustler, lê-la se quiser ou atirá-la no lixo se acho que é ali é seu lugar. Ou não comprá-la. Gosto de ter esse direito, me importo com ele. E vocês deveriam se importar com ele também, porque vivemos num país livre.

Dizemos muito isso, mas às vezes nos esquecemos do que significa. Vivemos num país livre. Esta é uma idéia poderosa, é um jeito maravilhoso de se viver. Mas há um preço para esta liberdade, que é, às vezes, ter que tolerar coisas das quais não gostamos necessariamente.

Então vocês devem pensar se querem tomar esta decisão por todos nós. Se começarmos a cercar com paredes aquilo que alguns de nós julgam como sendo obsceno, acordaremos um dia e perceberemos que surgiram paredes em lugares que jamais esperaríamos que surgissem. E aí não poderemos ver ou fazer nada. E isto não é liberdade”.

E então? Vamos ao resumo?

O que define a democracia não é a prevalência da vontade da maioria, mas a liberdade de poder dizer “não” das minorias.

Saber conviver com quem pensa diferente da gente é nosso desafio. Quem não sabe tenta eliminar aquele pensa diferente. Mas como isso é “feio”, tenta usar os conceitos da própria democracia para atacá-la. E quem não está preparado para compreender as armadilhas acaba dando suporte a teses totalitárias. E quando percebe, o bonde passou…

Quer saber minha opinião? Eu acho que o que a imprensa precisa é um conselho de auto-regulamentação, nos moldes do CONAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, sem as mãos peludas do governo.

Mas isso é assunto pra outro programa. Por enquanto volto ao advogado de Larry Flynt:

“Se começarmos a cercar com paredes aquilo que alguns de nós julgam como sendo obsceno, acordaremos um dia e perceberemos que surgiram paredes em lugares que jamais esperaríamos que surgissem. E aí não poderemos ver ou fazer nada. E isto não é liberdade.”

É proibido proibir

A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta
Há o porteiro, sim…
E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…
Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim…
(falado)
Cai no areal na hora adversa que Deus concede aos seus
para o intervalo em que esteja a alma imersa em sonhos
que são Deus.
Que importa o areal, a morte, a desventura, se com Deus
me guardei
É o que me sonhei, que eterno dura e esse que regressarei.
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…
Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estátuas, as estantes
As vidraças, louças
Livros, sim…
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

E é assim, ao som de É PROIBIDO PROIBIR, com Caetano Veloso e os Mutantes que o Café Brasil que sabe muito bem o que é democracia e liberdade de expressão vai saindo de mansinho.

O tema é forte e eu só to começando… essa discussão vai render.

Com o democrático Lalá Moreira na técnica, a totalitária Ciça Camargo na produção e eu, este oprimido dos teclados Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco hoje, o ouvinte Tiago Soares, Caetano Veloso, Os Mutantes, Gutemberg Guarabyra, Maria Gadu, Boca Livre, João Donato e Paulo Moura.

Este é o Café Brasil, um programa que quer tratar daquilo que importa, que tem um público inteligente, antenado e formador de opinião. Como é que sua empresa ainda não está patrocinando a gente? Vem pra cá, ô: http://www.podcastcafebrasil.com.br.

E pra terminar, uma frase de M. Grundler:

“É fácil relevar a liberdade quando ela nunca foi tirada de você”

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