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Luciano Pires -

E não é que tentaram censurar Monteiro Lobato? Alguém cismou que seu livro As Caçadas de Pedrinho é racista e resolveu que deve ser proibido na escolas. Será que é possível julgar o passado com as regras do presente? Achamos que não. E é disso que este programa politicamente incorreto vai tratar. Aliás, vai incomodar muita gente que não gosta de umas piadinhas… Na trilha sonora  a Orquestra e Coro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Mauricio Pereira, Tião Carreiro, Pardinho e Sérgio Reis, Dorival Caymmi, Papo de Anjo, Jacó e Jacozinho, as Meninas de Sinhá e o Falcão detonando Pink Floyd… Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite. Putz… e não é que tentaram abolir Monteiro Lobato das escolas? Andaram dizendo que seus livros incentivam o rascismo, que horror! E por isso tentaram bani-lo. Vamos tratar desse assunto hoje.

Pra começar, uma frase de ninguém menos que o eterno trapalhão Renato Aragão:

Eu chamava o Mussum de negão. Chamavam-me de Paraíba. Hoje fico até constrangido em chamar alguém de velho ou baixinho.

E quem ganhou o brinde da semana? Foi o Cláudio Alves, que comentou o podcast Caminho das Índias, assim:

“… não me convenceu a trocar o Brasil pela Índia… Eu também poderia falar por muitas horas das coisas boas que o Brasil tem, porém, se eu quiser posso ver muitas coisas ruins no Brasil e só ficar falando sobre elas. Meu cunhado vive na Inglaterra e uma ocasião estávamos conversando sobre filmes e falei sobre o filme Cidade de Deus. Ele me disse que por causa deste filme ele teve que explicar para muita gente de lá que no Brasil não é só favela, drogas, puta, bandido, etc … essas coisas que os pocotós insistem em exportar, chega, né?”

O Claudio ganhou o CD Hinos à Paisana, do Eliezer Setton. E você? Deixe um comentário na página do podcast em www.portalcafebrasil.com.br. O próximo prêmio pode ser seu.

O mundo encantado de Monteiro Lobato 

Quando uma luz divinal
Iluminava a imaginação
De um escritor genial
Tudo era maravilha
Tudo era sedução
Quanta alegria
E fascinação
Relembro…
Aquele mundo encantado
Fantasiado de dourado
Oh! doce ilusão
Sublime relicário de criança
Que ainda guardo como herança
No meu coração

Glória a este grande sonhador
Que o mundo inteiro deslumbrou
Com suas obras imortais
Vejam quanta riqueza exuberante
Na escritura emocionante
Com seus contos triunfais
Com seus personagens fascinantes
Nas histórias tão vibrantes
Da literatura infantil
Enriquecem o cenário do brasil

E assim…
E assim
Neste cenário de real valor
Eis… o mundo encantado
Que monteiro lobato criou

Opa! O café Brasil com um samba-enredo! Você ouve O MUNDO ENCANTADO DE MONTEIRO LOBATO,de Batista da Mangueira, Darcy da Mangueira, Anésio dos Santos e Hélio Turco. Quem canta são Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Mauro Duarte, Nelson Sargento e Nescarzinho do Salgueiro. O nome do grupo é CINCO CRIOULOS, com representantes de diferentes escolas de samba. A Mangueira foi a grande Campeã do carnaval de 1967 com esse samba enredo. Cinco Crioulos… imagina se um nome desses poderia ser dado a um grupo de afrodescendentes hoje em dia…

Pois então. Quarenta e poucos anos depois, quiseram cassar Monteiro Lobato das escolas. Quer saber o que aconteceu? Olhe só a matéria publicada na Folha de São Paulo.

“Monteiro Lobato, um dos maiores autores de literatura infantil, está na mira do CNE (Conselho Nacional de Educação). Um parecer do colegiado publicado no “Diário Oficial da União” sugere que o livro “Caçadas de Pedrinho” não seja distribuído a escolas públicas, ou que isso seja feito com um alerta, sob a alegação de que é racista. Conforme o parecer do CNE, o racismo estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e de animais como o urubu e o macaco. Entre os trechos que justificariam a conclusão, o texto cita alguns em que Tia Nastácia é chamada de “negra”. Outro diz: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”. 

O parecer, aprovado por unanimidade pela Câmara de Educação Básica do CNE, foi feito a partir de denúncia de Antonio Gomes da Costa Neto, mestrando da UnB. Em entrevista à Folha de São Paulo, Antonio Gomes disse que não queria censurar Lobato. É que, segundo ele, “Os professores, no dia a dia, não têm o preparo teórico para trabalhar com esse tipo de livro. Então, não é que ele deva ser proibido. O que não é recomendado é a sua utilização dentro de escola pública ou privada.”

Tia Nastácia

Lalaralaralirara
Lalaralaralarilala
Lalaralalarilala
Lalaralalarilala

Na hora em que o sol se esconde
E o sono chega
O sinhôzinho vai procurar
Hum hum hum
A velha de colo quente
Que canta quadras e conta histórias
Para ninar
Hum hum hum

Sinhá Nastácia que conta história
Sinhá Nastácia sabe agradar
Sinhá Nastácia que quando nina
Acaba por cochilar
Sinhá Nastácia vai murmurando
Histórias para ninar

Peixe é esse meu filho
Não meu pai
Peixe é esse mutum, manganem
É toca do mato guenem, guenem
Suê filho ê
Toca aê marimbaê

Lalaralaralirara
Lalaralaralarilala
Lalaralalarilala
Lalaralalarilala

Que delícia… Dorival Caymmi no Café Brasil. Você ouviu TIA NASTÁCIA, do próprio Dorival Caymmi, com o próprio. Essa foi trilha do Sítio do Pica Pau Amarelo na Globo, sei lá, uns trinta,  quarenta anos depois…

Concordo com Albert Einstein. Ele disse que as únicas coisas que ele conhecia que eram infinitas, seriam o universo e a estupidez humana. Mas ele não tinha certeza sobre o universo…

Eu li os livros de Monteiro Lobato. Aliás, li não, saboreei cada um deles como quem comia o pudim que minha mãe ainda faz.

E o sentimento que tive por Tia Nastácia foi o mesmo do Pedrinho e da Narizinho e da Emília: eu amava aquela preta velha. Ela foi minha heroína quando amansou o Minotauro com seus bolinhos. Ela distribuía sabedoria. Ela foi uma referência.

Monteiro Lobato escreveu seus livros no começo dos anos 1930, num tempo em que havia valores diferentes dos atuais. Um fio de bigode valia mais que um contrato firmado em cartório na presença de 13 advogados. A virgindade era um valor fundamental, que definia o caráter das mulheres perante a sociedade. A tuberculose era uma doença misteriosa que dizimava populações. Caçar animais silvestres era natural, e até mesmo incentivado. Derrubar árvores para abrir pastos e incrementar o progresso era incentivado também. E Tia Nastácia era a preta velha, cozinheira, descendente direta dos escravos, humilde e subalterna, exatamente como era a referência social e moral brasileira da época, que pode até chocar nestes tempos do politicamente correto, mas que era a realidade daquele Brasil. Olha aqui, analisar o passado sob as regras do presente é uma imbecilidade.

Cara, como é que pode, censurar Monteiro Lobato hein? Acho que pra responder, só mesmo um sábio… de Sabugosa! Responde, Visconde…

 Responde Visconde

Responde Visconde, responde Visconde
se a ventania
vai voar na minha cabeleira
feito a tesoura da cabelereira

responde Visconde, responde Visconde
se a raíz quadrada
transforma a árvore num labirinto
onde trepa a molecada

responde Visconde, responde pra mim
qual é a fórmula
do pó de pirlimpimpim

responde Visconde, responde Visconde
porque é que um circo
tem tanta bagunça e tanta brincadeira
que embanana o mico

responde Visconde, responde Visconde
se o arco-íris
vai colorir com suas 7 cores
o caminho que seguires

responde Visconde, responde pra mim
qual é a fórmula
do pó de pirlimpimpim

responde Visconde, responde Visconde
responde pra a gente
como é que uma simples espiga de milho
pode ser tão inteligente?

Que ótimo…você está ouvindo, no podcast, o sempre inovador Mauricio Pereira, outro sócio do Café Brasil, aqui com seu RESPONDE VISCONDE.

Essa história da censura a Monteiro Lobato é tão idiota que só pode ser tratada com humor.

Por isso usarei um texto de Luiz Antônio Simas, que é mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio. O texto do Luiz Simas chama-se O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA…

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.

Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora foi comovente: a briga entre o cravo – o homem – e a rosa – a mulher – estimula a violência entre os casais. Na nova letra “o cravo encontrou a rosa/ debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada”.

Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?

O cravo brigou com a rosa

O cravo brigou com a rosa,
Debaixo de uma sacada,
O cravo saiu ferido,
E a rosa despedaçada

O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar,
O cravo teve um desmaio,
E a rosa pô-se a chorar.
O cravo brigou com a rosa,
Debaixo de uma sacada,
O cravo saiu ferido,
E a rosa despedaçada

O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar,
O cravo teve um desmaio,
E a rosa pô-se a chorar.
O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar,
O cravo teve um desmaio,
E a rosa pô-se a chorar.
O cravo brigou com a rosa,
Debaixo de uma sacada,
O cravo saiu ferido,
E a rosa despedaçada

O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar,
O cravo teve um desmaio,
E a rosa pô-se a chorar.

É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era como você vai ouvir na interpretação das Meninas de Sinhá, lá de Belo Horizonte.

Samba lelê

Samba Lelê está doente
Está com a cabeça quebrada
Samba Lelê precisava
De umas dezoito lambadas

Samba , samba, Samba ô Lelê
Pisa na barra da saia ô Lalá (BIS)

Ó Morena bonita,
Como é que se namora ?
Põe o lencinho no bolso
Deixa a pontinha de fora

Ó Morena bonita
Como é que se casa
Põe o véu na cabeça
Depois dá o fora de casa

Ó Morena bonita
Como é que cozinha
Bota a panela no fogo
Vai conversar com a vizinha

Ó Morena bonita
Onde é que você mora
Moro na Praia Formosa
Digo adeus e vou embora

A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.

Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê?

É Villa Lobos de novo.

Agora, você ouviu, no podcast, a Orquestra e coral do Teatro Municipal do rio de Janeiro. E essa agora hein?

Atirei um pau no gato

Atirei o páu no gato tô tô
Mas o gato tô tô
Não morreu reu reu
Dona Chica cá
Admirou-se se
Do berro, do berro que o gato deu
Miau !!!!!!

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos.

Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil.

Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.

Dia desses alguém foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado.

Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão – o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil – de deficiente vertical . O crioulo – vulgo picolé de asfalto ou bola sete (dependendo do peso) – só pode ser chamado de afrodescendente.

O branquelo – o famoso branco azedo ou Omo total – é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente.

A mulher feia – aquela que nasceu pelo avesso, o soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno – é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade.

O gordo – outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão – é o cidadão que está fora do peso ideal.

O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais… Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

Pretinho aleijado

Com mil e oitocentos bois
Eu saí de Rancharia
Na praça de Três Lagoas
Cheguei no morrer do dia
O sino de uma igrejinha
Numa estranha melodia
Anunciava tristemente
A hora da Ave Maria
Eu entrei igreja adentro
Pra fazer minha oração
Assisti um quadro triste
Que cortou meu coração
Um pretinho aleijado
Somente com uma das mãos
Puxava a corda do Sino
Cantando triste canção
Aaaaai ai

Aquela alma feliz
Era um espelho a muita gente
Que tendo tudo no mundo
Da vida vive descrente
Meu negro coração
Transformou-se de repente
Ao terminar minha prece
Era um homem diferente
Noutro dia com a boiada
Saí de madrugadinha
Muitas léguas de distância
Esta notícia me vinha
Um malvado desordeiro
Assaltou a igrejinha
E matou o aleijadinho
Pra roubar tudo o que tinha
Aaaaai ai

O sino de Três Lagoas
Vivia silenciado
E eu com meu Parabelo
Andava atrás do malvado
Voltando nesta cidade
Vi um povo assustado
Diz que o sino à meia-noite
Sozinho tinha tocado
Quando entrei na igrejinha
Uma voz pra mim falou:
Jogue fora esta arma
Não se torne um pecador
Tirar a vida de um Cristão
Compete a nosso Senhor
Conheci a voz do pretinho
O meu ódio se acabou
Aaaaai ai

Opa! Você ouviu uma músicaque tem um título politicamente incorreto: PRETINHO ALEIJADO, de Teddy Vieira e Luizinho com Tião Carreiro e Pardinho e a participação de Sérgio Reis.

Essa música conta a história de uma figura folclórica da cidade de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, um rapaz negro que não tinha uma das mãos e que era o zelador da Igreja Santo Antônio. Cabia a ele tocar o sino da igreja em horas específicas. O rapaz morreu num assalto à igreja e diz a lenda que desde então o sino toca toca por si só…

Já pensou hoje em dia alguém lançar uma musica chamada PRETINHO ALEIJADO? Vai tomar porrada…

E por falar em pretinho aleijado, ao fundo, no podcast, você ouve SACI, de Guto Graça Mello, com o Papo de Anjo. Essa também estava na trilha do Sítio do Pica Pau Amarelo…

E terminando o texto do Luiz Simas:

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a “melhor idade”.

Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.

Xii… com esse texto do Luz Simas eu cutuquei o mico leão com vara curta.

Mas quer saber? Eu perco o amigo, mas não perco a piada….Mas vamos em frente que atrás vem gente.

E você, hein? O que acha dessa praga do “politicamente correto”?

Não se pode julgar o passado pelas regras do presente. E se “Os professores, no dia a dia, não têm o preparo teórico para trabalhar com esse tipo de livro”, que prepare-se melhor os professores.

Será explicando e debatendo – e não proibindo o maior escritor de literatura infantil – que vamos impedir o preconceito e o racismo.

Preto e branco

Preto bebe porque gosta
Branco porque aprecia
Mas tem preto e tem branco
Que não tem essa mania
Preto e branco em nossa terra
Tem a mesma regalia
O sol nasceu para todos
Todos tem a luz do dia
É nos preto e nos branco
Que o nosso Brasil confia

A cor que nós tem na pele
A natureza é quem traz
Tudo aquilo que Deus fez
Não tem ninguém que desfaz
Seja preto, seja branco
Nós somos todos iguais
Eu não tenho preconceito
Tanto fez ou tanto faz
Se tem preto que perturba
Tem branco chato demais

Mulher seja preta ou seja branca
Grande pretígio disputa
Por elas preto e branco
Vive numa grande luta
Tem preta que muitos brancos
Por ela sofre labuta
Tem branca que muitos pretos
O seu carinho disputa
Se tem branca que é boa
Tem muitas crioula enxuta

O que manda é paz na terra
E glória Deus nas alturas
Seja preto, seja branco
O nosso fim assim furtura
Porque a terra come mesmo
Não respeita a criatura
Preto e branco estão unidos
Até dentro da leitura
É com o preto no branco
Que se faz assinatura

E é assim, ao som de PRETO E BRANCO, de Sulino e Moacyr dos Santos lá em 1965, com Jacó e Jacozinho que o Café Brasil de hoje que é contra a burrice, vai embora.

Com o desprovido de cobertura capilar Lalá Moreira na técnica, a cidadã fora a do peso ideal Ciça Camargo na produção e eu, o cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco a orquestra e coral do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Mauricio Pereira, Tião Carreiro e Pardinho e Sérgio Reis, Dorival Caymmi, Papo de Anjo, Jacó e Jacozinho, Meninas de Sinhá e os Cinco Crioulos. Ah claro… e o Falcão, destruindo o Pink Floyd.

Ei, acesse  www.portalcafebrasil.com.br  e deixe seu comentário na página deste podcast. E concorra a um brinde cultural.

Pra terminar, uma frase do historiador franco-americano Jacques Barzun:

O politicamente correto não legisla a tolerância. Apenas organiza o ódio.

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