Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Café Brasil Curto 07 – Os Suspeitos

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Luciano Pires -

Na TV, reportagem mostra bandidos mantendo dois jovens como reféns numa loja. Na imagem em quase close, os bandidos aparecem com uma pistola e uma faca, ameaçando matar as vítimas. A negociação dura mais de uma hora até que, ajudada por parentes dos bandidos, a polícia rende os vagab… ops! os infratores. E a repórter informa:

– Os suspeitos estão algemados e são colocados no camburão.

“Suspeitos?”. O que será que os bandidos deveriam fazer para deixar de ser “suspeitos”?

O artigo 140 do Código Penal Brasileiro trata do crime de Injúria, que é “atribuir a alguém qualidade negativa, que ofenda sua dignidade ou decoro“. Chamar um indivíduo que aponta uma arma para a cabeça de um inocente enquanto tenta escapar com o produto do roubo, portanto, é injúria, pois o elemento ainda é apenas suspeito. Ainda precisa ser preso, arguido, indiciado, acusado, transformado em réu e, se julgado culpado, aí sim poderá receber o título de ladrão. Até lá, quem o chamar de ladrão, ofende.

Há quem diga que a origem está nos Estados Unidos, onde existe uma indústria de indenizações e se você chamar de culpado alguém que culpado não seja, pode pagar um caminhão de dinheiro como indenização. Assim eles criaram lá o “suspect”. Todo mundo é “suspect” até ser julgado.

Há quem diga que o “suspeito” é ferramenta para proteger os preguiçosos de acusações de erro, mas no fundo, suspeito que isso não tenha nada a ver com “garantia contra um erro futuro”. Nem com preguiça. Tem a ver com engenharia social, com manipulação ideológica, com a Janela de Overton e representa um dos problemas fundamentais de nossos dias: a incapacidade – ou impossibilidade – de chamar as coisas pelo nome que elas têm.

Mas pensando bem, no fundo, no fundo, não suspeito, não. Tenho é certeza que isso tudo tem a ver com burrice.

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