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337 – Oração da maçaneta

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Luciano Pires -
Gratuito!
22,9 MB

Bom dia, boa tarde, boa noite. Como acontece em todo início de ano, o Brasil acordou num dia de janeiro com uma tragédia. Um incêndio numa boate em Santa Maria, cidade no interior do Rio Grande do Sul, com um saldo incompreensível de 234 mortos. É um número que ainda pode subir.

É difícil escrever sobre uma tragédia dessas dimensões, mas eu fiz questão de preparar um programa a respeito. É o meu jeito de assimilar a tragédia, de obter um pouco de paz no coração e de homenagear a todos que foram vitimados, direta ou indiretamente, pelo fogo de Santa Maria. A trilha sonora deste programa eu escolhi com o coração. Eu fui pra onde ele me mandou.

Pra começar, uma frase do jurista Nelson Hungria:

Todos os direitos partem do direito de viver, pelo que, numa ordem lógica, o primeiro dos bens é o bem da vida.

Este programa chega até você com o suporte do Itaú Cultural, uma organização criada por homens e mulheres interessados em mostrar que a vida vale a pena, desde que saibamos apreciar aquilo que ela nos dá como mágica: a arte, a sensibilidade, os sons, os movimentos, a beleza. Itaú Cultural, www.itaucultural.org.br. Acesse o site e veja o cardápio de opções para quem quer aliviar a mente das angústias diárias.

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o exemplar de meu livro NOIS…QUI INVERTEMO AS COISA da semana, vai para o ouvinte André, que comentou um programa antiiiigoooo, lá de 2010, chamado MÃES QUE SE FORAM:

“Ouvindo o último Café Brasil, sobre as mães, tenho que confessar que chorei feito um bebê, aos soluços. Não sei porque, nem o porquê de lhe contar esse fato, possivelmente vexaminoso.

Só sei que chorei.

Talvez porque, mesmo sem ainda ter perdido minha mãe, tenha percebido que no nosso dia a dia corrido, perdemos tantos momentos dos quais sentiríamos falta depois. Mas, sem os presenciarmos, eles não existem. Logo, não há memória a se guardar. E, enfim, perdemos essas pessoas maravilhosas de fato.

Então, liguei para minha mãe e a disse que a amo. Sem mais nem menos.

E, mesmo sentindo que fiz tão pouco, meu coração ficou mais leve. E percebi como é simples recuperar esses momentos fugazes.

Enfim… Não sei que me deu de contar essa história. Talvez pela sensação de que criei um laço contigo e com o Café. E talvez conte tudo isso, porque sei que entenderá.

Meus parabéns pela formidável maneira com que transformou uma história de sua vida em poema.

Abraços!  André”

Obrigado André. Aquele programa até hoje me emociona. Como este de hoje.

O André comentou um programa e ganhou um livro. Será que você se anima?

Bem. Eu não me senti confortável no programa de hoje pra usar vinhetas animadinhas, fazer piadas ou fazer gracinhas. Por isso até mesmo a participação de nossos patrocinadores será diferenciada, contida do jeitinho que o clima pede.

Começo convidando você a conhecer o Facebook da Nakata, no www.facebook.com/componentesnakata, sempre com K. A Nakata, com este patrocínio, está ajudando não só a manter, como a fazer nosso Café Brasil crescer. Se você acha isso bom, mande uma mensagem para eles no www.facebook.com/componentesnakata.

Oração do anjo
Ceumar
Mathilda Kóvak

Não permita Deus que eu morra
Sem ter visto a terra toda
Sem tocar tudo que existe
Não permita Deus que eu morra triste
Dai – me a graça de viajar de graça
Por essa esfera afora
De virar uma linda senhora
Uma linda lenda
Tecer cada fio da renda
Contar cada cacho
De cabelo de anjo
Transformá-lo num bonito arranjo
Da mais bela canção
Não permita Deus que eu me vá
Sem sorver esse guaraná
Sem espalhar meu fogo brando
E acalmar a brasa do mundo
E aquecer mais uma vez
O coração do universo
Nas contas do meu terço
Nas cordas do meu violão

Muito bem, eu começo com ORAÇÃO DO ANJO, de Ceumar e Mathilda Kóvak, com intepretação do goiano  Rubi…

Tenho dois filhos adultos. O Dani com 28 anos e a Gabi com 22. Aprendi com eles a ser pai, e ao longo da vida fui descobrindo como as ansiedades mudam com o crescimento dos filhos.
Quando pequenos queremos protegê-los em nossos braços dos perigos do mundo. E por um longo tempo, cerca de 12 a 14 anos, temos controle total sobre eles. Levamos, buscamos, proibimos, deixamos e lidamos com os problemas que todos os pais que tem filhos aborrescentes lidam. Normal, portanto.

Mas, um dia, eles começam a ganhar o mundo. Começar a construir seus relacionamentos sociais, a sair sozinhos, a se deslocar sozinhos, a viajar sozinhos, longe dos olhos dos pais. Você pode não acreditar, mas houve uma época em que nossos filhos faziam isso sem ter um celular que nos trouxesse conforto. Eu fui assim. Infância, adolescência e juventude sem celular. E mais: a partir dos 19 anos, vivendo a cerca de 300 quilômetros longe de meus pais ou de parentes. Hoje, só de pensar que meus filhos possam vir a fazer como eu fiz, me dá um aperto no estômago. Eu tenho medo.

Meu filho já mora sozinho, mas minha filha mora em casa, com os pais. E está na idade das baladas. Final de semana é aquela angústia quando ela começa a se arrumar toda. Sai de casa no horário que eu chegava em casa quando tinha a idade dela. Para a turma dela, “sair” de final de semana significa chegar numa balada às duas da manhã e ficar por lá até as seis ou sete horas. Por sorte ela tem seu celular, e de quando em quando, ao longo da madrugada, vão entrando as mensagens de “tudo bem”, “cheguei”, “to voltando pra casa”.

Mas o aperto no coração só termina com o som do carro entrando na garagem. E da fechadura da porta abrindo. É aquele o momento mágico que diz que alguém que eu amo voltou pra segurança de nossa casa. Aí dá para dormir…

E então acontece Santa Maria.

Não consigo imaginar o tamanho da dor. Evitei ver e ouvir as histórias de cada um, o espetáculo deprimente dos urubus que buscaram todo tipo de audiência com a espetacularização da tragédia. Isso não me faria bem, não confortaria, não ajudaria a curar feridas.

E o pior: saber que havia 70 vítimas em estado crítico nos hospitais, o que poderia renovar a tragédia a cada vez que uma morresse. “Mais um…”, “mais um…”, como uma lenta tortura, trazendo de volta todo o sofrimento.

Não tenho palavras. Não tenho como medir o tamanho do sofrimento. Não tenho como processar a tragédia de forma racional.

Só tenho esta lágrima que desde aquela manhã de domingo, vai e volta, num bailado sem fim.

Então eu encontro a Oração da maçaneta, de autoria de Gióia Júnior. Se você é pai ou mãe vai se identificar. Se seus filhos ainda são crianças, vai saber o que é que vem pela frente. E se você não tem filhos, lembre-se que você é filho… e talvez tenha alguém em casa rezando esta oração…

Não há mais bela música
que o ruido da maçaneta da porta
quando meu filho volta para casa.

Volta da rua, da vasta noite,
da madrugada de estranhas vozes,
e o ruído da maçaneta
e o gemer do trinco,
o bater da porta que novamente se fecha,
o tilintar inconfundível do molho de chaves
são um doce acalanto,
uma suave cantiga de ninar.

Só assim fecho os olhos,
posso afinal dormir e descansar.

Oh! a longa espera,
a negra ausência,
as histórias de acidentes e assaltos
que só a noite como ninguém sabe contar!

Oh! os presságios e os pesadelos,
o eco dos passos nas calçadas,
a voz dos bêbados na rua
e o longo apito do guarda
medindo a madrugada,
e os cães uivando na distância
e o grito lancinante da ambulância!

E o coração descompassado a pressentir
e a martelar
na arritmia do relógio do meu quarto
esquadrinhando a noite e seus mistérios
Nisso, na sala que se cala, estala
a gargalhada jovem
da maçaneta que canta
a festiva cantiga do retorno.
E sua voz engole a noite imensa
com todos os ruídos secundários.
-Oh! os címbalos do trinco
e os clarins da porta que se escancara
e os guizos das muitas chaves que se abraçam
e o festival dos passos que ganham a escada!
Nem as vozes da orquestra
e o tilintar de copos
e a mansa canção da chuva no telhado
podem sequer se comparar
ao som da maçaneta que sorri
quando meu filho volta.

Que ele retorne sempre são e salvo,
marinheiro depois da tempestade
a sorrir e a cantar.
E que na porta a maçaneta cante
a festiva canção do seu retorno
que soa para mim
como suave cantiga de ninar.

Só assim, só assim meu coração se aquieta,
posso afinal dormir e descansar

A majestade, o sabiá
Roberta Miranda

Meus pensamentos
Tomam formas e viajo
Vou prá onde Deus quiser
Um vídeo-tape que
Dentro de mim retrata
Todo o meu inconsciente
De maneira natural…

Ah! Ah! Ah!
Tô indo agora
Pr’um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa
Prá deitar
Em minha volta sinfonia
De pardais
Cantando para
A Majestade O Sabiá!
A Majestade O Sabiá!…

Tô indo agora tomar
Banho de cascata
Quero adentrar nas matas
Onde Oxossi é o Deus
Aqui eu vejo plantas lindas
E selvagens
Todas me dando passagem
Perfumando o corpo meu…

Ah! Ah! Ah!
Tô indo agora
Pr’um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa
Prá deitar
Em minha volta sinfonia
De pardais
Cantando para
A Majestade O Sabiá!
A Majestade O Sabiá!…

Esta viagem dentro de mim
Foi tão linda
Vou voltar a realidade
Prá este mundo de Deus
Pois o meu eu
Este tão desconhecido
Jamais serei traído
Este mundo sou eu…

Ah! Ah! Ah!
Tô indo agora
Pr’um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa
Prá deitar
Em minha volta sinfonia
De pardais
Cantando para
A Majestade O Sabiá!
A Majestade O Sabiá!…(3x)

É… essa é Roberta Miranda, que eu admiro de verdade, com o clássico da verdadeira música sertaneja brasileira que ela compôs:  A MAJESTADE O SABIÁ, música que fantasia sobre uma viagem para um lugar maravilhoso.

Pois é… O que veio imediatamente foi a angústia de imaginar que 234 trincos não fizeram barulho naquela madrugada de domingo. Que 400 pais e mães não tiveram os seus de volta à segurança do lar. E essa é a tragédia mais dolorida: a dos que perderam os seus.

E então procurei algum texto que falasse da tragédia de Santa Maria sem se perder nos detalhes da investigação, dos culpados, das razões. E encontrei um do gaúcho Fabrício Carpinejar, poeta, que deixa clara num texto escrito poucas horas após a tragédia, a dor da perda.

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

Pais e Filhos
Legião Urbana

Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender.

Dorme agora,
é só o vento lá fora.

Quero colo! Vou fugir de casa!
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três.

Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito.

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim.

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar.

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais.

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.

Sou uma gota d’água,
sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem,
Mas você não entende seus pais.

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser,
Quando você crescer?

Pois é. Eu tinha que colocar PAIS E FILHOS, aqui, o clássico do Legião Urbana, música que me veio imediatamente à mente quando sentei para escrever este programa. A parte em violão, foi uma versão instrumental de Leandro Kasan que encontrei no Youtube…

Nas buscas por textos que tratassem a tragédia de Santa Maria sob um ponto de vista menos raso, encontrei um saboroso onde menos esperava. Do jurista Néviton Guedes, que é desembargador federal do TRF e doutor em Direito pela Universidade de Coimbra. Trago aqui um trecho adaptado que vale a pena…

Se devemos – como não-profetas – calar sobre o futuro, podemos falar sobre o passado. Pelo menos em termos jurídicos, o sentimento é de que o direito à vida já teve dias melhores. Certamente disputava o seu espaço com um número menor de bens que a sociedade e a Constituição entendiam merecer proteção. Aliás, já Thomas Hobbes, além de um conjunto de jusnaturalistas, considerava a proteção da vida um dos fins essenciais do Estado. Hoje, apesar de ser sempre referido, de teoria acadêmica a sermão de nossos religiosos, na prática, ninguém dá à proteção da vida a mesma importância de outros direitos fundamentais, como é o caso do direito à liberdade, ou do direito à igualdade ou da dignidade da pessoa humana, para ficar nos exemplos conhecidos.

Não há como falar em liberdade ou igualdade onde não haja vida. De fato, não se pode ser igual nem livre se não se vive. Portanto, só na corrupção mais ingênua de nossos tempos, é que conseguimos submeter a vida humana, sem mais e indistintamente, ao império de outros valores. Infelizmente, ainda que se negue em teoria, é essa a retórica que nós brasileiros preferimos com a prática de nossos atos.

A prova cabal da desimportância do direito à vida é que o Brasil se transformou numa grande carnificina sem que ninguém tenha protestado seriamente. O primeiro significado jurídico do direito à vida é, entretanto, a proibição de matar. Mas aqui mata-se a granel, sem motivo ou por motivo torpe, por incompetência ou por desídia, por ódio e até mesmo, dizem, por amor. Todos os dias assistimos às mais depravadas demonstrações de violência contra a vida humana sem que parta da comunidade (indivíduos, sociedade ou Estado) a mesma indignação que aquela manifestada em casos de violação ao meio ambiente, aos direitos dos animais, à liberdade de expressão, à moralidade administrativa, à liberdade ou à igualdade entre as pessoas.

Todos esses direitos, obviamente, são merecedores da máxima proteção. Mas não deixa de ser irônico que eles encontrem tantos e tão qualificados defensores, enquanto o direito à vida tenha que ser protegido apenas com a retórica de autoridades policiais ou com apelos religiosos.

A tragédia ocorrida em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que justamente mobilizou mentes e corações, é apenas mais uma demonstração das consequências nefastas que o absoluto desrespeito à vida humana provoca em nosso país. Infelizmente, muito embora em forma condensada, arrisco a dizer que aquelas duas centenas de jovens mortos pela irresponsabilidade nacional com a vida humana não conseguirão impor um ponto final em nossa mortandade cotidiana. O altar da tragédia em que as vidas desses jovens foram oferecidas em holocausto ao desprezo nacional com a vida é obra de muitos anos e não acaba aqui. Não é tarefa de amadores e exige tempo e persistência.

Na verdade, se bem observado, aqueles jovens não morreram naquela madrugada. Eles, como milhões de brasileiros, vêm sendo assassinados há muito tempo e continuarão a ser mortos enquanto não tomarmos a sério a vida humana.

Começa por aceitarmos cada um a nossa responsabilidade. A epidemia moral que vivemos não é um problema que se possa curar buscando culpados no “outro”, o que invariavelmente, para mantermos a nossa cordialidade, acaba sempre chegando ao Estado. O Estado é o bode expiatório sempre à mão para um sem-número de problemas que só podem nascer e subsistir quando a sociedade como todo e cada um de nós – como indivíduos – consentirmos com eles. O Estado tem responsabilidades nisso tudo, é óbvio, mas é um caminho que não começa nem acaba nele. Enquanto não aceitarmos nossa responsabilidade como sociedade e como indivíduos, não vejo por que ter esperanças.

Péra Lalá. Aqui tem que entrar a promoção da Pellegrino, mas eu me recuso a fazer como eles fazem na televisão, sair de um tema sério e profundamente doloroso para um clima de carnaval. Não é assim que tem que ser, e tenho certeza que a turma da Pellegrino concorda comigo. Por isso em vez de fazer propaganda, eu vou reproduzir a mensagem que recebi do Nilton Oliveira, diretor comercial da Pellegrino, no mesmo dia da tragédia de Santa Maria. Acho que ela diz mais que qualquer anúncio:

“Quando assumi a unidade da Pellegrino em Porto Alegre foi em Santa Maria que encontrei grandes amigos e a partir dos grandes resultados de vendas na região consegui fazer um trabalho que se destacou. Sofro neste momento como cidadão, pai, sofro como gaúcho, de canoas, sofro pelos meus amigos de Santa Maria. Fica difícil não chorar. Que Deus proteja a todos.” É isso.

Pois é… acho que o que temos que fazer é refletir profundamente sobre a frase final do jurista ……. “Enquanto não aceitarmos nossa responsabilidade como sociedade e como indivíduos, não vejo por que ter esperanças.” Eu quero continuar a ter esperanças. Eu quero continuar a ter esperanças. E você?

É assim, então que terminamos o Café Brasil de hoje. Com Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte André, Gióia Júnior, Fabrício Carpinejar, Néviton Guedes, Rubi, Roberta Miranda, Leandro Kasan e Legião Urbana.

O Café Brasil chega até você com o suporte do Auditório Ibirapuera, um lugar planejado, construído e gerenciado por gente que dá valor à vida, que respeita quem o frequenta, e que quer sem um templo para a celebração do gênio humano. Por isso digo sempre e repito: vale a pena conhecer. www.auditorioibirapuera.com.br .

Este é o Café Brasil. Venha conosco. www.portalcafebrasil.com.br

Pra terminar, um daqueles hai-kais de Paulo Leminski:

Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.

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