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258 – A geração do eu mereço

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Luciano Pires -

E mais uma vez vamos falar dos conflitos de gerações, desta vez questionando a rotulação em x, y, w ou z. E trazendo um texto indispensável da jornalista Eliane Brum, que acerta na mosca ao descrever a origem do comportamento errático daquela que se convencionou chamar de “Geração Y”. Não dá para discutir o conflito de gerações no âmbito profissional sem trazer ao primeiro plano o elemento mais importante da equação: a família. É por aí que nós vamos. Na trilha sonora Arrigo Barnabé, Choro das Três, Nervoso e os Calmantes, Titãs, Zé da Velha com Silvério Pontes e Itamar Assumpção com Naná Vasconcellos.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite. E daí? Você é geração x, y ou Z? É “baby boomer” ? Pois então, o pessoal de uns tempos para cá passou a rotular as gerações e definir certos padrões de comportamento que explicam alguns dos conflitos mais importantes que temos vivido no ambiente profissional e até mesmo pessoal. É esse o tema de nosso programa de hoje, que começa com uma frase de George Orwell:

Cada geração imagina ser mais inteligente que a geração que veio antes dela, e mais esperta que a que virá depois…

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, de hoje, vai para o Ricardo Grings, que comentou um de nossos programas de forma polêmica mas que acho que traz riqueza à discussão. Olha só:

“Por vezes me parece um tanto quanto ´idiota´ essa coisa toda de categorização, de geração x e y (agora já inventaram a z e a alpha).  Em uma organização, qualquer que seja, o perfil dos profissionais vai ser dada pela necessidade dela e pelo potencial que esses profissionais tem de gerar resultados para a empresa, quer seja a curto, médio ou longo prazo.

Claro que há muita miopia em o que é um resultado concreto, e daí advém uma série de problemas. Mas no fundo (sem querer desmerecer a área de RH – ou gestão de pessoas, já que o pessoal da área de RH não acha que humanos possam ser considerados recursos), o que importa é se alguém traz resultado para a empresa.

No google é aquela festa toda? Não, não é… Mas vira matéria fácil para jornalista falar do ambiente em que os funcionários podem sair para jogar. Isso em nada difere das áreas de relaxamento e diversão que eram comuns que as empresas tivessem desde sempre (ao menos desde a década de 1950). A sala do café foi substituída por uma máquina? A sala de ginástica substituiu o campinho de futebol? A sala de videogame substituiu a associação dos funcionários?

Os funcionários do google trabalham intensamente, as vezes 12-15hs por dia, envoltos com prazos, com pressão e são cobrados da mesma forma (ou mais) do que eram os funcionários de qualquer empresa na década de 1950. Essa cultura funciona para um tipo de empresa.

Assim como a cultura da cobrança de metas funciona tão bem na Ambev (por mais que eu receba pedradas dos gestores de pessoas quando diga isso). E assim como a olaria do joão não vai colocar videogame para os funcionários e vai continuar sendo taylorista ao extremo, inclusive com o apito soando as 11,30 e 17,45 e todo mundo saindo correndo porta afora nesse horário…

A ´experimentação´ e essa característica toda destinada a ´geraçao y´ não se dá em função da idade ou qualquer coisa do genero… Esse comportamento ´descomprometido´ se dá porque esse indivíduo não tem contas a pagar, está numa zona de conforto, que permite que ele não faça o que não quer fazer. E se for pressionado a algo, ele ‘pula fora’.

Pega o mesmo guri de 23 anos, se tiver engravidado a menina e tiver um filho de 3 ou 4 anos para criar (mesmo que toda a formação, tudo tenha sido igual) e ele não vai ficar ´experimentando´ tanto assim – só vai ´pular fora´ em último caso… O que se tem é um monte de gente que não tem custo fixo, que mora na casa dos pais (ou continua sendo sustentado por eles) e que cresceram lendo você s/a com os seus chavões carreirísticos.

Eu sinceramente gostaria de ver as coisas de forma mais simples. E que refletem o real desafio: usar bem as habilidades de cada um e ter a pessoa certa, no lugar certo, com os objetivos adequados…”

Ufa! O Ricardo vai na veia, não é mesmo? Essa discussão sobre gerações é mais velha do que andar para a frente e eu tenho minhas opiniões próprias que vou dar ao longo de alguns programas que pretendo fazer sobre o tema.

Por enquanto vou surpreender você com um Arrigo Barnabé diferente, de 1992, com CONFLITO DE GERAÇÃO…

Conflito de geração

Sete horas da manhã
você arruma o sutiã
e vai embora
Na escola
você pensa no bilhete que deixou
nessa hora, quase chora
mas garota
nós mal nos conhecemos
você já vem com essa
e me escreve tão depressa

Conflito de Geração
você não sabe
essas diferenças (2x)

Sete horas da manhã
você arruma o sutiã
e vai embora
Na escola
você pensa no bilhete que deixou
nessa hora, quase chora
mas garota
nós mal nos conhecemos
você já vem com essa
e me escreve tão depressa

Conflito de Geração
você não sabe
essas diferenças

só dão tesão

Sete horas da manhã
você coloca o seu ray-ban
e vai pra casa

Pois então vamos aproveitar a bola que o Ricardo levantou para trazer um texto da jornalista Eliane Brum chamado: “Meu filho, você não merece nada.”. Acho que assim a gente bota fogo de vez na fogueira…

Ao fundo você vai ouvir DOCE DE COCO, de Jacob do Bandolim com as meninas geração y e o menino geração y do Choro das 3.

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, eu percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada.

Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço.

Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje.

Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Maus limites

Tudo o que eu quero é só viver
Num quarto escuro sem janela e cor
Eu poderia prosseguir sem reclamar
Mas só por precaução
Vou viajar e fazer meu show
Não vai ser o último
Não vou suprir esse seu desejo
De impor maus limites
Enquanto isso estou trancado
Sentindo a dor de ter que desistir
E ser feliz em outra vida
Sem mais ninguém
Mas só por precaução
Vou viajar e fazer meu show
Não vai ser o último
Não vou suprir esse seu desejo
De impor maus limites

De que adianta estar aflito
Sem poder harmonizar o dia-a-dia
E ser mais um na contramão
Enxergo meu futuro a cada passo
A cada passo eu vou sempre tropeçando
Mas levanto e não prossigo em vão

Uia…você está ouvindo um som diferente. É um remix da música MAUS LIMITES, de Alexandre Paixão, o nervoso da banda Nervoso e os Calmantes. Aposto que você nunca ouviu falar neles, não é? Nervoso e os Calmantes é aqui no Café Brasil!

Voltando ao texto da Eliane.

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar.

E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Continuamos com o texto de Eliane Brum,

ao som de ACARICIANDO de Abel Ferreira e Lourenço Faissal na interpretação de Zé da Velha e Silvério Pontes.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

 O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade.

Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou ainda, “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

 Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

E o Sidney Oliveira que escreve sobre geração y e conflito de gerações no Portal Café Brasil, colocou um texto e no meio desse texto eu encontrei uma idéia interessante que eu vou utilizar aqui. Olha só.

Trabalhar em casa já não é mais um absurdo, principalmente depois do surgimento do notebook, celulares e emails. Conceitos como “dias úteis” e “horário comercial” estão completamente alterados com toda tecnologia digital. O jovem profissional sabe que o trabalho está invadindo sua “vida pessoal”, por isso acha natural que “sua vida” também invada o trabalho.

Devemos lembrar o tempo todo que os jovens se preparam para empregos que ainda não existem, onde usarão tecnologias que ainda não foram inventadas para resolver problemas que ainda não sabemos que serão problemas.

É meu! No mundo dos negócios, a gente não vive dizendo que a empresa é uma grande família? Pois é, tá virando verdade. Família, ê família!

Família

Família! Família!
Papai, mamãe, titia
Família! Família!
Almoça junto todo dia
Nunca perde essa mania…
Mas quando a filha
Quer fugir de casa
Precisa descolar um ganha-pão
Filha de família se não casa
Papai, mamãe
Não dão nem um tostão…
Família êh! Família ah!
Família! oh! êh! êh! êh!
Família êh! Família ah!
Família!…
Família! Família!
Vovô, vovó, sobrinha
Família! Família!
Janta junto todo dia
Nunca perde essa mania…
Mas quando o nenêm
Fica doente
Uô! Uô!
Procura uma farmácia de plantão
O choro do nenêm é estridente
Uô! Uô!
Assim não dá pra ver televisão…
Família êh! Família ah!
Família! oh! êh! êh! êh!
Família êh! Família ah!
Família! hiá! hiá! hiá!…
Família! Família!
Cachorro, gato, galinha
Família! Família!
Vive junto todo dia
Nunca perde essa mania…
A mãe morre de medo de barata
Uô! Uô!
O pai vive com medo de ladrão
Jogaram inseticida pela casa
Uô! Uô!
Botaram cadeado no portão…
Família êh! Família ah!
Família!
Família êh! Familia ah!
Família! oh! êh! êh! êh!
Família êh! Família ah!
Família! hiá! hiá! hiá!…

Você está ouvindo, no podcast, de Arnaldo Antunes e Tony Belotto, os Titãs, com Família. 

Que tal, hein? Você se reconheceu em algum ponto do programa de hoje? Pois então reflita a respeito.

Seja x, y, a, c ou z, sua geração jamais escapará de uma verdade fundamental, que um grande amigo meu, um japonês chamado Manoel Ishiki me ensinou  nos anos setenta, quando eu ainda era um jovem estudante universitário. Sempre que nos deparávamos com uma dificuldade, o Mané parava, fazia um olhar profundo, aspirava o ar e soltava sua sábia frase: “A vida é uma dureza”.

Fim de festa

Meu amor por você chegou ao fim
É tudo que tenho a dizer
Também não precisa sair assim
Espere o dia amanhecer

E é assim, ao som de FIM DE FESTA, do Itamar Assumpção com ele e o Naná Vasconcellos que o Café Brasil que mais uma vez falou de gerações, vai saindo de mansinho.

Com o geração X Lalá Moreira na técnica, a baby boomer Ciça Camargo na produção e eu, o alfa, beta, gama, ypisilon Ze Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Ricardo Grims, Eliane Brum, Arrigo Barnabé, Choro das Três, Nervoso e os Calmantes, Titãs, Zé da Velha com Silvério Pontes e Itamar Assumpção com Naná Vasconcellos.

Este é o Café Brasil, um programa que quer muito, sabe? Quer combater o emburrecimento generalizado, ao distribuir iscas intelectuais. Quem nos ouve é gente preocupada, formadora e opinião e que sabe muito bem o que quer. Vem pra cá, junte-se a nós. Acesse www.portalcafebrasil.com.br e ajude a construir um mundo melhor. Não é pouco, né?

Pra terminar, uma  frase da cantora, compositora e pianista estadunidense Myra Ellen Amos, que nasceu em 1963 é mais conhecida como Tori Amos:

Nossa geração tem uma incrível quantidade de realismo e, ao mesmo tempo, ama reclamar, mas nunca muda de verdade. Porque se mudar, não terá mais nada do que reclamar.

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