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999 – Hotel Califórnia

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Luciano Pires -
Download do Programa

ATENÇÃO: este programa é um especial do Café Brasil. O arquivo em áudio NÃO SERÁ DISTRIBUÍDO PELO FEED, mas apenas para quem baixar pelo portal. O que vai a seguir é a transcrição do programa completo, que você baixa acessando www.portalcafebrasil.com.br/999 _______________________________________________________________________________________

Em fevereiro de 1977 a banda Eagles lançou uma música que faria a cabeça de milhões de jovens em todo o mundo. Um mega sucesso, daqueles que entram para a história. Hotel Califórnia. Esse é o clássico que vamos visitar no programa de hoje, que é uma versão especial do Café Brasil.

Posso entrar?

Muito bem, Lalá, tudo prontinho? Vamos embarcar pra 1977? Encheu o reator? Calibrou os flaps? Alinhou o giroscópio? Simbora…

Pronto… 1977. No Brasil, ainda vivíamos o regime Militar, foi o ano em que Geisel fechou o Congresso, o Corinthians colocava fim a um jejum de títulos de 23 anos. Foi o ano em que foi aprovada a emenda instituindo o divórcio. O ano em que morreram Elvis Presley, Charlie Chaplin, Clarice Lispector e Maysa entre outros.  Jimmy Carter assumia como presidente dos Estados Unidos e em maio o mundo assistia boquiaberto a estreia de um filme chamado Guerra nas Estrelas… Eu, aos 21 anos de idade, me preparava para receber meu diploma de Bacharel em Comunicação no Mackenzie.  Musicalmente, o Sex Pistols lançava seu primeiro e único álbum, os Bee Gees lançavam Saturday Night Fever, que venderia quase 50 milhões de cópias… É nesse cenário que vamos encontrar uma música que marcou época: HOTEL CALIFÓRNIA, da banda Eagles.

Lançada como single em fevereiro de 1977, Hotel Califórnia é considerada a mais famosa música da banda. Foi regravada centenas de vezes, e seu solo de guitarra no final é considerado por muita gente como o melhor da história. Em 1978 a música ganhou o Grammy de canção do ano.

A banda Eagles nasceu em Los Angeles em 1970, para acompanhar a cantora Linda Ronstadt na gravação de seu álbum Silk Purse e posterior tour pelos Estados Unidos. Foi formada pelo baterista e vocalista Don Henley, o guitarrista e vocalista Glenn Frey, Bernie Leadon no banjo e bandolin e Randy Meisner no baixo.

Em 1972 o grupo partiu para voo próprio, emplacando de cara três sucessos, entre eles TAKE IT EASY, que os apresentou ao mundo como um grupo capaz de misturar do rock e do country, com uma perspectiva muito própria.

Em 1973 lançaram um álbum inspirado pelo velho oeste, chamado DESPERADO. Em 1974 o guitarrista Don Felder entrou para o grupo, que em 1975 lançou o álbum ONE OF THESE NIGHTS, que os projetou definitivamente ao estrelato.

Em seguida, Joe Walsh entrou para o grupo e pronto… a química estava pronta.

Glen Frey e Don Henley eram os donos da banda, era para eles que todos enviavam suas ideias de canções. Se eles gostassem, as desenvolveriam, colocando letras e dando a forma final. Foi assim que nasceu Hotel Califórnia.

O experiente guitarrista Don Felder, que foi convidado para entrar na banda em 1974, de quando em quando entregava um cassete para Frey e Henley com fragmentos de canções, acordes e ideias para músicas. Foi num cenário idílico, olhando pela janela de sua casa na praia da Malibu, na Califórnia, que Felder foi compondo a melodia do que viria a ser Hotel Califórnia. Primeiro com violão, depois agregando uma guitarra de 12 cordas e mais tarde uma linha de baixos.  Tudo gravado num quarto de sua casa.

Cara, eu procurei por todo lado algum arquivo com essa demo, mas não achei. Se você que está ouvindo tem notícias dela, me avise…

Quando ouviram aquele trecho, em meio a outras 15 ou 16 ideias de Felder, Frey e Henley imediatamente ficaram impressionados com a bizarra mistura de influências, e deram um título provisório enquanto trabalhavam a música. Chamaram-na de REGGAE MEXICANO. Mexicano porque os acordes iniciais lembram uma canção estilo espanhola ou Flamenco. Mas Reggae? Sim. Você não reparou? Lalá, mostra aquela guitarra:

Frey disse que ao ouvir a música, imediatamente teve uma inspiração cinematográfica, viu passar diante de seus olhos paisagens, como um solitário viajante meio que hipnotizado pela monotonia da paisagem do deserto numa jornada sem fim. Cansado, ele vê a luz de um refúgio à distância e encosta para passar a noite. Ele então entra num mundo estranho, com personagens esquisitos, e rapidamente fica assustado com a possibilidade de estar preso numa estranha rede, da qual não pode escapar…

Don Henley disse que trabalhou a letra a partir do conceito de Glenn Frey como se estivesse escrevendo um episódio da série Twilight Zone, que no Brasil chamou-se Além da Imaginação. As canções dos Eagles eram sempre assim, cinemáticas, contando uma história, e essa não seria diferente. Puro storytelling, onde a cada vez que o personagem passa por uma porta, acessa uma nova versão da realidade.

O fato é que há 40 anos as pessoas querem saber o que quer dizer a letra da música. Mais uma, não é? Lembra dos programas sobre Bohemian Rhapsody, Stairway To Heaven e Hallelujah? Todas com aquele mistério: o que quer dizer a letra?

Glen Frey contou numa entrevista que: “Don e eu éramos grandes fãs de músicas com significados escondidos. Sabe, você escreve uma música e a manda para o mundo. E, talvez, em algum lugar naquela música, tem alguma coisa que é só sua, e que ninguém nunca vai entender.”

E Don Henley disse: “É uma música sobre uma jornada da inocência para a experiência. Só isso.”

O fato é que a letra acabou se tornando uma alegoria sobre o estilo de vida que os músicos levavam nos anos 70: deslumbre, drogas, sexo e muita loucura. Mas essa é apenas a interpretação mais popular… A canção foi vista como alusão ao vício em heroína, a canibalismo, a satanismo.

No roteiro deste programa eu vou colocar um link para um site em inglês que explica todo o simbolismo demoníaco da música. Eu acho uma bobagem, mas que outro grande clássico do rock não foi tratado assim?

http://pinballking.blogspot.com.br/2013/06/the-symbolic-meaning-of-hotel-california.html

Quem examina as fotos do álbum, encontra ali diversos indicativos que permitem todo tipo de viagem. Aliás, o hotel com as palmeiras que estampam a famosa capa do disco é o Beverly Hills hotel, conhecido também como Pink Palace, muito frequentado por celebridades de Hollywood.

E Henley diz satisfeito: acho que atingimos a ambiguidade perfeita.

A gravação começou em Los Angeles, mas até que eles acertassem o tom e a velocidade, foram pelo menos três sessões, a última e definitiva em Miami. Quando eles chegaram no ponto que queriam, gravaram diversas vezes e escolheram os melhores trechos para montar a versão que conhecemos hoje. E então deu nisto…

Ouviu esse chocalho no ouvido esquerdo? É uma cascavel… Você está no deserto. De noite. Vê uma luz lá longe… E ouve os sinos de uma missão…

On a dark desert highway, cool wind in my hair
Warm smell of colitas, rising up through the air
Up ahead in the distance, I saw a shimmering light
My head grew heavy and my sight grew dim
I had to stop for the night

There she stood in the doorway
I heard the mission bell
And I was thinking to myself
‘This could be heaven or this could be Hell
Then she lit up a candle and she showed me the way
There were voices down the corridor
I thought I heard them say

Welcome to the Hotel California
Such a lovely place (such a lovely place)
Such a lovely face
Plenty of room at the Hotel California
Any time of year (any time of year) you can find it here

Na primeira parte, a letra fala de alguém que está dirigindo à noite por uma estrada no deserto. Ele sente o vento em seu cabelo e o cheiro de algumas flores, as tais “colitas”, que florescem à noite no deserto e têm um cheiro característico. Mas há quem jure que colita é uma referência à maconha ou a sexo. Felder diz que as letras dos Eagles sempre apelam para os cinco sentidos, ver, ouvir, cheirar… Impossível não fazer referência aos road movies da época, e à inspiração de On The Road, o livro de Jack Kerouac que inspirou a moçada doa anos sessenta a colocar o pé na estrada.

Depois de algum tempo o narrador se sente cansado e e para num hotel para passar a noite. É o Hotel Califórnia, uma referência ao estado da Califórnia, onde ficam Los Angeles, Hollywood, onde as pessoas parecem estar de passagem em busca de seus sonhos de fama e fortuna. Do American Dream. Uma mulher misteriosa o espera ao pé da porta, como se fosse uma sereia atraindo o viajante com suas canção hipnótica. Essa figura feminina tem um papel central na canção, embora jamais saibamos muito sobre ela. E o nosso personagem, sem saber direito o que é aquele local, começa a ouvir vozes pelo corredor, que falam de como o hotel é um lugar legal, como é bom estar lá. 

Her mind is Tiffany-twisted, she got the Mercedes bends
She got a lot of pretty, pretty boys, that she calls friends
How they dance in the courtyard, sweet summer sweat
Some dance to remember, some dance to forget

So I called up the Captain
‘Please bring me my wine
He said, “we haven’t had that spirit here since nineteen sixty-nine
And still those voices are calling from far away
Wake you up in the middle of the night
Just to hear them say”

Welcome to the Hotel California
Such a lovely place (such a lovely place)
Such a lovely face
They livin’ it up at the Hotel California
What a nice surprise (what a nice surprise), bring your alibis

E a letra continua a descrever aquela mulher, dizendo que sua mente é obcecada por joias da Tiffany, a famosa joalheria. Esta seria uma referência a um tumultuado fim de relacionamento de Don Henley com uma namorada. Ela é maluca pela Mercedes. Esta frase é sempre traduzida errada, pois a turma ouve: “She got a Mercedes Benz”, quando na verdade a letra diz “She got a Mercedes bend”. É um jogo de palavras que trata da obsessão que ela tem pelos automóveis Mercedes Benz. Ela não tem o carro, ela tem a obsessão pelo carro, uma referência ao materialismo que dominava a cabeça de muita gente. E ela tem vários amigos que estão se divertindo no local.

Nosso personagem então chama o mensageiro e pede um vinho, “wine”, e o mensageiro diz que eles não tem mais esse “spirit” desde 1969. “Spirit” em inglês também quer dizer bebida destilada. Os autores afirmaram que nesse momento a letra não fala de bebidas, mas faz uma alegoria que tinha a ver com a chegada da disco e da pop music, que se afastaram do ativismo social tão presente nos anos 1960. Eles perderam o espírito de 1969, de Woodstock. Em seguida o personagem é acordado no meio da noite com vozes falando maravilhas do Hotel Califórnia. Mas desta vez as vozes falam sobre ” trazer um álibi”. É um forte sinal de que algo está errado na história.

Mirrors on the ceiling
The pink champagne on ice
And she said, ‘we are all just prisoners here, of our own device
And in the master’s chambers
They gathered for the feast
They stab it with their steely knives
But they just can’t kill the beast

Last thing I remember, I was
Running for the door
I had to find the passage back to the place I was before
‘Relax’ said the night man
‘We are programmed to receive
You can check out any time you like
But you can never leave!

O personagem então repara como o Hotel é elegante, aquele espelho no teto é suspeito… e a mulher diz a ele que todos lá são prisioneiros de si mesmos, provavelmente uma referência à fama dos próprios Eagles que, de alguma forma, os fez escravos do sucesso. Os hóspedes então são convidados para os aposentos de um certo mestre, onde começam a apunhalar uma “besta”, mas não consegue matá-la. Neste ponto a letra faria uma referência à outra banda, Steely Dan (” steely knives”), que os Eagles admiravam imensamente e com que tinham uma espécia de rivalidade sadia.  O narrador, que começou na história como dono de seu próprio destino, percebe que perdeu o controle da situação. E sai correndo pela porta, tentando encontrar a saída, mas o segurança noturno diz a ele para relaxar, que embora ele pudesse fazer o checkout quando quisesse, jamais conseguiria sair de lá. E desse ponto em diante, não se ouve mais nada sobre o narrador. Sei destino foi selado…E é quando as guitarras começam a crescer, como se fosse o grito da tal besta que não pode ser morta.

Que medo, né?

Os Eagles eram perfeccionistas, e o trabalho vocal de Don Henley ao coro de vozes, é excepcional, mas talvez você nunca tenha reparado, não é? Bem, a gente ajuda…

Que tal? Olha, a gente consegue entender o impacto que a letra possa ter em quem fala inglês, mas como explicar o sucesso da música aqui no Brasil, onde ninguém entendia o que eles diziam? Bem, assim como outros grandes clássicos, é a melodia que nos captura. E nada mais mágico que a lendária batalha de guitarras do final.

O solo é feito com a mesma progressão de acordes da introdução e dos versos da música. E para compreendê-lo, precisamos saber um pouco dos dois guitarristas, Don Felder, que compôs a melodia, e Joe Walsh.

Felder era o técnico, habilidoso. Joe Walsh era o improviso, o rockn´roll, a força da natureza. Ambos gostavam muito um do outro, se respeitavam e sempre tocavam como se estivessem competindo. A cada frase que um fazia o outro respondia: Ah, é? Então tome esta! Essa competição sadia explica muito do que se ouve – e sente – no solo final de cerca de dois minutos.

Felder compôs o solo usando duas guitarras e dois amplificadores diferentes, imitando o jeito de Joe tocar. Na verdade, ele imaginou que fariam como sempre: aquela troca de linhas melódicas, cada um criando sobre o que o outro faria. Mas quando os dois começaram a experimentar em estúdio, Don Henley disse: “Pode parar”! Isso não tá certo! Vocês têm de tocar exatamente como na fita demo…”

Bom, eles não tinham a fita, que havia sido gravada um ano antes. Felder então ligou de Miami para sua casa em Malibu, na Califórnia e pediu para alguém tocar a fita no gravador enquanto eles ouviam ao telefone… E assim conseguiram fazer algo parecido com a demo.

A batalha de guitarras consumiu três dias de trabalho, com os dois guitarristas frente a frente, até atingir o nível de perfeição que eles buscavam. O segredo daquele solo final, é explicado por Felder: “Quando comecei a tocar guitarra aos 10 anos, eu ouvia big bands  como a de Benny Goodman. Depois me apaixonei pelo som de Miles Davis, e o que eu tentava fazer na guitarra era emular aqueles sons. Eu tento tocar melodias que você possa memorizar. Se você toca com simplicidade e clareza, as pessoas podem reconhecer, memorizar, cantar a melodia. Em todos meus solos, não tento ser rápido. Tento ser memorável.”

E fez-se a mágica. Mas o solo não é só guitarra. Tem o baixo de Randy Meisner…

E, claro, a bateria de Don Hanley.

Junto com a guitarra base, o violão de Glenn Frey…

E então a mágica das guitarras começa com Don Felder…

Depois vem Joe Walsh…

Junte tudo e temos um dos momentos mais fantásticos da história da música:

 

Nos anos 70 as músicas deveriam ter três, três minutos e meio no máximo.  A introdução devia ter menos de 30 segundos, assim os disk jóqueis não tinham de falar muito antes de começarem os vocais. E tinha de ser um rock dançante ou uma balada…

Hotel Califonia tinha seis minutos, a introdução durava um minuto, parava no meio, sem bateria, e tinha um solo de guitarra com dois minutos no final.

Tava tudo errado. Pois é… tão errado quando Bohemian Rhapsody e Stairway To Heaven….

O álbum Hotel California foi lançado em 1976, e está em trigésimo sétimo lugar na lista da Rolling Stone dos 500 maiores álbuns de todos os tempo. O single da música foi lançado em fevereiro de 1977 e em maio já era o número 1 na Bilboard Hot Hundread, e vendeu mais de 1 milhão de cópias. . Em 2009 a canção recebeu o prêmio Platina Digital, representando e venda de mais de 1 milhão de downloads….

Hotel California ainda é tocada cerca de 200 vezes por mês nas rádios do Reino Unido, e foi gravada por centenas de artistas. A 5a temporada da série American Horror Story abre com episódio chamado Hotel, cuja gerente é Lady Gaga, com a canção sendo usada de fundo. O episódio é quase uma representação visual da canção.

Mas o sucesso cobra seu preço. Foi durante as sessões de gravação de Hotel California que a relação entre os integrantes da banda, especialmente entre Glen Frey e Don Felder foi se deteriorando até se tornar insustentável.

Basta assistir aos diversos documentários sobre os Eagles no Youtube para perceber que Glenn Frey e Don Hanley jamais engoliram muito bem o fato de a música de maior sucesso da banda ser de autoria de Don Felder. Existem entrevistas onde Frey cita as músicas mais importantes da banda e deixa de fora Hotel Califórnia. Só fala dela quando o jornalista pergunta. Noutro vídeo, Felder explica que a música foi lançada como sendo de Felder, Frey e Hanley e algum tempo depois misteriosamente passou a ser divulgada como sendo de Frey, Hanley e Felder. O nome  do cara que gerou o clássico caiu para a terceira posição. Felder jamais engoliu essa posição de “segundo escalão” e sempre exigiu mais espaço na banda, o que incomodava imensamente Frey e Hanley.

E em 1980, após um desentendimento durante um show, a banda acabou. Frey e Henley seguiram carreira solo com sucesso, e só em 1994, 14 anos depois da separação, a banda se reuniu novamente, com Frey, Henley, Felder, Joe Walsh, Bernie Leadon e o baixista Timothy B. Schmidt. Lançaram o disco ao vivo HELL FREEZES OVER, com uma nova versão, acústica, de Hotel Califórnia. Muita gente amou, muita gente odiou, achando que a pegada roqueira despareceu. Bem, tire suas conclusões.

Os Eagles venderam mais de 150 milhões de álbuns, ganharam seis Grammys, entraram para o Rock´n Roll Hall of Fame e, em 1999, o disco The Eagles Greatest Hits – 1971 – 1975 foi eleito o álbum mais vendido do século nos EUA, com 26 milhões de unidades. Depois de sua volta em 1994, permaneceram juntos por mais tempo que durante os anos setenta. E como velhas feridas não cicatrizam, em 2001 demitiram Don Felder pela segunda vez… Em 2007 lançaram o álbum Long Road Out of Eden, que mais uma vez foi para as primeiras posições nas paradas. Olhar aquele disco hoje é bizarro… as canções tem nomes como “Nunca mais passeios no bosque”, “Não quero ouvir mais”, “Você não está sozinho”, “Longa estrada para fora do Paraíso”, “Última curtição na cidade”, “Centro do Universo” e “Este é seu mundo agora”, que Gleen Frey escreveu para sua esposa e filhos. Foi como se ele soubesse que aquele era seu último disco. Glenn morreu em Janeiro de 2016.

No final daquele ano Don Henley anunciou que o Eagles estava definitivamente acabado.

Hotel Califórnia ficará para sempre, não apenas pelo talento dos Eagles, mas por sua forma mitológica, do herói lutando contra as forças do mal em sua odisseia. Tudo aquilo que você aprendeu durante toda sua vida. Se você puder, assista o documentário sobre os Eagles que está no Netflix. É uma festa!

E é assim então, ao som de HOTEL CALIFÓRNIA com os Eagles na versão de 1994, que vamos saindo no embalo

Com o roqueiro Lalá Moreira na técnica, a woodstoquiana Ciça Camargo na produção e eu, que quanto mais ouço esses clássicos, mais descubro que são geniais, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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E para terminar, uma frase de Glenn Frey

Alguém perguntou a meu amigo Bob Seeger: por que você acha que os Eagles se separaram?
E ele respondeu:

Hotel Califórnia.