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683 – O peixe

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Luciano Pires -
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Olha! Tem água infiltrando! Tem pintura manchando! Mofo voltando! Fungo pegando! Isso é umidade, viu? E ela não perdoa. E com a umidade vem também várias doenças respiratórias. Se você tá brigando com a umidade, saiba que a maioria dos problemas são fáceis de resolver com a ajuda da SIKA – Líder Mundial de Impermeabilizantes.  Acesse o @sika_brasil no Instagram e coloque lá suas dúvidas! Ou simplesmente, diga que conheceu a SIKA através do Café Brasil!

SIKA – S.I.K.A. – @sika_brasil.

E aí, hein? Dar o peixe ou ensinar a pescar? Será que se você ensinar a pescar, as pessoas magicamente vão mudar? Ou é preciso ir um pouco mais longe, hein? Olha, a mudança aparece quem a quer. E é nessa praia que vamos hoje.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Começando com César Camargo Mariano e Hélio Delmiro, com Milagre dos Peixes e San Vicente,

lembro que em minhas palestras, quando falo de mudança, mostro uma espécie de fórmula que diz o seguinte: só quando a dor real é maior que a dor da mudança, ela, a mudança, acontece. Exemplo: o meu dente dói. Mas a perspectiva de ir ao dentista é muito pior que a pequena dor que sinto, então vou levando… enrolando. Um dia acordo com a boca inchada, ou a dor ao comer fica insuportável, muito maior que o desconforto de ir ao dentista. E aí a mudança acontece. Eu vou no dentista. Parece meio burro, e é. É o lagarto mandando, ele só quer saber de prazer ou de evitar a dor. Por isso corre corrigir a dor maior.

O que dói mais, a dor nas costas pela manhã ou o desconforto de ir à academia, hein?

Pois é. É por isso que eu não vou na academia…

Todos temos nosso interior, onde habitam as experiências subjetivas, e nosso exterior, onde estão as experiências objetivas. Entre as duas existe um mundo de negociações.

E todos temos nossa perspectiva sobre nós mesmos. Se você acha que é tímida, que é fraco em matemática ou muito ruim em alguma atividade, vai inconscientemente buscar oportunidades para reforçar essa crença. Mesmo que apareçam evidências contrárias. E se aparecer alguém para lhe ajudar, dificilmente conseguirá. O sistema de crenças de outras pessoas não pode competir com o seu.

Eu dificilmente mudarei minha visão de mundo por causa de algo que alguém me disse. Só mudo se sentir as consequências.

Sendo assim, se alguém me ensinar a pescar, eu vou pescar? Ou ficarei aguardando que alguém apareça com o peixe, hein? O que vai doer mais?

A fome ou a paciência?

Sobre essa questão de ajudar os outros, de dar o peixe ou ensinar a pescar, vou dar uma volta agora pra tratar do assistencialismo, da filantropia. Pra isso usar um texto de Stephen Kanitz que precisa se relido de tempos em tempos.

“Uma das frases mais divulgadas por empresas socialmente responsáveis é “Nós não damos o peixe, nós ensinamos a pescar”.

Um dos conceitos mais valorizados por intelectuais, e especialmente por professores, é que ensinar a pescar é importante, dar o peixe não é.

São pessoas que se colocam contra o assistencialismo, a caridade e a filantropia.

Acham que o assistencialismo é nocivo, que cria dependência e reduz a autoestima.

Existe atualmente enorme preconceito contra entidades que dão assistência, como aquelas que cuidam de moças solteiras grávidas e as inúmeras entidades que servem sopão aos famintos.

De uns anos para cá, doadores estão deixando de ajudar entidades assistencialistas.

Hoje as empresas não querem patrocinar entidades que oferecem teto a moradores de rua, olham feio para o Fome Zero.

A maioria das empresas socialmente responsáveis está sendo induzida a patrocinar prioritariamente projetos que “ensinam a pescar”.

E aceita sem pestanejar porque são projetos que proporcionam elevado retorno sobre o investimento.

Eu vou defender as entidades que prestam assistencialismo à moda antiga e tentar ajudá-las a reverter a onda que estão sofrendo e à qual muitas não estão resistindo.

O ser humano tropeça muitas vezes na vida. Já vi o desespero de mulheres abusadas, já vi pessoas humildes entrar em pânico porque os filhos contraíram câncer. Essas pessoas não precisam aprender a pescar.

Elas precisam de assistência, carinho e compaixão. Alcoólatras precisam de ajuda, um ouvido amigo, e não de cursos sobre os efeitos do álcool.

Dependentes químicos não precisam de cursos de “geração de renda”, eles precisam de compaixão, colo e um ombro carinhoso para poder readquirir forças para se reerguer SOZINHOS.

Órfãos, paraplégicos, portadores de hanseníase ou síndrome de Down, além de um curso de três semanas, precisam de atenção dedicada anos a fio.

Todo ano analiso mais de 400 ONGs e descobri algo muito constrangedor.

Nas organizações que fazem “mero assistencialismo”, 80% dos recursos doados são revertidos em uma cadeira de rodas, em óculos para um deficiente visual ou num prato de comida.

Ou seja, o dinheiro vai para quem precisa, enquanto nas ONGs que “ensinam a pescar” 85% das doações terminam no bolso dos professores e não no bolso dos alunos carentes.

Por que professores não podem ser voluntários sem receber nada, como os outros, hein?

Alguns, felizmente poucos, cobram fortunas dessas entidades para dar aulas de gestão do terceiro setor e nem ficam vermelhos quando em sala de aula enaltecem o trabalho voluntário.

Hoje as empresas socialmente responsáveis estão usando critérios capitalistas para escolher projetos sociais, querem “investir”, querem “retorno”, querem “alavancar”.

Por isso, adoram projetos que ensinam a pescar, porque o “retorno sobre o investimento” é elevado.

Com esses critérios tipicamente neoliberais, nenhuma empresa investe mais no velho, no tetraplégico, no cego, porque “não compensa”.

Empresário só “investe” em crianças, danem-se os doentes terminais.

É o neoliberalismo social sobrepujando o humanismo cristão.

Não sou contra ensinar a pescar, quero deixar isso bem claro.

Fui professor por trinta anos, precisamos de ambas as posturas sem dúvida alguma.

Só que a maioria das entidades que fazem “mero assistencialismo” também ensina a pescar como parte da recuperação, mas isso os intelectuais nunca divulgam.

O que me preocupa é a enorme ênfase atual na primeira atitude em detrimento da segunda.

Precisamos reverter esse preconceito, precisamos dar valor àquelas entidades que prestam assistência a órfãos, paraplégicos, portadores de hanseníase, síndrome de Down, cegos, doentes mentais, velhos, vítimas de estupro e abuso sexual.

Lamento dizer que boa parte de nossos problemas sociais não é resolvida em sala de aula, por isso temos de manter o equilíbrio.

Se sua empresa é uma dessas que fazem questão de não dar o peixe e somente ensinam a pescar, repense sua posição.”

“Aqui é Claudio Roberto, morador de Guarapari, Espírito Santo.

Olha! As pessoas não estão acostumadas a terem tudo mastigado e fazer com que as pessoas busquem informação primária, é querer despertar uma fagulha que está adormecida lá dentro da população brasileira, mas é possível. É possível porque muitos estão fazendo isso. Estão despertando pra isso, pra não cair no engodo. 

Luciano: você está certíssimo. Esse negócio das pessoas quererem viver em realidades paralelas, não quererem aceitar as coisas como elas são, não querer enxergar as coisas como elas  são e dali tirar realmente a verdade dos fatos, das coisas, de tudo. A verdade. A gente tem que sair desse modo avião de raciocinar. As pessoas tem que sair, as pessoas… do cotidiano da gente. O amigo que a gente bate papo na padaria, o mecânico que cuida do seu carro, sei lá… o dentista que nos acolhe na hora de sofrimento ali. 

Esse tipo de coisa é um trabalho árduo, é um trabalho árduo, mas que, graças a Deus tem encontrado eco no coração de muitas pessoas que estão compartilhando essas ideias, estão tentando fazer com que mais pessoas tenham a visão real da coisa. 

Hoje em dia a gente tem que ter um pensamento radial, assim como você tem, Luciano. Já percebi que você tem esse pensamento. Como você disse de outra vez, você não vai deixar de ouvir uma bela música de Caetano Veloso, por causa da opinião política dele. Por que a música dele, realmente… tem muita música dele que são bonitas, tudo mais. Você não vai deixar de curtir a obra de um artista por causa da opinião, por ele ser socialista, seja o que for. Entendeu?

Saber separar as coisas é um pensamento radial. Existem pessoas dentro do socialismo, comunismo, que podem dizer coisas úteis, coisas que a gente pode pegar e praticar e ver que faz um efeito positivo na vida da gente. É claro que, você pegar isso como ideologia de vida e botar em prática… no meu caso não funciona de jeito nenhum.

Mas o foco aqui é a gente ter um pensamento radial. Somente a gente tendo essa  visão das coisas, escolhendo uma coisa aqui, outra ali e buscando sempre a fonte de cada informação, de tudo, sem pressa, como você mesmo disse, é que vai fazer a gente ter noção da coisa como ela é. E depois que a gente tem essa informação, agir conforme o necessário, conforme for necessário agir, se for apoiar essa realidade, pra que ela cresça, ou se for pra combater uma coisa que tiver de errado, a gente fazer.

Mas enfim: tudo tem que passar por esse filtro. Essa boa vontade de se dispor e não acreditar em tudo que se lê, observar o contexto, não só o texto, como já foi explicado, não vou ficar repetindo tudo o que você já disse, é desnecessário isso mas, é verdade, é verdade. 

Com uma visão ampliada, radial e com bom senso, a gente consegue driblar as dificuldades do dia a dia, da vida e seguir em frente, nesse país caótico, que ainda está muito caótico mas, que está caminhando, devagar, bem devagarinho, mas está caminhando pra uma coisa muito melhor. 

Um abraço. Desculpe aí se eu atropelei algumas palavras, eu fico sempre tenso na hora de gravar áudio aqui mas, acho que dá pra aproveitar alguma coisa do que eu disse aí. Um abraço querido. Fiquem  com Deus vocês todos”. 

Obrigado,  Claudio Roberto.. Olha: é isso aí, viu?. Pensamento radial é o nome, é? Eu aprendi mais uma. Você tem razão mesmo, tem um grupo de pessoas que está com a cabeça fora das nuvens e os pés na realidade. Eu torço todo dia para que tenham forças para levar o Brasil para o caminho que precisamos. Não tá fácil, viu? Mas eu acho que a gente mas chega lá. De novo: muito obrigado.

O Claudio Roberto receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT distribui as marcas Prudence, Sutra e Andalan, contemplando a maior linha de preservativos do mercado, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. A causa da DKT é reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta para evitar a gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, então: qual é a informação primária que importa?

Lalá – Ah ora: na hora do amor, use Prudence!

Luciano – Muito bem.

Que legal! Esse é o pessoal do Barbatuques com Peixinhos do Mar, canção tradicional da marujada, também conhecida como fandango, que é um folguedo típico das regiões Nordeste e Norte do Brasil. Foi Tavinho Moura quem popularizou essa canção…

Pois é… o Kanitz é um administrador. Um pragmático, que sabe que para sair daqui e chegar ali é preciso seguir um passo a passo. Ele sabe que um Plano de Ação Imediata é necessário quando se vê alguém morrendo de fome. É preciso acabar com a fome, com o frio, com o risco de vida. Tem de dar o peixe, sim, isso é o primordial, é essencial. Depois se pensa em resolver o problema na raiz.

O texto do Kanitz me levou a aprofundar a reflexão, saindo da questão da assistência, da filantropia e indo para o nosso dia a dia, quando nos vemos diariamente diante da escolha entre dar peixes ou ensinar a pescar. Com nossos filhos, parentes, amigos, colegas de trabalho…

Dar o peixe cria uma relação de dependência e poder, à qual nem todos estão dispostos de abrir mão. Esse é o lado perverso. O chefe que detém as informações, por exemplo, que precisa que as pessoas o procurem para poder exercitar seu poder. Vai ensinar a pescar só um pouquinho, não é?

Aliás, ensinar a pessoa a pescar leva tempo, paciência, recursos. Precisa da disposição do outro em aprender, é muito mais complicado e difícil do que simplesmente dar o peixe. E além disso, resolve apenas uma parte do problema.

Quando você dá o peixe, a única coisa que o outro precisa saber é onde tem de estar para pegar o peixe. Não precisa se preocupar com onde encontrar o peixe, como pescá-lo, como limpá-lo e cozinhá-lo. Só precisa estender a mão e abrir a boca.

É assim que agimos com os bebês, ou eles morrem de fome. E é assim que devemos agir com adultos que estão fracos demais, desorientados demais, desesperados demais.

O risco aparece quando fazemos o mesmo de forma rotineira, assumindo a responsabilidade pela pessoa que estamos ajudando. De novo: há momentos em que isso é inevitável e por isso, como disse o Kanitz, é preciso ajudar muita gente que dá o peixe, sim. Dar-lhes a mão para que levantem. Um programa como o Bolsa Família, por exemplo, é fundamental, eu vejo com prazer parte do meu dinheiro pago em impostos ajudando a salvar a vida de irmãos brasileiros desafortunados.

Muito bem, resolvido o problema da fome imediata, o ensinar a pescar vem na sequência, mas também não é suficiente. Além de ensinar a pescar é preciso ensinar a pensar, a interpretar as circunstâncias.

Aquele velho provérbio chinês “Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar, e você o estará alimentando pelo resto da vida” precisa de uma atualização.

Fica mais ou menos assim, ó: ““Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar e talvez, dentro de alguns meses, ele poderá se alimentar por conta própria. Desde que continue havendo peixes para pescar”.

E se não tiver mais peixes, hein? Bem, aí a pessoa terá se adaptar.

Ensine todos a pescar e dentro de algum tempo não teremos mais peixes. Vamos ter de mudar para outro alimento. E aí, quem não aprender a pensar criticamente, a interpretar as mudanças nas circunstâncias, vai voltar à estaca zero. Aquela da fome. Só sabe pescar peixe, e não tem mais peixe…

Interpretar é perceber as diferenças e responder a elas de formas diferentes. Quem não consegue interpretar as circunstâncias não consegue se adaptar… e morre de fome. Quando interpretamos e nos adaptamos, mudamos as circunstâncias nas quais a interpretação acontece.

Então, quem não tem conhecimento, recursos nem paciência para ensinar a pensar, começa a distribuir fórmulas. Faça isto, faça aquilo e você se dará bem. Fórmulas para viver bem e não para se adaptar às circunstâncias. E cá entre nós, essas fórmulas são irresistíveis, não é? Pô, vem tudo mastigadinho, é só seguir o modelinho e… pronto! Fique milionário em um mês, emagreça 15 quilos em duas semanas, encontre o amor da sua vida ali ó, na esquina.

Chamo isso da Síndrome do AbFoda-se. Imagine a seguinte cena:

Você está assistindo TV e aparece um comercial do abfoda-se, um aparelho para fazer abdominais que é fantástico. Tem uma aparência de coisa frágil, mas no comercial está muito claro, cara: use-o 15 minutos por dia e em três meses você estará com a barriga tanquinho. E por 20 minutos você vê aquele comercial, cheio de gente linda e magra usando o aparelho e sorrindo. Aí vêm as ofertas, você compra o aparelho e leva uma faca ginza, uma filmadora tekpix e um varal! Tudo por 36 parcelas de 177 reais!

Cara, a fórmula é irresistível e você compra.

Quando o aparelho chega, você lê as instruções e está lá: o abfoda-se é eficiente se junto com ele você praticar exercícios físicos e controlar a alimentação…

Pô cara, então não precisa do abfoda-se!

Sacou? O abfoda-se é a fórmula fácil. O exercício físico e o regime alimentar são o complicado, onde é preciso tudo aquilo que o comercial não mostra.

O abfoda-se é o peixe. Mas só dá certo se você não só aprender a pescar, mas tiver a disciplina e o conhecimento para fazer tudo aquilo que emagrece… Mas aí cara, o vendedor do abfoda-se já levou o dele.

Chegou a hora da NAKATA, que fabrica autopeças para veículos leves, pesados e motos e mantém um blog com dicas para ajudar você a cuidar bem do seu carro e economizar na manutenção. E com dicas técnicas para o seu mecânico. Ainda dá tempo, até o final deste mês . Se você entrar no blog.nakata.com.br e deixar um comentário dizendo que chegou lá pelo Café Brasil, concorrerá todo mês a um curso na Udemy, aquele ambiente virtual para ensino e aprendizado, que conecta alunos de qualquer lugar aos melhores instrutores ao redor do mundo. Eles têm milhares de cursos e o ganhador poderá escolher qualquer um até o valor de 250 reais.

Cara! O curso da Udemy, se for bem escolhido, pode mudar sua vida. Que tal, hein? blog.nakata.com.br

Tudo azul? Tudo Nakata.

Então. Não existem fórmulas prontas, a vida é uma estrada que muda de sentido e direção a cada segundo. O que deu certo pro Mané não dá pro José. Por isso a única forma de matar a fome deles sem muita encheção de saco é: dê o peixe. E prepare-se que amanhã eles voltarão para pedir outro peixe. E depois de amanhã… e depois…

A gente deveria, na verdade, ensinar o Mané e o Zé a desenvolver a capacidade de interpretação e em como responder aos acontecimentos quando as circunstâncias mudam. E isso demora, meu caro… talvez uma vida toda.

Se você simplesmente der a eles a fórmula, disser o que devem fazer, eles continuarão dependentes, ignorantes e fracos, incapazes de resolver o problema por iniciativa própria. Na próxima vez que sentirem fome, não terão ferramentas nem técnicas para resolver o problema. Vão procurar você novamente e colocar no seu colo a responsabilidade por resolver o problema deles. E isso dará poder a você e não a eles.

Bem, tem gente que gosta, né?

Por isso é muito importante prestar atenção aos entregadores de peixes que estão por todo lado. Para qual deles você dará seu tempo de vida, sua energia? Aliás, qual deles você quer ser?

O que traz o peixe pronto…

O que ensina a pescar…

Ou aquele que ensina a pensar e interpretar as mudanças?

E então? Se alguém te ensinar a pescar, você vai pescar? Ou ficará aguardando que alguém apareça com o peixe? O que vai doer mais?

A fome ou a paciência?

Olha, é assim com a maioria das pessoas, afinal tem o lagarto que mora na nossa mente e que só quer moleza, não é? É importante lembrar disso ao ajudar alguém, para não ficarmos frustrados quando, apesar de todos os nossos esforços, do nosso otimismo e crença nas mudanças das pessoas, o indivíduo continuar se comportando como sempre fez.

Pois é. Deu pra pensar sobre qual é seu papel na promoção da mudança nas outras pessoas? Quando é pra dar peixe, quando é pra ensinar a pescar e quando é pra ensinar a pensar?

Olha, talvez o seu papel seja… nem um nem outro. Não temos poder de mudar outra pessoa. Somos responsáveis por nosso comportamento, nossos pensamentos, nossas escolhas, não pelos dos outros. Não dá pra ajudar quem não quer ser ajudado e esse é o ponto.

E tem a questão da motivação: o que motiva você a ajudar outras pessoas, hein? Generosidade e compaixão ou poder e controle?

Putz, esse assunto vai render outros programas…

Pescaria
Wilson Ribeiro Pimentel
Conceição Alves Ferreira

Pego minhas redes, vou pro rio pescar
Levo essa morena e a viola pra pontear
Entro na canoa, atravesso pro lado de lá
Com essa morena do lado, pesco até o dia clarear
Jogo a tarrafa, ela segura o samburá
Quando pego o peixe, nele colocar
Logo mais a meia-noite, o frio começa a apertar
Saímos pra margem do rio, largamos os peixes pra lá
Acendo um fogo pra nós dois se aquecer
Preparo um cafezinho, espero o dia amanhecer
Pego a viola e faço um ponteado
Sentados na beira do rio
Com viola e violão afinados

É assim, ao som de PESCARIA, de Wilson Ribeiro Pimentel e Conceição Alves Ferreira, com Caetano Veloso e Maria Bethânia, que encerramos mais esta edição do Podcast Café Brasil.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, você aí ó, completando o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”, onde você tem uma espécie de MLA – Master Life Administration. Acesse cafedegraca.com e experimente o Premium por um mês, sem pagar.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/683.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Thomas Sowell que é uma provocação só:

O velho ditado sobre dar a um homem um peixe contra ensiná-lo a pescar foi atualizado por um leitor: Dê a um homem um peixe e ele vai pedir molho tártaro e batatas fritas! Além disso, algum político que quer o seu voto irá declarar todas essas coisas como seus “direitos básicos”.