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638 – O efeito Dunning-Kruger

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Luciano Pires -
Download do Programa

Cara, eu fico besta com a quantidade de gente que evidentemente não sabe das coisas, sai dando pitaco sobre as coisas. Todo mundo tem certezas e com as mídias sociais então, o que mais tem é gente dando palpite, cara. Ou lá como se dizia lá em Bauru, paRpite.  Olha. Isso não seria problema não, viu? Se essa gente não sofresse do efeito Dunning-Kruger, que ajuda a entender esta zona na qual estamos metidos, cara!

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, aquele recado: a transcrição deste texto você pode baixar acessando portalcafebrasil.com.br/638.

E quem vai levar o e-book Me Engana Que Eu Gosto é o Rafael Cristofolini, de São Bento do Sul.

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano. Aqui é Rafael Cristofolini de Santa Catarina, São Bento do Sul. Hoje é dia 24 de outubro, são cinco pras seis da tarde, estou indo buscar meu filho na natação, voltando de uma cidade vizinha, sou vendedor e vim escutando um pedacinho da tua entrevista com o Carlos Nepomuceno. 

Cara! Que definição simples e chega a ser até perturbadora, de tão simples que é, a descrição dele em relação a direita e esquerda, que ele fala ali… que na verdade os nossos esquerda do Brasil, não são esquerda, são marxistas. Cara! Eu nunca tinha parado pra pensar dessa maneira, que de fato, como a nossa sociedade ela é influenciada pela esquerda, pelas teorias de Marx na verdade, né? Cara, impressionante! Impressionante! Impressionante! Cara! Eu vou ter que virar membro do Café Brasil Premium, cara! Tenho que escutar a entrevista inteira desse cara. Esse cara é muito foda. Muito foda. 

Parabéns, Luciano. Pô cara! O cara… não é porque a opinião dele é igual a minha, tá? Não. É porque ele traduziu em outras palavras aquilo  que eu estou sentindo neste momento que… pôxa, a gente tem que execrar, né cara? Esses loucos daí de cima pra melhorar nosso país, pra de fato a gente ter uma condição melhor de vida, pra gente poder ter as glórias de um país rico como o nosso, porque o Brasil é um país rico, cara! 

Há pouco tempo atrás, eu falo pros meus amigos e conto pra todo mundo. Há pouco tempo atrás eu fiz uma viagem pra Itália e eu fiquei impressionado com o poder de compra que as pessoas tem pra lá. Eu viajei pra lá a passeio e levei €1500. Eu fiquei quinze dias lá e sobrou dinheiro. Sobrou dinheiro. Eu pude comer tudo que eu quis, eu pude entrar nos lugares que eu quis, eu pude visitar os lugares que eu quis porque, proporcionalmente falando é tudo muito barato. E eu fico pensando: pôxa! Este país aqui não tem nada abundante pra oferecer, mas o dinheiro tem valor. Por que que no nosso país não pode ser assim? É isso que encanta as pessoas às vezes a ir embora do país, né? Ir lá e poder comprar. Porque a gente é capitalista, cara! A gente pensa em comprar. Comprar, gastar dinheiro, comprar, comprar, comprar, comprar. 

Luciano: parabéns. Parabéns pelo programa, cara! Um abraço.”

Outro abraço, grande Rafael. Obrigado pelos parabéns aí, viu? Agora uma coisa aqui, ó: você acha que não é porque o Nepomuceno tem a mesma opinião que a sua é? Olha! Eu acho que depois deste programa aqui você vai repensar isso aí., viu? Sobre o seu comentário a respeito do poder de compra…olha esse é um sonho meu: de que todos, todos, todos os brasileiros pudessem passar uma semaninha fora do Brasil, para ver que existe uma outra sociedade possível.

Muito bem. O Rafael receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Você já sabe, boa parte dos resultados da DKT pra onde vai? Pra onde vai? Para ações sociais de combate às doenças sexualmente transmissíveis e ao controle da natalidade, não é? Pois vamos fazer mais. Estamos fazendo mais aqui, ó. Para cada produto PRUDENCE que você adquirir hoje, a DKT doará um produto igual para uma das organizações sociais com as quais ela mantém acordos. Olha! Não tá andando legal isso aí, cara! Ou o povo tá transando pouco ou não está mandando pra cá as coisas né? Mandando as fotos pra cá. Você tem que fazer  assim, ó: mande uma foto com os produtos que você adquiriu para nosso whatsapp 11 96429 4746 e aguarde uma resposta com informações sobre a entrega dos produtos. Assim, cada vez que você comprar um produto Prudence, estará contribuindo ainda mais para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então!

Luciano – Muto bem, Lalá. As fotos não estão chegando, não. Acho que o pessoal anda meio broxado aí. Vamos dar um up aqui, vamos? Na hora do amor…

Lalá – Usa Prudence e manda as foto, pô…

Luciano – Não é pra mandar as fotos usando Prudence, por favor. Manda a foto só do produto.

E o Café Brasil Premium, a nossa “Netflix do Conhecimento”, está a toda, cara! Olha: o que está por trás dele é o seguinte: é uma coisa chamada educação continuada. Você vai poder estudar onde, quando e como quiser. Tira do bolso o seu celular e você tem um conteúdo de primeira, voltado para o seu crescimento pessoal e profissional com a pegada que você tem aqui no podcast Café Brasil.  Tente lá o nosso MLA – Master Life Administration. Então acesse bit.ly/CafeDeGraca para experimentar o Premium por um mês, sem pagar.

De novo: bit.ly/CafeDeGraca.

Faça uma degustação do cafebrasilpremium.com.br. 

Conteúdo extra-forte.

Em minha palestra Tudo bem se me convém, eu apresento uma pesquisa chamada VALORES BRASILEIROS, realizada em 2010 e que perguntou a cerca de 2500 pessoas duas coisas:

  1. Quais valores mais representativos de quem é o brasileiro?
  2. Quais valores mais predominantes no Brasil de hoje?

A primeira pergunta sobre quem o brasileiro é, queria saber quem somos e os cinco primeiros atributos foram amizade, família, honestidade, respeito e humildade.

A segunda pergunta sobre os valores predominante no Brasil de hoje, queria saber o que que a nossa sociedade é. E os cinco primeiros atributos foram corrupção, pobreza, crime/violência, desemprego e analfabetismo.

Você reparou, hein? Os brasileiros são o máximo cara, honestos e legais. Mas o Brasil é uma merda, é corrupto, é pobre é violento. E eu pergunto: como é que 200 milhões de pessoas tão legais podem construir uma sociedade tão cagada, hein?

Que raio de percepção é essa na qual a gente se acha tão capaz, mesmo diante das evidências de que talvez não sejamos tão legais assim? Somos os heróis de nossas histórias, mesmo que a realidade mostre que não é bem assim…

O bom
Carlos Imperial

Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom

Meu carro é vermelho
Não uso espelho pra me pentear
Botinha sem meia
E só na areia eu sei trabalhar

Cabelo na testa, sou o dono da festa
Pertenço aos Dez Mais
Se você quiser experimentar
Sei que vai gostar

Quando eu apareço o comentário é geral
– Ele é o bom, é o bom demais
Ter muitas garotas para mim é normal
Eu sou o bom, entre os Dez Mais

Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom

Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom

Opa!!! Eduardo Araújo detonando tudo com ELE É O BOM, de Carlos Imperial, numa apresentação ao vivo no programa The Noite… Quem é bom faz ao vivo, né… então…

Para começar a entender o fenômeno de quem se acha mas não é, temos de conhecer uma coisinha que os psicólogos chamam de “raciocínio motivado”.

Quando nos deparamos com informações que estão de acordo com aquilo em que acreditamos ou queremos acreditar, temos a tendência de aceitá-las como verdadeiras. Aliás, tendência, nada, aceitamos mesmo! Se você acredita que Bolsonaro é racista e recebe um meme dizendo que ele é racista, pronto! Compartilha com orgulho e com um #elenão gigantesco no final. Essa informação é categorizada como uma evidência que confirma sua crença.

Você não ficou espantado durante as eleições ao ver os candidatos desfilando sequências de mentiras óbvias em rede nacional? Não importa que candidato, cara. Todos eles. Você pode acreditar que eles fizeram isso por motivos simplesmente eleitorais, mas grande parte é pelo raciocínio motivado.

Quando estamos diante de informações que vão contra nossas crenças, aí a coisa muda, cara. Nos tornamos céticos, críticos e minuciosos. Vamos querer saber da fonte e procurar todos os erros e defeitos da informação, até termos a certeza de que aquilo não procede e pode, portanto, ser rejeitado e confirmar nossas crenças. Para isso usamos todos os tipos de truques cognitivos. O mais comum é olhar um panorama, extrair dele uma pequena parte onde está o erro e transformá-la no todo. Por exemplo: um neo-nazista disse que apoia Bolsonaro. Logo, todo apoiador do Bolsonsaro ou é neo-nazista ou tem simpatia por eles…

Um ladrão no presídio diz que votaria em Lula. Logo, todo eleitor de Lula ou é ladrão ou simpatiza com eles…

Um psicólogo chamado Tom Gilovich tem um trabalho muito interessante. Ele pesquisa nossa capacidade de julgamento diário, como tratamos a forma como nós e outras pessoas somos, o que nos espera no futuro e o que os eventos do passado realmente querem dizer. Ele está interessado em conhecer os processos de julgamento que levam as pessoas a interpretar mal as evidências de suas próprias experiências e levá-las a conclusões erradas, crenças questionáveis e… escolhas desastrosas.  

Ele diz que duas perguntas nos movem, dependendo de como a informação com a qual nos deparamos confirma ou não nossas crenças.

Ele diz que perguntamos: “Posso acreditar nisto?” ou então “Devo acreditar nisto?”. Posso ou devo?

É assim que vivemos nossas vidas, perguntando se podemos ou se devemos acreditar nas informações políticas, científicas, artísticas, jornalísticas ou quaisquer outras que despertem nosso interesse.

Eu amo comer ovo frito. De paixão. Minha mulher tem convicção de que ovo dá colesterol e se recusa me oferecer ovos. Levo para ela as publicações que desmentem os efeitos nocivos dos ovos e ela me mostra a capa da Veja que diz que ovo faz mal. E ali eu vejo claramente o meu próprio viés. Qualquer artigo que ataque o ovo eu vou ler com um pé atrás cara, à procura de evidências de que ele está errado. Artigos a favor dos ovos eu leio de peito aberto, com um sorriso nos lábios… e com fome! E o mesmo acontece com você, com seu vizinho, com seus pais, sobre qualquer assunto É natural.

E é assim que partimos então para nos defender.

– O quê? Pesquisa do Datafolha? Você tá louco, hein?

– Luciano, citando Olavo de Carvalho? Você já foi melhor, hein, meu?

– Ah, se deu na GloboNews só pode ser merda.

– Só podia vir da cabeça de um petista…

– Também.. esperar o que de um podcast feito por um coxinha?

Você tem visto isso por aí? Começa a entender as maluquices que aquele seu amigo do Whatsapp, o outro do Facebook ou seu cunhado dizem? Compreende porque rompeu com sua irmã, hein? Entendeu o raciocínio motivado? E o que é que ele tem a ver com o efeito Dunning-Kruger, hein? Vamos ver?

Em 1999 os psicólogos David Dunning e Justin Kruger publicaram um estudo sobre como a dificuldade de reconhecer a própria incompetência leva as pessoas a criar uma superioridade ilusória. A gente se acha melhor do que é… O curioso é que o estudo partiu de um criminoso norte americano que assaltava bancos com o rosto coberto de suco de limão. Ele sabia que o suco de limão era uma tinta invisível e acreditava que cobrindo o rosto com ela as câmeras não o reconheceriam…

A questão é que o indivíduo falha miseravelmente em reconhecer sua incompetência. E, pior, se acha competente. Bem, dê a ele uma mídia social, um canal no youtube, acesso ao Whatsapp e… pronto!

Qualquer bobagem
Tom Zé

Chegue perto de mim
Não precisa falar
Acenda o meu cigarro,
Não queira me agradar
Queira, queira.

Não decida, nem pense
Não negue, nem se ofereça
Não queira se guardar
Não queira se mostrar
Queira, queira.

Escute esta canção
Ou qualquer bobagem
Ouça o coração, amor

Escute esta canção
Ou qualquer bobagem
Ouça o coração, que mais?
Sei lá!

Uia… Os mineiros do Pato Fu cantando Mutantes no Café Brasil, com QUALQUER BOBAGEM, do Tom Zé… Olha, essa é de 1995, antes do Pato Fu virar uma banda melancólica. Naquela época eles falavam amoR… É… temos um marmanjo aí com saudade da MTV. 

Vou continuar aqui. Faz uma coisa aqui: bota um som aí pra reflexão, por favor!

Vamos lá então.

O problema da superioridade ilusória é excesso de confiança, quando usamos nossa sensação de certeza como prova de que temos as respostas certas. A gente confunde entender uma coisa com estar certo sobre essa coisa. Quantas vezes você já viu isso acontecer, hein? Uma discussão quentíssima na mesa de bar sobre quem mais interpretou James Bond no cinema, se foi  Roger Moore ou Daniel Craig. Você consulta o Google, vê que foi Roger Moore, mas o outro cara, não aceita…

Estudos demonstraram que pessoas que se dizem 100% certas sobre a pronuncia de uma determinada palavra, estão erradas 20% das vezes. Se é isso mesmo, temos excesso de confiança sobre muitas coisas sobre as quais temos certeza.

Leve essa constatação para o universo da política e você começa a entender porque as coisas são como são.

Por exemplo… estatiza ou privatiza, hein cara?

A turma da esquerda, os estatistas, não admite privatizar e tem milhares de argumentos sustentando sua posição. A turma mais à direita, os liberais, quer privatizar até creches e tem milhares de argumento sustentando sua posição. E entra ano, sai ano, os estatistas e os liberais estão batendo boca sobre o assunto e o povo vai assistindo sem saber direito quem está certo. O efeito Dunning-Kruger ajuda a entender o que acontece.

Não é complicado ver economistas, cientistas, sociólogos e todo tipo de especialista defendendo com fervor posições que são antagônicas? Inteligências equivalentes em polos opostos, hein? É certo que a maioria do que ouvimos e – especialmente – assistimos nos infindáveis debates políticos e jornalísticos, são ideias simplistas e muito barulho. Acabamos escolhendo os especialistas ou políticos com os quais simpatizamos para orientar nossa opinião. Mesmo que eles estejam claramente defendendo um lado e não sejam altamente qualificados para opinar. Especialmente jornalistas.

Mas por que a gente simplesmente não acredita na opinião dos economistas que estão além das questões ideológicas, hein? Que conhecem os exemplos, estudam profundamente as questões e têm pistas de como resolvê-las? É porque estamos presos a plataformas políticas, a ideologias que nos comprometem com políticas econômicas mesmo que as evidências mostrem o contrário. Ou você acha que um esquerdista que afirme que vai privatizar e reduzir o estado seria eleito, hein? Ou um liberal que afirme que vai aumentar impostos e estatizar? Isso dá um nó na cabeça da gente.

Se você é um estatista ou um liberal, vai escolher os políticos que representem sua linha de pensamento. Mesmo que as evidências mostrem o contrário.

Na recente eleição, Fernando Haddad apresentou um plano econômico que previa repetir as medidas catastróficas que Dilma Rousseff tomou e que quebraram o país. E centenas de especialistas defenderam o plano do Haddad, mesmo com as evidências mostrando o desastre futuro… E 47 milhões votaram nele.

É o efeito Dunning-Kruger em ação. Dificilmente reconhecemos nossa ignorância sobre muitos assuntos, aceitamos ideias simplificadas que só arranham a superfície dos problemas e tentamos com elas compreender a realidade. Adoramos respostas simples e erradas para problemas complexos. Todas as teorias que nos rodeiam, venham de que lado vierem, têm dentro de si fragmentos de verdade, e é nesses fragmentos que nos penduramos para escolher qual teoria seguir. E normalmente escolhemos os fragmentos do lado que mais serve às nossas convicções.

A coisa piora quando as narrativas históricas constroem panoramas que nos fazem interpretar o mundo de maneira enviesada. Por exemplo, a esquerda está interessada nos direitos humanos e na defesa do meio ambiente. A direita está interessada na economia e no mercado. Quem é que construiu essa percepção, hein? Quem disse que uma pessoa de direita está disposta a abrir mão dos direitos humanos ou de destruir o meio ambiente, hein? E quem disse que uma pessoa de esquerda quer que a economia se dane e que o mercado seja destruído? São simplificações, criadas para levar você para um lado. E se você não tem repertório suficiente, por exemplo, se você é um floco de neve recém saído de casa e caiu numa universidade federal, vai necessariamente sair gritando #elenao, #resistencia e todos os slogans criados para transformá-lo numa peça de resistência a um poder antagonista aos valores e convicções do professor ou colega que está fazendo sua cabeça. Pô meu, com 17 ou 20 anos de idade, quem é que resiste defender uma baleia, hein?

Existem muitas narrativas que sim, estão certas, mas o mundo é muito mais complicado que aquela aula, aquele papo de bar, aquele post no Facebook ou a opinião daquele Youtuber influenciador digital.

Para escolher os eu lado, você precisa mergulhar nas evidências, em vez de apenas buscar as opiniões da tchurma que compartilha com você uma visão de mundo. E pior ainda, nos satisfazemos com as informações superficiais e achamos que já temos elementos para avaliar as opções. Para, por exemplo, criticar a proposta da reforma da previdência! E aí ouvimos o discurso inflamado do militante destruindo a reforma e saímos repetindo as bobagens por aí.

É o efeito Dunning-Kruger que nos mantém infinitamente discutindo os mesmos problemas, desconsiderando a opinião de quem estuda os assuntos pela vida toda e jamais chegando a uma solução.

Cara, eu ouço a discussão sobre a seca no nordeste desde que eu aprendi a ouvir, meu… A discussão sobre a educação… há quarenta anos milhares de especialistas se debruçam sobre a questão da educação e ela continua uma merda. Aliás, piora! E a segurança pública então, hein cara?  Os debates nos telejornais são ridículos… Não importam os anos de experiência dos especialistas, os jornalistas acham que seu conhecimento superficial é que vale. 

Olha, ouça o Café Brasil 448 – O que se vê e o que não se vê, eu acho que dá para aprofundar nesse tema

http://www.portalcafebrasil.com.br/podcasts/448-o-que-se-ve-e-o-que-nao-se-ve/

E depois ouça o Podcast Café Brasil 604 – (In)Segurança Pública. Nele eu apresento a fala de um especialista, Marcelo Rocha Monteiro, que é procurador de justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro e membro do Movimento de Combate à Impunidade. Marcelo estuda há anos a questão da segurança pública, na verdade ele vive esse mundo. E sua fala destrói quase toda a retórica sobre segurança que você ouve na imprensa, na escola, no Whatsapp e na mesa do bar. Marcelo apresenta dados. Mas não adianta, cara… o que teve de neguinho escrevendo pra dizer que não concorda. Aí você vai ver quem é o sujeito que discorda… é um aí, que nem eu, que sabe de ouvir falar, de ouvir jornalistas e especuladores. Ou então que leu um livro… E se você o critica, ouve que “está dando uma carteirada quando apresenta a fala desse procurador aí” Você entendeu, hein? É um caso irreversível de Dunning-Kruger.

O que fazer então? Você tem que se questionar o tempo todo, cara . Questionar as verdades nas quais você acredita. Aprender a identificar seu excesso de confiança, procurar os furos e erros em seus raciocínios e convicções. Saber diferenciar o que parece ser certo daquilo que as evidências mostram.

Sempre que você se deparar com um assunto complexo, que foge de sua rotina e de suas habilidades, dê uma parada. Veja se você não está se achando… Se esse argumento que você está usando ou aquela piadinha ou ofensa que alguém está dirigindo para o “outro lado” não está apenas servindo para reforçar as coisas nas quais sua tribo acredita. Em vez de servir para buscar a verdade.

A realidade é sempre, sempre muito mais complexa do que você acha que é, do que   o seu professor acha que é, do que o seu guru, acha que é, do que o seu youtuber acha que é cara, e precisa ter um conhecimento real para ser compreendida. Se você quer defender coisas que fazem bem e não apenas te fazem sentir bem, é preciso lidar com a complexidade, é preciso ir mais fundo que ouvir a opinião de alguém que acha. Ou de um especialista que defende um lado porque faz parte daquele lado.

Olha, é muito fácil se achar o fodão quando você tem apenas um pouquinho de informação. E sair por aí dando opinião, julgando e condenado quem pensa diferente. Se você tem o poder de tomar decisões que impactam outras pessoas, então meu, por favor! Quando se deparar com alguma dessas discussões nervosas que você vê por aí, me faça um favor, olha. Lembre que o mundo é muito complicado, que você não sabe tanto quanto acha que sabe. Assuma a humildade de dizer ou pensar “não sei” e se abstenha de dar o palpite. Seja honesto consigo mesmo, respeite a inteligência de quem segue você.

Que delícia, cara! Esse é o som de QUALQUER BOBAGEM, com o próprio Tom Zé. É com ele que vamos saindo pensativos…

Cara, o mundo tá cheio de gente inteligente, que fala bonito, teoriza, gesticula, emociona e… não consegue enxergar um palmo à frente do nariz. Gente enviesada, com a cabeça feita numa só direção e tratando tudo como se tudo simples fosse.

Bote na tua cabeça aí ó: para achar que dá para entender uma pequena, mas bem pequena parte do mundo, você tem de estudar a vida inteira… Dá trabalho, viu?

Bem, eu to aprendendo aqui. E tentando compartilhar com você.

Com o confiante Lalá Moreira na técnica, a ultra confiante Ciça Camargo na produção e eu, cuja única certeza é que só sei que nada sei, Luciano Pires na direção e apresentação.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Gostou do conteúdo do Café brasil? Já pensou ele ao vivo na sua empresa? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste não esquece!

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/638

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase do Jornalista, cronista, romancista, contista, político e historiador português Carlos Malheiros Dias:

A coragem de dizer asneiras é uma das características da improvisação jornalística.