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635 – De onde surgiu Bolsonaro?

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Luciano Pires -
Download do Programa

O pau tá quebrando cara, a eleição ainda indefinida e nunca se viu tanta gente em conflito. E conflito consigo mesmo e com outros! No meio do tiroteio, sem ironia, um personagem: Jair Bolsonaro. É hora de procurar saber de onde veio essa figura. Este programa eu dedico a meus amigos e ouvintes da esquerda.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: a transcrição deste programa você pode baixar acessando portalcafebrasil.com.br/635.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Ivo:

Luciano. Bom  dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Ivo, eu sou bancário e acabei de ouvir aí o seu podcast Me chama de corrupto. Já escuto podcasts aí há uns dois anos, pouco mais e o seu, com certeza, foi um dos pioneiros aí, nessa minha jornada de ouvir podcasts. E fiquei viciante nisso. E por procurar outros tipos de conteúdo de podcasts mesmo e livros, filmes séries que eu gosto muito de consumir, eu acabei me tendenciando aí a ser uma pessoa que gosta das ideologias de entre aspas, esquerda, né? Inclusive foi com você que eu aprendi o que era direita e o que que era esquerda politicamente, né? Não vou lembrar qual o episódio aqui agora mas, eu lembro realmente que foi com você que eu aprendi.  

Eu só queria mesmo te dizer que eu escutei o seu conteúdo eu gosto aí um pouco de sair da minha bolha pra poder tentar entender um pouco o outro lado, eu acho isso um exercício necessário pra ser feito e que você falou no texto, né? Eu estava tentando entender depois dessa eleição no primeiro turno o que é esse tsunami que o Bolsonaro está promovendo e o seu texto veio contribuir muito pra esse entendimento. Eu só queria dizer que no final você disse que iria perder uns cem ouvintes e, na verdade não, Luciano. Você me ganhou de volta, tá? Porque realmente, por questões de tempo e até por outros interesses mesmo, não vou aqui dizer, realmente, uma coisa diferente, mas eu não estava morrendo muito sem conteúdo e o texto aí, o título do seu conteúdo, do seu episódio, me chamou a atenção e resolvi ouvir e gostei muito. Então, você me ganhou de volta, eu vou me disciplinar a ouvir mais o seu podcast, com certeza, porque pra mim, ele é muito necessário. 

Eu já me emocionei muito com os seus episódios, você abriu muito a minha cabeça e eu lembro que, quando eu era adolescente, eu li um texto voltado para o senso comum, mais voltado pra parte da música, que a gente tinha que sair, parar de ouvir o que estava tocando em todas as rádios, né? O tipo de música que você chama aí, que pocotiza o Brasil, que você quer despocotizar o Brasil e você me volta a falar de senso comum? Você está dando um nó na minha cabeça aqui, tá complicado. 

Mas, eu não voto no Bolsonaro. Não votei no Bolsonaro no primeiro turno, não vou votar no segundo, assim como o ouvinte desse episódio falou, eu não concordo com o seu posicionamento, mas sim, eu gosto muito de ouvir você, gosto de ouvir o outro lado, tento entender o que está  acontecendo e é isso. Então, vida longa aí ao Café Brasil, eu estou chegando aqui no meu trabalho pra começar mais um dia e é isso, Luciano. Eu só queria que você, se você perdeu aí alguns ouvintes por conta dessa situação bizarra que está acontecendo no país, fique sabendo que você, com certeza, me ganhou de volta. Um grande abraço aí. Valeu”.

Graaaande Ivo, bem-vindo de volta! Meu caro, eu nunca fui contra o senso comum, meu trabalho sempre focou naqueles que influenciam o senso comum. Aqueles que escolhem que tipo de alimento intelectual será oferecido às massas. Essas músicas pocotizantes, por exemplo… Quem leu meu livro Brasileiros Pocotó entende a minha pegada. Existe muita sabedoria no senso comum, meu caro. Especialmente quando ele é comum, e não manipulado, e quando se refere a alguns valores básicos que trouxeram a humanidade até aqui.

Muito bem. O Ivo receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Você já sabe, né? Que boa parte dos resultados da DKT tá lá, nas ações sociais de combate às doenças sexualmente transmissíveis e ao controle da natalidade. E agora, a gente tá fazendo assim, cara: para cada produto PRUDENCE que você compra, a gente doa, aliás a gente não, a DKT doa um produto igual para alguma das entidades que ela ajuda. Faça assim: bata uma foto dos produtos que você comprou, envie pelo whatsapp no 11 96429 4746 e aguarde uma resposta com informações sobre as entregas dos produtos. Cada vez que você comprar um produto Prudence, você estará contribuindo ainda mais para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, as pessoas estão divididas! Qual é a única coisa sobre a qual elas têm de concordar?

Lalá – Pô, na hora do amor, use Prudence!

Luciano – Muito bem.

O Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, tá pegando bicho. Trazendo… olha aqui ó: trazendo aquele material que você não encontra por aí, é conhecimento. Conhecimento focado no seu crescimento pessoal e profissional. Através dessa nossa espécie de MLA – Master Life Administration. Acesse bit.ly/CafeDeGraca e você poderá experimentar o Premium por um mês, sem pagar. Quem está entrando, tá adorando, bicho.

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Conteúdo extra-forte.

Vamos lá então. Depois de uma carreira no Exército, Jair Bolsonaro entrou na política em 1989, como vereador no Rio de Janeiro. Em 1991 elegeu-se Deputado Federal num Congresso ainda nervoso com o recente final do regime militar. E Bolsonaro chega como representante dos… militares. Se tivesse se apresentado como representante do capeta, teria tido vida mais fácil. Briguento, casca grossa, com conhecimento político limitado, passou três décadas no “baixo clero”, onde estão os políticos de pouca expressão, cujos projetos dificilmente passam para instâncias superiores. É lá na ala dos Tiriricas.

O rótulo “militar” funcionou como uma espécie de lepra nos filmes bíblicos dos anos 50 e 60: ninguém queria chegar perto dele. E Bolsonaro foi, durante três décadas, ignorado, humilhado e caçoado, respondendo aos ataques da forma como podia: na grossura. Ele jamais teve alcance intelectual para dominar as várias linhas de pensamento e ideologias, nem para desenvolver argumentação sofisticada, tanto que se aliou a todo tipo de bancada e partido. Um personagem à procura de uma sigla. Foi inclusive base de apoio dos governos de esquerda, jamais ouvido, nunca afeto a formar as panelinhas, nunca disposto a votar pela cabeça dos outros. Um independente incômodo. E ainda por cima, defendendo a polícia e os militares.

Seu arsenal teórico é o da caserna: disciplina e defesa de valores morais básicos. Como é de se esperar de um militar, é um nacionalista, um nacional-desenvolvimentista que provavelmente responderá com voluntarismo e ufanismo a desafios técnicos. Na falta de argumentos, solta um palavrão. Está muito longe de ser o candidato ideal, mas não pode se exigir mais dele. Porém, com todos os defeitos, considero-o mais adequado que o presidiário de Curitiba ou Dilma eram quando assumiram a Presidência.

Vem mensalão, petrolão, impeachment, a corrupção explícita desnudando toda a podridão dos anjos salvadores e trazendo o combate à corrupção para ordem do dia. Bolsonaro tornou-se figura nacionalmente conhecida quando passou a enfrentar as bancadas desarmamentistas e LGBT+. E se não fez muito, ao menos impediu que muito fosse feito. Os histéricos ajudaram a projetá-lo para o cenário nacional. De reacionário sem importância passou a ser visto por muitos como o único que batalhava contra as maluquices que os “progreçistas”, com cecedilha queriam implementar por baixo dos panos.

Foi a esquerda que colocou Bolsonaro sob os holofotes.

Não vou entrar aqui na defesa dele, não é esse o objetivo. O que interessa é compreender o básico: um indivíduo oriundo do ambiente militar, com um histórico de bocudo, personalidade mercurial (como diria Itamar Franco), que explode ao ser provocado, limitado arsenal ideológico/intelectual (e olha, eu não disse que é limitada capacidade intelectual não, eu acho ele muito inteligente cara, 0 arsenal intelectual é que é pouco), um cara independente, que não leva desaforo pra casa e que ganha de presente uma Maria do Rosário e um Jean Wyllys, com quem protagoniza alguns dos momentos mais midiáticos da política brasileira nos últimos 30 anos. De novo: foi a loucura de Wyllys e Cia que projetou Bolsonaro. Nos enfrentamentos, construiu a imagem do sujeito firme que defende a família, Deus e a propriedade. O homem da disciplina. O conservador no mau sentido da palavra, o ogro da direita, aliás, extrema-direita, já que direita só pode ser Extrema aqui no Brasil, né? E fez a festa dos caricaturistas da moral.

Como representante do baixo clero, usufruiu de tudo aquilo que é cultura do baixo clero: verbas de gabinete, emprego para amigos, auxílio-aluguel, aquela nojeira da qual se beneficiam 99% dos políticos brasileiros. Inclusive badalados ex-presidentes.

A seu favor, o fato de jamais ter se envolvido em qualquer esquema de corrupção, pelo contrário, sendo usado como exemplo de parlamentar que nunca foi atrás de propinas. É um dos poucos políticos nos quais o rótulo “corrupto” não cola. E isso já é uma vantagem.

Nos embates com os tinhosos histéricos da esquerda, gerou incontáveis momentos que hoje são memes, usando palavreado chulo e devolvendo as ameaças na mesma moeda. Aliás, tornando-se mestre na retórica que atinge a boca do estômago de seus adversários. Ele quer provocá-los. De que outra forma se pode interpretar, na votação do impeachment de Dilma, ele ultrajar a todos com uma homenagem ao Coronel Brilhante Ustra? Sim cara, Ustra é do time dele, mas aquele gesto, mais que admiração genuína, foi pura provocação, resposta a quem anteriormente havia dedicado o voto a Carlos Marighela, a melhor forma de ofender  seus detratores, mesmo sabendo do preço a pagar.

A quase totalidade dos vídeos que mostram as já folclóricas explosões de Bolsonaro, se você não tem a desonestidade alckminiana de editá-los, tirando-os do contexto, deixam claro que ele sempre reagiu explosivamente a uma provocação pesada. A deputada Maria do Rosário o chamou de estuprador, por exemplo.

Basta procurar os vídeos, existem aos montes por aí.

O fato é que Bolsonaro gerou farto material para que os profissionais da comunicação e os caricaturistas da moral nele grudassem os rótulos de intolerante que o marcarão para sempre. Aliás, acho que aqui cabe muito bem um comentário do leitor chamado Jefferson Artes num post que fiz no Facebook revelando meu voto. Este comentário teve mais de 7 mil curtidas:

O Jefferson disse assim: “Cheguei a essa mesma conclusão quando resolvi assistir os vídeos completos das entrevistas dele nessas eleições. Fui com a cara. Sou gay e voto nele! Ontem me senti na obrigação moral de declarar meu voto, por causa das mentiras e ataques e pelo fato da esquerda se apropriar da voz de todos os gays dizendo que representa eles. Fui bombardeado, mas fiz o que meu coração mandou e me sinto em paz!”

Você notou o “resolvi assistir os vídeos completos das entrevistas”? O Jefferson não foi pela narrativa de terceiros, foi à fonte, ouvir o que Bolsonaro tem a dizer, por suas próprias palavras. E teve uma percepção diferente. Diante da fonte primária, rótulos caíram.

Com as revelações da Lava Jato, criou-se o ambiente perfeito para que aquela semente do defensor da lei, da ordem e dos valores morais, germinasse. E então Bolsonaro se solidificou como “o político não corrupto, portanto contrário a toda a sujeirada que está aí”. E quando a oportunidade chegou, com toda a classe política reduzida a um lamaçal de ladrões, ele se apresentou:

– Ói eu aqui ó.

Nesse momento, Bolsonaro deixou de ser um político para ser um símbolo. E assim se tornou exatamente igual àquele presidiário de Curitiba, na representação de um ideal de salvador, o cara que vai brecar a loucura dos que nos trouxeram para o buraco. Para sua sorte, levantou contra si toda uma elite da imprensa e das artes, também histérica e intelectualmente desonesta, que ajudou a transformá-lo em vítima. Ninguém apanhou e apanha tanto quanto Bolsonaro. Moral, intelectual e até fisicamente. E isso não passou despercebido ao povo.

“Pô, aquele sujeito que fala as coisas que a gente entende, que defende as bandeiras que nós defendemos, que quer colocar ordem e disciplina nesta zona, sendo atacado por um bando de bacanas e de políticos corruptos, cara? Tem alguma coisa errada… Deixa eu ouvi-lo melhor.”

Como o presidiário de Curitiba, o símbolo Bolsonaro ganhou uma armadura de teflon, na qual nada gruda. Podem bater à vontade, cara: insignificante, irrelevante, burro, ignorante, machista, nazista, fascista, misógino, desonesto… escolha o rótulo aí, cara. Não cola.

Isso é Bolsonaro. Nada além disso. Um ogro tornado maior, mais feio e mais perigoso muito mais pelas narrativas do que por suas ações práticas.

E pronto para batalhar não pelos votos racionais, mas pela emoção das pessoas.

Canção do Exército
Ismael Euclides
Alberto Augusto Martins

Nós somos da Pátria a guarda
Fiéis soldados
Por ela amados
Nas cores de nossa farda
Rebrilha a glória
Fulge a vitória

Em nosso valor se encerra
Toda a esperança
Que um povo alcança
Quando altiva for a Terra
Rebrilha a glória
Fulge a vitória
A paz queremos com fervor
A guerra só nos causa dor
Porém, se a Pátria amada
For um dia ultrajada
Lutaremos sem temor

Como é sublime
Saber amar
Com a alma adorar
A terra onde se nasce!
Amor febril
Pelo Brasil
No coração
Nosso que passe

E quando a nação querida
Frente ao inimigo
Correr perigo
Se dermos por ela a vida
Rebrilha a glória
Fulge a vitória
Assim ao Brasil faremos
Oferta igual
De amor filial
E a ti, Pátria, salvaremos!
Rebrilha a glória
Fulge a vitória

A paz queremos com fervor
A guerra só nos causa dor
Porém, se a Pátria amada
For um dia ultrajada
Lutaremos sem temor

Opa! Esse é o meu amigo, o grande Eliezer Setton. Cara, to com saudade dele bicho, que em seu disco HINOS À PAISANA, deu roupagem nova à Canção do Exército, composição de Ismael Euclides com letra de Alberto Augusto Martins.

Muito bem… a visão do personagem Jair Bolsonaro que eu acabo dar é a minha aqui ó, do Luciano Pires, que sou um liberal eternamente em transição para o conservadorismo. E agora que tal uma visão sensata da esquerda, hein?

O professor Gustavo Bertoche, que é diretor da Escola Solar de Teresópolis e professor na Universidade Iguaçu, é um esquerdista. Não o conheço, não sei nada dele, mas já me pareceu um daqueles esquerdistas que dá vontade de ter por perto, sabe? Nutritivos. Ele publicou em sua página no Facebook um post com o título “De onde surgiu o Bolsonaro?”.

Cai como uma luva neste programa.

ATENÇÃO: esquerdistas de plantão! Eu agora sou apenas um locutor, tá? Não falo em nome de ninguém. Eu vou apenas ler o texto do professor Bertoche. Vamos lá então ao texto? Ele começa assim, ó: de onde surgiu o Bolsonaro?

Desculpem os amigos, mas não é de um “machismo”, de uma “homofobia” ou de um “racismo” do brasileiro. A imensa maioria dos eleitores do candidato do PSL não é machista, racista, homofóbica nem defende a tortura. A maioria deles nem mesmo é bolsonarista.

O Bolsonaro surgiu daqui mesmo, do campo das esquerdas. Surgiu da nossa incapacidade de fazer a necessária autocrítica. Surgiu da recusa em conversar com o outro lado. Surgiu da insistência na ação estratégica em detrimento da ação comunicativa, o que nos levou a demonizar, sem tentar compreender, os que pensam e sentem de modo diferente.

É, inclusive, o que estamos fazendo agora. O meu Facebook e o meu WhatsApp estão cheios de ataques aos “fascistas”, àqueles que têm “mãos cheias de sangue”, que são “machistas”, “homofóbicos”, “racistas”. Só que o eleitor médio do Bolsonaro não é nada disso nem se identifica com essas pechas. As mulheres votaram mais no Bolsonaro do que no Haddad. Os negros votaram mais no Bolsonaro do que no Haddad. Uma quantidade enorme de gays votou no Bolsonaro.

Amigos, estamos errando o alvo. O problema não é o eleitor do Bolsonaro. Somos nós, do grande campo das esquerdas.

O eleitor não votou no Bolsonaro PORQUE ele disse coisas detestáveis. Ele votou no Bolsonaro APESAR disso.

O voto no Bolsonaro, não nos iludamos, não foi o voto na direita: foi o voto anti-esquerda, foi o voto anti-sistema, foi o voto anti-corrupção. Na cabeça de muita gente (aqui e nos EUA, nas últimas eleições), o sistema, a corrupção e a esquerda estão ligados. O voto deles aqui foi o mesmo voto que elegeu o Trump lá. E os pecados da esquerda de lá são os pecados da esquerda daqui.

O Bolsonaro teve os votos que teve porque nós evitamos, a todo custo, olhar para os nossos erros e mudar a forma de fazer política. Ficamos presos a nomes intocáveis, mesmo quando demonstraram sua falibilidade. Adotamos o método mais podre de conquistar maioria no congresso e nas assembleias legislativas, por termos preferido o poder à virtude. Corrompemos a mídia com anúncios de empresas estatais até o ponto em que elas passaram a depender do Estado. E expulsamos, ou levamos ao ostracismo, todas as vozes críticas dentro da esquerda.

O que fizemos com o Cristóvão Buarque?

O que fizemos com o Gabeira?

O que fizemos com a Marina?

O que fizemos com o Hélio Bicudo?

O que fizemos com tantos outros menores do que eles?

Os que não concordavam com a nossa vaca sagrada, os que criticavam os métodos das cúpulas partidárias, foram calados ou tiveram que abandonar a esquerda para continuar tendo voz.

Enquanto isso, enganavamo-nos com os sucessos eleitorais, e nos tornamos um movimento da elite política. Perdemos a capacidade de nos comunicar com o povo, com as classes médias, com o cidadão que trabalha dez horas por dia, e passamos a nos iludir com a crença na ideia de que toda mobilização popular deve ser estruturada de cima para baixo.

A própria decisão de lançar o Lula e o Haddad como candidatos mostra que não aprendemos nada com nossos erros – ou, o que é pior, que nem percebemos que estamos errando, e colocamos a culpa nos outros. Onde estão as convenções partidárias lindas dos anos 80? Onde estão as correntes e tendências lançando contra-pré-candidatos? Onde estão os debates internos? Quando foi que o partido passou a ter um dono?

Em suma: as esquerdas envelheceram, enriqueceram e se esqueceram de suas origens.

O que nos restou foi a criação de slogans que repetimos e repetimos até que passamos a acreditar neles. Só que esses slogans não pegam no povo, porque não correspondem ao que o povo vivencia. Não adianta chamar o eleitor do Bolsonaro de racista, quando esse eleitor é negro e decidiu que não vota nunca mais no PT. Não adianta falar que mulher não vota no Bolsonaro para a mulher que decidiu não votar no PT de jeito nenhum.

Não, amigos, o Brasil não tem 47% de machistas, homofóbicos e racistas. Nós chamarmos os eleitores do Bolsonaro disso tudo não vai resolver nada, porque o xingamento não vai pegar. O eleitor médio do cara não é nada disso. Ele só não quer mais que o país seja governado por um partido que tem um dono.

E não, não está havendo uma disputa entre barbárie e civilização. O bárbaro não disputa eleições. (Ah, o Hitler disputou etc. Você já leu o Mein Kampf? Eu já. Está tudo lá, já em 1925. Desculpe, amigo, mas piadas e frases imbecis NÃO SÃO o Mein Kampf. Onde está a sua capacidade hermenêutica?).

Está havendo uma onda Bolsonaro, mas poderia ser uma onda de qualquer outro candidato anti-PT. Eu suspeito que o Bolsonaro só surfa nessa onda sozinho porque é o mais antipetista de todos.

E a culpa dessa onda ter surgido é nossa, exclusivamente nossa. Não somente é nossa, como continuará sendo até que consigamos fazer uma verdadeira autocrítica e trazer de volta para nosso campo (e para os nossos partidos) uma prática verdadeiramente democrática, que é algo que perdemos há mais de vinte anos. Falamos tanto na defesa da democracia, mas não praticamos a democracia em nossa própria casa. Será que nós esquecemos o seu significado e transformamos também a democracia em um mero slogan político, em que o que é nosso é automaticamente democrático e o que é do outro é automaticamente fascista?

É hora de utilizar menos as vísceras e mais o cérebro, amigos. E slogans falam à bile e não à razão.

Fado Tropical
Chico Buarque
Ruy Guerra

Oh, musa do meu fado,
Oh, minha mãe gentil,
Te deixo consternado
No primeiro abril,

Mas não sê tão ingrata!
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!

“Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…”

Com avencas na caatinga,
Alecrins no canavial,
Licores na moringa:
Um vinho tropical.
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo…
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!

“Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto,
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto.

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa,
Mas meu peito se desabotoa.

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa,
Pois que senão o coração perdoa”.

Guitarras e sanfonas,
Jasmins, coqueiros, fontes,
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo…
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!

É. Então, cara! Um grande texto aqui de um esquerdista, bicho, no Café Brasil. Olha só.

Você pode espernear à vontade, o fato é que Jair Bolsonaro está aí, com uma mão na taça cara, e estamos próximos de ter quatro anos com ele na presidência do país. Se perder, paciência. Se ganhar, aí a responsabilidade de todos que nele votaram cresce exponencialmente.

Ganhando, Bolsonaro terá quatro anos infernais. Como Temer, gastará grande parte do tempo e energia evitando ser derrubado. Cara! Vai ter um pedido de impeachment no dia seguinte ao da posse, cara. E ele vai ter, debaixo de próprio teto, milhares de militantes prontos para puxar seu tapete. O trabalho de limpeza vai demandar muito esforço e energia, mas talvez ele consiga fazer o principal: dar um choque, limpando as estruturas, quebrando narrativas, revelando as falcatruas e preparando o terreno. E, com base do que você ouviu do texto do professor Gustavo Bertoche, motivando o surgimento de uma nova esquerda, moderna, antenada para o que o povo quer e precisa, longe da caricatura na qual o PT a transformou e desempenhando o papel que toda oposição precisa desempenhar: colocar um espelho na frente do governante de turno, para que ele veja claramente a sua cara feia.

Mas antes disso, ela, a esquerda, precisa olhar no espelho.

Gustavo Bertoche deu as pistas.

Ah… na música a esquerda é imbatível né? É assim então que vamos saindo, educadamente, ao som de Fado Tropical, de Chico Buarque e Ruy Guerra, na interpretação de Marcos Assumpção ao violão e voz e Milton Mori no bandolin. Com Rolando Boldrin recitando…

Olha, eu já disse mais de uma vez que a qualidade de meu adversário me define. Eu não quero mais perder meu tempo lutando contra essa esquerda caricata, bruta e burra que aí está. Quero a esquerda que o Gustavo busca. Esse é o adversário que vai valorizar a minha luta.

Com o indeciso Lalá Moreira na técnica, a assanhada Ciça Camargo na produção e eu, este liberal eternamente a caminho do conservadorismo Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Ivo, o professor Gustavo Bertoche, Eliezer Setton, Marcos Assumpção, Milton Mori e Rolando Boldrin.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Você está gostando do conteúdo do Café Brasil, hein? Já pensou ele ao vivo em sua empresa? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste nunca esquece!

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/635.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase de Roger Waters:

Ei, você

Não me diga que não há mais nenhuma esperança

Juntos nós resistimos, separados nós caímos