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Luciano Pires -
Download do Programa

Aí você para, cansado, desmotivado, olha em volta e se pergunta, meu: o que é que eu tô fazendo aqui? Pois é… sem um sentido, pra que tanta luta, tanto esforço, hein? Esse é um programa montado a partir dos depoimentos de dois ouvintes. E o tema é o sentido da vida.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: o conteúdo deste programa, a transcrição do programa você pode baixar acessando portalcafebrasil.com.br/628.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Adavilso…

“Boa noite Luciano e toda a equipe do Café Brasil. Meu nome é Adavilso. Eu andei pensando sobre propósitos. Quais propósitos eu tenho na minha vida. Eu trabalho num banco, sou gerente numa cadeira empresa e depois de oito horas estressantes eu pego um ônibus e viajo meio hora até a cidade vizinha pra fazer faculdade. Eu já tenho uma graduação, sou formado em Administração, pós graduado na área e decidi começar a estudar Direito. Não tá fácil, mas tá ótimo. 

Eu faço isso não porque eu sei qual é o meu propósito, eu ainda não descobri qual é o meu propósito, mas o que eu tenho certeza é que eu não quero ficar parado. E pensando nisso hoje, nesse tempo que eu tenho de ônibus, eu estou conseguindo por em dia os programas do Café Brasil. E hoje, no caminho, eu ouvi Pinchado no muro II, com a  Ana, com o depoimento dela e, Luciano: eu chorei no ônibus. Eu chorei ouvindo o depoimento, chorei ouvindo a música, chorei porque….. da alegria de pessoas como ela, pessoas como o pai dela, pessoas como você. Dá esperança,Luciano. 

Nesse sentido todo de propósito, eu lembrei do que eu li no livro que eu li, chamado Em busca do sentido, de um psiquiatra alemão chamado Viktor Frankl  que ficou preso nos campos de concentração nazista e lá desenvolveu uma teoria e criou a Logoterapia e essa teoria basicamente diz que quando a pessoa tem um sentido pra viver, ela enfrenta com mais serenidade e com mais força, quaisquer sofrimentos que a vida pode oferecer pra ela. E nesse sentido ele viu pessoas presas no campo de concentração que tinham muito mais força pra enfrentar o sofrimento que eles encontravam lá, porque eles tinham um sentido  na vida, eles tinham um motivo pra sair. Ou eles iam encontrar as famílias, ou eles iam realizar um sonho, se um dia conseguissem sair de lá. 

Nesse sentido eu lembrei da história do pai da Ana, na Espanha, sofrendo porque tinha um sentido, tinha um objetivo de vida. Ele queria dar uma vida melhor pros filhos, pra família, queria levá-los pra Espanha. E da mesma forma, o depoimento da Ana me emocionou quando ela falou do sonho dela de ser médica. É emocionante ver alguém com tanto… tanta força de vontade. E obviamente ela vai conseguir porque ela vai ter força pra enfrentar qualquer adversidade que a vida conseguir propor pra ela. 

E mais uma coisa que eu queria dizer, Luciano. Eu acredito que na vida, no mundo, desde o início da humanidade há sempre as pessoas que são uma massa, são uma grande massa que se move conforme o vento as leva, enquanto existem outras pessoas que se destacam, que são as pessoas que conseguem sair da caverna  e ver a realidade. É uma visão um pouco fria, mas eu acho que sempre vai existir na humanidade esses dois grupos. As pessoas que se destacam, as pessoas que lideram, as pessoas que fazem as coisas acontecer e as pessoas mais medíocres, que simplesmente esperam as coisas acontecer, que se movem ao bel prazer do vento. Nesse depoimento da Ana, a gente vê as duas coisas. A Ana com a disposição de mudar, de fazer as coisas acontecer e os professores babacas dela.  Dizendo pra ela não ter esperança. São babacas. 

Luciano: parabéns pelo podcast, parabéns pra Ana, parabéns pro pai dela, parabéns por ter me emocionado com o seu texto, emocionado mais um monte de gente e eu queria dar um parabéns especial pra cada um dos teus ouvintes. Porque cada um desses ouvintes eles são pessoas que estão virando a cara de dentro da caverna e começando a olhar pra luz. Então, parabéns pra cada um que está disposto a mudar e tomar um rumo na vida e encontrar o seu propósito. E eu, sigo procurando o meu. Muito obrigado.”

Anima
Milton Nascimento

Lapidar
Minha procura toda
Trama lapidar
O que o coração
Com toda inspiração
Achou de nomear
Gritando alma

Recriar
Cada momento belo
Já vivido e mais
Atravessar fronteiras
No amanhecer
E ao entardecer
Olhar com calma, então

Alma vai
Além de tudo
Que o nosso mundo
Ousa perceber

Casa cheia de coragem
Vida
Tira a mancha que há no meu ser

Te quero ver
Te quero ser
Alma
Te quero ser
Alma

Viajar
Nessa procura toda
De me lapidar

Nesse momento agora
De me recriar
De me gratificar
Te busco alma
Eu sei

Casa aberta
Onde mora o mestre
O mago da luz
Onde se encontra o templo
Que inventa a cor
Animará o amor
Onde se esquece a paz

Alma vai
Além de tudo
Que o nosso mundo
Ousa perceber
Casa cheia de coragem
Vida
Todo afeto que há no meu ser
Te quero ver
Te quero ser
Alma

Te quero ser
Alma

Olha, esse é um daqueles momentos raros assim, que você precisa colocar uma música num texto. Eu não tive como não emendar a fala do Adavilso com ANIMA, do Milton Nascimento. Essa é uma daquelas canções definitivas, de uma beleza ímpar, e que tem uma letra poética que nos faz viajar. Num momento ele canta assim

Viajar
Nessa procura toda
De me lapidar
Nesse momento agora
De me recriar
De me gratificar
Te busco alma
Eu sei

É isso, meu caro Adavilso, uma busca constante, que não é racional, não é na mente, é no coração e na alma. Muito obrigado por seu depoimento.

Muito bem. O Adavilso receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros é destinada para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está portanto contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá, Lalá?

Luciano – Lalá na hora do amor, o que sua alma diz?

Lalá – Prudence, oras!

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Bem, o programa começa com um depoimento porrada recebido de um ouvinte. Ele mandou por escrito. O som ao fundo é o Clube da Esquina Nº 2, em versão instrumental… Meu! Senta que lá vai:

Olá Luciano, boa noite meu amigo,

Meu nome é Pedro, sou de Sorocaba, interior de São Paulo e escrevo nesse momento de Suzzara, região de Mantova na Itália.

Cara, pensei em fazer um textão no facebook pra escrever isso que vou lhe dizer abaixo, pensei em montar uma mensagem no whatsapp e mandar pra todos meus familiares e amigos, mas acredito que a pessoa mais certa pra ler isso seja você. Não que as demais pessoas não entenderiam, sim, elas entenderiam, mas não com a profundidade que você e talvez nossos companheiros de Café Brasil, caso você queira divulgar.

Nos idos dos anos 2001, lá pelos meses de fevereiro ou março, em algum dia dessa faixa de tempo, meu pai descobriu ser paciente de um câncer. Eu, com meus 18 anos, talvez não tivesse a dimensão do que aquilo significava ou a situação fora amenizada pra mim e minhas irmãs, mas o fato era que meu pai era um doente terminal.

Em menos de 15 dias do diagnóstico recebido meu pai veio a falecer, não tinha nem 50 anos de idade (48 eu acho, eu sou ruim com datas). Em menos de 15 dias eu vi um homem de 1,70m de altura, parrudo, forte e barrigudo, já calvo com entradas e a coroa careca no alto da cabeça, bigodudo, vaidoso e de muitos valores morais e éticos, se transformar numa carcaça humana, com ossos e costelas marcando a pele, fraco, pele, cabelos e bigodes estranhos e sobretudo, um olhar de pânico. De quem se sentia perdido.

Desse olhar de pânico eu me recordo até hoje, lembro da forma como ele se agarrava aos corrimãos, alças, braços das pessoas, “puta-que-parius” do carro. Aquela fortaleza que outrora fora meu pai, naquele tempo não dava conta nem de si. Eu achava que aquilo tudo era certamente medo da doença, da dor e principalmente da morte.

Em partes eu estava certo: medo da morte! E eu explico.

Tenho hoje 35 anos de idade, estou passando uma temporada na Itália por conta do processo de reconhecimento da cidadania italiana. Supostamente ficarei por aqui uns 50 dias. Sem minha esposa, sem meus filhos. Nunca fiquei longe da minha esposa por mais que dois dias e cá estou sozinho, sem eles, por um baita período. Mas ok, tenho certeza que tem pessoas em situações muito piores do que a minha e aqui é impossível não lembrar do episódio Pinchado no muro.

Uma semana antes do meu embarque pra cá, fiquei numa correria pra deixar tudo certo para meus filhos e esposa que ficaram no Brasil: Contas pagas, supermercado feito, logística familiar, senhas de banco, dinheiro, tanque do carro cheio e por favor, aqui não cabe mimimi, a minha esposa saberia muito bem se virar sozinha, sem meus recursos, mas foi reconfortante fazer tudo isso. Cara, eu vou passar uma temporada fora, eu tenho que estar bem comigo mesmo, sabendo que deixei as mínimas condições pra eles. Moramos num apartamento confortável, mas e o resto, hein? Eu tinha que providenciar. E é aqui que minha história presente cruza com a história passada do meu pai.

Durante essa semana de correria tive um estalo e percebi que estava querendo deixar tudo pronto para minha viagem, que tinha o tempo como meu inimigo (e aqui não tem como não lembrar de vários podcasts sobre o tempo que você já fez). Queria fazer de tudo, por mais que eu fizesse sempre parecia que tinha algo a fazer e por fim, eu queria estar o máximo do tempo possível com minha família, almoçar, jantar, dormir abraçado, chorar de saudade antecipada, fazer a última janta antes da partida, depois o último almoço, a última noite de sono e enfim o último abraço antes da minha partida (aqui lembro de outro podcast teu, aquele do abraço). Isso que essa partida nem era definitiva como a do meu pai, eu estaria há alguns km e horas de distância, teria como falar via Whatsapp até por vídeo, só não teria o calor e o contato rotineiro, mas eu saberia como eles estão. Hoje a tecnologia facilita muito e aquece o coração nesses casos. Mas e no caso do meu pai, que foi uma partida definitiva e ele nem tinha saúde pra fazer a última janta e nem dar o último abraço, não tinha forças pra dizer o último eu te amo, quiçá nem sanidade pra ouvir e entender?

Sim, depois de 17 anos da morte de meu pai, percebo que aquele olhar era de pânico, mas não somente da morte. Durante a sua presença sempre tivemos uma boa vida, de verdade. No entanto minha mãe deixou de trabalhar ao casar-se e nós sempre moramos de aluguel (alugueis caros, aliás). E adivinhe, ao morrer e cessar a única fonte de renda da família, não tínhamos nem onde morar. E, hoje, eu tenho certeza que esse era o principal motivo do pânico no olhar de meu pai.

Em poucos dias ele deixaria de vez esse nosso mundo seguindo o caminho que o câncer lhe destinara. Deixando a mim, minhas irmãs com 16 e 15 anos e minha mãe com seus 49 (e há mais de 20 fora do mercado de trabalho) totalmente órfãos. E ele não sabia como faríamos pra comer, pra morar, pois como já disse nossa casa era alugada.

Pensar nisso essa semana me deixou profundamente triste, eu não tive sabedoria na época em entender o que se passava e o desespero que ele sentia sobre o que seria do nosso futuro sem ele. Pensar o calvário que foram aqueles dias e ele sofreu em silêncio, se agarrando com aquelas mãos magras por onde podia para se apoiar. Espero que de onde esteja, tenha sido abençoado com a oportunidade de nos ver crescer, prosperar e sair do buraco de onde estávamos, graças a força da grande mulher que minha mãe é. Só posso desejar que isso o reconforte.

Luciano, obrigado por ler até aqui. Fique livre pra comentar, se quiser

Abraços,

Pedro Conte”.

Ufa… Meu! Esse textão do Pedro só não tirou meu sono porque eu tenho coisas ainda mais impactantes fazendo isso hje em dia… Mas aquela imagem do senhor fraco, amparando-se nas paredes e com o olhar de que “ fracassei com minha família”… pior… sabendo que já não haveria mais tempo para nada… “o desespero que ele sentia sobre o que seria do nosso futuro sem ele”… e o olhar de pânico. Meu, que porrada.

Lalá, quebra esse clima aí…

Armário embutido
Bê e Thoven

Você chegou naquela tarde
Dentro de um caminhão
Eu te olhei
E te levei pro quarto com paixão
Eu te abri, te revirei por dentro
Me excedi e te montei
Deixei você completo para mim
Armário
É você, que fica com toda a minha roupa
É você que também me serve de espelho
É você que vive dentro do meu quarto
É você, é você uô uô
Eu ponho tudo em você
Eu caibo inteirinho em você
Dentro de você não posso respirar
Sintofalta de ar
Mário

Olha! Desculpa quebrar o clima, desse jeito, mas tava pesado, viu? Você ouviu aqui um clássico aqui do Café Brasil, ARMARIO EMBUTIDO, com a dupla Bê e Thoven.

Então… Não sei como é com você, mas eu tenho uma preocupação constante com o depois que eu me for. Com o que eu deixarei para as pessoas que eu amo. Existe um lado que é material, é a herança e a parte do que acumulei ao longo da vida. Deixar algo para meus filhos é, ao menos para mim, uma medida do sucesso com que conduzi minha vida. E de certa forma, se eu não fizer nenhum desastre, eu acho que essa parte está meio resolvida. Não deixarei ninguém rico, mas vou dar uma ajuda.

O outro lado é a herança imaterial. Os valores morais. O que eu considero realmente o legado.

Olha, aí ao fundo você está ouvindo MORRO VELHO, de Milton Nascimento, com o grupo de Ulisses Rocha em versão instrumental deliciosa.

Normalmente usamos “legado” para nos referir a algo que deixamos para trás. Legado tem a ver com nosso papel como o meio pelo qual transmitimos informações vitais, valores, tradições e sabedoria para a próxima geração. O que, no fundo muda tudo. Legado deixa de ser aquela coisa que deixamos para trás, para ser um processo contínuo, no qual recebemos e damos legado. O legado que recebemos é aquele que nos transforma em quem somos. São os valores, as virtudes, as tradições e atitudes que praticamos na vida e que nos definem como pessoas. E aqui talvez venha um gancho para suavizar o olhar de pânico do pai do Pedro. Li o e-mail do Pedro com interesse, mandei-lhe outro perguntando como estão as coisas hoje. Ele já está de volta à família, e demonstrou claramente o apego àqueles que ama, o sacrifício para buscar dar-lhes mais conforto. O Pedro demonstra que tem valores de integridade… será essa a herança mais importante que ele recebeu dos pais?

E note que importante também: o legado não é necessariamente composto apenas de bons exemplos ou coisas boas. Pode ser um exemplo do como NÃO viver a vida. Em vários LíderCasts eu recebi convidados que contavam de problemas de seus pais com a bebida, drogas ou jogo, que os ensinaram o que é que eles não gostariam de fazer na vida.

victor frankl

Vou aproveitar o gancho do Adavilso para falar de Viktor Frankl, um psiquiatra que sobreviveu ao holocausto, e escreveu um livro precioso que o Adavilso mencionou, EM BUSCA DE SENTIDO. Frankl disse que a criação de um sentido na vida é força primária de motivação do ser humano e que as pessoas desejam encontrar um sentido em sua existência. Elas têm a habilidade de encontrar esse sentido mesmo durante tempos de grande sofrimento. Encontrar um sentido ajuda a reduzir o sofrimento.

De acordo com Frankl, as pessoas criam o sentido de várias formas:

Pelas atitudes que escolhem nos momentos de desafios ou até mesmo risco de vida

  1. Pela habilidade de se conectar com a vida através da arte, do humor, da natureza, do amor e dos relacionamentos
  2. Pelo engajamento com a vida através do trabalho, hobbies e outras atividades e, finalmente,
  3. Pela compreensão de seu passado, presente e legado futuro.

Esse foco no sentido da vida, se relaciona com a espiritualidade, que é definida como aquilo que conjuga fé e sentido. Olha! Atenção, eu não estou falando de religião,  estou falando de espiritualidade, um aspecto da humanidade que se refere à forma como os indivíduos buscam e expressam o sentido e o propósito e a forma como se conectam com o momento presente, consigo mesmos, com os outros, com a natureza e com aquilo que é sagrado.

Viktor Frankl criou a Logoterapia, um sistema teórico e prático de psicologia, que se concentra no sentido da existência humana e na busca da pessoa por este sentido. Para a Logoterapia, a busca de sentido na vida é a principal força motivadora no ser humano. E você pode perceber o sentido da vida e bem-estar espiritual se tiver ciência das atitudes que escolhe, da habilidade de se conectar com a vida e do legado que viveu e que quer criar no futuro.

E esse talvez seja o ponto crucial. Ao ser pego pela perspectiva da morte antes da hora, quantas pessoas podem dizer que, se não estão prontas – e eu acho que ninguém está – ao menos têm consciência de que deram o máximo de si? Que construíram uma obra que deixa um legado para as pessoas que amam?

Responder “não” a essas perguntas dá o olhar de pânico.

E talvez devêssemos nos preocupar com isso.

Vou aproveitar esta parte final do programa para lançar algumas provocações pra você. Na esteira da Logoterapia, os especialistas desenvolveram o que chamam de Psicoterapia Centrada no Sentido da existência humana, que contém uma série de exercícios. É algo complexo, no roteiro deste programa eu colocarei o link para uma página em inglês que explica com mais detalhes.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4861219/

Aqui, quero deixar oito perguntas que orientam esses exercícios. Se você conseguir parar algum tempo para refletir sobre cada pergunta, já tem uma ideia de como a consciência sobre o sentido pode mudar a sua vida. Mas vá com calma. Se você fizer esse exercício a sério, talvez não saia inteiro dele.

Vamos lá.

  1. Liste uma ou duas experiências ou momentos em que a vida pareceu especialmente significativa para você;
  2. Escreva quatro respostas para a pergunta: Quem sou eu?
  3. Quando você olha para sua vida, quais são s memórias, relacionamentos, tradições que causaram o maior impacto em quem você é hoje?
  4. Olhando para quem você é hoje, quais são as atividades, responsabilidades ou conquistas mais significativas, das quais você se orgulha?
  5. Quando chegar a hora, o que é que você consideraria uma morte “boa” ou “com significado, hein”?
  6. Quais são suas responsabilidades? Você é responsável por e para o quê?
  7. Liste três formas com as quais você se conecta com a vida e se sente mais vivo através da fontes de amor, beleza e humor. E por fim:
  8. Você sente que tem compreensão das fontes de sentido da vida e é capaz de usá-las em seu dia a dia?

Ufa, meu. Acho melhor você ouvir esse trechinho de novo…

Ao som de Ulisses Rocha interpretando NASCENTE, de Milton Nascimento e Flavio Venturini, eu vou retomar um trecho particularmente impactante do comentário do Pedro:

“Em poucos dias ele deixaria de vez esse nosso mundo seguindo o caminho que o câncer lhe destinara. Deixando a mim, minhas irmãs com 16 e 15 anos e minha mãe com seus 49 (há mais de 20 fora do mercado de trabalho) totalmente órfãos. E ele não sabia como faríamos pra comer e pra morar, pois como já disse nossa casa era alugada.”

Olha, não tenho ideia do que se passava na cabeça do pai do Pedro. Se ele havia parado para pensar no sentido da vida, se descobrira que não havia feito o suficiente, se se considerava um fracassado diante da perspectiva de não deixar um conforto material para os seus. Ou se simplesmente se via impotente diante do fim tão próximo.

Aquele depoimento do Pedro Conte é de março de 2018. Escrevi para ele alguns dias atrás perguntando como estavam as coisas seis meses depois. Já de volta ao Brasil, com a família, ele me deixou esta pérola sobre sua temporada na Itália:

“Meu amigo Luciano, esse tempo vivendo por lá me fez valorizar coisas que eu nem sabia mais que eu tinha. Me mostrou o que é ser brasileiro, como eu gosto da nossa brasilidade, da nossa comida, clima, dos meus amigos, familiares, do meu trabalho, do nosso jeitão que antes eu sentia até um pouco de vergonha e eu acabei vendo que isso faz parte do que é ser brasileiro. (…) Enfim, essa temporada fora me fez respeitar nossos gêneros musicais, folclore, cultura, história.

Morar na Itália me fez mais brasileiro.”

Então… Dá pra notar no texto o brasileiro que não perdeu suas raízes, a ligação com a família, o olhar para o positivo, a disposição para aprender na diversidade, o orgulho da sua origem… E um outro trecho do depoimento do Pedro, quando descreve seu ai, é revelador: “… bigodudo, vaidoso e de muitos valores morais e éticos…” Pedro, taí o legado de seu pai. E se ele puder ver você e sua família hoje, certamente não terá mais o olhar do pânico. Talvez tenha o olhar de orgulho de quem fez sua parte, legando a vocês um tesouro infinitamente maior que os bens materiais.

As bases para construir seu caráter.

Fé cega, faca amolada
Milton Nascimento
Ronaldo Bastos

Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada

Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé faca amolada

Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia 
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada

Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia
Deixar o seu amor crescer na luz de cada dia
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada

Prepare-se. É assim então, ao som de FÉ CEGA, FACA AMOLADA, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, com Milton e a turma do Berimbrown, lá de Belo Horizonte, que vamos saindo…olha, eu acho que animados.

Juro que eu tentei fazer um programa que não fosse triste, mas que apontasse para o futuro e, especialmente, para sua responsabilidade individual de encontrar um sentido na vida. E deixar o seu legado.

Com o pensativo Lalá Moreira na técnica, a estimulada Ciça Camargo na produção e eu, este incansável construtor de legados, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco os ouvintes Adavilso e Pedro Conte, Milton Nascimento, Ulisses Rocha e Grupo e o Berimbrown.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Gostou do conteúdo do Café Brasil? Já pensou ele ao vivo na sua empresa? Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras. Quem assiste meu, nunca esquece!

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/628

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase de Viktor Frankl:

Quem tem um “porquê”, enfrenta qualquer “como”.