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616 – Na média

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Luciano Pires -
Download do Programa

Loja de uma operadora de telefonia celular. Eu tentando cancelar uma linha. Eu já estava puto pois tive que sair do meu trabalho para ir pessoalmente resolver o assunto. O atendente, enrolando, colocando todo tipo de empecilho até que não aguentei. Dei um tapa na mesa e comecei a gritar, soltando um “esta merda” daqueles. O atendente me olhou assustado, eu notei pelo rabo dos olhos o segurança se movimentando, mas não parei. Continuei alterado e resolvi a questão em minutos. Mas, sabe o que mais me incomodou?

Os olhares de censura de outras pessoas que ali estavam com problemas parecidos com o meu. Todos resignados, aguardando para serem atendidos ou pacientemente ouvindo a enrolação dos atendentes. Quando eu subverti a ordem, me olharam com aquela expressão de “nossa, que sujeito descontrolado”. Pois é.

Talvez isso explique boa parte da combinação desafortunada de acontecimentos que nos trouxeram até este caos. Eu diria que pacientemente construímos este contexto, a partir do abandono de certos valores que, por muito tempo, promoveram a busca pela excelência.

Aprendemos a conviver com o mais ou menos, com aquele “dá pro gasto”, com o meia-boca, como o “foi sempre assim”. Criamos esse ambiente no qual se você reclamar da baixa qualidade do atendimento, ou então por seus direitos, as pessoas olham feio pra…você! Nos habituamos com a mediocridade. Com a média. E se o ambiente que nos cerca não nos desafia a usar os talentos nos quais somos ótimos, seremos o quê, hein? Ora, cidadãos médios. Cidadãos médios… cidadãs médias… Pois é. Só que quem é meio bom, também é meio ruim. E num embate moral, dificilmente o meio bom vence.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Como sempre, não esqueça. A gente tem aqui um resumo do programa que você pode baixar em portalcafebrasil.com.br/616.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Vicente, lá de El Salvador…

“Bom dia, boa tarde, boa noite, saludos a todos do Café Brasil. Eu sou o Vicente e como muitos outros ouvintes eu sou do Salvador, mas não o Salvador do Brasil, eu sou do Salvador Centro América. Como muitos ouvintes eu estava pesquisando uma forma de praticar meu português. Até dois anos eu decidi escutar, eu encontrei o podcast Café Brasil. Eu gostava quando eu viajava no carro, mas hoje eu utilizo o Café Brasil pra cultivar meu cérebro. Desculpe meu português, eu não pratico com ninguém, somente com o Café Brasil, mas agora eu utilizo o Café Brasil pra me cultivar a mente.

Antes de falar o que eu quero dizer, obrigado pelo episódio do Hotel Califórnia. Eu tinha escutado por muito tempo, eu desfruto, eu canto no karaokê, mas nunca tinha desfrutado o Hotel Califórnia como o seu episódio, eu acho que eu vou ouvir outra vez e compartilhar com alguém que gosta de rock também. Muito obrigado por esse episódio. 

Luciano: eu te agradeço por tudo o que você faz. Você tem muitos programas muito interessantes e como eu te disse, no começo eu utilizei o Café Brasil para praticar o meu português, mas não, o português é o segundo plano, eu falo espanhol, eu utilizo Café Brasil pra me cultivar a mente, para falar com a minha família, com meus amigos, com meus colegas, com meus estudantes, de muitas coisas importantes. E como você diz, às vezes é difícil mudar todo mundo, mas você pode mudar o mundo pra uma pessoa. 

Além de muitas coisas, eu sou professor de inglês na universidade e às vezes eu vejo a necessidade de crescimento nos alunos, então eu começo a falar de tuas palestras, do teu podcast, dando o crédito, logicamente. Uma vez eu falei do fator Merlin e de trinta e cinco alunos, dois chegaram comigo e eles disseram: professor, nunca tinha pensado o que você disse pra eu fazer o planejamento da minha vida, eu vou pensar muito mais. 

Eu penso, eu acho que se dos trinta e cinco alunos eu fiz a diferença em um ou em dois, isso ´s suficiente pra mim. Porque eu não vou mudar o mundo ou o meu país, que tem muitos problemas, mas é possível que eu vou mudar o mundo pra esse aluno. E se esse aluno muda o mundo pra mais duas ou três pessoas, eu acho que nos vamos fazer desse mundo um melhor lugar pra viver. 

Obrigado. Vida longa ao nosso cafezinho e se uma palavrinha não ficou muito clara você pode aclarar para os demais. Até. Obrigado. Muitos abraços. Vicente”.

Graaaande Vicente, bienvenido! Que satisfação ver a pedrinha no lago gerando ondas que atingem tão longe. viu? E você pegou direitinho o espírito da coisa, que está representado numa frase de Ronald Radde que uso em minha página do Facebook: “Não espero mudar o mundo, mas se eu conseguir ajudar quem está ao meu lado e este ajudar o vizinho, já está de bom tamanho.” É isso, meu! Muchas gracias!

Muito bem. Vicente, mande pra nós seu endereço A gente vai dar um jeito de te mandar um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Você já sabe, né? Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros são destinados para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Ô Vicente, de El Salvador! Como é que é, hein?

En la hora del amor, use Prudence.

E o Café Brasil Premium, hein? A nossa NetFlix do conhecimento? Você já acessou pra conhecer? Olha, a turma está pirando no conteúdo, com sumários de livros, vídeos e podcasts que ajudam você a refinar sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Você está pensando que é pouco, é cara? Vai lá dar uma olhadinha,  vai!

cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo extra-forte.

Vou abrir o programa com um texto daqueles, de meu amigo Adalberto Piotto:

Uma sociedade é sempre uma questão de média. Na média, como brasileiros, somos ruins.

Se fôssemos bons na média, seríamos uma sociedade ótima, otimistas que, na média, somos.

A exceção, por mais que façamos parte dela, está perdendo a guerra.

Na média somos um país de individualistas (…) sem nenhum respeito ao próximo. O próximo que entre na fila da insensatez, e que se lasque o próximo seguinte.

Na média, somos egoístas. O meu antes do seu. De novo, a exceção está perdendo a guerra, por mais que façamos parte dela.

Na média, os pobres brasileiros são iguais aos ricos: o meu antes do seu. A média dos médios fica atirando sem saber pra onde.

Para a média, o culpado é o outro. O lixo é sempre do vizinho.

A média adora culpar o governo. Mas difícil é imaginar um governo sem voto na democracia em que vivemos.

Governos decepcionam? Sim. Mas é o governo que te faz jogar lixo na rua, parar estradas e prejudicar seus semelhantes?

A tolice normalmente tem mais solidariedade que o esforço, ou o heroísmo do fazer só o justo.

Para a média, culpar o governo é o melhor dos mundos. Está longe, distante. É a Geni perfeita, pronta pra se cuspir.

Na média, os brasileiros jogam lixo no chão. E reclamam da limpeza pública. E chamam de lixeiro, com todo sentido pejorativo possível, o sujeito que limpa o que ele ou ela – não vou deixar o empoderamento de lado – sujou.

Na média, o melhor do Brasil pode ser o brasileiro.

Na média, o pior do Brasil é o brasileiro.

Por fim, se você ficou desapontado ou desanimado com a situação que este meu artigo descreve, pare com o mimimi que, nos anos 80, na redemocratização, era chamado de frescura.

Faça bem feito o seu. Mas faça mais.

A época do “faça a sua parte” já não resolve mais.

É preciso fazer a sua parte e provocar o vagabundo do seu lado a fazer a parte dele.

O Brasil depende disso.

A média dos brasileiros, que é quem importa, também.

Se você considerou este artigo desanimador, está errado.

É incentivador. Ou você acha que construir uma nação é fácil?

Partido alto
Chico Buarque

Deus é um cara gozador
Adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo
Tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro
Na barriga da miséria
Nasci brasileiro
Eu sou do Rio de Janeiro

Diz que deu
Dia que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ó nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ó nega?
“à Deus dará”, “à Deus dará”

Diz que deu
Diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ó nega
E se Deus negar
Eu vo me indignar e chega
Deus dará, Deus dará

Jesus Cristo ainda me paga, um dia ainda me explica
Como é que pôs no mundo essa pobre titica
Vou correr o mundo afora, dar uma canjica
Pra ver se alguém se embala ao ronco da cuíca
Aquele abraço pra quem fica, meu irmão

Deu, dá, dará
Não vou duvidar, ó nega
E se Deus negar
Como é que vai ficar, ó nega?
“à Deus dará”, “à Deus dará”
Diz que deu
Diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ó nega
E se Deus negar,
Eu vo me indignar e chega
Deus dará
Deus dará

Deus me deu mãos de veludo pra fazer carícia
Deus me deu muitas saudades e muita preguiça
Deus me deu pernas compridas e muita malícia
Pra correr atrás de bola e fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia (Se liga aí,hein)

Dará
Não vou duvidar, ó nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ó nega?
“à Deus dará”, “á Deus dará”
Diz que deu
Diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ó nega
E se Deus negar
Eu vo me indignar e chega
Deus dará
Deus dará

Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio
Mas se alguém me desafia e bota a mãe no meio
Eu dou porrada à 3×4 e nem me despenteio
Porque eu já tô de saco cheio.

Cassia Eller com PARTIDO ALTO, de Chico Buarque… Deus dará cara, Deus vai dar, bicho. Mas e se Deus negar, hein?

Essa outra é Partido Alto também. Só que desta vez é com o trio Azimuth, que já tem 40 anos de estrada e representa o que de melhor a música brasileira tem ao unir soul com jazz, samba e com rock.

Putz… mas que porrada aquele texto do Piotto, não é? Olha, o que ele escreveu tem tudo a ver com alguns programas recentes, aqui do Café Brasil, nos quais tratei do Efeito Genovese e em especial quando usei a frase de Edmund Burke: “Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada”.

Pois é… meu amigo Piotto sempre inspira altas reflexões. Neste caso ele levanta uma lebre interessante. Dá para compreender o Brasil e os brasileiros por uma média estatística, hein? Sim, eu sei, isso muitas vezes é um recurso retórico mais indicado para incomodar quem veste a carapuça de estar na média.

A verdade é que existem dezenas de tipos de inteligências. Então quando dizermos que uma pessoa é ou não inteligente, estamos nos referindo a que tipo de inteligência, hein?

Bem, fica claro que o exemplo que interessou ao Piotto foi aquela inteligência que nos permite viver – e progredir – em sociedade. É o mesmo tipo de inteligência que está por trás do texto de abertura deste programa. Ele não se referiu à inteligência de fazer música, de jogar futebol, de saber cozinhar, de interagir com outras pessoas. Ele fala daquela inteligência que cria uma cultura de crescimento intelectual, capaz de encontrar erros e aprender com eles, que sabe que uma sociedade saudável só se constrói com todos os elementos saudáveis.

É essa a inteligência que interessa.

Bem, lá vou eu me incomodar de novo com os americanófobos…

Constantemente eu ouço críticas à cultura competitiva dos norte-americanos. Lá o “se dar bem”, ou então “obter sucesso” é medida da capacidade das pessoas. Ver alguém que deu certo, antes de gerar ciúmes ou inveja, gera um sentimento de “também vou chegar lá”. Isso empurra as pessoas para a frente. Num ambiente construído para que as pessoas fiquem “na média”, o resultado será esse mesmo: gente média, conformada com o médio. E, pior, com inveja dos que parecerem acima da média.

Você entendeu o problema, hein? Um país construído para atender as pessoas na média, não estimulará que muitos deem o melhor de si.

É o país do “tá bom assim”.

Deixa a vida me levar
Serginho Meriti
Eri do Cais

Eu já passei
Por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
Confesso que sou
De origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez
E deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu
Só posso levantar
As mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho lá vou eu
Se a coisa não sai
Do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos
Lá vou eu!
E sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu
Eu já passei
Por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
Confesso que sou
De origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu
Só posso levantar
As mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho lá vou eu
Se a coisa não sai
Do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos
Lá vou eu!
E sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu

É meu caro! Levante a mão pro céu. Esse aqui é o grupo carioca Rio Samba´n´roll com DEIXA A VIDA ME LEVAR, o clássico de Zeca Pagodinho…

Bom, mas sempre vai ter uma média, não vai,hein? É impossível evitar que uma média exista. O que a gente pode fazer é tentar elevar o nível da média, sacou?

Por exemplo: pesquisas indicam que 75% da população brasileira não tem domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas. Detalhando esses números entre analfabetos, rudimentares, elementares, intermediários e proficientes, descobrimos que na média o brasileiro tem alfabetização elementar. O que fazer então, hein? Pô, meu! Elevar essa média de elementar para intermediário, que tal, hein?

Se a média subir para intermediário, significa que menos gente será analfabeta total ou funcional. E mais gente terá atingido a proficiência. E então a sociedade melhora como um todo, você sacou? A média mais alta.

Deixa eu provocar mais um pouquinho.

Eu tenho uma palestra chamada AS CINCO LEIS DA ESTUPIDEZ HUMANA, baseada no trabalho do italiano Carlo Maria Cipolla. É uma palestra bem provocativa, na qual eu divido a sociedade entre gente ingênua, gente estúpida, gente canalha e gente sábia, para então fazer algumas digressões. É claro que essa é uma divisão teórica ou retórica, não dá para quantificar quantos fazem parte de cada grupo, até porque existem zonas cinzentas onde as características de cada grupo se confundem. Mas vamos continuar na provocação, propondo uma reflexão sobre onde estará a linha média da população.

Se a média for de gente estúpida, os canalhas farão a festa. Usarão os estúpidos como garantia para explorar os ingênuos e controlar os sábios.

Se a média for de gente ingênua, os canalhas farão a festa. Usarão os ingênuos para explorar os estúpidos e controlar os sábios.

Se a média for de canalhas, curiosamente haverá um equilíbrio. Sim, uma sociedade só de canalha, cara é uma sociedade em equilíbrio. Todo mundo sabe o que lhe espera…

Se a média for de sábios, aí a coisa muda. Os sábios usarão os ingênuos e os estúpidos para controlar os canalhas.

Deixa eu fazer uma provocação então: onde é que você acha que está a média da sociedade brasileira, hein? É de ingênuos, estúpidos, canalhas ou sábios, hein?

E decidindo qual é a média, onde é que você se encontra? Acima ou abaixo dela? E o seu vizinho aí, hein?

Cri cri cri…

Caiu o disjuntor, é?

Muito bem, se você quer saber a minha opinião, a média do Brasil está nos ingênuos. Acredito piamente que a maioria da população brasileira é composta de gente boa, trabalhadora, interessada em crescer e… ingênua. Sendo feita de gato e sapato por quem domina o smart talk.

E por isso, no contexto deste programa e para o desafio proposto no início, daquela inteligência que nos permite viver – e progredir – em sociedade, na média o melhor do Brasil poderia ser o brasileiro.

Mas na vida real, na média, o pior do Brasil é o brasileiro.

O estúpido, o ingênuo e o canalha.

Meu! Pode derrubar o disjuntor à vontade, cara….

Deixa a vida me levar, o cacete, cara!

Olha. Mas antes de qualquer coisa é preciso haver uma concordância de que estar na média não é bom. Ou então, no mínimo, que essa nossa média é baixa demais. Estabelecida essa percepção de que isso é ruim, o primeiro passo estará vencido. Se é ruim, que tal melhorar, hein?

Mas como melhorar, se o máximo que essa média consegue é produzir soluções medianas, hein? Precisamos ir além da média.

Eu não vejo outra solução que não tirar proveito das tecnologias que estão revolucionando todos os setores de atividades. Podemos fazer coisas pela educação hoje em dia com as quais não sonharíamos poucos anos atrás. Mas tudo isso depende da sua escolha individual.

Não tem essa do papai e mamãe forçando o Juninho a estudar, meu! Sai fora. Especialmente se papai e mamãe forem o estado. Se o Juninho não se mexer, se ele não se perceber abaixo da média e decidir sair para a batalha, vai continuar na média, andando com gente na média, consumindo cultura média e criando um ambiente na média.

Há uma escolha a ser feita: eu estarei acima da média. E com isso arrastarei mais gente comigo.

Olha só: esse brasileiro médio aí que está muito interessado em manter as coisas como estão. Basta falar em reformar o que quer que seja, você vai ver a reação imediata contra o novo, contra o incerto, contra aquilo que a maioria média ignora. E quem entende isso sabe jogar com o medo causado pela ignorância.

O que fazer então, hein?

Primeiro: não se conformar com a média. Olhe para o congresso, para esses políticos, para os juízes, para essas autoridades que você acha péssimas e pense sobre como você contribuiu para que elas estejam lá. Sim… Já passou pela sua cabeça que esse congresso que aí está, muito abaixo da média que precisamos, é o melhor que podemos fazer, hein? Não se conforme com isso. Tem de mudar.

Segundo: defina no que você será acima da média. Eu, por exemplo, eu sou absolutamente ignorante na cozinha, muito abaixo de qualquer média cara, e eu decidi que ir além da média nesse campo não me interessa. Minha energia está concentrada em outras prioridades. O tempo que eu gastaria aprendendo a cozinhar ou cozinhando, estou usando aqui, escrevendo, pesquisando e criando conteúdo, onde eu estou bem acima da média. Quando quero apreciar a boa cozinha, me aproximo de quem é bom nisso e recompenso a pessoa pelo prazer que ela me dá. O mesmo vale para música. Para cinema. Para leitura. O que me leva para o próximo item que é o:

Terceiro: coloque-se num ambiente que esteja acima da média. Para isso é preciso escolher com quem você anda, quem você ouve, o que você lê, que tipo de provocação buscar, como aplicar seu tempo. Meu, pare de andar com esses merdas aí que puxam você para baixo! Este é o momento de se preocupar com o conteúdo que você está adquirindo.

Quarto: crie esse ambiente acima da média. Cercando-se de estímulos para ser constantemente desafiado a ir além daquilo que você julga que é capaz. Sim, torne a aquisição de conteúdo algo difícil, leia, ouça, assista aquilo que está um pouco acima de sua capacidade. Esse é o momento de se preocupar com o esforço para adquirir o conteúdo que você está assimilando. É que nem academia, cara: tem de exigir esforço ou não desenvolve os músculos. Esses quinze minutos que você gasta assistindo um Youtuber falando merda, por exemplo… Cresça, meu!

Quinto: assuma o papel de ajudar que outras pessoas saiam da média. Como? Olha! Eu resolvi fazer palestras, criar podcasts, escrever livros… Eu resolvi escrever e falar sobre o que me interessa. Se o leitor ou ouvinte quiser me acompanhar, será muito bem-vindo.

Mas isso será escolha dele.

Dias de luta
Edgar Scandurra

Só depois de muito tempo fui entender aquele homem
Eu queria ouvir muito mas ele me disse pouco
Quando se sabe ouvir não precisam muitas palavras
Muito tempo eu levei pra entender que nada sei… Que nada sei
Só depois de muito tempo comecei a entender
Como será meu futuro, como será o seu?
Se meu filho nem nasceu, eu ainda sou o filho
Se hoje eu canto essa canção, o que cantarei depois?
Cantar depois… o quê?!!
Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção o que cantarei depois?
Só depois de muito tempo comecei a refletir
Nos meus dias de paz
Nos meus dias de luta
Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção, o que cantarei depois?
Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção, o que cantarei depois?

E é assim, ao som de DIAS DE LUTA, o clássico do Grupo IRA! na releitura de Lobão e os Eremitas da Montanha, que vamos saindo, eu diria que… motivados.

Estamos entendidos então? Quando se sabia ouvir, não precisa muitas palavras… Sai da média, meu. Mas sai pra cima. E comece pelo começo, tirando de sua vida quem está lhe puxando pra baixo.

Com o espertíssimo Lalá Moreira na técnica, a serelepe Ciça Camargo na produção e eu, que vivo tentando ficar acima da média, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Vicente, Adalberto Piotto, Cássia Eller, Azimuth, Rio Samba´n´roll e Lobão e os Eremitas.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase de Adalberto Piotto:

Faça bem feito o seu. Mas faça mais. A época do ‘faça a sua parte’ já não resolve mais. É preciso fazer a sua parte e provocar o vagabundo aí do seu lado a fazer a parte dele.