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615 – Fake News? Procure o viés

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Luciano Pires -
Download do Programa

Nova Iorque, madrugada de março de 1964. No bairro do Queens, a mais ou menos 20 minutos de trem de Manhattan, uma moça de 28 anos chamada Kitty Genovese, voltava do trabalho caminhando para casa pela rua escura. De repente, um homem salta sobre ela e a esfaqueia nas costas. Genovese  grita! O ataque acontece num intervalo de 30 minutos e 38 testemunhas moradoras do prédio em frente ouviram, mas ninguém apareceu para ajudar. O impacto daquele caso provocou profundas mudanças na sociedade norte-americana, com o surgimento do serviço de chamados de emergência 911, serviços de prevenção a estupros e socorro às vítimas, grupos de ajuda, serviços de monitoramento em bairros e uma discussão gigantesca sobre comportamento humano. centenas de livros, artigos de jornais, revistas….

Mas… e se a história for falsa, hein?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, o recado de sempre: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas para complementar aquelas reflexões que o Café Brasil provoca. Baixe gratuitamente em portalcafebrasil.com.br/615.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Etienne lá de Atlanta

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano, Ciça e Lalá. Meu nome é Etienne Aleto, falo de Atlanta, Georgia, e… cara! Seu programa… às vezes eu fico buscando palavras pra definir o seu programa e devido ao meu vocabulário, não é muito vasto mas, se assim eu pudesse definir, simplesmente fascinante, cara! Ou seria melhor grandemente fascinante? Não sei. 

Mas cara! Hoje eu consigo entender o significado de um dito popular que eu cresci escutando, que as palavras em poder. E, cara! Você usa isso, as suas palavras, poderosamente e isso me atingiu de uma forma cara, que eu não consigo parar de escutar mais seus podcasts. Me fascinou, cara!

Eu comecei a escutar há pouco mais de duas semanas, não sei, meu primeiro programa foi Persuasão, programa 545 e desde então eu escutei os posteriores e já devo ter escutado uns 50, 60 programas, sei lá… Eu sei que eu não consigo parar de escutar, cara! Muito bom, muito bom. 

Eu queria te agradecer pelo seu trabalho, que me atingiu assim, grandemente. eu queria ter escutado isso antes, eu queria ter descoberto antes sobre o seu programa mas, cada um tem o seu tempo e o meu foi agora, há pouco mais de duas semanas, como eu disse e vida longa ao cafezinha, cara! Um abraço.”

Então. Eu escolhi este comentário do Etienne para marcar esta frase aqui: a palavra tem poder. Imagine se o Etienne entra de cabeça no Café Brasil sem saber o viés que orienta meu trabalho, acreditando em tudo que eu digo, na minha visão de mundo, sem se preocupar em saber os outros lados, hein? Cara! Aí fica fácil virar presa das fake news, não fica, hein? É o tema de hoje, viu?

Muito bem. O Etienne, se mandar um endereço aqui no Brasil, receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros são destinados para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil.

Luciano – Lalá. Na hora do amor, use Prudence.

Lalá – Acredito em você. eu uso Prudence.

Luciano – Muito bem!

Olha só, você que está ouvindo este podcast porque gosta dele, imagine só o conteúdo que eu disponibilizo no Café Brasil Premium, cara! Se aqui de graça é bom, lá então deve ser o máximo. Na nossa Netflix do conhecimento, você escolhe o tema que interessa e faz uma jornada por sumários de livros, vídeos, e-books, podcasts. E ainda entra num grupo do Telegram que é fabuloso, cara! Tudo na linguagem provocativa e bem-humorada que você conhece. Quando, onde e como você quiser.

cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo extra-forte.

Então. Você ouviu na introdução aí. O assassinato de Kitty Genovese chocou tanto a sociedade norte-americana que levou a mudanças importantes nas leis, criação de serviços de apoio a vítimas e, acima de tudo, dezenas de livros e estudos. Não há estudante de psicologia que não tenha estudado o Efeito Genovese, também chamado de Efeito Espectador.

Mas, com o tempo os detalhes foram aparecendo. Que cazzo faz uma moça andando de madrugada numa rua mal iluminada num bairro de Nova Iorque? Bem, Kitty Genovese era atendente de bar e dançarina em Greenwich Village. Uma jovem à frente de seu tempo, lésbica numa época em que lésbicas não eram nada aceitas pela sociedade, trabalhando na vibrante noite de uma Nova Iorque do começo dos anos 60, sob o impacto do assassinato do presidente Kennedy, da Guerra do Vietnan, da Guerra Fria e dos conflitos raciais. Ela estava, portanto, acostumada a cuidar de si, a enfrentar assédios.

Seu assassino, Winston Moseley, era negro e agia conforme sua crença de que “ninguém fará nada mesmo”. Um negro esfaqueando e estuprando uma jovem branca na Nova Iorque dos anos 60. Mais: a moça gritando e quase 40 testemunhas não mexendo uma palha para ajudá-la. Cara, a história era boa demais, e assim ganhou o mundo ao ser contada no New York Times e depois na revista Life.

Mas em 2004, o New York Times começou a questionar os fatos. O irmão de Kitty Genovese, Bill Genovese, começou então uma investigação minuciosa, visitando o local e as testemunhas do crime.

Em 2014, o também jornalista e escritor Kevin  Cook lança um livro chamado Kitty Genovese: The Murder, the Bystanders, the Crime That Changed America. E começa a colocar as coisas nos devidos lugares.

Então descobrimos que o jornalista que escreveu o artigo do Times recebeu informações descuidadas, incompletas e falsas de investigadores, mas ele ficou tão fascinado com a história que não se preocupou de investigar os fatos. Seu editor então, sentiu o cheiro de escândalo ali e deu à história contornos emocionais. Pronto.

Em 2016, Bill Genovese estrelou um documentário chamado The Witness, que você pode assistir na NetFlix. E ali é a pá de cal no mito.

A história do assassinato de Kitty Genovese é toda cheia de furos, o número de 38 testemunhas que nada fizeram é mentira. Kitty Genovese foi assassinada sim, com requintes de crueldade, mas a história que gerou o Efeito Genovese foi um tremendo fake news. Quase 60 anos atrás.

Mentira
Marcos Valle

Diga sim pra mim primeiro
Diga sim eu vi primeiro
Diga sim de corpo inteiro
Diga sim…

Mas é mentira… tchup tchu, é mentira

Ira… tchup tchu, é mentira

Eu não quero ter ciúmes
Eu não quero ter queixumes
Quero é ter…

Você na mira… tchup tchu, sem mentira
Mira… tchup tchu, sem mentira

Diga qué qué quem pó podem
Diga em quem qué quem pó podem
Diga qué qué quem pó podem
Diga em quem…

Mas é mentira… tchup tchu, é mentira
Ira… tchup tchu, é mentira

Eu não quero ter ciúmes
Eu não quero ter queixumes
Quero é ter…

Você na mira… tchup tchu, é mentira
Mira… tchup tchu, sem mentira

Opa! Uma versão remasterizada pelo DJ Snatch do clássico de 1973 MENTIRA de Marcos Valle… Olha, a letra dessa música, além de não envelhecer, vai ganhando cada vez mais relevância, cara…

Muito bem. Popularizado após a eleição de Trump, o termo fake news diz respeito a empresas jornalísticas, sites e blogs que publicam intencionalmente notícias falsas, imprecisas ou simplesmente manipuladas, com a intenção de ajudar ou combater algum alvo, normalmente político. Eles também copiam notícias verdadeiras de outros veículos, mas mudam as manchetes, alterando o sentido ou colocando algo sensacionalista para atrair leitores.

Aqui no Brasil isso não é novidade.  T  emos “fake news” há anos, inclusive bancadas pelo governo. As “fake news” a que me refiro, não devem ser confundidas com as mentiras que sempre circularam por aí, sobre ETs, monstros, aparições e outros absurdos, que podem ser desmascaradas em sites como o e-farsas.com por exemplo. Elas são publicadas aproveitando as tensões políticas, pegam fragmentos de verdade, torcem os fatos de forma a parecerem mesmo verdade. E são compartilhadas por milhares de pessoas, transformando-se em senso comum.

Não existe remédio contra elas, a não ser tomar alguns cuidados. No caso das “fake news” o mais importante é a responsabilidade de quem é a fonte da informação. Que responsabilidade tem quem está passando essa informação  para mim, hein? Que autoridade ou credibilidade tem essa fonte, para que eu nela acredite?

Mesmo que você se julgue um pensador independente, a maioria de seus pensamentos e conclusões é pesadamente influenciada pelos grupos com os quais você se identifica, pela sua educação – ou doutrinação – aquela que você recebeu, pela religião que você segue. Compartilhar esses significados é o que nos inclui nas tribos, que nos dá a sensação de pertencimento, de proteção, de segurança. É, portanto, natural que tenhamos um viés. O importante é reconhece-lo e, no caso dos criadores de conteúdo, deixa-lo transparente para seu interlocutor.

É por isso que eu, a quase todo programa, faço questão de me situar politicamente, avisando quem vai me ler, ouvir ou assistir sobre o meu viés político e ideológico. E eu só faço isso por honestidade.

Honestidade, cara. É aí que o bicho começa a pegar.

O termo fake news ganhou muito espaço, e só ganhou todo esse espaço, com a vitória de Donald Trump, que quebrou as pernas da imprensa em todo o mundo e enlouqueceu todas as cores da esquerda. A partir da vitória de Trump, as forças que o combatem se reuniram e começou uma onda sobre as fake news, as notícias falsas que teriam contribuído para que ele vencesse as eleições. E aí você viu o que aconteceu, acusações de que os russos teriam influenciado as eleições ao colocar conteúdo patrocinado nas mídias sociais, que batalhões de robôs estariam espalhando as mentiras e tudo culminando com aquela patética audiência em que Mark Zuckerberg, o dono do Facebook, foi colocado numa saia justíssima pelos congressistas, ao ter de explicar – sem sucesso – as censuras que a maior rede social do mundo ocidental pratica contra os conteúdos que não se alinham a seu pensamento. Mark diz que só censura o que é feio. Mas feio pra quem, hein?

O que está acontecendo agora merece toda nossa atenção. E um pouco mais de reflexão.

As mídias sociais, e em especial o Facebook, representam uma transição na forma como a humanidade lidou com a criação e distribuição da informação durante a história. Estamos vivendo uma mudança de mídia, tão importante quanto a revolução da imprensa 500 anos atrás, quando Gutemberg inventou a prensa de tipos móveis.

As mídias sociais transitam numa área cinza, onde a legislação e as regras atuais não atuam com eficiência. Questões como a independência criativa, a liberdade de expressão, a liberdade de distribuição, a responsabilidade pelos fatos divulgados, ganham outra conotação quando todo mundo passa a ser “dono” da mídia. Eu coloquei esse dono entre aspas. Essa é a proposta das mídias sociais: você é dono da mídia… mas só até a página dois.

O dono do Facebook pode determinar o que será publicado e de que forma será publicado, privilegiando notícias conforme sua visão do mundo. E assim muda completamente as regras do jogo democrático.

E tudo sob o pretexto de combater as fake news.

Se você ouviu o Podcast Café Brasil 362 – A Janela de Overton sabe como é que a coisa funciona. O primeiro passo foi fazer com que o tema fake news fosse levado para primeiro plano, sendo maciçamente incutido na cabeça de todo mundo. Fake news é algo mau, é a mentira que precisa ser combatida para o bem da humanidade. Dá pra ser contra esse discurso? A Janela de Overton foi assim deslocada da posição “indiferente” para a posição “muito importante”. O segundo passo foi os donos da mídia se declararem preocupados e dispostos a colaborar. E o ponto máximo foi a cara de sonso do Zuckerberg jurando que está tomando providências. Na sequência vem o anúncio de como isso será feito. Num movimento coordenado, jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão e as mídias sociais começam a anunciar parcerias com agências de checagem dos fatos, os chamados Fact Checking. Na teoria, essas agências são organizações isentas que vão investigar uma notícia para saber se ela é real ou falsa.

Elas costumam chegar pelas redes sociais e rapidamente se espalham.

Segundo um levantamento da Universidade de São Paulo, cerca de doze milhões de pessoas difundem notícias falsas sobre política no país. Para combater a disseminação desses boatos e desinformações, o Facebook acaba de lançar uma ferramenta de verificação, em que os próprios leitores ajudam a detectar mentiras que depois serão confirmadas por checadores profissionais. Duas agências parceiras da rede social farão um pente fino diário nas postagens suspeitas.

Cristina Tardáguila – O desafio é exatamente esse, encontrar a notícia falsa que está bombando num determinado momento, agir com velocidade e presteza, de forma a quebrar esse círculo vicioso.

Tai Nalon – A gente sabe, por experiências externas, como nos Estados Unidos, no Brexit, no Reino Unido, na própria Colômbia, no plebiscito, a gente sabe que desinformaçãom, se não teve impacto nas urnas, moldou um pouco o consumo de informação das pessoas. É importante que todas as pessoas estejam, tenham o direito a um conteúdo verificado.

Só no primeiro trimestre de 2018 o Facebook deletou 583 milhões de contas falsas que contribuem para disseminação de fake news.

Joana Calmon – Agora, o usuário que desconfiar de um conteúdo compartilhado na rede, pode notificar o Facebook. Basta clicar em “denunciar publicação” e depois em “essa é uma notícia falsa”. A partir daí, as agências de checagem vão verificar a veracidade dos fatos e caso fique comprovado que as informações não procedem, a publicação terá o alcance reduzido.

O Facebook não vai tirar a publicação do ar, mas diminuir a sua visibilidade, principalmente impedindo que ela seja impulsionada em anúncios.

Cláudia Gurfinkel – Essa página vai perder qualquer acesso a impulsionar notícias dentro da plataforma e também a usar nossos produtos de monetização. As pessoas, elas criam notícias pra ganhar dinheiro com isso, então a gente corta esses incentivos econômicos pra que as pessoas, elas não tenham mais como fazer dinheiro com esse tipo de notícia dentro da plataforma.

O compartilhamento não será proibido, mas a pessoa receberá um alerta de que os checadores detectaram mentiras naquele post. Os amigos de quem reproduziu aquela informação também verão o aviso de que se trata de uma postagem suspeita.

A diretora da agência Lupa, uma das responsáveis pela checagem dos fatos, explica como é feito esse trabalho.

Cristina Tardáguila – a gente vai tender a analisar dados históricos, números, enfim, coisas possíveis de serem contrastadas com bancos de dados públicos. Então, na verdade, esses bancos de dados públicos que dizem se uma informação está correta, ou não.

A proposta é linda, não é? Quem é que pode ser contra alguém que se propõe a nos proteger de notícias falsas?

Pois é. Mas se você der uma pesquisada no perfil das agências brasileiras de fact checking, verá que suas equipes são compostas por eleitores e simpatizantes de certos partidos políticos, digamos, mais à esquerda. Ué, mas qual o problema? Eles não dizem que serão imparciais?

A agência Lupa, mencionada na matéria que você acaba de ouvir, é ligada à revista Piauí, à Folha de São Paulo e ao UOL, bastiões da esquerda brasileira. A Lupa examina os fatos e dá a eles uma classificação:

Verdadeiro – quando a informação está comprovadamente correta;

Verdadeiro, mas – quando está correto, mas o leitor merece mais explicações;

Ainda é cedo para dizer – a informação pode ser verdadeira mais ainda não é;

Exagerado – informação no caminho correto, mas com exageros;

Contraditório – Informação contradiz outra difundida pela mesma fonte;

Insustentável –  não há dados públicos que comprovem a informação;

Falso – informação comprovadamente incorreta;

De olho – para dizer que estão monitorando.

São oito conclusões possíveis, a maioria absolutamente subjetiva. Alguém vai dar uma opinião sobre o fato. E aqui eu tenho de dizer de novo o que eu disse antes: Mesmo que você se julgue um pensador independente, a  maioria de seus pensamentos e conclusões é pesadamente influenciada pelos grupos com os quais você se identifica, pela educação recebe, pela doutrinação que você recebeu, pela religião que você segue. Compartilhar esses significados é o que nos inclui nas tribos, que nos dá a sensação de pertencimento, de proteção, de segurança. É, portanto, natural que tenhamos um viés.

A moça lá sai às ruas gritando Fora Temer e Abaixo Moro; anuncia que vai votar no Boulos, depois dá likes e compartilha posts contra Bolsonaro. E aí chega no trabalho para analisar fake news que atacam os mesmos Temer, Moro e Bolsonaro que ela atacou antes. Inverta o sinal que também serve.

Sacou? Se quem vai dar sua opinião sobre um fato pertence a uma tribo que tem um claro viés ideológico, o que é que você acha que vai acontecer quando o fato analisado beneficiar um grupo adversário, hein? Você percebeu o tamanho do perigo? Especialmente porque a censura não precisa ser explícita. Tá lá: o Facebook não vai tirar do ar, ele vai reduzir o alcance e ninguém vai perceber. Isso tem até nome: ghost banning, o banimento fantasma, a censura que não aparece para o censurado.

Olha, as fake news são um problema sim, você precisa se proteger delas, mas tem de tomar todo o cuidado com o juiz que vai julgá-las. Esse juiz tem de ser você.

Voltando então ao Efeito Genovese: veja que interessante, uma fake news causou em 1964 um impacto emocional tão forte na sociedade que mudou leis, criou um serviço fundamental como o 911 e proporcionou estudos fascinantes sobre o comportamento humano. Existem vídeos no Youtube com experiências deliciosas mostrando o Efeito Testemunha. Eu publico alguns no roteiro deste texto:

O fato do contexto envolvendo o assassinato de Kitty Genovese ser fake news, não invalida tudo que aconteceu na sequência. Não invalida nem mesmo o nome Efeito Genovese. É como se fosse uma lenda mitológica, entendeu? Levou 50 anos para que o mito fosse desfeito, algo que hoje levaria 50 segundos.

Se a fake news da Kitty Genovese surgiu da ambição de jornalistas por causar sensação com uma grande história, a coisa muda de figura quando fake news servem para projetos de poder, para determinar políticas públicas, para eliminar adversários, como vem ocorrendo hoje. Tudo com o discurso do bem.

Meu! Fique esperto para não se tornar um instrumento.

Verdades e mentiras
Sá e Guarabyra

Responda depressa quem se acha esperto
Quem sabe de tudo que é certo na vida
Porque que a cara feroz da mentira
Nos pode trazer tanta felicidade
Porque que na hora da grande verdade
Às vezes o povo se esconde se esquece

Verdade
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Mentira
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

Às vezes é sua inimiga a verdade
Às vezes é sua aliada a mentira
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade
Por onde será que é mais curto o caminho
Qual deles mais sobre
Qual deles mais desce

Verdade
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Mentira
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

Tem gente que jura que a vida é virtude
Tem gente que faz o bem por falsidade
Não há no universo uma força que mude
O dom da mentira, o som da verdade
A lábia do sábio, a arma do rude
São Deus e o diabo unidos na prece

Verdade
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Mentira
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Mentira
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Verdade
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Mentira

E é assim, ao som de VERDADES E MENTIRAS, com Sá e Guarabyra que vamos saindo, assim… desconfiados.

Você entendeu então? Fake news fazem parte da realidade e vão continuar existindo enquanto existirem dois seres humanos vivos na terra. Enquanto adaptamos nossas regras e leis à sociedade da informação, você é que tem de agir, como indivíduo. Primeiro se preparando intelectualmente para analisar os fatos. E depois observando implacavelmente quem está por trás da mídia, do site ou do blog que está oferecendo conteúdos a você. Que linha de pensamento eles defendem, quem são seus patrocinadores, que interesses eles ocultam, qual o histórico das pessoas que produzem o que ali é veiculado. Meu! Procure o viés. Uma pequena investigação como essa, derruba imediatamente 95% do que se vê e lê por aí.

Ah, e o mais importante. Faça a mesma análise com quem está acusando alguém de “fake news”. Cheque o caráter de quem checa informações. Investigar o que é verdade e o que é mentira – com base em fatos – é o papel dos “fact checkers”.  Determinar o que é legítimo, não.

Com o atento Lalá Moreira na técnica, a desconfiadíssima Ciça Camargo na produção e eu, este caçador da mentira escondidas Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Etienne, Marcos Valle e Sá e Guarabyra.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito, muito, muito mais.

Para o resumo deste programa, acesse portalcafebrasil.com.br/615.

E para o Premium: cafebrasilpremium.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar,tinha que ser, né? Uma frase de Winston Churchill:

Uma mentira dá meia volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de vestir as calças.