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612 – O Efeito Genovese

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Luciano Pires -
Download do Programa

Em 1964, Kitty Genovese foi assassinada em Nova York. Em 2018 um prédio caiu no centro de São Paulo. E uma coisa tem a ver com a outra.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, aquele recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas para complementar aquelas reflexões que o Café Brasil provoca. Baixe gratuitamente em portalcafebrasil.com.br/612.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é a Simone , mas a mensagem dela eu vou usar ao longo do programa.

Muito bem. A Simone receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros são destinados para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Meu caro Lalá: qual o método de prevenção e proteção que você usava quando era sexualmente ativo?

Lalá – Oi???

(risos)

Lalá – Como eu era prudente, eu usava Prudence!

Olha, você que ouve o Podcast Café Brasil e curte bastante, precisa conhecer o Café Brasil Premium, a nossa “Netflix do conhecimento”, um ambiente para educação, que nasceu das ideias e temas que tratamos aqui toda semana. Mas lá o foco no crescimento profissional. O assinante recebe todo mês sumários de livros, palestras em vídeo, e-books e ainda tem acesso a um grupo no Telegram com quase mil participantes, que discutem diariamente temas do momento. O Café Brasil Premium se tornou uma rede social nutritiva, que as pessoas acessam para crescer. Venha conhecer!

cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo extra-forte.

No final de 2017 lancei um novo podcast, chamado CAFEZINHO, que tem a distribuição normal de podcasts, mas que também segue por Whatsapp para mais de 3.000 assinantes, toda segunda e sexta-feira. É curtinho, tem cerca de dois minutos e trinta sgundos e serve para lançar uma isca intelectual ao ar. Recentemente publiquei este aqui, chamado Janelas Quebradas

“Em 1969, na Universidade de Stanford foi realizada uma experiência de Psicologia Social. Dois carros iguais foram abandonados na rua. Um no Bronx, então um bairro pobre e violento de Nova York. O outro carro foi abandonado em Palo Alto, zona rica e tranquila da Califórnia. Em questão de horas o carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado. Tudo que fosse aproveitável foi roubado, o que não deu pra levar foi destruído. Já o carro abandonado em Palo Alto ficou intacto. Ora essa, então fica claro que é a pobreza a razão dos crimes, não é? Calma. A experiência com os carros abandonados não terminou ali.

Uma semana depois, com o carro do Bronx desmanchado e o de Palo Alto ainda impecável, os pesquisadores quebraram um vidro dele. E o resultado foi o mesmo que o do Bronx: em pouco tempo o roubo, a violência e o vandalismo deixaram o veículo no mesmo estado que o do bairro pobre. Um vidro quebrado do carro abandonado num bairro supostamente seguro foi capaz de disparar todo o vandalismo. Por quê, hein?

Bem, evidentemente não se trata de pobreza. Tem mais a ver com a psicologia humana e com relações sociais. Um vidro quebrado num carro abandonado transmite a ideia de abandono, deterioração, desinteresse, despreocupação, ideia que destrói os códigos de convivência social, de respeito às leis e à ordem. E a cada novo ataque que o carro sofre, essa ideia é reforçada, com os atos se tornando cada vez piores até chegar numa violência irracional. Isso é explicado pela conhecida Teoria das Janelas Quebradas, que diz que quando desaparece a lei, o respeito, a ordem, fica evidente que a propriedade abandonada não é de ninguém, não é? E que então pode tudo. A propriedade passa a ser do mais forte, do mais violento, do mais esperto, que tira proveito do abandono. O resultado? Um dia o prédio cai.”

 

Primeiro de Maio de 2018, o Edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, pega fogo e cai no centro de São Paulo. Era um prédio bonito, que ao ser inaugurado no final dos anos 60, tinha requintes de elegância, como uma bela escada no térreo, hall em mármore e aço inoxidável, piso em ipê e ar-condicionado embutido, sem prejudicar a pele de vidro externa. Um luxo. Tombado em 1992, o prédio era considerado ‘bem de interesse histórico, arquitetônico e paisagístico’, marco da arquitetura modernista. Desde 2002 pertencia à União e, de acordo com o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, fora cedido provisoriamente em 2017 pela Secretaria do Patrimônio da União à prefeitura do município de São Paulo. Seria utilizado para acomodar as novas instalações da Secretaria de Educação e Cultura de São Paulo.

O fato é que há pelo menos 17 anos o prédio estava abandonado, largado. Foi totalmente pichado e depredado, e depois invadido por movimentos dos sem teto, que alugavam seu espaço para cerca de 92 famílias, num total de 248 pessoas. Essas pessoas viviam no prédio em condições precárias, instalações elétricas improvisadas, barracos de madeira… até que algo aconteceu e na madrugada do dia 1 de maio de 2018, um incêndio botou o prédio abaixo. Até este momento não se sabe o número de mortos, mas a tragédia serviu para expor a ineficiência do estado, a incompetência e irresponsabilidade dos gestores público e a atuação criminosa de movimentos que supostamente ajudavam os miseráveis em teto, mas que cobravam aluguel por uma área invadida.

Após a publicação daquele cafezinho, recebi um comentário no Whatsapp:

“Oi Luciano. Meu nome é Simone, eu moro na Grande São Paulo. Ouvi agora o Cafezinho. O Cafezinho aí em que você falou sobre janelas quebradas. Eu nunca imaginei usar a teoria das janelas quebradas pra explicar esse desabamento, essa coisa tão horrível que aconteceu.

Eu fiquei bastante reflexiva, me veio à mente um tempo que eu trabalhei numa instância pública, uma dessas que deveria ter zelado pelo patrimônio público popular aí, ou pelo direito das pessoas, mas infelizmente arquivou o processo. A realidade é que apesar de ser o tão sonhado emprego público que muita gente não teria coragem de abrir mão, só aguentei ficar oito meses, porque é muito descaso. Quem tá lá dentro se acostumou com a máquina pública, se acostumou com a ineficiência, não tem motivação por n motivos pra fazer melhor, a não ser que seja intrínseco da
pessoa.

E tem um outro lado também que eu percebi que é muito preocupante. Quem decide, quem está nas instâncias superiores, vive numa bolha, sabe? São os famosos filhinhos de papai, né? Aquela expressão que a gente falava. São pessoas que na verdade viveram numa bolha, tiveram acesso à melhor educação, a um bom plano de saúde, a condições de segurança, proteção dos pais, enfim, acesso a condições privilegiadas, que não é a regra pra todo mundo, infelizmente.

E essas pessoas decidem. Então, elas não tem a menor empatia, não tem o menor senso de se colocar no lugar do outro, não tem o menor respeito com quem está abaixo delas, então, não sei, talvez essa bolha aí, daria um outro programa, estou escrevendo pra dar ideia e que, geralmente, a gente reflete em cima do conteúdo tradicional, mas hoje o Cafezinho me fez refletir bastante.

Muito obrigada pelo seu trabalho, tenho acompanhado há algum tempo, não perco um programa porque a gente precisa parar pra pensar um pouco e você proporciona isso. Valeu.”

Que ótimo comentário Simone, que me deixa feliz, viu? Eu faço o Cafezinho, o Café Brasil e o LíderCast para isso mesmo, para que depois de ouvir os neurônios fiquem assanhados, cara… Você levanta a bola e deixa pingando, com coisas como “A não ser que seja intrínseco da pessoa”, “empatia”, “respeito”, “viver na bolha”… Minha primeira recomendação é que você ouça o Café Brasil 267 – Tolerância Zero e o 453 – Quatro formas de gastar dinheiro. Já tem uma boa discussão lá. Segunda recomendação, como esses dois programas tratam especificamente da Teoria das janelas quebradas e de como se gasta o dinheiro público, venha comigo para um outro lado.

Para o Efeito Genovese.

Nova Iorque, madrugada de 13 de março de 1964. No Kew Gardens, bairro do Queens, a mais ou menos 20 minutos de trem de Manhattan, uma moça de 28 anos chamada Kitty Genovese, voltava de carro do trabalho. Era por volta de 3 da manhã quando ela estaciona seu carro numa vaga próxima da estação Long Island. Caminha para sua casa, pela rua escura. Do outro lado da rua se erguia um edifício de apartamentos de 10 andares. De repente, um homem salta sobre ela e a esfaqueia nas costas. Genovese  grita! O homem corre para o carro dele, dá marcha a ré e desce a rua, desaparecendo.

Genovese consegue se levantar e segue cambaleante até o edifício onde morava. Mas o homem retorna, agarra a moça, a estupra, esfaqueia novamente e foge, deixando-a à morte. Tudo acontece num intervalo de 30 minutos, e Genovese grita, mas ninguém aparece para ajudar.

O jornal The New York Times deu assim a notícia: “Durante mais de meia hora, 38 cidadãos respeitáveis, cumpridores da lei, no Queens, viram um assassino perseguir e esfaquear uma mulher, em três investidas separadas e sucessivas, no Kew Gardens… Ninguém chamou a polícia durante o assalto; uma testemunha telefonou depois que a mulher estava morta …”

O mundo todo, estarrecido, tomou ciência de um crime, repleto de testemunhas, nenhuma delas capaz de qualquer reação. As justificativas? As de sempre… Achei que era briga de marido e mulher; não enxerguei direito, esperei que alguém fizesse algo…

Quando o assassino foi preso e interrogado, calmamente disse: “Eu sei que ninguém faria nada, as pessoas nunca fazem.”

Esse comportamento de quem vê algo errado e nada faz a respeito foi chamado de Efeito Genovese, ou Efeito Espectador. O impacto daquele caso provocou profundas mudanças na sociedade norte-americana, com o surgimento do serviço de chamados de emergência 911, serviços de prevenção a estupros e socorro às vítimas, grupos de ajuda, serviços de monitoramento em bairros e muitas iniciativas mais. Especialmente no estudo das ciências comportamentais.

Casos como o de Genovese, e suas variações, continuaram e continuam acontecendo até hoje. Em 2014, num zoológico em Cascavel, um garoto de 11 anos pulou a cerca de proteção e foi mexer com um tigre em sua jaula. O tigre praticamente arrancou o braço da criança. E alguns vídeos circularam pela internet, mostrando o garoto bolinando o tigre. Vídeos feitos por adultos, pessoas que sabiam que aquilo era errado, que ia dar merda, mas nada fizeram. Apenas observaram.

Dá pra explicar a queda do prédio em São Paulo também pelo efeito Genovese. Por quase 20 anos o prédio ficou ali, sendo atacado, pichado, invadido, destruído. Todo mundo viu o que acontecia. E ninguém fez nada.

Parte da explicação está no efeito Genovese. O edifício era da União, estava em trâmite para ser cedido para a Prefeitura, envolvendo dezenas, centenas de pessoas no processo. Todo mundo sabia das condições do edifício, mas era tanta gente que a responsabilidade se pulverizou. Ninguém fez nada pois alguém faria alguma coisa. Mais: ninguém fez nada porque ninguém se sentiu responsável por aquilo.

Fosse uma pessoa, um departamento, o responsável, e o problema teria sido resolvido. Mas sabe como é, quando se trata do serviço público, a responsabilidade desaparece. E quando aparece, pouco ou nada pode ser feito. O culpado tem estabilidade, não é? No setor privado, o cara que deixou o prédio cair seria responsabilizado, perderia o emprego. Mas no estado, cara?

Kitty Genovese morreu porque havia muitas testemunhas. Um achou que o outro faria alguma coisa. O prédio caiu porque havia muitos responsáveis. Tantos que a responsabilidade sumiu… Isso tem um nome. Difusão da Responsabilidade.

Agora você ouve AMPARO, de e com Antonio Carlos Jobim em gravação de 1970.

Muito bem. Sabemos que existe um problema, sabemos o que fazer e…ninguém faz nada a respeito. Pior: ninguém é responsabilizado por não fazer nada a respeito! Por que será, hein?

Bem, algumas pessoas nada fazem por porque não reconhecem a seriedade ou urgência da situação. Outras não agem porque mão sabem o que fazer ou não se sentem preparadas para agir. Outros acham que vai aparecer alguém para fazer alguma coisa. E a maioria não age por medo de sofrer algum dano, alguma represália, algum prejuízo. Mas existe uma outra razão importante: temos a tendência de imitar o comportamento dos outros, especialmente de outros grupos. Um estudo mostrou que quando vemos alguém numa situação de perigo, instintivamente procuramos em outras pessoas que também presenciam a cena, sinais que motivem tomar iniciativa. Se ninguém faz nada, temos a percepção de que não seria apropriado interferir. Já aconteceu isso com você, hein?

Quando estamos numa multidão, precisamos de sinais dos outros, de que estamos interpretando a situação de forma correta e que os outros aprovam nossa interferência. Nosso sistema nervoso precisa ser colocado em estado de alerta para acionar o botão da ação. Sem sinais claros que nos coloquem em alerta, nosso sistema nervoso simplesmente não diz que a situação precisa de ação urgente.  E dependendo desse gatilho, a reação muda. Algumas pessoas ficam paralisadas. Outra fogem da cena. Outra riem nervosamente. E algumas poucas, agem.

Voltando então ao comentário da Simone, imagine uma pessoa em posição de poder numa instituição pública. A primeira coisa que essa pessoa deveria ter é o senso de responsabilidade. Tal e tal ação quem tem de fazer sou EU, se EU não fizer, ninguém mais fará. E se EU não fizer estarei prevaricando. Prevaricar é quando um funcionário público retarda, deixa de praticar ou pratica indevidamente um ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Em outras palavras: se eu sou responsável pela zeladoria do município e não cumpro com minha responsabilidade, mesmo que ninguém em acione para isso, eu estou prevaricando.

A porra do prédio está lá meu, abandonado, caindo aos pedaços, cheio de riscos até que um dia cai. Alguém prevaricou. Alguém deixou que fosse abandonado, alguém deixou sem manutenção, alguém deixou sem segurança, alguém deixou invadir, alguém não retirou os invasores…. e o prédio caiu, meu.

Quem é esse alguém?

Se o Estado fosse uma empresa privada, era fácil achar o responsável e demiti-lo por incompetência. Mas o Estado não é. No Estado o que existe é a difusão da responsabilidade, é a certeza da impunidade, é a facilidade para dizer “não é comigo”… e o prédio cai. A única forma de funcionar é torcer para que esse senso de responsabilidade seja seja algo intrínseco da pessoa, que ela tenha empatia, respeito, que deixe de viver numa bolha e faça aquilo que se espera dela. Exatamente o que a Simone disse.

A alternativa meu, é ficar tudo como está.

Melhor do que parece
Tim Bernardes

Eu ando muito insatisfeito
Nada me agrada mais
Eu não consigo ouvir um disco
Ou ver um filme e
Um livro, eu claramente não vou ler

Vou procurar em todo canto até
Achar onde eu perdi
Minha vontade, o meu desejo
Ou o prazer de conseguir
E a paciência que eu preciso para curtir

Eu tenho achado tudo chato, tudo ruim
Será que o chato aqui sou eu?
Será que fiquei viciado em novidade
E agora o tédio me enlouqueceu?

Vou procurar em todo canto até
Achar onde eu perdi
Minha vontade, o meu desejo
Ou o prazer de conseguir
E a paciência que eu preciso para curtir

Tudo está melhor do que parece
Eu olho e vejo tudo errado
Faz tempo que está tudo certo

E é assim, ao som de MELHOR DO QUE PARECE, de Tim Bernardes, com a excelente banda paulistana O Terno, que vamos saindo dispostos a fazer acontecer.

Olha, tem pelo menos mais 70 prédios na mesma situação no Centro de São Paulo, tem mais milhões de Kittys Genoveses pelas ruas do mundo, tem mais milhares de crianças querendo sacanear o tigre.

É só cruzar os braços e fingir que não é com você.

Com o motivado Lalá Moreira na técnica, a preparada Ciça Camargo na produção e eu, que to achando que o chato sou eu meu, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco a ouvinte Simone, o Terno, umas músicas aí de medo, cara e Tom Jobim.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais.

Para o resumo do programa, acesse portalcafebrasil.com.br/612.

Para receber o Cafezinho por Whatsapp: bit.ly/assinecafezinho.

E para o Premium: cafebrasilpremium.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase de Edmund Burke

Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.