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609 – As leis

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Luciano Pires -

No Fórum da Liberdade que aconteceu em abril de 2018 em Porto Alegre, uma das apresentações tratou das leis, levantando uma questão importante. Precisamos de mais leis no Brasil? É esse o convite à reflexão que eu faço hoje.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Pedro!

“Bom dia, Luciano. Meu nome é Pedro, eu moro aqui em Itatiba, interior de São Paulo.

Estava aqui ouvindo agora o episódio sobre o tamanho do estado. o Estadão e o estadinho e é assim, eu sou…… eu já fui liberal economicamente, com o passar do tempo eu passei a me identificar como um libertário e pra mim naturalmente eu acabei me tornando um anarcocapitalista, é assim que eu me defino hoje filosoficamente/politicamente/socialmente/economicamente, como queira dizer. 

E escutando esse episódio, tem uma palavra que você usa ali que foi o que me fez ser moralmente um anarcocapitalista. Eu não diria que eu entendo que basta acabar com o estado hoje que teremos a solução de todas as mazelas da sociedade. Acho que isso não vai acontecer do dia pra noite, isso é uma coisa mais gradual. Espero, como diz o príncipe do Liechtenstein, que quem sabe um dia no quarto milênio, nós olhemos pra trás e e pensemos pra que que serve o estado, né?

Mas, a palavra que você usa ali e que foi o que me convenceu a essa mudança, a esse caminhar natural moral, é a coerção. Acho que isso é uma coisa que vale muito a pena ser explorada, ser falada, ser comentada, porque tudo o que o estado faz, é através da coerção. Não há nenhuma  imposição, atitude, ação do estado, frente ao mercado, frente à sociedade, frente às pessoas, que não seja baseada única e exclusivamente na coerção. 

Então, nós vivemos uma relação com o estado muito semelhante àquela relação dos escravos com o senhor lá da fazenda, porque você tinha, por exemplo…… há um mito que os escravos eram maltratados pelo senhor, e isso alguns historiadores já provam que não era verdade, porque o escravo era um artigo, era um bem muito caro, então você não podia pegar esse bem que você tinha investido uma baita duma grana e maltratar ele, quebrar ele, machucar, etc, etc, etc. Então, muitas das atitudes que o dono da fazenda fazia pros escravos, era pro próprio bem deles.

Assim: é a mesma relação que a gente tem hoje. O estado toma várias atitudes, teoricamente porque é pro nosso bem. E isso é onde está moralmente errada a própria existência do estado. Não é ele que decide o que é bom pra mim. Eu decido o que é bom pra mim. E o problema pior é isso. Ele quer decidir o que é bom pra mim através da coerção. Através do uso de força. Através da polícia que me mete medo, através do exército que tem um aparato bélico armamentista n vezes superior ao que eu teria possibilidade de ter. 

Então, é essa diferença do estado pra mim que impõe coercitivamente que ele consiga fazer o que quiser comigo e com o meu dinheiro, como você mesmo falou. Então, meu comentário é sobre isso, sobre a coerção, sobre como nós ficamos acuados e como nós somos mantidos num regime muito similar ao regime de escravidão. 

Um grande abraço e parabéns por estar abordando essa diferença de tamanho de estado, que eu acho que é o grande debate que ninguém faz hoje em dia no Brasil. Muito se fala sobre diferença de direita, de esquerda, de não sei o que, não sei o que, não sei o que, mas ninguém fala sobre o tamanho do estado. 

Parabéns Luciano, muito obrigado por mais um episódio fantástico e essa série que você está fazendo sobre o estado no Café Brasil. Grande abraço.”

Putz… anarcocapitalismo Pedro. Eu sabia que uma hora, teria de entrar nesse assunto. Olha, Pedro, eu considero o tendoanarcocapitalismo uma utopia, uma realidade impossível de ser alcançada, simplesmente por conta da natureza humana. Com seres humanos meu, não dá. Mas como utopia tem sempre seu valor, ao apresentar um objetivo a ser perseguido que, mesmo que jamais seja alcançado, nos coloca numa busca que nos torna sempre melhores. Uma hora destas farei um programa a respeito, viu? O de hoje pode ser considerado uma reflexão que prepara o assunto…

Muito bem. O Pedro receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino.

Quem distribui os produtos Prudence é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros são destinados para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Hoje eu estou aqui sozinho, cara!

Na hora do amor, você tem que usar o que? Prudence.

Chegou a hora de ouvir um depoimento de quem assina o Café Brasil Premium, a nossa “Netflix do Conhecimento”:

“A Netflix do conhecimento e todo conteúdo do Café Brasil transforma vidas, muda nossa forma de pensar, nos faz evoluir, nos instiga, nos provoca, nos faz ter senso crítico, trazendo excelentes reflexões, insights pra vida toda, nos faz acreditar num mundo melhor.  Talvez o Luciano não tenha a dimensão exata do alcance disso tudo, mas com certeza está mudando o mundo de muita gente. É uma honra poder fazer parte disto, poder contribuir de alguma forma, conhecer historias e pessoas incríveis, que nos inspiram a cada dia. Continue com o processo de despocotização do Brasil, e muito obrigado por tudo.” Ricardo Beraldo

cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo extra-forte.

Adriano Gianturco é italiano, doutor em Teoria Política e professor de Ciência Política do Ibmec de Belo Horizonte. É um dos intelectuais de viés liberal que atuam no Brasil. Ele diz que seu papel é fazer a ligação entre teoria e prática, entre política e economia. Sua fala no Fórum da Liberdade me chamou a atenção. Eu vou reproduzi-la aqui, preste atenção. Ele trata de um dos problemas principais que atravancam o progresso do Brasil: a legislação.

Olá, boa tarde. Obrigado. Agradeço muito ao IEE pelo convite e agradeço muito a esses dois grandes homens pelo que fizeram e o que estão fazendo para os dois meus países.

Eu não sou um jurista, sou um cientista político então vou tentar tratar o tema da lei através desta ótica e vou tentar me ater bastante ao tema.

A lei. Acreditamos que a lei deva ser justa, deva fazer o bem, evitar e punir o mal. Acreditamos que os problemas surjam quando a lei é desrespeitada, corrompida e não aplicada. E claro, o que todos nós queremos, é o estado de direito, o império da lei, segurança jurídica e o governo das leis. E não o governo dos homens.

Mas, a lei é feita por homens. E às vezes é a mesma lei a ser injusta a ser ineficiente e a gerar corrupção. É a mesma lei a ser ferramenta de poder, de pilhagem e de controle social.

Por exemplo, acreditamos que deveríamos ser todos iguais perante a lei. É o princípio da isonomia, da igualdade formal e jurídica. Mas é a mesma lei às vezes, que faz diferenças, que faz diferenças entre quem tem foro privilegiado e quem tem a justiça comum. Entre terra privada e terra estatal, sendo que na primeira alguém pode sempre pedir usucapião e na terra estatal, nunca, ninguém.

É a mesma lei que faz diferença entre trabalhadores privados que pagam impostos e burocratas estatais que recebem impostos e salários acima do teto e fora do mercado.

É a mesma lei que faz diferença entre quem pode e quem não pode. Entre quem pode tudo e quem pode nada.

Acreditamos que o estado deveria aplicar a lei, mas são eles, às vezes, que não respeitam a lei, quando, por exemplo, faz o impeachment do presidente, mas não retiram seus direitos políticos. Quando o governador do estado, como aconteceu aqui, não paga o piso salarial dos professores ou como aconteceu em outros estados, quando confiscam depósitos judiciais de terceiros para pagar os rombos nas contas que eles fizeram.

São eles que não respeitam as leis. Com encontros fora da agenda e com salários acima do teto.

Acreditamos que a lei deveria limitar o poder, mas às vezes, é a mesma lei a dar poder. Ao ponto que muitos querem virar juristas e advogados, exatamente para ter poder e dar carteiradas.

É a mesma lei a dar privilégios, carro com motorista, cafezinho, vale terno e sofá no gabinete.

Exatamente o fato de que tudo está na constituição, não por acaso, a terceira constituição mais longa do planeta, a dar poder ao estado e a operar o STF. É a vagueza da lei a deixar alguma margem de interpretação e muita margem de poder. Afinal, alguém já disse “aos amigos os favores, aos inimigos a lei”.

Acreditamos que a lei deva ser moral e que é moral. Mas, esquecemos que a escravidão foi legal. Que os campos de concentração foram legais. Que o apartheid foi legal. Que o fundo eleitoral é legal. Que as desapropriações das favelas são legais. Que ambulantes e mendigos são retirados das nossas calçadas todos os dias com força de lei. Esquecemos que o BNDS retira 9% do PIB dos pobres para redistribuir para as empresas grandes e ricas.

Na verdade, a lei acaba com a moralidade. Quando, por exemplo, finge que está distribuindo recursos para os pobres e aí as pessoas não ajudam porque pensam: eu já fiz meu dever, eu já paguei impostos. Quando institui, por exemplo, prioridades nos caixas e nos ônibus, e aí o que acontece que quando chega uma gestante ou um velho afinal, nós não deixamos passar ou deixamos sentar porque pensamos que já existe um assento específico pra eles. Ou quando confundimos a lei com moralidade e aí nos tornamos robôs obedientes e amorais.

Acreditamos ainda que a lei deva promover um ambiente econômico eficiente. Mas, é a mesma lei que gera a ineficiência. Torrando, por exemplo, bilhões e bilhões com copa do mundo, olimpíadas, estádio em Manaus e em Brasília.

É por lei que se institui e se administra o BNDS, o maior banco de desenvolvimento do mundo, maior que o Banco Mundial, que não gera desenvolvimento nenhum, que gera subdesenvolvimento. Deveria até se se chamar BNSUB, Banco Nacional do Subdesenvolvimento.

É por lei que se faz protecionismo e é assim que o Brasil virou uma das economias mais fechadas do planeta. E para quem não acredita, porque sempre ninguém acredita, eis aqui os dados.

É por lei que se exigem autorizações, concessões, alvarás, carimbos vários ao ponto de nos colocar nos últimos lugares de liberdade econômica do planeta. A posição 153 em 180, pouco antes de países como Cuba, Coréia do Norte, Venezuela, entre países quase não livres.

É por lei que hiper-regulamentam todos os dias a nossa vida. Vamos lembrar só de uns casos. Os mais recentes: rádio obrigatória nos celulares, regulação do esporte eletrônico, proibição de descontos para mulheres em bares e boates, segunda feira sem carne, revisão obrigatória do ar condicionado, salvo depois mudar de ideia, proibição do sal na mesa, proibição da cobrança para orçamentos, proibição de cobrar por sentar na mesa do bar, teve até uma lei pra decidir se a espuma da cerveja é cerveja. E agora acabaram de instituir o dia nacional do desafio. Todas últimas quartas feiras de maio, todas as empresas serão obrigadas a fazer quinze minutos de exercícios para os funcionários. Eu lembro de meus avós quando lembravam, quando me contavam do sábado fascista instituído por Mussolini onde as pessoas deviam fazer ginástica em praça pública. Exatamente a mesma coisa.

Desde 1988 foram aprovados 5,4 milhões de dispositivos legais. 769 por dia útil. Só ao nível federal, são 15 por dia. Considerando os três entes federativos e considerando que cada um de nós mora só em uma cidade e só um estado é uma media de 267.000 dispositivos legais em cima de cada um de nós. É humanamente impossível saber e seguir essa lei.

E ainda muitos repetem: o Brasil tem boas leis, o problema é que não são aplicadas. Não. O Brasil tem leis demais. Se fossem todas aplicadas perfeitamente, o Brasil pararia. Mas é por essa visão fantástica das leis que faz com que Brasil afora nas universidades se ensine a visão da lei do direito como ferramenta de mudança social, ou seja, a ideia de usar o direito para moldar e plasmar a sociedade segundo os próprios prazeres, ou seja, pura engenharia social, puro coletivismo, puro totalitarismo jurídico. Enquanto no resto do mundo o direito é um simples método de resolução de conflitos. Ao contrário aqui, se gera mais conflito om a judicialização das relações sociais que muitos até celebram e os advogados agradecem, afinal, a indústria do dano moral gera, por exemplo, milhões de causas lucrativas.

É ainda por essa visão da lei que o fiscal se acha importante e todo empoderado por um crachá dado pelo Leviatã, ele acha que o Brasil não dá certo porque a lei não é aplicada. Agora vou aplicar a lei e vira Suíça.

E é ainda por essa visão que as pessoas chegam até a delatar o próprio vizinho porque ousou cortar uma árvore na própria propriedade, porque deu um tapa no meu filho, delatar o próximo ao príncipe. Uma mentalidade de SS nazistas. E para o estado é perfeito, porque terceirizou a fiscalização e colocou as pessoas umas contra as outras. Mas ainda assim, as pessoas repetem: falta fiscalização. Enquanto o que acontece de fato é o seguinte: as grandes empresas vão diretamente pressionar o legislador pra fazer uma lei que encarece o processo, o custo de produção, pra jogar o concorrente menor fora do mercado e ficar com o monopólio. Aí quando o fiscal vai controlar o comerciante pra aplicar essa lei corrupta a ele não resta que pagar a multa ou pagar o fiscal. Mas a lei foi feita exatamente para gerar isso.

Acreditamos enfim, que a lei deve evitar e punir a corrupção. Afinal, a corrupção é exatamente desviar do fim oficial e mais nobre da lei. Desviar recursos e dinheiro.

Mas, é a mesma lei que é feita pra gerar corrupção. Empresas estatais e bancos estatais servem para empregar e dar poltronas aos amigos e fazer ganhar leilões a empresa amigas. A hiper burocracia dos portos mais lentos do mundo servem exatamente para que a um certo ponto, chegue o empregado do porto e apresente uma alternativa, um jeitinho, para despachar ou desembargar a mercadoria mais rapidamente.

O superfaturamento das infraestruturas não é um erro, não é falta de planejamento. É um planejamento espertinho demais. Na verdade, se fazem infraestrutura exatamente para desviar dinheiro. O custo dele é que para fazer isso tem que nos dar a ponte. E a merenda escolar é a mesma coisa. Você pode gritar: roubaram a merenda de meu filho, mas na verdade o objetivo é o mesmo. O objetivo é desviar. Para isso tem que nos dar algumas merendas. O que nós chamamos de corrupção, na verdade é o objetivo real dos políticos. É a função normal do estado. O resto é a máscara. E claro, temos que mudar isso.

Conclusão: existe uma diferença enorme entre lei e legislação. Aquelas ao qual estamos falando aqui até agora é, na verdade, a legislação e não a lei. 

As leis são as leis da economia, como a lei da demanda e da oferta ou as leis naturais. A lei é um fenômeno descritivo, espontâneo, de baixo para cima, um fenômeno natural. A legislação é um fenômeno prescritivo. De cima para baixo, impositiva. É um fenômeno político e a legislação vira mera vontade do Leviatã preto no branco.

Sim, temos que respeitar a lei. Temos que tentar melhorar a lei, e o que os dois grandes homens aqui fizeram e estão fazendo é fundamental para domar a besta. Mas não basta. Prender os responsáveis é essencial, mas não é só isso. É como quando você prende o chefe do tráfico e três segundos depois surge um outro. Isso não resolve o problema que é um problema sistêmico de incentivo de estrutura.

Não é só colocar a pessoa certa que tudo vai melhorar. Não é um salvador da pátria que vai melhorar e resolver o país agora nas próximas eleições. É o tanque que está furado. Não adianta colocar gasolina. É o carro que tem que ser trocado e não só o motorista.

O que temos que fazer? Temos que revirar o estado ao avesso. Temos que reverter a estrutura estatal. Temos que mudar sua função. Temos que limitar o impacto de seus incentivos perversos. Temos que limitar sua dinâmica, para que a lei seja mais poderosa que a legislação. Para que sejam eles a obedecer a nós e não o contrário. Temos que diluir o poder político ao máximo possível. Temos que descentralizar de Brasília para os estados, para os municípios e para os bairros, para nós podermos fiscalizar o príncipe e não vice versa. Para poder ter diferentes sistemas jurídicos em concorrência entre eles, experimentar e testar os melhores, emular os sucessos e evitar os casos de fracasso.

Métodos privados de resolução de conflitos como arbitragem, tem que ser ampliados pra mais esferas. E especialmente temos que fazer uma divisão clara e forte entre economia e política, para minimizar o conluio, o lobismo e a corrupção. Temos que tirar a política da nossa vida e do nosso bolso.

A concluir: eu me lembro do depoimento de uma senadora famosa, recentemente, no TRF4 de Curitiba, se sabia de nomeações políticas nas empresas estatais. E ela respondeu: claro que sim. Mas essa é a lógica da política. O judiciário também tem sua lógica e a política tem a sua. Vocês estão querendo criminalizar a lógica da política.  

Cara senadora: é isso mesmo. Queremos criminalizar a lógica da política, pois essa lógica da politica é criminosa.

Ouviu, hein cara? O problema do Brasil não são as leis, que já existem em excesso, mas a legislação… Pense nisso. O Brasil é um país patrimonialista, onde o estado é o paizão que trata territórios e cidadãos como sua propriedade. Deixamos que a coisa chegasse nesse ponto. Eu pago aluguel, sob forma de um imposto altíssimo chamado IPTU para o estado, da minha casa própria, cara! A legislação serve para me perseguir. A elite política é uma panelinha fechada em torno de seus interesses individuais. Tudo bem, se lhes convém.

Pedir mais leis é pedir mais interferência do estado. É ampliar sua sanha opressora sobre os indivíduos.

Precisamos limitar o poder da mão peluda do estado, manter os poderes separados, descentralizar os orçamentos e as decisões, respeitar os direitos individuais. Desmontar essa máquina antidemocrática, faminta e injusta que os ingênuos e canalhas dizem que foi feita para nos proteger.

Fora da lei
Ed Motta

Cidade nua
Noite neon
Gata de rua faz ron-ron ao luar

Saio da cama
Pulo a janela
Ninguém como ela, ao luar

Mia, arranha o céu
Mia, lua de mel ao léu, well

Dois gatos pingados fora da lei
Ela é a rainha, eu o rei
Farra no telhado fora da lei
Tudo bem

Sobe desce muros fora da lei
Ela sai por onde entrei
Gritos e sussurros fora da lei

Cidade nua
Faz serenata
Beijo na boca, vira-lata, de lixo

Amor de bicho
Paixão maluca
Cama de gato
Kama Sutra ao luar

Mia, arranha o céu
Mia, lua de mel ao léu, well

Dois gatos pingados fora da lei
Ela é a rainha eu o rei
Farra no telhado fora da lei

Tudo bem

Sobe desce muros fora da lei
Ela sai por onde entrei
Gritos e sussurros fora da lei

Mia, arranha o céu
Mia, lua de mel ao léu, well

Dois gatos pingados fora da lei
Ela é a rainha, eu o rei
Farra no telhado fora da lei
Tudo bem

Sobe desce muros fora da lei
Ela sai por onde entrei
Gritos e sussurros fora da lei

E é assim, ao som FORA DA LEI, de e com o Ed Motta, que vamos saindo… no mínimo pensativos.

Cara, o Brasil tem de mudar. Por isso é tão importante, nas eleições, buscar a renovação. Mas não se iluda, viu? Só a renovação não resolve. O caminho para o país que queremos é longo, é um processo trabalhoso, demorado e que vai precisar de mais uns 50 podcasts só pra entender o tamanho do buraco.

Com o preocupado Lalá Moreira na técnica, a revoltada Ciça Camargo na produção e eu, este anarco coisa nenhuma Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Pedro, Adriano Gianturco e Ed Motta.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais.

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Pra terminar, uma frase do militante contra impostos norte-americano Irwin Schiff

Quer que políticos irresponsáveis gastem menos e criem menos leis idiotas?  Pare de dar dinheiro para eles.