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569 – O artista de rua

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Luciano Pires -

ILUSTRAÇÃO DA VITRINE: VITO QUINTANS

Artistas de rua estão por aí desde sempre, fazendo com que a gente escape um pouco da correria do dia a dia para virar criança, ou então para curtir uma canção ali, de repente, no meio do povo. Este programa é uma homenagem a eles. Mais especificamente a um deles.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Filipi.

“Fala Luciano. Tudo bom? Aqui é o Filipi eu sou coach do Emagreça Pela Mente, falo diretamente de Vila Velha, Espírito Santo e eu estou fazendo esse áudio pra te agradecer.

Sabe, ontem eu tive um abalo emocional no meu trabalho, algo que me deixou um pouco pra baixo e quando eu fico assim, eu exercito a gratidão. A gratidão me traz pro meu eixo, me faz ficar mais equilibrado, me faz refletir. E me traz um pouco as vibrações boas daquelas pessoas que eu agradeço. Mas, eu senti essa necessidade de ir um pouco mais além e fazer esse exercício publicamente. Te agradecendo publicamente, não só por um episódio mas pelo conjunto da tua obra, do Café Brasil, do LíderCast.

Cara! Em diversos momentos eu me vi conversando contigo, conversando com os teus entrevistados e algumas frases me tocaram naquele momento. Não vou saber agora precisar qual, em qual episódio. Mas, diversos episódios vieram e tocaram meu coração. E isso me marcou muito. 

Então, eu quero agora te agradecer. Por toda energia, por toda vibração positiva que você mandou pra mim. Pra todos os ouvintes também mas, nesse ponto eu quero ser um pouquinho egoísta. Falar um pouco de mim porque eu não consigo saber das outras pessoas. 

E no LíderCast, quando você falou das dificuldades, das superações, dos outros profissionais, até de colegas coachs, eu me senti muito ali. Quando você trouxe depoimentos de clientes seus, de ouvintes do Café Brasil, até o pai de um ouvinte, que fez um depoimento muito forte, eu me senti ali. 

Eu me senti impactado e, toda vez que você traz um conteúdo falando sobre motivação, sobre empreendedorismo, sobre ser mais, eu me sinto impactado. 

Então, eu quero te agradecer pelo conjunto da obra. Eu acho que gratidão é fundamental na vida das pessoas, não sei se você já fez um episódio sobre gratidão, mas pra mim hoje, a gratidão é a forma com que eu volto pro meu eixo e que me faz seguir em frente pra atingir resultados maiores e mais pra frente. A gratidão me relaxa, me acalma e me traz coisas boas. Tudo aquilo que eu preciso nos momentos difíceis. E por isso, eu estou agora te agradecendo. Porque eu sei que daqui pra frente eu vou precisar estar mais forte e mais determinado pra atingir meus objetivos. 

Um forte abraço e vida longa ao Café Brasil”.

Obrigado Filipi, eu é que tenho de manifestar minha gratidão, viu? Um comentário como o seu é como um sopro de ar aqui na nossa fogueira, ela cresce… e escolhi o seu comentário hoje pois neste programa tratarei do mesmo assunto que você: gratidão.

O Filipi receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Hoje tá cheio de gente aqui. Vamos lá moçada.

Na hora do amor,

Wilson e Márcio – use Prudence.

Camila – e muito obrigada.

Você agora tem um ambiente para mergulhar mais fundo em conteúdos para o crescimento pessoal e profissional: lançamos o Café Brasil Premium, nossa “Netflix do Conhecimento”, repleta de sumários de livros, vídeos, podcasts, áudios… cara! É um monte de conteúdo. É uma festa para quem quer crescer. Acesse cafebrasilpremium.com.br, conheça nossa proposta e junte-se aos assinantes que já estão viajando por lá.

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Conteúdo extra-forte.

Em inglês, o termo que designa a ação de realizar performances nas ruas, de graça, é “busking” e começou a ser utilizada por volta de 1860 na Inglaterra. A raiz da palavra é hispânica, vem de “buscar”, que por sua vez veio de um termo indo-europeu, eu sei lá como fala isso aqui “bhudh-skō”, sei lá o que é isso, que quer dizer “vencer, conquistar”. Esse termo não chegou ao Brasil, mas é curioso conhecer essa raiz etimológica. Aquele artista de rua que encanta você, está empenhado em lhe conquistar…

Antes do advento das gravadoras, as performances de rua foram o emprego de muita gente e os registros dos artistas de rua vem da antiguidade. Poetas, trovadores, cantores, atores, mímicos, comediantes, mágicos, malabaristas… olha, você sempre cruza com algum deles pelas ruas. E talvez tenha se perguntado sobre quem serão essas pessoas, como vivem daquilo, o que que elas querem, hein?

No site artistasnarua.com.br encontrei um texto interessante sobre as origens da arte de rua.

Na Grécia pré-socrática, os aedos homéricos eram cantores que discursavam em versos e música e percorriam a Grécia cantando um repertório de lendas e tradições populares. Tinham a função de envolver a platéia tanto pela melodia e pelo ritmo quanto pelos movimentos do artista e o sentido das falas. A mobilização ideológica também era exercida por eles.

Em meados do século XII, na Idade Média, a Literatura Portuguesa acabava de surgir e suas primeiras obras literárias eram elaboradas em forma de poemas. A prensa gráfica ou jornais não existiam, e os poemas eram declamados em ruas, praças, festas e palácios com o objetivo exclusivo de divulgação. Como tinham acompanhamento musical, receberam o nome de cantigas ou trovas. O Trovador era o artista que tinha como missão realizar tais apresentações e deixar a todos, principalmente clero e reis, satisfeitos. Entretanto, além do poeta nobre, havia o poeta plebeu, apelidado de Jogral.

O Jogral vinha de uma classe popular, não pertencia a nobreza. Realizava performances mais simples e humildes para os senhorios das terras e assumia o papel de bufão, uma espécie de “bobo da corte” com suas sátiras, mágicas, acrobacias e mímica.

Naquela mesma época, as festas medievais populares contavam com apresentações teatrais, estruturadas em quadros de cena, que consistia em colocar os atores imóveis e congelados numa pose expressiva, dando a impressão de uma pintura.

A Ciça está agoniada ali com os Aedos Homéricos… Aedo era, na Grécia antiga, um artista que cantava as epopeias acompanhando-se de um instrumento de música. E o Homero vem dos hinos homéricos uma coleção de poemas.

A música também teve um papel importante na origem da arte urbana. O historiador Eric Hobsbawm relata em seu livro História Social do Jazz, que este ritmo musical nasceu nos Estados Unidos, no início do século XX, através de um movimento popular negro. Sua semente brota nas regiões de New Orleans, Mississipi e Texas, por trabalhadores negros que após o serviço, tocavam nas ruas seus instrumentos musicais, como o saxofone e a clarineta, em uma maneira de se dispersar do cotidiano cansativo.

Minha memória mais antiga vem das ruas de Bauru, de eu estar assim numa rua, não me lembro como nem com quem nem quando, mas lembro que eu era molequinho de ver um monte de gente olhando algo. Quando passei pelo meio das pessoas vi um sujeito com uma roupa estranha, uma pintura na cara, falando de coisas que eu não entendia. Num momento qualquer ele disse que ia apresentar um amigo e tirou de uma caixa um baita lagarto, que interagia com ele. Parece que no fim o sujeito vendia alguma coisa, mas aquilo me deixou encafifado. Será que aquela era aquela a profissão dele? Nunca mais o vi, deve ser um daqueles que viajam por cidades e acabam conhecendo o país…

Fiz um Café Brasil em 2008, o Pinguinho de Gente, que contou a história de um desses artistas, o Charles da Flauta. Mas eu conheci outros.

Acho que foi em 2015, eu estava em Santo André caminhando pelo calçadão, no centro da cidade. Ouvi ao longe uma música, na verdade uma guitarra, vi umas pessoas olhando e fui lá ver o que era. E meu queixo caiu…

Um sujeito tocava Sultans of Swing do Dire Straits de um jeito como eu nunca vira… mas não era só uma questão da técnica. Dava pra ver que ele não era um virtuose saído de uma escola de música, mas um daqueles talentos raros, que aprende fazendo e que encanta exatamente por uma espécie de ingenuidade, uma verdade que saía de sua voz e de sua guitarra. Aquele era o William Lee.

william lee

Quando voltei pra casa fiz um post no Facebook e busquei saber quem era. Eu não sabia, mas ele estava nessa há anos.

Baita guitarrista, meu… O talento musical de Willian começou a despontar após os 11 anos de idade, no interior de Minas Gerais, junto a tios maternos, num ambiente tradicional de raízes sertanejas de uma família católica pouco praticante. Em 1992 a família vendeu a casa e se mudou São Paulo, onde Willian começou a batalhar a carreira artística nos bailes e bares da noite paulistana.

Em 1997 formou uma banda e tocou com Sergio Reis, mas sem ver a carreira decolar, desistiu da musica e voltou para BH. Depressão, tentativa de suicídio e álcool marcaram sua vida, até encontrar os músicos da Banda Diante do Trono da Igreja Batista Lagoinha, que passou a frequentar. Ali começou a se reerguer como artista, retornando para

No blog baudorock.net  eu encontrei mais informações sobre ele:

Willian Lee seguiu ao pé da letra o conselho de uma canção de outro mineiro: “Todo artista tem de ir aonde o povo está”.

Foi nas ruas de São Paulo que Willian virou um fenômeno midiático da internet ao esbanjar um talento acima da média em vídeos dele tocando sua guitarra pelas ruas da cidade, Esses vídeos viralizaram pelo Youtube com milhões de visualizações.

No roteiro deste programa, no portalcafebrasil.com.br, coloco um link para uma série de vídeos do Willian.

http://baudorock.net/2017/06/willian-lee-o-heroi-das-ruas/

Pois é. O Willian Tocando impressiona tanto que, ao ouvi-lo, a primeira coisa que naturalmente vem à cabeça é uma certa indignação: “Como é que um cara como ele não está tocando na banda de algum grande artista popular, hein?”

Pois é? Como é que não, hein?

Com o tempo, sua técnica e sensibilidade chamaram atenção, gerando convites para tocar em eventos corporativos. O nome de Willian Lee viralizou, especialmente no Youtube, se espalhando pelo mundo! Não demorou e Lee foi convidado para tocar nos principais canais da TV aberta. Aparecia, mostrava sua arte com uma humildade impressionante e… voltava às ruas…

Em meados de 2017 Lee andava meio sumido e os quase 50 mil inscritos do seu canal do Youtube estavam ansiosos para assistir um novo vídeo. Até que acabou a espera: Teve vídeo novo! Porém, em vez de ver o nosso ídolo ao ar livre botando a sua guitarra pra chorar, vimos um Willian Lee diferente: em uma cama de hospital relatando os problemas de saúde que “apertaram o botão do pause” neste delicado momento da sua carreira. Willian anunciava que estava com câncer.

Aquilo foi um choque! A cada semana novos vídeos mostravam especialmente as dificuldades para ser atendido nos hospitais. Após muitas tentativas, finalmente ele conseguiu uma internação e passou a enfrentar uma maratona de exames. Sem poder trabalhar para cobrir custo de seu sustento e de remédios, Lee apelou para os fãs. E aconteceu uma grande mobilização na internet, com músicos, youtubers e gente de todos os lados divulgando, tentando encontrar uma forma de ajuda-lo a sair dessa. E acompanhando agoniado o desenrolar desse drama, que já não era do Willian, mas era de todos nós.

Formou-se uma corrente do bem, até o dia 3 de Julho de 2017 quando chega a notícia.

Willian Lee faleceu. Aos 46 anos. Deixando todos nós mais pobres.

E agora? Nós que ficamos? Talvez a Monja Coen, que nos explica a morte pelo ponto de vista do Zen Budismo, tenha a resposta…

A gente não gosta de se separar de quem a gente gosta, não é mesmo? A pessoa vai embora: eu não quero que vá. Não se pode fazer nada. Nada. O ser humano morre. O que nasce, inevitavelmente morre. O que se junta, inevitavelmente se separa. E nós temos que conviver com isso. Dói? Dói. O sofrimento existe? Existe. Ah! Eu sei que todo mundo morre, eu não sinto nada. É mentira.

Quantas vezes eu vi a minha superiora chorando nos enterros, nos velórios que ela fazia. A monja, desde que entrou pra vida monástica com três anos de idade, está com oitenta e tantos anos de idade. Há oitenta anos que ela vê gente morrendo, faz enterro e chora. Se comove. Pessoas que ela conhecia, que eram suas amigas, seus amigos que morrem, ninguém fica contente.

Porque pessoas falam assim: os japoneses quando morre alguém fazem festa, ficam alegres. Ai, ai, ai. Os japoneses não ficam alegres quando alguém morre. Fica triste. Não é que faz festa. Os parentes se reúnem e oferecem alimentos e bebidas. Antigamente era assim no Brasil também. Ainda há áreas no Brasil que fazem isso. Na noite do velório, dá comida. Gente que veio de longe, vai passar a noite em claro com você ali, você não serve nada? E parente quando se encontra o que é que faz? Conta “causo”, sabe o que aconteceu comigo, o que aconteceu com você. Ai, eu tenho uma piada tão legal… e o defunto ali. E está todo mundo triste, mas tem piada, porque a vida é movimento.

A vida não é estagnação. É a gente perceber que: sinto a dor da perda, mas esse ser que morreu vai viver em mim. Como é que eu vou honrar essa memória na minha vida? E não só me lastimar. Então ele falava isso, nascimento, velhice, doença e morte são causas de sofrimento. Mas que existe uma coisa chamada nirvana ou nibana, que é um estado de paz e tranquilidade. E que é possível quando temos um caminho de prática de oito aspectos. Ou seja, quando percebemos, temos memória correta, ou seja nos lembramos das quatro novas verdades. Não há nada fixo, nada permanente e tudo está interconectado. Nada existe separado, independente. Aí a nossa visão da realidade começa a mudar. 

Muito obrigado Willian Lee. Naqueles minutos , num calçadão em Santo André você fez com que eu parasse a correria de minha vida e, por um minuto, um minuto só, esvaziasse a mente e simplesmente me entregasse a contemplar a sua arte.  Quanta gente não fez o mesmo…

E agora faço a conexão com as  palavras da monja. Não há nada fixo. Não há nada permanente. Tudo está conectado. Nada existe separado e independente

A vida é movimento… a vida não é estagnação. Esse ser que morreu vai viver em mim…  Eu fico então com a pergunta: como é que vou honrar essa memória em minha vida e não apenas lastimar? Bem, este podcast é uma tentativa…

No roteiro deste programa no Portal Café Brasil vou deixar os contatos para quem quiser comprar os discos do Willian Lee. Assim você não só ajuda a família dele, mas terá a chance de fazer com que o artista de rua viva em você.

http://willianleeguitarrista.com.br/cd

https://www.facebook.com/willianleeguitarrista/

https://www.youtube.com/willianlee

E é assim então, ao som de Willian Lee com CHANGE THE WORLD, o sucesso de Eric Clapton, que vamos saindo… pensativos…

Com o circunspecto Lalá Moreira na técnica, a emocionada Ciça Camargo na produção e eu, o agradecido, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Hugo Brito, diretamente de Indaiatuba, o Wilson, a Camila e o Márcio, Monja Coen e Willian Lee.

E não esqueça. O Itaú Cultural, que está comemorando 30 anos com uma exposição fantástica chamada MODOS DE VER O BRASIL, com grande parte de um acervo construído desde o final dos anos 60, e que permanecerá exposto na OCA, no parque Ibirapuera até 13 de agosto de 2017.  Cara! é imperdível. Acesse: facebook.com/itaucultural e deixe lá sua mensagem de parabéns a quem  há 30 anos investe na cultura brasileira.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. Quem estiver fora do país, é o: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

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E o Premium no: cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo provocativo, grupos de discussão e uma turma da pesada, reunida para trocar ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo juntos!

E para terminar, um trecho da letra famosa de Fernando Brant:

Com a roupa encharcada e a alma
Repleta de chão
Todo artista tem de ir aonde o povo está
Se for assim, assim será
Cantando me disfarço e não me canso
De viver nem de cantar