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547 – Sobre desigualdade

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Luciano Pires -
Download do Programa

ILUSTRAÇÃO DA VITRINE: VITO QUINTANS 

O tema da desigualdade econômica vem dominando praticamente todos os debates políticos. O problema é que, enquanto sobram polêmicas e emotividade, faltam clareza e racionalidade. É nessa praia que vai o programa de hoje. Eu já aviso que a pegada aqui é liberal, hein? Se você é.. humm.. “progressista”, vai derrubar o disjuntor na abertura…

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. Um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente clique no botão laranja logo acima deste texto.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Bruno Paulino, que tá loooonge, meu…

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano e todos os ouvintes aí do Café Brasil, meu nome é Bruno Paulino, eu tenho 27 anos e venho de uma cidadezinha linda chamada João Pessoa, capital da Paraíba. Quem não conhece, eu recomendo: dê um pulo lá. 

Sou um grande fã de carteirinha, desde 2014, quando descobri a beleza do podcast. Eu nem sabia o que era. Mas, um amigo meu meu me recomendou, eu perguntei: bicho! Que danado é podcast? Ele veio e disse: rapaz! É como o Youtube, só que só com áudio. Eu disse: beleza! Deixa eu dar uma olhada aqui. Aí eu percebi que eu já tinha o wep no meu smartphone e eu nem sabia. 

Fui pesquisar sobre os melhores podcasts brasileiros e encontrei você, numa lista dessas aí de ranking dos melhores podcasts. Só precisou de um episódio pra que eu me tornasse esse grande fã que acompanha cada episódio que você libera aí. 

Atualmente eu moro em Viena, na Áustria e o episódio Pinchado no muro, tocou meu coração. Não é nada fácil você largar tudo, sua pátria amada, sua família, seus amigos, seu trabalho, tudo que você construiu ao longo de vários anos e ir para um lugar totalmente novo, com pessoas novas, idioma novo, leis novas, ou seja, tudo novo. Você vai ter que aprender tudo. Especialmente quando você não fala o idioma. Eu atualmente só falo inglês, estou conseguindo viver normal aqui mas, o ideal mesmo, seria falar alemão. Então vai demorar um pouco pra aprender o alemão mas, eu chego lá. 

Porque teve outro episódio cara, que foi peso pra mim. No episódio Folha seca, você fez uma perfeita definição da palavra discernimento. Aquela definição cara, foi fantástica. O discernimento me permitiu tomar minhas decisões. E querer construir a minha vida da forma que eu realmente quero. E não da forma que as pessoas impõem. Da forma que a sociedade impõe pra gente, principalmente aí no Brasil onde todo mundo pensa em fazer concurso, todo mundo pensa em ter sua estabilidade, eles não querem saber de empreender, não querem saber de nada, eu resolvi tomar o caminho contrário. Hoje eu sou engenheiro de software, estou no mercado privado atualmente, tenho algumas ideias, pretendo empreender aqui, a curto prazo. 

Mas, é isso aí. Cheguei aqui faz alguns meses só, estou me adaptando ainda mas, seu podcast foi fundamental cara. Hoje eu posso dizer que seus conselhos, seus episódios fizeram parte aí da construção desse meu caminho de vários anos, nesses poucos anos que eu venho acompanhando aí, isso fez uma diferença dramática. Realmente eu quero agradecer e você vem contribuindo cada dia mais aí com seus novos episódios. 

Eu quero desejar aí um feliz 2017 pra toda sua equipe aí, nosso amigo Lalá, nossa grande Ciça, pelo excelente trabalho e é isso, cara! Sou seu fã, vou continuar acompanhando aqui, um pouco distante mas, vou continuar acompanhando aqui o podcast como eu sempre faço e vou continuar divulgando. Então, sempre que eu encontro um amigo, sempre que eu encontro alguém que tá precisando de um conselho, tá precisando de uma força pra uma ideia, eu passo logo o link do seu podcast. É isso aí, cara! Um abraço, fique em paz e espero escutar maravilhosos episódios aí, nesse ano de 2017. Abração”.

Grande Bruno, como é bom ouvir um depoimento como esse seu, viu? E saber que de alguma forma a gente contribuiu para esse seu caminho. Mas o bom mesmo é ouvir um trecho assim, ó: o discernimento ME permitiu tomar MINHAS decisões de construir MINHA vida da forma que EU quero. Sabe o que é que me atrai, hein? É esse me, minha, minha, eu… a afirmação do indivíduo como agente de sua própria vida. Este programa aqui, também fala disso cara, ao propor uma mudança de foco. Olha! Vá em frente, quando eu for pra Viena cara, eu vou te avisar!

Muito bem. O Bruno receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Dois! Hoje eu quero em ritmo vienense.

Na hora do amor, use

Lalá e Ciça – Prudence.

O programa de hoje é baseado num artigo escrito por Deirdre McCloskey, que é professora de economia, história, inglês, e comunicação na Universidade de Illinois, em Chicago. Deirdre já escreveu 16 livros e publicou 400 artigos, que abordam desde os aspectos técnicos da economia até a ética e as virtudes burguesas. Seu último livro, A Dignidade da burguesia: Por que a economia não consegue explicar o mundo moderno (Bourgeois Dignity: Why Economics Can’t Explain the Modern World), é o segundo de uma série de quatro sobre a Era Burguesa.

Bem, como eu já disse aqui a palavra “burguesa”,  eu já devo ter derrubado o disjuntor dos primeiros oitenta e três aí… Paciência.

Olha! O artigo foi publicado na página do Instituto Mises Brasil, o que já vai derrubar o disjuntor de mais uns 200 aí.

Vamos a ele?

Ao fundo você ouve o arranjo de Heitor Villa Lobos para uma famosa música infantil…

O tema da desigualdade econômica vem dominando praticamente todos os debates políticos. O problema é que, enquanto sobram polêmicas e emotividades, faltam clareza e racionalidade.

O principal exemplo está nos que pregam por “eliminar a pobreza e a desigualdade”, como se ambos fossem a mesma coisa. Ou então, causa e consequência.

É claro que eliminar a pobreza é bom! E isso já vem acontecendo em escala global. Em 1820, aproximadamente 95% da população mundial vivia na pobreza, com uma estimativa de que 85% vivia na pobreza “abjeta”, aquela em que o indivíduo busca por comida em lixões, dorme sobre um pedaço de papelão, não tem acesso à coisas básicas como água, escola ou energia.

Bom. Aqui começa o mimimi né? Provavelmente com  os rótulos do capitalista selvagem, do patrão opressor, aquela conversa que reduz um problema complexo a uma discussão de grêmio estudantil.

Segundo dados do Banco Mundial,  em 2015, menos de 10% da humanidade continua a viver na pobreza abjeta. 10% da humanidade são mais de 700 milhões. 700 milhões de indivíduos cara! É gente demais! Que absurdo! Pois é.

Mas vamos olhar além do número absoluto, hein? Em 1990 eram 2 bilhões de pessoas na pobreza abjeta, o que representava 40% da população mundial! Em 30 anos, esses 2 bilhões caíram para 700 milhões. De 40% da população mundial vivendo na pobreza abjeta, para 10%.

Xangai, um local dominado pela miséria até há pouco tempo, hoje se parece com as cidades mais modernas dos Estados Unidos, como Houston. A renda real da Índia está dobrando a cada 10 anos. A África Subsaariana finalmente está crescendo. Mesmo nos países ricos, os pobres de hoje vivem muito melhor do que viviam os pobres da década de 1970, tendo mais facilidade de acesso a comida, a serviços de saúde e até mesmo a amenidades, como ar-condicionado.

E a meta do Banco Mundial é reduzir a pobreza abjeta  para zero em 2030.

Eu disse zero!

Onde quero chegar, hein? Existe uma melhoria visível, existe um objetivo, estamos evoluindo no combate à pobreza. São esses os dados que orientam as políticas públicas dos governos de todo o mundo.

E nada disso é opinião, são fatos!

Seu mimimi aí cara, não adianta nada.

Diante desses fatos, dá pra ficar feliz, para relaxar? Claro que não! Temos de dar continuidade a essa redução até zerá-la. Mas será que realmente iremos ajudar os pobres se continuarmos nos concentrando obsessivamente na desigualdade?

Eu sou pobre de marré, marré, marré
Canção folcórica

Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré deci.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré, marré, marré.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré deci.

Quero uma de vossas filhas,
De marré, marré, marré.
Quero uma de vossas filhas,
De marré deci.
Escolhei a qual quiser,
De marré, marré, marré.
Escolhei a qual quiser,
De marré deci.
Eu quero a Mariazinha
De marré, marré, marré,
Eu quero a Mariazinha
De marré deci.
Que ofício dar a ela ?
De marré, marré, marré.
Que ofício dar a ela ?
De marré deci.
Ofício de funcionária
De marré, marré, marré.
Ofício de funcionária
De marré deci.
Este ofício me agrada
De marré, marré, marré.
Este ofício me agrada
De marré deci.

Fazeremos a festa junta
Fazeremos a festa junta
De marré deci.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marre
Mas pra gente ficar rica
Eu já sei como é

Que delícia. Você está ouvindo uma musiquinha que você cantou quando criança cara… EU SOU POBRE DE MARRÉ DECI, com a banda Mastruz com Leite, lá de Fortaleza. Alguma vez você tentou descobrir o que quer dizer esse “sou pobre de marré deci?”. Pois é… Essa música faz parte de uma brincadeira chamada Jogo de Rico e Pobre e vem da Europa Nórdica. “Marré” provém, após inúmeras corrupções, de um diminutivo do nome Maria, Marie em francês. Quanto a “deci”, foi extraído do verso “dans ce jeu d’ici” dãn ce jê dici, que significa “neste jogo daqui” na variante belga da canção. Então, tá entendido? “Sou pobre de marré deci” quer dizer… porra nenhuma.

Uma pessoa boa deveria, em vez de almejar a igualdade, “ajudar a elevar aqueles que estão abaixo dela”.

Posso repetir, hein?

Uma pessoa boa deveria, em vez de desejar a igualdade, ajudar a elevar aqueles que estão abaixo dela.

Concentre-se em eliminar a pobreza, e toda a riqueza será automaticamente distribuída.

Luciano – Que é isso aí, Lalá?

Lalá – A Ciça meu, caiu da cadeira.

Enquanto o Lalá ajuda a Ciça ali, isso você está ouvindo o violonista brasiliense Alvaro Henrique com LAMENTOS DO MORRO, composição de Garoto.

Muito bem… Concentre-se então em eliminar a pobreza, e toda a riqueza será automaticamente distribuída. É isso que vem sendo obtido pelo crescimento econômico desde 1800. E o enriquecimento dos pobres por meio do acesso a itens essenciais, é muito mais importante no contexto geral da humanidade que o fato dos mais ricos estarem comprando uma lancha ou um relógio Rolex novo.

E parece que isso é muito difícil de ser compreendido por muita gente.

Eu costumo dizer que o maior processo de distribuição de renda do Brasil aconteceu em meados dos anos 90, quando o pedreiro que fazia reforma na minha casa conseguiu juntar o dinheiro para comprar seu primeiro telefone celular. No momento em que ele e outras pessoas de seu convívio tiveram acesso aos benefícios da telefonia celular, suas oportunidades se ampliaram rapidamente. Até hoje, quando ele acessa a internet do seu smartphone.

O que realmente importa em termos éticos é se os pobres têm um teto sob o qual dormir, se têm suficiente para comer, se tem a oportunidade de ler, se tem acesso a saneamento básico e um tratamento igual por parte da polícia e dos tribunais (estes três últimos, saneamento, polícia e tribunais, são monopólios estatais).

Proteger os pobres inocentes da violência policial é infinitamente mais importante do que querer equalizar a posse de Rolexes.

Entendeu o ponto, hein? Em vez de se preocupar com a igualdade econômica, deveríamos estar preocupados em criar um arranjo que permita aos pobres subirem a um nível em que possam viver plenamente suas vidas.

O eminente filósofo John Rawls, de Harvard, articulou aquilo que chamou de O Princípio da diferença: se o empreendedorismo de uma pessoa rica melhorar a vida do mais pobre, então a maior renda deste empreendedor está justificada. Sacou? Sabe o seu tio rico lá que investiu no risco para abrir um supermercado novo, dando emprego a mais vinte pessoas? Ele merece sim ficar mais rico…

E como isso incomoda as pessoas…

Infelizmente, muitas pessoas se preocupam imensamente com as ostentações de riqueza, como o Rolex brilhante, o carrão novo, a bolsa de marca. Muitas dessas ostentações são sim, vulgares e irritantes, mas não há o menor sentido desejar, a partir delas, criar políticas públicas.

Olha isso, cara! Asa branca no violão de Baden Powell. É só gênio viu?

A pobreza nunca é algo positivo. Já as diferenças, principalmente as diferenças econômicas, frequentemente são.

De novo: Lalá, segura a Ciça que eu vou falar no ouvido dela. A pobreza nunca é algo positivo. Mas as diferenças, principalmente as diferenças econômicas, frequentemente são.

É por haver diferenças econômicas que existem transações comerciais. É por causa das diferenças econômicas que nova-iorquinos transacionam seus bens com californianos e com chineses de Xangai; e que brasileiros transacionam entre si (do norte ao sul) e com alemães e argentinos. As diferenças explicam por que interagimos e por que celebramos a diversidade — ou ao menos deveríamos.

E é por isso que todos os ataques políticos ao livre comércio são ignorantes, para não dizer infantis.

A igualdade econômica é simplesmente impossível de ser alcançada numa sociedade grande. E jamais de uma maneira justa, sensata e pacífica. É possível dividir uma pizza entre seus amigos de maneira equitativa, claro. Mas igualdade além desse básico, e além de direitos humanos, é impossível de ser alcançada numa economia dinâmica e baseada na divisão do trabalho.

Além disso, qualquer tipo de redistribuição de renda que retire de quem obteve o sucesso ao atender as demandas e desejos dos consumidores, inevitavelmente precisa do confisco e da violência.

E quem define de quem será tirado para dar aos mais pobres, hein? Adivinha só. É o governo, claro. Que é formado por pessoas que têm interesses próprios, também.

E jura que você é ingênuo a ponto de achar que essas pessoas farão essa redistribuição de maneira ética? Que não vão proteger o primo, o tio, o irmão, hein? Que não vão se vingar do vizinho, hein? Que não vão se aproveitar de oportunidades?

Então tá…

Seres humanos nascem desiguais em quesitos como inteligência, herança genética, ambição, ambiente familiar, disposição para o trabalho, capacidade empreendedorial. Eu acho que nem a geração de clones em laboratórios garantirá que as pessoas nasçam iguais. E além disso, e acima de tudo, nas escolhas que fazem, as pessoas jamais serão economicamente iguais.

Logo, a igualdade econômica só poderá ser alcançada se for imposta pela força, pelo confisco e pela violência.

A igualdade econômica é um objetivo imoral e cruel porque só pode alcançado por meio da coerção, do confisco e da violência.

Não há outra maneira.

Sabe aquele seu tio rico, o do supermercado? Vai tomar uma tungada do Estado, verá seu patrimônio ser usurpado, pagará mais por ser rico… e pode até ser que você fique feliz com isso.

Até o dia em que você for o dono do supermercado.

Então vamos lá, derrubando disjuntores… É necessário permitir que haja discrepâncias de renda, pois são estas discrepâncias que equilibram a economia. Se os ganhos de uma determinada profissão são extremamente altos, isso indica que há uma escassez de mão-de-obra qualificada para aquela profissão. Por exemplo, um cirurgião cerebral, especialidade que exige décadas de estudo e prática e por isso é altamente remunerada. Até pela dificuldade de formação de profissionais, essa profissão extremamente rentável está em pequena oferta, o que significa que mais mão-de-obra deve ser direcionada para ela. E assim a sociedade se movimenta.

Se um cirurgião cerebral ganhasse o mesmo tanto que um taxista, não haveria um número suficiente de cirurgiões. E haveria um excesso de taxistas.

Afinal, se é para ganhar a mesma coisa, para que passar 10, 15 anos estudando cirurgia cerebral se bastam algumas semanas para tirar uma carteira de motorista profissional?

Aí então o governo criaria um comitê central formado por planejadores, que encaminhariam as pessoas certas para os empregos certos, que tal, hein? O estado definindo o que você vai ser quando crescer? Pois é, mas assim como a igualdade forçada, essa seria necessariamente uma solução violenta. E mágica. Que já foi tentada várias vezes, como na Rússia de Stalin e na China de Mao e terminou em chacinas e centenas de milhões de mortos.

Você que cresceu num ambiente familiar no qual sua mãe era a planejadora central, especialmente se teve irmãos, carrega um pouco de socialismo em seus sentimentos. Compartilhar as coisas funciona muito bem dentro de uma casa formada por uma família amorosa, não é? Pois é. Mas não é assim que adultos conseguem as coisas em uma sociedade desenvolvida. Não tem a mamãe para garantir o mesmo tamanho do bife para cada um… Adultos livres só conseguem o que querem se trabalharem e produzirem bens e serviços para outras pessoas. Em troca dessa produção recebem um salário. E é com esse salário que irão, voluntariamente, adquirir o que querem.

No mundo real, longe das fantasias adolescentes, ninguém consegue o que quer simplesmente dividindo todo o maná da natureza em um jogo de soma zero.

Vamos pensar em termos matemáticos então: tirar dos ricos e redistribuir para os pobres não irá elevar os pobres permanentemente. No máximo, irá elevar seu padrão de vida apenas temporariamente e por pouco tempo.  Se os oito maiores bilionários distribuíssem seu patrimônio de 426 bilhões de dólares para cada uma das 7,4 bilhões de pessoas do planeta, cada uma receberia 57 dólares e pronto. Acabou. Os oito bilionários, assim como os outros 7,4 bilhões, agora só tem 57 dólares, que serão consumidos em pouco tempo. Quando esse dinheiro acabar, vamos buscar os segundo oito maiores bilionários, hein? … e assim sucessivamente, até ficar todo mundo pobre.

E você acha que os ricos que estão sendo expropriados ficarão inertes, esperando novas rodadas de expropriação, hein? Olha só! Em uma sociedade livre, eles vão se mandar para Hong Kong, Cingapura, Suíça, Irlanda ou então para as Ilhas Cayman…

Sacou? A redistribuição de renda visando a uma igualdade econômica é uma fantasia adolescente que não sobrevive ao mais básico teste de lógica aritmética.

Mas então, como resolver o problema da pobreza em definitivo, hein?  Com o crescimento econômico gerado por transações econômicas voluntárias, e não com a caridade compulsória ou voluntária. Foi assim na Coreia do Sul, onde o crescimento econômico aumentou a renda dos mais pobres em 30 vezes a renda real que eles tinham em 1953.

O que é que realmente devemos defender: uma extração dos ricos feita de uma só vez que, além de melhorar a vida dos pobres apenas temporariamente, serve apenas para saciar os sentimentos da inveja e da raiva… ou uma sociedade economicamente livre, na qual os pobres podem ascender a passos gigantescos?

Por isso é melhor nos concentramos diretamente na igualdade que realmente queremos e podemos alcançar, que é a igualdade da dignidade e a igualdade perante a lei. De novo: o que realmente importa em termos éticos é a igualdade da dignidade, se os pobres têm um teto sob o qual dormir, se têm comida suficiente para comer, se tem a oportunidade de ler, o acesso a saneamento básico e saúde. E a igualdade perante a lei: um tratamento igual por parte da polícia e dos tribunais.

Lembra, hein? O que realmente importa é proteger os pobres inocentes da violência do estado, e não quantos rolexes o Luciano Huck tem.

A igualdade liberal — em contraposição à igualdade socialista do confisco e da redistribuição forçada — é a única que elimina os piores aspectos da pobreza. Isso não é opinião não, viu? É história. Foi feito espetacularmente na Grã-Bretanha, em Hong Kong, em Cingapura e em Botsuana.

Sim cara, é necessário fazer muito mais: mais crescimento, que depende de mais investimentos e de mais capacidade humana, o que requer ainda mais uma proliferação de engenheiros. Mais engenheiros e menos advogados e filósofos, vai enriquecer a todos nós.

Parodiando os heróis de nossa adolescência, Marx e Engels: trabalhadores de todos os países, uni-vos! Vocês não têm nada a perder, exceto a estagnação. Exijam um crescimento econômico gerado por transações econômicas voluntárias em num ambiente econômico livre.

Alguns ousam chamar esse arranjo de capitalismo.

Muito bem. Você ficou nervoso, é? Não fique. Esta discussão não é apenas econômica… Observe na história os exemplos, fuja da tentação da retórica dos justiceiros sociais, use a lógica, faça contas, olha aí seu pai, sua mãe, seu tio, sua tia, empreendedores que estão se fodendo para pagar as contas e os impostos, dando empregos para outras pessoas e sendo chamados de exploradores, capitalistas, e simpatizantes… Esse papo meu é do século 19.  E mesmo lá  ele já estava errado.

É impossível negar que a desigualdade está diminuindo em todo o planeta. Dá pra discutir a velocidade com que isso acontece e os ajustes que precisam ser feitos.

Mas isso é papo para outro programa.

Palavras repetidas
Gabriel, o Pensador
Aninha Lima
Legião Urbana

A Terra tá soterrada de violência
De guerra, de sofrimento, de desespero
A gente tá vendo tudo, tá vendo a gente
Tá vendo, no nosso espelho, na nossa frente
Tá vendo, na nossa frente, aberração
Tá vendo, tá sendo visto, querendo ou não
Tá vendo, no fim do túnel, escuridão
Tá vendo no fim do túnel escuridão
Tá vendo a nossa morte anunciada
Tá vendo a nossa vida valendo nada
Tô vendo, chovendo sangue no meu jardim
Tá lindo o sol caindo, que nem granada
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo o suicida na direção

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
porque se você parar pra pensar a verdade não há”

A bomba tá explodindo na nossa mão
O medo tá estampado na nossa cara
O erro tá confirmado, tá tudo errado
O jogo dos sete erros, que nunca pára
7, 8, 9, 10… cem
Erros meus, erros seus e de Deus também
Estupidez, um erro simplório
A bola da vez, enterro, velório
Perda total, por todos os lados
Do banco do ônibus ao carro importado
Teu filho morreu? meu filho também
Morreu assaltando, morreu assaltado
Tristeza, saudade, por todos os lados
Tortura covarde, humilha e destrói
Eu vejo um Bin Laden em cada favela
Herói da miséria, vilão exemplar
Tortura covarde, por todos os lados
Tristeza, saudade, humilha e destrói
As balas invadem a minha janela
Eu tava dormindo, tentando sonhar

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
porque se você parar pra pensar a verdade não há”

Sou um grão de areia no olho do furacão
Em meio a milhões de grãos
Cada um na sua busca, cada bússola num coração
Cada um lê de uma forma o mesmo ponto de interrogação
Nem sempre se pode ter fé
Quando o chão desaparece embaixo do seu pé
Acreditando na chance de ser feliz
Eterna cicatriz
Eterno aprendiz das escolhas que fiz
Sem amor, eu nada seria
Ainda que eu falasse a língua de todas as etnias
De todas as falanges, e facções
Ainda que eu gritasse o grito de todas as Legiões
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras que eu mais quero repetir na Vida?
Felicidade, Paz, fé…
Felicidade, Paz, Sorte
Nem sempre se pode ter Fé, mas nem sempre
A fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte.

E é assim então, ao som de PALAVRAS REPETIDAS, com Gabriel o Pensador que pinta um mundo que parece filme de terror,  que vamos saindo… pensativos. Olha, não precisa ser tão catastrofista como o Gabriel não, viu? Mas é muito bom amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, como o Renato… Desigualdade de amor… essa é que é séria.

E aí, hein? Vai demorar pra se recuperar? Não tenha pressa, ouça o programa outra vez, ou faça ainda mais: separei o artigo completo de Deirdre McCloskey para você baixar e ler com cuidado, aos poucos… É assim que a gente evolui. Acesse iscas.portalcafebrasil.com.br que o resumo deste programa, com o artigo, está lá te esperando. De graça.

Com este escravo do capitalismo Lalá Moreira na técnica, a bolivariana ensandecida Ciça Camargo na produção e eu, que quero a desigualdade que enriquece os pobres, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Bruno Paulino, Álvaro Henrique, Baden Powell e Gabriel o Pensador.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Youtube repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis e também os videocasts que eu fiz pra eles. Dê uma olhada lá. youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast e para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país é o: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Venha se juntar a uma turma da pesada na Confraria Café Brasil, onde as pessoas se reúnem para trocar ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo juntas! Acesse cafebrasil.top. Viu só que legal? cafebrasil.top.

E para terminar, uma frase que mostra como é nova essa discussão sobre a desigualdade:

Qualquer cidade, não importa quão pequena seja, está dividida em duas: a cidade dos pobres e a cidade dos ricos. E as duas estão em guerra entre elas.

Platão, 2500 anos atrás.