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Luciano Pires -

ARTE DA VITRINE: Vito Quintans http://vitoquintans.com

Cara, você já se pegou perguntando como é que tem gente que pratica ações horrorosas, prejudicando outras pessoas, sem sentir arrependimento ou remorso? É disso que trata o desengajamento moral, é disso que trata o programa de hoje.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado:

Preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. Dei a ele o nome de “isca”. É um guia pra você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Pra baixar gratuitamente acesse, preste atenção: iscas.portalcafebrasil.com.br.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me engana que eu gosto é o Guido, do Espírito Santo

“Olá Luciano. Bom dia, boa tarde, boa noite, tudo bem? Eu sou o Guido aqui do  Espírito Santo, tem menos de quatro dias que eu estou mergulhado no seu podcast Café Brasil e estou assim maravilhado, em estado de êxtase, poderia falar. 

E não poderia deixar de mandar este áudio, porque eu estava justamente ouvindo o áudio 533, Que país é esse? E o relato daquele pernambucano, o Murilo Augusto, se eu não me engano  me emocionou. Acho que quem ouviu chorou também junto com ele. 

E eu acho que, se a gente gosta deste país, todo mundo nesse dia pensou realmente em sair deste país, ir embora.

Eu tenho 28 anos e no dia do fato do Lula se transformar ministro chefe da casa civil, realmente eu chutei o balde, eu falei: não, realmente chega, não dá. Sou formado, não temos emprego, minha mãe está desempregada, meus tios estão desempregados enfim, meus amigos estão desempregados, o país parou e agora realmente estão querendo vedar e pronto. 

Eu acho que esse foi um sentimento que ele não conseguiu segurar. Eu no dia não cheguei a chorar mas me emocionei bastante quando eu soube dessa notícia e acompanhei, e com o áudio e com o seu podcast foi inevitável não chorar. 

Então assim: espero que a gente possa fazer cada vez desse país um país melhor, realmente, que cada um tenha essa consciência dentro de si, de amar este país como a nossa casa mesmo, como nosso ambiente, do lar, porque acho que falta esse sentimento hoje no Brasil. O cidadão achar que o Brasil é a sua casa. Que é a sua sala, seu banheiro, seu quarto, seu jardim e tomar posse disso como dele. E tomar conta mesmo. Acho que essa é a grande diferença do povo brasileiro. 

E ao ouvir o áudio do Murilo, eu me senti renovado. Por que? Porque, até me emociono um pouco de falar, porque essa chama não pode morrer. A gente não pode apagar e esquecer que a gente é brasileiro e que a gente tem que tomar conta mesmo deste país, pra fazer dele um país melhor. Então acho que o Murilo fechou com chave de ouro esse programa do dia 8 e nossa, fenômeno. Então acho que é isso que eu queria falar. Obrigado boa tarde.”

Pois é caro Guido, os tempos têm sido bicudos para nós brasileiros, e confesso que às vezes bate sim aquele desânimo… mas aí a gente conversa com si mesmo e toma uma providência. Qualquer providência. A minha tem sido despejar aqui ó, no Café Brasil, minhas indignações, angústias, alegrias e esperanças. E às vezes contamino uns aí viu, formando uma corrente do bem que vai sim, ajudar este país!

Muito bem. O Guido receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Lalá, o Guido tá assim…meio decepcionado… quero que você dê um up nele!

Na hora do amor, use… Prudence!

Lalá – Mas compra o tamanho GG, hein?

O psicólogo e pedagogo canadense Albert Bandura, graduado em 1949 na Universidade da Columbia Britânica, estudou psicologia clínica e se destacou como pesquisador da teoria da aprendizagem social. É um cientista muito respeitado.

Segundo seus estudos, nosso comportamento pode ser aprendido por experiência própria ou pela observação da conduta de outras pessoas.  Por isso ele afirma que devemos nos colocar em contato com pessoas certas, para que as imitemos e assim sejamos modelados por elas.

Isso casa perfeitamente com uma frase do filósofo Sêneca que sempre repito aqui no Café Brasil: “Feliz o homem capaz de ter por alguém tanto respeito que a simples lembrança do modelo basta para lhe dar ordem e harmonia espiritual”.

Você tem alguém assim na sua vida, hein?

Albert Bandura desenvolveu o conceito de Desengajamento Moral, onde trata dos mecanismos que empregamos para justificar a prática de atos que prejudicam outras pessoas, sem que nos sintamos culpados.  Sacou? Bandura diz que esses mecanismos são “lacunas na consciência humana”, através das quais as pessoas permitem a si mesmas praticar atos desumanos sem sofrer a angústia da auto-condenação.

E ele chama esse método de Desengajamento moral.

Usando o desengajamento moral as pessoas conseguem se libertar de qualquer peso moral que as impeça de praticar más ações.

O livro Desengajamento moral – teoria e pesquisa a partir da teoria social cognitiva, já foi lançado no Brasil e nele Bandura organizou junto a outros autores, dezenas de exemplos que permitem compreender como indivíduos, corporações, governos e outras organizações causam tanto sofrimento e até mesmo a morte, sem qualquer demonstração de remorso por suas ações.

Normalmente a gente não se envolve em condutas prejudiciais a terceiros sem antes justificar a nós mesmos a moralidade de nossas ações, não é? E nesse processo de justificativa moral, tentamos fazem com que a conduta prejudicial aos outros seja apresentada como algo valioso para propósitos morais e sociais. E assim o que seria reprovável passa a ser aceitável.

E então nós vemos gente cometendo as maiores barbaridades enquanto se considera agente da moralidade. É o desengajamento moral que explica o guerreiro decapitando o inimigo na televisão… os homossexuais sendo atirados do alto de um prédio pelo crime de serem homossexuais… mulheres sendo apedrejadas por serem adúlteras… E pra ficar aqui pertinho de nós, dinheiro roubado em nome da causa…  aposentados sendo penalizados… vixe meu. O que não falta são exemplos.

Na moral
Rogério Flausino
Wilson Sideral
Marco Túlio

Na moral, na moral ( só na moral )
Na moral

Vivendo de folia e caos
Quebrando tudo, pra variar

Vivendo entre o sim e o não
Levando tudo na moral

Uma manchete de jornal
Não vou deixar, me abalar

Mais uma noite,carnaval
No Brasil, só na moral

Viver entre o medo e a paz
Pode fazer pensarmos mais

No que a gente tem que fazer
Pra ficar vivo, pra variar

Quando tudo parece não ter lógica
Bombas de amor, tiros de amor, drogas de amor

Qualquer paranóia vai virar prazer de viver…

Opa! Jota Quest com NA MORAL, de Rogério Flausino, Marco Túlio e Wilson Sideral.

Olha. Eu tenho que fazer um adendo aqui para quem está aprendendo português ouvindo este programa… Esse “na moral” desta canção é uma expressão brasileira que quer dizer sem problemas, tranquilo, de boa. Tem a ver com o famoso jeitinho brasileiro e é diferente do “moral” que estou usando para o desengajamento moral. Este “moral”, o do desengajamento, é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade. Entendeu? No Brasil, é assim meu, só na moral. A outra…

Meu amigo Eduardo Carmello escreveu um pequeno artigo sobre o desengajamento moral. Vou reproduzir agora e comentar. Vá ouvindo aí e imaginando quem você enxerga nas descrições…

O desengajamento moral é sempre produzido por um conjunto de padrões de pensamento muito bem conhecidos por todos nós.

  1. a pessoa se considera especial e acredita mesmo que está acima das regras e das leis;
  2. o indivíduo quer sempre obter vantagens e privilégios indevidos. Sente-se esperto e poderoso quando engana e rouba dos outros;
  3. a pessoa não admite ser auditada ou repreendida por suas ilegalidades, passando a tratar a autoridade que a enquadrou, como inimiga ou mesmo como o “bandido” da estória;
  4. A elasticidade ética do indivíduo cria uma série de mecanismos para transformar suas ilegalidades ou irresponsabilidades em justificativas. E essas justificativas  “devem” ser aceitas pela sociedade, pelo simples fato de ele acreditar ser uma pessoa “especial”.

E aí, meu? Reconheceu alguém?

E o Eduardo Carmello continua, apresentando os oito mecanismos de desengajamento moral definidos por Albert Bandura:

Primeiro mecanismo: A justificação moral. É a reorganização dos pensamentos de tal forma que a transgressão seja representada como algo a serviço de propostas morais valorizadas. A justificação moral é também o apelo a uma lógica prática. Você que um exemplo?

“Meti a mão na cara da minha mulher para defender a minha honra!” Entendeu?

Segundo mecanismo: a linguagem eufemística. É quando se mascara as atividades repreensíveis, com um nome mais…digamos… palatável. Vou falar mais sobre isso à frente, mas aqui está o exemplo que o Carmello deu:

“Só tomei uns choppinhos antes de dirigir”

Sacou? “Choppinho” alivia, né? Se você disser “Eu bebi antes de dirigir”? Muda tudo, não é?

Terceiro mecanismo: a comparação vantajosa. São as condutas prejudiciais que parecem pequenas quando comparadas a atividades digamos piores. Exemplo:

“Eu podia estar matando, mas estou apenas roubando”

Quarto: A difusão da responsabilidade. Quando todo mundo é responsável, ninguém se sente realmente responsável. Lembra daquela cena do jogo de vôlei quando todos ficam esperando alguém vá na bola, ninguém vai e a bola cai no chão? Outro exemplo:

“Ora, todo mundo sonega imposto de renda”

Pô. Então eu vou sonegar também!

Quinto: deslocamento da responsabilidade. É ver suas ações como resultado de pressões sociais ou então de imposições de outros.

“Sou obrigado a roubar porque o governo não me dá emprego” “Sonego porque o governo cobra imposto muito alto”.

Sexto mecanismo: distorção das consequências. É o ato de minimizar ou evitar encarar os efeitos nocivos e assumir que os fins justificam os meios. Quer ver?

“Fazeanismor download de um filme pirata na internet não prejudica ninguém”

Setimo mecanismo: a desumanização. É quando se retira das pessoas suas qualidades humanas ou atribui-se a elas qualidades bestiais, anulando a necessidade de respeito. Exemplo

Exemplo: “Não estamos matando homens como nós, eles são terroristas”

Oito: a atribuição da culpa a terceiros. Ver a si mesmo como vítima pressionada a agir de forma prejudicial, ou então a ver suas vítimas como merecedoras de seu prejuízo.

Exemplo: “Com aquela roupa, ela estava praticamente me pedindo para ser estuprada”

Entende o modelo mental, hein? Eu sou especial, estou acima da lei, posso fazer o que quiser, fui escolhido por Deus, nenhuma autoridade pode me repreender e se o fizer, saberá com quem está mexendo.

Você conhece alguém assim?

Vamos resumir então os 8 mecanismos de desengajamento moral?

1. Justificação moral
2. Linguagem eufemística
3. Comparação vantajosa
4. Difusão da responsabilidade
5. Deslocamento da responsabilidade
6. Distorção das consequências
7. Desumanização
8. Atribuição da culpa

Conhecendo esses oito mecanismos é possível compreender o comportamento das pessoas que você conhece pessoalmente ou então através da mídia.

É bom para o moral
Mister Sam

Você tem que se agitar
Não se deixe esfriar
Deixe tudo para depois
Pense somente em nós dois

É bom para o moral

Não diga nada pra ninguém
Mas é nesse vai e vem
Que a gente sabe como faz
E sempre tá querendo mais

É bom para o moral

É bom bom

Aproveite muito mais
Você sabe como faz
Você não vai pagar nenhuma taxa se usar

Voulez voulez
Dancing dancing
Voulez voulez
Dancing dancing

Para frente, para trás
Para frente, para trás

Bem, essa é Rita Cadillac com É BOM PARA O MORAL.

Deixa eu ver se consigo explicar isso pros gringos… Olha só, o poema cantado nessa música, de autoria de Mr. Sam, tem a ver com “na hora do amor, use Prudence” tá bom? É bom para o moral. Vai Lalá…. Ciça dançando….

Uma das coisas que mais me fascinam no processo de desengajamento moral é a tal linguagem eufemística. Vamos ver o que é eufemismo, olha só. Eufemismo é uma figura de linguagem que tem o objetivo de suavizar uma palavra ou expressão que alguém considera rude ou desagradável. O eufemismo consiste na troca de termos ou expressões que possam ofender alguém, por outros mais suaves. E você usa eufemismos o tempo todo, desde que começou a falar… Por exemplo, chamar vagina de “borboleta” e pênis de “piu-piu”… Lembra? Não é um barato suavizar a conversa com palavreados mais leves?

Mas o negócio fica interessante mesmo é quando a gente cresce. E passa a chamar caixa dois de “recursos não contabilizados”…  ditadura de “democracia social”… censura à imprensa de “controle social da mídia”… Demissões se transformam em “colaboração descontinuada”.  Privatização é chamada de “desestatização”… Percebe, hein?

Cada eufemismo permite um alívio moral.

A linguagem define os padrões nos quais as ações são baseadas. Nunca ouviu sua mãe ou sua avó dizendo que “ a palavra tem poder”? Pois é.

Existem várias formas de eufemismo, uma delas é a higienização, quando atividades perniciosas são disfarçadas de ações inocentes ou pelo bem de todos. O que seria condenável passa a ser aceitável. Exemplos?

– chamar “invasão” de “ocupação”.

– dizer que as pedaladas foram para pagar o Bolsa família.

– em vez de “operações de crédito”, chamar as operações ilegais entre a Caixa e o governo de “inadimplemento”…

– na Odebrecht, o Departamento de Propinas foi chamado de ‘Departamento de Negócios Estruturados’…

Viu só? Quando você muda o rótulo, muda o sentido da ação. Mas o resultado permanece o mesmo.

Uia…agora você ouve o Quarteto Maogani grupo instrumental carioca, um dos mais conceituados no cenário musical popular brasileiro. Eles tocam o clássico WHILE MY GUITAR GENTLE WEEPS, de George Harrison. Eu escolhi essa por causa do eufemismo do título: enquanto minha guitarra geme gentilmente…

Olha, o fato é que as pessoas se comportam de forma muito mais cruel quando suas ações são verbalmente atenuadas. Por exemplo, “extração forçada por meios físicos ou psicológicos de confissões em casos criminais” Não parece assim uma especialidade? Pois é, é um eufemismo elegantérrimo para “tortura”…

Nas guerras, “danos colaterais” são usados no lugar de “morte de civis inocentes”. Você sentiu a pegada? “Danos colaterais” parece para-lamas amassado, não é? Já  a x’“morte de civis” é assassinato.

E quando “mentira” passa a ser “versão alternativa dos fatos”? A Folha de São Paulo, por exemplo, chamou o caso de tráfico de influência que derrubou o ex ministro Geddel de Lima, de “polêmica”. A Globo News chamou de “saia justa”.

Eduardo Cunha jurou que não tem contas no exterior. Ele tem uma “trust”…

Outro exemplo delicioso de eufemismos pode ser visto num comunicado da Petrobrás a respeito da demora em divulgar as perdas com a corrupção. O comunicado diz assim:

“A Petrobras reafirma que está avaliando o tratamento contábil adequado para os pagamentos indevidos identificados no âmbito das investigações relativas à Operação Lava-Jato para proceder aos ajustes nas demonstrações contábeis do 3º trimestre e do ano de 2014, revisadas pelos auditores.”

Como é que fica se tirar os eufemismos. Fica assim ó:

“A Petrobras reafirma que está avaliando qual o melhor truque contábil para simular a diminuição dos prejuízos que a empresa sofreu com a corrupção descoberta pela Operação Lava Jato, nas demonstrações contábeis do 3º trimestre e do ano de 2014, revisadas pelos auditores.”

Não fica muito mais legal com o eufemismo?

Pois é.

Outra ferramenta linguística é a ausência de um agente causador. Dessa forma, qualquer culpa é transferida para uma entidade inimputável. Por exemplo: “é culpa do sistema”, a culpa é do “governo militar”. E por aí vai…

Sabe onde é possível verificar o desengajamento moral em sua plenitude? No trânsito. No dia a dia, no trânsito. Tem placa, tem lombada, tem marcações, mas a gente anda acima do limite, dirige com celular, estaciona em vagas proibidas ou em fila dupla. Ultrapassa pelo acostamento… E tome multa.

E o autor da infração sempre tem uma justificativa para a transgressão, não é?

O portaldotrânsito.com.br diz que “ A transgressão no trânsito segue a capacidade que temos de ‘racionalizar’ nossa conduta delituosa. Somos capazes de construir explicações racionais para nos justificarmos perante um comportamento sabidamente errado, perante nós mesmo e perante os outros. (…) Esse processo se dá por meio de uma “auto-enganação” quando julgamos nosso comportamento perante padrões exclusivamente nossos e ajustamos nossa sentença em nosso favor e perante os demais, antecipando possíveis consequências indesejadas. Curioso é que a maior parte das transgressões, e das consequentes justificativas, é cometida por “pessoas boas”, não por sociopatas.”

Sacou? Racionalizar a conduta delituosa. É disso que trata o desengajamento moral.

Muito bem. Junte este programa ao 508 – Dissonância cognitiva e você vai aos pouquinhos aprendendo a detectar e se proteger dos desengajados morais. E mais que isso, vai perceber quando você usa as ferramentas do desengajamento moral para justificar seus atos. E eu acho que você vai se surpreender, viu?

O foco de Albert Bandura sempre foi a construção da autoeficácia. Encontrar formas de nos fortalecer, construindo nossos caminhos de forma ética e competente. Sendo forte o suficiente para colocar limites naqueles que querem obter vantagens indevidas.

E foi Bandura quem disse: “Todas as pessoas são capazes de construir ideologias morais para justificar seus comportamentos, e geralmente tendem a convencer a si e aos outros de seus princípios conforme lhes convêm.”

Viu só? Não sei se você reparou, mas “todas as pessoas” incluem eu… e você.

 

Trepadeira
Emicida

Margarida era rosa, bela
Cheirosa e grampola, tipo casa das camélias
Gostosa, bromélia, toda prosa
A me enlouquecer, bela, tipo um ipê, frondosa
É um lírio, causa delírios, líria
Vício é vigiar, chique como orquídea
Ahh, cabelos como samambaia e xaxim
Flô, perto dela as outras são capim pô
Girassol violeta, beleza violenta
Passou aqui como se o mundo gritasse arrasa bi!
Flor de laranjeira ou primavera inteira são
Flores e mais flores todas as cores da feira, irmão
“ô, essa nega é trepadeira, hein”
Minha tulipa! a fama dela na favela
Enquanto eu dava uma ripa
Tru, azeda o caruru
Os manos me falavam que essa mina dava mais
Do que chuchu
Ai é problema, hein, você é loco

Você era o cravo ela era a rosa, e cá entre nós
Gatinha, quem não fica bravo dando sol e água
E vendo brotar erva daninha
Chamei de banquete era fim de feira
Estendi o tapete mas ela é rueira
Dei todo amor, tratei como flor
Mas no fim era uma trepadeira

Mamãe olhou e me disse “isso ai é igual trevo de 3 folhas
Quer comer, come. mas não dá sorte”
Vai, brinca com a sorte

Bem me quer, mal me quer, ó
Nosso amor perfeito amargou, tipo jiló
Maria sem vergonha, eu, burro, chamei de trevo de 4 folhas
In love, enraizou, fundo
Mas você não da, ou melhor dá, mas pra tudo mundo
Eu quis te ver de jasmim, firmeza
No altar, preza, branquinho, olha, magnólia, beleza
Victoria régia, brincos de princesa
Azaleia pura, madre teresa
Mas não
Você me quis salgueiro chorão, costela de adão
Raspou o cabelo de sansão
E tu vem, meu coração parte e grita assim
“arrasa biscate! “
Merece era uma surra, de espada de são jorge (é)
Chá de “comigo ninguém pode”
Eu vou botar seu nome na macumba, viu
Então segura

Você era o cravo ela era a rosa, e cai entre nós
Gatinha, quem não fica bravo dando sol e agua
E vendo brotar erva daninha
Chamei de banquete era fim de feira
Estendi o tapete mas ela é rueira
Dei todo amor, tratei como flor
Mas no fim era uma trepadeira

Wilson das neves: tá vendo ai parceiro?
Emicida: o que?
Wilson das neves: fui dar assunto, ai, virou bagunça
Me esculachou. por sorte
Emicida: que sorte hein
Wilson das neves: também agora sai fora, xô xô
Emicida: vai embora, pode descer a ladeira
Wilson das neves: xô, xô
Risadas
Emicida: sai, sai andando. não merecia nem essa rap
Gastando tinta com isso ai? tá loco
Wilson das neves: mas que era bom era
Emicida: isso é verdade
Risadas

Putz…que delícia! É assim então, ao som de TREPADEIRA, de Emicida, com ele e Wilson das Neves, do alto dos seus 80 anos, que vamos saindo…no balanço! Uma festa de eufemismos…

Com o moralmente engajado Lalá Moreira na técnica, a moralmente engajada Ciça Camargo na produção e eu, que agora fiquei confuuuuusoooo…, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Guido, meu amigo Eduardo Carmello, Jota Quest, Rita Cadilac, Quarteto Maogani e Emicida com Wilson das Neves .

Lembre-se: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. Eu chamei de “isca”. É um guia pra você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Pra baixar gratuitamente acesse, preste atenção: iscas.portalcafebrasil.com.br. De novo: iscas.portalcafebrasil.com.br.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem um canal no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. E tem também os videocasts que eu produzi pra eles.  Dê uma olhada lá que vale a pena: facebook.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast e para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Olha aqui,  vem pra cá. Tem uma Confraria funcionando aqui a mil por hora, tá uma delícia, cara. Já tem setecentas e vinte pessoas só no grupo do Telegram, todo mundo ali se encontrando, trocando ideias, trocando arquivos e comentando como é que esse país pode ir pra frente. E o legal: ninguém xinga quem pensa diferente, cara.

E para terminar, Julieta Capuleto, a namorada do Romeu:

Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume.