Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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37 não é febre
Tom Coelho
Sete Vidas
“Nada mais comum do que julgar mal as coisas.” (Cícero)   “Filha, leve um agasalho, pois vai esfriar.” “Querido, lembre-se de seu guarda-chuva; parece que vai chover…” “Não vá tomar ...

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Lições de viagem 10
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Gente do bem
Tom Coelho
Sete Vidas
“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos, 12:21)   Em meio ao trânsito desordenado, um motorista gentilmente cede-me passagem. Visito um ex-professor na faculdade ...

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Homenagem aos Economistas 2017
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540 – Cobertor de solteiro

540 – Cobertor de solteiro

Luciano Pires -

Cidadania é o status de ser um cidadão. Se você tem a cidadania num país, você tem o direito de viver nele, trabalhar, votar e claro, pagar impostos. Todo homem, toda mulher têm, portanto direito a cidadania. Mas o que será que é mesmo exercer a cidadania, hein?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me engana que eu gosto é a Cíntia, de Salvador, Bahia

“Bom dia, boa tarde, boa noite. Luciano! Que podcast é esse? 535. Não tem como você não se emocionar. Não tem como você fingir. Essa música Hallelujah toca profundamente na alma. Eu estou completamente emocionada com esse podcast. Eu tenho que parar de chorar porque costumam me dizer que não entendem muito bem quando eu estou chorando e quando estou falando, né?

Então tá aqui. Meu agradecimento por você existir, por você estar me ajudando cada dia mais sabe? A passar por momentos difíceis, mas que eu sempre tenho forças e fé que saio linda e feliz com um sorriso no rosto. 

É… Você fala também do Davi. O Davi, ele tem uma vida extremamente de fé. Eu costumo dizer que sigo a vida de Davi. Eu digo que eu tomo como exemplo pra minha vida. Meu Deus! Você não sabe o quanto que eu queria que várias pessoas tivessem oportunidade que eu tenho de ouvir o podcast e se interessar, assim como se interessa por muitas outras coisas. Eu tenho que todo dia agradecer à pessoa que me apresentou o podcast, ao Portal Café Brasil. 

Eu hoje eu estou com os pensamentos, com fé, com perseverança, que tudo vai dar certo. Apesar da crise, né? Mas, eu estou lutando aí pra poder vencer. E graças a Deus, até aqui, Deus tem me ajudado. 

Eu espero que todo mundo que ouviu, que ouça essa música Hallelujah e que  deixe ser tocado, porque é uma letra profundamente linda. Linda, uma canção maravilhosa. Hoje as pessoas estão tão desacreditadas de tudo e de todos, que precisam Luciano, de certas correntes que são passadas via internet, pra poder acreditar em alguma coisa. Taí, se precisa acreditar em alguma coisa, ouve a música Hallelujah, que a sua esperança, a sua fé, ela vai se renovar cada dia. 

Luciano. Muito obrigada, obrigada por tudo. Obrigada por você ser esse canal, esse instrumento usado através do Portal Café Brasil. Eu quero agradecer a todos vocês do Portal Café Brasil, que são maravilhosos, atenciosos. Eu, a cada dia, costumo dizer que eu estou te amando cada dia mais e aí, começam a me chamar de puxa saco. Sendo que eu te conheço só por voz, fotos e etc. Mas, um dia, não vai faltar oportunidade, eu vou conhecer você pessoalmente e te agradecer por você fazer parte da minha vida. Obrigada Portal Café Brasil, tenham um bom dia, boa tarde a todos e que não se cansem de ouvir todos os podcasts do nosso Portal Café Brasil. 

Ê Cíntia! Que emoção, né? Você só conhece a minha voz e as ideias que eu transmito por aqui. Mas mesmo assim se emociona. E fala que é disso que precisamos, de uma corrente que circula através da internet. Olha, esse foi o canal que eu escolhi e que precisa conviver com muitos outros canais que estão por aí, com pessoas influenciando a vida da gente. O importante é você escolher seu jeito de impactar outras pessoas. E assim fazer parte de uma corrente para uma sociedade melhor. Um cheiro, minha rainha!

Muito bem. A Cíntia receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Lalá, bem baiano, vai…

Na hora do amor, use

Lalá – Prudence, painho!

O Tannenbaum
Folclore alemão

O Tannenbaum, o Tannenbaum
wie grün sind deine Blätter
du grünst nicht nur zur Sommerzeit
nein, auch im Winter, wenn es schneit
O Tannenbaum, o Tannenbaum
wie treu sind deine Blätter!

O Tannenbaum, o Tannenbaum
du kannst mir sehr gefallen!
Wie oft hat nicht zur Weihnachtszeit
ein Baum von dir mich hoch erfreut!
O Tannenbaum, o Tannenbaum
du kannst mir sehr gefallen!

O Tannenbaum, o Tannenbaum
dein Kleid will mich was lehren
Die Hoffnung und Beständigkeit
gibt Trost und Kraft zu jeder Zeit
O Tannenbaum, o Tannenbaum
das soll dein Kleid mich lehren!

Pinheirinho de Natal

Pinheiro de Natal
Como são verdes as tuas folhas!
És verde sempre, no verão,
e até mesmo no inverno, quando neva.
Pinheiro de Natal
Como são verdes as tuas folhas!

Pinheiro de Natal
Tu me agradas muito!
Por muitas vezes na época de Natal
ver uma árvore me alegrou muito!
Pinheiro de Natal
Tu me agradas muito!

Pinheiro de Natal
O teu verde quer me ensinar:
Que esperança e estabilidade
Trazem consolo e força em qualquer época!
Pinheiro de Natal
Tu me agradas muito!

Uia… Os Titulares do Ritmo interpretando à capela O Tannenbaum, música de origem folclórica alemã, que presta tributo à árvore de Natal, e que no Brasil ficou conhecida como Pinheirinho de Natal.

Todo ano os Correios promovem uma campanha de Natal, incentivando as crianças a escreverem para o Papai Noel pedindo um presente. Essas cartas são distribuídas pelas agências, e qualquer um de nós pode escolher uma ou mais cartinhas e mandar o presente que a criança solicitou. Eu já fiz isso e é sempre uma surpresa. Existem milhares de cartas em que as crianças pedem videogames, computadores, iPads e outros objetos de consumo. Mas em meio a elas, outras milhares que são um soco no estômago.

No grupo do Telegram da Confraria Café Brasil, um dos participantes publicou esta semana a cartinha que ele pegou. E que diz assim:

“Querido Papai Noel, me chamo Priscila da Silva, tenho dez anos estou no quinto ano, adoro estudar estou escrevendo para minha prima Amalia, ela tem 8 anos mora com a minha tia e meu primo, como ela é especial fica na cama deitada ou na cadeira de rodas. Gostaria de ganhar dois cobertores de solteiro um para mim e um para ela. Vai ajudar muito neste inverno foi bem frio e minha tia não tem condições de comprar porque vive de doação da igreja e do benefício que ela recebe. Muito obrigado, tenha um natal iluminado.”

Vi a imagem da cartinha e li o texto no exato momento em que recebia a informação que o ex-ministro Geddel de Lima entregava sua carta de demissão para Temer, em meio a um escândalo que envolve um apartamento de 2,5 milhões de reais, que na verdade deve ser apenas a ponta do iceberg.

Ir de um post ao outro é como sair de uma sauna e cair numa piscina de gelo, um choque tremendo entre duas realidades, ambas revoltantes.

De um lado as vítimas. No meio eu. E do outro lado os carrascos.

De um lado um sonho: um cobertor. De solteiro. Como presente de natal.

De outro a ganância: riqueza, poder, não importa como.

E eu no meio: que que eu faço, hein?

Posso correr nos correios e mandar um cobertor também. Ou dez. Ou cem. Posso vir aqui no Face ou ir domingo na avenida Paulista manifestar minha indignação contra os corruptos. É legal, já é alguma coisa, mas nada disso muda a realidade. Nada disso resolve a vida da Priscila. Muito menos a dos Geddéis.

É preciso ir mais fundo, mais longe, mais forte. É preciso recuperar o respeito. Perdemos o respeito por nós próprios, pelas instituições, pela lei, pelas autoridades. Estamos perdidos, como torcidas adversárias se matando enquanto o estádio pega fogo. O que fazer, hein?

Fazer mais.

Se o que você consegue fazer é reclamar no Face, reclame mais. Se consegue se candidatar a um cargo para representar os cidadãos, candidate-se mais. Se só consegue ir pra avenida na manifestação, vá mais. Se consegue ir a Brasília pressionar o deputado, pressione mais. Se só consegue doar seu tempo, um cobertor, doe mais. Se só consegue bater panelas, bata mais. Grite mais, reclame mais, mobilize mais gente, encha mais o saco deles.

Se você só consegue ser honesto, seja mais.

A cartinha da Priscila é um grito por respeito, um soco no estômago de quem tem sonhos de conquistar o mundo, de se transformar naquele sucesso estrondoso, de ter muito, de ser como aquele bilionário da capa da revista. Para a Priscila, o Natal será feliz com um cobertor de solteiro.

E os Geddéis, hein? Que também fiquem felizes no Natal ao receber um cobertor de solteiro.

Dentro de uma cela fria em Curitiba.

Já é hora de dormir
Não espere mamãe mandar
Um bom sono pra você
E um alegre despertar

Olha a cartinha da Priscila, que eu publiquei no roteiro deste programa no Portal  Cafe Brasil e o apartamento do Geddel me levam a uma profunda reflexão sobre uma coisa antiiiiigaaaaaa, que só os mais velhos parece que vivenciaram. Uma coisa chamada cidadania.

Vou começar, como sempre com a definição:

Cidadania é o status de ser um cidadão. Se você tem a cidadania num país, você tem o direito de viver nele, trabalhar, votar e, claro, pagar impostos. Cidadania vem da palavra latina civitas, que significa “conjunto de direitos atribuídos ao cidadão” e o conceito de cidadania vem lá da Roma antiga.

Você que me ouve é um cidadão. E portanto tem direito de exercer a sua cidadania. E qual é seu papel na sociedade, hein? Vamos lá.

Olha que legal… agora você está ouvindo O Tannenbaum na versão do pianista Vince Guaraldi, que foi ao ar num especial de natal do Charlie Brown, o desenho, não a banda hein, na tevê norte americana. Jazz da melhor qualidade….

É impossível pensar num indivíduo saudável e entenda  que saudável como uma questão de corpo, mente e alma, de forma isolada de uma sociedade saudável. Para que eu possa me desenvolver plenamente, tenho que ter um compromisso com a sociedade na qual estou inserido. Ela precisa crescer também, ou meus esforços serão inúteis.

Imagino que você esteja empenhando em seu crescimento pessoal. Todos deveriam estar. E isso você consegue com várias iniciativas: estudando, participando de eventos, lendo muito, entrando em discussões, ouvindo podcasts… E talvez você não tenha ainda percebido que esse seu esforço interior pode ser potencializado se você o levar para fora, para grupos de pessoas. É quando você começa a impactar na sociedade, a ajudar a transformá-la.

Um dos pontos chave para quem quer desenvolver seu senso de cidadania e assim impactar na sociedade, é entender que precisa ter um senso de educação contínua. Eu, por exemplo, estou estudando em todos os momentos de minha vida. E estudar não significa ler um livro de matemática ou geografia. Eu estudo todos os assuntos que me interessam, a partir de minha infinita curiosidade, de minha capacidade de, ao apertar duas ou três teclas, mergulhar mais fundo em qualquer tema que me desperte a atenção.

Por exemplo, estou desenvolvendo o projeto do Café Brasil Premium, (logo mais você vai saber o que é) um sistema de assinaturas que entregará conteúdos específicos para os assinantes. Um dos conteúdos é um sumário comentado de um livro da área de negócios, que será distribuída para ser baixado em texto e em áudio, como um podcast. Será sempre de um livro que ainda não foi lançado no Brasil. Mergulhei na preparação do primeiro sumário, para ver como será o processo, quanto tempo leva, como será a cara… e no final ganhei um baita presente. Quando terminei a primeira versão, percebi que o processo de fazer o sumário me fez mergulhar num estudo do livro de forma que eu não teria feito se tivesse apenas lido o livro. E me vi um estudante e não um professor. Cresci mais um pouco.

Percebe, hein? Encarar suas atividades sempre como um estudo, em todos os momentos de sua vida. Isso vai permitir que você não fique amarrado a certas opiniões pelo resto da vida. Você ouviu o programa anterior, a Política da pós verdade? Todos temos a tendência a reforçar nossas opiniões, especialmente aquilo que nossos sentimentos dizem que é o certo. Quanto mais desafiamos nosso senso comum, mais chance temos de ter uma visão ampliada da realidade, mais capazes seremos de falar numa linguagem que as pessoas consigam entender. Mais consciência teremos das oportunidades de causar algum impacto no mundo que nos cerca. Questionar nossas opiniões é fundamental, pois normalmente não percebemos nossos preconceitos.

Outro ponto fundamental para o exercício da cidadania tem a ver com liderança. Na entrevista que eu realizei com a Janaína Paschoal, a moça do impeachment, no LíderCast, há um momento em que ela diz assim:

Janaína          …aí eu subi no caminhão e comecei a falar que se a gente esperasse a oposição não ia acontecer nada porque a oposição era muito mole, que a gente precisava fazer por nós, que cabia impeachment, que eles não iam fazer nada tal, e quando eu desci, eu ouvi as pessoas falando muito assim, ah a gente está fazendo papel de otário, a gente vem para essas manifestações meio assim como se nós fôssemos marionetes, entendeu? Manipulados, é fica aquilo começou a me irritar, aquelas musiquinhas nos caminhões, eu falava o que nós estamos fazendo aqui? Entendeu? Tanto é que antes dessa manifestação eu cheguei a falar em casa, eu não vou mais, eu não vou mais porque eu não sou otária, a gente vai não acontece nada, ninguém faz nada, porque eu não achava que era eu consegue entender? Eu não achava que eu seria a pessoa.

Luciano          Que é o que todo mundo pensa, aquele 1 milhão que está lá, não é nenhum deles.

Janaína          Aí eu falava assim, não, esses caras estão enrolando a gente, eles estão fazendo isso aí com alguma finalidade que eu não sei qual é, mas eles não vão fazer nada, é para enrolar a gente. Aí eu subi no caminhão e eu, desculpa o termo, mas eu vomitei isso, entendeu? Eu falei gente, nós estamos sendo enrolados, não vai sair nada daqui, entendeu? Ninguém quer nada, isso aqui não sei o que é isso aqui, mas isso aqui não tem fim, não tem foco, manifestação sem foco não dá em nada, entendeu? E aí eu cheguei em casa nervosa, falei para o meu marido, eu tenho que fazer alguma coisa, entendeu? Eu expliquei lá no caminhão que cabe o impeachment, que tem elementos, eu tenho que fazer alguma coisa, aí eu comecei a ligar para as pessoas, entendeu? Liguei para os presidentes de instituições, grandes advogados, sugeri, falei vamos fazer, teve um amigo meu que até hoje ele fala Jana, quando você me falou eu achei que era brincadeira, só depois que eu vi na imprensa que eu vi que era sério e… Porque eu estava…

Luciano          Mas você tinha uma consciência interna de que você tinha as armas para fazer andar

Janaína          Veja, eu sou uma professora de direito, então assim, sob o ponto de vista técnico, ninguém melhor do que eu, percebe? O que eu não imaginava era que eu tivesse a dimensão política, você entendeu? Porque o da época do Collor foi a OAB, foi a associação da imprensa, ABI, não é isso?

Luciano          Era a ABI sim.

Janaína          A ABI, então assim, eu imaginava algo do gênero, você entendeu? Por isso que eu liguei para as associações, a associação dos advogados, várias associações eu procurei e então assim, mas a questão técnica, eu não tinha dúvida, porque assim, eu estudo muito, você entendeu? Eu sei que as pessoas não estudam tanto, então eu não tinha dúvida da parte técnica…

Luciano          Você estava falando que você estava ligando para a turma, ligando para o pessoal.

Janaína      Isso, e aí ninguém… as pessoas assim, sabe a gente às vezes fica magoado, mas você também tem que ter uma compreensão, essa coisa de se colocar no lugar do outro, porque eu fiquei muito magoada com as pessoas que me diziam, você tem razão mas eu não quero fazer isso, entendeu? Não quero participar, não quero expor meu escritório, não quero… Teve gente que falou que a mulher não deixava, entendeu? Aí eu ficava P da vida, mas meu marido e minha família, mas assim, você tem que se por no lugar do outro, aquilo que talvez estava muito maduro para mim, não estava para os outros, entendeu?

“Eu não achava que era eu…” entendeu? E um dia ela conclui: “Pô, se ninguém faz, faço eu!” E assume o protagonismo de um processo que deu no impeachment de Dilma Rousseff.

Liderança. Que nem sempre significa ter controle sobre as coisas, mas sim: abrir caminho para que as coisas aconteçam. Se você está insatisfeito com a situação política do país, lidere uma ação para começar a fazer acontecer. Qualquer ação. Crie um grupo de discussão, crie um grupo de doações, crie um abaixo assinado. Participe de atividades de outros grupos, assuma responsabilidades. Quanto mais você demonstrar a sua liderança, sua capacidade de ajudar que as coisas aconteçam, mais seguro você fica para subir para um outro nível. E quem sabe, um dia, ser o presidente do Brasil, uai.

Outro ponto fundamental: navegue pelas diversas culturas. Circule por mundos diferentes, perceba o que as diversas tribos querem, como falam, como se comportam.  No Podcast Café Brasil 342 – Ainda a Cultura, apresentei dicas do escritor e professor norte americano de estudos interculturais Lloyd Kwast, missionário batista que por anos ensinou em Camarões, e aprendeu na prática o que significa lidar com culturas diferentes das suas.

Kwast criou um modelo para ajudar a dar o passo inicial na identificação de culturas diferentes. Seu modelo tem camadas em diferentes níveis.

A primeira camada com a qual temos contato é o COMPORTAMENTO – O que é feito? É quando reparamos no comportamento das pessoas e suas atividades. A roupa que vestem, as atitudes, o linguajar.

A segunda camada são os VALORES – O que que é bom e o que que é melhor, hein? Ao questionar as razões para o comportamento das pessoas, o que as levou àquelas escolhas como sendo “aquilo que deve ser feito”, podemos entender os valores que as movem.

A terceira camada são os CREDOS. O que que é verdade? Certos credos influenciam diretamente os valores que influenciam o comportamento.

E a última camada, a mais profunda, é VISÃO DO MUNDO – O que é real, hein? É a forma como interpretamos a realidade, a maneira como nos vemos em relação ao mundo. Inclui noções sobre a existência humana, o bem o mal, o divino e o sobrenatural.

Então você já sabe: comportamento, valores, credos e visão do mundo. Quando nos esforçamos para compreender esses valores nas diversas tribos que compões nossa sociedade, ampliamos nossa percepção da realidade. E o leque de opções para escolher o que fazer para que as coisas mudem.

Mais um ponto fundamental: a mentoria. Você se aproximar de gente experiente, que está fazendo acontecer, para aprender como é que se faz acontecer. E você, que tem experiência aí ó, em alguma área, encontrar oportunidade de passar essa experiência para outras pessoas. Ser a pedrinha que cria as ondas no lago, que se expandem até as margens, lembra?

O processo de mentoria é um multiplicador de lideranças: você ajuda que novos líderes despontem e assim influenciem as coisas em outras áreas da sociedade.

Por fim, a consciência de que todo líder é um professor de ética. Para o bem e para o mal. Se você assume a liderança sobre qualquer processo, tenha em mente que as pessoas estão aprendendo com você. Tá todo mundo de olho em você, cara! Portanto você precisa praticar o que fala. Ouça o Café Brasil 214 – Walk the talk…

Que assuntos você puxa nas conversas, hein? Onde e como você gasta seu dinheiro? Onde você investe seu dinheiro, hein? Para quem você dá audiência? Como você se comporta ao comentar um post? O que você posta, hein?

Sacou? Cada iniciativa sua manda uma mensagem para o universo. E é a somatória de milhares, milhões, bilhões de mensagens que cria o mundo no qual você vive.

Então comecei este programa com a história do cobertor de solteiro e termino jogando no seu colo a responsabilidade, não é? É sim cidadão, cidadã.

O exercício da cidadania é uma espécie de compromisso com a criação de uma cultura unificada, pacífica, sustentável. E por consequência, um mundo melhor, nem que seja aí, ó, dentro de seu quarto.

Cidadania compreende direitos e deveres. Deveres. Cada ação que você realiza soma ou subtrai desse mundo que você quer construir. E permanecer neutro é a pior opção. Como eu sempre digo: os neutros entregam para outra pessoa seu destino. E se a outra for um Geddel da vida, você sabe no que vai dar, não é?

Conto do Vigário
Marie Minare
Danielle Brito
Sarah Campos

Há quem caia no conto do vigário
E por aqui nem tudo é preceito
É apenas arbitrário

Bem me diziam que não há mau pão à boa fome
Mas quem com porcos se mistura, farelo come
À boa fome, farelo come
Farelo come, à boa fome

Há muito gosto e contragosto
Insensatez aumenta o imposto
Eis aqui o meu doce desgosto

Uh pomo da discórdia
Uma coisa é uma coisa
outra coisa a mesma coisa

Uh pomo da discórdia
O que foi dito é contradito
e assassina o nosso grito

Eu sei, falar é prata, calar é ouro
Mas também sei que no morro que “os bota” fica
banho de pau-d’água é couro

É leve o fardo no ombro alheio
Anda meio mundo a enganar outro meio
É leve o fardo no mundo alheio
A enganar meio mundo
Anda outro meio

É, não temos público, apenas aplausos parolos
E assim com papas e bolos se enganam os tolos

Uh pomo da discórdia
Uma coisa é uma coisa
outra coisa a mesma coisa

Uh pomo da discórdia
O que foi dito é contradito
e assassina o nosso grito

Não se deve dar pérolas aos porcos

E é assim então, ao som do grupo Viva La Burla e o quinteto Luiz Loy com Conto do Vigário, composição de Danielle Brito, Marie Minare e Sarah Campos que este Café Brasil vai saindo no embalo.

Você tá pensativo aí, hein? Então dê uma parada numa agência dos correios e pegue lá uma cartinha para o Papai Noel. Depois me conte…

Com o pensativo Lalá Moreira na técnica, a altruísta Ciça Camargo na produção e eu, que escolhi fazer a minha parte aqui, bagunçando o seu cérebro aí, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco a ouvinte Cíntia, os Titulares do Ritmo, Vince Guaraldi e Marie Minare e Don Rodrí, do duo paulista Viva La Burla com o quinteto Luiz Loy.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Youtube repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis, inclusive as séries de videocasts que eu fiz para eles. Dê uma olhada lá, vale a pena: youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar a nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. Quem está fora do país: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Podcast Café Brasil.

Olha aqui ó. Se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer um pouquinho mais, venha pra Confraria do Café Brasil encontrar um monte de gente disposta a causar uma mudança no mundo. E agora é fácil fazer a assinatura do programa. Acesse cafebrasil.top e pronto!

E para terminar, Millôr Fernandes.

Cidadão, num país onde não há nem sombra de cidadania, significa apenas cidade grande.