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536 – A política da pós-verdade

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Luciano Pires -

Eles contam as mentiras que querem, inventam as histórias que querem, manipulam os fatos como querem, colocam a verdade em segundo plano e o que acontece, hein? Nós os elegemos. Até quando?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o meu e-book Me engana que eu gosto é o Edson Correa

“Luciano, tudo bem? Meu nome é Edson Correa, tenho 53 anos, sou de Votorantim, interior do estado de São Paulo. Um dos seus fãs. 

Frente ao programa 524, O dia seguinte, me fez pensar o quanto sou manipulado a ser estúpido. Um dia fui PT, um dia acreditei que poderíamos mudar e para isso precisávamos eliminar o medo. Quando percebi que o assistencialismo ultrapassou a necessidade da ajuda real, aquela ajuda que transforma a pessoa, comecei a me sentir estupidamente manipulado. 

Vejo hoje o quanto somos estúpidos de aceitarmos eleição após eleição promessas que as leis irão mudar, ou seja, haverá uma reforma política?  Hoje, sou contra a permanência de partidos políticos, esses são os primeiros responsáveis da manipulação, levando-nos a ser estúpidos. 

Quando falamos partido, afirmamos que há um racha, uma divisão. O único objetivo de elegermos aqueles que se propõe trabalhar na administração pública, por um certo período, no nosso caso, quatro anos, não importa quem quer que seja, mas o único objetivo não seria administrar, legislar em favor da comunidade?  Por que partidos políticos se as coalizões não correspondem nível federal com estadual e municipal? 

Outro exemplo: no julgamento hoje do deputado Eduardo Cunha, quanto à sua cassação ou não, o presidente dos partidos estão deixando seus membros para votarem livremente. Pergunto: Por que partidos políticos? 

Não sei se consegui me expressar, receba um grande abraço de um estúpido de Votorantim. Parabéns pelo trabalho”.

Ô Edson, não deixe que eles te desvalorizem não, viu? Olha, na teoria, partidos políticos definem agendas, mobilizam ideias, conectam os cidadãos com o governo. Eles revelam lideranças. Não são coisas ruins… o problema é a forma como são usados. E as regras formais e informais sob as quais atuam. Isso dá pano pra manga, viu? Vou tratar um pouquinho disso hoje. Obrigado pelo comentário.

Muito bem. O Edson receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Lalá: hoje é que nem político, hein?

Na hora do amor, use

Lalá – Bom, por um lado Prudence é bom mas, por outro lado, também pode ser… Então na dúvida, Prudence.

Assombrados com as cifras dos escândalos de corrupção e com aquela provinciana incapacidade de enxergar o que não se vê, brasileiros contabilizam os prejuízos da gestão Lula/Dilma em números. Quantos bilhões foram desviados e perdidos, quantos milhões de desempregados, quantos bilhões devemos, etc. Só focamos naquilo que é possível representar em números, que não conseguem traduzir a complexidade de nossas vidas.

No Brasil, paralelamente ao desmanche fiscal, organizacional e institucional, sofremos ao longo dos últimos 13 anos (bom, sejamos justos vá… foram 50 anos) um processo de lavagem cerebral quase imperceptível, que ganhou a superfície com a ascensão de Lula ao poder e, junto com ele, o que um dia chamei de “mínimo divisor comum”, um pastiche ideológico que nivela tudo pelo menor, mais baixo, mais ignorante, mais miserável. Foi a isso que chamei de “lulificação”.

Xi! Caiu o disjuntor! Começou a gritar “e os outros partidos”? “E o Aécio”? “E o FHC?”? Fique calmo. A lulificação não tem a ver especificamente com o indivíduo Lula, mas com aquilo que ele representa: a ascensão de uma certa linha de pensamento ao poder, que trouxe para o primeiro plano e institucionalizou a cultura do “dá pro gasto”, da malandragem, da mentira e da esperteza. Que plantou a cizânia, que desdenhou do ensino e da cultura e rotulou de “elite” tudo aquilo que ultrapassasse o mínimo divisor comum, o medíocre. Se você hoje falar em “alta cultura” é imediatamente taxado de elitista, para usar o rótulo mais leve. Reduzimos nosso consumo cultural à baixeza em todos os segmentos e o resultado se vê por todos os lados. O que temos a oferecer para um dueto com Andrea Bocelli, por exemplo, são… Paula Fernandes e Anitta, afinal, “dá pro gasto”, não é?

E assim nos contentamos com serviços medíocres, filas quilométricas, burocracia, incompetência, corrupção e falta de produtividade. Nos resignamos com os políticos que temos, há até quem defenda os que roubam em nome da “causa” ou do partido. Medimos a educação pela quantidade de escolas, de salas de aula, de professores e de alunos matriculados. Qualidade da educação? Ah, como você é chato! Discutimos o país exclusivamente pela ótica da economia. Leis são manipuladas pelos que deveriam por elas zelar, a corrupção é parte de nosso dia a dia, cada um quer tirar sua casquinha com o “tudo bem se me convém”. Na mídia, só damos audiência para gente em situações constrangedoras. O que são as pegadinhas, as videocassetadas, os masterchefs e os reality shows, afinal? Aplicando nosso tempo e energia na discussão de temas menores, não nos escandalizamos com 60 mil mortos por ano, todo ano e, sem um norte moral, transformamos em herói o faxineiro que devolve a carteira perdida.

Desaprendemos a ler nas entrelinhas, a entender uma ironia, a apreciar um desafio intelectual. Não sabemos mais o que significa “opinião” e o grande argumento nas discussões é o kkkkkkkkkk. Comediantes limitados se tornam colunistas fracos e entrevistadores medíocres. E o pior: ganhamos palanques onde podemos expor, sem qualquer pudor, nossa ignorância e imbecilidade em público. As áreas de comentários das mídias sociais são o horror intelectual materializado.

E quem reclamar é taxado de fascista por quem não sabe o que quer dizer fascista.

O resultado pode ser apreciado em todas as áreas de atividade, do desastre ambiental à ciclovia que cai, da perda do grau de investimento aos 7 x 1 para a Alemanha. Nada disso foi por acaso, nada disso é acidente. São sintomas de um meticuloso trabalho de mestrado de obra social.

Precisamos virar a página, exorcizar Lula e seus fantasmas, como já fizemos com Dilma, e exigir mais, muito mais dos que aí estão.

A lulificação do Brasil é a verdadeira herança maldita, que precisará de muito, mas muito mais que um ajuste fiscal ou meia dúzia de bandidos na cadeia para ser vencida.

A opção é…

Aluga-se
Raul Seixas

A solução pro nosso povo eu vou dar
Negócio bom assim ninguém nunca viu
Tá tudo pronto aqui é só vir pegar
A solução é alugar o Brasil!

Nós não vamos pagar nada
Nós não vamos pagar nada
É tudo free,
Tá na hora agora é free,
vamo embora
Dar lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar

Os estrangeiros, eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico, tem vista pro mar
A Amazônia é o jardim do quintal
E o dólar deles paga o nosso mingau

Nós não vamos pagar nada
Nós não vamos pagar nada
É tudo Free,
Tá na hora agora é Free,
vamo embora
Dar lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar

Nós não vamos pagar nada
Nós não vamos pagar nada
Agora é free
Tá na hora agora é free,
vamo embora
Dar lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar

Uia… Essa é a cantora paulistana Marry Martim, que já deve contabilizar uns 26 anos de estrada e de rock´n roll. Mas na verdade, nunca mais ouvi falar dela… Bem, aqui, com o clássico ALUGA-SE,  de Raul Seixas…

O Mínimo Divisor Comum é uma versão do MDC, Máximo Divisor Comum que você aprendeu nas aulas de matemática, lembra? O Mínimo Divisor Comum funciona assim: qual é o máximo de simplificação a que posso chegar numa informação? Quanto posso eliminar de ironia, segundos sentidos, sujeitos ocultos, citações e informações que exijam alguma ginástica cerebral? Esse é o método utilizado pelos políticos ao se dirigir à população: a infantilização dos discursos, a redução das questões ao mínimo divisor comum, a absoluta falta de provocação ao pensamento crítico. E as vezes os caras extrapolam…

Essa questão do clima é delicada por que? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular e a gente soubesse que o nosso território está quatorze mil quilômetros de distância dos centros mais poluidores, ótimo, vai ficar só lá. Mas como o mundo gira e a gente também passa lá embaixo onde está mais poluído, a gente não sabe lidar como um todo!

A gripe suína ela é transmitida dos porquinhos pras pessoas só quando eles espirram ou quando a pessoa chega lá perto do nariz do porco. 

Nossa meu… vou tomar porrada de todo lado… Pois é… Essa é a infantilização do debate, tratando os interlocutores como crianças. Mas é mais que isso viu, apontando para uma atitude: quem não é imbecil, só age como imbecil porque tem certeza que seu interlocutor é um… imbecil.

Muito bem… Em 2004 eu lancei meu livro Brasileiros Pocotó, no qual manifestei minha preocupação sobre o futuro de um país que estava mergulhando no emburrecimento, no pensamento raso, na busca pelo entretenimento só por entretenimento. E eu perguntava: o que será do Brasil do futuro, hein?

Bem, taí…  esses políticos infantilizadores, muitos deles responsáveis pela angústia de brasileiros, estão lá pois foram escolhidos por milhões de pessoas que deram a eles uma carta branca para que representassem seus desejos e interesses. Mas será que os eleitores não sacaram qual era a desses caras, hein? Uma parte, não. Mas boa parte sim. E mesmo assim os elegeram. Deixaram de valorizar a inteligência e o conhecimento por interferência de preferências políticas.

Hoje em dia é praticamente impossível criticar políticos sem imediatamente filtrar os comentários sob seu prisma pessoal de preferências políticas, não é? Em alguns casos, lemos ou ouvimos gente dizer:

– E daí que ele é bandido? É o meu bandido favorito!

Quantas vezes você tem ouvido gente defendendo o ilícito, a mentira, em nome de uma preferência ou interesse político?

Mas os problemas do Brasil vão muito além de gente de direita ou de esquerda contrastando ideias políticas. Há um problema crucial que vem antes das preferências políticas, das questões relacionadas ao tamanho do estado, casamento gay, aborto, desarmamento, impostos ou qualquer dos temas que estão sempre na moda. O problema são os milhões de brasileiros que colocam em segundo plano a inteligência, o pensamento crítico e a racionalidade no momento de escolher seus candidatos.

O problema é a estupidez.

O crescimento e, mais que isso, a aceitação da estupidez como método. E é isso que me deixa, como se dizia lá em Bauru, encafifado.

Por que a estupidez se tornou tão atrativa para tanta gente, hein? É como se uma pandemia de baixa estima tivesse tomado conta do país, jogando os eleitores nos braços de candidatos com propostas ridículas, com comportamentos questionáveis, mas que falam aquilo que o eleitor quer ouvir.

Já ouvi gente dizendo mais de uma vez que os candidatos estúpidos fazem sucesso, pois falam a língua do povo.

Logo, a língua do povo é a língua da estupidez. É isso?

Bem, parte da responsabilidade por esse cenário se deve ao trabalho dos marqueteiros políticos que trabalharam as palavras, as roupas, os penteados, os gestos, as atitudes e maneirismos dos candidatos, transformando-os em produtos que o povo compra. Igualzinho um shampoo ou um sabonete.

Por causa dos marqueteiros, os políticos são uma espécie de comercial ambulante. E parte disso é o discurso infantilizado: quanto mais raso, melhor. A estupidez e a preguiça intelectual se transformaram em ferramentas para conquistar mentes preguiçosas ou simplesmente ignorantes. Ou então desesperançadas.

O que eu quero então? Um país comandado por cientistas? Bem, a gente sabe que quase nunca foi assim. Basta olhar de 70 anos para cá: Vargas, Juscelino, Goulart, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma… quantos cérebros privilegiados você vê nessa lista? Quantos cientistas? Quantos luminares, hein? Poucos, não é? Pois é.

Mas será que um país com mais de 200 milhões de habitantes não consegue produzir líderes brilhantes capazes de chegar lá?

Olha, produzir líderes brilhantes, consegue sim. Mas com capacidade de chegar lá são outros quinhentos.

O sistema criado para “chegar lá” não privilegia mentes brilhantes, mas interesses. Em primeiro plano os interesses, os conchavos, as conveniências. E se o candidato for brilhante, melhor ainda. Mas isso não é mandatório.

Na Ucrânia, pagam treze dólares o milhão de btu. Quatro pra treze dá sete. Quando é que paga quatro depois do furacão… aliás… quatro pra treze dá nove… eu to pensando no furacão… no furacão não… em Fukushima. Como é que chama… no Japão… como é que chama… no Japão… o tsunami. 

E o que é que a gente faz, então? A gente ri. Faz piada. Aplaude. A gente se diverte com o circo político e isso é dramático, sabe por quê, hein? Porque os líderes que escolhemos tomam decisões que matam brasileiros. Que destroem a economia. Que deixam pais e mães desesperançosos no futuro.

O problema, no fundo, não é apenas a ignorância ou a falta de inteligência. É a falta de racionalidade. Deveríamos estar ensinando nossas crianças, desde muito cedo, a pensar racionalmente e dar valor à objetividade. A reconhecer os discursos mentirosos e manipuladores. A questionar as promessas. A entender que devemos tratar todos os brasileiros de forma igualitária, com os mesmos direitos. Mas devemos, sempre, sempre questionar seus pontos de vista. Entendeu?

Jamais vou questionar seus direitos como indivíduo, mas ah, seu discurso eu vou questionar sim!

Quando não fazemos isso, quando abraçamos a tal relatividade, temos como resultado aquilo que os norte americanos chamam de política pós verdade.

Pós verdade é a confiança em afirmações que parecem verdadeiras, mas não têm qualquer base em fatos. O economista Hélio Schwartsman comentou muito bem esse fato ao dizer assim:

“Parte do problema é a natureza humana. Nossos cérebros têm uma perigosa inclinação por acreditar naquilo que nossos sentimentos dizem que está certo e evitam o trabalho de conferir a veracidade das teses de que gostamos. E, se nunca foi fácil estabelecer o que pode ser considerado um fato na política, isso está se tornando cada vez mais difícil. (…) Primeiro, instituições que se encarregavam de facilitar a formação de consensos como escolas, ciência, Justiça e mídia vêm sendo vistas com mais desconfiança pelo público. Além disso, passamos a nos informar através de algoritmos que, em vez de nos expor ao contraditório, nos enterram cada vez mais fundo naquelas versões que já estávamos mais dispostos a acreditar. Daí aos reinos mágicos é só um pulinho.”…

A operação Lava jato não tem nada a ver com a moralização da Petrobrás. A operação lava jato é pra tirar de nós o pré sal. Por que que isso ficou claro pra mim? Porque Sérgio Moro foi treinado nos Estados Unidos pelo FBI para realizar essa operação. 

A pós verdade cresceu com a multiplicação de fontes de notícias, que criou um mundo fragmentado onde as mentiras, as fofocas, os rumores, se alastram numa velocidade impressionante. Mentiras que se espalham pelas mídias sociais, onde as pessoas confiam mais nelas do que nas fontes de mídia tradicionais, ganham rapidamente a aparência de verdades. E os profissionais da comunicação sabem como trabalhar isso: criam narrativas que colocam quem pensa diferente numa situação desconfortável.

– Pô, meu, tá todo mundo falando A. Se eu disser B serei marginalizado!

Sob bombardeio, até  bem intencionados influenciadores caem na armadilha. Ao buscar uma imparcialidade impossível, dão espaço para todo tipo de opinião e ajudam que a verdade se transforme nisso: questão de opinião.

– É inútil discutir se a febre está em Celsius ou Farenheit. O importante é a febre. O que está em jogo é um jogo de poder em que os dois lados envolvidos não respeitam as regras legais.

– Mas não é um golpe.

– Se você quiser, é e se vão você não quiser… assim é se lhe parece… não por uma saída diplomática, mas é porque é uma interpretação da lei.

Nesse contexto, sentimentos, e não fatos, se transformam na matéria prima dos influenciadores e influenciados. Os pós verdadeiros competentes nem mesmo falsificam a verdade, mas a colocam em segundo plano. Ela está lá, de vez em quando dá os ares da graça só para garantir alguma credibilidade, mas não tem muita importância. É como assombração: eu nunca vi e acho que não existe, mas tem sempre alguém pra jurar que viu… O que importa é a opinião. Criam-se desse modo falsas visões de mundo, romantizadas, apontando para utopias e explorando  a perigosa inclinação por acreditar naquilo que nossos sentimentos dizem que está certo.

Ao contestar o autor da pós verdade, você valida da situação do nós-contra-eles que tanto interessa a ele. Quanto mais você o combater, mais tempo manterá a pós verdade sob os holofotes. Quem assistiu os embates durante as discussões do impeachment viu claramente a técnica em ação: repita todo tempo uma pós verdade, faça com que ela permaneça em evidência. Isso aumenta as chances de que mais gente acredite nela.

Qual é o caminho então, hein?

Nós, eleitores, deveríamos abandonar o desejo de escolher um igual, ou até mesmo um inferior para nos liderar. Deveríamos admirar e escolher pessoas reconhecidamente brilhantes, mais educadas e mais capazes que nós. Entendeu a lógica? Quero dar a minha procuração, para que me represente e me defenda, para alguém mais capaz que eu.

Faz sentido, hein?

Líderes deveriam estar na liderança por serem os melhores. Por serem a… elite. Mas o termo “elite” foi transformado em xingamento, não é?

Nós, eleitores, deveríamos respeitar, admirar e imitar aqueles que estão constantemente buscando se educar para melhorar suas vidas e de suas famílias e comunidades. Deveríamos admirar e valorizar a inteligência. Deveríamos nos recusar a aceitar, respeitar, admirar e copiar aqueles que revelam sua ignorância ou a usam como bandeira.

Entendeu o jogo, hein? Nós, eleitores, e os que têm ambições políticas, deveríamos mudar o jogo. De pós verdade para pró verdade. Nos mantendo humildes e reconhecendo que, neste novo mundo, o poder está na verdade. Não há outro caminho. Mas aí teremos de lidar com os relativistas morais, para os quais não existe verdade, tudo é relativo.

Esses são os que têm bandidos de estimação.

Nem vem que não tem
Carlos Imperial

Nem vem que não tem
Nem vem de garfo que hoje é dia de sopa
Esquenta o ferro, passa minha roupa
Eu nesse embalo vou botar pra quebrar
Sacudim, sacundá, sacundim, gundim, gundá!

Nem vem que não tem
Nem vem de escada que o incêndio é no porão
Tira o tamanco, tem sinteco no chão
Eu nesse embalo vou botar pra quebrar
Sacudim, sacundá, sacundim, gundim, gundá!

Nem vem, numa casa de caboclo, já disseram
Um é pouco, dois é bom, três é demais!
Nem vem, guarda seu lugar na fila
Todo homem que vacila, a mulher passa pra trás!

Nem vem que não tem
Pra virar cinza minha brasa demora!
Michô meu papo, mas já vamos’imbora!
Eu nesse embalo vou botar pra quebrar
Sacudim, sacundá, sacundim, gundim, gundá

Nem vem, numa casa de caboclo, já disseram
Um é pouco, dois é bom, três é demais!
Nem vem, guarda seu lugar na fila
Todo homem que vacila, a mulher passa pra trás!

Antes de mais nada me apresento outra vez
Peso pesado do mike, teste, 123
Eu tenho fé que meu caminho é no requinte do samba
Eu tenho força e coragem de um guerreiro que ama
E vê se me escuta, que a minha é a batida perfeita
Eu tô na luta, respeito só tem quem respeita
Então respeita a família direito
Cada um sabe a cruz que carrega no peito
E tem sempre um Zé na vida querendo te atrasar
Fingindo te advogar, mas na hora que o bicho pega
O tal Zé nunca tá lá, tá louco é pra atrapalhar
Mas tu sabe como é que é
Coração de malandro bate na sola do pé
Protagonista de um filme que não tem dublê
De orçamento baixo e sucesso na tv
Eu mato a cobra e não me leve a mal,

Eu faço samba tipo Sabotage e rap tipo Simonal…
É… Rap tipo Simonal
Eu faço samba tipo Sabotage e rap tipo Simonal…

E é assim então, ao som de NEM VEM QUE NÃO TEM, de Carlos Imperial, com Marcelo D2, que este Café Brasil vai saindo no embalo.

Fique esperto aí. Valorize a inteligência. Fuja da ignorância, da estupidez, da infantilização, fuja daqueles que acham que você é um idiota.

Com o atarantado Lalá Moreira na técnica, a revoltada Ciça Camargo na produção e eu, este guerreiro da pró verdade, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Edson, Marry Martim, Marcelo D2, Leandro Karnal, José Serra, Marilena Chauí , Lula e Dilma Rousseff.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

E a  Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem um canal no Youtube repleto de informações interessantes, até mesmo os videocasts que eu fiz pra eles. Dê uma olhada lá que vale a pena. youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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E para terminar, uma frase de ninguém menos que Nietzsche:

Não se pode ensinar a verdade àqueles cujos pensamentos são mesquinhos.