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Luciano Pires -

Em 11 de outubro de 1996 morria Renato Russo, um artista que registrou um pouco do seu tempo em suas músicas. Liderando o Legião Urbana, Renato fez a trilha sonora da vida de muita gente ao longo do anos 80 e 90. Não vou contar a história dele ou analisar a sua obra, não vou fazer retrospectiva, vou só falar um pouco sobre um artista que, depois de 20 anos de sua morte, continua vivo. Este programa fica sendo uma homenagem…

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me engana que eu gosto aliás, ele vai ter que escolher outro porque esse aqui ele já tem, é um ouvinte fiel, o grande Mauro Segura.

“Olá Luciano. Aqui é Mauro Segura. Bom dia. Hoje é sábado. Eu estou caminhando aqui na praia no Recreio, no Rio de Janeiro e resolvi escutar o podcast Café Brasil, o último, e eu estou aqui super emocionado com o depoimento da Natasha.

Incrível isso, cara nesse último podcast. Incrível esse negócio, muito emocionante. Essa evidência do quanto que você consegue tocar as pessoas. Eu sou uma das pessoas, né. Muito do que eu escrevo, muito do que eu penso, muito do que eu faço vem dos insights, das reflexões que você joga no Café Brasil, né. De uma maneira ou de outra, aquilo me toca profundamente, e ouvir a Natasha, foi algo espetacular. Até parei. Parei, sentei no banco de frente pro mar, fiquei vendo aquelas ondas ali e ouvindo um depoimento absolutamente chocante, sincero, transparente. Tocante mesmo.

E ali eu aprendi duas coisas que me chamaram muita atenção. Primeiro ela reconhecer que mudou depois que ouviu você, depois que ouviu algo. Então, a capacidade da gente mudar, a capacidade da gente refletir, se tornar algo melhor, faz toda a diferença e você já falou várias vezes né. Você começa de uma maneira, quando escuta alguém e se deixa ouvir por alguém, você vira uma terceira pessoa, quer dizer, entram duas pessoas ali e sai uma linha… sei lá, alternativa de pensamento, né. Ouvir, a capacidade de mudar, é extraordinário.

Eu fiquei assim muito tocado com essa menina, até porque essa questão política, essa questão de idealismo, ela às vezes transcende o lado racional, algo intransigente, você também fala muito isso nos episódios. Mas, essa capacidade de você ouvir, mudar, reconhecer, ser transparente de que mudou, de que alguma coisa aconteceu, é muito legal. Eu fiquei muito emocionado com esse depoimento dela. E o segundo né, você chegou a tocar também, no episódio agora, 523, é nós sermos agente de mudança.

Se cada um de nós, individualmente, a gente sempre comenta né, a gente não consegue mudar esse país, a gente não consegue mudar as coisas. Mas, se cada um de nós mudarmos, aquelas pessoas que estão ao nosso redor… e quando a gente fala mudar, não é exigir, impor a nossa linha de pensamento mas, fazer as pessoas refletirem, conversarem, mudarem, crescerem, se cada um de nós conseguir tocar uma, duas, três, quatro, cinco pessoas ao nosso redor e essas outras conseguirem tocar mais cinco, a gente muda as coisas. Então cara, desculpe… fiquei muito tocado com o depoimento dela e eu realmente saí assim motivado né, de tentar fazer um trabalho…

Eu já venho tentando fazer isso de alguma maneira né, parecido com o que você faz, de influenciar as pessoas, fazer as pessoas pensarem um pouco em tudo o que está acontecendo e eu participei de uma convenção essa semana, essa semana eu dei duas palestras, em dois lugares diferentes e numa delas a gente falou sobre essa capacidade da gente transformar as pessoas, né. A capacidade da gente abrir e desenvolver as pessoas a terem uma linha de pensamento construtiva, né. Então, a gente pergunta assim: qual é a tua agenda da semana, o que você está fazendo essa semana, o que você se planejou pra essa semana. Você vai fazer mais do mesmo? Você vai tocar a sua rotina e deixar a sua agenda ser montada pelos outros? Pelo que a vida te levar? Ou você está construindo a sua agenda? Quais são as atividades que vão te transformar, que vão fazer você crescer ao longo da semana? Não precisa ser muita coisa não. A quem você está ouvindo? A quem você está seguindo? Aliás, você já falou tudo isso várias vezes no Café Brasil.

Enfim, entrei num devaneio aqui. Cara! Eu quero te agradecer. Desculpe a longa mensagem mas cara, esse depoimento da menina foi extraordinário. E você, mais uma vez cara, fazendo a diferença e mudando as pessoas. Tudo de bom pra você, um abraço, tá?

Caro Mauro, que grande comentário… como sempre né, e é isso mesmo viu, cada um fazendo sua parte provocando pequenas mudanças e criando uma grande onda de mudanças. Muito obrigado. O programa de hoje vai falar de um sujeito que de outra forma, através da música, também impactou muita gente.

Muito bem. O Mauro receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então, Lalá!

É preciso amar as pessoas usando…

Lalá – Prudence, como se não houvesse amanhã…

Olha só… Fazer um podcast sobre um grande nome da música brasileira é sempre um desafio. Já tem muita coisa dita, escrita, falada. Renato Russo com a Legião Urbana então, uma loucura. Ele já esteve no Radiofobia Classics do Leo Lopes e no Telhacast do Tiago Miro, em dois podcasts que praticamente esgotam o assunto. Cabe a mim então o desafio de tentar abordar o Renato Russo, nestes 20 anos de sua morte, de forma diferente. Eu vou tentar, a partir de textos variados publicados na Revista Capricho em 1996, na Isto é Gente e no site casadobruxo.com.br. Mas antes, um aviso.

Renato Russo está muito longe de ser uma unanimidade. Basta dar uma busca no Google para encontrar críticas severas à ele e a Legião Urbana. Tem muita gente que considera  que eles são musicalmente fracos, que as letras tem metáforas pobres e com muito pouco de punk ou de rock. Mas um artista que vende milhões de discos, que compõe a trilha sonora da vida de milhões de pessoas, que tem músicas que não saem de nossas cabeças e que continua presente mesmo depois de vinte anos de sua morte meu, precisa ser respeitado. É sob essa ótica, a do fenômeno pop que eu vou fazer esse programa.

E se você quer saber, olha: não sou parte da Religião Urbana, acho que só comprei um disco deles na minha vida, não conheço profundamente a obra deles ou do Renato, mas algumas de suas músicas estão guardadas aqui ó, no coração, marcadas em mim, como registros de uma época. É ouvir os acordes para ser remetido a um tempo na minha história. E isso basta para que eu seja grato a ele.

Eu vou fazer apenas fazer uma rápida retrospectiva aqui. Renato Manfredini Júnior nasceu no dia 27 de março de 1960. Morou em Nova York entre os 7 e 10 anos de idade com os pais, depois voltou para o Rio e aos 13 anos foi morar em Brasília. Aos 15 anos, já dava aulas de inglês. Nessa época teve uma doença nos ossos que o fez passar dois anos de cama e em uma cadeira de rodas. Em 1978, recuperado da doença, formou sua primeira banda, a Aborto Elétrico, inspirada nos grupos punks ingleses. Em 1982, Renato formou a Legião Urbana que, logo depois, com Marcelo Bonfá na bateria e Dado Villa-Lobos na guitarra, venderia milhões de discos e faria a cabeça dos adolescentes dos anos 80 e 90. Foi por volta de 1990 que Renato Russo assumiu publicamente que era homossexual (ou que gostava de “meninos e meninas”). Foi uma atitude corajosa para um ídolo tão adorado por seus fãs. Foi também nessa época que conheceu em San Francisco, na Califórnia, Robert Scott, com quem teve um relacionamento muito marcante. Desse relacionamento resultou a contaminação pelo vírus HIV. E na sequência, a AIDS.

“Eu acho que a gente desperta curiosidade porque as letras, a partir do momento assim, as letras e a própria atitude da gente, eu acho, falam da gente. Então, de repente, a pessoa que ouve uma canção da Legião Urbana, se ela se identificar, se ela gostar daquilo, ela vai sentir que aquilo é uma coisa que está sendo dita pra ela mesma, entendeu? Então, entra em funcionamento uma série de coisas que geralmente a pessoa assim… eu já percebi uma curiosidade muito grande das pessoas querendo saber como a gente é, não pra saber como a gente é mas, pra saber se nós somos iguais a… então… sabe… então tem um menino que está lá ouvindo: poxa! Você escreveu Teatro dos Vampiros, é igualzinho a história da minha vida. Vocês são assim mesmo?…”

Vento no litoral
Renato Russo
Dado Villa Lobos

De tarde quero descansar,
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
Vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe ver,
A linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhavamos juntos na mesma direção

Aonde está você agora
Além de aqui,
Dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil eu sem você
Porque você está comigo o tempo todo
E quando eu vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar
É uma bobagem

Já que você não está aqui
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?
Yey, yey, yey, yey, yey

– Olha só o que eu achei:
Cavalos-marinhos

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Empatia. É esse o segredo de Renato e da Legião Urbana. Sua música e suas letras falavam da realidade da moçada, que identificava ali sua história de vida. Numa entrevista, o Renato disse assim: “Legião nem é tão bom nem tão especial. Claro que tem coisas bacanas, mas também tem muita coisa que não presta… Só que tem uma certa empatia. Como eu faço as letras sempre em primeira pessoa, há uma identidade, paradoxal, entre a música e o ouvinte… “Poxa, esse cara tá falando da minha vida!”

Índios
Renato Russo

Quem me dera, ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda – assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do inicio ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Quem me dera, ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes

Quem me dera, ao menos uma vez
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado

Quem me dera, ao menos uma vez
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda: assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui

O jornalista Fernando Luna falou de seu encontro com Renato Russo  num texto chamado Um dia perfeito na revista Capricho em 1996:

O apartamento ficava num prédio baixo, em Ipanema, no Rio. Subi dois lances de escada e encontrei a porta aberta. “Oi, eu sou o Renato”, apresentou-se, como se eu não estivesse lá justamente por ele ser ele o Renato. Parecia que eu estava entrando na casa da minha avó. Aquele sofazinho de pano, móveis antigos, a mesinha do telefone, o abajur. Era tudo, menos a casa de um roqueiro. E Renato Russo morava ali. Não é muito comum entrevistar um músico em sua própria casa. Entrevistas costumam acontecer em lugares menos pessoais. Um apartamento pode ser muito revelador.

Logo na entrada, um monte de CDs jogados ao lado do aparelho de som. Para minha surpresa, encontrei discos de música erudita e óperas. No meio deles, o álbum do Foo Fighters ainda fechado. Começamos a conversar. Ele estava animado com o lançamento de Equilíbrio distante. Falava rápido e levantava toda hora. Fazia imitações, sempre a mesma vozinha esganiçada e hilária. Não parecia o cara sério que a gente via nas fotos dos discos. Se minha adolescência tivesse uma trilha sonora, várias faixas de Legião Urbana e Dois estariam nela.

Por isso, fiquei mal com a notícia que li, no dia 11 de outubro, em um jornal brasileiro na Internet. “Renato Russo morreu na madrugada de hoje”. Só. Os detalhes apareceriam nas edições do dia seguinte. Lembrei que, às vésperas do meu embarque, uma amiga me deu uma fita da Legião. Remexi as gavetas até encontrar, mas não tinha sequer um walkman para ouvir as músicas. Aí me dei conta de que sabia todas de cor, comecei a cantar, baixinho, talvez com medo que o Renato Russo pudesse estar ouvindo.

Renato Russo – A gravadora queria que a gente repetisse o primeiro disco. Eles queriam no segundo ok então agora, vocês deram certo. Eles falaram pra gente assim: se vocês venderem cinco mil, tá bom. E logo de início a gente vendeu cinquenta mil,  que é muito. Pra banda, a gente saiu direto com LP, é muito. E assim… porque a gente dialogou com a gravadora. Não adianta você ficar sem saber o que está acontecendo e deixar a gravadora fazer o que… e na época, porque era multinacional, né. Hoje as bandas todas… é um outro jogo de cintura. Mas naquela época, assinar contrato em branco, ah nada disso, sem ler…a gente ficou quase cinco meses pra assinar, mostrei pra todos os advogados, sabe: você é advogado? Lê isso aqui, sabe. Aí, quando viu que não tinha escapatória, que era o contrato padrão, aí a gente assinou.

Mas aí, eles queriam o que? No segundo, eles queriam mais roquinhos. Então agora, vocês vão gravar Que país é esse né? Química, vamos gravar Química, Tédio, vocês não gravaram Tédio no primeiro disco, rapazes. Vamos lá? Vamos lá? Não. O segundo disco a gente vai fazer como a gente quer. Quando eles ouviram aquilo, Daniel na cova dos leões… Almeida… o que é isso aqui? Que que é essa música aqui? Eles são uma banda de rock? Ninguém falou pra esse menino que essa música de cinco minutos com pandeiro e violão, sem refrão? Quem é que vai decorar essa letra? Quem é que vai entender essas coisas? Cadê o protesto? Que história é essa de Eduardo e Mônica? Entendeu? Que história é essa… entende? Central do Brasil! Eles são uma banda de rock. Que são esses violões aqui? Naturalmente tipo, a gente acreditava no material, a gente acreditou na banda né… e deu certo!”

Então… Renato Russo sempre deixou claro como foi amadurecendo e compreendendo sua responsabilidade como artista. Em 1992 em entrevista à revista Bizz, lembrando do caos de um show em Brasília em 1988 ele disse:

“Se eu falar do que está rolando, da miséria, da angústia, eu terei que falar disso de uma maneira que não agrida, porque já existe muita, muita, muita agressão. Se a gente não tivesse tanta responsabilidade… (…) Cara, a gente está num país em que as pessoas não têm educação! Na época do Quatro estações a gente ainda fazia a coisa perigosamente. Aquilo é o disco de um cara descrente. A gente não vai esquecer ‘Que país é este’, que era uma música adolescente boba e quase fode com a gente! Ou daquele show em Brasília, vendo a garotada se matando.”

Quase sem querer
Renato Russo

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranquilo
E tão contente

Quantas chances
desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia

Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira

Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo

Já não me preocupo
Se eu não sei por quê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos

Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto

Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você

“No Quatro estações, que de repente, depois daquele problema de Brasília, a gente decidiu fazer uma coisa mais organizada, palco mais alto, não tinha como a gente ficar mais perto do público, porque dava confusão. Não por nossa causa nem por causa do público. Mas por causa dos seguranças e coisas e tudo. Não tem como você tocar num palco de dois metros de altura pra cinquenta mil pessoas.

Naquela época era impossível chegar com um repertório muito pesado pra cinquenta mil pessoas. Hoje em dia não. O público já está até mais educado, mais acostumado, como se o público precisasse ser educado, não é isso, gente. Mas, aquela coisa, tipo hoje em dia tem Metallica, tem Sepultura e precisa se lembrar que em 89 não tocava som pesado de jeito nenhum. Titãs não tinha feito Cabeça dinossauro. Virtualmente, as coisas mais pesadas no rock nacional, a não ser que eu esteja enganado, era Camisa de Vênus e Legião, que tocava no rádio. Não tinha. Você ligar o rádio e ouvir Conexão amazônica, ouvir Que país é esse?, era um assombro. O Que país é esse? foi primeiro lugar. 

Aí, o que aconteceu é isso, a gente pensou assim: a gente tem um público muito grande, existem pessoas que já estão sinalizando e falando: pôxa Renato, a gente adora Legião mas sabe, vocês fazem shows tão grandes, que de repente assim, a gente fica até com medo de ir que é muita, muita gente. De repente começa uma confusão lá e tudo. E não é que tenha muita confusão. Mas naquela época, até Quatro estações, eu tinha uma postura no palco a la Johnny Rotten, de quebrar coisa, tipo não estou satisfeito, porque na minha cabeça eu ainda estou tocando lá pros meus amigos em Brasília.

Eu acho que a mudança de postura foi essa. A gente descobriu, olha, vamos com calma, porque é necessário ter uma certa responsabilidade, porque existem muitas pessoas aqui na frente, eu não posso simplesmente, se me tacarem uma coisa, parar o show por causa de um boboca que me tacou uma lata de cerveja. O importante é chegar e demonstrar que a banda não concorda com esse tipo de comportamento do público e sabe, tentar fazer o melhor possível e foi o que a gente tentou fazer com Quatro estações. E também é uma questão de maturidade.

A gente está tocando melhor, a gente quer que as pessoas percebam que, de repente sabe, o Dado tá tocando bandolim. Sabe, que de repente a banda tem um instrumental. Que não é… que tem as pauleiras, mas que não é só pauleira. Vai ter um momento do show que vai ter os dois violões tocando junto com o teclado. Porque rock é música também. Não é só… sabe… eu acho que houve essa mudança. Por exemplo, o Quatro estações tem Monte castelo, aí chama a atenção. 

Monte Castelo
Renato Russo

Ainda que eu falasse a língua dos homens
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É só o amor, é só o amor;
Que conhece o que é verdade;
O amor é bom, não quer o mal;
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse a língua dos homens
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade;
Tão contrario a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem todos dormem, todos dormem;
Agora vejo em parte, mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor;
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria

“A gravadora EMI Odeon divulgou agora pouco uma nota oficial. A nota diz o seguinte: 

‘Lamentamos profundamente a morte, ocorrida nesta madrugada, do nossoar querido Renato Russo, cuja memória permanecerá viva na lembrança do povo, perpetuada que está em seu inesgotável talento e na beleza de suas obras e interpretações, que tivemos o privilégio de fixar para a eternidade. A direção da gravadora está reunida neste momento. Segundo o diretor jurídico João Carlos Éboli, Renato Russo morreu a uma e quinze da manhã de infecção pulmonar, no apartamento dele no bairro de Ipanema. Conforme a vontade do cantor e compositor, o corpo dele vai ser cremado e não haverá cerimônia de velório.”

Pois é… a gente sabe da importância de um artista quando o povo o abraça. Por exemplo, quando você está andando pelo Pelourinho, em Salvador e encontra um catador de latinhas sem camisa e descalço, cantando assim…

Pais e filhos
Renato Russo

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender

Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três

Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Me diz por que é que o céu é azul
Me explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com meus pais

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Sou uma gota d’água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer

“Das coisas que saiam que a gente gostava, eram todas coisas lentas. O Dado chegou um dia: olha, eu fiz essa música. Era Montanha mágica. Putz, isso é maravilhoso. Vamos usar. Entendeu? Aí o Bonfá chegou, ele chegou com O teatro dos vampiros. Que é uma música pop, mas é lenta. Aquilo é muito lento.”

Teatro dos vampiros
Renato Russo
Marcelo Bonfá

Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos

Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance

Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos

Vamos sair
Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão
Procurando emprego

Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas

Vamos lá tudo bem
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal pra ir

Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
Esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar

Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei

Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir

Vamos sair
Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão
Procurando emprego

Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas

Vamos lá tudo bem
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal pra ir

Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim
Não tenho pena de ninguém.

“Quem está numa banda sabe. A banda tem um ritmo próprio. Não adianta um da banda tentar fazer uma coisa. A banda fala um pouco mais alto. E assim estava todo mundo: vamos fazer umas músicas alegres, vamos fazer umas coisas legais, pra cima, chega, esse país está tão mal. E realmente, isso não apareceu. A gente poderia ter tentado. A gente tentou com Sereníssima e tentou com O mundo anda tão complicado. Mas o que a gente realmente achou que estava mais próximo do que a gente sabe fazer e coisas que estavam legais, era justamente abrir o disco com “pois nasci nunca vi amor”. Pronto. Esse é o disco. Entendeu.

Depois do Quatro estações que é uma tentativa de uma busca espiritual, é uma tentativa de buscar amor, deu no que deu, gente. O Collor foi eleito, ele acabou com o nosso país. O Quatro estações foi lançado um pouquinho antes das eleições. E o Cinco foi lançado já com o Color no poder . Em dezembro. Depois que ele já tinha pego o dinheiro de todo mundo. Então, era o clima. Não tinha… a gente fala um pouco assim… eu vou falar da minha vida né… é aquilo, quase acreditei na sua promessa e o que vejo é fome e destruição. Então o disco veio daquele jeito. E foi aquela coisa de comprar uma ideia. A gente falou: bem, é o que está saindo, então vamos fazer um disco assim.”

No final da vida Renato Russo começou a experimentar seu lado crooner, cantando músicas que lhe agradavam em inglês e italiano. Seria uma transição na carreira, hein? Não deu tempo pra saber…

Marcelo Bonfá, baterista do Legião Urbana diz: “Renato tinha uma personalidade complexa, que, associada aos acontecimentos políticos e sociais da época, o tornou uma das pessoas mais emblemáticas da história da redemocratização do Brasil”.

Dado Villa Lobos, o guitarrista do Legião diz: “Renato entendeu que não podia passar a vida em vão e ajudou a criar uma identidade para o rock do Brasil”.

“Aqueles anos todos que passaram, foi um grande velório do Ayrton Senna. Pra mim foi. Aquela coisa daquela esperança que eu pelo menos eu sentia sabe, desde a época do Tancredo, aí depois o Tancredo morre. Aí depois vem as eleições, todo mundo levando a maior fé… tá bom, é o Collor, mas quem sabe… e de repente deu no que deu, cada dia que passa você vai descobrindo que a situação é pior do que você poderia imaginar, porque teve um momento, que aí que você começou a ver que o pessoal estava roubando mesmo, quando começou aquela coisa de PC e você viu, estamos perdidos mesmo, o que que vai acontecer, isso refletiu na música, não tinha como eu ser honesto e falar assim, está tudo bem, está tudo feliz. Realmente, não ia dar pra escrever um Quase sem querer, entendeu? A única saída era aquela coisa d’O mundo anda tão complicado, mas eu tenho essa pessoa que gosta de mim e de repente sabe, vamos levar pra esse lado.”

O mundo anda tão complicado
Renato Russo
Dado Villa Lobos

Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Porque a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
“Estou com sono, vamos dormir!”

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo

E é assim então, ao som do O MUNDO ANDA TÃO COMPLICADO na voz de Renato Russo, que este Café Brasil vai saindo de mansinho. Hum… e Renato achava que a coisa tava complicada naquela época…

Pois é… artistas são cronistas de suas épocas. Cada um registrando sua verdade. E como eu disse antes, o artista que impacta milhões de pessoas, tem de ser respeitado.

Eu fico assim com a opinião de Giuliano, filho de Renato, que diz: “A obra dele continua atual. Quanto mais o tempo passa, mais ela vai ficando atual.”

Com o urbano Lalá Moreira na técnica, a legionária Ciça Camargo na produção e eu, este artista que também quer registrar a história de seu tempo, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco Mauro Segura, o violão de Dennys Lasneau e o Legião Urbana com Renato Russo. Ah, e também um catador de latinhas anônimo, lá da Bahia…

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem um canal no Youtube repleto de informações interessantes. Tem até os videocasts que eu fiz pra eles. Cara! Dê uma olhada lá. youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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E pra terminar, Renato Russo:

Aqui no Brasil, nós somos alegres mas nós não somos felizes. Existe toda uma melancolia e uma saudade que a gente herdou dos portugueses e que a gente ainda nem começou a resolver. A gente não sabe o que é este nosso país.