Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Uma reunião para ser objeto de estudo em qualquer aula ...

Ver mais

#TransgressaoEhIsso
#TransgressaoEhIsso
Transgredir é muito mais que pintar o rosto, urinar na ...

Ver mais

Vem aí o Cafezinho
Vem aí o Cafezinho
Nasce nesta segunda, 4/9 o CAFEZINHO, podcast ...

Ver mais

Educação adulta
Educação adulta
Preocupados demais com a educação de nossos filhos, ...

Ver mais

591 – Alfabetização para a mídia
591 – Alfabetização para a mídia
Hoje em dia as informações chegam até você ...

Ver mais

590 – O que aprendi com o câncer
590 – O que aprendi com o câncer
O programa de hoje é uma homenagem a uns amigos ...

Ver mais

589 – A cultura da reclamação
589 – A cultura da reclamação
Crianças mimadas, multiculturalismo, politicamente ...

Ver mais

588 – Escola Sem Partido
588 – Escola Sem Partido
Poucos temas têm despertado tantas paixões como a ...

Ver mais

LíderCast 91 – Saulo Arruda
LíderCast 91 – Saulo Arruda
Saulo Arruda, que teve uma longa carreira como ...

Ver mais

LíderCast 90 – Marcelo Ortega
LíderCast 90 – Marcelo Ortega
Marcelo Ortega, palestrante na área de vendas, outro ...

Ver mais

LíderCast 89 – Bruno Teles
LíderCast 89 – Bruno Teles
Bruno Teles, um educador que sai de Sergipe para se ...

Ver mais

LíderCast 88 – Alfredo Rocha
LíderCast 88 – Alfredo Rocha
Alfredo Rocha, um dos pioneiros no segmento de ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 08 Já falei ...

Ver mais

Vale fazer um curso universitário se as profissões vão desaparecer?
Mauro Segura
Transformação
Numa perspectiva de que tudo muda o tempo todo, será que vale a pena sentar num banco de universidade para se formar numa profissão que vai desaparecer ou se transformar nos próximos anos?

Ver mais

Tolerância? Jura?
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Engraçada essa tal “tolerância” que pregam por aí, por dois simples motivos: 1) é de mão única e 2) pretende tolher até o pensamento do indivíduo. Exagero? Não mesmo. Antes que algum ...

Ver mais

Ensaio sobre a amizade
Tom Coelho
Sete Vidas
“A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm ...

Ver mais

Um reino que sente orgulho de seus líderes
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Um reino que sente orgulho de seus líderes  Victoria e Abdul   Uma vez mais, num curto espaço de tempo, o cinema nos brinda com um filme baseado na história de uma destacada liderança britânica. ...

Ver mais

Cafezinho 28 – No grito
Cafezinho 28 – No grito
Não dá pra construir um país no grito.

Ver mais

Cafezinho 27 – Planos ou esperanças
Cafezinho 27 – Planos ou esperanças
Tem gente que, em vez de planos, só tem esperança.

Ver mais

Cafezinho 26 – Brasil Futebol Clube
Cafezinho 26 – Brasil Futebol Clube
Não dá para ganhar um jogo sem acreditar no time.

Ver mais

Cafezinho 25 – Podres de mimados 2
Cafezinho 25 – Podres de mimados 2
O culto do sentimento destrói a capacidade de pensar e ...

Ver mais

517 – Música e Ditadura Revisitado

517 – Música e Ditadura Revisitado

Luciano Pires -

Prepare-se. Hoje vamos às trevas. Este  programa é a refação do programa 44 , publicado originalmente em 2007 e que trata de ditadura, censura e música popular brasileira.  A arte como expressão da liberdade.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me engana que eu gosto é o Pablo..

“Olá Luciano. Bom dia, boa tarde, boa noite, obrigado por me deixar entrar, na verdade obrigado você, por ter entrado, ter cruzado o meu caminho, ter entrado na minha vida. Você é hoje um dos maiores influenciadores, melhor dizendo, você é o maior influenciador da minha vida e posso dizer que da minha esposa talvez também politicamente e isso é uma escolha consciente que eu fiz. Curiosamente você cruzou o meu caminho quando eu e a minha esposa morávamos fora do país e eu me identifiquei com o Café Brasil, usava isso pra matar a saudade do país e ter uma visão otimista que é a que você traz. Me identifiquei tanto, que assim que foi fundada a Confraria, sou parte dela desde então. Eu ouço vários outros podcasts, mas assim que é lançado o Café Brasil eu paro tudo pra ouvir o Café Brasil e eu acabo de ouvir duas vezes seguidas o 504, As visões se clareando e assim: às vezes a gente discorda de uma coisa ou outra, muito raramente a gente discorda e ainda bem que a gente discorda, senão eu ia achar que um de nós dois estava desnecessário e algo me diz que esse alguém seria eu, mas 99 ou mais do que isso por cento das vezes eu tendo a concordar com o que você diz e tenho muito orgulho disso. E posso dizer que hoje você me emocionou muito com tudo o que você falou. Você escolheu a música certíssima pra começar, Disparada, porque ela avisa no início: prepare o seu coração. Eu me emocionei com isso e talvez hoje eu acho que eu estava um pouco emotivo porque eu me emocionei também hoje mais cedo indo pro trabalho. Como eu disse eu morei fora do pais e hoje eu trabalho com vários estrangeiros aqui na cidade de Montes Claros, a minha empresa é da Dinamarca. Dando carona pra um dinamarquês eu estava contando pra ele como nosso país está mudando, como eu estou feliz com isso e pra mim talvez das grandes mudanças que eu enxergo é como eu cresci ouvindo que este país não tem jeito, que as coisas que dão errado dão errado porque é Brasil e que o pior do Brasil é o brasileiro. Isso a gente escuta dos nossos pais, dos nossos tios, dos nossos avós. Eu tenho 28 anos, acho que muita gente vai se identificar com isso. Isso não é culpa de ninguém, esse era o pensamento vigente né, não é culpa da minha mãe ou da minha avó, era assim que se pensava mas, por alguma razão, eu sempre teimei em ser otimista e sempre bati na tecla de que a curva da melhoria enxergada de longe tá crescendo. De perto, é difícil ver. E eu acho que um argumento, um cenário que eu vejo que mudou: quando eu era criança, apesar de pequeno, lembro de uma votação no parlamento, não me recordo agora se no  senado ou na câmara e todos que votavam diziam exatamente o que foi dito domingo. Pelo meu filho, pela minha crença religiosa, pelo meu estado, foi o mesmíssimo circo e eu não lembro de ver ninguém se indignar, ou quase ninguém se indignar. E desta vez as pessoas estão muito indignadas com o circo que foi domingo. Isso é uma mudança muito grande de mentalidade. Isso é um motivo pra gente ficar muito feliz. Dentre tudo que você mencionou eu concordo e acho também, além da politização dos jovens que você falou, tem a politização dos influenciadores que estão sendo cada vez mais cobrados, que saiam de cima do muro. Isso gera um círculo virtuoso porque vai fazendo com que as pessoas que são influenciadas tenham que tomar um lado, tenham que escolher também e isso gera debate e o debate gera crescimento. E nós, geração cada vez mais global estamos cobrando por que que que nós não podemos ter um país tão bom com a qualidade de vida tão boa quando se tem aqui ou ali. Por que nós não podemos ter um grande governante quanto um Barack Obama e sempre tinha uma resposta pronta, vazia. Porque é Brasil, porque nós somos brasileiros e essa é a nossa cultura, é o jeitinho, etc. E essa resposta e tão vazia e a gente está mudando tanto que ela não satisfaz mais. Então, como você disse no último podcast, está nascendo um novo Brasil. Pra quem não acredita, seu sentimento, meu sentimento acho que o sentimento de todos nós do Café Brasil porque nós seguimos acreditando e mudando. E é por isso que eu te peço Luciano, por favor, continue inspirando, ensinando e contagiando porque você me dá muito orgulho de ser brasileiro e de compartilhar a mesma nacionalidade de pessoas que pensam como você e que agem com mudança”.

Grande Pablo, só não vê que o Brasil está mudando quem é cego por ignorância ou por escolha. Aliás, o programa de hoje trata de um período em que o Brasil era muuuuuuito diferente!

Muito bem. O Pablo receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Lalá, hoje eu quero com censura, hein?

Na hora do amor, use Prudence.

Quando nasci em 1956, o Brasil tinha na presidência um sujeito interessantíssimo, Juscelino Kubitscheck, que prometia fazer em cinco anos o que qualquer outro levaria cinquenta pra fazer. Éramos o país do futuro, todos os sonhos eram possíveis. O mundo aplaudia a bossa nova; a televisão dava seus primeiros passos; Brasília era inaugurada. Os brasileiros eram campeões mundiais de futebol e de basquete. Uma tenista – Maria Esther Bueno – vencia em Wimbledon. Eder Jofre consagrava-se campeão mundial de boxe. E uma porção de gente fazia acontecer, transformando sonhos impossíveis em realidade. Era fascinante ver a coragem, o senso de oportunidade, a visão dos empreendedores brasileiros. A bossa nova, criada no fim dos anos 50 por artistas como Vinicius de Moraes e Tom Jobim, ficou marcada como a trilha sonora do governo democrático de Juscelino Kubitschek. O Brasil ia bem, o sentimento de confiança era generalizado. Os principais temas das letras daquelas canções musicalmente revolucionárias eram o amor, a beleza e o sorriso da garota mais linda, mais cheia de graça.

Mas as coisas iriam mudar um bocado…

 

Tropicália
Caetano Veloso

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés, os caminhões
Aponta contra os chapadões, meu nariz

Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país

Viva a bossa, sa, sa

Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça

O monumento é de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata
O luar do sertão

O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga,
Estreita e torta
E no joelho uma criança sorridente,
Feia e morta,
Estende a mão

Viva a mata, ta, ta

Viva a mulata, ta, ta, ta, ta

No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina

E faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira entre os girassóis

Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia

No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança a um samba de tamborim

Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele pões os olhos grandes sobre mim

Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma

Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça

Porém, o monumento
É bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno, meu bem
Que tudo mais vá pro inferno, meu bem

Viva a banda, da, da
Carmen Miranda, da, da, da da.

Você está ouvindo Caetano Veloso interpretando TROPICÁLIA, a música que deu o nome ao movimento que abalou as bases da Música Popular Brasileira, em plenos anos de chumbo. Antes você a ouviu na interpretação do Duofel. Caetano, Gil, Duprat… gente que teve coragem de subverter a ordem cultural num momento em que se podia pagar a irreverência com a vida.

Mas de repente, em 1964, toda aquela exuberância acabou, com a deposição do presidente João Goulart, dando espaço a um regime militar que só foi encerrado – de forma pacífica – com a eleição indireta de Tancredo Neves e a posse de José Sarney como Presidente da República, em 1985, vinte e um anos depois. Nos primeiros anos do governo militar, a economia prosperou e obras faraônicas começaram a ser feitas – como a Ponte Rio- Niterói e a Rodovia Transamazônica. O crescimento econômico e o sentimento de anticomunismo, em plena Guerra Fria, foram dois alicerces importantes para os generais. Mas a face mais negra dessa história foi a restrição às liberdades individuais, principalmente a partir da promulgação do Ato Institucional Número Cinco. Muitos intelectuais e artistas foram exilados e boa parte da classe artística se engajou contra o regime e deu a cara a tapa. Aquele foi um dos períodos mais férteis e turbulentos da nossa música popular.

Pra não dizer que não falei das flores
Geraldo Vandré

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

É claro que é impossível falar de ditadura e de música sem tocar o hino que Millôr classificou como “a nossa Marselhesa”: Pra não dizer que não falei das flores. Um poderoso manifesto de Geraldo Vandré, tão forte que até hoje é utilizado nos momentos em que o povo procura demonstrar sua insatisfação com o governo.

Com os novos tempos, eram necessários conteúdos mais agressivos, mais politizados. Era o início da época dos grandes Festivais da Música, grande atração da TV, que crescia como nunca, ocupando o lugar do rádio como principal meio de comunicação popular. Os festivais eram uma febre e revelaram artistas como Edu Lobo, Caetano Veloso, Elis Regina e Jorge Benjor (na época Jorge Ben), além de Chico Buarque de Holanda, que conseguiu como poucos fazer oposição ao regime de forma inteligente, com letras que permitiam várias interpretações e enganavam os censores da época. Mesmo assim, teve que assinar algumas músicas sob o pseudônimo Julinho da Adelaide.

Jorge Maravilha
Julinho da Adelaide
(Chico Buarque)

E nada como um tempo após um contratempo
Pro meu coração
E não vale a pena ficar, apenas ficar
Chorando, resmungando, até quando, não, não, não

E como já dizia Jorge Maravilha
Prenhe de razão
Mais vale uma filha na mão
Do que dois pais sobrevoando

Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Ela gosta do tango, do dengo, do mengo, domingo e de cócega
Ela pega e me pisca, belisca, petisca, me arrisca e me enrosca
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta

E nada como um dia após o outro dia
Pro meu coração
E não vale a pena ficar, apenas ficar
Chorando, resmungando até quando, não, não, não

E como já dizia Jorge Maravilha
Prenhe de razão
Mais vale uma filha na mão do que dois pais sobrevoando

Você está ouvindo “Jorge Maravilha”, composição de Julinho da Adelaide – na verdade o Chico Buarque – que, diz a lenda, falava da filha do então presidente Ernesto Geisel. O Chico nega até hoje que a referência seja à filha do general, mas eu prefiro a lenda: Você não gosta de mim, mas sua filha gosta…

Um fator determinante, sem dúvida foi  o fato da televisão inaugurada por Assis Chateaubriand  em  1950,  tornar-se bastante popular na década de 60, impulsionando a nossa música, através dos festivais da canção. O primeiro grande momento da era dos festivais, foi sem dúvida o II Festival da Record de 1966, a disputa acirrada que dividiu o público, entre

A banda
Chico Buarque

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor

“A Banda” de Chico Buarque de Holanda e 

Disparada
Geraldo Vandré
Théo de Barros

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar

Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo, a morte e o destino, tudo
Estava fora de lugar, eu vivo pra consertar

Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
Não por um motivo meu, ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse, porém por necessidade
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu

Boiadeiro muito tempo, laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente, pela vida segurei
Seguia como num sonho, e boiadeiro era um Rei
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando, as visões se clareando
As visões se clareando, até que um dia acordei

Então não pude seguir, valente em lugar tenente
E dono de gado e gente, porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente

Se você não concordar, não posso me desculpar
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui Rei
Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu, querer mais longe que eu

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte num reino que não tem rei

Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui Rei
Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu,
Por qualquer coisa de seu, querer mais longe que eu

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte num reino que não tem rei.

Laiá laiá laiá laiá laiá lá laiá

E “Disparada” de Geraldo Vandré e Théo de Barros…

Aliás, que tal ouvir na voz do próprio Théo de Barros como nasceu Disparada?

“Em 1965 o Vandré me apresentou uma letra muito bonita, bem mais extensa do que a sua letra de Disparada atual e nos dispusemos a fazer uma composição pra inscrever no festival da Record. Em duas noites de trabalho nós conseguimos reduzir a letra dele e inclusive repetir algumas frases pra tornar mais fluente e de mas fácil memorização para o público. Em duas noites eu fiz a música em cima dessa letra que já estava praticamente pronta, né?”

Pois é. O resultado final foi o empate das duas canções, sendo que a canção de Vandré anunciava uma tendência mais crítica sobre a desigualdade social, postura que  marcaria uma parte da MPB.

Em 1968, a juventude do mundo se rebela em vários cantos do planeta e continentes. Em Praga, na Checoslováquia, os jovens se rebelam contra o governo autoritário de esquerda, nos EUA contra a Guerra do Vietnã, na França contra o presidente De Gaulle. Nem o governo moderado alemão escapa à ira dos estudantes. No Brasil, o movimento estudantil tem como alvo o regime militar.

A TV Record serviu de cenário para movimentos artísticos fundamentais da nossa música. Compositores que não abordavam temas “contra o sistema” acabavam sofrendo represálias de companheiros de profissão. Até o momento em que surgiu um pessoal que botou mais lenha na fogueira e virou tudo de cabeça pra baixo: os Tropicalistas. Caetano Veloso, Mutantes, Gilberto Gil, Nara Leão (que havia sido uma das musas da bossa nova) e Tom Zé faziam parte do histórico CD “Tropicália Ou Panis Et Circencis”. O movimento misturou num mesmo caldeirão muitas influências e estilos, e defendia uma única bandeira, acima de tudo: a liberdade de expressão. Para bom entendedor, um recado claro: a favor da liberdade e contra o policiamento, tanto o político da ditadura como o estético da “linha dura” da música popular brasileira. Foi um dos momentos mais criativos da nossa história musical. Mas enquanto a Tropicália quebrava tudo de um lado, Chico Buarque continuava a provocar de outro.

Apesar de você
Chico Buarque

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

Esta é APESAR DE VOCÊ, lançada em 1970. Chico tentou convencer a censura de que a canção contava apenas a história de uma briga de casal. A desculpa colou até alguém com dois neurônios prestar atenção e proibir que a música fosse tocada nas rádios.

O grande instrumento da censura foi o Ato Institucional Número Cinco, quinto de uma série de decretos emitidos pela ditadura militar nos anos seguintes a 1964. Promulgado pelo presidente Artur da Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968, o AI 5 foi a dura resposta a um discurso do deputado Márcio Moreira Alves pedindo às jovens brasileiras que não namorassem oficiais do Exército. O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi um instrumento de poder que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira e maior consequência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano. Pois encontrei o discurso que foi a gota d´água para o AI5. Ouça só. É um ator que interpreta o papel de Marcio Moreira Alves, pois a gravação original já não existe, mas no final é o próprio Marcio que comenta seu discurso.

Íntegra do discurso de Márcio Moreira Alves

“Senhor presidente, senhores deputados,

Todos reconhecem ou dizem reconhecer que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No entanto, isto não basta.

É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das mulheres, como já começou a se estabelecer nesta Casa, por parte das mulheres parlamentares da Arena, o boicote ao militarismo. Vem aí o 7 de setembro.

As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Seria necessário que cada pai, cada mãe, se compenetrasse de que a presença dos seus filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile.

Esse boicote pode passar também, sempre falando de mulheres, às moças. Aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje, no Brasil, que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa àqueles que vilipendiam-nas.

Recusassem aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam. Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das forças armadas, falando e agindo em seu nome. Creia-me senhor presidente, que é possível resolver esta farsa, esta democratura, este falso impedimento pelo boicote. Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre os civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia.

Só assim conseguiremos fazer com que os silenciosos que não compactuam com os desmandos de seus chefes, sigam o magnífico exemplo dos 14 oficiais de Crateús que tiveram a coragem e a hombridade de, publicamente, se manifestarem contra um ato ilegal e arbitrário dos seus superiores.”

Comentário de Márcio Moreira Alves

“Foi um discurso de cinco minutos baseado na história da Lisístrata que é uma peça sobre as mulheres de Atenas que se recusam a se encontrar com os maridos enquanto eles não lutassem contra Esparta e derrotassem e estava passando em São Paulo montada pela Ruth Escobar, que eu havia visto e me deu a ideia de fazer essa provocação. Uma coisa sem consequências, sem importância…”

Sem importância, é? Você ouviu uma dramatização dos discurso, seguido de comentário do próprio Márcio Moreira Alves. Aquele discurso foi a gota d ‘água, cópia dele foi distribuída em todos os quartéis do Brasil e as palavras duras do deputado geraram um pedido do Ministro da Justiça para que ele fosse processado. O pedido foi negado numa cessão histórica da Câmara em 11 de dezembro de 1968, que terminou com os deputados cantando o hino nacional. E dessa negativa nasceu o dragão.

É proibido proibir
Caetano Veloso

A mãe da virgem diz que não.
E o anúncio da televisão.
E estava escrito no portão.
E o maestro ergueu o dedo.
E além da porta há o porteiro, sim.
Eu digo não.
Eu digo não ao não.
Eu digo.
É proibido proibir.
É proibido proibir.
É proibido proibir.
É proibido proibir.

Me dê um beijo, meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estátuas, as estantes
As vidraças, louças, livros, sim
Eu digo sim
Eu digo não ao não
Eu digo
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir

Você está ouvindo Caetano Veloso com É PROIBIDO PROIBIR. Ele defendeu essa música no III Festival Internacional da Canção organizado pela TV Globo em 1968, criado como o intuito de concorrer com a Record de São Paulo. Eu já apresentei a gravação daquela apresentação no Café Brasil 500, com  vários comentários, mas preciso colocá-la aqui outra vez.

Caetano estava acompanhado pelos Mutantes e foi recebido com vaias, ofensas, ovos e tomates. Surgiu então um dos momentos mais marcantes da história da música popular brasileira, quando Caetano responde com um discurso radical que entrou para a história dos festivais.

caetano

Com o endurecimento do regime, os festivais vão perdendo a força, mas mesmo assim continuariam revelando grandes nomes como Raul Seixas, Walter Franco e um outro maluco beleza, que trouxe uma provocação que pouca gente percebeu. Sérgio Sampaio!

Eu quero é botar meu bloco na rua
Sérgio Sampaio

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos nisso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval…
Eu quero é botar meu bloco na rua

Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Então! Pra quem é bobinho e pensou que o Bloco a que Sérgio Sampaio se referia era o de carnaval, muda tudo quando colocamos sua música sob a perspectiva da contestação ao regime.

A censura se fazia presente de muitas formas. Uma das mais bizarras era quando a gravadora lançava a música, usando artifícios de estúdio para encobrir as palavras que não podiam ser ditas, como por exemplo os aplausos de uma platéia falsa. Era um estupro musical, que até hoje não entendo como é que foi justificado. Ouça só…

Bárbara
Chico Buarque
Ruy Guerra

Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor, vem me buscar

O meu destino é caminhar assim
Desesperada e nua
Sabendo que no fim da noite serei tua
Deixa eu te proteger do mal, dos medos e da chuva
Acumulando de prazeres teu leito de viúva

Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar

Vamos ceder enfim à tentação
Das nossas bocas cruas
E mergulhar no poço escuro de nós duas
Vamos viver agonizando uma paixão vadia
Maravilhosa e transbordante, feito uma hemorragia

Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar
Bárbara

Ouviu, hein? O Lalá quase teve uma síncope aqui! Essa é “Bárbara”, composição de Chico Buarque e Ruy Guerra. Esta versão foi publicada com a censura no verso onde Caetano canta “e mergulhar no poço escuro de nós duas”. Era uma evidente alusão a uma relação homossexual que não podia ser admitida no início dos anos setenta. Fala verdade, é ridículo, não é?

O Presidente Ernesto Geisel no final do ano de 1978, revoga o AI-5, permitindo à sociedade brasileira respirar mais aliviada, a partir de 1979. Afinal, a realidade mudara muito. Os operários do ABC, já faziam greves e os estudantes retomavam as ruas com manifestações.  Depois de forte mobilização pela anistia, o novo Presidente General João Batista Figueiredo assina o Decreto de Anistia encerrando uma década difícil com esperanças. Anistia ampla geral e irrestrita foi a conquista daqueles anos de luta. E mais uma vez a luta ficou imortalizada pela música, Com o “O bêbado e o equilibrista” de Aldir Blanc e João Bosco, na voz de Elis Regina.

Encontrei um relato muito legal no site musicasdahistoria.blogspot.com.br o link está no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br. (http://musicasdahistoria.blogspot.com.br/2010/03/fascinante-o-bebado-e-equilibrista-de.html ).

O relato diz assim ó: “Sensibilizado com o falecimento de Charlie Chaplin, João Bosco compôs uma linda melodia em sua homenagem e chamou Aldir para mostrá-la. Aldir letrou a música e fez uma singela homenagem ao rimar ‘Brasil’ com ‘irmão do Henfil’, esta rima, que por sua vez teve papel de emoção, mobilização, transformação e incentivo a uma nação reprimida. Aldir afirmou que se dissesse ‘Betinho’, ninguém reconheceria, a referência ao irmão Henfil era mais forte, ele já tinha fama na época, enquanto a imagem pública de Betinho veio a se formar com força já pelos anos noventa, principalmente após a criação da ‘Ação da Cidadania’. Herbert de Souza, o Betinho, ouviu pela primeira vez a canção, na doce voz de Elis, exilado no México. Seu irmão o telefonou e pôs, sem nada avisar, para que ouvisse. Ao enviar a fita cassete, Henfil escreveu um recado: ‘Mano velho, prepare-se! Agora nós temos um hino e quem tem um hino faz uma revolução!'”

Aqui você ouvirá Elis cantando a música ao vivo, emocionada, numa noite muito, mas muito especial…

Pois é… O que aconteceu em 1964 foi uma revolução ou foi um golpe? Há quem diga que a ditadura foi necessária. Há quem sinta calafrios só de falar dos militares. As mortes causadas pela direita são mais ruins que as causadas pela esquerda? Como seria o Brasil se não tivesse acontecido a ditadura, hein? Perguntas, perguntas, perguntas… Bom, isso dá conteúdo para outro programa. Uma hora dessas eu faço.

Pesadelo
Paulo César Pinheiro
Maurício Tapajós

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã

E é assim então, ao som do “Pesadelo” de Paulo Cesar Pinheiro e Mauricio Tapajós, com o MPB4, um dos mais fortes brados contra a ditadura, que este Café Brasil vai saindo de mansinho.

Com o militante Lalá Moreira na técnica, a revolucionária Ciça Camargo na produção e eu, este herói da resistência, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Pablo Barroso, Caetano Veloso, Elis Regina, Jair Rodrigues, Théo de Barros, Chico Buarque, Duo Fel, Geraldo Vandré, MPB4, Sérgio Sampaio. Ah, e o Deputado Marcio Moreira Alves.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá, vale a pena: facebook.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país: 55 11 96429 4746. Não se esqueça também do Telegram. Temos lá o canal Café Brasil.

E se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer contribuir, vem pra cá, cara! Vem pra Confraria do Café Brasil que tá pegando fogo. A gente já está com mais de 900 pessoas nela e lá no grupo do Telegram o pessoal trocando ideia um com o outro, tem 500 pessoas já. Aproveite. Pra aderir você entra no portalcafebrasil.com.br e clica ali no banner do cérebro tanquinho.

Pra encerrar, uma frase bomba do escritor francês Victor Hugo:

Quando a ditadura é um fato, a revolução se transforma num direito.