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Luciano Pires -

Vale a pena desfazer uma amizade por causa de política, hein? Acho que essa é uma pergunta importante num momento de alta temperatura política como o que vivemos hoje aqui no Brasil. Já tratei desse tema anteriormente, mas o bicho tá pegando mais. Hora de voltar ao assunto.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja. Bom dia, boa tarde, boa noite. Esse é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me Engana Que Eu Gosto é o Alexandre Maia, de Belzonte:

“Fala Luciano! acabei de ouvir “Ela é petista e minha amiga”. Queria deixar um ponto de vista aqui que é o seguinte: esse lance de ser de um partido ou ser de outro eu acho que cada vez mais a gente tem que pensar num todo, ou seja, a gente está num pontinho azul viajando não sei quantos mil quilômetros por hora por essa imensidão afora e a gente fica nessa de partido, partido, não sei que direita, esquerda… acho que a gente tem que cada vez mais fazer a sociedade pensar, a sociedade civil pensar como um todo, a gente está aqui, a gente tem que agir junto. Tem um debate entre o Lula e o Enéas, que o Enéas chega e argumenta pro Lula: Lula, você sabia que  pra pilotar um avião você precisa de um manual pro avião não cair? Ou você só tem opinião sobre isso? Você sabia dos problemas reais de energia das nossas hidrelétricas? Você sabe sobre isso ou só tem opinião? E o Lula aquele jeitão o que é isso companheiro, você tá prejudicando a classe trabalhadora, bababa, enfim… o que eu quero dizer é o seguinte: a gente não precisa de governo, a tecnologia está mostrando isso, cada vez mais. A gente precisa sim de algo baseado na ciência e na tecnologia, não outro ismo, não outra opinião fundamentada em nada. A gente precisa de algo certo, a gente precisa de tecs trabalhando, engenheiros, médicos, essa turma que estuda, que tem que tá no poder mesmo, direcionando o nosso futuro. E é isso aí. Parabéns aí pelos podcasts. Tamo junto. Abraço.”

Pois é Alexandre, parece que estamos vivendo um aumento diário de temperatura e na minha visão isso é um processo de depuração. Fazer a sociedade pensar como um todo é um desafio e no fundo esses confrontos estão servindo para revelar os intolerantes, os mentirosos, os dissimulados, os ignorantes. Eu acho que isso no final será bom, sabe? Vai servir para filtrar amizades e escolher com quem vale a pena gastar nosso tempo de vida. Mas uma coisa é importante lembrar: uma amizade desfeita por causa de política, talvez não fosse uma amizade verdadeira…

Muito bem. O Alexandre receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Ei ! Vai pegar fogo, Belzonte, cara!PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Tá cheio de gente aqui, acho que vou falar pra turma entrar aqui e fazer como amiguinho, como amigo mas isso vai dar uma confusão. Então vou fazer o seguinte: eu faço sozinho, tá bom?

Na hora do amor, use Prudence.

Olha só… Amigos para sempre, de Andrew Lloyd Weber, com Fred Menezes, direto lá da Ponta de Humaitá em Salvador, naquele por do sol dos Domingos Instrumentais…

Começo com um dos comentários que recebi esta semana no Facebook:

“Luciano Pires, há anos acompanho seus textos e com muita tristeza, porém sem outra saída, deixo de te seguir hoje. Sempre tive algumas opiniões que divergiam das suas, o que é natural, mas o que vem acontecendo nos últimas dias saiu fora do que considero procedente, a ponto de não conseguir ignorar mais. Não são somente os textos tendenciosos, mas também a ausência daqueles que esperávamos que você faria, nos alertando e abrindo os nossos olhos do que realmente está acontecendo. Com tudo, a conclusão a que chego, é que infelizmente, você faz parte do desastre midiático brasileiro no qual nos encontramos, abafando, desviando e nos cegando com relação àquilo que realmente devemos nos proteger. A princípio, achei que estivesse tão enganado quanto nós, mas agora sei que você também faz parte deles. Sinto pelo desperdício de talento.”

Pois é. É uma moça que decide deixar de me seguir por conta de minhas escolhas políticas. Eu não estava dizendo o que ela gostaria que eu dissesse, então ela me deu unfollow…

Tenho uma média de 23 descurtidas por dia no Facebook, de gente que deixa de me seguir pelas mais diversas razões, da discordância política à religiosa, da indignação com uma piada à indignação com meu machismo ou então meu feminismo… Considero que isso é normal, cada um com sua escolha. Mas se a média de descurtidas é 23, a de curtidas é 152, quase sete vezes mais. Portanto acho que estou indo bem, viu. Aliás, fui ver quantos amigos em comum tenho nas páginas do Bolsonaro de do Jean Wyllys, deu 7 pro Bolsonaro e 6 para o Wyllys. Eu fui atacado tanto pelos bolsonetes quanto pelos wyllysetes quando critiquei ambos…

Então meu,  tá equilibrado.

É… mas nem tanto. Perdi amizades, inclusive entre alguns podcasters que não se conformam com a minha coxinhês … Tá certo, não era assim uma amizaaaaadee, daquelas de frequentar a casa, mas era uma simpatia e carinho que se foram.

Esse som maravilhoso é Chorando Por Amizade, com Yamandú Costa, música dele mesmo. Yamandú é outro sócio do Café Brasil…

Então vem a pergunta: vale a pena perder uma amizade por causa de política? Vou começar com partes de um texto do jornalista Alexandre Inagaki em seu blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso. O Alexandre diz assim:

Há uma onda de postagens no Facebook de pessoas pesquisando por amigos que são fãs da página do Jair Bolsonaro e desfazendo amizades. Perguntar não ofende, algumas respostas provavelmente sim: será que vale a pena adotar este tipo de atitude em vez de tentar iniciar algum diálogo de esclarecimento? No calor deste momento, lembrei de uma citação do jornalista Alon Feuerwerker sobre o assunto:

Não brigue com seu amigo por causa da política. Depois os políticos se entendem, mas você perdeu um amigo.

Essa convicção, de que não vale a pena desfazer uma amizade por causa de política, tem passado por uma série de abalos nos últimos tempos. (…)

É inevitável citar aqui a armadilha do filtro-bolha: se eu só sigo gente que concorda com a minha visão política, os likes e comentários que recebo em minhas postagens não passarão de manifestações de uma claque de pessoas já convertidas. (…)

Na vida online é até simples você se esquivar destas pessoas de quem você discorda, mas você não poderá ignorá-las quando elas se manifestarem no elevador do seu prédio, no táxi que você pegar, no escritório em que você trabalha, na escola em que seus filhos são educados.

E é por essas e outras que eu insisto com a filosofia de manter amigos de diversas correntes ideológicas e orientações religiosas em minha timeline, que me ajudam a enxergar a realidade sob diversos prismas, repensar constantemente certezas que não devem ser definitivas e tentar buscar o convívio amistoso com diferenças. (…)

Em Um Encontro, coleção de ensaios publicada no Brasil pela Companhia das Letras, Milan Kundera dedicou um texto para falar dos desafios que uma amizade enfrenta quando submetida ao desafio de opor duas convicções opostas. Vale pensar nas reflexões feitas por Kundera:

Em nosso tempo, aprendemos a submeter a amizade ao que chamamos de convicções. E até mesmo à fidelidade de uma retidão moral. De fato, é preciso ter muita maturidade para compreender que a opinião que defendemos é apenas nossa hipótese preferida, necessariamente imperfeita, provavelmente transitória, que apenas os mais obtusos podem transformar em uma certeza ou verdade. Ao contrário de uma fidelidade pueril a uma convicção, a fidelidade a um amigo é uma virtude, talvez a única, a derradeira. Hoje, eu sei: na hora do balanço final, a ferida mais dolorosa é a das amizades feridas. E nada é mais tolo do que sacrificar uma amizade pela política.

Para encerrar: a respeito das decepções que provavelmente todos nós tivemos ao longo desta crise política, independente de orientação ideológica, me foi inevitável lembrar desta afirmação de Millôr Fernandes:

Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.

Amigo velho
Rosil Cavalcanti

Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou
Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou

Me diga como vai sua distinta família
Como vai aquela jóia que é sua linda filha
Como vai seu filho, tipo do rapaz perfeito
E sua senhora, lhe transmito meu respeito

Amigo velho foi prazer ter lhe encontrado
Eis aqui um forte abraço desse seu menor criado

Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou
Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou

Você está mais forte, bem disposto e humorado
Parece vender saúde, deve andar bem sossegado
Logo que cheguei, pretendia lhe avistar
Porém lhe vendo agora, quero lhe cumprimentar
Amigo velho depois eu falo consigo
Dê licença a seu amigo, que ele tem que trabalhar

Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou
Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou

Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou
Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou

Você está mais forte, bem disposto e humorado
Parece vender saúde, deve andar bem sossegado
Logo que cheguei, pretendia lhe avistar
Porém lhe vendo agora, quero lhe cumprimentar
Amigo velho depois eu falo consigo
Dê licença a seu amigo, que ele tem que trabalhar

Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou
Ô amigo velho, como vai, como passou?
Pedi notícia sua, porém você não mandou

Opa! Meste Lua no Café Brasil! Esse é Luiz Gonzaga com Amigo Velho, de Rosil Cavalcanti.

Muito bem! Vamos então para a Escolinha do Professor Luciano? Algumas dicas pra ajudar a conviver com as pessoas que pensam diferente da gente. É parecido com aquele outro programa onde eu já falei sobre o assunto mas, é…, eu falava lá como conviver com críticas. Aqui é vamos tentar conviver com pessoas que pensam diferente.

Ô Lalá! Bota aí aquela musiquinha que você gosta tanto…

Primeira dica: Respire beeeeeemmmfundo antes de responder. Eu faço isso toda vez, e quando não faço, quando respondo de bate pronto, invariavelmente eu me arrependo. Sempre pareço um grosso. Logo eu que sou essa pessoa tão polida… Conforme aumenta a temperatura da troca de comentários, é fácil sacar a arma para atirar o mais rápido possível. Quem se entrega ao reflexo, deixa de lado o raciocínio. E uma vez o comentário feito, é praticamente impossível de desfazê-lo, mesmo que você consiga deletá-lo. É como aquela pasta de dente da Dilma, que não volta pro dentifrício…

Use a tecnologia! O facebook tem alguns recursos que permitem que você dê o unfollow ou esconda comentários indesejáveis. Use os recursos para se livrar de algumas pessoas, sem que elas nem mesmo percebam isso.

Tente olhar sob uma perspectiva ampla.  Em muitos casos você é amigo ou amiga dessa pessoa, mesmo que virtualmente, e isso acontece por alguma razão. Coloque a razão dessa amizade em primeiro lugar: vale a pena perder a amizade para defender o seu ponto de vista? É sempre bom lembrar que ter amigos com pontos de vistas diferentes é muito bom, que nem falou o Alexandre lá… E esses amigos são antes de tudo seres humanos, que não são definidos por suas preferências políticas. Mas se as suas postagens no Facebook passam a impressão de que você e seu amigo ou amiga se definem sim por suas ideias políticas, então vocês têm um baita problema. Nesse caso é melhor dar um tempo até a temperatura política baixar.

Dê um passo para trás ou pra fora. Se você perceber que está se envolvendo demais com as discussões políticas nas mídias sociais, que isso está matando o seu tempo,  está afetando seu dia a dia, recue. Proteja-se. Limite o tempo de permanência, filtre os comentários  e posts que você vai ler, encerre a discussão, meu! Mantenha o controle, crie um limite e respeite-o.

Mantenha-se informado. A quantidade de mentiras, de bobagens que circula pela internet é absurda, infinita. No Facebook então… Cuidado para você não contribuir para a circulação dessas mentiras, ao compartilhar automaticamente cada absurdo que você vê lê.

Cuidado com as provocações. Eu recebo diariamente comentários que são pura provocação. Através de uma ironia, um sarcasmo, uma piadinha e – especialmente – dando a meus posts e comentários significados que eu não escrevi, as pessoas tentam me provocar a entrar em discussões. Sempre que percebo que é essa a intenção, simplesmente ignoro a pessoa. Alguns são insistentes e vão para as mensagens privadas. E quase sempre tomam, sabe o que? Um block.

Aliás, o block é a função mais abençoada do Facebook. Ele tira da sua vida as pessoas indesejadas. E você nem tem de cuspir nelas…

Ele é corno mas é meu amigo
Tiririca

Amizade é a melhor coisa do mundo
Num amigo de verdade não se vê defeito
Como disse o poeta:
O amigo é pra se guardar no lado esquerdo do peito

Amizade é a melhor coisa do mundo
Num amigo de verdade não se vê defeito
Como disse o poeta:
O amigo é pra se guardar no lado esquerdo do peito

Ele é corno, mas é meu amigo
Ele é viado, mas é meu amigo
Ele é baitola, mas é meu amigo
Ele pode ter defeitos, mas é meu amigo

Ele é corno, mas é meu amigo
Ele é viado, mas é meu amigo
Queima a arruela, mas é meu amigo
Ele pode ter defeitos, mas é meu amigo

Um amigo é pra acudir o outro
Eu to aqui pra acudir você
Um amigo com defeitos é pouco
Se o amigo é de verdade defeitos nele não vê

Ele é corno, mas é meu amigo
Ele é viado, mas é meu amigo
Ele é briguento, mas é meu amigo
Pode ser fofoqueiro, mas é meu amigo

Ele é corno, mas é meu amigo
Ele é viado, mas é meu amigo
Queima a arruela, mas é meu amigo
Ele pode ser briguento, mas é meu amigo

Eu acho o seguinte,
Eu acho que tirando todos os defeitos
Ele é uma pessoa excelente!

Um amigo é pra acudir o outro
Eu to aqui pra acudir você
Um amigo com defeitos é pouco
Se o amigo é de verdade defeitos nele não vê

Ele é corno, mas é meu amigo
Ele é viado, mas é meu amigo
Ele é ladrão, mas é meu amigo
Ele pode ter defeitos, mas é meu amigo

Ele é corno, mas é meu amigo
Ele é viado, mas é meu amigo
Queima a arruela, mas é meu amigo
Ele pode ser briguento, mas é meu amigo

Olha não importa o que ele seja,
Ele é tudo que não presta
O importante é que ele é meu amigo
Eu não to nem ai pro que falam

Ele é corno, mas é meu amigo
Ele é viado, mas é meu amigo
Queima a arruela, mas é meu amigo
Ele pode ser briguento, mas é meu amigo

Não importa o que ele seja
O importante é que ele é meu amigo
E eu tenho ele no meu coraçãozinho

Opa! Sua excelência Tiririca novamente no Café Brasil….

Muito bem. Mas você reparou que este programa trata de perder amizades, perder amigos por causa de política? Quando uso o adjetivo “amigo” ou o substantivo “amizade”, eu me refiro a  um sentimento de afeição e simpatia recíprocas entre dois ou mais entes. Sacou? Sentimento de afeição recíproco. E isso só acontece entre pessoas que se respeitam.

Quando o sujeito ou a sujeita entram chutando o balde, xingando ou cuspindo, não existe mais respeito. E aí faz todo sentido dar o block, o unfollow.

No fundo tudo se resume a uma questão de civilidade, que é aquele conjunto de princípios que regem o convívio social do homem, em harmonia. Quem obedece aos princípios da civilidade é uma pessoa educada, preocupada em viver bem e fazer os outros felizes. Civilidade tem a ver com a forma como lidamos com nossos oponentes políticos e não com a negação das diferenças políticas. Sacou? Civilidade tem a ver com a forma como convivemos com a diferenças e não como negamos as diferenças.

Mantenha uma coisa em perspectiva: quando digo que uma amizade não pode ser desfeita por desavenças políticas, eu não estou negando a importância dessas desavenças. Nossas vidas serão dramaticamente afetadas pelas pessoas que escolhermos para exercer o poder. Não é negando nossas convicções para evitar o confronto de ideias com os amigos que vamos resolver a questão. Não. Quem nega suas convicções para não magoar os outros, transfere a esses outros o poder.

É muito raro encontrar alguém que concorde com 100% de nossas opiniões. A regra é que surjam sempre discordâncias, mas é preciso lembrar que ideias têm consequências, viu? Existem certos valores íntimos que, se não forem compartilhados, impedem que uma amizade verdadeira permaneça.

Comigo aconteceu algumas vezes. Me afastei de um amigo quando descobri que ele agredia a esposa. Eu não dei nem chance, não fui conversar, simplesmente cortei os laços. Me afastei de um sócio ao perceber que era um mentiroso contumaz, mesmo que nunca tivesse mentido para mim.  Não admito manter relações de amizade com quem acha que agredir outra pessoa possa ser aceito de qualquer forma racional. Não. Desse valor eu não abro mão.

Nossos credos, nossos valores jamais devem servir como desculpa para a falta de decência ou de empatia. Mas nossos credos e valores jamais devem ser postos de lado em nome de uma amizade.

Que difícil, né? Parece tão contraditório. Mas, vamos lá então. Vamos tentar resumir, ó:

Sempre. Sempre estaremos rodeados de pessoas que pensam diferente de nós.  Muitas são familiares, que não escolhemos ter por perto, outras são amigos, que nós escolhemos.  É possível manter relacionamentos, manter o respeito, manter um certo equilíbrio quando da discussão de ideias. Respeito é a palavra certa. Eu respeito quem faz escolhas diferentes das minhas, mesmo que não concorde com elas e quando percebo que a discussão começa a cruzar o limite de meus valores, eu simplesmente me afasto. E deu. Jamais perderei uma amizade por uma discordância política. Até porque amizades que terminam por causa da política, eu já falei lá atras, dificilmente eram amizades.

Mas certamente abrirei mão de uma amizade que me fizer ir contra meus valores fundamentais.

A questão que fica é como fazê-lo. De forma elegante, se afastando, ignorando e deixando para lá? Ou deselegante, com uma agressão, uma cusparada, hein?

Bom aí você escolhe se será com civilidade ou com barbárie.

Cuspir em alguém diz mais sobre você do que sobre quem foi o alvo da cusparada.

E lembre-se também de outro ponto importante: é do mais alto interesse de muita gente que existam essas posições antagônicas. Pautar a discussão da sociedade entre temas que dividem as pessoas vende jornal, vende livro, dá audiência a rádios e televisões. Aumenta o tráfego de blogues. Sustenta os políticos que se colocam como paladinos de cada lado… e assim a máquina vai rodando, sem que você perceba que quem alimenta ela é você.

Hummmm… comecei a falar de manipulação, não é? É, cara! E isso é tema pra outro programa.

Hey, amigo!
Madalena Moog

Hey, amigo!
Te empresto meu chapéu
Que é pra você poder pensar melhor.
Calendários,
Relógios atrasados,
Cores desbotadas numa bolha de sabão.

Ouça, amigo!
120db:
Música eletrônica em anúncios de neon.
Planetários,
Soldados desarmados,
Vozes alteradas numa ordem de prisão.

Bebamos todos os oceanos,
Comamos todas as constelações
Bebamos todos os oceanos,
Comamos todas as constelações
Bebamos todos os oceanos,
Comamos todas as constelações
Bebamos todos os oceanos,
Comamos todas as constelações…

E é assim então, ao som de Hey, amigo, com Patativa Moog, Valter Pedrosa, Jansen Carvalho e Marcondes Orange, que compõem a banda paraibana Madalena Moog, que este Café Brasil vai saindo de mansinho.

Com meu amiguinho Lalá Moreira na técnica, minha amiguinha Ciça Camargo na produção e eu, este coração que tem uma pessoa por fora, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Alexandre Maia, os ouvintes visitantes Rafael Cerqueira, Felipe Firmo, Alexandre Inagaki, a banda Madalena Moog, Yamandú Costa, Luiz Gonzaga, Fred Menezes e, mais uma vez, nossa excelência Tiririca.

O Café Brasil só chega até você sabe por que? Porque um dia a Nakata também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá, vale a pena: facebook.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha, tá cheio de livros, de e-books, de podbooks, no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país: 55 11 96429 4746. E também não esqueça. Estamos no Telegram com o Canal Café Brasil.

E se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil, se você acha que tem valor no conteúdo do Café Brasil cara, vem pra cá! Entre na Confraria! Acesse podcastcafebrasil.com.br, clique no link CONTRIBUA e participe de um grupo que tá começando… vai mudar “as coisa” cara! Fica de olho!

E pra terminar, uma frase de Tocqueville pra ferver miolos:

Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades.