Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Uma reunião para ser objeto de estudo em qualquer aula ...

Ver mais

#TransgressaoEhIsso
#TransgressaoEhIsso
Transgredir é muito mais que pintar o rosto, urinar na ...

Ver mais

Vem aí o Cafezinho
Vem aí o Cafezinho
Nasce nesta segunda, 4/9 o CAFEZINHO, podcast ...

Ver mais

Educação adulta
Educação adulta
Preocupados demais com a educação de nossos filhos, ...

Ver mais

596 – A complicada arte de ver – revisitado
596 – A complicada arte de ver – revisitado
“A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o ...

Ver mais

595 – A empatia positiva
595 – A empatia positiva
Se você construir uma linha emocional imaginária, numa ...

Ver mais

594 – Sultans of Swing
594 – Sultans of Swing
Láááááá em 1977 uma obscura banda inglesa começou a ...

Ver mais

593 – Chororô
593 – Chororô
Uma das reações mais lindas do ser humano tem sido ...

Ver mais

LíderCast 96 – Ricardo Geromel
LíderCast 96 – Ricardo Geromel
Ricardo Geromel, que sai do Brasil para jogar futebol, ...

Ver mais

LíderCast 95 – Pascoal da Conceição
LíderCast 95 – Pascoal da Conceição
Pascoal da Conceição, que fala sobre a vida de ator no ...

Ver mais

LíderCast 94 – Marcelo e Evelyn Barbisan
LíderCast 94 – Marcelo e Evelyn Barbisan
Marcelo e Evelyn Barbisan. O Marcelo é médico, a Evelyn ...

Ver mais

LíderCast 93 – Max Oliveira
LíderCast 93 – Max Oliveira
Max Oliveira, empreendedor que fundou a Max Milhas, uma ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 08 Já falei ...

Ver mais

País de Santos
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Há dias um assunto artificialmente inflado ocupa sites e jornais: A posse interrompida da ex-quase-futura ministra do Trabalho, deputada federal Cristiane Brasil (PTB/RJ), filha do conhecido ...

Ver mais

Jonatan, o Tolo
Bruno Garschagen
Ciência Política
Jonatan é o tolo cuja credulidade fantasiosa corrompeu qualquer traço de inocência

Ver mais

Projeções econômicas do Brasil para 2018
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Projeções econômicas do Brasil para 2018[1] Com uma sólida formação humanista, um economista pode afirmar que quanto menor a intervenção do Estado na economia de mercado, mais rico será este país ...

Ver mais

Vale fazer um curso universitário se as profissões vão desaparecer?
Mauro Segura
Transformação
Numa perspectiva de que tudo muda o tempo todo, será que vale a pena sentar num banco de universidade para se formar numa profissão que vai desaparecer ou se transformar nos próximos anos?

Ver mais

Cafezinho 38 – A agarra
Cafezinho 38 – A agarra
Basta implantar uma dúvida, uma agarra... e pronto! A ...

Ver mais

Cafezinho 37 – Sobre críticas
Cafezinho 37 – Sobre críticas
Saber avaliar as críticas é fundamental, mas saber ...

Ver mais

Cafezinho 36 – Velhos problemas
Cafezinho 36 – Velhos problemas
O Brasil não tem problemas novos.

Ver mais

Cafezinho 35 – Pocahontas
Cafezinho 35 – Pocahontas
Geração não é horóscopo. É contexto.

Ver mais

502 – Um coxinha.

502 – Um coxinha.

Luciano Pires -

Eu coxinho, tu coxinhas, ele coxinha. Nós coxinhamos, vos coxinhais, eles coxinham. Que tal, hein? Você já foi chamado de coxinha? Já chamou alguém de coxinha? Sabe o que é coxinha? Pensando bem, acho que quase todo mundo é coxinha, cara… Vamos ver?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de um livro meu que ele vai escolher é o Thiago, que não sei de onde é, mas que tá em trânsito.

“Luciano Pires. Prazer. Meu nome é Thiago, eu trabalho na Vídeo Cruzeiros e eu estava lendo o seu livro, um livro que você lançou e cara! Acabei o livro agora, ainda estou na emoção de acabar o livro, eu adorei, foi uma experiência incrível, Não concordei com muitas coisas, mas com várias outras, principalmente na hora que você fala e conversa sobre as soluções práticas, você mostra ali, que é tão óbvio, coisas tão óbvias, como acabar com a violência da mesma forma, essa forma que você pensa, na maioridade penal, é exatamente a mesma forma que eu penso, com os meus trinta anos e cara, parece que é tão simples e tão rápido de resolver que me dá até tristeza de lembrar que eles não resolvem isso logo, sabe. Além disso também nossa, foi muito bom, uma experiência ótima, ler o seu livro, eu adorei de verdade, foi um dos melhores livros, dos mais bacanas, que me fizeram pensar muito, muito, em várias coisas que acontecem. E eu também sonho todo dia que a gente possa seguir todos pelo mesmo caminho. Não todos com as mesmas ideias, mas seguirmos todos pelo mesmo caminho, que o nosso inimigo é o mesmo, né. A gente tem os mesmos objetivos, ver o Brasil melhor. Um forte abraço, Luciano. Obrigado por me fazer pensar dias, dias e dias e mais dias e me fazer sempre pensar melhor com o Café Brasil.  Eu estou tentando despocotizar muita gente aqui também e levar muita gente pro podcast também, porque é um dos trabalhos mais bacanas que eu conheço. Forte abraço agora, navegando de Montevideu para Santos e nos vemos logo, em outros podcasts por aí. Forte abraço. Estou esperando para ouvir seu próximo podcast. Té logo!

Valeu Thiago! Bom saber que o Café Brasil te acompanha pelas águas do planeta. Aliás, o seu deve ser o sexto comentário de brasileiros embarcados que ouvem o Café Brasil pelo mundo! Uma hora eu vou fazer um programa só pra eles. E obrigado pelo jabá. O livro a que ele se refere é o ME ENGANA QUE EU GOSTO. E como ele já tem esse, pode escolher outro. Mande um e-mail pra gente!

Muito bem. O Thiago receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Vai usar no balanço do mar, olha que luxo! PRUDENCE é a marca de produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil. Ô turma! Vamos dar um pulinho lá na página da DKT, vVamos hein? Pra dizer pra eles muito obrigado por patrocinar o Café Brasil?

Vamos lá então! O Lalá! como a gente falou do mar aqui, hoje eu quero com maresia.

Na hora do amor, use

Lalá – Prudence.

Olha que delicia esse som… Eu queria para este programa uma trilha que de alguma forma tratasse do Brasil miscigenado e fui encontrar o trabalho de Guga Stroeter e a HB Jazz Combo, chamado Sambatá, que é maravilhoso. Tá tudo aqui ó, os orixás, a batida afro com toques de jazz, uma daquelas misturas que fazem o Brasil ser… Brasil. Curta um pouco, essa chama-se OXAGUIAN…

Quando comecei minha carreira no segmento de autopeças, no começo dos anos oitenta, a turma das lojas de autopeças dizia que sábado era dia dos “coxas brancas”, aquela turma que trabalhava durante a semana e que no sábado botava uma bermuda e ia comprar autopeças, exibindo suas as coxas brancas… Mal sabia eu que 30 anos depois aquelas coxas brancas poderiam ser uma das origens de um termo que ficou conhecido nos últimos tempos: o coxinha.

Vamos ver então como é que a internet, lá no www.significados.com.br define o que é “coxinha”…

Originaria de São Paulo, a palavra coxinha quase sempre tem um sentido depreciativo e indica um indivíduo conservador, que é politicamente correto e que se preocupa em adotar comportamentos que são aceitos pela maioria das pessoas.

Muitas vezes o coxinha é uma pessoa com elevada capacidade financeira, que usa roupas de marca e que frequenta a balada. Outra marca distintiva de um coxinha é a sua preocupação com a sua imagem, sendo que muitas vezes ele passa muito tempo no ginásio, com o objetivo de ficar “rasgado”, uma palavra popular no vocabulário coxinha, que descreve uma pessoa com o corpo definido.

Algumas pessoas são rotuladas como coxinha pela sua forma de falar, com algumas palavras características como “tenso”, “futebas” (que significa futebol), “doleta” (para se referir ao dólar), etc. As palavras “top”, “topíssimo”, “premium” e “insano” são usadas para descrever uma coisa muito boa, que é agradável e satisfaz.

Um coxinha tem semelhanças com um mauricinho e muitas vezes é classificado como um burguês. No entanto, uma das principais coisas que distingue os dois é que o coxinha tem um maior cuidado com a sua aparência física.

A origem desta palavra é incerta, mas algumas pessoas acreditam que inicialmente surgiu para descrever os policiais, cujos carros muitas vezes ficavam estacionados em frente a locais que vendiam coxinhas. Além disso, outra explicação é que os policiais tinham baixo poder aquisitivo e recebiam vales de refeição que muitas vezes só permitiam comprar “coxinhas”, o famoso salgadinho. Assim, os policiais passaram a ser denominados “coxinha”, que mais tarde passou também a descrever pessoas “certinhas”, que seguem as regras a qualquer custo.

Existe também uma origem alternativa, que indica que a designação “coxinha” surgiu graças aos homens “mauricinhos” que usavam bermuda para pegar sol nas coxas.

É a tese daqueles meus tempos de autopeças.

Bem, essa é a definição que aparece na internet. A minha definição, eu aqui Luciano, é a seguinte: coxinha é o termo que a esquerda escolheu para definir “burguês”.

Esse termo, burguês, vem de “burgo”, que é o nome dado às cidades medievais habitadas em sua maioria por mercadores, chamados de “burgueses”.  Com o tempo a burguesia englobou as pessoas que exercem profissões liberais e todos aqueles que estão ligados às altas esferas econômicas e às classes dirigentes. Com a tal luta de classes pregada pelo marxismo, os burgueses passaram a ser os inimigos, pois eles seriam os exploradores dos mais pobres, dos proletários. Criou-se então um ódio à burguesia, que explica muitos dos grandes conflitos que a humanidade viveu especialmente nos últimos 200 anos.

Com o tempo, a classificação de “burguês” passou a ser sinônimo de “classe média”.

Classe média
Max Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mas eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta

Então, você ouviu dona Marilena Chauí, filosofa engajada como se diz por aí, manifestando num evento de comemoração do aniversário do PT em 2013, seu ódio à classe à qual ela e seus alunos pertencem…

Antes dela você ouviu CLASSE MÉDIA, de Max Gonzaga, músico da noite paulistana, dizendo basicamente o mesmo que dona Marilena.

Então, esse mesmo ódio que você ouviu da dona Marilena e do Max Gonzaga é repassado pelas Marilenas Chauís para seus estudantes há pelo menos 50 anos. Você aí, seu classe média, é culpado por todos os males da sociedade. E o aluno vê em sala de aula seus pais empresários serem rotulados de exploradores, fascistas e outros adjetivos. Os mesmos pais que ele vê trabalhando como loucos, gerando empregos, ajudando um monte de gente no dia a dia, reclamando dos impostos e de como a vida é dura. Para aquela garotada, seus pais representam a força da luta, do trabalho, da providência e da afirmação positiva. Igualzinho Oxossi…

Bem, não por acaso, agora você ouve OXOSSI, também com Guga Stroeter e a HB Jazz Combo.

Existe gente como essa descrita por dona Marilena e Max Gonzaga? Claro que sim. Mas eu não me reconheço na descrição deles. Não reconheço meus pais nem minha esposa e muito menos meus filhos. Provavelmente você não se reconheça. Nem reconheça a maioria de seus parentes, amigos e conhecidos.

Então esse tipo de gente descrita por dona Marilena e o Max Gonzaga deve ser minoria, ué. E a simples existência dessa minoria basta para criar aquele estereótipo de classe média, do ignorante, exploradora, insensível e gananciosa? Eu não sei o que você acha, eu acho que não…

Mas olha só, nem dona Marilena, nem os músicos ou intelectuais, nem mesmo os professores, detêm a hegemonia de ensinar à garotada os caminhos para uma vida boa e bem sucedida. Nem são os ricos ou intelectuais que ensinam os pobres como subir na vida. Quem ensina é a classe média, aqueles empresários que, pelo exemplo, mostram a seus filhos e empregados como fazer para chegar lá.

Ou então como não fazer.

Em minha palestra LIDERANÇA NUTRITIVA deixo bem claro: toda pessoa que está em posição de liderança é um professor de ética. Para o bem ou para o mal. Quem está abaixo, na idade ou na classe social, vai se mirar neles, nos mais velhos ou da classe imediatamente superior à sua – e que se lembra de como era ser pobre – para encontrar oseu caminho.

E neste Brasil esquizofrênico, para muita gente que tem voz nas mídias, classe média é saco de pancada. É raiz de todos os males, seus valores e postura política são motivos de chacota. Mas quem age assim é, acima de tudo, ignorante. Sabe porquê, hein? Porque classe média não é de direita nem de esquerda. Classe média é um conceito sociológico e absolutamente diversificado. Abrange, aqui no brasil hoje, quem ganha 800 reais por mês, naquela classificação absurda feita pelo governo, até os que ganham 20 mil por mês. Envolve gente da classe C até a classe A. Como é que dá para fazer isso um bolo homogêneo e pregar nele um rótulo, hein?

A classe média é de centro e liberal, composta em sua maioria de profissionais liberais e de gente que acredita na responsabilidade pessoal, no respeito às leis, nos valores familiares… Mas a ideologia ainda mais atacada no Brasil é justamente o liberalismo, que representa para a direita uma ameaça e para a esquerda a burguesia que precisa ser destruída.

E então a classe média se vê num vácuo, bombardeada de um lado por uma mídia que mistura tudo, de outro pelos intelectuais que a querem destruída e acima de tudo um governo que nela vê a vaca leiteira, pois é ela quem gera empregos, que paga impostos, que crias as inovações, que abre empresas em todos os cantos do país.

Ccoxinha já deixou de ser um rótulo que descreve comportamento social, para ser um xingamento contra quem pensa diferente. Para ilustrar trago um artigo do colunista Artur Xexeo no jornal O Globo, artigo que eu gostaria de ter escrito: Reflexões de um suposto coxinha.

Ao fundo vamos com INGÊNUO com Batista e os Convidados…

Ando sensível. Acho que já contei isso aqui. Choro à toa. Antes era com comercial de margarina, cenas de novela, trechos do filme. Agora, é lendo jornal. Cada notícia da Lava-Jato, de início, me enche de indignação. Em seguida, eu fico triste. É aí que choro. Ando tendo vontade de chorar também em discussões com amigos. Gente que tempos atrás dividia comigo a mesma ideologia hoje se comporta como inimiga. Ou sou eu o inimigo, hein?

De qualquer maneira, num mundo que derrubava muros, de repente, um muro foi erguido para me separar desses amigos. Tento explicar como vejo o trabalho de Sergio Moro e nunca consigo terminar o raciocínio. No meio da discussão, me emociono, fico com vontade de chorar e prefiro interromper o pensamento. “Coxinha”, me xingam nas redes sociais. Bem, se o mundo está obrigatoriamente dividido entre coxinhas e petralhas, não tenho como fugir: eu sou coxinha!

Leio na internet que “coxinha” é uma gíria paulista cujo significado se aproxima muito do ultrapassado “mauricinho”. Mas, desde a reeleição de Dilma, esse conceito se ampliou. Serviu para definir de forma pejorativa os eleitores de Aécio Neves. Seriam todos arrumadinhos, malhadinhos, riquinhos e votavam em seu modelo. Isso não tem nada a ver comigo. Mas, nesta briga de agora, estou do lado que é contra Lula, logo sou contra os petralhas, logo sou coxinha.

Gostaria de falar em nome da democracia. Mas não posso. A democracia agora é direito exclusivo dos meus amigos que estão do outro lado do muro. Só eles podem falar em nome dela. Então, como coxinha assumido, deixo uma pergunta. Vocês acharam muito normal o ex-presidente Lula incentivar os sindicalistas para os quais discursou esta semana a irem mostrar ao juiz Sergio Moro o mal que a Operação Lava-Jato faz à economia brasileira? Vocês acreditam sinceramente nisso? O que a Operação Lava-Jato faz, hein? Caça corruptos pelo país. Não importa se são pobres ou ricos. Não importa se são poderosos. Não era isso o que todos queríamos, quando estávamos todos do mesmo lado, quando ainda não havia um muro nos separando, e fomos às ruas pedir Diretas Já? Não era no que pensávamos quando voltamos às ruas para gritar Fora Collor? E, principalmente, não era nisso que acreditávamos quando votamos em Lula para presidente uma, duas, três, quatro, cinco vezes!!! Não era o Lula quem ia acabar com a corrupção? Ele deixou essa tarefa pro Sergio Moro porque quis.

Como, do lado de cá do muro, me decepcionei com o ex-líder operário, o lado de lá deu pra dizer que sou de direita. Se for verdade, está aí mais um motivo para eu estar com raiva de Lula. Foi ele quem me levou pra direita. Confesso que tenho dificuldades de discutir com qualquer petralha que não se irrita quando Lula diz se identificar com quem faz compras na Rua 25 de Março. Vem cá, já faz tempo que os ternos de Lula são feitos pelo estilista Ricardo Almeida. Será que Ricardo Almeida abriu uma lojinha na rua de comércio popular de São Paulo? Por mim, Lula pode se vestir com o estilista que quiser. Mas ele tem que admitir que o discurso da 25 de Março ficou fora do contexto. A gente não era contra discursos demagógicos? O que mudou, hein?

Meus amigos petralhas dizem que é muito perigoso tornar Sergio Moro um herói. Que o Brasil não precisa de um salvador da pátria. Mas, vem cá, não foi como salvador da pátria que Lula foi convocado para voltar ao governo? Não é ele mesmo quem diz que é “a única pessoa” que pode incendiar este país? Não é ele mesmo quem diz que é a “única pessoa” que pode dar um jeito “nesses meninos” do Ministério Público? Será que o verdadeiro perigo não está do outro lado do muro? Não é lá que estão forjando um salvador da pátria?

Há muitas décadas ouço falar que as empreiteiras brasileiras participam de corrupção. Nunca foi provado. Agora, chegou um juiz do Paraná, que investigava as práticas de malfeito de um doleiro local, e, no desenrolar das investigações, botou na cadeia alguns dos homens mais poderosos do país. Enfim, apareceu alguém que levou a sério a tarefa de desvendar a corrupção que há muitos governos atrapalha o desenvolvimento do país. E, justo agora, quando a gente está chegando ao Brasil que sempre desejamos, Lula e seus soldados querem limites para a investigação. Pensando bem, rejeito a acusação de ser coxinha, rejeito ser enquadrado na direita, rejeito o xingamento de antidemocrata, só porque apoio o juiz Sergio Moro e a Operação Lava-Jato. Coxinha é o Lula que se veste com Ricardo Almeida e mantém uma adega de razoáveis proporções no sítio de Atibaia.

E, para encerrar, roubo dos petralhas sua palavra de ordem: sinto muito, mas não vai ter golpe. Sergio Moro vai ficar.

Esse é o TEMA TEIMOSO com o fantástico João Donato Trio. Um pouco mais de brazilian Jazz no Café Brasil!

Vamos recapitular então, hein? O termo “burguês” envelheceu, junto com as ideologias que alimentam o ódio entre classes e ficou meio estranho xingar alguém com esse adjetivo. Pegava mal para o xingador, que revelava ali seu ranço ideológico jurássico. Surgiu então o “coxinha”, para quebrar o galho. Fica como piadinha e tá tudo bem. A esquizofrenia está em perceber que a maioria dos esquerdistas que eu conheço cabe direitinho na classificação de coxinha cara…

Bem, o que fazer então?

Olha, tenho vários conhecidos que ficam inconformados com alguns comentários em posts de meu Facebook, de gente me chamando de coxinha.

– Pô, Luciano, estão te xingando e você deixa lá é?

Querem que eu use minha lei do ofendeu – bloqueou.

Mas eu não bloqueio, sabe por quê? Porque me chamar de coxinha é como me chamar de corinthiano ou de católico… Onde o xingador vê defeitos eu vejo virtudes… Não considero “coxinha” como um xingamento. Quando alguém tenta me xingar, eu aplico aquele ensinamento que já usei aqui mais de uma vez: quando alguém me traz um presente e não aceito, o presente volta para quem trouxe. Quando alguém me traz uma ofensa e eu não a aceito, a ofensa volta para quem a trouxe.

É simples assim.

Não é nada meu
Boca Nervosa

Não é nada meu
Não é nada meu
Excelência eu não tenho nada
Isso é tudo de amigos meus

E o tríplex na praia me diga de quem é?
É de um amigo meu
E o sítio de Atibaia?
É de um amigo meu
E aquela fundação que carrega o seu nome?
É de um amigo meu
E aquela ilha que o senhor descansa?
É de um amigo meu
Quem paga a suas contas e suas mordomias?
São uns amigos meus
E aquele jatinho que o senhor usa?
É de um amigo meu
E aquele filho milionário?
Excelência, também não é meu

Não é nada meu
Não é nada meu
Excelência eu não tenho nada
Isso é tudo de amigos meus

Quem é que deu um rombo lá na Petrobrás?
São uns amigos meus
E quem foi o cabeça de um tal mensalão?
É um amigo meu
E o bando que foi preso pela federal?
É tudo amigo meu
Quem deixou o Brasil nessa crise?
Excelência, é tudo amigo meu

E é assim então, ao som de uma homenagem a um grande coxinha, NÃO É NADA MEU, de Boca Nervosa, que vamos saindo com samba no pé. Bem coxinha…

Com o isentão Lalá Moreira na técnica, a petralha Ciça Camargo na produção e eu, este grande coxinha Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Thiago, João Donato Trio, Batista e Convidados, Max Gonzaga, Marilena Chauí, Boca Nervosa e Guga Stroeter com a HB Jazz Combo.

O Café Brasil chega até você porque a Nakata também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe né, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook meu,  repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá, vale a pena: facebook.com/compontesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. Se você está fora do país: 55 11 96429 4746. E também estamos no Viber, com o grupo Podcast Café Brasil.

E se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer contribuir, olha só, agora é possível fazer uma assinatura do programa. Acesse podcastcafebrasil.com.br, vem pra nossa confraria, clique no link CONTRIBUA para saber mais.

Pra terminar, uma frase que vi numa camiseta:

Não tente agradar a todos. Você não é uma coxinha.