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498 – O hiato da aspiração

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Luciano Pires -

Hoje vou tratar do hiato da aspiração. Hiato da aspiração, cara! Você já ouviu falar nisso, hein? Ele trata da diferença entre o que você é ou onde está, com o que você quer ser ou onde você espera estar. A reflexão é fascinante e este programa se alinha diretamente ao 489 A ÂNCORA e indiretamente aos que na sequência trataram de propósito.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera

E quem vai levar o meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é o Jefferson Ribeiro, lá de Montes Claros.

“Fala, Luciano Pires. Beleza? Então, eu queria te parabenizar pelo seu trabalho. Eu acompanho ele há pouco tempo, mais ou menos uns dois meses. Eu,  ultimamente de uns seis meses pra cá virei um ouvinte mais assíduo de podcast e de vez em quando eu e um amigo meu a gente troca figurinha a respeito de podcasts que a gente tem ouvido, que agrega valor, produz um conteúdo bacana e ele me indicou o seu. De fato, gostei bastante e eu também já tinha visto uma entrevista sua no podcast do Murilo Gun, foi quando vocês falaram daquele livro Brasileiros pocotó. Fiquei instigado a ler o livro, li, gostei demais, entendeu, algumas coisas ali eu já concordava, outras abriu a minha mente então, foi uma leitura que me enriqueceu bastante e assim, o podcast seu, acho que ele tem cumprido a proposta à qual você se submete que é de fazer as pessoas pensarem, dá uma visão mais ampla da situação, enfim: o último podcast sobre a carta do Mark Manson aos brasileiros, eu acho que ela revelou um pouco do mais do mesmo, só que não dessa questão como algumas pessoas enxergaram, entenderam, que é de criticar o brasileiro, ou falar: ah! isso é coisa de brasileiro. A questão não é nem essa. A gente vê assim, que o brasileiro ele sabe da situação dele entendeu e usa muito aquela alcunha de ah, não tem como mudar. só que ele não aceita crítica. toda vez que você faz uma crítica ele fala, esse cara não é brasileiro, ele vem aqui criticar o nosso país e tal, aí fica aquele mimimi na internet, algumas pessoas falaram que era uma crítica destrutiva. Então, a coisa que eu acho interessante que é o seguinte: não existe critica construtiva ou destrutiva. Isso aí é desculpa esfarrapada de quem ouve. Porque a crítica, ela vai ser sempre uma crítica, agora, se ela vai ser construtiva ou se ela vai ser destrutiva, isso aí vai depender da forma com que você absorve. Não me importa se um cara age de uma maneira mais ríspida pra apontar pra mim uma crítica o que eu estou falhando. Porque, por mais que a forma com que ele fala acaba me incomodando, se eu conseguir extrair a mensagem daquilo ali e entender o que ele está me falando e conseguir melhorar aquela defasagem, aquela mazela, pronto! Aquela crítica foi construtiva, independente de como ele falou. Pra mim isso é muita desculpa o cara falar, fulano foi isso, mas é só derrubar, crítica destrutiva, eu nao vou escutar, entendeu? Eu acho que toda a crítica é válida. Todas as opiniões que as pessoas tem a fomentar pra mim, eu quero ouvir, vai me dar mais um ponto de observação mas, isso não me dá a obrigatoriedade de seguir. Volta aquela questão, que você bate nessa tecla que eu mencionei um pouco atrás, que é a questão de fazer a gente pensar. Então… só que… eu não preciso pegar nada de ninguém, ler um livro, um artigo, um vídeo no Youtube e tomar aquilo com verdade absoluta. Mas, quando eu vejo aqui que a única capacidade que eu tenho é de me ofender, quando chegar nesse ponto, aí a gente já sabe, que com certeza, a gente já galgou o primeiro degrau, senão vários, pra ser uma pessoa alienada. Então, basicamente é isso, queria agradecer bastante ao trabalho do Café Brasil, a toda a equipe, que tem ajudado muito numa missão que eu adquiri pra mim (incompreensível)…. quem usa muito é o Murilo Gun que é ser um aprendedor, eu busco sempre estar aprendendo coisas novas, conhecimentos, pontos de vista e nesse ponto o Café Brasil tem me ajudado muito, ele está na lista no top ten dos podcasts que eu assisto, gosto muito e a leitura do livro também, já estou pensando em ler o próximo livro seu, tá na minha lista de leitura também e é isso aí, Luciano. Obrigado.”

Grande Jefferson! É, meu caro, esse lance de encarar críticas como algo positivo é complicado, viu? Eu mesmo recebi umas boas bordoadas de gente que ficou nervosa com aquela carta do norte americano e até com a fala da mulher nordestina… Mas fazer o quê, né? Só posso aspirar fundo e provocar os caras mais um pouquinho… Obrigado pelo comentário, mande o endereço pra gente remeter o livro!

Lalá, bota a camisinha.

Muito bem. O Jefferson também vai ganhar um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Atenção Montes Claros! Nadianta iscondê badacama, denduforno ou tradaporta. O Jefesô vai ticatá. E num vai sê um cadim não, viu? PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence.

Vamos lá então, hein dois! Hoje eu quero mineirinho…

Na hora do amor, use

Lalá e Ciça – Prudence uai

Em 1956, o ano em que nasci, enquanto fabricávamos nossos primeiros automóveis no Brasil, os chineses andavam de carro de boi enquanto assistiam impotentes Mao Tse Tung matar de fome entre 50 e 70 milhões de conterrâneos. Os indianos, andavam de elefante enquanto se estranhavam com os paquistaneses e tentavam organizar o país longe da tutela dos ingleses. Os coreanos, andavam a pé por estradas destruídas pela guerra. Aqueles países eram conhecidos pela miséria industrial, política e econômica, gigantescos fracassos, que se apagavam diante da exuberância de um Brasil emergente, campeão do mundo de futebol, criador da bossa nova e que anunciava ao mundo a construção de Brasília, uma revolução arquitetônica. Qualquer um apostaria em nós!

Pois bem. Ao completar 60 anos de idade em 2016,  o que que eu tenho visto, hein?

Os chineses trazendo uma fábrica de automóveis para o Brasil. A importação de carros chineses e até indianos. Da Coréia, então, nem se fala! Importamos tecnologia de quem andava de carro de boi quando já fabricávamos automóveis no Brasil. Levamos cinquenta anos para inverter as apostas. Aqueles mortos de fome nos ultrapassaram!

Mas tem mais, viu?

Em 1971, quando completei 15 anos de idade, a imprensa brasileira mostrava incessantemente as horrorosas imagens de Bangladesh, o país do sul da Ásia, assolado por uma guerra pós independência do Paquistão, que dizimou a população e espalhou o flagelo da fome. George Harrisson organizou o Concerto para Bangladesh naquele ano, na tentativa de amenizar o horror.

Bangla Desh
George Harrison

My friend came to me, with sadness in his eyes
He told me that he wanted help
Before his country dies

Although I couldn’t feel the pain, I knew I had to try
Now I’m asking all of you
To help us save some lives

Bangla Desh, Bangla Desh
Where so many people are dying fast
And it sure looks like a mess
I’ve never seen such distress
Now won’t you lend your hand and understand
Relieve the people of Bangla Desh

Bangla Desh, Bangla Desh
Such a great disaster – I don’t understand
But it sure looks like a mess
I’ve never known such distress
Now please don’t turn away, I want to hear you say
Relieve the people of Bangla Desh
Relieve Bangla Desh

Bangla Desh, Bangla Desh
Now it may seem so far from where we all are
It’s something we can’t neglect
It’s something I can’t neglect
Now won’t you give some bread to get the starving fed
We’ve got to relieve Bangla Desh
Relieve the people of Bangla Desh
We’ve got to relieve Bangla Desh

Bangladesh

Meu amigo veio até mim, com tristeza em seus olhos
Disse-me que queria ajudar
Antes que seu país morresse

Embora eu não pudesse sentir a dor, eu sabia que tinha de tentar
Agora estou falando a todos vocês
Para ajudar-nos a salvar algumas vidas

Bangladesh, Bangladesh
Onde tantas pessoas estão morrendo rápido
E claro que isso parece com uma desordem
Eu nunca vi tal angústia
Agora por que você não empresta a sua mão e tenta
entender? Alivie as pessoas de Bangladesh

Bangladesh, Bangladesh
Como um grande desastre – Eu não entendo
Mas é claro que isso parece uma desordem
Eu nunca soube de tal angústia
Agora por favor, não se desvie, eu quero ouvir você dizer
Alivie o povo de Bangladesh
Alivie Bangladesh

Bangladesh, Bangladesh
Agora isso pode parecer muito longe de onde nós todos estamos
É algo que não podemos negligenciar
É algo que não posso negligenciar
Agora por que você não dá algum pão para conseguir matar a fome
Nós temos de aliviar Bangladesh
Aliviar o povo de Bangladesh
Nós temos de aliviar Bangladesh
Aliviar o povo de Bangladesh

É, meu caro, eu me lembro perfeitamente das imagens em, preto e branco das famílias famélicas suplicando por comida. Imagens chocantes, de desespero, de horror…

Pois bem, com o novo corte do rating pela Standard & Poor’s em fevereiro de 2016, a nota de risco do Brasil iguala-se à da Bolívia, Guatemala e Costa Rica. Mas se prevê que, se nada mudar, devemos cair de nível nos próximos 12 meses. Se isso ocorrer, passaremos à nota BB-, a mesma de Bangladesh, Suriname e República Dominicana.

Sessenta anos depois, corremos o risco de alcançar Bangladesh…

É claro que eu acabo de derrubar o disjuntor de uns aí, aliás, a Ciça caiu no chão ali. Alguém vai levantar ela lá… que vão me acusar de fazer paralelos absurdos, que não dá pra comparar países tão diferentes, e bla bla bla… É aquele argumento de sempre, sabe? Não pode comparar Brasil com Estados Unidos nem com Alemanha, pois são diferentes. E não pode comparar com China nem  com Bangladesh, pois são diferentes. Nem com Chile ou Argentina. Resumo: só podemos comparar o Brasil com o Brasil, não é? E aí começamos a falar que antes era assim, assado, que a educação era melhor, que as pessoas eram mais educadas, que havia mais disposição para lutar… até aparecer alguém pra chamar a gente de saudosista e dizer que não tem cabimento comparar épocas diferentes.

Então não podemos também comparar o Brasil com o Brasil, ué…

Bem, a esta altura uma turma já jogou o celular pela janela, outros estão me xingando enfurecidos… e outra turma está dizendo mentalmente: é isso mesmo!

A proposta que trago a você neste programa é refletir sobre nosso “hiato da aspiração”, vamos lá.

Uia! Isso é ACQUALUNG, o clássico do Jethro Tull, aqui com os violeiros Ricardo Vignini e Zé Helder. O CD chama-se Moda de Rock…

Vamos então ao hiato da aspiração. Alguns também chamam de “hiato da aspiração social”, que é aquele abismo existente entre as aspirações que temos quanto ao futuro do Brasil e a trajetória que seguiremos se continuarmos a pensar e nos comportar do mesmo jeito que fazemos hoje. Podemos falar também de nosso hiato de aspiração pessoal, que é o abismo existente entre o que você quer ser e o que você realmente é, entre onde você quer estar e onde você realmente está.

Por exemplo, se você for perguntar, a expectativa, a aspiração daqueles loucos chineses, indianos e coreanos provavelmente é de conquistar nada menos que o mundo, exatamente como queriam os brasileiros de sessenta anos atrás. Aliás, ouça o LíderCast em que entrevisto Ozires Silva para conhecer a incrível experiência que ele viveu na China, ao ser convidado para fazer parte de um grupo que desenhou a estratégia para a conquista comercial do planeta pelos chineses.

E qual será a expectativa, a aspiração média dos normais brasileiros de 2016, hein? Talvez ter um dinheirinho pra comprar um carrinho? De preferência chinês, que é mais baratinho? E até bonitinho…

Tendo meu carrinho, minha televisão LCD de tela grande, eu tô satisfeito… É assim?

Essa é a aspiração de quem vive na média, acostumado com o que é meio-bom, meio-suficiente, meio-competente, meio-confortável, meio-saudável. A aspiração de quem é meia-boca. De quem não percebe que meio-bom também  é meio-ruim. Meio-honesto é meio-desonesto. Meio-competente é meio-incompetente.

Com que metade você fica, hein?

Voltando ao nosso hiato da aspiração, eu quero cutucar você: qual é o país que você aspira, hein?

Pausa. Estou usando aqui a palavra ASPIRAR e talvez tenha alguém estranhando. Olha só, aspirar quer dizer respirar, levar o ar para os pulmões. É fazer assim, ó:

[aspira forte].

Mas o aspirar que uso neste programa tem a ver com pretender, desejar profundamente. Portanto HIATO DA ASPIRAÇÃO quer dizer a lacuna entre aquilo que desejamos e o que conseguimos obter.

Voltando: qual país você aspira, hein? Que distância ele está do país que você tem hoje? O que é preciso para chegar lá? E onde você se encaixa nessa missão, hein? Você tem o perfil necessário para fazer parte dos que ajudarão os brasileiros a chegar lá? Reconhece que para isso tem de ser mais engajado, que não basta votar (se é que você vota…), mas que é preciso compreender as decisões difíceis que teremos de tomar para obter benefícios de longo prazo para nossa sociedade? Que é necessário ser mais autosuficiente, esperar menos dos outros – especialmente do estado – e construir um repertório mais rico e uma postura mais pró social?

Você é assim, hein?

Quem ouvir o LíderCast em que entrevisto a Fernanda Antonioli conhecerá a experiência que ela viveu em Kopenhagen, ao ser abordada por uma pessoa na rua que apontou para o cadarço de seu tênis que estava desamarrado. Aqui no Brasil, pensaríamos: “poxa, essa pessoa se preocupou comigo, que eu posso cair e me machucar”. Mas lá na Dinamarca era diferente. A pessoa que abordou a Fernanda se preocupou com a possibilidade dela cair, se machucar e ir ocupar o sistema de saúde, um leito no hospital, remédios e tudo o mais. Para aquele dinamarquês, a distração ou irresponsabilidade da Fernanda traria prejuízos para a sociedade.

Percebeu? Enquanto aqui no Brasil pensamos no individual, na Dinamarca se pensa no coletivo.

Pronto. A Ciça começou a ficar assanhada achando eu que virei socialista. Como diria aquele:

“Menos, Ciça. Menas…”

Uia! Agora a moçada da Moda de Rock vai de Beatles! Norwegian Wood!

Lembra daquele frase de Aristóteles que usei no programa Carta Aberta ao Brasil, hein? “Não se pode conceber o muitos sem o um”? Aristóteles dizia que essa coisa chamada sociedade, país, nação, assim como sua tribo, sua empresa, sua família, nada mais é que a soma de cada um de seus componentes. Você não pode dizer que a empresa na qual você trabalha é inovadora, se as pessoas que trabalham nessa empresa não forem inovadoras. O produto pode até ser, mas empresa não será… Você não pode dizer que o país em que vive é alegre, se as pessoas que vivem nesse país não são alegres. Você não pode dizer que vive numa sociedade honesta, se as pessoas que compõem essa sociedade não forem honestas. E uma dessas pessoas é você.

Tão óbvio, né?

Observando o hiato da aspiração é possível compreender o nível de satisfação das pessoas que convivem com você. E até de outros brasileiros. Há pessoas que são felizes simplesmente por ter aspirações mais, digamos, limitadas. E quem entendeu o jogo, toma cuidado com suas aspirações.

Em minha palestra TUDO BEM SE ME CONVÉM, no momento em que falo da necessidade que todos temos de sobreviver e obter o sucesso, eu comento que sucesso é algo relativo. Sucesso para mim, por exemplo, que sou um coxinha, é ter uma moto Harley Davidson, uma casa em Miami, viajar todo ano pro exterior, comer fora e ter uma tevê de 70 polegadas. Já para o Lalá, sucesso é ter um ranchinho na beira duma lagoa, onde ele possa passar o dia todo de bermuda, pescando e tomando um goró. Percebeu? Eu e o Lalá temos percepções diferentes do que seja sucesso. O hiato da aspiração do Lalá é menor que o meu, e ele provavelmente tem chances maiores de ficar feliz…

E a Ciça, hein? Bem, a Ciça se contenta com um sítio em Atibaia, mas não sei se vai rolar, não;

Uau! Nirvana!!!! Smells Like Teen Spirit nas violas do Ricardo Vignini e Zé Helder. Já pensou, Ciça, fim de tarde, esse som maravilhoso, você no pedalinho com um copinho de branquinha… êêêê lasquera….

Em abril de 2014 uma empresa de pesquisas inglesa chamada Ipsos Mori, realizou uma pesquisa com 16 mil adultos em 20 países, perguntando sobre sua qualidade de vida comparada à de seus pais. Na China, 82% das respostas apontaram que a atual geração está bem melhor que a de seus pais. É compreensível. Já na Inglaterra, apenas 36% se disseram em situação melhor que a de seus pais. E essa mudança de percepção aconteceu em apenas uma geração…

Os jovens ingleses, e eu acho que isso pode ser perfeitamente aplicado ao Brasil, hoje enfrentam maiores obstáculos para cobrir seu hiato de aspiração, para conseguir uma carreira que os satisfaça. Os altos custos da educação, a dificuldade em obter o primeiro emprego, o bombardeio pela mídia, são suficientes para assustar até o estudante mais dedicado. E para complicar, houve um aumento substancial do hiato de aspiração, especialmente com relação ao estilo de vida que os jovens vivem e aquele que eles aspiram viver.

Uma ou duas gerações atrás, recebíamos influência de pessoas, da família, dos amigos, dos vizinhos, gente que estava ali, mais ou menos na mesma posição social que a nossa. Não havia uma grande disparidade social. Os ricos estavam lá, longe, vivendo outra realidade à qual éramos pouco expostos. Hoje a mídia nos bombardeia incessantemente com imagens de ricos e famosos, com histórias de sucesso, com jovens milionários e suas start ups e isso cria uma concepção errada sobre como as pessoas vivem. Pesquisas indicam que quanto mais televisão ou outras mídias de massa, inclusive redes sociais, assistimos,  mais superestimamos a porcentagem de gente que está se dando muito bem.

E bate aquele pânico de imaginar que estamos ficando para trás. E então criamos aspirações pouco realistas, que seremos incapazes de atingir, especialmente porque há um paradoxo nessa coisa do consumismo: quanto mais temos, quanto mais consumimos, mais inseguros ficamos. Mais queremos…

E aí vemos milionários querendo viver como bilionários… sacou?

Ninguém, repito, ninguém está imune ao hiato da aspiração. Essa compulsão para o sucesso através do acumulo de bens que não podemos ter aponta a falta de habilidade de encontrar um propósito de vida. E esse é o caminho pra quebrar a cara.

Uau! Led Zepellin na Viola e no Café Brasil! Essa é KASHIMIR…

Acabo de receber uma pesquisa da Nielsen Global  que aponta o que as gerações querem futuramente e ali fica bem claro. A geração Z da garotada entre 15 a 20 anos, quer primeiro ganhar dinheiro, depois ter uma carreira gratificante, em seguida se manter em forma e estar saudável e por fim, passar mais tempo com a família.

Já a  geração silenciosa, da turma dos 65 anos em diante, quer em primeiro lugar se manter em forma e saudável, em seguida passar mais tempo com a família, depois ganhar dinheiro e por fim ter uma carreira gratificante.

Eu vou colocar a imagem dessa pesquisa no roteiro deste programa.

pesquisa

Sacou? O hiato de aspiração muda com o tempo. Suas prioridades mudam conforme você amadurece, conquista sucesso em determinadas atividades, vai galgando os degraus sociais, cria novas expectativas e objetivos.

É assim com os seres humanos. Deveria ser assim com os países. Mas… Vou retornar ao começo do programa. O Brasil evoluiu enormemente nos últimos 60 anos. Não dá nem para comparar quando falamos de infraestrutura, de comunicação,de combate à pobreza, de tecnologia. Mas então, como é que somos ultrapassados por outros países que largaram muito atrás de nós? Que diabos acontece, que parece que o hiato de aspiração do Brasil só aumenta?

Bem, talvez devamos aplicar aqui o que aprendemos do ponto de vista pessoal: primeiro, deveríamos ser capazes de definir sucesso em nossos próprios termos. Que raio de país queremos ter, hein? É para ser uma Dinamarca ou um Estados Unidos? Ou basta ser um Brasil melhor?

Depois deveríamos examinar os hiatos de aspiração das várias faixas da população. Eles estão corretos? São possíveis de serem resolvidos? Para resolvê-los, temos que fazer o quê? Quanto pode ser feito por uma mudança de atitude individual? Quanto tem de ser feito pelas várias formas de organização da sociedade? E quanto precisa ser feito pelo Estado?

Em seguida, deveríamos começar a fazer as escolhas que alinhassem nossos objetivos pessoais e profissionais, com o país que queremos ter. E arregaçar as mangas.

Mas parece que, infelizmente, nos falta um certo conceito de nação, aquele um por todos, todos por um. Muita gente se sente limitada em termos de até quanto pode aspirar fazer ou ser, muita gente se sente tímida para assumir as rédeas, muita gente está acostumada a esperar que o grande pai decida tudo, provendo pão e circo. E assim permanecemos cada um cuidando de si, reduzindo nossos hiatos de aspiração pessoal enquanto aumentamos os hiatos do Brasil.

Louco isso, não é?

Bem, taí um bom tema pra você refletir. Junte o podcast passado, a Carta Aberta ao Brasil, mais outras dezenas que tratam no fundo da mesma coisa e pronto! Tem material pra refletir à vontade e depois fazer o que mais falta: partir pra ação. Mas isso é tema pra outros programas.

Preparando o salto
Siba

Não vejo nada que não tenha desabado
Nem mesmo entendo como estou de pé
Olhando o outro no espelho pendurado
Me reconheço
mas não sei quem é

Não ouço passos de ninguem entre os escombros
Nem mesmo insetos revirando o pó
Um vento seco me arrepia
Encolho os ombros
Mas na verdade estou queimando o sol

Depois do fogo restam só
fumaça e brasas
Eu tiro as cinzas do meu peito nu
Daqui a pouco
meus dois braços serão asas
E eu me levanto
renascido e cru
E mesmo aquela velha sombra ressecada
Imita tanto quantos fui
e sou
ficou nos cacos de um espelho aprisionada
E pés cortados não vai onde eu vou

Antes de nascer as plumas
comi as unhas
Quero me arranhar
pra ter riscado na pele
um mapa tosco pra poder voltar
Vou passar como santo,
mudo
mirando alto, rindo,
preparando o salto,
deixando pra trás tudo.

Com o Pernambucano Siba ou Sibá, e seu PREPARANDO O SALTO, vamos saindo pensandinho.

Com o sempre atento Lalá Moreira técnica, a invocadíssima Ciça Camargo na produção e eu aqui, que to aqui reduzindo hiatos, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Jefferson, teve visita aqui ó, o Cesar, Lucas e Uiliam de Campinas, os violeiros e roqueiros metaleiros, eiros, eiros, Ricardo Vignini e Zé Helder, George Harrison, um som folk de Bangladesh,  e Siba.

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

E o Whatsapp, hein? Mande uma mensagem aí, ó: 11 96429 4746. Se estiver fora do país, já sabe, né? É 55 11 96429 4746. Inspire-se aí. Também estamos no Viber, com o Grupo Café Brasil.

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Pra terminar, uma frase de Albert Einstein:

Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.