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496 – Carta aberta ao Brasil

496 – Carta aberta ao Brasil

Luciano Pires -

Esse é o paraibano Nairon Barreto, popularmente conhecido como Zé Lezin…

Dias atrás viralizou uma carta aberta ao Brasil, que um norte americano que viveu quatro anos por aqui, casou com uma brasileira e agora está retornando para os Estados Unidos, escreveu. A carta está provocando impacto, mas o enfoque dele não é novo, não.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é o Marcelo Ribeiro:

“Fala Luciano! Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu sou o Marcelo Ribeiro, tenho 34 anos, sou de Recife, moro em Brasília tem dez anos já. Então, tem a mesma idade do nosso Café Brasil. Cara! Eu sonhei que eu ia te mandar uma mensagem, linda, maravilhosa, inteligente, pautada em referência bibliográfica, o escambau, quase uma tese de doutorado, mas eu fiquei mirabolando demais esse negócio aí e vou te mandar essa aqui mesmo, tá bom? Tomara que você aceite. Mas assim, na verdade, eu conheço o Café Brasil tem pouco mais de um mês. Cara! Esse mês está parecendo uma eternidade, cara!Foi, por exemplo, no podcast 422, que você trouxe aqui o Clóvis de Barros Filho, que eu aprendi: felicidade, meu amigo, nada mais é do que aquele momento que a gente deseja que seja eterno. É esse o momento que eu estou vivendo com o Café Brasil. Fica a dia aí, para os nossos amigos que estão ouvindo, hunca te mandaram mensagem, não tem vergonha na cara, começa a mandar, meu amigo. Vai mandando. Um dia o Luciano coloca a tua mensagem no programa. Eu tô mandando a minha. Em pouco mais de um mês de ouvinte fiel, eu tô mandando a minha. Cara! É incível como está fazendo uma diferença danada, assim! Estou absorvendo conceitos, ideias, ideais, tava tudo muito embaralhado na minha cabeça. estava andando assim, meu em círculos, sem norte, sem bússola, parecia um walking dead assim funcional. Cara! Eu caminhava assim, fazia as coisas, às vezes até fazia coisa dava certo, você pensa assim: é sorte? Não senhor. No podcast 463, eu descobri que não era sorte. Eu estava preparado para as oportunidades que me apareciam. Luciano, meu amigo! Vamos parar com essa rasgação. Até minha cônjuge, só pra terminar, até minha “conje”, eu chamo minha esposa de “conje”. Até minha “conje” lá em casa, falou assim: depois desse café, você tá ficando mais esperto. Essa cafeína tá te fazendo um bem danado. Mas, vou te falar que o motivo central aqui que eu me… me…porque eu estou te mandando essa mensagem. Me deu essa vontade assim. Vou te mandar essa mensagem porque, me tocou. Um videozinho, facebook, 30 segundos. Campanha do candidato Bernie Sanders à presidência dos Estados Unidos. Na verdade, é candidato a candidato. É isso mesmo. O cara é candidato a ser candidato pelo partido Democrata. Infelizmente a gente não tem isso aqui. Deixa quieto essa parte. Cara! Esse vídeo ele me comoveu. O vídeo é lindo, a mensagem é fantástica, que eu acho que vale a pena até você colocar  aqui no programa. O cara, ele começa mais ou menos assim: nosso trabalho não é dividir. O nosso trabalho é unir as pessoas. Cara! Dá um arrepio danado, o vídeo também é bem feito, vou te falar. Enfim, meu caro, o candidato ele fala em unir, em somar, em viver, como nação, sabe. Com um objetivo comum, de transformar a vida de todos os nacionais, nativos ou não. Um propósito. Um bom propósito aliás, como vimos no podcast 494. Cara! E quando a gente vive com um bom propósito, nossa! Faz toda a diferença, cara! Eu me senti com vontade de votar no cara. Deu vontade de ser americano, só pra eleger o cara. Cê vê, até o vídeo. Eu tive curiosidade de ver o vídeo da Hillary Clinton. Pra dar uma comparada. Pra ver se todo candidato era assim. E eu vi aquela mesma mesmice assim, mesma mesmice de: sou fulana de tal, trabalhei a vida toda pelo próximo, prometo que vou lutar pelo progresso do país e blá e blá e blá e etc. Cara! Aquela mesma ladainha que a gente enxerga por aqui todas as eleições de quatro em quatro anos aqui em Brasília, de dois em dois anos no Brasil todo.

Olá Marcelo. Muito legal seu depoimento.  Bernie Sanders é o candidato que se diz socialista nos EUA. O vídeo é muito bom viu, do jeito que eles sabem fazer… aliás, recomendo que você leia meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO. O pano de fundo, do país dividido, é o mesmo …

Muito bem. O Marcelo receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Vai fazer a festa com a “conge”…  PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence.

Vamos lá então! Ih! Hoje não tem o casal. Hoje tem três aqui. Ô três: hoje eu quero reflexivo

Na hora do amor, use

Três – Prudence.

Tá meio peludo isso aqui hoje… mas, vamos lá.

Mark Manson é o nome do norte americano que escreveu a carta aberta ao Brasil. Em seu site ele se classifica como autor, pensador e entusiasta pela vida. E o propósito ali descrito é instigante: o objetivo deste site é uma forma de auto ajuda baseada na realidade, investigada a partir de um profundo entendimento da psicologia, cultura e um pouco de meu próprio ridículo.

A carta é imensa, escolhi trechos que julguei mais importantes. Você pode encontrar o texto integral no site do Mark: www.markmanson.net.

Vamos lá então, hein?

A gente começa com Brasileirinho, o clássico de Waldir Azevedo, na versão do Divina Caffé.

Querido Brasil,

O Carnaval acabou. O “ano novo” finalmente vai começar e eu estou te deixando para voltar para o meu país.

Assim como vários outros gringos, eu também vim para cá pela primeira vez em busca de festas, lindas praias e garotas. O que eu não poderia imaginar é que eu passaria a maior parte dos quatro últimos anos dentro das suas fronteiras. Aprenderia muito sobre a sua cultura, sua língua, seus costumes e que, no final deste ano, eu me casaria com uma de suas garotas.

Não é segredo para ninguém que você está passando por alguns problemas. Existe uma crise política, econômica, problemas constantes em relação à segurança, uma enorme desigualdade social e agora, com uma possível epidemia do Zika vírus, uma crise ainda maior na saúde.

Durante esse tempo em que estive aqui, eu conheci muitos brasileiros que me perguntavam: “Por que? Por que o Brasil é tão ferrado? Por que os países na Europa e América do Norte são prósperos e seguros enquanto o Brasil continua nesses altos e baixos entre crises década sim, década não?”

(…)

No passado, eu tinha muitas teorias sobre o sistema de governo, sobre o colonialismo, políticas econômicas, etc. Mas recentemente eu cheguei a uma conclusão. Muita gente provavelmente vai achar essa minha conclusão meio ofensiva, mas depois de trocar várias ideias com alguns dos meus amigos, eles me encorajaram a dividir o que eu acho com todos os outros brasileiros.

Então aí vai: é você.

Você é o problema.

Sim, você mesmo que está ouvindo este texto. Você é parte do problema. Eu tenho certeza de que não é proposital, mas você não só é parte, como está perpetuando o problema todos os dias.

Não é só culpa da Dilma ou do PT. Não é só culpa dos bancos, da iniciativa privada, do escândalo da Petrobras, do aumento do dólar ou da desvalorização do Real.

O problema é a cultura. São as crenças e a mentalidade que fazem parte da fundação do país e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade.

O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de “ser brasileiro” mesmo que isso não esteja certo.

(…)

Nos países mais desenvolvidos o senso de justiça e responsabilidade é mais importante do que qualquer indivíduo. Há uma consciência social onde o todo é mais importante do que o bem estar de um só. E por ser um dos principais pilares de uma sociedade que funciona, ignorar isso é uma forma de egoísmo.

Eu percebo que vocês brasileiros são solidários, se sacrificam e fazem de tudo por suas famílias e amigos mais próximos e, por isso, não se consideram egoístas.

Mas, infelizmente, eu também acredito que grande parte dos brasileiros seja extremamente egoísta, já que priorizar a família e os amigos mais próximos em detrimento de outros membros da sociedade é uma forma de egoísmo.

Sabe todos aqueles políticos, empresários, policiais e sindicalistas corruptos? Você já parou para pensar por que eles são corruptos? Eu garanto que quase todos eles justificam suas mentiras e falcatruas dizendo: “Eu faço isso pela minha família”. Eles querem dar uma vida melhor para seus parentes, querem que seus filhos estudem em escolas melhores e querem viver com mais segurança.

É curioso ver que quando um brasileiro prejudica outro cidadão para beneficiar sua famílias, ele se acha altruísta. Ele não percebe que altruísmo é abrir mão dos próprios interesses para beneficiar um estranho se for para o bem da sociedade como um todo.

Além disso, seu povo também é muito vaidoso, Brasil. Eu fiquei surpreso quando descobri que dizer que alguém é vaidoso por aqui não é considerado um insulto como é nos Estados Unidos. Esta é uma outra característica particular da sua cultura.

(…)

É claro que aqui não é o único lugar no mundo onde isso acontece, mas é muito mais comum do que em qualquer outro país onde eu já estive.

Isso explica porque os brasileiros ricos não se importam em pagar três vezes mais por uma roupa de grife ou uma jóia do que deveriam, ou contratam empregadas e babás para fazerem um trabalho que poderia ser feito por eles. É uma forma de se sentirem especiais e parecerem mais ricos. Também é por isso que brasileiros pagam tudo parcelado. Porque eles querem sentir e mostrar que eles podem ter aquela super TV mesmo quando, na realidade, eles não tenham dinheiro para pagar. No fim das contas, esse é o motivo pelo qual um brasileiro que nasceu pobre e sem oportunidades está disposto a matar por causa de uma motocicleta ou sequestrar alguém por algumas centenas de reais. Eles também querem parecer bem sucedidos, mesmo que não contribuam com a sociedade para merecer isso.

Muitos gringos acham os brasileiros preguiçosos. Eu não concordo. Pelo contrário, os brasileiros tem mais energia do que muita gente em outros lugares do mundo (vide o Carnaval).

O problema é que muitos focam grande parte da sua energia em vaidade em vez de produtividade. A sensação que se tem é que é mais importante parecer popular ou glamouroso do que fazer algo relevante que traga isso como consequência. É mais importante parecer bem sucedido do que ser bem sucedido de fato.

Vaidade não traz felicidade. Vaidade é uma versão “photoshopada” da felicidade. Parece legal vista de fora, mas não é real e definitivamente não dura muito.

Se você precisa pagar por algo muito mais caro do que deveria custar para se sentir especial, então você não é especial. Se você precisa da aprovação de outras pessoas para se sentir importante, então você não é importante. Se você precisa mentir, puxar o tapete ou trair alguém para se sentir bem sucedido, então você não é bem sucedido. Pode acreditar, os atalhos não funcionam aqui.

E sabe o que é pior? Essa vaidade faz com que seu povo evite bater de frente com os outros. Todo mundo quer ser legal com todo mundo e acaba ou ferrando o outro pelas costas, ou indiretamente, só para não gerar confronto.

Por aqui, se alguém está 1h atrasado, todo mundo fica esperando essa pessoa chegar para sair. Se alguém decide ir embora e não esperar, é visto como cuzão. Se alguém na família é irresponsável e fica cheio de dívidas, é meio que esperado que outros membros da família com mais dinheiro ajudem a pessoa a se recuperar. Se alguém num grupo de amigos não quer fazer uma coisa específica, é esperado que todo mundo mude os planos para não deixar esse amigo chateado. Se em uma viagem em grupo alguém decide fazer algo sozinho, este é considerado egoísta.

É sempre mais fácil não confrontar e ser boa praça. Só que onde não existe confronto, não existe progresso.

Como um gringo que geralmente não liga a mínima sobre o que as pessoas pensam de mim, eu acho muito difícil não enxergar tudo isso como uma forma de desrespeito e auto sabotagem. Em diversas circunstâncias eu acabo assistindo os brasileiros recompensarem as “vítimas” e punirem aqueles que são independentes e bem resolvidos.

Por um lado, quando você recompensa uma pessoa que falhou ou está fazendo algo errado, você está dando a ela um incentivo para nunca precisar melhorar. Na verdade, você faz com que ela fique sempre contando com a boa vontade de alguém em vez de ensiná-la a ser responsável.

Por outro lado, quando você pune alguém por ser bem resolvido, você desencoraja pessoas talentosas que poderiam criar o progresso e a inovação que esse país tanto precisa. Você impede que o país saia dessa merda em que está e cria ainda mais espaço para líderes medíocres e manipuladores se prolongarem no poder.

E assim, você cria uma sociedade que acredita que o único jeito de se dar bem é traindo, mentindo, sendo corrupto, ou nos piores casos, tirando a vida do outro.

Às vezes, a melhor coisa que você pode fazer por um amigo que está sempre atrasado é ir embora sem ele. Isso vai fazer com que ele aprenda a gerenciar o próprio tempo e respeitar o tempo dos outros.

Outras vezes, a melhor coisa que você pode fazer com alguém que gastou mais do que devia e se enfiou em dívidas é deixar que ele fique desesperado por um tempo. Esse é o único jeito que fará com que ele aprenda a ser mais responsável com dinheiro no futuro.

Eu não quero parecer o gringo que sabe tudo, até porque eu não sei. E Deus bem sabe o quanto o meu país também está na merda (eu já escrevi aqui sobre o que eu acho dos EUA).

Só que em breve, Brasil, você será parte da minha vida para sempre. Você será parte da minha família. Você será meu amigo. Você será metade do meu filho quando eu tiver um.

E é por isso que eu sinto que preciso dividir isso com você de forma aberta, honesta, com o amor que só um amigo pode falar francamente com outro, mesmo quando sabemos que o que temos a dizer vai doer.

E também porque eu tenho uma má notícia: não vai melhorar tão cedo.

(…)

A democracia não resolveu o problema. Uma moeda forte não resolveu o problema. Tirar milhares de pessoas da pobreza não resolveu o problema. O problema persiste. E persiste porque ele está na mentalidade das pessoas.

O “jeitinho brasileiro” precisa morrer. Essa vaidade, essa mania de dizer que o Brasil sempre foi assim e não tem mais jeito também precisa morrer. E a única forma de acabar com tudo isso é se cada brasileiro decidir matar isso dentro de si mesmo.

Ao contrario de outras revoluções externas que fazem parte da sua história, essa revolução precisa ser interna. Ela precisa ser resultado de uma vontade que invade o seu coração e sua alma.

Você precisa escolher ver as coisas de um jeito novo. Você precisa definir novos padrões e expectativas para você e para os outros. Você precisa exigir que seu tempo seja respeitado. Você deve esperar das pessoas que te cercam que elas sejam responsabilizadas pelas suas ações. Você precisa priorizar uma sociedade forte e segura acima de todo e qualquer interesse pessoal ou da sua família e amigos. Você precisa deixar que cada um lide com os seus próprios problemas, assim como você não deve esperar que ninguém seja obrigado a lidar com os seus.

Essas são escolhas que precisam ser feitas diariamente. Até que essa revolução interna aconteça, eu temo que seu destino seja repetir os mesmos erros por muitas outras gerações que estão por vir.

Você tem uma alegria que é rara e especial, Brasil. Foi isso que me atraiu em você muitos anos atrás e que me faz sempre voltar. Eu só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece.

Seu amigo,

Mark

Putz… “Eu só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece”. Que porrada, não?

A carta do Mark mereceu todo tipo de recepção. De um lado um pessoal entusiasmado com o “é isso mesmo!”. De outro os que ficaram putos com o gringo. Porra, há anos centenas de antropólogos, sociólogos, jornalistas, escritores, cientistas, estudam profundamente e tentam explicar o Brasil e os brasileiros. E ainda não conseguiram. E esse tal Mark, que esteve aqui durante quatro anos, viu e viveu um segmento do Brasil e quer se fazer de gostoso é?

Bem, o que Mark escreve em sua carta é sua opinião. O-pi-ni-ão. Não é um trabalho antropológico ou uma expressão definitiva da verdade. Nem mesmo é uma reportagem. Ele fez exatamente como nós fazemos quando visitamos os Estados Unidos ou ficamos sabendo de coisas que acontecem por lá: deu sua opinião comparando com aquilo que ele conhece. Só podemos definir alguma coisa em relação a outra coisa. Por meio de comparações.

O Mark é norte americano, portanto só pode definir o Brasil em comparação com os Estados Unidos, não é? Sua opinião é tão legítima como se tivesse sido escrita por um polonês, um alemão, um canadanse ou um australiano, não é? Aliás, ele mesmo é crítico em relação aos Estados Unidos, como pode ser lido em seu site.

Foi Balzac quem disse um dia que “quando todo mundo é corcunda, o belo porte torna-se monstruosidade”.

Essa versão de Brasileirinho aí no fundo, é muito interessante. É o Pepeu Gomes…

Olha! E se você quer saber, nem original o Mark é… Em 2006, salvei um texto que me chegou atribuído a um tal José Moscão, que eu não faço a menor ideia de quem seja. No texto ele também falava sobre o Brasil e os brasileiros. Ouça. Dez anos atrás…

“Os desejos primários de todas as pessoas são: ser feliz, progredir e ganhar mais dinheiro. Uma forma efetiva de alcançar estes anseios é ser rico e próspero. Assim como há pessoas pobres e pessoas ricas, há países pobres e países ricos.  A diferença entre os países pobres e os ricos não é a antiguidade do país.(…)

A diferença entre os países pobres e ricos também não está nos recursos naturais de que dispõem (…). Também não está na inteligência das pessoas a tal diferença, como o demonstram estudantes de países pobres que emigram aos países ricos e conseguem resultados excelentes em sua educação. Outro exemplo são os executivos de países ricos que visitam nossas fábricas e, ao falar com eles, nos damos conta de que não há diferença intelectual.

Finalmente, não podemos dizer que a etnia faz a diferença, pois nos países centro europeus ou nórdicos, vemos como os chamados “ociosos” da América Latina (nós!!) ou da Africa, demonstram ser a força produtiva daqueles países.

O que é então que faz a diferença?

A ATITUDE DAS PESSOAS FAZ A DIFERENÇA!

Ao estudar a conduta das pessoas nos países ricos descobre-se que a maior parte da população cumpre as seguintes regras, cuja ordem pode ser discutida:

  1. A moral, como princípio básico
  2. A ordem e a limpeza
  3. A integridade
  4. A pontualidade
  5. A responsabilidade
  6. O desejo de superação
  7. O respeito às leis e aos regulamentos
  8. O respeito pelo direito dos demais
  9. Seu amor ao trabalho
  10. Seu esforço pela economia e investimento

Necessitamos, então, de mais leis? Não seria suficiente cumprir e fazer cumprir estas 10 simples regras? Nos países pobres, só a mínima (ou quase nenhuma) parte da população segue estas regras em sua vida diária. Não somos pobres porque ao nosso país faltem riquezas naturais, ou porque a natureza tenha sido cruel conosco, mas simplesmente, por nossa atitude.

Falta-nos caráter para cumprir essas premissas básicas de funcionamento das sociedades.

Se esperarmos que o governo solucione nossos problemas, ficaremos toda a vida esperando.

Quanto mais empenho colocarmos em nossos atos, mudando nossa atitude, mais rápido pode significar a entrada do nosso país na senda do progresso e bem estar para todos.

Portanto, “a diferença que faz a diferença, é um conjunto de ítens que estão intrinsecamente ligados ao interior do homem e não ao seu exterior.”

Viu só, hein? Uma opinião de um brasileiro, escrita 10 anos atrás. Mas tem outros…

 

Rolando Boldrin recitando em 2007 um poema de Cleide Canton, com um verso de Ruy Barbosa no final. Mas sabe como é, cara… isso é tudo opinião de bacana, gente que estudou, da tal elite. O povo, o povão lá, o humilde, pensa diferente…

 

 

Essa é CANTA BRASIL, de Alcir Pires Vermelho e David Nasser, com o violonista Aderbal Duarte.

A fala que você ouviu é de uma brasileira humilde, nordestina, que não é elite… esse vídeo circula pela internet desde o ano passado e está no roteiro deste programa no Portal Café Brasil.

E olha, tem mais gente que fala do brasileiro com poemas. Por exemplo, este aqui, chamado IDENTIDADE, de autoria do pernambucano Hideraldo Montenegro.

Que povo eu sou
que senta comigo no sofá
e que assiste a tv embasbacado?
Que povo eu sou
se não sou um
mas muitos nós?
Que povo eu sou
que vai à missa
e pede perdão e pede clemência
e salvação pelos erros
que cometem conosco, comigo?
Que povo eu sou
incompleto e perdido?
Que povo eu sou
que vivo olhando
para o meu próprio umbigo
e não me encontro em mim
mesmo nos outros eus?
Que povo eu sou
se não sou eu?

Muito bem… Você reparou que eu quase nem comentei o depoimento do ouvinte Marcelo Ribeiro no começo do program, hein? É que o contexto do programa já é meu comentário. E tem mais uma parte. Ouça:

“Luciano. O nosso país está dividido. A gente está sem ideia, sem ideal. Sempre com as mesmas promessas não cumpridas. A gente não tem rumo. Não tem propósito. Não estou falando isso apenas para o governo não, cara! Tô falando isso como reflexão de nação, de sociedade. Cara! Que país que a gente quer? O país da impunidade, da pena de morte? Do cara, pai de família que vai pegar o filho na escola e é condenado à morte instantaneamente por um cara, cidadão igual a ele, que fica depois perambulando livremente, por falta de justiça ou por falta de propósito, como uma cobra que espera pegar a próxima presa? Cara! O país que a gente quer é um país sem ideias, sem ideais, sem propósito, desunido, cotista, segregado, segregador? Cara! Eu vou te falar o pais que eu quero. Eu quero o país do senhor Senders. Eu quero um país com propósito. Talvez não seja o país que ele vive hoje. Mas, o país que ele almeja. É lá onde eu quero jogar a minha âncora. Essa é a meta que eu desejo para o meu país. A âncora, meu amigo Luciano, do podcast 489. Tudo me leva à âncora. Eu iniciei o meu mergulho aqui no Café Brasil, por meio da âncora. Meu primeiro contato, há pouco mais de um mês, dia 08 de janeiro de 2016, justamente no dia do meu aniversário, foi com a âncora. Após 34 anos, considero que eu nasci de novo. Eu descobri, cara, que eu viva no obscuro. Nasci desse obscuro pra vida com sentido, com meta, com olhares, objetividade, armadura emocional, enfim, muito mais recheado. Mas, com muita calma, sem ansiedade. Afinal, meu amigo, nesse meu novo nascimento, sou apenas um bebezinho com pouco mais de um mês de vida. Obrigado Luciano, obrigado Lalá, obrigado Ciça. Obrigado Café Brasil. Me permita, Café Brasil de te chamar de pai. Um forte abraço.”

Deus te abençoe, meu filho… Mas toma cuidado com esse Sanders, viu?

Meu amigo Adalberto Piotto publicou um texto recente no Portal Café Brasil, com um relato interessante. Ouça só:

“No começo de julho, estive com minha família em Nova York. No penúltimo dia de viagem, num cruzamento da Quinta Avenida, paramos no semáforo vermelho dos pedestres. Foi quando avistei uma casca de banana inteira, virada pra baixo em cima da faixa de segurança, um pouco à minha esquerda. Parecia uma cena clássica de anedota, de cartum ou daqueles desenhos dos livros escolares de exemplos de má educação e perigo. Visualizou a cena?

Pois bem. Mostrei aos meus filhos e, aproveitando o sinal fechado, fui lá, peguei a casca e tão logo o sinal abriu atravessamos e pude enfim por a casca na primeira lixeira do outro lado da rua.

No dia seguinte, meus filhos, crianças ainda, foram contar a outro brasileiro, residente nos EUA e que presta serviços a turistas, o caso que tinham presenciado. Ao relatar a história até o momento que viram a casca de banana sobre a faixa de pedestres, já logo ouviram deste outro brasileiro a sentença: “só pode ser coisa de brasileiro”. E complementou com seu âmago cucaracha: “isso é coisa de brasileiro ou de latino”, referindo-se aos hispânicos, em grande número em Nova York e em todos os Estados Unidos.
Foi quando contamos a ele o desfecho da história.

Se ele não tinha certeza se realmente um brasileiro tinha jogado a casca de banana na rua, nos tínhamos certeza que um latinoamericano brasileiro é quem tinha pegado a casca na rua e a colocado na lixeira, evitando um acidente e contribuído para a limpeza de Nova York, preocupado com o coletivo, seja que coletivo for.”

Mistério do planeta
Novos Baianos

Vou mostrando como sou e vou sendo como posso.
Jogando meu corpo no mundo,
andando por todos os cantos
e pela lei natural dos encontros,
eu deixo e recebo um tanto.
E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas.

Passado, presente,
participo sendo o mistério do planeta.

O tríplice mistério do stop,
que eu passo por e sendo ele no que
fica em cada um.

No que sigo o meu caminho
e no ar que fez e assistiu.
Abra um parênteses,
não esqueça que independente disso
eu não passo de um malandro.
De um moleque do Brasil,
que peço e dou esmolas.
Mas ando e penso sempre com mais de um,
por isso ninguém vê minha sacola.

Você está ouvindo os Novos Baianos com MISTÉRIO DO PLANETA. Você reparou quando eles cantam que…

Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

Bem, o que eu tentei fazer neste programa foi mostrar que os argumentos que o Mark usou em sua carta ao Brasil estão por aí há muito tempo, que muitos, eu diria até milhões, de brasileiros têm consciência deles e estão fazendo sua parte para provocar a mudança.

E olhe que eu nem voltei lá atrás nos caras que discutem o Brasil há muito mais tempo.

E o mais interessante: montei este programa enquanto faço a revisão do livro CAFÉ BRASIL – 10 ANOS, onde falo de cada um dos quase 500 programas que foram ao ar até hoje. E quer saber de uma coisa, hein? Tudo que o Mark escreve em sua carta está lá nos programas, em dose homeopática, sempre batendo na tecla da necessidade de uma mudança cultural.

Mas atenção!!! O perigo de dizer que a culpa de tudo é de todos nós, é fazer com que ela seja de ninguém. Não pode ser assim, viu? Uma coisa é discutir a origem do problema, outra é tomar atitudes contra os maus brasileiros que estão por aí agora, neste momento. Criminosos têm de ser presos e julgados por seus crimes sim senhor.

E tudo que eles querem é que a culpa seja compartilhada com outros, não é? De preferência com todos…

Como eu disse antes, o que você fará com as reflexões – na verdade as provocações – que o Mark, o Moscão, o Marcelo, o Hideraldo, a Cleide Canton ou aquela brasileira humilde propõem, é problema seu. Os problemas que eles apontam existem? Sim senhor. Todos os brasileiros são assim? Não senhor. O que dá pra ser feito entao, hein?

Bem, dá pra ficar putinho com a arrogância do “gringo que se acha melhor”, por exemplo. Isso só vai demonstrar a sua, sua aí, que tá me ouvindo,  ignorância.

Dá para sair justificando, tentando desculpar, não aceitando as críticas. Isso só vai demonstrar sua incapacidade de olhar para o umbigo da nação.

Dá pra fingir que não é com você. Que isso é problema dos outros. Isso só vai demonstrar sua incapacidade de compreender que, como disse Aristóteles, “não se pode conceber o muitos sem o um”.

Dá pra reclamar que isso tudo é mais do mesmo, que já sabemos disso, que não tem novidade. Isso só vai demonstrar seu conformismo, ou deixar claro que você está resignado.

Dá pra ficar definitivamente broxado, desesperançado, sem perspectivas. Isso só vai demonstrar sua incapacidade de lidar com a verdade.

Mas também dá para não vestir a carapuça, reconhecer que existem problemas, comprar a briga e se transformar em agente da mudança, deixando de aceitar o “nas coxas” tão tupiniquim.

A escolha de quem é, hein?

Bem, eu já fiz a minha. Como o Adalberto Piotto e a casca de banana, estou do lado que faz a mudança. Junto com um monte de brasileiros dos quais me orgulho.

Até porque, a alternativa, qual é?

Aluga-se
Raul Seixas
Claudio Roberto

A solução pro nosso povo eu vou dar
Negócio bom assim ninguém nunca viu
Tá tudo pronto aqui é só vir pegar
A solução é alugar o Brasil!

Nós não vamos pagar nada
Nós não vamos pagar nada
É tudo free,
Tá na hora agora é free,
vamo embora
Dar lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar

Os estrangeiros, eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico, tem vista pro mar
A Amazônia é o jardim do quintal
E o dólar deles paga o nosso mingau

Nós não vamos pagar nada
Nós não vamos pagar nada
É tudo Free,
Tá na hora agora é Free,
vamo embora
Dar lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar

Nós não vamos pagar nada
Nós não vamos pagar nada
Agora é free
Tá na hora agora é free,
vamo embora
Dar lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar

E é assim então, com o som do ALUGA-SE com o velho e bom Raul Seixas, que vamos saindo no embalo…

Com o brasileiríssimo Lalá Moreira na técnica, a enlouquecida Ciça Camargo na produção, dois visitantes, o Rodrigo Rodrigues e o Raphael Skarnulis, aqui no estúdio conosco e eu, este brasileiro que quer enlouquecidamente que o Brasil dê certo, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Marcelo Ribeiro, Pepeu Gomes, Aderbal Duarte, Rolandro Boldrin, Raul Seixas, Mark Manson, Hideraldo Montenegro, José Moscão e uma brasileira.

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Pra terminar, uma frase de quem? Claro. Do próprio Mark Manson

Nossas batalhas determinam nossos sucessos. Então escolha suas batalhas com sabedoria, my friend.