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Luciano Pires -

A vida da gente é feita de escolhas, não é? Todos estamos escolhendo A ou B diariamente, e cada uma dessas escolhas representa um risco. O risco de escolher e o de não escolher. Mas como lidar com o medo de correr esses riscos?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é o Mauricio Neri… Ouça só:

“Caro Luciano, muito obrigado por realizar um trabalho tão importante, tão valoroso, tão nobre. Gostaria de dizer que essas amarras sentimentais são poderosíssimas e todos somos vítimas, em maior ou menor grau. Uma das coisas que ajuda a se livrar disso é tentar identificar e combater rótulos. Estamos o tempo todo buscando classificar tudo e todos. Adoro rock, música clássica, eletrônica… dentre outros ritmos. Você fez uma coisa genial ao quebrar um preconceito musical meu. Discorreu sobre geração de valor em sua brilhantíssima trilogia Meritocracia e, para ilustrar, tocou Diogo Nogueira “Pra valorizar”. Eu jamais ouviria esse artista se não fosse provocado por você a prestar atenção nele. No programa de ontem foi a mesma coisa com Martinho da Vila , conheço o refrão “Devagar devagarinho” há anos mas nunca me interessei pela música. Afinal, frequento salas de concerto e não ouço samba, “sou erudito” (rótulo). Parabéns por me mostrar que o chão é mais embaixo. Ontem até me emocionei ao ouvi-lo cantar e descrever um aspecto da minha própria vida: querer fazer tudo ao mesmo tempo. Passarei a prestar mais atenção às músicas que você toca aberto às novidades e consciente de que a beleza está em todo lugar, seja numa sinfonia de Tchaikovski ou num samba, que apesar de simples (comparado à sinfonia), pode oferecer preciosas reflexões e inspirações para a vida. Acredito que serei uma pessoa mais completa se aprender a apreciar cada vez mais formas de arte. Do heavy metal ao sertanejo.

Também enfrento um dilema profissional: desejo progredir na empresa onde trabalho mas preciso fazer um curso na área de exatas. Crio mil dificuldades para mim mesmo pois sou apaixonado pelas ciências humanas, um humanista (outro rótulo) e repito mentalmente que “números nunca foram meu forte, não entendo cálculos” (voz de choramingo que você faz rs) e demais bobagens.

Nutro uma paixão por livros e literatura, um dia gostaria de ver algo meu em alguma prateleira. Embora tenha interrompido duas vezes a graduação em letras, leio bastante e conheço parte do caminho das pedras. É engraçado que, quanto mais se lê, mais difícil fica escrever pois parece que nunca fica razoável. Conhecendo os grandes escritores fico apequenado achando que “quem sou eu para achar que sei escrever” e isso impede de seguir com o projeto de vida de publicar um livro. Fico feliz de pelo menos ter a consciência de que tudo depende de mim. Diz um provérbio chinês que “a mais alta das torres começa no solo”. Assim, sigo ainda tímido mas vou ousar cada vez mais, acreditando em mim e ouvindo o Diogo Nogueira “basta suar a camisa, a própria vida avisa o momento de avançar…” e chegarei lá. Tive um colega de faculdade que realizou seu sonho e publicou dois livros. Ele sim teve mérito, divulgue o nome dele: José Roberto Vieira, autor de O Baronato de Shoah! Uso o exemplo dele e busco crer que, se agir com determinação, minha vez também chegará. Divulgo seus programas entre meus amigos. Obrigado uma vez mais.

Um abraço do Maurício Neri.”

Grande Maurício… pois é, meu caro, é como sempre digo, o primeiro passo você já deu! Teve a humildade de reconhecer o problema, a inteligência de procurar a cura… agora vem a parte mais difícil: colocar as coisas em prática. Agir! Bola pra frente, meu caro. Nossa parte estamos fazendo aqui no nosso cafezinho!

Muito bem. Além do livro, o Mauricio receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte da sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. Aí, Mauricio, se é por falta de motivação pra agitar, esse kit é uma porrada…  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então, hein! Hoje eu não quero dois, não. Hoje eu quero um ogro. Vem aqui Lalá. Hoje eu quero com força, Lalá! Vamos lá!

Lalá – Como é que é? Hoje você quer com força? Que frase é essa?

Na hora do amor, use

Lalá – Prudence.

Vamos lá então… o Mauricio Neri faz um comentário interessante sobre a capacidade de fazer acontecer, sobre seu sonho de um dia escrever um livro e sobre se achar cada vez mais incapaz para tanto. Acho que essa angustia todos temos, especialmente quando nos propomos a tentar algo novo, não é? Eu vivo esse drama direto… Mas tudo tem a ver com preparar a cabeça para correr riscos. E não há como não remeter essa angústia para a praia do empreendedorismo, não é?

Outro dia participei de uma discussão bem legal sobre a diferença entre o empreendedorismo de quem é executivo numa empresa e o de quem é dono do próprio nariz.

Empreendi pela primeira vez dos 24 aos 26 anos de idade, como dono de um estúdio de arte depois transformado em agência de publicidade. Não posso dizer que foi um fracasso, mas foi… Fui executivo de uma multinacional dos 27 aos 52, uma carreira da qual muito me orgulho. E me tornei empreendedor novamente aos 52, mergulhando de cabeça no Café Brasil.

Durante minha carreira como executivo, fiz verdadeiras loucuras na empresa, sempre andando sobre uma linha tênue, com meu pescoço exposto. E isso se tornou um mantra para mim: não há como fazer a diferença, sair da média, sem correr riscos. Risco é o nome do jogo e é ele que começa a definir a questão do empreendedorismo. Hoje corro riscos diariamente e me vejo praticando quase tudo que praticava quando executivo: buscar obsessivamente o novo, não me conformar com as regras, tentar sempre além das possibilidades, me expor de forma transparente, provocar as pessoas e entrar em frias, escolher os caminhos mais arriscados… Tudo pela consciência de que do risco nascem as grandes recompensas. Eu empreendia como executivo e hoje empreendo como empreendedor independente.

Então qual é a diferença? Vou usar uma metáfora que tem a ver com um salto no espaço: na multinacional eu praticava bungee jump. Hoje vôo de wing suit.

Para quem não sabe, bungee jump é aquele salto que as pessoas dão de cima de pontes, com uma espécie de elástico preso nos calcanhares. Chegam até perto do chão e o elástico as puxa para cima.

Wing suit é aquele macacão especial que alguns indivíduos usam para saltar de cima de penhascos. Quando abrem os braços e as pernas, a roupa possibilita planar e dirigir o vôo até um limite, quando um paraquedas é aberto e o sujeito aterrisa em segurança.

Nas duas situações, só uns malucos praticam, cara, há muita adrenalina, um risco imenso, tem que ter uma dose de loucura e, quem gosta, diz que o resultado é compensador. Digamos que o resultado das duas atividades é o mesmo: aquela carga de adrenalina que nos dá a certeza de que estamos vivos. e a sensação de estar livre no salto, no espaço.

Mas há uma diferença.

No bungee jump, existe um elástico preso no calcanhar. Se você errar o salto, talvez dê um mau jeito nas costas ou desloque uma vértebra. A coisa só fica séria se o elástico arrebentar.

Na outra situação, da wingsuit, é você, suas habilidades e… deu, cara! Se errar, morre.

Respeito profundamente os empreendedores corporativos, a turma do bungee jump. Não é todo mundo que tem a coragem deles, acho que são necessários e têm um valor gigantesco, pois lutam contra inimigos internos, contra um sistema engessado e contra gente que não faz e não deixa fazer. Se você é um deles, parabéns.

Mas wing suit… é outra praia.

Resumo: acho que o que define um empreendedor é o grau de risco pessoal que ele assume. E aqui vem a recomendação ao Mauricio, eu acho até que já usei num programa anterior: tudo que vale a pena ser feito, vale ser feito mesmo que seja nas coxas.  Escrever um livro só acontece se você… escrever. Se esperar até estar pronto para se considerar um escritor, talvez seu livro jamais seja escrito. O mantra é: faça simples, publique, deixe a turma conhecer, e depois sofistique. De novo:

Faça simples. Publique. Deixe a turma usar. E depois, sofistique.

Eu morro de vergonha dos primeiros 150 podcasts que gravei. Acho o conteúdo adequado, mas aquela locução me agride os ouvidos. Mas sem aqueles 150 eu não teria material para aperfeiçoar. Quando leio uns dos primeiros artigos que escrevi, fico envergonhado com erros grosseiros, com o ritmo… Mas foi a prática diária e os talvez mais de 800 artigos escritos que me ensinou a escrever um pouco melhor. Em todos os casos eu fiz, publiquei, esperei a turma conhecer e me dar os retornos e parti para melhorar. E sei perfeitamente como é difícil dar o primeiro passo. É o medo que segura a gente.

Em minha carreira na multinacional, aprendi a lidar com riscos, a me preparar, a planejar, a ampliar a visão, a desafiar as convenções. Com uma corda de segurança na canela, fui um bungee jumper de primeira, cara, um baita empreendedor. Mas hoje com o Café Brasil, dono do meu nariz, me lançando no espaço sem o elástico de segurança, na minha wingsuit, sou muito mais.

A vida da gente é feita de escolhas. Todos estamos escolhendo A ou B diariamente, e cada uma dessas escolhas representa um risco. Quem sempre escolhe o menor risco pode sim levar uma boa vida, na média, sem grandes saltos ou sobressaltos, confiando na sorte e naquilo que um dia o Zeca cantou…

Deixa a vida me levar
Serginho Meriti
Eri do Cais

Eu já passei por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida espero ainda minha vez
Confesso que sou de origem pobre
Mas meu coração é nobre, foi assim que Deus me fez

E deixa a vida me levar (vida leva eu)
Deixa a vida me levar (vida leva eu)
Deixa a vida me levar (vida leva eu)
Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu

Só posso levantar as mãos pro céu
Agradecer e ser fiel ao destino que Deus me deu
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho, lá vou eu

Se a coisa não sai do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos, lá vou eu
E sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu

E deixa a vida me levar (vida leva eu)
Deixa a vida me levar (vida leva eu)
Deixa a vida me levar (vida leva eu)
Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu

Que tal, hein? Essa é o clássico de Zeca Pagodinho DEIXA A VIDA ME LEVAR , composta por Serginho Meriti e Eri do Cais, mas aqui na interpretação do grupo Rio Samba’n’roll, com aquela mistura maluca que os brasileiros sabem fazer tão bem.

Pois é… mas deixar a vida me levar nunca pareceu ser uma opção… Quero ser dono do meu destino. E fui desenvolvendo algumas habilidades para enfrentar os riscos. Vou contar o que aprendi, sempre lembrando que isto é coisa minha, que estou contando pra você. Por quê? Porque provavelmente sou bem mais velho que você e já passei por muitos riscos nesta vida…

Corra o risco
Olivia Byington

Ouça dos lábios da cigana, você se engana.
É tão difícil ver na frente com seu medo.
Durante o dia se você deita, pela janela o inimigo
espreita.
Você estremesse, mas fica mudo de horror, e treme de
pavor…
Durante a noite é diferente, tá tudo escuro.
Se você pensa no futuro, cai no sono.
E no seu sonho, subitamente, a cama feita, o inimigo
espreita
Você estremesse, mas fica mudo de horror, e treme de
pavor…
No outro dia o mesmo medo a mesma hora
A solidão vem desde cedo, e devora
Não adianta, ela não passa… Qualquer que seja a reza
que você faça
Por que no fundo você não pode suportar a hora de
arriscar.
No outro dia o mesmo medo a mesma hora
A solidão vem desde cedo, e devora
Não adianta, ela não passa… Qualquer que seja a reza
que você faça
Por que no fundo você não pode suportar a hora de
arriscar.

Essa é CORRA O RISCO, com Olivia Byington e a Barca do Sol com Jacques Morelembaum, de um álbum clássico – e pouco reconhecido –  lá de 1978 que fez muito a minha cabeça.

Muito bem. e seguimos com as pílulas de sabedoria do Dr. Luciano. Você pode contribuir com as suas pílulas na área de comentários deste programa no Portal Café Brasil.

Ao fundo vamos com RISCO, com Oswaldinho do Acordeon, do fantástico álbum Forró in Concert.

Primeiro aprendi a avaliar a probabilidade de cada risco. Cada escolha feita nunca vem com apenas um risco, que pode ser dor, infelicidade, vergonha, fracasso, morte, eu sei lá. Identificar a probabilidade de que cada uma dessas coisas aconteça é um desafio. Primeiro temos de reunir informações, que dificilmente são suficientes ou confiáveis. Quando não as temos, o melhor a fazer é perguntar para quem já passou pela mesma situação, mesmo que nada garanta que o contexto será o mesmo. Mas lembre-se: você está reunindo o maior número de informações possíveis. Depois é olhar para aquilo tudo e fazer uma estimativa: qual a chance daquelas coisas acontecerem com você? Você vai ter que confiar em sua intuição e o mais legal é que ela – a intuição – melhora com a experiência.

Aí vem a identificação da significância de cada risco, é outra encrenca. A significância é subjetiva e objetiva, relativa e absoluta. Cada pessoa tem um nível diferente de tolerância ao risco, o que torna a significância subjetiva. O que é arriscado para mim pode não ser para você. É objetiva também, pois vários riscos já foram estudados e conhecemos suas consequências. Por exemplo, dirigir depois de beber. A gente sabe onde isso pode dar. A significância é relativa pois, dependendo do contexto, os benefícios podem ser maiores ou menores que o risco. Por exemplo, eu jamais investiria o dinheiro que investi para construir o estúdio do Café Brasil neste ano. De jeito nenhum. Mas surgiu uma oportunidade de aproveitar os materiais do antigo estúdio do Lalá e, de repente, o risco ficou menor que o benefício. Por fim, a significância do risco é absoluta, pois há momentos em que ele é totalmente inaceitável. Por exemplo, um benefício que para ser obtido colocará sua vida definitivamente em risco… isso não é aceitável.

Faça então assim: compare sua tolerância pessoal a riscos, com a objetividade ou subjetividade do risco que você vai assumir. Compare esse risco com outras situações de risco pelas quais você passou. O risco é maior ou menor? Por exemplo, conforme um estudo do Conselho Nacional de Segurança nos Estados Unidos, a chance de morrer num acidente de trânsito é de 1 em 85. A chance de morrer num acidente de avião é de 1 em 5862. Tem sentido então para mim, que dirijo todo dia, ter medo de voar de avião? Entendeu o jogo aqui? Quando você se vê paralisado diante de um risco, pode ajudar saber que esse risco é muito menor do que outros que você corre todo dia.

Depois, compare o risco com o benefício. São os benefícios que impulsionam a tolerância ao risco. Mas é importante comparar não apenas o risco de fazer esta ou aquela escolha, mas o risco de não fazê-la. Se você não aceitar aquele cargo, vai perder o quê? Se você não aceitar fazer o investimento, vai acontecer o quê? Foi isso que me fez assumir o risco de investir no Estúdio do Café Brasil. Se eu não o fizesse naquele momento, o Lalá daria um fim em todos os equipamentos e estrutura que hoje estão aqui, a um custo muito mais baixo do que custaria quando eu decidisse fazer do zero. Talvez nunca. Mas eu não tinha o dinheiro, cara! Bem, aí vem a decisão de correr o risco. Empresta do banco, vende o carro, usa o cheque especial, entra numa sinuca, mas faz. E quer saber, hein? Não me arrependo nem um pouco…

Então é isso, meu caro. Meu ponto aqui não é ensinar uma fórmula, dizer como se faz, é mostrar como eu faço, como funciona para mim, como era quando eu saltava de bungee jump e como é agora com wing suit. A única coisa que mudou é que agora os riscos são beeeeemmm maiores. Mas o prazer de chegar lá, cara, também é.

Eu to voando
Karnak

Nesse exato momento eu tô voando
Eu tô voando

Eu tô vendo muita gente triste
Eu tô vendo muita gente feliz
Eu tô vendo vendo um passarinho bonito
Tomando água no chafariz

Eu tô vendo muita gente com ódio
Eu tô vendo muita gente com amor
Eu tô vendo um mendigo doente
Tomando pinga pra passar a dor

Daqui do céu da prá ver tudo
Os continentes desse mundo

Eu tô vendo a morte passando
Eu tô vendo a vida passar
Eu tô vendo uma girafa grande
Eu tô vendo o palhaço chorar

Eu tô vendo um piolho, uma pulga
Eu tô vendo um cachorro coçando
Eu tô vendo um vendaval gigante
Eu tô vendo o cabrito mamando

Daqui do céu dá prá ver tudo
Os continentes desse mundo

Eu tô vendo muita confusão
Homem briga por religião
Eu tô vendo o santo respirar
Na igreja católica
Eu tô vendo o pai de santo ali
Eu tô vendo o laminha sorrir
Eu tô vendo o rabino pensando
Como as coisas podem existir

Daqui do céu da prá ver tudo
Os continentes desse mundo

Nesse exato momento eu tô voando
Eu tô voando

É assim então, ao som de EU TO VOANDO, com o Karnak, sócio do Café Brasil que a gente não tocava há tempos… que vamos saindo de mansinho. Voandim, voandim….

Taí então, meu caro Mauricio, lembre-se que tudo o que eu disse aqui, valeu e vale para mim. Não sei se vale pra você, não. Mas recomendo que você mergulhe de cabeça nessa aventura de escrever seu livro. Bote a cara pra bater, erre, tente de novo, passe vergonha, escreva outra vez, jogue fora, fique angustiado, desesperado… mas comece! Arrisque. E isso vale pra você aí também que está de boca aberta aí no busão esperando a vida te levar.

Com o risk taker Lalá Moreira na técnica, a arriscada Ciça Camargo na produção e eu, este voador de wing suit desviando dos penhascos Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Mauricio Neri, Olivia Byington com a A barca do Sol, Karnak, Oswaldinho do Acordeão e Rio Samba ‘n’Roll.

O Café Brasil só chega até você porque a Pellegrino, resolveu investir na gente. A Pellegrino, além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora. Conheça. E se delicie.

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Este é o Café Brasil, que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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E para terminar, uma frase do escritor norte americano T.S. Elliot

Somente quem corre o risco de ir longe demais pode descobrir quão longe alguém pode chegar.